quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

TESTEMUNHO

 Exclusivo: a história da jovem de Juiz de Fora que foi considerada a versão feminina de São Carlo Acutis

Por Redação Lumine


Existem vidas que, embora breves, possuem uma força que desafia o tempo. A história de Maria Eduarda Nogueira de Paula, uma adolescente de Juiz de Fora (MG), é uma dessas histórias que nos lembram que a santidade não habita apenas no coração dos mártires, mas nos corredores de hospitais e no silêncio de um quarto onde uma jovem decide se entregar a Deus, mesmo sofrendo as dores insuportáveis de um câncer ósseo.

Em uma entrevista exclusiva concedida à Lumine, Octacília Silva Nogueira e Juliano Tarcísio de Paula, pais de Duda, abriram o coração para compartilhar não apenas a saudade, mas o legado de uma jovem que Dom Gil Antônio Moreira, o arcebispo da arquidiocese de Juiz de Fora, já descreve como um “testemunho de santidade”.

As provações que antecederam o diagnóstico

A pedagogia de Deus muitas vezes se assemelha à de um escultor que, com golpes precisos e, por vezes, dolorosos, retira o excesso de mármore para revelar a obra-prima que se esconde no interior de cada um de nós. 

Ele não nos entrega as grandes cruzes de uma só vez; antes, conduz-nos por um caminho de purificação gradual, preparando o terreno do coração para que, no momento da prova suprema, possamos sustentar o “sim” com a força de quem já aprendeu a confiar na providência.

Para a família de Duda, o ano de 2021 foi esse tempo de poda severa. Octacília, enfermeira dedicada ao controle de infecções na linha de frente da pandemia, viu o saguão do hospital onde trabalhava transformar-se em cenário de dor ao ver seu pai falecer vítima da COVID-19

Apenas dois meses depois, o esposo, Juliano, foi internado em estado grave com a mesma doença, sobrevivendo pelo que a família descreve como um milagre. No final daquele ano, a partida da sogra de Octacília selou um ciclo de lutos sucessivos. 

“A gente pensou: 2022 vai ser um ano diferente. A vida vai ser melhor”, recorda a mãe. No entanto, os planos divinos os conduziam para outro caminho.

O que parecia ser apenas uma “dor do crescimento” na perna direita de Duda — muitas vezes minimizada por exames iniciais — revelou-se, em janeiro de 2022, um Sarcoma de Ewing agressivo, já com metástase óssea no momento do diagnóstico. 

Ali, entre o choque da notícia e a fragilidade do corpo, começava a se manifestar não apenas uma doença, mas o início de uma transformação que faria da vida daquela adolescente grande testemunho de santidade. 

Santidade no cotidiano: a adolescente que resgatou a fé e os sacramentos em sua casa 

Antes do diagnóstico, Maria Eduarda era uma adolescente com os gostos e dilemas próprios de sua idade. Gostava de maquiagem, de se vestir bem e de compartilhar momentos com os amigos. No entanto, havia nela um zelo extraordinário pelas coisas de Deus.


“Nós éramos católicos de IBGE”, confessa a mãe, Octacília. 

Foi Duda, desde os nove anos, quem começou a conduzir a família para a vida sacramental. Ela não apenas queria ser coroinha; ela queria que seus pais e seus irmãos compreendessem a beleza da Santa Missa. 

Em um domingo de manhã, enquanto o pai trabalhava no bar que era proprietário, ela foi incisiva: “Você tem que ir à missa, pai. Não pode ficar sem ir”.

Essa sede de Deus não era fruto de uma imposição, mas de um amor sacrificial que começou a lapidar não só a sua alma, mas a de toda a família. O sofrimento, que para muitos é um motivo de afastamento, tornou-se para eles uma ponte de acesso a Deus.

O tratamento em Madri e a aceitação da jovem: “Eu prefiro a doença a perder a fé” 

A aceitação de Duda não foi uma resignação passiva, mas uma entrega ativa que se manifestou diante do impossível. 

Quando o tratamento necessário — a protonterapia — só estava disponível em Madri, na Espanha, a família enfrentou o desafio de arrecadar R$ 700 mil em tempo recorde. 

Foi nesse abismo que a fé de sua mãe, Octacília, revelou-se inabalável; ela confiou plenamente que Deus proveria o necessário, e a resposta veio através de uma generosidade avassaladora da comunidade: a campanha tornou-se um fenômeno de solidariedade, arrecadando R$ 820.140,00 em apenas 30 horas, o que permitiu que a viagem para o tratamento internacional fosse realizada.


No entanto, em Madri, o “sim” de Duda foi provado no auge da dor física. Os efeitos do tratamento deixaram seu esôfago “em carne viva”, impedindo-a de comer e tornando cada instante um suplício

Mesmo nesse estado de fragilidade extrema, ela sentia uma necessidade profunda de agradecer a Deus, questionando a mãe sobre as bênçãos que muitas vezes passam despercebidas: “Mãe, pelo que você agradeceu hoje? Já agradeceu por conseguir respirar? Já agradeceu por conseguir falar?”.

Depois de passar cinco dias alimentando-se apenas de Eucaristia, a jovem via a bênção divina no simples ato de conseguir comer,
 e agradecia a Deus copiosamente por isso, ainda que as suas condições não fossem as melhores. 

Enquanto isso, no Brasil, seu pai, Juliano, vivia seu próprio calvário. Diante de uma imagem de Nossa Senhora, ele clamou a Deus que, se fosse para levá-la, que ao menos cessasse aquela dor insuportável, pois não suportava mais ver o sofrimento da filha.

Diante das orações pela sua cura, Duda respondeu seu pai com uma lucidez desconcertante:

“Pai, o que o senhor espera? Que eu faça o exame e não tenha mais a doença? Eu prefiro continuar com a doença e não perder a fé. A gente vai ganhar o milagre, mas vai abandonar a fé”.

A jovem Maria Eduarda compreendeu, antes de muitos adultos, que a maior cura não é a do corpo, mas a da alma que se entrega sem reservas ao Criador. Ela agradecia pelo sofrimento, vendo nele uma forma de estar mais próxima das chagas de Cristo. 

Devoção e eucaristia: o amor heróico que uniu Maria Eduarda a São Carlo Acutis 

A comparação com São Carlo Acutis não diz respeito apenas ao fato dos dois serem jovens.

Duda nutria uma devoção profunda pelo jovem italiano, assistia ao seu documentário e encontrava nele o reflexo de sua própria jornada: a prova de que a santidade não exige o isolamento do mundo, mas a santificação do cotidiano. 


Sua busca pelo sagrado manifestava-se em obras concretas de caridade e desapego. Durante o tratamento, Duda passou a confeccionar terços, transformando seu tempo de repouso em uma espécie de apostolado. 

Juliano, seu pai, recorda a retidão de seu coração: após vender suas peças, ela decidiu doar o valor arrecadado para a paróquia que frequentava. Ao vê-la com uma quantia significativa nas mãos, Juliano sugeriu que ela entregasse o dinheiro diretamente ao padre, ressaltando que ele ficaria muito contente em saber do seu esforço e generosidade.

A resposta da jovem, contudo, revelou uma maturidade espiritual incomum. Duda insistiu que a doação deveria ser anônima e colocada diretamente na caixa de ofertas. Para ela, de nada valia os aplausos ou agradecimentos do padre; seu compromisso e sua oferta eram, única e exclusivamente, um segredo entre ela e Deus.

Assim como Carlo, ela mostrou com a própria vida que é possível desejar o céu apaixonadamente, sem nunca abrir mão da própria juventude. O vínculo tornou-se físico quando o Arcebispo Dom Gil Antônio Moreira providenciou para que ela recebesse uma relíquia de São Carlo Acutis; relíquia com a qual ela dormia e encontrava consolo em suas noites de maior agonia, e que foi trazida pelo Padre Fábio Vieira da Itália — sacerdote que conviveu com a família do santo por alguns anos. 

A sua força motriz, contudo, vinha da Eucaristia. O testemunho mais contundente dessa entrega ocorreu no Natal de 2024. Já acamada, com o corpo visivelmente debilitado pela recidiva da doença e sentindo dores que tornavam qualquer movimento um suplício, Duda insistiu que não poderia passar o nascimento de Jesus longe do altar.

Sem conseguir andar ou sequer sustentar o próprio corpo, ela enfrentou o sacrifício de ser transportada em um carro adaptado para chegar à Missa do Galo, nos Arautos do Evangelho. 

Cada solavanco do caminho era uma oferta. Ao chegar, mesmo exausta e sob um sofrimento físico que a medicina mal conseguia explicar, ela ainda dizia “Por Ele a gente faz tudo”. 

Sua presença silenciosa e determinada naquela noite foi tão impactante que o Padre Sebastião, amigo da família e celebrante, visivelmente comovido, usou seu exemplo na homilia para recordar à assembleia o verdadeiro sentido da fidelidade a Cristo.

O legado da jovem de Juiz de Fora para a Igreja do futuro

Duda partiu em janeiro de 2025, mas deixou para trás uma família convertida e uma multidão de jovens inspirados por seu testemunho. Seu corpo foi sepultado em Andrelândia (MG), mas sua história continua a ser escrita.

Para os pais, a jornada de Duda foi um processo de “lapidação”. Deus usou a vida dela para ensinar que a confiança total não depende de circunstâncias favoráveis. “Deus dá o sofrimento para os seus filhos mais amados”, costumava dizer a jovem.

Hoje, o testemunho de Maria Eduarda chegou ao Vaticano. E, em sua memória,  no Jubileu dos Coroinhas de 2025, foi dedicada uma Cápsula do Tempo, que será aberta apenas em 2033, contendo mensagens de fé para a Igreja do futuro.

Mas o verdadeiro milagre já aconteceu: na entrega total de uma menina que, no auge de sua juventude, preferiu a cruz à cura, encontrando na dor o caminho mais curto para o abraço do Pai.










IGREJA

 Padre Nazareno Lanciotti será beatificado em junho, em Jauru, no Mato Grosso

A missa de beatificação do venerável padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano no Brasil assassinado em fevereiro de 2001, na cidade de Jauru (MT), foi aprovada pelo papa Leão XIV. Ela será celebrada pelo prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, representante do papa, no dia 13 de junho, às 9h, em Jauru.

Em seu comunicado sobre a beatificação, o bispo de são Luiz de Cáceres, dom Jacy Diniz Rocha, disse que “o anúncio da beatificação acontece por ocasião do 25º aniversário do martírio”, celebrado no domingo, 22 de fevereiro, “em dois locais”: em Jauru, onde o venerável serviu e anunciou o Evangelho durante 30 anos, e em Subiaco, na Itália, onde recebeu sua formação sacerdotal.

Para dom Jacy Diniz, “a beatificação do padre Nazareno Lanciotti representa um momento histórico de fé, reconhecimento e gratidão pela sua vida e testemunho cristão”.

Padre Nazareno Lanciotti

O venerável padre Nazareno Lanciotti nasceu no dia 3 de março de 1940, em Roma, na Itália. Foi ordenado padre em 1966 e exerceu seu ministério em Roma. por cinco anos. Em 1971, decidiu ser missionário no Brasil, na cidade de Jauru (MT), onde serviu por 30 anos.

Durante esse tempo, fundou a paróquia Nossa Senhora do Pilar; criou 57 comunidades eclesiais rurais; instituiu a adoração Eucarística cotidiana; criou vários centros de assistência a mulheres grávidas, idosos e deficientes, como a casa de repouso para idosos Coração Imaculado de Maria; abriu uma escola para centenas de crianças: e instituiu um seminário menor.

Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano e foi nomeado diretor nacional para o Brasil. No cargo, fez várias viagens para organizar encontros de oração. Além disso, ele dedicou-se aos mais pobres, combateu o tráfico de drogas e a exploração da prostituição, o que incomodou os grupos criminosos.

Na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com alguns colaboradores, dois homens encapuzados entraram em sua casa e um deles deu-lhe um tiro na nuca. Padre Lanciotti morreu em um hospital de São Paulo aos 61 anos, em 22 de fevereiro, depois de ter perdoado os seus assassinos. Segundo o site santos do Brasil, o então bispo de Cáceres, dom José Vieira de Lima disse que Nazareno era “um mártir dos nossos dias” e determinou que o corpo do padre fosse sepultado na paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Jauru.

Segundo a polícia, os assassinos eram assaltantes que queriam dinheiro, mas Lanciotti teria dito que não tinha, mas poderia conseguir no dia seguinte, quando os bancos abrissem. E “um deles disparou contra o padre e teria cochichado em seu ouvido que ele incomodava gente poderosa", segundo UOL em 18 de abril de 2025

Em 2007, o arcebispo de Cuiabá, dom Mário Antônio da Silva iniciou o processo de beatificação do sacerdote. Em 14 de abril de 2025, o papa Francisco autorizou a beatificação do padre Nazareno Lanciotti, mártir no Brasil, segundo o Vatican News.  

No dia no anúncio da beatificação de Lanciotti, a arquidiocese de Cuiabá disse em nota que ele foi “assassinado em 2001 por causa de sua dedicação pastoral e luta contra a injustiça” visto que ele “denunciou a exploração de crianças e adolescentes, os esquemas de prostituição e tráfico de drogas na região oeste, e confrontou interesses escusos que ameaçavam a dignidade dos mais pobres”.

“Por isso, tornou-se alvo de perseguições e intimidações”, destacou a arquidiocese.

Martírio

“O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé” e “designa um testemunho que vai até à morte”, diz o nº 2473 do Catecismo da Igreja Católica.

“O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um ato de fortaleza”, ressalta o Catecismo.

Em 11 de Agosto de 2010, o papa Bento XVI disse na audiência geral, que “o martírio e a vocação ao martírio não constituem o resultado de um esforço humano, mas são a resposta a uma iniciativa e a uma chamada de Deus, são um dom da sua graça, que torna capaz de oferecer a própria vida por amor a Cristo e à Igreja, e assim ao mundo”.

“Quando lemos a vida dos mártires, ficamos admirados com a tranquilidade e a coragem com que eles enfrentaram o sofrimento e a morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na debilidade, na pobreza daquele que se confia a Ele e deposita a sua própria esperança unicamente n'Ele”, disse Bento XIV. “No entanto, é importante ressaltar o fato de que a graça de Deus não suprime nem sufoca a liberdade daqueles que enfrentam o martírio mas, ao contrário, enriquece-a e exalta-a: o mártir é uma pessoa sumamente livre, livre em relação ao poder e ao mundo; uma pessoa livre, que num único gesto definitivo entrega toda a sua vida a Deus, e num supremo gesto de fé, de esperança e de caridade, abandona-se nas mãos do seu Criador e Redentor; sacrifica a própria vida para ser associado de maneira total ao Sacrifício de Cristo na Cruz”.

“Em síntese, o martírio é um grande gesto de amor, em resposta ao amor imenso de Deus”, ressaltou.

Elementos fundamentais do martírio

Em 14 de novembro de 2024, o papa Francisco disse aos participantes do Congresso “Martírio e doação da vida”, organizado pelo Dicastério das Causas dos Santos que “no contexto das causas dos santos”, a “Igreja definiu três elementos fundamentais do martírio, que permanecem sempre válidos”.

“O mártir é um cristão que, em primeiro lugar, para não renegar a sua fé, padece conscientemente uma morte violenta e prematura. Até o cristão não batizado, que é cristão no coração, confessa Jesus Cristo através do Batismo de sangue”, disse Francisco. “Segundo: a morte é perpetrada por um perseguidor, movido pelo ódio contra a fé ou outra virtude a ela ligada; e terceiro: a vítima assume uma inesperada atitude de caridade, paciência e mansidão, à imitação de Jesus crucificado”.

“O que muda, nas várias épocas, não é o conceito de martírio, mas as formas concretas como, num determinado contexto histórico, ele se realiza”, pontuou.

Na Bula de proclamação do Jubileu da Esperança, o papa Francisco definiu “o testemunho de esperança dos mártires como o mais convincente” e “por isso, no âmbito do Dicastério para as Causas dos Santos”, ele “quis criar a Comissão dos Novos Mártires — Testemunhas da Fé, precisamente em vista do Ano Santo, que, de modo distinto da abordagem das causas de martírio, conservasse a memória de quantos, no âmbito das outras confissões cristãs, foram capazes de renunciar à própria vida para não trair o Senhor”.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de quinta-feira: a campainha da porta de Deus

Comentário ao Evangelho de quinta-feira da I semana da Quaresma. «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á». Às vezes as nossas petições a Deus demoram mais a ser atendidas que o que desejávamos. É o tempo da esperança e da preparação para recebermos melhor os dons de Deus.


 Evangelho (Mt 7, 7-12)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede recebe, quem procura encontra e a quem bate à porta abrir-se-á. Qual de vós dará uma pedra a um filho que lhe pede pão, ou uma serpente se lhe pedir peixe? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos Céus as dará àqueles que lhas pedem! Portanto, o que quiserdes que os homens vos façam fazei-lho vós também: esta é a Lei e os Profetas».


Comentário

Talvez muitos de nós partilhemos desta experiência comum: a de rezar ou ter rezado por uma pessoa, por uma intenção ou por uma causa santa e boa, mas não resulta como queríamos. Ou que simplesmente não resulta: aquele familiar que ainda está longe de Deus, aquele exame médico que nos dá um resultado desanimador, aquela legislação que não responde à dignidade humana.

A frustração, o sentimento de impotência, a dúvida perante a aparente quietude de Deus é ampliada quando ouvimos o eco daquelas palavras de Jesus: «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á».

Mas então, em que ficamos? Não nos acontece que pedimos muitas coisas que não nos foram dadas? Não sentimos todos que tocamos à porta de Deus e parece que a campainha não funciona?

Esta nossa perplexidade é compreensível, mas precisamente por isso é importante irmos além da nossa perspetiva: é fundamental que na oração adquiramos pouco a pouco, com a ajuda do Espírito Santo, “o ponto de vista de Deus”. Assim, perceberemos que, paradoxalmente, quando o Senhor nos faz esperar, é porque nos quer preparar para receber melhor os Seus dons.

Sto. Agostinho explica-nos: «O nosso Deus e Senhor não quer que lhe revelemos os nossos desejos, porque certamente não pode ignorá-los, mas quer que, através da oração, aumente a nossa capacidade de querer, para que assim nos tornemos mais capazes de receber os dons que nos prepara. Os Seus dons, de facto, são muito grandes e a nossa capacidade de receber é pequena e insignificante».

Assim, essa espera perseverante que é a oração de petição ajuda as pessoas ou intenções pelas quais oramos, mas também nos beneficia. O Senhor é Pai, e por isso nos dará muito mais do que aquilo a que aspiramos.

Mas é bom não perder de vista as palavras finais de Jesus neste passo: «o que quiserdes que os homens vos façam fazei-lho vós também». A perseverança na oração deve andar de mãos dadas com a caridade: se nos comportarmos como Cristo com todas as pessoas e em todas as situações, Deus Pai olhará para nós com orgulho e cumprirá todos os desejos do nosso coração.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

IGREJA

 

A cadeira de São Pedro desempenhou um papel importante no início da Igreja

<em>Sua cadeira foi usada para uma variedade de usos litúrgicos, a partir dos quais ele administrou os sacramentos aos primeiros cristãos em Roma.</em>

Na sociedade moderna, as cadeiras estão em toda parte e servem às funções mais comuns. Usamos cadeiras quando comemos em nossas mesas, trabalhamos em um computador e ouvimos em uma sala de aula.

As cadeiras são amplamente vistas como uma parte necessária da vida cotidiana, por isso é estranho quando ouvimos dizer que a Igreja Católica tem uma festa separada que gira em torno de "A Cadeira de São Pedro."

O que havia de tão especial na cadeira de São Pedro?

Funções cerimoniais

Em primeiro lugar, funcionários do Império Romano sentavam-se em cadeiras ao administrar julgamentos ou quando se engajavam em cerimônias oficiais. Tendo surgido dentro do Império Romano, essa tradição foi replicada na Igreja Católica Romana e sobrevive até hoje.

Os bispos, por exemplo, têm uma catedral especial (cadeira semelhante a um trono) em que se sentam para cerimônias litúrgicas em sua igreja catedral (a igreja recebe seu nome da cadeira). A cadeira denota a autoridade especial de um bispo sobre uma região específica e o liga ao sucessor de St. Pedro, o papa. A palavra sede (que significa assento) nos dá a palavra "ver" para a jurisdição de um bispo. A jurisdição do papa é a Santa Sé.

Em segundo lugar, acredita-se que St. Pedro batizou e confirmou os primeiros cristãos em Roma daquela cadeira. A Enciclopédia Católica explica:

De acordo com a lista manuscrita desses óleos preservados no tesouro da catedral de Monza, Itália, um desses vasos tinha a declaração: "oleo de sede ubi prius sedit sanctus Petrus" (óleos da cadeira onde São Pedro sentou-se primeiro). Outras autoridades antigas descrevem o local como "ubi Petrus baptizabat" (onde Pedro batizou), ou "ad fontes sancti Petri; ad Nymphas sancti Petri" (na fonte de São Pedro).

Esta tradição foi mantida na Igreja primitiva na basílica do Vaticano de São Pedro:

Enquanto, portanto, no abside da Basílica do Vaticano, havia uma catedral na qual o papa se sentava entre o clero romano durante a missa papal, havia também no mesmo edifício uma segunda catedral a partir da qual o papa administrou o recém-batizado o Sacramento da Confirmação.

A tradição de usar uma cadeira especial do bispo durante a confirmação persistiu até hoje, embora não seja mais uma parte obrigatória da cerimônia de confirmação.

Esta festa, então, lembra a paternidade espiritual de São Pedro, e toda vez que um bispo se senta em sua cadeira na Missa, ele o conecta espiritualmente ao Príncipe dos Apóstolos.