segunda-feira, 8 de junho de 2026

espiritualidade

 

Em Madri, a América Latina comparece em peso para a chegada do “Papa peruano”

Os fiéis da América Latina foram particularmente numerosos na imensa multidão de 1,2 milhão que veio receber Leão XIV para a celebração de Corpus Christi neste domingo, o segundo dia da visita papal à Espanha. A Aleteia conversou com alguns desses fiéis, que ficaram especialmente felizes em conhecer este papa que possui cidadania peruana e fala com eles em sua própria língua.

Famílias devotas e alegres, apesar da falta de sono, lotaram as ruas de Madri desde o amanhecer, enquanto a capital espanhola vivenciava sua maior concentração desde a Jornada Mundial da Juventude em 2011, com a presença atingindo o pico de mais de 1,2 milhão de fiéis durante a procissão eucarística ao meio-dia. Poucas horas antes da celebração, uma impressão se repete em quase todos os relatos: a de um catolicismo espanhol profundamente transformado pela chegada de migrantes latino-americanos. Para muitos dos fiéis que encontramos, a visita do Papa surge como o símbolo visível de uma Igreja que se tornou mais diversa, mais jovem e mais internacional.


John, um colombiano que vive na Espanha há seis anos, observa esse mosaico humano ao seu redor com emoção. A eleição de um Papa com nacionalidade peruana é um sinal poderoso para ele. "É uma grande alegria, uma grande bênção", explica. "Deus está nos dando a oportunidade de estarmos juntos, de compartilharmos como uma só família", insiste este homem radiante. "Aqui, há todas as raças, todas as culturas. O que importa é aprender a viver como a família que Deus quer que sejamos", afirma com convicção. A palavra "família" surge constantemente nas conversas. Muitos dos que aguardam em Madri hoje vivenciaram exílio, deslocamento ou migração econômica. A Igreja muitas vezes serviu como seu primeiro ponto de referência. John pertence a uma comunidade leiga, os Peregrinos da Eucaristia. Ele descreve uma jornada espiritual que começou há vários anos. "Somos como crianças na fé", diz ele. Sua história pessoal é a de muitos migrantes. Motorista, pintor, faz-tudo, ele já exerceu diversas profissões desde que chegou à Espanha. Hoje, trabalha com uma família. "Quando você trabalha para Deus, tudo ganha sentido. Não importa o que você faça, traz alegria", afirma.

O amor pelo "Papa peruano"

Essa dimensão comunitária também se evidencia no testemunho de Carlos, outro membro dos Peregrinos da Eucaristia. Vindo do Peru há três anos com sua família, ele veio para a Espanha em busca de um futuro melhor para seus filhos. Como muitos outros migrantes, ele ainda enfrenta entraves burocráticos. "Ainda não temos todos os documentos necessários. Isso às vezes causa ansiedade", explica. Mas seu estresse palpável no início da conversa se dissipa ao mencionar o "Papai Peruano", Leão XIV, cujo nome traz um enorme sorriso e uma onda de afeto e serenidade aos rostos de sua família. Para ele, a eleição de um papa com laços com o Peru também representa motivo de orgulho e confiança no futuro. “É um conforto para os peruanos. Ele conhece nosso país, nossa sociedade, nossas dificuldades”, enfatiza.

Na multidão, os sotaques latino-americanos eram particularmente numerosos. Sebastian, um jovem mexicano que se estabeleceu recentemente na Espanha, também observou essa presença maciça. "Ontem à noite, durante a vigília, havia um número enorme de latino-americanos", disse ele. "Foi muito enriquecedor".

Carlos et sa famille à Madrid lors de la venue du pape Léon XIV, le 7 juin 2026

"Você conhece pessoas de diferentes culturas que compartilham os mesmos valores e a mesma fé." Natural de Ciudad Juárez, ele vê na figura deste papa — nascido nos Estados Unidos, mas que teve a audácia de "migrar" para o sul — um sinal de esperança para todo o continente latino-americano. "Ouvir falar de um papa nascido nos Estados Unidos, mas que se tornou cidadão peruano, é algo único." “Isso também demonstra a vitalidade da fé na América Latina, que certamente oferecerá ao mundo outros papas no futuro, depois de Francisco e Leão”, espera ele.

Em uma Europa frequentemente descrita como secularizada, os rostos reunidos em Madri contam uma história diferente. É a história de uma Igreja em processo de renovação, impulsionada pela migração, pela juventude e por comunidades que se recusam a ficar confinadas dentro das fronteiras nacionais. Esses fiéis falam, em última análise, de apenas uma coisa: seu desejo de formar uma única comunidade. “Uma só família”, repete João. No murmúrio alegre que se eleva da multidão madrilenha, essa expressão parece encapsular o espírito do dia.

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