quarta-feira, 24 de junho de 2026

RELIGIÃO

 

10 versículos bíblicos para quando estamos doentes ou sofrendo

Palavras de alívio também podem curar – ainda mais se for a Palavra de Deus!

Jesus é promessa de alívio e cura

“Estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva” (João 7, 37-38)

Exercício da piedade

“Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e da futura” (I Timóteo 4, 8)

“O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!” (Romanos 15, 13)

Coragem: não tenhamos medo!

“Nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa” (Isaías 41, 10)

“Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (João 16, 33)

Atenção e confiança na Palavra de Deus

“Meu filho, ouve as minhas palavras, inclina teu ouvido aos meus discursos. Que eles não se afastem dos teus olhos, conserva-os no íntimo do teu coração, pois são vida para aqueles que os encontram, saúde para todo corpo” (Provérbios 4, 20-22)

Esperança no Deus do Amor

“Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortifique-se o teu coração e espera no Senhor!” (Salmos 26, 13-14)

“Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia! Com efeito, à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (II Coríntios 1, 3-5).

E duas promessas do Senhor

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mateus 11, 28)

“A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tiago 5, 15)

RELIGIÃO

 

Recite este versículo da Bíblia para manter sua paz interior

Quando o mundo inteiro está em turbulência, medite frequentemente sobre este versículo da Bíblia

Quando o mundo inteiro está em turbulência, medite frequentemente sobre este versículo da BíbliaA Bíblia está cheia de versículos inspiradores, muitos deles girando em torno da paz interior. A ansiedade muitas vezes nos impede de manter essa paz, e normalmente não sabemos o que fazer.

Aquele que concede toda a paz é Deus e, portanto, é apropriado que nos voltemos a Ele em busca de consolo.

Aqui está um único versículo que devemos recitar com frequência, deixando sua verdade penetrar em nossa alma, assegurando-nos de que Deus pode nos dar a paz que desejamos.

Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! (João 14, 27)

RELIGIÃO

 Cinco citações de são João Batista para conhecer melhor "a voz que clama no deserto"

São João Batista está, sem dúvida, muito bem acompanhado. Ele e a Virgem Maria são os únicos santos que têm celebrações de sua data de nascimento.

Cinco citações bíblicas ajudam a conhecer melhor o homem sobre quem Jesus disse: “entre todos os nascidos de mulher, não há ninguém maior do que João” (Lc 7, 28).

1. “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3, 11)

John Bergsma, especialista em Bíblia e professor de teologia na Universidade Franciscana de Steubenville, nos Estados Unidos, escreveu sobre a possibilidade de João Batista ter feito parte da comunidade judaica dos essênios, que vinculavam intimamente o Espírito Santo à água.

Bergsma, que é doutor em Teologia e especialista no Antigo Testamento, afirma que João Batista foi mais além e não conectou o batismo do Messias apenas com a água e o Espírito Santo, mas também com o fogo.

2. “É preciso que Ele cresça, e eu diminua” (Jo 3, 30)

O nascimento de João é celebrado perto do auge da luz do sol no hemisfério norte, o solstício de verão, que no hemisfério sul corresponde ao solstício de inverno.

O calendário litúrgico revela um aspecto da missão de João como precursor do Messias, o Filho de Deus encarnado: Ele é “a luz que brilha nas trevas” (Jo 1, 5).A cada ano, após o solstício de verão, a luz do sol começa a diminuir. Assim também João decresce antecipando a vinda do Messias, até tocar o seu ponto mais baixo na véspera do Natal, no hemisfério norte. Esse é o momento no qual Jesus, “a luz das luzes, desce do céu e a própria luz física começa a crescer”.

3. “Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4, 17)

São João Batista foi um verdadeiro místico. Sua vitalidade interior e sua visão sobrenatural da realidade permitiram-lhe guiar outras pessoas na convicção de uma mudança de vida que lhes possibilitasse ver o Céu.

“Batizado pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, a vida de João foi marcada pela chegada do Reino do Céu desde seus primeiros dias. Suas palavras registram a realidade das primeiras palavras de Jesus no Evangelho de Marcos: ´Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo´”, afirma Bergsma.

4. “Crias de víboras! Como podeis falar coisas boas, sendo maus?” (Mt 12, 34)

João Batista não gostava da hipocrisia. As palavras que ele escolheu para dirigir-se aos fariseus e aos saduceus deixam isso claro. “Suas palavras são um lembrete, não tão amável, de que o humilde reconhecimento de nossos pecados é mais importante que as aparências”, afirma o especialista em Bíblia.

5. “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29)

João Batista foi um dos primeiros a reconhecer a divindade de Jesus. “Ele não apenas salta no ventre de sua mãe. Ele também instrui seus discípulos André e João para que sigam Jesus, chamando-o de Cordeiro de Deus”.Bergsma lembra que essas palavras são repetidas pelos sacerdotes em cada missa: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

“Que, nesta festa, as palavras de João Batista acendam o fogo em você” e que você “veja o Céu na sua vida cotidiana, viva com integridade e contemple o Cordeiro de Deus”, conclui o especialista.

SANTO DO DIA

 Hoje a Igreja celebra a natividade de são João Batista, o “profeta do Altíssimo”

“A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente”, disse o bispo santo Agostinho (354-430) em seus sermões nos primeiros séculos do cristianismo, sobre a natividade de são João Batista, que é celebrada hoje (24).

“João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João Batista”, acrescentou o santo doutor da Igreja.

São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo. No primeiro capítulo de Lucas narra-se que Zacarias era um sacerdote judeu casado com santa Isabel e não tinha filhos, porque ela era estéril. Estando já com a idade muito avançada, o anjo Gabriel apareceu a ele e comunicou que sua esposa teria um filho que seria o precursor do Messias, a quem daria o nome João. Zacarias duvidou desta notícia e Gabriel lhe disse que ficaria mudo até que tudo fosse cumprido.Meses depois, quando Maria recebeu o anúncio de que seria a Mãe do Salvador, a Virgem foi ver sua prima Isabel e permaneceu ajudando-a até o nascimento de são João.

Assim, como o nascimento do Senhor é celebrado todo 25 de dezembro, perto do solstício de inverno no hemisfério norte (o dia mais curto do ano), o nascimento de São João é em 24 de junho, próximo do solstício de verão no hemisfério norte (o dia mais longo). Dessa forma, depois de Jesus, os dias vão aumentando, e depois de João, os dias vão diminuindo, até que se volte “a nascer o sol”.

A Igreja assinalou essas datas no século IV, com a finalidade de que se sobrepusessem às duas festas importantes do calendário greco-romano: o “dia do sol” (25 de dezembro) e o “dia de Diana” no verão, cuja festa comemorava a fertilidade. O martírio de são João Batista é comemorado em 29 de agosto.

Em 24 de junho de 2012, por ocasião desta festa, o papa Bento XVI afirmou que o exemplo de são João Batista chama os cristãos “converter-nos, a testemunhar Cristo e anunciá-lo todo o tempo”.

Em suas palavras prévias à oração mariana do Ângelus, recordou a vida de são João Batista e indicou que “com exceção da Virgem Maria, João Batista é o único santo do qual a liturgia festeja o nascimento, e isto porque ele está estreitamente relacionado com o mistério da Encarnação do Filho de Deus”.“Desde o seio materno João é o precursor de Jesus: a sua concepção prodigiosa é anunciada pelo Anjo a Maria como sinal de que ‘nada é impossível a Deus’”.

Bento XVI recordou que o “pai de João, Zacarias — marido de Isabel, parente de Maria — era sacerdote do culto judaico. Ele não acreditou imediatamente no anúncio de uma paternidade já inesperada, e por isso ficou mudo até ao dia da circuncisão do menino, ao qual ele e a esposa deram o nome indicado por Deus, ou seja, João, que significa ‘o Senhor concede graças’”.

“Animado pelo Espírito Santo, Zacarias falou assim da missão do filho: ‘E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás adiante do Senhor a preparar os seus caminhos. Para dar a conhecer ao Seu povo a Sua salvação pela remissão dos pecados’”.

Ele disse que “tudo isso se manifestou 30 anos depois, quando João começou a batizar no rio Jordão, chamando as pessoas para se preparar, com aquele gesto de penitência, à eminente vinda do Messias, que Deus lhe havia revelado durante sua permanência no deserto da Judeia”.“Quando um dia veio de Nazaré o próprio Jesus para se fazer batizar, João inicialmente recusou-se, mas depois consentiu, e viu o Espírito Santo pairar sobre Jesus e ouviu a voz do Pai celeste que o proclamava seu Filho”, disse.

O papa disse que a missão de são João Batista ainda não estava cumprida, porque “pouco tempo mais tarde, foi-lhe pedido que precedesse Jesus também na morte violenta: João foi decapitado na prisão do rei Herodes, e assim deu pleno testemunho do Cordeiro de Deus, que ele foi o primeiro a reconhecer e a indicar publicamente”.

Bento XVI também recordou que “a Virgem Maria ajudou a idosa prima Isabel a levar até ao fim a gravidez de João”. “Ela ajude todos a seguir Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, que o Batista anunciou com grande humildade e fervor profético”, disse.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de 24 de junho: Nascimento de São João Batista

Comentário ao Evangelho de 24 de junho, Solenidade do Nascimento de S. João Batista. «O pai pediu uma tábua e escreveu: “O seu nome é João”». Por trás desta atitude, podemos adivinhar o desejo de Zacarias e Isabel de oferecer o seu filho a Deus, amando a missão para a qual o Senhor o enviou ao mundo.



Evangelho (Lc 1, 57-66.80)

Naquele tempo, chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse:

«Não, Ele vai chamar-se João».

Disseram-lhe:

«Não há ninguém da tua família que tenha esse nome».

Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu:

«O seu nome é João».

Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam:

«Quem virá a ser este menino?».

Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel.


Comentário

Entre os israelitas, o ato de dar o nome era reservado ao pai da criança. Era uma forma de reconhecer a paternidade sobre o recém-nascido. Assim, era Zacarias que devia dizer qual era o nome do bebé, embora fosse difícil para ele expressar-se naquele momento, porque ficou mudo devido à sua incredulidade.

Os pais de S. João Batista reconheciam que Deus os tinha abençoado ao enviar-lhes um filho quando parecia que já não tinham motivos para o esperar. A forma extraordinária como veio ao mundo lembrou-lhes que essa criança era um dom do Senhor. O anjo tinha dito a Zacarias que o seu filho traria grande felicidade não só aos seus pais, mas a uma multidão de pessoas: «Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão de alegrar-se com o seu nascimento» (Lc 1, 14). S. João, aquele filho havia muito esperado, tinha uma missão para todo o povo: «reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus» (Lc 1, 16).

Isabel e Zacarias insistem em dar ao menino o nome que o anjo tinha indicado. Por trás desta atitude, podemos adivinhar o desejo de oferecer este filho a Deus. Não querem dominar sobre a sua vida, nem procuram afirmar-se através da sua paternidade. De facto, Zacarias renuncia a dar-lhe o seu próprio nome, enquanto que para os outros parecia ser a coisa mais lógica a fazer. Contudo, para Isabel e o seu marido, o mais importante é que o seu filho cumpra a missão para a qual veio ao mundo.

Depois de Zacarias ter escrito «João é o seu nome», a sua língua soltou-se e começou a louvar a Deus. É a alegria de um pai generoso, que coloca o seu filho nas mãos do Senhor e está entusiasmado com a missão que recebeu.

Nos pais de S. João Batista encontramos um exemplo maravilhoso para todos os pais. O Senhor gosta de que nos alegremos com o dom dos filhos. Ao mesmo tempo, convida-nos a respeitar e amar "o nome" que Ele lhes deu: ou seja, o seu temperamento, os seus talentos e, acima de tudo, a sua vocação. Os pais tornam-se então os promotores da personalidade dos seus filhos e uma grande ajuda para que eles abracem a missão dada pelo Senhor.

terça-feira, 23 de junho de 2026

RELIGIÃO

 

O tesouro inviolável e salutar do segredo de confissão

Recentemente, na França, iniciativas questionaram o sigilo da confissão. O padre Guillaume de Menthière recorda por que o segredo da confissão é um tesouro inviolável.

Mais uma vez, uma ameaça ronda o segredo da confissão. Uma ameaça tanto mais sorrateira por ser apresentada em nome de uma causa certamente muito nobre: "proteger as crianças e combater a violência no ambiente escolar". Quem não aprovaria esse louvável e imperioso objetivo? Ora, para alcançá-lo, não seria necessário obrigar aqueles que receberam revelações de abusos cometidos contra jovens vítimas a revelá-los às autoridades competentes, independentemente de qualquer segredo profissional? Assim como os médicos ou os advogados, os padres devem abrir uma exceção ao segredo quando o bem das crianças está em jogo? Tudo não deve ceder a esse imperativo? (Sabe-se bem, no entanto, que não, e que nem a moral nem o direito francês permitem, por exemplo, torturar um criminoso com o objetivo de obter informações que possam salvar vidas. O fim não justifica os meios.)

A confissão: tesouro salutar!

Lembra-se que o avassalador relatório da CIASE (Commission indépendante sur les abus sexuels dans l'Église) já recomendava, em 2021, o levantamento do segredo da confissão no caso de violência sexual infligida a um menor ou a uma pessoa vulnerável. O arcebispo de Reims — ligado so referido relatório na qualidade de presidente da Conferência dos Bispos da França — respondeu corajosamente a esse pedido extravagante. "A confissão", declarou Dom Éric de Moulins-Beaufort, "deve permanecer secreta e o segredo da confissão permanecerá porque isso abre um espaço de fala livre que se faz diante de Deus e, nesse sentido, é mais forte que as leis da República." Seguiu-se um clamor de protestos políticos, e o prelado foi intimado a se explicar — ou até a se desculpar — por essas palavras sacrílegas de lesa-laicidade.

Eis que uma polêmica semelhante volta ao centro das atenções cinco anos mais tarde. Sem a pretensão de encerrá-la, permitam-me algumas considerações sobre esse tesouro do qual sou, ao mesmo tempo, beneficiário e ministro: o sacramento da Reconciliação.

Gosto de lembrar, primeiramente, que esse sacramento deu origem a um extraordinário progresso moral. Com efeito, desde 1215 e o decreto Utriusque sexus do IV Concílio de Latrão, todo cristão deve confessar seus pecados pelo menos uma vez por ano. O professor Jean Delumeau afirma que se trata de um dos acontecimentos mais importantes da história, tendo gerado em todos os países então católicos um refinamento das consciências absolutamente notável. Quase todos os habitantes do nosso país, de todas as classes sociais, eram levados, ao menos uma vez no ano, não apenas a realizar um sério exame de consciência, mas a perdoar eles mesmos o mal que lhes havia sido feito, sem o que não podiam pretender ser absolvidos e comungar na Páscoa.

O segredo inviolável

Blaise Pascal observa admiravelmente a misericórdia que a Igreja concede à humanidade ao lhe oferecer esse discreto espaço de descompressão que é a confissão:

"A religião católica não obriga a descobrir os seus pecados indistintamente a todo mundo; ela tolera que se permaneça oculto a todos os outros homens; mas ela abre uma única exceção, a quem ordena descobrir o fundo do seu coração e fazer-se ver tal como se é. Há apenas este único homem no mundo a quem ela nos ordena revelar a nossa verdade, e ela o obriga a um segredo inviolável, o que faz com que esse conhecimento esteja nele como se não estivesse. Pode-se imaginar algo mais caridoso e mais doce?" (Pensamentos, n. 100)

O que há de mais precioso e salutar, de fato, do que esse segredo inviolável! A certeza de nunca ser traído, em hipótese alguma, é certamente uma das motivações mais fortes que levam não apenas os culpados, mas, com muito mais frequência, as vítimas de abusos a irem ao confessionário. No decorrer do diálogo que se estabelece nesse âmbito sacramental com o sacerdote, conselhos prudentes podem ser dados. O confessor convidará a vítima a ter a coragem de falar com sua família ou com as pessoas ao seu redor e a prestar queixa. Ele estabelecerá como condição para o culpado ir se denunciar à justiça a fim de receber a absolvição. Assim, a relativização do segredo da confissão prejudicaria a própria causa que finge defender, ao não permitir mais que as vítimas recebam, junto com o sacramento, o conselho e a força para revelar o mal que lhes foi feito e que por tanto tempo guardaram enterrado dentro de si.

Segredo profissional?

O segredo da confissão — e é aí que reside uma incompreensão dificilmente superável — não pode ser assimilado, de forma alguma, a um segredo profissional. O médico, por exemplo, precisa saber o que seu paciente lhe disse e lembrar-se disso para melhor tratá-lo. Ele não pode revelar aquilo que deve conhecer da melhor maneira possível: o estado de seu paciente. Pois foi justamente ao Doutor Fulano que o doente se confiou.

Já o confessor é ministro de Deus. Não foi ao Padre Fulano que o penitente se confiou, mas ao Pai eterno. Portanto, ele não deve revelar nem mesmo conhecer aquilo de que não era o destinatário. Aliás, na maioria das vezes, o padre não sabe nada sobre o seu penitente: não conhece seu nome, sua identidade, nem mesmo seu rosto; ouviu apenas sua voz na penumbra, através das grades do confessionário. E mesmo o que ele ouviu, não conhece verdadeiramente.

Como explica, de fato, São Tomás de Aquino, "o que se sabe sob o segredo da confissão é como se fosse ignorado, pois não se sabe enquanto homem, mas como representante de Deus (sed ut Deus)" (Suma Teológica, Supplementum qu. 11 a. 1 ad 1um). Assim, um padre que afirma não saber o que acabou de ouvir no confessionário não está mentindo, pois "o que ele conhece pela confissão, ele conhece menos do que aquilo que não conhece"...

O segredo da confissão não é, portanto, um mero regulamento eclesiástico que um decreto episcopal ou pontifício pudesse suspender. O capelão do Vercors tinha razão ao dizer a André Malraux: "Sabe, a confissão não ensina nada, porque, assim que a pessoa se confessa, ela já é outra, existe a graça..." (Antimemórias 1967, Prefácio).