sexta-feira, 2 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 Afinal, o que é a devoção ao Imaculado

 Coração de Maria?

Com a ofensiva russa em território ucraniano, o Papa decidiu consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. O Pontífice convidou todos os bispos e sacerdotes do mundo inteiro a se unirem a esta consagração. Mas o que é, de fato, a devoção ao Imaculado Coração de Maria?

Trata-se de uma devoção católica específica a um aspecto da santidade da Mãe de Deus: sua pureza total, confirmada pelo dogma da Imaculada Conceição em 1854. É uma devoção relativamente recente, construída sobre os princípios mariológicos dos teólogos medievais como Santo Anselmo e São Bernardo de Claraval. Embora Santo Anselmo, no final do século XI, ainda não acreditasse na Imaculada Conceição, sua doutrina teve uma grande influência nesse sentido. Em sua obra De conceptu virginali, o arcebispo de Cantuária admite: "Era apropriado que esta Virgem brilhasse com tal pureza que, além de Deus, não se podia pensar em nenhuma".

Além de sua pureza, sua fé e total confiança em Deus caracterizam o Imaculado Coração de Maria. "O Coração de Maria é imaculado porque está livre do pecado, mas também porque é inteligente, ouvindo constantemente a Deus", disse nosso colunista Jean-Michel Castaing. "O coração de Nossa Senhora está livre de erros, negligências e erros por causa de sua atenção a Deus e aos assuntos divinos".

O amor de Nossa Senhora pela obediência reflete em sua inteligência. A este respeito, o coração de Maria, como sede da inteligência e da vontade, é um modelo para os cristãos: "Isto é o que Deus pede às Suas criaturas: confiar Nele, permitindo-nos ser instruídos por Ele nos caminhos que Ele escolheu e que nem sempre são os nossos", diz Jean-Michel Castaing.

A difusão da devoção ao Imaculado Coração de Maria

A devoção ao Imaculado Coração de Maria experimentou um grande boom na França a partir de 1830, com a aparição mariana na Rue du Bac, durante a qual a natureza imaculada da alma da Virgem foi revelada a Santa Catarina Labouré. Em 27 de novembro de 1830, a Virgem pediu à freira que fizesse uma medalha com os Corações de Jesus e Maria lado a lado, com esta oração: "Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".

"Maria concebida sem pecado", uma fórmula que anunciava o dogma da Imaculada Conceição proclamado 24 anos depois pelo Papa Pio IX.

Nossa Senhora de Fátima

Mas foi especialmente com as aparições marianas em Fátima, Portugal, a partir de 1917, que a devoção ao Imaculado Coração de Maria assumiu uma grande dimensão. Durante a segunda aparição, em 13 de junho de 1917, a Virgem declarou a Lúcia: "Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração".

Um mês depois, em 13 de julho de 1917, quando Nossa Senhora apareceu às crianças pela terceira vez, ela pediu "a consagração da Rússia ao [seu] Imaculado Coração", bem como "a comunhão reparadora" todo primeiro sábado do mês.

Esta devoção ao Imaculado Coração de Maria está, portanto, intimamente ligada às aparições de Fátima.

É por isso que a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria foi programada para acontecer ao mesmo tempo (no dia 25 de março de 2022) em Roma e no Santuário de Fátima, em Portugal.

ESPIRITUALIDADE

 

Espiritualidade do Coração de Jesus: do encontro com Cristo à entrega ao irmão

Viver a espiritualidade do Coração de Jesus nos dias de hoje é permitir que o amor transforme nossa vida por inteiro, moldando nosso ser, nosso servir e o nosso amar. Unir o coração ao de Jesus é entrar no mistério, deixando-se formar pelo Evangelho, para que a fé transborde em atitudes e presença de compaixão.

A espiritualidade do Coração não é somente um caminho de transformação interior, é  também  profundamente apostólica e missionária. Como Papa Francisco nos ensinou, é do Coração de Cristo que brota o amor que sustenta nossas convicções e inspira a missão (FRANCISCO, 2024, n. 32). A evangelização verdadeira nasce do amor apaixonado de Jesus pelo ser humano e se comunica por meio de testemunhos que irradiam ternura, misericórdia e fidelidade.

O convite à intimidade nos conduz naturalmente à missão. Andrea Tessarolo nos recorda que "somente a reparação de Cristo é fonte de todas as obras de reparação; [...] devemos deixar que a nossa realidade, toda transformada pelo amor, seja contínua irradiação de amor redentor [...]" (TESSAROLO, 2000, p. 103). Ao unir nosso coração ao de Jesus, passamos do egoísmo ao amor, do pecado à graça, tornando-nos instrumentos de comunhão e cura.

Madre Clélia Merloni, profundamente configurada a essa espiritualidade, revela a força que brota do encontro com Cristo na Eucaristia:

"Reconheço que na Santa Comunhão posso encontrar a força que me é necessária para resistir [...] Tu queres, ó Jesus, que eu não busque a mim mesma em qualquer coisa que eu faça, e eu te prometo que, com a Tua divina ajuda, o farei." (Gori, 2018, p. 186)

Não podemos contemplar o Coração de Jesus sem nos voltarmos à Eucaristia, no altar esse Coração continua a pulsar silenciosamente por nós. Cada Santa Missa é um encontro íntimo com o Amor que se entrega totalmente. A intimidade com o Coração de Jesus na Eucaristia nos impulsiona a sermos pão partido para os irmãos e irmãs, presença viva da compaixão de Cristo. Ser amante do Coração é viver a misericórdia como estilo de vida, como resposta à dor do outro, como anúncio silencioso de esperança.

Assim, a espiritualidade do Coração de Jesus é profundamente apostólica, encarnada e eucarística. É um chamado constante à santidade possível, concreta e vivida, não por força própria, mas pela união com o Amor que nos transforma.

A reparação. O que é?

Ser seguidor de Cristo é viver com ternura, ousar reparar as feridas do mundo, cultivando  uma confiança que aponta para a Esperança que não decepciona. A maturidade espiritual exige confiança na misericórdia de Deus, a busca de um caminho de intimidade com Ele, o que conduz ao desprendimento, à simplicidade e à escuta do seu Coração.

A reparação, na espiritualidade do Coração de Jesus, não é um fardo, mas um gesto profundo de amor e comunhão com Cristo. Tessarolo afirma que "o amor que, se é sincero e profundo, dedica-se a reparar os danos causados pelo egoísmo e por aquele 'grande mal' que é o pecado, comprometendo-se com todos os meios para difundir o amor de Deus e de Cristo no mundo [...]" (TESSAROLO, 2000, p. 93).

Reconhecer que somos amados mesmo em nossa fragilidade nos leva a esse passo essencial, "A reparação começa quando os homens descobrem que são amados por Deus apesar de seus pecados: floresce assim o desejo de passar do egoísmo ao amor, do pecado para a graça, de uma vida de escravos do pecado para uma vida nova em Cristo Jesus" (TESSAROLO, 2000, p. 105).

Reparar é amar na ausência do amor, consolar onde não há consolo, e oferecer nosso coração ao lado do de Cristo, como presença viva de ternura no mundo. Madre Clélia Merloni, em sua sensibilidade espiritual, compreendia que:

A alma, por mais carregada de misérias que esteja, não deve nunca ter medo de Deus, porque Ele está sempre pronto para usar misericórdia para com ela. O maior prazer que Jesus pode ter é o de poder conduzir, ao seu Eterno Pai, o maior número possível de pecadores. Os pecadores convertidos são as glórias do tesouro de Jesus. Ele ama tanto os pobres pecadores. (Gori, 2018, p. 214)

A reparação, longe da culpa, é compromisso com o amor que restaura e reconcilia. É também um modo de ser, uma resposta concreta às feridas do mundo, exige sensibilidade e disposição para nos envolvermos com o sofrimento alheio, "deixar-se envolver com os nossos irmãos na situação de egoísmo e de pecado, para levar a todos o amor do Senhor e para que o amor e o perdão oferecidos por Deus em Cristo sejam acolhidos por todos" (TESSAROLO, 2000, p. 97).

A verdadeira reparação, portanto, afasta-se da culpa e aproxima-se da responsabilidade evangélica, exigindo de nós uma sensibilidade nova para com as feridas do próximo. Ao acolhermos o perdão e o amor de Deus, somos impulsionados a dar um passo definitivo, fazer da nossa própria vida um caminho de profunda e autêntica extensão da ternura do Coração de Jesus. 

SANTO DO DIA

 

Igreja celebra hoje a festa dos anjos da guarda, mensageiros de Deus

“Todo fiel tem junto de si um anjo como tutor e pastor, para levá-lo à vida”, dizia são Basílio ao se referir ao anjo da guarda, aquele que Deus dispõe a cada um desde a concepção e cuja festa se celebra hoje (2).

Na Bíblia, anjo significa “mensageiro”. Estes espíritos muito puros são citados, por exemplo, no Salmo 90 quando diz: “Aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos”.

De igual modo Jesus os menciona quando declara essa famosa frase: “Guardai-vos de desprezar algum desses pequeninos, pois eu vos digo, nos céus os seus anjos se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10).No Novo Testamento é tão viva a crença de que cada um tem um anjo da guarda que, quando São Pedro, ao ser tirado do cárcere, chega a bater na porta da casa onde estão reunidos os discípulos de Jesus, eles acreditam a princípio que não é Pedro em pessoa e exclamam: “Será seu anjo” (At 12, 15).

São Bernardo, no ano 1010, aconselhou os fiéis a respeitar a presença dos anjos, portando-se como é devido, agradecer seus favores que são muitos e confiar em sua ajuda.

A festa dos anjos da guarda foi instituída no dia 2 outubro para toda a Igreja Universal em 1608, pelo papa Paulo V.

Entretanto, já era comemorada anos antes. No ano 800, celebrava-se na Inglaterra uma festa aos Anjos da Guarda e desde ano 1111 existe uma oração que diz: “Anjo do Senhor – que por ordem da piedosa providência Divina, sois meu guardião – guardai-me neste dia (tarde ou noite); iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém”.

LITURGIA DIÁRIA

 2 de outubro: Santos Anjos da Guarda

Evangelho do dia dos Santos Anjos da Guarda e comentário ao evangelho da Missa. “Eu vos digo que os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. Peçamos ao nosso anjo da guarda que nos ajude a conversar com Deus com total intimidade, com todo o nosso coração, como costumava fazer São Josemaria.


Evangelho (Mt 18,1-5.10)

Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?”

Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus.

Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.

E quem acolher em meu nome uma criança como esta, estará acolhendo a mim mesmo.

Cuidado! Não desprezeis um só destes pequenos! Eu vos digo que os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.


Comentário

O evangelho de hoje nos conta que, em uma ocasião, quando Jesus estava com os seus discípulos, “chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: ‘Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus’ (vv. 2-4)”. Quando Jesus fala de tornar-se como crianças, Ele não está dizendo uma ingenuidade, nem usando uma linguagem meramente figurativa, mas está revelando uma realidade profunda que ajuda o homem a penetrar em seu próprio mistério, que o faz perceber a importância dos valores que cada ser humano traz consigo ao mundo e que se expressam espontaneamente em sua infância. A perda da simplicidade, da sinceridade, do amor cândido, da capacidade de admirar-se diante da grandeza ou beleza das coisas, da confiança e de tantos outros valores próprios da condição infantil, não implica uma conquista de maturidade, mas sim uma limitação que deve ser restaurada.

Jesus, ao falar do amor de Deus Pai pelas crianças e pelos que se tornam como crianças, observou: “Cuidado! Não desprezeis um só destes pequenos! Eu vos digo que os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus.” (v. 10). “Com base neste e em outros textos inspirados – recordava mons. Javier Echevarría – a Igreja ensina que ‘desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão’ (Catecismo da Igreja Católica, 336). E faz sua uma afirmação frequente nos escritos dos Padres da Igreja: ‘Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protetor e pastor para conduzir a sua vida’ (São Basílio, Contra Eunomio 3, 1 - PG 29, 656B). Dentre os espíritos celestiais, os Anjos da Guarda foram colocados por Deus ao lado de cada homem e de cada mulher. São nossos amigos próximos e aliados no combate que travamos – como afirma a Escritura – contra as ciladas do diabo”[1]. Por isso, São Josemaria recomenda: “recorre ao teu Anjo da Guarda na hora da provação, e ele te protegerá contra o demônio e te dará santas inspirações”[2].

Em um dia como hoje, 2 de outubro de 1928, dia dos Anjos da Guarda, nasceu o Opus Dei. Deus quis colocar no coração bem preparado de São Josemaria a inquietação divina de levar a todo o mundo uma chamada universal a buscar a santidade em sua vida cotidiana, santificando as realidades profissionais e familiares da vida diária.

Todos os anos, nesta data, o seu coração se levantava com simplicidade infantil ao Senhor, em ação de graças e pedia ao seu Anjo da Guarda que o ajudasse a relacionar-se com Deus com plena intimidade, com toda a sua mente e todo o seu coração. “Hoje de manhã – escrevia em 2 de outubro de 1931, três anos depois – voltei a insistir com meu Anjo da Guarda. Dirigi-lhe galanteios e pedi-lhe que me ensinasse a amar Jesus, pelo menos, pelo menos, como ele O ama”[3]. E a sua oração discorreu por um caminho profundo e sereno: “Que coisas tão pueris disse ao meu Senhor! Com a confiada confiança de uma criança que fala ao Grande Amigo, de cujo amor tem certeza: Que eu viva só para a tua Obra –pedi-lhe – que eu viva só para a tua Glória; que eu viva somente para o teu Amor [...]. Recordei e reconheci lealmente que faço tudo mal: isso, meu Jesus, não pode chamar-te a atenção: é impossível que eu faça coisa alguma direito. Ajuda-me Tu, faze-o Tu por mim e verás como sai bem. Depois, audazmente e sem me afastar da verdade, digo-te: encharca-me, embriaga-me com o teu Espírito e assim farei a tua Vontade. Quero fazê-la e se não a faço, é ... porque não me ajudas. E houve afetos de amor para minha Mãe e minha Senhora e sinto-me agora mesmo muito filho do meu Pai-Deus”[4].


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

IGREJA

 

“Anjo da guarda” aparece para ajudar mãe que viajava sozinha com um bebê

Quando vemos que outras pessoas precisam de ajuda, é muito comum ajudarmos como achamos adequado, muitas vezes sem perguntar o que elas realmente precisam. Porém, usando algumas palavras simples, podemos abrir um canal de comunicação que convida outras pessoas a explicar como realmente desejam e precisam ser ajudadas.

Gostaria de explicar como aprendi essa lição, por meio de uma história pessoal que me aconteceu há alguns anos.

Viajando com um bebê

Eu estava em uma viagem de avião de Madri a Barcelona para assistir à ordenação sacerdotal de meu primo. Até aí, tudo bem.

Eu ia viajar com meu filho, que tinha apenas alguns meses de idade. Aí a coisa complicou: o meu voo atrasou.

De repente, fomos informados pelo alto-falante que havia um atraso de cerca de uma hora e meia. A companhia aérea culpou problemas técnicos com a aeronave.

Naquele momento, pensei comigo mesma que deveria encarar essa situação com senso de humor, pois minha situação era bastante cômica: eu estava viajando com um bebê e com tudo o que isso implica (carrinho de bebê, bolsa, mala, mamadeira etc). Então, o que eu faria nos 90 minutos de espera no aeroporto?

Decidi sentar em uma cafeteria e esperar. Graças a Deus meu bebê adormeceu, o que tornou tudo mais fácil.

Depois de um tempo, a companhia aérea finalmente anunciou que poderíamos começar a embarcar. Porém, para descer do portão do ônibus que nos levaria ao avião, tínhamos que descer alguns degraus. Fiquei impressionada e estarrecida por alguns momentos.

Palavras que eu nunca esquecerei

De repente, no meio do meu caos, fui abordada por um cavalheiro, um senhor que me perguntou, com um sotaque tipicamente local: “Como posso ajudar?”

Bem desse jeito!

No começo, fiquei desconfortável porque ele era um estranho. No entanto, quando vi sua boa vontade em ajudar, pedi-lhe que me ajudasse com o carrinho em que meu filho estava amarrado, enquanto eu carregava minha mala e o resto das coisas.

Ele estava viajando com sua esposa, mas estava sempre atento às minhas necessidades.

Já no avião, quando a aeromoça pegou o carrinho para levar ao bagageiro, meu “anjo da guarda” pegou minha mala e ajudou-me a colocá-la no compartimento de bagagem. 

Quando cheguei ao meu destino, ele não se esqueceu de mim. Carregou minha mala novamente até que viu que eu estava acomodada. Aquele senhor não me deixou por um segundo. Ele até segurou meu filho enquanto eu abria o carrinho.

Isso não é delicioso? Como é bom quando conhecemos pessoas assim! A vida fica mais fácil e a estrada, mais tranquila.

Vamos fazer do “Como posso ajudar?” o nosso lema diário

Como é bom quando nós mesmos somos essa pessoa! Vamos adicionar esta frase (e intenção sincera) ao nosso vocabulário e começar a dizer para aqueles ao nosso redor: “Como posso ajudar?” Vamos abandonar as frases, "Eu iria, mas ..." ou "Eu ajudaria, se não estivesse tão ocupado ..."

Vamos fazer parte da mudança para criar um mundo mais humano e amigável.

IGREJA

 

Plantada por um santo há 800 anos, esta laranjeira continua viva

Há lugares no mundo onde a terra parece guardar a memória exata de quem um dia por ali passou, como se o vento e as folhas fizessem questão de sussurrar antigas histórias aos desavisados. No alto do monte Aventino, bem junto aos muros seculares da basílica de Santa Sabina, vive um desses raros testemunhos do passado: uma laranjeira plantada por um santo que desafia os séculos.

Não se trata de uma árvore comum. É uma descendente direta, viva e pulsante, daquela mesma muda que o próprio São Domingos de Gusmão – fundador da Ordem dos Pregadores– acomodou com suas próprias mãos na terra romana, no já distante ano de 1220. Desde então, por mais de oitocentos invernos, primaveras, guerras e transformações do mundo, essa planta insiste em florescer e dar frutos, renovando-se a si mesma num ciclo que muitos chamam de milagre.

Um monumento vivo

Quando a gente pisa no pátio do convento, o rumor da Roma moderna parece se dissolver em respeito à antiguidade do lugar. A basílica de Santa Sabina, erguida no século V sobre as colunas reaproveitadas de um templo pagão, carrega a sobriedade dos monumentos que viram impérios desabar. E ali, no canto daquele claustro, a laranjeira faz as vezes de guardiã silenciosa.

Nem mesmo a força brutal de uma nevasca histórica que assolou Roma anos atrás conseguiu derrotar o velho aristo-verde. Os galhos vergaram, a geada pintou o cenário de branco e o desespero rondou o coração dos frades. Mas bastou uma noite de prece e vigília para que a natureza, obedecendo a um desígnio misterioso, voltasse a brotar da própria seiva seca. É o tipo de resistência que emociona: a prova de que a vida, quando cuidada com amor e fé, encontra sempre um jeito de renascer das cinzas ou do gelo.

O santo e a semente

A volta desse tronco venerável está cercada por um manto de lendas que o povo romano cultiva com carinho de geração em geração. Conta-se, por exemplo, que foram os frutos amargos desta mesma árvore que inspiraram Santa Catarina de Siena, no final do século XIV, a preparar cinco laranjas canditas para oferecer ao irascível Papa Urbano VI. Era uma forma delicada — e astuta — de mostrar ao pontífice que até a aspereza da vida e do poder pode ser adoçada com paciência e moderação.

Mas a imaginação popular foi ainda mais longe. Bem pertinho dali, no interior da igreja, repousa sobre uma coluna uma estranha pedra escura, crivada de marcas que lembram dedos incandescentes. A crendice jura que é o lapis diaboli, lançado pelas garras frustradas do próprio Demônio após tentar em vão desviar São Domingos de suas preces. A ciência, com sua frieza costumeira, diz tratar-se apenas do peso de uma antiga balança romana que quebrou durante uma reforma no século XVI.

No entanto, entre a precisão dos livros de história e a poesia dos causos conventuais, o que realmente importa é o encanto que permanece. A laranjeira de São Domingos continua ali, firme no Aventino, oferecendo sua sombra, suas folhas e seus frutos aos olhos curiosos que espiam pelo pequeno furo na parede — um lembrete vivo de que, por entre as fendas do tempo, a beleza e a esperança insistem em frutificar.

Em São Paulo, no convento dos religiosos dominicanos, conserva-se uma laranjeira que é descendente daquela plantada em Roma pelo santo fundador da ordem. Os freis interpretam na planta, o esforço de semeadura dos valores do reino de Deus que os frades desenvolvem. As raízes que a planta criou em São Paulo mostram que a ordem, também criou raízes nessa cidade, raízes tão profundas que se ligam, misticamente, àquelas da planta que é a ordem fundada por São Domingos de Gusmão.

IGREJA

 

Devoção a Nossa Senhora do Sorriso ajudou santa Teresinha do Menino Jesus contra a depressão

Em seus escritos, santa Teresinha do Menino Jesus relatava que quando era criança sofria de uma doença que, pelos sintomas, se assemelha ao que hoje conhecemos como depressão, um mal que aflige milhões de pessoas em todo o mundo e que a santa teria superado graças à “Nossa Senhora do Sorriso”.

Em seus textos, a santa carmelita relatou: “Dia 13 de maio de 1883, festa de Pentecostes. Do leito, virei meu olhar para a imagem de Nossa Senhora, e, de repente, a Santíssima Virgem apareceu-me bonita, tão bonita que nunca vira algo semelhante. Seu rosto exalava uma bondade e uma ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o ‘sorriso encantador da Santíssima Virgem’”.

“Todas as minhas penas se foram naquele momento, duas grossas lágrimas jorraram das minhas pálpebras e rolaram pelo meu rosto. Eram lágrimas de pura alegria… Ah! pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, estou feliz… (…) Fora por causa dela, das suas intensas orações, que eu tivera a graça do sorriso da Rainha dos Céu…”, expressou.Santa Teresinha do Menino Jesus chamou esta imagem de “Nossa Senhora do Sorriso” e difundiu esta devoção primeiro em sua família. Em seguida, levou-a ao Carmelo de Lisieux. Finalmente, foi divulgada em todas as ordens carmelitas e se propagou no mundo.

Segundo o site IlTimone.org, ao redor do mundo, muitas pessoas asseguraram que foram curadas da depressão e de outras doenças da alma graças a esta devoção.

O que é a depressãoA Organização Mundial da Saúde (OMS) define a depressão como “um transtorno mental frequente, caracterizado pela presença de tristeza, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou falta de autoestima, transtornos do sono e do apetite, sensação de cansaço e falta de concentração”.

A OMS adverte que “a depressão pode chegar a se tornar crônica ou recorrente e dificultar sensivelmente o desempenho no trabalho ou na escola e a capacidade para enfrentar a vida diária. Em sua forma mais grave, pode conduzir ao suicídio. Se for leve, pode ser tratada sem necessidade de medicamentos, mas quando tem caráter moderado ou grave, pode ser necessário medicamentos e psicoterapia profissional”.

A oração à Nossa Senhora do Sorriso

Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa, que com um claro sorriso vos dignastes consolar e curar vossa filha Santa Teresinha do Menino Jesus da depressão, devolvendo-lhe a alegria de viver e o sentido da sua existência em Cristo Ressuscitado, olhai com maternal afeto para tantos filhos e filhas que sofrem com a depressão, transtornos e síndromes psiquiátricas e males psicossomáticos. Que Jesus Cristo cure e dê sentido à vida de tantas pessoas, cuja existência às vezes está deteriorada. Maria, que seu belo sorriso não deixe que as dificuldades da vida obscureçam nosso ânimo. Sabemos que só seu filho Jesus pode satisfazer os anseios mais profundos do nosso coração. Maria, mediante a luz que brota de seu rosto, transparece a misericórdia de Deus. Que seu olhar nos acaricie, e nos convença que Deus nos ama e nunca nos abandona, e a sua ternura renove em nós a autoestima, a confiança nas próprias capacidades, o interesse pelo futuro e o desejo de viver feliz. Que os familiares dos que sofrem com a depressão ajudem no processo de cura, nunca os considerando farsantes da enfermidade com interesses de comodidade, mas os valorizem, escutem, compreendam e os animem. Virgem do Sorriso, alcança-nos de Jesus a verdadeira cura e livra-nos de alívios temporários e ilusórios. Curados, comprometemo-nos a servir com alegria, disposição e entusiasmo a Jesus, como discípulos missionários, com nosso testemunho de vida renovada. Amém.

Além disso, recomenda rezar duas Ave Marias em honra às lágrimas de alegria que deslizaram sobre a face da santa quando foi tocada pelo Sorriso de Nossa Senhora.