segunda-feira, 7 de setembro de 2026

IGREJA

 “Pedimos-te perdão porque fizemos da água uma mercadoria”: O apelo do Papa para setembro

Aoração, divulgada pelo Vaticano em 1º de setembro, começa por apresentar a água como um dom de Deus:

“Tu nos deste o dom da água, fonte de fecundidade, frescura e esperança.”

Ela mata a sede, fecunda a terra e cura feridas. Mas, para Leão XIV, a água também aponta para uma realidade espiritual: é “símbolo da tua graça e do teu amor”, que renova o ser humano através do Batismo.

Por isso, o cuidado com a água não aparece na oração apenas como uma preocupação ambiental. É apresentado como uma questão de gratidão, justiça e responsabilidade.

“Fizemos dela mercadoria”

É neste ponto que a oração ganha uma força especial.

“Pedimos-te perdão porque fizemos dela mercadoria, esquecendo que é um presente universal, um direito sem fronteiras, destinado a todos os teus filhos.”

O Papa não suaviza a expressão. Ele fala em pedido de perdão.

A água, que deveria ser reconhecida como um dom universal e um direito de todos, acabou sendo tratada também segundo uma lógica de mercadoria.

A pergunta que a oração deixa para cada um de nós é simples e incômoda: o que acontece quando começamos a tratar como produto aquilo de que todos dependemos para viver?

A resposta está nas pessoas que Leão XIV coloca no centro da sua oração.

Há quem caminhe quilómetros por água

O Papa pede que a Igreja não permaneça indiferente diante daqueles que sofrem com a falta de água potável.

“Com dor vemos tantos irmãos e irmãs sem acesso a água potável, que caminham quilómetros para a encontrar, e que adoecem por causa da sua escassez.”

É uma das passagens mais concretas da oração.

Não se trata apenas de falar sobre rios, oceanos ou preservação da natureza. Trata-se de pessoas. Pessoas que caminham. Pessoas que têm sede. Pessoas que adoecem.

A intenção de setembro coloca, assim, a água diante do cristão como uma questão de vida e de dignidade.

E o pedido do Papa é ainda mais específico:

“Defendendo o direito de cada irmão e irmã a beber sem medo, sem desigualdade.”

Duas expressões que tornam a oração particularmente concreta. Não basta que exista água: é preciso que as pessoas possam ter acesso a ela sem medo e sem que a condição social determine quem pode ou não beber água segura.

Um chamado também para quem tem água todos os dias

Para quem abre uma torneira diariamente, a falta de água pode parecer uma realidade distante. Mas a oração do Papa convida a mudar esse olhar.

Leão XIV pede que o Espírito Santo nos transforme em “peregrinos do essencial, capazes de viver com sobriedade.

E dá nomes às atitudes que precisam ser enfrentadas:

“Denunciando o desperdício e a contaminação.”

É uma passagem particularmente importante porque transforma a oração em responsabilidade concreta.

Cuidar da água significa não desperdiçá-la. Significa não contaminá-la. Significa reconhecer que aquilo que parece abundante para alguns pode ser justamente aquilo que falta a outros.

A intenção do Papa não pede apenas consciência. Pede mudança de atitude.

No final da oração, Leão XIV resume a dimensão espiritual desse cuidado:

“Que o nosso cuidado com a água seja sinal de amor ao Criador e compromisso com a vida dos mais pobres.”

É talvez a frase que melhor reúne toda a intenção de setembro.

Cuidar da água é amar o Criador. Mas é também comprometer-se com os mais pobres.

O Papa não separa essas duas coisas. O cuidado com a criação e o cuidado com as pessoas aparecem unidos.

Por isso, a oração termina olhando para o futuro e para aqueles que ainda estão aprendendo a relação que devem ter com os recursos da Terra:

“Educando novas gerações que valorizem e protejam os recursos da Terra.”

A responsabilidade começa agora, mas não termina em nós.

Uma oração que pede mais do que consciência

A intenção de oração de setembro não é apenas um convite para fechar a torneira ou evitar o desperdício, embora essas atitudes também façam parte dela.

É um convite para reconhecer novamente o que a água é: um dom, uma necessidade universal e um compromisso com a vida.

O Papa Leão XIV pede perdão porque a transformamos em mercadoria. Recorda aqueles que caminham quilómetros para encontrá-la. Denuncia o desperdício e a contaminação. E pede que ninguém seja privado do direito de “beber sem medo, sem desigualdade”.

No fundo, a oração coloca diante de nós uma verdade muito simples: cuidar da água é cuidar da vida.

E, para o cristão, é também uma maneira concreta de agradecer ao Criador pelo dom que recebeu.

“Senhor da Vida, Tu nos deste o dom da água.”

É com essa consciência que a Igreja é convidada a rezar durante todo o mês de setembro.

IGREJA

 

Correção fraterna: um ato difícil mas necessário. As indicações do Papa Leão XIV

O Papa encorajou as comunidades cristãs a viverem esse “amor mútuo” praticando a arte “delicada e muitas vezes esquecida” da “correção fraterna” e aprendendo a “chegar a um acordo” antes de tomar uma decisão.

Neste domingo, milhares de fiéis se reuniram na Praça de São Pedro, apesar do intenso calor do verão ao meio-dia, para ouvir Leão XIV e recitar a oração do Angelus com ele. Em sua meditação, inspirada pelas leituras do dia, o Papa enfatizou a exortação que São Paulo dá à comunidade de Roma: “Irmãos e irmãs, não devemos nada a ninguém, a não ser o amor mútuo”.

Essa dívida de amor mútuo, explicou o Papa, é “a atenção, o cuidado e a bondade que recebemos”, que “nos tornam mais livres e mais capazes de assumir nossas responsabilidades”. E para praticar esse amor mútuo nas comunidades cristãs, ele indicou dois caminhos propostos por Cristo no Evangelho do dia: “correção fraterna” e “chegar a um acordo”.

A correção fraterna, “uma arte delicada e muitas vezes esquecida”, consiste em “falar sinceramente uns com os outros — primeiro individualmente, depois, se necessário, em pares ou pequenos grupos de três, e finalmente, quando preciso, com toda a comunidade”. Esse método, insistiu Leão XIV, permite “enfrentar a realidade e transformar problemas e conflitos em passos de crescimento”, ao contrário das queixas e fofocas, que são “fáceis”, mas “não levam a lugar nenhum e paralisam muitas situações”.

O Papa afirmou então que chegar a um acordo antes de tomar uma decisão pode ser útil “em tempos de conflito, mas também ao pedir a Deus uma dádiva”, porque muitas vezes “podemos ter desejos comuns, sofrimentos comuns, esperanças comuns e crescer em unidade pela oração”. Essa abordagem baseada na fé, explicou ele, ajuda a evitar “sentir-se sozinho e desconfiar dos outros, vendo-os como estranhos e inimigos”, ao mesmo tempo que nos encoraja a reconhecer uns aos outros “como irmãos e irmãs, encontrando-nos, perdoando e ouvindo uns aos outros no Senhor”.

IGREJA

 Falar mal dos outros “paralisa” a resolução de problemas, diz Leão XIV

Com base no Evangelho de hoje (6), em que Jesus Cristo propõe à comunidade cristã como viver o amor fraterno, o papa Leão XIV disse que falar mal dos outros pelas costas não só não resolve os problemas, como "paralisa" a sua solução.

“As queixas e as calúnias são mais fáceis, mas não produzem nada e paralisam muitas situações. O Evangelho, pelo contrário, educa-nos para a liberdade, na caridade”, disse o papa, falando sobre a importância da correção fraterna com base em uma das cartas de são Paulo apóstolo aos Romanos.

Sobre a correção fraterna, Leão XIV disse que se trata de uma "arte delicada e, muitas vezes, esquecida, que exige franqueza e gradualidade".

Ele falou sobre os passos que Jesus Cristo propõe quando há um problema com alguém: “Falar uns com os outros com sinceridade – primeiro a sós; depois, se necessário, com mais duas ou três pessoas; e, por fim, quando for preciso, com toda a comunidade – significa enfrentar a realidade e transformar problemas e conflitos em oportunidades de crescimento”.

Leão XIV falou também sobre o perdão e o amor mútuo entre os cristãos: “Jesus ensinou-nos a suplicar e a praticar a remissão das dívidas. Existe, porém, um património que devemos uns aos outros, sem ficarmos presos a ele: é a dívida do amor mútuo”.

O papa disse também que existe uma segunda maneira de viver o amor fraterno que “molda até mesmo a oração”, que envolve a prática de chegar a acordos.

Assim, ele pediu às pessoas para recorrer à oração não só quando há um conflito, mas também para "pedir a Deus uma graça".

Segundo o Evangelho, o Senhor diz: “«Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão de obtê-la de meu Pai que está no Céu» (Mt 18, 19)”.

Segundo o papa, essa promessa “sugere que podemos ter desejos comuns, dores comuns, esperanças comuns e, através da oração, crescer na unidade”.

“Sem fé, cada um poderia sentir-se sozinho e desconfiar dos outros, vendo-os como estranhos e inimigos”, disse Leão XIV.“Pela graça, somos, pelo contrário, irmãos e irmãs que podem estar unidos: encontrando-nos, perdoando-nos e ouvindo-nos uns aos outros no Senhor”, concluiu o papa.

IGREJA

 

Leão XIV pede que visitas de Witkoff e Kushner à Rússia e à Ucrânia "abram caminho à diplomacia"

O papa Leão XIV pediu hoje (6), depois da oração do Ângelus, que a missão dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, que já se encontraram com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e têm viagem marcada para Kiev, capital da Ucrânia, para se reunirem com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ajude a abrir "caminho à diplomacia".

“Espero que os esforços empreendidos nestes últimos dias para retomar as negociações tragam frutos concretos e abram caminho à diplomacia. Elevemos a nossa oração ao Senhor para que, em todos os conflitos do mundo, prevaleça a concórdia”, disse o papa.

As declarações surgem pouco depois de a Rússia e a Ucrânia terem rompido uma trégua temporária de três dias, alcançada enquanto enviados dos EUA negociavam com Putin no Kremlin de Moscou. Depois do fim da trégua, a Rússia lançou um ataque com 108 drones em território ucraniano. Segundo a Força Aérea Ucraniana e o Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia (DSNS, na sigla em ucraniano), os drones atingiram 11 locais, como a região de Zaporizhzhia, onde uma pessoa morreu.O papa também lamentou “as notícias sobre os violentos ataques que atingiram recentemente várias cidades e infraestruturas civis na Ucrânia, causando a morte de pessoas inocentes”.Na última semana de agosto e nos primeiros dias de setembro, Kiev sofreu vários dias consecutivos de ataques com mísseis e drones, que mataram e feriram dezenas de pessoas. Em 1º de setembro, um ataque a instalações ferroviárias e outras áreas da capital ucraniana matou pelo menos 12 pessoas, inclusive vários trabalhadores ferroviários, além de danos significativos a edifícios civis, segundo relatos da imprensa internacional.

“O meu coração une-se ao sofrimento da população, que vive há anos na angústia e no medo. Dirijo um novo apelo para que se ponha fim à violência, que cessem as destruições e que os corações se abram ao diálogo e à paz!”, disse Leão XIV.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrada santa Regina, virgem e mártir

Santa Regina é uma virgem mártir gaulesa (hoje França) que, apesar de não ser muito conhecida fora de seu culto particular, está presente em muitas representações artísticas.

O nome Regina significa “rainha” em latim, por isso, é chamada pelos franceses de Sainte Reine. Foi filha de uma cidadão pagão de Alise, chamado Clemente, no Condado de Borgonha. Sua mãe faleceu ao dá-la à luz e, por isso, Regina foi entregue a uma ama de leite cristã que a educou na fé a e a batizou.

Quando cresceu, sua beleza atraiu os olhares de um prefeito chamado Olibrio, que ao saber que era de nascimento nobre, quis se casar com ela. A santa se negou, embora seu pai tenha tentado convencê-la.

O prefeito, ao saber que era cristã, mandou colocá-la em uma prisão. Interrogou-a algumas vezes e descobriu que a jovem não renunciaria a Cristo, a quem havia consagrado sua virgindade.Uma daquelas noites, recebeu em seu calabouço o consolo de uma visão da cruz, enquanto uma voz lhe dizia que sua libertação estava próxima. No dia seguinte, Olibrio ordenou que fosse torturada de novo e que fosse decapitada em seguida.

Segundo as Atas, em 7 de setembro do ano 251, foi executada. A tradição detalha que naquele momento apareceu uma pomba branquíssima que causou a conversão de muitos dos presentes.

A iconografia da mártir a representa com a palma do triunfo nas mãos, o machado ou a espada com a qual foi decapitada e, mais frequentemente, segurança as correntes que a aprisionaram e que são veneradas em Flavigny.

Às vezes, aparece uma pomba suspensa sobre sua cabeça em referência ao Espírito Santo que desceu sobre ela ou com uma ovelha ao seu lado, aludindo ao seu trabalho de pastora.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de segunda-feira: estende a tua mão

2ª feira da 23ª Semana do Tempo Comum. Jesus “disse ao homem da mão seca: Levanta-te, e fica aqui no meio”. Deus é um Deus vivo, que supera infinitamente os nossos planos. Temos que pedir a humildade de deixá-lo atuar em nossa vida.


Evangelho (Lc 6, 6-11)

Aconteceu num dia de sábado que, Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para verem se Jesus iria curá-lo em dia de sábado e assim encontrarem motivo para acusá-lo.

Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé.

Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”

Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”.

O homem assim o fez e sua mão ficou curada.

Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.


Comentário

Esta passagem do Evangelho mostra, uma vez mais, o contraste entre o coração dos homens e o de Jesus. Os escribas e fariseus estão lá e “observavam para verem se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo”. Estão diante de Deus feito homem, a ponto de presenciar uma manifestação da divindade de Jesus e, no entanto, procuram e observam para ter algo de que acusá-lo.

A ação de Deus, ao longo de nossas vidas, pode chegar às vezes a assemelhar-se à passagem que estamos contemplando. Temos uma ideia, um esquema de como deve ser o nosso encontro com Deus, de como deveria transcorrer a nossa vida e, algumas vezes, a vida das pessoas que amamos. Mas o Senhor não se adapta a nossos preconceitos, a nossos planos, mas muitas vezes os interrompe e os desfaz. Diante destas situações podemos ficar desconcertados se perdemos de vista que Deus é um Deus vivo e que supera infinitamente os nossos planos.

Temos que pedir ao Senhor humildade para deixá-lo atuar ao longo da nossa vida como Ele quiser; deixar que interrompa as nossas previsões e esquemas. Nesses momentos é útil perguntar: O que Deus quer de mim com isto? O que procura o Senhor em mim diante destas circunstâncias ou acontecimentos nos quais não sei como atuar ou como levá-los a Deus?

Não deve nos surpreender que não compreendamos a Deus, que não entendamos por que conduz a nossa vida de um modo determinado, por que permite que aconteçam certas coisas a mim ou às pessoas que amo. Nossa Senhora nem sempre compreendeu o modo de atuar de Jesus, mas meditava tudo isso em seu coração. Peçamos-lhe que nos ensine a imitá-la nesse desejo de conformar-nos com a vontade de Deus em tudo que acontecer em nossa vida.

domingo, 6 de setembro de 2026

SANTO DO DIA

 Hoje são celebrados os santos Leto e Donaciano, mártires do século V

Hoje (6), a Igreja Católica celebra os santos Leto e Donaciano, mártires do século V.

Eles eram bispos, defensores corajosos da fé cristã, prontos a dar a vida por Cristo numa época em que o Império Romano estava em declínio. Leto foi queimado vivo e Donaciano morreu no deserto, após ser deportado pelo rei dos vândalos, Humerico.

Barbárie

Os vândalos foram um povo germânico oriundo da Europa central – atuais Alemanha e Polônia – famosos por terem invadido os territórios do Império Romano no Norte da África (Cartago) e avançado para a capital, Roma. Os vândalos organizaram um dos saques mais violentos que a Cidade Eterna sofreu ao longo de sua história.

No ano de 483, o bispo Eugênio e os clérigos de Cartago (cidade sob domínio vândalo na época) foram levados para o palácio real e depois levados para os arredores da cidade, rumo ao exílio. Os clérigos que queriam ficar dentro das fronteiras do reino estabeleceram-se na parte sul, onde seriam gradualmente torturados e massacrados.

Após esse episódio, Humerico demonstrou certa tolerância para com os católicos – ele havia abraçado o arianismo anos antes e considerava os católicos hereges – mas essa atitude não duraria muito. No ano de 484, o rei Humerico ordenou ações contra os católicos. Assim, todas as igrejas católicas no Norte da África foram fechadas e os seus bens confiscados, para serem entregues à multidão.

O bispo Donaciano

Diante de tal injustiça, Donaciano e outros quatro bispos da província de Birsa reuniram um grupo de cristãos e organizaram um protesto nas portas da capital cartaginesa. O rei Humerico, furioso com a revolta, ordenou a seus soldados que "esmagassem" os "revoltosos".

Donaciano e os quatro bispos foram brutalmente espancados e depois levados à força para o deserto, onde foram abandonados para morrer de fome e sede.

O bispo Leto

São Leto, bispo de Leptis Menor, considerado "um homem zeloso e muito sábio" e que ganhou a inimizade de Humerico por sua enérgica oposição ao arianismo, foi encerrado em um calabouço estreito, escuro e pestilento. Ele só foi retirado de lá dois meses depois, para ser queimado vivo.