domingo, 8 de fevereiro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Qual o sentido das promessas a Deus, a Maria e aos santos?

Atenção: promessa não é barganha!

Recentemente, o apresentador de TV Marcos Mion caminhou 110 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida. O objetivo da peregrinação foi pagar uma promessa que ele tinha feito a Nossa Senhora Aparecida para conseguir um trabalho na Rede Globo.

Nas redes sociais, a peregrinação recebeu elogios de muitos fãs. Outros, entretanto, criticaram a forma de agradecimento, alegando que Deus não nos pede para fazer promessas.

Mas, a final, o que a Igreja Católica nos diz sobre as promessas ou ex-votos?

"Em várias circunstâncias, o cristão é convidado a fazer promessas a Deus. O Batismo e a Confirmação, o Matrimônio e a Ordenação sempre as contêm. Por devoção pessoal, o cristão pode também prometer a Deus este ou aquele ato, oração, esmola, peregrinação etc. A fidelidade às promessas feitas a Deus é uma manifestação do respeito devido à Majestade divina e do amor para com o Deus fiel."

Devemos fazer promessas?

De fato, as promessas são muito tradicionais e presentes na vida dos católicos. Constituem formas de agradecimento por um favor obtido. Mas, de acordo com o Pe. Reginaldo Manzotti, Deus não nos pede isso. "Deus não pede promessa. Somos nós que fazemos. Porque a aliança dele já foi estabelecida no Cristo. E essa é imutável. Deus não está pedido para você fazer promessa. Mas se fizer, cumpra. Lembrando que somos nós que nos esforçamos para obter os nossos pedidos", explica o sacerdote.

Promessa não é barganha

Ainda de acordo com o padre, promessa não é barganha, mas existe um sentido lógico nesta intenção:

"Há graças que devem ser somadas à oração e à penitência, atos de caridade. Então, é tão importante se recebê-la, que você faça certas mortificações, certos atos de caridade para a graça recebida...

São Paulo cumpriu uma promessa e raspou a cabeça. Por isso, tem gente que pensa: se eu receber essa graça, quando eu receber, eu farei tal propósito. Não é para chantagear Deus, mas mostrar, reconhecer que aquilo que foi recebido não foi por seus méritos, mas por Deus."

E se você não pagar a promessa?

Há pessoas que exageram em suas promessas e não conseguem cumpri-las. O que acontece nestes casos? Será que a graça é cancelada? Haverá alguma punição?

Pe. Luiz Camilo Júnior explica que "Deus nos abençoa porque Ele nos ama, não em decorrência daquilo que a Ele prometemos... Portanto, se você fez uma promessa e não está conseguindo pagá-la, procure um sacerdote. Ele te dará um outro gesto que você poderá fazer para expressar a sua gratidão a Deus pela bênção alcançada".

SANTO DO DIA

Hoje é celebrado são Jerônimo Emiliani, padroeiro dos órfãos e jovens abandonados


A Igreja Católica celebra hoje (8) a memória de são Jerônimo Emiliani, religioso italiano que se dedicou ao serviço dos mais necessitados, fundador da Congregação dos Clérigos Regulares de Somasca, ordem dedicada a ajudar crianças órfãs.

Jerônimo (Girolamo Emiliani) nasceu em Veneza, Itália, em 1486. ​​Era filho de Ángelo Emiliani, senador da República de Veneza, e Eleonora Morosini. O santo costumava dizer que foram seus pais que o ensinaram a rezar e incutiram nele a ideia de que quem reza nunca está sozinho. Como Jerônimo perdeu o pai quando tinha 10 anos, aquele ensinamento lhe deu grande conforto e o levou a se agarrar à oração.

Soldado do melhor dos senhores

Ao crescer, Jerônimo se tornou militar e participou da guerra contra a Liga de Cambrai. Depois, substituindo o seu irmão ferido em combate, assumiu o comando das forças que defendiam a fortaleza de Castelnuovo di Quero, sitiada pelos franceses. No final, Castelnuovo caiu nas mãos do inimigo e Jerônimo foi feito prisioneiro.

O revés que a derrota significou para ele e acabar preso em seu próprio castelo acabou mudando sua perspectiva de vida. Foi no calabouço onde redescobriu a fé e iniciou um caminho de conversão e entrega, muito marcado pela humildade.

Aqueles dias de prisão ajudaram o santo a aprofundar sua devoção e carinho por Nossa Senhora. Ele pedia a ela constantemente a libertação, enquanto, no silêncio e na solidão da prisão, forjava uma intensa amizade com Jesus através da oração.

Um dia, inesperadamente, ele conseguiu escapar da masmorra sem nenhuma dificuldade. Mais tarde, o santo contou que a Virgem lhe apareceu para lhe dar as chaves e poder escapar. Alguns anos depois, quando a paz voltou à região, Jerônimo voltou a Castelnuovo para assumir o cargo de prefeito do local, vago após a morte de seu irmão.

Um tio afável, um homem caridoso com todos

Após essa experiência, Jerônimo voltou a Veneza para se encarregar da educação de seus sobrinhos e auxiliar a esposa de seu irmão que tinha morrido. Foi nas horas vagas que começou a ler teologia e a se envolver em obras de caridade. O ano era 1518, e Jerônimo havia feito dos hospitais e abrigos para os mais pobres seus destinos diários favoritos.

Em 1531, após a propagação da praga da cólera, convenceu os cidadãos de Veneza da importância da construção de um hospital. Para isso, inspirou-se nos Teatinos, que conhecera anos antes no hospital para doenças terminais que administravam; depois, em Brescia, ergueu um orfanato; e faria o mesmo em Bérgamo, um para meninos mais velhos e outro para meninas. Lá, também fundou um lar de acolhida para prostitutas que queriam abandonar a vida de dor, desonra e semiescravidão que levavam.

A Companhia dos Servos dos Pobres

Junto com dois padres, Alejandro Besuzio e Agustín Bariso, colaboradores em suas obras de caridade, fundou uma sociedade religiosa em 1532, estabelecendo sua sede em Somasca, que fica entre Milão e Bérgamo. Os membros de sua sociedade ficaram conhecidos como os Clérigos Regulares de Somasca (originalmente a Companhia dos Servos dos Pobres).

A congregação, que atualmente conta com cerca de 75 casas no mundo e 500 religiosas, tem se dedicado a cuidar dos órfãos, dos pobres e dos doentes. São Jerônimo ordenou desde o início que a acolhida ao estrangeiro, a hospedagem, a comida e a roupa deveriam levar a “marca” da pobreza religiosa.

Jerônimo Emiliani contraiu a peste no início de fevereiro de 1537 e morreu no dia 8 do mesmo mês, aos 56 anos. Vários milagres foram reconhecidos após sua morte. Foi beatificado pelo papa Bento XIV em 1747 e canonizado pelo papa Clemente XIII em 1767. O papa Pio XI o declarou padroeiro das crianças órfãs em 1928.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de domingo: sal e luz

Comentário ao Evangelho do V domingo do Tempo Comum (Ciclo A). «Vós sois o sal da terra». Jesus enche-nos de esperança hoje. Basta pôr um pouco de graça à nossa volta para descobrir Deus em tudo.


Evangelho (Mt 5, 13-16)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».


Comentário

Imediatamente depois de expor as Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12), Jesus fala da missão no mundo e na sociedade daqueles que acolherem a sua palavra e viverem de acordo com essa mensagem. Sugere-o com imagens muito expressivas: o sal e a luz.

Condimentar com sal os alimentos para conservá-los era muito importante na época em que não se dispunha dos atuais sistemas frigoríficos e, além disso, conferia-lhes um toque de sabor. O sal evita a corrupção, ao mesmo tempo que torna a comida mais saborosa, e consegue-o discretamente, misturando-se entre os ingredientes. No Antigo Testamento reconhece-se um valor purificador no sal (cf. Ex 30, 35), e é símbolo da fidelidade (cf. Nm 18, 19). Nesse sentido, nós, discípulos de Cristo, somos convidados a ser sal em todos os ambientes onde se desenvolva a nossa vida, purificando-os e tornando-os agradáveis.

Na Palestina, no tempo de Jesus, o sal de uso doméstico não era muito refinado. Tratava-se de material salgado procedente do Mar Morto, misturado com muitas impurezas. Para usá-lo, era diluído e retirava-se a escória que restava. Às vezes essa substância tinha muito mais pó do que sal, razão pela qual a dissolução era quase insossa, de modo que só servia para ser deitado fora. Jesus serve-se dessa experiência da vida diária para convidar a manter a integridade no pensar e no agir. A lição é sempre atual, como recordava S. Josemaria: «Tu és sal, alma de apóstolo. – ‘Bonum est sal’ – o sal é bom, lê-se no Santo Evangelho, ‘si autem sal evanuerit’ – mas se o sal se desvirtua..., para nada serve, nem para a terra, nem para o esterco; lança-se fora como inútil. Tu és sal, alma de apóstolo. – Mas, se te desvirtuas...»[1].

Por seu lado, a luz é algo imprescindível para se poder ver, e acende-se para que ilumine, não para ficar escondida. Mas tem também um profundo sentido teológico. O Verbo, que existia desde o princípio junto de Deus e que é Deus, é «a luz verdadeira, que ilumina todo o homem» (Jo 1, 9), e os discípulos de Cristo, participando da sua claridade, são chamados a ser «luzeiros no mundo» (Fl 2, 15). Nos textos litúrgicos antigos chama-se “iluminação” ao batismo, de modo que o cristão «'depois de ter sido iluminado' (Hb 10, 32), converte-se em ‘filho da luz’ (1Ts 5, 5), e em ‘luz’ ele mesmo’»[2].

O cristão é sal e luz do mundo quando, com o seu exemplo e com a sua palavra, leva a cabo uma atividade apostólica intensa. O Concílio Vaticano II ensina-o, aludindo a esta passagem evangélica: «Os leigos têm inumeráveis ocasiões para o exercício do apostolado da evangelização e da santificação. O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras, realizadas com espírito sobrenatural, têm eficácia para atrair os homens para a fé e para Deus, pois o Senhor diz: ‘brilhe assim a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus’ (Mt 5, 16)»[3].

Esta ação apostólica à qual Jesus chama os seus discípulos é especialmente urgente num mundo secularizado onde, como indicava o Bem-aventurado Álvaro del Portillo, «inumeráveis pessoas se afastam d'Ele em todos os ambientes da sociedade. Nós, como tantos outros cristãos que também trabalham por Cristo no seio da Igreja, devemos construir – como me agrada repetir esta ideia! – como um muro de contenção que detenha os homens na sua louca fuga de Deus, com o desejo de convertê-los em apóstolos que contribuam para que as almas voltem para Deus. E o que somos nós? Um pouco de sal, um pouco de levedura colocada na massa da humanidade (cf. Mt 5, 13). Mas este sal e esta levedura, com a graça de Deus e a nossa correspondência, devolverão o sabor divino àqueles que se tornaram insípidos, farão fermentar a farinha, até transformá-la em bom pão»[4

sábado, 7 de fevereiro de 2026

IGREJA

 Domingos da Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima preparam para a Quaresma

O “Sermão da Sexagésima” é uma das obras literárias mais importantes da língua portuguesa. O sermão pregado pelo padre Antônio Vieira em 1655, na Capela Real, em Lisboa, Portugal, é frequentemente tema de vestibular. Ele trata da própria arte de pregar a palavra de Deus com eficácia baseado no trecho do Evangelho que conta a parábola do semeador.

A enorme maioria dos católicos, porém, não celebra mais a Sexagésima, que é a cerimônia do próximo domingo (8). Apenas quem mantém o rito tradicional anterior à reforma do Concílio Vaticano II ainda celebra os três domingos, Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima, que antecedem a Quaresma e são um período de preparação para o tempo quaresmal.

“Na Quarta-feira de Cinzas, entramos no tempo quaresmal, que é o tempo de penitência pública na Igreja. São quarenta dias que se caracterizam de modo mais profundo pela oração, pelo jejum e o exercício da caridade. Para não entrarmos neste tempo ex abrupto, saindo do tempo pós-Epifania e entrarmos direto na Quaresma, a Tradição da Igreja colocou uma espécie de antessala quaresmal, mostrando-nos os motivos da penitência, o que deve nos guiar neste caminho e os frutos que obteremos”, disse à ACI Digital o padre José Edilson Lima, da Administração Apostólica São João Maria Vianney, circunscrição eclesiástica de caráter pessoal no território da diocese de Campos (RJ) que mantém a liturgia antiga, a disciplina e os costumes tradicionais em plena comunhão com a Santa Sé.

O sacerdote disse que os fiéis começam a Septuagésima “com a consciência de nossa condição de pecadores, degredados filhos de Adão e passando a nos conhecermos a nós mesmos”.

Segundo ele, a Igreja quer que “saibamos quão profunda foi a queda original para assim também considerarmos justamente a malícia de nossas faltas pessoais, e deste modo compreendermos, pelo menos em algum grau, a imensa misericórdia do Senhor para conosco”. Desta maneira, disse, “estaremos preparados para as expiações salutares que nos aguardam na Quaresma e para as alegrias indizíveis que virão através delas”.

Os três domingos de preparação

Neste ano, o domingo passado (1º) foi o da Septuagésima, o próximo (8) será o de Sexagésima e o seguinte (15), o da Quinquagésima.

Segundo o padre José Edilson, “embora sejam sessenta e três dias para a Páscoa, a Igreja apresenta o número de sete exatamente por significar como número base dos mistérios”.

“A duração do próprio mundo, segundo a antiga tradição cristã, é dividida em sete eras. A raça humana deve passar pelas sete eras antes do amanhecer do dia da vida eterna, desde Adão até a vinda do Juiz dos vivos e mortos. Na verdade, a Liturgia expressa a própria história humana”, disse.

O sacerdote destacou que “o tempo da Septuagésima nos lembra a queda de Adão no Paraíso e, com ele, toda a humanidade”. Por isso, “conscientes de nossas misérias, vamos nos preparando nestas três semanas para o grande tempo quaresmal, pois ‘a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação’”, disse, citando o número 8 da constituição dogmática Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, sobre a Igreja.

Nesses domingos, disse o padre, “a Igreja já nos chama à reflexão sobre a nossa vida e o que pode lhe dar verdadeiro sentido”.

No domingo da Septuagésima, “o Evangelho vai nos chamar atenção para o chamado que Deus faz a cada um de nós: Vinde trabalhar na minha vinha. Eu vos darei o que for justo (Mt 20,4)”, disse o padre José Edilson. “O denário que o senhor da vinha dá ao operário é a bem-aventurança eterna”

No domingo da Sexagésima, “somos interpelados a ouvir a Palavra de Deus, semente colocada em nós por Jesus Cristo e sua Igreja”. “Devemos, pois, nos preparar como ‘terra boa’ para as grandes pregações quaresmais que sacudirão a poeira da tibieza em nossos corações e nos arrancarão do estado de torpor”.

No domingo da Quinquagésima, disse o padre José Edilson, “ouvimos Jesus falar de sua Paixão e Morte pelos nossos pecados”. “A Igreja também nos mostra a figura do cego de Jericó, que somos todos nós, embotados pelo pecado e pelo vício. Mas nos mostra a esperança na misericórdia de Jesus, que nos faz ver a verdade que liberta e nos dá uma nova vida”, acrescentou.

Segundo o sacerdote, “assim a Igreja vai nos preparando pedagogicamente para a grande penitência quaresmal”.

Já na liturgia, há alguns elementos que caracterizam esse tempo de preparação para a Quaresma. “Cala-se o cântico do Gloria in excelsis Deo e o Aleluia, que somente retornam na Páscoa, embora possam estar presentes nas missas dos santos durante a semana”, disse o padre José Edilson. Segundo ele, “no lugar do Aleluia, que nos prepara com alegria para o Evangelho, a liturgia entoa o Trato, que expressa sentimentos de arrependimento, de súplica angustiada, de humilde confiança, sentimentos que devemos assimilar nestes dias”. Além disso, os paramentos litúrgicos são na cor roxa, “chamando todos à penitência que nos eleva às coisas do alto”.

Mudança no calendário pós-Concílio Vaticano II

Com a reforma litúrgica pós-Concílio Vaticano II, houve mudanças no calendário litúrgico da Igreja, com a supressão de algumas celebrações. Entre elas, a dos domingos da Septuagésima, da Sexagésima e da Quinquagésima.

O padre José Edilson contou à ACI Digital que “os principais motivos colocados” para a eliminação desses domingos de preparação para a Quaresma do calendário litúrgico “foram a simplificação do calendário, pois a reforma buscou reduzir tempos considerados complexos ou pouco compreendidos, e a valorização dos chamados tempos fortes: Tempo comum e Quaresma e, por fim, a ênfase numa catequese mais direta”.

Mas, esses domingos ainda são celebrados na Administração Apostólica São João Maria Vianney. “Isto ocorre seguindo ao Missal utilizado (Edição de 1962) seja nas paróquias da Administração Apostólica, seja nas igrejas atendidas por nós nas diversas dioceses do Brasil”, disse o padre José Edilson, que celebra em algumas igrejas na arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ).

Apesar de não estar mais presente no calendário litúrgico pós-conciliar, o padre José Edilson considera que os fiéis podem aproveitar os domingos da Septuagésima, da Sexagésima e da Quinquagésima para se preparar para a Quaresma.

“Primeiro atendendo ao chamado de Cristo para buscar a conformidade com Ele no caminho de santidade (Septuagésima). Segundo, abrindo-se à Palavra de Deus e sua graça, buscando ser terra boa, que dê frutos de santidade (Sexagésima). Por fim, unir-se a Cristo em sua Paixão por um sincero espírito de sacrifício que leve à verdadeira caridade (Quinquagésima)”, disse.

“Além disso”, concluiu, “o tema da vigilância perpassa todo o tempo da Septuagésima”.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrado o beato Pio IX, o papa que se declarou prisioneiro

Hoje (7), a Igreja Católica celebra o beato Pio IX, 255º papa da Igreja Católica. Seu pontificado, de 16 de junho de 1846 a 7 de fevereiro de 1878, é considerado o segundo mais longo da história com um total de 31 anos, 7 meses e 22 dias. O papa são João Paulo II o beatificou junto com o papa são João XXIII em 3 de setembro de 2000.

Início de um itinerário

Giovanni Maria Battista Pellegrino Isidoro Mastai Ferretti, papa Pio IX, nasceu em Senigallia, Itália, em 13 de maio de 1792. Seus pais eram Gerolamo e Caterina Solazzi, que o batizaram no mesmo dia em que nasceu.

Em 1809 viajou para Roma a fim de continuar os estudos que iniciara em sua cidade natal. Mesmo sem ter uma orientação clara para o sacerdócio, vivia de forma exemplar, como o demonstram alguns propósitos feitos em 1810 após um retiro espiritual: lutar contra o pecado, evitar qualquer ocasião perigosa, estudar "não por ambição de conhecimento", mas para o bem dos outros, o abandono de si nas mãos de Deus.

Ele interrompeu seus estudos em 1812 devido a uma doença e foi exonerado do serviço militar. Em 1815, tentou ingressar na Guarda Pontifícia, mas também teve que desistir devido a problemas de saúde. Giovanni Maria sofria de epilepsia desde muito jovem, doença que foi diminuindo com o passar dos anos até desaparecer completamente, acredita-se, graças à intercessão de Nossa Senhora de Loreto.

A serviço de Deus, a serviço da Igreja

Ele recebeu as ordens menores em 1817, o subdiaconato em 1818 e o diaconato em 1819. Nesse mesmo ano foi ordenado sacerdote. Celebrou sua primeira missa na Igreja de Santa Ana dos Carpinteiros, do Instituto Tata Giovanni, do qual foi nomeado reitor, cargo que ocupou até 1823.

O padre Giovanni Maria já dava claros indícios da sua personalidade: um homem de oração constante, consagrado ao ministério da Palavra e do sacramento da Reconciliação; sempre perto dos mais humildes e necessitados.

Ele soube conciliar a vida ativa com a contemplativa de maneira admirável. Muito dedicado ao trabalho pastoral e social, mostrava-se também muito recolhido, dada a sua intensa devoção eucarística e a sua piedade à Virgem.

Em 1820 deixou o Instituto Tata Giovanni e empreendeu uma viagem ao Chile, acompanhando o núncio apostólico, dom Giovanni Muzzi. Ficou nesse país até 1825.

Voltando à Itália, em 1825, foi eleito diretor do Asilo São Miguel, importante obra eclesial a serviço da comunidade, que foi reformada por ele de forma eficaz. Aos 36 anos, foi nomeado bispo e enviado à arquidiocese de Spoleto. Esta foi uma fase muito difícil da sua vida dada a sua juventude e a imensa responsabilidade que foi colocada sobre os seus ombros.

Em 1832, dom Giovanni Maria foi transferido para outra diocese, desta vez para Imola, onde continuou o seu estilo de pregador fecundo e persuasivo, pronto para a caridade com todos, pai zeloso dos seus sacerdotes diocesanos, clérigos e seminaristas, promotor de iniciativas em favor da educação dos jovens. Em 1840, com apenas 48 anos, dom Giovanni Maria foi criado cardeal.

Pontificado sob o sinal da Cruz

Na tarde de 16 de junho de 1846, o cardeal Giovanni Maria foi eleito papa e assumiu a Sé de São Pedro com o nome de Pio IX.

Durante o seu pontificado, devido às circunstâncias políticas derivadas da unificação da Itália e da perda dos Estados Pontifícios, a sua tarefa tornou-se extremamente difícil. Foram tempos muito difíceis que o papa teve de enfrentar com sabedoria e prudência.

Por isso, o papa Pio IX é reconhecido como um dos maiores pontífices; "Vigário de Cristo" e ao mesmo tempo cumprindo um papel político, assumido para o bem da Igreja de Cristo.

A sua obra doutrinal implicava uma visão programática destinada a enfrentar os principais problemas e ameaças tanto para a Igreja como para a civilização cristã: condenava as sociedades secretas, a maçonaria, o comunismo e o liberalismo.

Dentre as ações ou medidas mais marcantes do papado de Pio IX, pode-se destacar: a restauração da hierarquia católica na Inglaterra, Holanda e Escócia; a definição solene, em 8 de dezembro de 1854, do dogma da Imaculada Conceição; o envio de missionários para as zonas do norte da América e da Europa , para a Índia, Birmânia, China e Japão; a promulgação do Syllabus errorum, na qual alertava para os erros do chamado modernismo; a celebração, com particular solenidade, do XVIII centenário do martírio dos apóstolos Pedro e Paulo; a celebração do Concílio Ecumênico Vaticano I, iniciado em 1869 e concluído (por suspensão) em 18 de julho de 1870. Durante esse concílio, foi estabelecida a chamada doutrina da infalibilidade do papa.

De volta para casa

Após a queda de Roma em 20 de setembro de 1870 e o fim do poder temporal do papa, Pio IX trancou-se no Vaticano, declarando-se “prisioneiro”. Sua posição se tornou um exemplo de dignidade e desapego da ordem temporal por ser um exercício de liberdade religiosa, firme diante do poder secular.

Em 7 de fevereiro de 1878, com sua piedosa morte, terminou seu pontificado.