terça-feira, 26 de agosto de 2025

IGREJA

 

O que é preciso para ser catequista?

Alguns requisitos práticos exigidos para este ministério laical

Para ser catequista é preciso, antes de mais nada, atender ao chamado de Deus para esta "função" tão importante. Ser catequista, de fato, é uma vocação. É preciso estar disposto a contribuir com a missão evangelizadora da Igreja, a ser um trampolim para a iniciação na vida cristã, a fazer ressoar a Palavra de Deus no coração das pessoas.

Atender a esse chamado implica, principalmente, ter a humildade de querer servir a comunidade e ajudar crianças, jovens e adultos a trilhar no caminho que leva ao Senhor.

O que é preciso para ser catequista?

Na prática, cada diocese define a forma como escolhe seus catequistas. Geralmente, o convite vem do próprio pároco. Mas é possível também se candidatar para a função, que recentemente se tornou ministério (leia mais abaixo).

De maneira geral o catequista (ou a catequista) deve ter recebido os sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Confirmação. É preciso também ter uma presença ativa na própria comunidade, conhecer a Bíblia e ter paciência e didática para lidar com crianças e jovens.

Algumas dioceses também exigem um curso de preparação específico para catequistas. Essa preparação pode levar até dois anos.

O Ministério do Catequista

Em 2021, o Papa Francisco publicou a carta apostólica Antiquum Ministeriuum, através da qual instituiu o Ministério de Catequista. No documento, o pontífice reforça os requisitos necessários para o ministério laical:

"Convém que, ao ministério instituído de Catequista, sejam chamados homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação ativa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé, e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Christus Dominus, 14; CIC cân. 231 §1; CCEO cân. 409 §1). Requer-se que sejam colaboradores fiéis dos presbíteros e diáconos, disponíveis para exercer o ministério onde for necessário e animados por verdadeiro entusiasmo apostólico."

No site Catequista em Formação, a catequista Ângela Rocha escreveu: "Por esta 'lista' já se pode antever que não será assim tão fácil ser um 'ministro da catequese'. E nem poderia ser diferente, já que esta é uma missão importante demais para a Igreja, que precisa de uma evangelização integral se quiser atingir a todos."

Existe idade mínima para ser catequista?

Outra dúvida bastante comum é se existe ou não uma idade mínima exigida para os candidatos a catequista.

Na verdade, nenhum documento discorre especificamente sobre isso. Entretanto, na Antiquum Ministerium, Francisco diz que o catequista precisa ter "maturidade humana". Desse termo, podemos inferir que espera-se que o candidato à função tenha experiência pessoal de vida para que possa transmiti-las aos catequizandos.

Vale lembrar que essa "maturidade" não necessariamente está relacionada à idade. Assim, uma pessoa mais velha pode não ter tantas experiências de vida e de fé relevantes para repassar durante a catequese. Por outro lado, um jovem pode ter testemunhos importantes que irão contribuir para a boa formação religiosa dos catequizandos.

Além disso, "maturidade humana" também se refere ao equilíbrio psicológico tão necessário nessa missão.


IGREJA

 

Ministério de Catequista: uma “autêntica vocação laical”

O novo ministério é um convite dirigido às Igrejas locais para que valorizem a contribuição de homens e mulheres que pretendem consagrar a vida à catequese como forma privilegiada de evangelização

Acriação do novo Ministério de Catequista pelo Papa Francisco, em 2021, visa apoiar os leigos que “pretendem dedicar a vida à catequese como forma privilegiada de evangelização”. Foi o que explicou Dom Rino Fisichella, presidente do Conselho para a Nova Evangelização. O bispo Franz-Peter Tebartz-van Elst, ex-bispo de Limburgo, por sua vez, alertou contra a armadilha de qualquer forma de clericalização dos leigos.

É pela "Igreja do terceiro milênio" que o Papa Francisco está instituindo o novo Ministério de Catequista, explicou Dom Fisichella. Este ministério sempre acompanhou o caminho de evangelização da Igreja em todos os tempos e em todas as longitudes. Com a instituição deste ministério, insistiu o prelado, o Papa Francisco promove a formação e o empenho dos leigos na missão.

Ministério de Catequista: "autêntica vocação laical"

Este novo ministério é um "convite" dirigido às Igrejas locais para que valorizem a contribuição de homens e mulheres que "pretendem consagrar a vida à catequese como forma privilegiada de evangelização". “Receber um ministério leigo como o de um catequista enfatiza ainda mais o compromisso missionário típico de cada batizado, que deve ser realizado de forma plenamente secular”, disse o arcebispo italiano.

Este ministério está reservado às pessoas que reúnam certas condições enumeradas no motu proprio, como a de "servir a Igreja onde o bispo a considere mais qualificada". O ministério não é dado por uma "gratificação pessoal", advertiu o presidente do Conselho para a nova evangelização, "mas pelo serviço que se pretende prestar à Igreja local e ao serviço onde o bispo considera necessária a presença do catequista ”.

Nem clericalização dos leigos, nem secularização do clero

“Autêntica vocação laical”, o Ministério de Catequista não deve levar a crer na “clericalização dos leigos”, segundo os dois prelados. Os fiéis são, de fato, chamados a exprimir a sua vocação baptismal «com toda a sua capacidade», «não como substitutos de sacerdotes ou consagrados, mas como autênticos leigos», insiste Dom Fisichella. Para eles, trata-se de experimentar "plenamente" o chamado batismal a testemunhar um serviço eficaz na comunidade e no mundo.

Por sua vez, Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst saudou o fato de que o motu proprio, ao fortalecer a função do catequista na Igreja, não o fez “derivar do ministério da hierarquia”, mas o orientou para ele. Com efeito, o Papa Francisco sublinha o risco de que “a definição do perfil do Ministério de Catequista conduza a uma nova forma de clericalização”.

Nesse sentido, o ex-bispo de Limburgo recordou que o Papa Francisco, apoiando-se na noção de “espiritualidade de comunhão” formulada por João Paulo II, nos convida sempre a discernir a especificidade de cada batizado, “na aceitação como enriquecimento para serviço próprio ”.

O prelado alemão insistiu também no fato de que toda "catequese autêntica" "faz parte da comunhão da Igreja e requer uma comunicação constante com Deus e com os fiéis". Além da importância dada à “formação específica e sólida” do catequista, o motu proprio especifica claramente, segundo Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, que o catequista “não deve assumir tarefas ou responsabilidades principalmente litúrgicas ou pastorais de 'outros ministérios', mas que ele mesmo é em seu testemunho “mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo da própria vocação e talento, entendido de maneira evangélica”.