quinta-feira, 13 de agosto de 2026

IGREJA

 

Conhecendo a nossa Igreja: as 4 Constituições Apostólicas do Concílio Vaticano II

Saiba o que é uma constituição apostólica e quais são os temas das que foram promulgadas durante o concílioUma “Constituição Apostólica” é um documento do Magistério Pontifício, ou seja, promulgado pessoalmente pelo Santo Padre, cujo conteúdo, com valor de decreto, abrange o ensinamento definitivo da Igreja a respeito de um determinado assunto. Trata-se, portanto, de um tipo particularmente solene e importante de documento da Igreja.

Dependendo do conteúdo específico, as Constituições Apostólicas podem ser “subdivididas” em dois tipos:

– Constituição Dogmática, quando contêm matéria de fé em que todo católico deve crer;

– Constituição Pastoral, quando contêm diretrizes da Igreja sobre a sua ação prática junto aos fiéis.

Nada impede, porém, que um documento pontifício seja classificado apenas genericamente como “Constituição Apostólica”, sem a especificação “dogmática” ou “pastoral”.

Durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), foram promulgadas quatro Constituições Apostólicas de relevância histórica. Todos nós, católicos, deveríamos conhecê-las e lê-las na íntegra, para aprender mais sobre a nossa Igreja e sobre a nossa fé, particularmente consideradas na perspectiva da nossa época.

 

AS QUATRO CONSTITUIÇÕES APOSTÓLICAS DO CONCÍLIO VATICANO II

DEI VERBUM (A Palavra de Deus)
Tipo: constituição dogmática.
Tema: a relação entre as Sagradas Escrituras e a Tradição.
Promulgação: Papa Paulo VI, 18 de Novembro de 1965.
Texto em português
Texto em latim

LUMEN GENTIUM (A Luz dos Povos)
Tipo: constituição dogmática.
Tema: a natureza e a constituição da Igreja como instituição e como Corpo Místico de Cristo.
Promulgação: Papa Paulo VI, 21 de novembro de 1964.
Texto em português
Texto em latim

SACROSANCTUM CONCILIUM (O Sacrossanto Concílio)
Tipo: constituição apostólica (sem especificação).
Tema: a liturgia e as modificações desejadas pelos participantes do Concílio no culto da Igreja.
Promulgação: Papa Paulo VI, 4 de dezembro de 1963.
Texto em português
Texto em latim

GAUDIUM ET SPES (A Alegria e a Esperança)
Tipo: constituição pastoral.
Tema: a Igreja no mundo contemporâneo e seus desafios concretos.
Promulgação: Papa Paulo VI, 7 de dezembro de 1965.
Texto em português
Texto em latim

IGREJA

 

O documento do Concílio Vaticano II que todos deveriam ler

OConcílio Vaticano II continua sendo um dos eventos mais importante e mais incompreendidos da história da Igreja Católica. Muitos falam sobre ele, mas poucos sabem o que está escrito nos próprios documentos do Concílio.

Isso é lamentável, pois os documentos fornecem um plano de renovação na Igreja que cresce organicamente a partir do passado. Os textos revelam não uma “ruptura” completa com a tradição, como muitos afirmam, mas uma compreensão muito mais rica da vida da Igreja.

O Concílio do Vaticano II e a reforma da liturgia

Por exemplo, em Sacrosanctum Concilium, a Constituição do Concílio Vaticano II sobre a liturgia, existem orientações sobre como essa renovação deveria acontecer:

"Para conservar a sã tradição e abrir ao mesmo tempo o caminho a um progresso legítimo, faça-se uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral acerca de cada uma das partes da Liturgia que devem ser revistas. Tenham-se ainda em consideração às leis gerais da estrutura e do espírito da Liturgia, a experiência adquirida nas recentes reformas litúrgicas e nos indultos aqui e além concedidos. Finalmente, não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes."

O documento explica ainda que reforma litúrgica deve ser feita com base na “nobre simplicidade”.

"Brilhem os ritos pela sua nobre simplicidade, sejam claros na brevidade e evitem repetições inúteis; devem adaptar-se à capacidade de compreensão dos fiéis, e não precisar, em geral, de muitas explicações."

Promoção da instrução litúrgica aos leigos

O documento também indica que os fiéis leigos precisam ser ensinados sobre a beleza da liturgia e seu importante papel na Missa:

"Procurem os pastores de almas fomentar com persistência e zelo a educação litúrgica e a participação activa dos fiéis, tanto interna como externa, segundo a sua idade, condição, género de vida e grau de cultura religiosa, na convicção de que estão cumprindo um dos mais importantes múnus do dispensador fiel dos mistérios de Deus. Neste ponto guiem o rebanho não só com palavras mas também com o exemplo."

De fato, os fiéis precisam saber participar ativamente da liturgia, “interna e externamente". Isso requer um estudo cuidadoso da história da liturgia, suas raízes bíblicas e como os fiéis participam da Missa sentados nos bancos.

Acima de tudo, se você realmente deseja compreender o Concílio Vaticano II, comece lendo os documentos e descubra a rica renovação inaugurada pela Igreja e que ainda está sendo implementada quase 60 anos depois.

RELIGIÃO

 

Religiosas de clausura podem usar a internet?

Por solicitação do Papa Francisco, o Vaticano publicou em 2018, a instrução ‘Cor Orans’, com novas regras para as religiosas de clausura. Entre outros assuntos, o documento pede “sobriedade e critério” no uso dos meios de comunicação, para preservar o silêncio próprio dos mosteiros.

“A normativa sobre os meios de comunicação social, na grande variedade com que se apresentam atualmente, tem como objetivo a salvaguarda do recolhimento e do silêncio: é possível, efetivamente, vacilar no silêncio contemplativo quando se enche a clausura de ruídos, de notícias e de palavras”, diz o documento divulgado pela Santa Sé.

A instrução sublinha a necessidade de se ter acesso à “devida informação sobre a Igreja e o mundo”, sabendo “escolher as que são essenciais”.

“Na vida contemplativa, merece uma particular atenção o aspeto da separação do mundo”, assinala o Vaticano.

O documento ainda afirma que os meios de comunicação devem estar a serviço especificamente da formação das religiosas e não podem ser “ocasião para a distração e evasão da vida fraterna em comunidade e que não sejam nocivos para a vocação ou se transformem em obstáculo para a vida inteiramente dedicada à contemplação”.

As novas regras (que antes de 2018 não existiam) sublinham também a “real autonomia de vida” das religiosas de clausura, que devem ter capacidade de gerir os mosteiros em todas as suas dimensões. O Vaticano exige, como número mínimo para o reconhecimento canônico de um novo mosteiro, a existência de oito religiosas de “votos solenes”.

As normas, que levam em consideração um questionário enviado aos mosteiros de clausura do mundo inteiro, apelam também para uma associação jurídica com os ramos masculinos da mesma família religiosa. A Santa Sé sublinha a importância de unir os vários mosteiros autônomos numa Federação, segundo critérios geográficos, de “afinidade de espírito e de tradições” espirituais.

Outros temas em destaque no documento são a gestão do patrimônio e a necessidade de uma formação adequada, propondo um caminho de 12 anos até a profissão de votos solenes.


IGREJA

 Dez dados da vida de irmã Dulce, primeira santa brasileira

“No amor e na fé encontraremos as forças necessárias para a nossa missão”, dizia santa Dulce dos Pobres, primeira santa nascida no Brasil, cuja memória é recordada hoje (13).

A seguir, apresentamos dez dados marcantes da vida desta religiosa que é também conhecida como o anjo bom do Brasil.

1. Desde criança, praticou a caridade

O amor pelo próximo e a prática da caridade fizeram parte da vida de irmã Dulce desde a infância. Conta-se que, aos 13 anos, a menina começou a acolher em sua casa mendigos e doentes e transformou a sua residência em um centro de atendimento.

Muitos se aglomeravam na porta da casa para receber a ajuda da pequena e, por este motivo, o local ficou conhecido como “A Portaria de São Francisco”.

2. Era professora

Antes de ingressar na vida religiosa, irmã Dulce se formou professora pela Escola Normal da Bahia, em 9 de dezembro de 1932. No ano seguinte, entrou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e, sua primeira missão como freira foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação.

3. Adotou o nome Dulce em homenagem à sua mãe

Ainda muito cedo, quando tinha apenas 7 anos, santa Dulce (cujo nome de batismo era Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes) perdeu sua mãe, Dulce Maria, a qual tinha 26 anos.

Mais tarde, quando ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 1933, e recebeu o seu hábito, adotou o nome Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe.

4. Era devota de santo Antônio

Após a canonização de irmã Dulce, ocorrida em 13 de outubro de 2019, o então arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, presidiu uma missa no dia seguinte na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses, em Roma.O local foi escolhido devido à grande devoção que irmã Dulce tinha por santo Antônio. “Era realmente um amigo que ela tinha, um confidente, e ao mesmo tempo, a quem ela recorria em suas necessidades”, sublinhou o arcebispo.

De fato, santo Antônio sempre teve um lugar especial na vida da religiosa, desde sua infância. Era ao santo que ela recorria nos momentos de angústia, desespero e também para solicitar a concretização de algum projeto. Chamava-o, inclusive, de seu “tesoureiro”.

De acordo com o site da Arquidiocese de Salvador (BA), ainda na infância, ela costumava decorar o altar do santo.

Além disso, atualmente pertence ao acervo do Memorial Irmã Dulce uma imagem de santo Antônio do século XIX, que pertenceu ao avô da religiosa, o advogado Manoel Lopes Pontes, diante da qual a família dela costumava fazer seus pedidos e orações.

5. Construiu o maior hospital da Bahia a partir de um galinheiro

Na década de 1930, irmã Dulce começou um trabalho assistencial nas comunidades carentes, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe, em Salvador (BA).

Conta o site das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) que, em 1939, a religiosa invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar os doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Foi expulsa do lugar e precisou peregrinar durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade.

Em 1949, ocupou um galinheiro ao lado do Convento de Santa Antônio, após a autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. Hoje, no local, está o Hospital Santo Antônio, o maior da Bahia.

Segundo assinala OSID, esta iniciativa da religiosa “deu origem à tradição propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro”.

6. Durante 30 anos, dormiu em uma cadeira de madeira

No Memorial Irmã Dulce também se encontra o quarto da religiosa, onde está a cadeira de madeira na qual ela dormiu por cerca de 30 anos, em razão de uma promessa.

Em 1955, a irmã da santa brasileira, também chamada Dulce, passou por uma gravidez de alto risco e a religiosa rezou por sua saúde e recuperação. Assim, durante três décadas, dormiu na cadeira para pagar sua promessa e agradecer pela recuperação de sua irmã, mesmo enfrentando muitas dificuldades, devido a um enfisema pulmonar.

Irmã Dulce só deixou de dormir na cadeira de madeira em 1985, aos 71 anos, após ser convencida por seus médicos a voltar a ter seu descanso noturno na cama, devido ao seu estado de saúde.

7. Enfrentou graves problemas respiratórios

Conforme assinala OSID, nos últimos 30 anos de sua vida, a religiosa viveu com 70% da capacidade respiratório comprometida. Entretanto, isso “não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país, uma verdadeira obra de amor aos pobres e doentes”.

8. Foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz

As obras da irmã Dulce receberam diversos apoios e reconhecimentos. Tanto que, em 1988, a religiosa foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz pelo então presidente do Brasil, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia.

9. Teve dois encontros com são João Paulo II

Irmã Dulce encontrou com o papa são João Paulo II em duas ocasiões em que o papa visitou o Brasil. A primeira foi em 7 de julho de 1980, quando o então Papa visitou pela primeira vez o Brasil.

O segundo encontro aconteceu em 20 de outubro de 1991. Nesta ocasião, João Paulo II quebrou o protocolo de sua agenda e fez questão de visitar irmã Dulce, que já estava com a saúde debilitada, no Convento Santo Antônio. Cinco meses depois desta visita, em 13 de março de 1992, o Anjo Bom do Brasil faleceu.

10. Sua canonização foi uma das mais rápidas da história recente da Igreja

No dia 13 de outubro de 2019, irmã Dulce se tornou a primeira mulher nascida no Brasil a ter seu nome inscrito no livro dos santos, apenas 27 anos após seu falecimento.

Segundo destaca o site Obras Sociais da Irmã Dulce (OSID), sua canonização foi a terceira mais rápida da história recente da Igreja, “atrás apenas da santificação do papa João Paulo II (9 anos após sua morte) e de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa)”.

Vale recordar que os mais rápidos da história dos santos lusófonos seguem sendo o de santo Antônio de Lisboa (ou santo Antônio de Pádua), canonizado 11 meses após seu falecimento no dia 30 de maio de 1232, e são Teotônio, canonizado 1 ano depois de sua morte ocorrida em 1162 pelo papa Alexandre III.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrada santa Dulce dos Pobres, o anjo bom do Brasil

Hoje (13) é celebrada a festa de santa Dulce dos Pobres, a religiosa baiana que dedicou sua vida ao serviço aos pobres e doentes. Ela foi canonizada em 2019 pelo papa Francisco, tornando-se a primeira santa nascida no Brasil.

O 13 de agosto foi escolhido como o dia oficial da festa litúrgica da religiosa conhecida como anjo bom do Brasil porque foi nesta mesma data, em 1933, na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe, que Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, aos 19 anos de idade, recebeu o hábito de freira e adotou, em homenagem à sua mãe, o nome de irmã Dulce.

Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, a pequena Maria Rita nasceu em 26 de maio de 1914, na capital baiana. Perdeu sua mãe aos sete anos de idade.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de quinta-feira: perdoar sempre

Comentário ao Evangelho de quinta-feira da XIX semana do Tempo Comum. «Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?». Jesus viveu, morreu e ressuscitou para nos oferecer o perdão e a paz. Partilhemos sem condições o perdão de Deus.


Evangelho (Mt 18, 21 - 19, 1)

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:

«Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».

Jesus respondeu:

«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’. E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

Quando Jesus acabou de dizer estas palavras, partiu da Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão.


Comentário

Quantas vezes devo perdoar ao meu irmão ou irmã, até sete vezes? Jesus responde à pergunta de Pedro com palavras de misericórdia e perdão que vão para além da lógica humana.

Pedro antecipou-se, até certo ponto, à resposta de Jesus. O número sete não significa um número exato; simbolizava para o povo judeu, naquela época, a perfeição, a abundância e a plenitude. Por outras palavras, Pedro sugere que devemos perdoar sempre ao nosso irmão, dentro do razoável.

A resposta de Jesus é muito mais generosa: devemos perdoar sempre ao nosso irmão, mas absolutamente sempre, aconteça o que acontecer. A formulação cuidadosa de Pedro é, de facto, demasiado estreita. É uma lição sobre o amor e um grande coração.

Jesus explicou-o com uma história sobre dois servos. O primeiro devia uma quantia enorme, 10.000 talentos, que era o salário anual de 10.000 trabalhadores. Movido pela misericórdia, o mestre do primeiro servo perdoou-o. Claro, o rei é Deus Pai, que nos perdoa tudo.

Mas agora Jesus diz-nos o que fazer com um irmão que precisa de perdão. Pois o devedor perdoado encontra um colega de trabalho, que lhe devia cem denários, ou seja, o salário diário de cem trabalhadores. Não o perdoa, mas manda-o para a prisão. O devedor que tinha sido perdoado de 10.000 salários anuais não foi capaz de perdoar 100 salários diários. Embora Deus seja compassivo e bondoso para connosco, somos mesquinhos e exigentes para com aqueles que nos rodeiam.

O que tenho de perdoar ao meu irmão é pouco comparado com o que Deus me perdoou, de facto, se tivéssemos consciência disso, é pouco comparado com o que Jesus me perdoa todos os dias. Como o Rei observa, «Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?». E revoga o seu perdão.

Pode ser difícil perdoar. Mas o perdão está no coração do Evangelho, é o nosso modo de vida. Jesus viveu, morreu e ressuscitou para nos oferecer o perdão de Deus. Primeiro, recebemo-lo, depois somos chamados a tornar possível que outros também o possam experimentar. Desta forma, o círculo do amor de Cristo estende-se cada vez mais para abarcar mais pessoas, mais irmãs e irmãos, mais ovelhas perdidas, e a outro e a outra.

Perdoar desta forma requer caridade, requer humildade e oração. A nossa fé católica é também o evangelho do amor, e só a caridade sem limites e sem condições pode perdoar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

RELIGIÃO (MÁRTIRES)

 

Albertina, Isabel e Benigna: as três mártires da castidade brasileiras

Elas não ficaram conhecidas apenas pela forma como morreram, mas como levaram a vida: exemplos para a juventude

O Brasil tem três mulheres conhecidas como “mártires da castidade”. Elas morreram defendendo a pureza e são modelos para a juventude brasileira. Isso, no entanto, não só pela forma como faleceram, mas pelo modo como levaram a vida. Aliás, em comum, elas tiveram um estilo de vida marcado pela fé, oração e ajuda ao próximo.

Conheça abaixo um pouco das histórias dessas mártires da castidade. 

Albertina Berkenbrock

Albertina nasceu em 11 de abril de 1919 em Imaruí, SC.  Recebeu desde cedo a formação católica e participava ativamente da vida religiosa da comunidade. De fato, confessava-se com frequência e comungava sempre.

Mas no dia 15 de junho de 1931, Albertina, aos 12 anos, perdeu a vida para preservar a sua pureza espiritual e corporal.

Naquele dia, então, a menina foi procurar um boi no pasto. No caminho, entretanto, encontrou seu malfeitor. Quando a jovem lhe perguntou se tinha visto o animal que procurava, o homem lhe deu uma pista falsa e a mandou para o local em que tentou violentá-la. 

Primeiramente, ele a derrubou no chão e tentou estuprá-la. Mas ela cobriu-se o máximo que pode com seu vestido. Sem conseguir derrotá-la, o criminoso lhe afundou um canivete no pescoço, degolando-a.

Como resultado, a fama de Albertina começou a circular rapidamente entre a população local, que conhecia a jovem, a sua educação cristã, o seu amor pela família e pelo próximo e o seu bom comportamento, piedade e caridade.

Albertina Berkenbrock foi proclamada Bem-Aventurada em 20 de outubro de 2007 pelo Papa Bento XVI.

Isabel Cristina Mrad Campos

No dia 1º de setembro de 1982, a jovem estudante mineira Isabel Cristina Mrad Campos foi violentada por um homem que foi montar um armário em seu apartamento. Ela, no entanto, tentou resistir, mas levou um cadeirada na cabeça. O criminoso, então, a amarrou, amordaçou e rasgou suas roupas.

Como continuava resistindo à violência, o homem foi incapaz de estuprá-la. Mas ele a matou com 15 facadas.

Em 2001, Isabel Cristina recebeu o título de Serva de Deus. Durante oito anos, um Tribunal Eclesiástico colheu depoimentos de dezenas de pessoas para comprovar a religiosidade de Isabel, que desde a adolescência fazia parte da comunidade de voluntários “Conferência de São Vicente”.

Enfim, em outubro de 2020, o Papa Francisco reconheceu sua morte “in defensum castitatis” (em defesa da pureza). O Vaticano, assim, a declarou mártir e aprovou a causa de sua beatificação, que ainda não tem data para acontecer.

Benigna Cardoso da Silva

Outro exemplo de brasileira mártir da castidade é Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, em Santana do Cariri (CE). Em 24 de outubro de 1941, aos 13 anos, morreu violentamente após se recusar a ter relações sexuais com um adolescente.

A menina saiu de casa para buscar água bem perto da residência. Porém, Raul Alves a golpeou com um facão depois que ela resistiu a suas tentativas de ter relação sexual e manter legitimamente sua pureza. 

Desde então, vem aumentando a devoção à menina. Em 2004, teve início a Romaria da Menina Benigna, que acontece de 15 a 24 de outubro e entrou para o calendário oficial do Estado do Ceará em junho de 2019.

Sua beatificação seria em 2020, mas foi suspensa por causa da pandemia do coronavírus.