quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Você sabia que a Igreja tem um sistema para financiar a formação de novos sacerdotes?

O caminho para o sacerdócio é longo, exigente e, muitas vezes, atravessado por dificuldades que vão além dos livros de teologia ou do discernimento espiritual. Em dioceses de vastas extensões geográficas, como as da Amazônia, ou em regiões marcadas pela escassez econômica, manter um seminário é um desafio hercúleo. É nesse cenário que o projeto Comunhão e Partilha, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), revela-se não apenas como um fundo financeiro, mas como um gesto concreto de fraternidade sacerdotal da Igreja. 

De onde vem o recurso?

O funcionamento do projeto é um testemunho de desprendimento. O fundo é mantido, majoritariamente, pela contribuição das dioceses que aderem ao projeto e destinam 1,5% de sua arrecadação para a formação de padres. As dioceses que recebem os recursos, devem também colaborar, porque ninguém é tão pobre que não possa ajudar.  

Esta "ecologia da generosidade" permite que a Igreja no Brasil mantenha sua capilaridade, garantindo que comunidades distantes não fiquem desassistidas por falta de pastores. 

No ano de 2025, os números do projeto impressionam e mostram a urgência da iniciativa. O Comunhão e Partilha aprovou o apoio direto para a formação de 305 seminaristas, distribuídos em 42 dioceses de todo o país. São jovens que, sem esse auxílio, dificilmente conseguiriam arcar com os custos de moradia, alimentação e, principalmente, com as mensalidades das faculdades de Filosofia e Teologia. 

A seleção das dioceses beneficiadas não é aleatória. Existe um rigoroso processo de cadastramento e análise de carência socioeconômica conduzido pelo Conselho de Gestão da CNBB.

Um investimento no futuro da Igreja

O fortalecimento do clero não se resume ao pagamento de boletos. O projeto entende que um seminarista bem formado hoje será um padre capaz de transformar sua realidade amanhã. Ao aliviar o peso financeiro das dioceses mais pobres, o Comunhão e Partilha permite que os bispos locais invistam em outras frentes urgentes, como a pastoral social e a assistência às famílias vulneráveis. 

As inscrições e o recadastramento para o projeto ocorrem anualmente, geralmente no segundo semestre, abrindo as portas para que novas dioceses em situação de déficit possam pleitear o auxílio. Para o clero que contribui, é a chance de exercer a "colegialidade" de forma prática, transformando o discurso de união em depósitos de esperança.

Missão contínua

O projeto Comunhão e Partilha prova que, na dinâmica do Evangelho, a conta fecha de um jeito diferente: quando se divide, o resultado é a multiplicação. Com o olhar fixo no futuro da evangelização no Brasil, a CNBB segue convocando seus membros a não deixarem que nenhuma chama vocacional se apague por falta de combustível material. 

Em um Brasil de contrastes tão profundos, a iniciativa é o lembrete de que a Igreja só é verdadeiramente "una" quando o conforto de uma sacristia em São Paulo ou Rio de Janeiro se preocupa com a pobreza do seminário no interior do Amazonas.


ESPIRITUALIDADE

 

Quatro santos que nos convidam a rezar pelos sacerdotes

Ouvimos dizer que a Igreja passa por uma crise de vocações e, certamente, percebemos que os jovens têm muitas distrações que os impedem de ver com clareza qual vocação específica de ser santos que Deus lhes está concedendo. Seja no matrimônio, na vida consagrada, na vida de solteiro ou no sacerdócio, todos somos chamados a ser santos. E, se queremos sacerdotes fiéis, é preciso rezar por eles intensamente, como bem compreenderam os santos.

E por falar em oração, no dia 12 de junho celebraremos a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes; aproveitemos para confiar todos os nossos presbíteros a Deus, para que os fortaleça em sua vocação e ministério.

1. São João Maria Vianney

O Santo Cura d’Ars é o padroeiro dos párocos. Sua vida foi dedicada ao serviço dos fiéis de sua pequena comunidade, que logo se viu sobrecarregada pela grande quantidade de penitentes que o procuravam para receber o sacramento da Reconciliação.

São João Maria Vianney sabia que o demônio estava no seu encalço porque lhe arrebatava muitas almas no confessionário, por isso convidava a rezar pelos sacerdotes, os únicos que têm o poder de absolver e perdoar os pecados em nome de Deus.

Esta frase resume sua admiração pelo sacerdócio:

"Se compreendêssemos bem o que é um sacerdote na terra, morreríamos: não de medo, mas de amor."

2. Santa Teresinha do Menino Jesus

Deus quis que esta alma privilegiada se apaixonasse pelas missões e, embora nunca tenha saído de seu convento, Santa Teresinha compreendeu claramente que devia rezar pelos sacerdotes. Monsenhor Guy Gaucher escreveu:

"Durante uma peregrinação à Itália, Teresa se dá conta de que, além de sua 'vocação sublime', os sacerdotes têm as suas limitações. Entende que é necessário rezar muito por eles porque são homens 'fracos e frágeis'. Teresa compreende que sua vocação não é apenas rezar pela conversão dos grandes pecadores, mas também rezar pelos sacerdotes."

3. Santa Faustina Kowalska

A misericórdia do Senhor Jesus se derrama sobre todos, por isso lemos em seu Diário que o Senhor da Divina Misericórdia pede constantemente a Santa Faustina que reze especialmente por seus sacerdotes:

"Confio aos teus cuidados duas pérolas preciosas para o Meu Coração, que são as almas dos sacerdotes e as almas dos religiosos; por elas rezarás de maneira especial, a força delas virá do teu aniquilamento" (Parágrafo 531).

E no parágrafo 1052, encontramos esta bela oração:

"Ó meu Jesus, peço-Vos por toda a Igreja: concedei-lhe amor e a luz do Vosso Espírito, dai poder às palavras dos sacerdotes para que os corações endurecidos se amoleçam e voltem para Vós, Senhor. Senhor, dai-nos sacerdotes santos; Vós mesmo conservai-os na santidade. Ó Divino e Sumo Sacerdote, que o poder da Vossa misericórdia os acompanhe por toda parte e os proteja das armadilhas e ciladas do demônio, que estão sendo armadas incessantemente contra as almas dos sacerdotes. Que o poder da Vossa misericórdia, ó Senhor, destruya e faça fracassar tudo o que possa empanar a santidade dos sacerdotes, já que Vós tudo podeis."

4. São Pio de Pietrelcina

O Padre Pio foi um sacerdote totalmente entregue à sua missão no confessionário. Seu Epistolario e os numerosos testemunhos o descrevem celebrando a Missa com amor e dor.

Em uma carta dirigida ao seu diretor espiritual, datada de 19 de março de 1913, na festa de São José, ele relatou uma visão na qual contemplou Jesus sofrendo pelos sacerdotes indignos. Após fazer uma descrição de seu diálogo com o Senhor e o motivo de suas intensas dores, ele conclui dizendo:

"Rezemos por eles, a fim de que o Senhor ilumine suas mentes e toque seus corações."

Unamos nossas orações para que nossos sacerdotes se mantenham puros, fiéis e santos.

IGREJA

 

O grande remédio para a indiferença universal deste santo

s santos vivem o que pregam porque entenderam que só Deus pode resolver todos os problemas existenciais. Um deles foi São Pedro Julián Eymard, que propôs o remédio definitivo para a indiferença universal.

Saúde fraca e espírito forte

Pedro Julián nasceu La Mure d'Isère, diocese de Grenoble, em 4 de fevereiro de 1811. Seus pais tiveram dez filhos, oito dos quais morreram quando crianças. Também a saúde de Pedro era fraca, mas sua devoção ao Santíssimo Sacramento sempre acompanhou seu crescimento espiritual, que pouco a pouco amadureceu seu desejo de ser sacerdote.

Essa ideia deu frutos aos 20 anos, quando, apesar da oposição de seu pai, entrou no seminário. Recebeu a ordenação em 1834 e trabalhou como sacerdote diocesano até que em 1839 ingressou na recém-formada Congregação de Padre Maristas em Lyon.

Sua fragilidade física foi amplamente compensada pela enorme atração que desenvolveu pela contemplação do amor de Deus, a quem reconhecia “escondida especialmente na Eucaristia”, por isso sempre defendeu e incentou a adoração eucarística e a participação frequente na Santa Missa.

Os males do mundo

O padre Pedro viveu no século XIX, porém enfrentou a realidade daquela época - que, surpreendentemente, se parece muito com a nossa - . Lemos na biografia do site Vatican News este pensamento do santo:

"A adoração ao Santíssimo Sacramento exposto é necessária para despertar a fé adormecida de muitos homens de bem. (...) A sociedade morre porque não tem mais um centro de verdade e caridade, não tem mais vida familiar. Todo mundo se isola, se concentra em si mesmo, quer ser auto-suficiente; a dissolução é iminente. Mas a sociedade - escreve o padre Pedro Julián - renascerá cheia de vigor quando todos os seus membros vierem e se reunirem em torno de nosso Emanuel".

O remédio: a Eucaristia

Por isso, propôs:

"Sempre refleti sobre os remédios da indiferença universal que toma conta de tantos homens, e só encontro um: a Eucaristia, o amor a Jesus Eucarístico. A perda da fé vem da perda do amor".

O papa São João XXIII disse sobre ele nohomilia de sua canonização, em 9 de dezembro de 1962:

O menino de cinco anos, que se encontra sobre o altar, reclinando a cabeça na porta do santuário, é o mesmo que fundará com o tempo a Sociedade dos Sacerdotes do Santíssimo Sacramento e das Escravas do Santíssimo Sacramento, irradiando em inúmeros esquadrões de sacerdotes adoradores seu amor e seu carinho por Cristo, vivo na Eucaristia.

Apliquemos o mesmo remédio à nossa vida para que Deus nos ajude a entender que todas as dificuldades têm solução se as colocarmos em suas mãos.

IGREJA

 Planejamento financeiro da família católica

Quais são as diretrizes para um bom planejamento financeiro familiar católico?

No artigo anterior sobre o tema, explicamos sólidos fundamentos pelos quais as famílias católicas devem realizar um bom planejamento financeiro. No artigo de hoje, trazemos boas diretrizes para bem fazê-lo.

Diretrizes para um planejamento familiar católico

Tal como aponta o (Compêndio da Doutrina Social da Igreja) CDSI em seu artigo 360:

“Para contrastar este fenômeno [do consumismo] é necessário esforçar-se por construir ‘estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento’. É inegável que as influências do contexto social sobre os estilos de vida são notáveis: por isso o desafio cultural que hoje o consumismo apresenta deve ser enfrentado de modo mais incisivo[…].”.

Como adquirir uma casa maior para nossa família crescente, se mal conhecemos nossas despesas mensais, não realizamos ajustes e não poupamos o suficiente? Se posso economizar algum valor por mês e utilizá-lo para um investimento de médio e longo prazo (aluguel ou compra de uma casa maior, o pagamento de uma boa educação para os filhos, por exemplo), para que comprar itens supérfluos (roupas, celulares, etc.) quando o que já temos nos atende? Se podemos fazer as refeições em casa, com nossas famílias, conversando e fortalecendo o convívio, por que fazê-las fora de casa, sozinhos, pagando mais caro e comendo, muitas vezes, alimentos não sempre saudáveis? Como reservar recursos para a ajuda aos necessitados e às obras da Igreja se mantemos o hábito de consumir bens supérfluos?

O ponto crucial das questões acima é: qual o custo de oportunidade das opções que renuncio e qual o impacto disso no equilíbrio financeiro da família e alcance de seus objetivos conjuntos. O custo de oportunidade é um conceito de ampla utilização em economia, relacionado à ideia de otimização.

“Acordamos com o custo de oportunidade todos os dias. Quando o despertador toca, pensamos na melhor escolha a fazer: dormir mais 10 minutos ou ‘pular’ da cama e chegar no trabalho no horário? Comparando a satisfação do sono extra com a de chegar cedo no trabalho, muitos travam o despertador e dormem mais 10 minutos! (GONÇALVES, 2010, p. 20).”. “[…] Um consumidor que compra um bem [ou faz uma escolha], mas poderia comprar [ou escolher] outro, incorreu num custo de oportunidade. O bem comprado [ou escolha feita] lhe dá satisfação, mas o que deixou de comprar [ou de escolher] foi uma oportunidade que também lhe daria satisfação. O custo de oportunidade de escolher o primeiro é a satisfação perdida por ter desistido da melhor alternativa seguinte à escolha que fez. […] O custo de oportunidade permite comparar o que se obteve (satisfação ou lucro) e o que se deixou de obter. […] (GONÇALVES, 2010, p. 19-20).”.

Nesse contexto, o artigo 358 do CDSI aponta que

“[…] hoje, mais do que no passado, é possível avaliar as alternativas disponíveis não somente tomando por base o rendimento previsto ou ao seu grau de risco, mas também exprimindo em juízo de valor sobre os projetos de investimento que os recursos irão financiar, na consciência de que ‘a opção de investir num lugar em vez de outro, neste setor produtivo e não naquele, é sempre uma escolha moral e cultural’”.

Considerando o exposto propomos um “passo a passo” para auxiliar as famílias católicas a exercitarem um bom planejamento financeiro:

PassoComentário
1) Conhecer detalhadamente a receita da família É preciso ter em conta que esforços de trabalho poderão ser maiores em alguns momentos para aumentar a receita e alcançar objetivos definidos ou menores em função de flutuações econômicas e de emprego – nesse caso, será necessário proceder com ajustes nas despesas correntes.
2) Conhecer detalhadamente as despesas da família É de bom alvitre manter a prática de identificar oportunidades de enxugamento de despesas e de negociação de preços e formas de pagamento.
3) Estabelecer objetivos metas familiaresa) Objetivo é o propósito de realizar algo, é aonde se quer chegar. É ele que fornece a direção do que se deseja fazer, serve como guia. É a posição que se deseja ocupar no futuro, o sonho que se deseja realizar (LOBATO et al., 2012). Ex.: Objetivo: adquirir uma casa maior para a família crescente.

b) Metas são tarefas específicas para alcançar os objetivos. A meta é o objetivo de forma quantificada. Após priorizar os objetivos, eles precisam ser transformados em desafios intermediários no curto prazo, ou metas. As metas são temporais e estritamente ligadas a prazos. Uma boa dose de estímulo e desafio deve ser colocada na determinação das metas, porém, é preciso elaborar metas factíveis (LOBATO et al., 2012). Ex.: Objetivo: adquirir uma casa maior para a família crescente; Meta 1: Economizar x em y anos (meses); Meta 2: Trocar a casa w para a z, no valor h, em j anos.

 

c) Devem ser estabelecidos objetivos e metas familiares de curtíssimo (menor que 1 ano), curto (1 ano), médio (2-5 anos) e longo (maior que 10 anos) prazos.

4) Definir as melhores opções financeiras para o alcance dos objetivos e metas definidos e com base no conhecimento de receitas e despesas familiaresComprar à vista ou a prazo? Utilizar cartão de crédito ou dinheiro? Utilizar capital próprio ou empréstimo? Aplicação em renda fixa ou variável?
5) Definir plano de ação para alcance dos objetivos, por meio do detalhamento das metasa) Os objetivos metas estabelecem o que será alcançado e quando os resultados serão obtidos, mas eles não dizem como os resultados serão alcançados. Para cada objetivo, portanto, é necessário que se definam as estratégias para a sua viabilização. Esse conjunto de conceitos e ações pode ser organizado com a elaboração de um plano de ação. O plano de ação é uma ferramenta significativa no processo de desdobramento, organização e execução de estratégia. O processo de elaboração envolve aspectos técnicos, administrativos e pedagógicos, estabelecendo um balanceamento entre a responsabilidade individual e o compromisso coletivo (LOBATO et al., 2012).

b) Para uma rápida identificação dos elementos necessários à sua implementação, o plano de ação pode estruturar-se pela ferramenta 5W2H, que significa: what (o que será feito?); who (quem fará ?; when – quando será feito?; where – onde será feito?; why – por que será feito?; how – como será feito?; how much – quanto custará?) (LOBATO et al., 2012).

6) Monitorar constantemente receitas e despesasPara auxiliar o monitoramento, devem ser utilizadas planilhas e programas específicos de gestão financeira.
7) Realizar ajustes no planejamento familiarOs itens 3, 4 e 5 devem ser analisados constantemente e revisados de acordo com eventuais mudanças de objetivos da família.

 

Felizmente, são cada vez mais comuns os serviços de assessoria financeira que podem ajudar às famílias, principalmente, no início de sua caminhada. Quem não tem condições de contratar tais serviços pode obter informações resumidas na internet, tal como pretendeu este artigo.

É necessário, como explanado anteriormente, cultivar bons hábitos que possibilitem uma católica gestão financeira familiar, tais como:

  • Criar na família uma cultura de diálogo e de planejamento financeiro familiar;
  • Contribuir com o dízimo e com outras obras da igreja;
  • Incentivar os filhos a participarem de trabalhos de ajuda ao próximo, preferencialmente em ações da igreja, criando uma cultura de caridade e solidariedade;
  • Incentivar aos filhos a ajudar nas atividades domésticas, criando uma cultura de disciplina, organização e co-responsabilidade, bem como a participarem de trabalhos remunerados, desenvolvendo o hábito do planejamento, trabalho em equipe, respeito à hierarquia e da meritocracia;
  • Incentivar desde cedo os filhos a participarem na construção e no alcance dos objetivos e das metas familiares;
  • Criar o hábito de poupar na família (diferentemente da avareza, um dos pecados capitais, a poupança possibilita o alcance dos objetivos familiares), evitando gastos com bens supérfluos;
  • Criar o hábito de acompanhamento de receitas e despesas, ajustando-as aos objetivos e metas familiares.

A necessidade das Virtudes: Naturais (adquiridas) e Sobrenaturais (infusas)

Como nos direciona claramente o artigo 359 do CDSI, o

“uso do próprio poder aquisitivo há de ser exercido no contexto das exigências morais da justiça e da solidariedade e de responsabilidade sociais precisas: Não se há de esquecer o dever da caridade, isto é, o dever de acorrer com o ‘supérfluo’, e às vezes até com o ‘necessário’, para garantir o indispensável à vida do pobre”.

Para fechar este ensaio optou-se por retomar a ideia das Virtudes, pois tudo o que fazemos deve ser para a Maior Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto, recorramos ao que o Padre Royo-Marín nos explica sobre as virtudes naturais e sobrenaturais.

As Virtudes Naturais são aquelas adquiridas naturalmente, independentemente da graça e da ordem sobrenatural. Por mais estimáveis que sejam em sua ordem e plano correspondente, são totalmente desproporcionadas e ineptas para a vida sobrenatural que há de viver o cristão. Se os atos constantemente repetidos são bons, adquire-se pouco a pouco o hábito bom correspondente, que em teologia moral recebe o nome de virtude natural ou adquirida. Tais são, por exemplo, a prudência, a lealdade, a sinceridade, a honradez natural, etc., adquiridas naturalmente a custo da repetição de seus atos correspondentes.

Já as Virtudes Sobrenaturais, ou Infusas, são aquelas infundidas por Deus juntamente com a graça, para que possa operar sobrenaturalmente, e o divino, com ajuda dos dons do Espírito Santo. Possuem dois grupos fundamentais: Virtudes Teologais (apenas três: fé, esperança e caridade) e Virtudes Morais (subdivididas em: cardeais – prudência, justiça, fortaleza e temperança; potenciais ou derivadas – ex.: humildade, obediência, paciência, castidade, perseverança, etc.). As Virtudes Morais estão em perfeita analogia e paralelismo com as correspondentes Virtudes Naturais (adquiridas). As Virtudes Teologias são estritamente divinas, porque têm por objeto direto e imediato o próprio Deus, e não têm, pela mesma razão, virtudes correspondentes na ordem natural adquirida.

A família deve, portanto, por meio da oração, pedir a Deus que a infunda de Virtudes Sobrenaturais (Teologais e Morais) e praticar as Virtudes Naturais, adquiridas por meio da repetição constante. Assim, poderá controlar seus vícios e evitar pecados, tais como, preguiça, avareza, ganância, inveja, em busca de sua santificação.


ESPIRITUALIDADE

 O último encontro de Bernadette com a Virgem sem desafiar as proibições das autoridades

quela", como dizia Bernadette, havia lhe pedido a graça de ir a Massabielle durante quinze dias. Não foram quinze visões que Bernadette teve, mas dezoito. Seu último encontro com a Virgem Imaculada acontece em 16 de julho, dia da festa de Nossa Senhora do Carmo.

Respeitando as ordens das autoridades, Bernadette não queria desafiar as proibições. De fato, a gruta estava cercada por tapumes e já não era possível se aproximar dela como na época em que ia até lá para recolher lenha.

No entanto, como em cada encontro com a Virgem Maria, ela se sente atraída rumo à gruta. O desejo de ver a Bela Senhora no vão da rocha é invencível. Mas Bernadette não quer atrair olhares; ela quer permanecer na sombra. Assim, espera o anoitecer para ir a Massabielle.

Como a gruta não está acessível, ela precisa ficar do outro lado do rio Gave. Acompanhada por duas amigas e por sua tia, Bernadette ajoelha-se humildemente em meio aos grupos de peregrinos. Bernadette acende sua vela e, em seguida, as pessoas que a acompanham notam que seu rosto empalidece e depois se ilumina. Bernadette vê a Virgem; tudo acontece no silêncio. Depois, ela se levanta, seu rosto recupera a cor normal e ela retorna para a casa das irmãs do hospital. Enquanto caminha, ela diz: "Eu não via nem as tábuas de madeira, nem o rio Gave; parecia-me que eu estava na gruta, sem maior distância do que nas outras vezes. Eu só via a Santíssima Virgem". Nesta última visão, nenhuma palavra em particular, apenas a doce presença da Rainha do céu.

O que reter desta última aparição?

A Virgem chama. A Virgem espera. Ela esperou até que fosse o momento certo para Bernadette. A Virgem também espera por cada um de seus filhos na gruta. Acolhida no vão da rocha, ela espera por nossas orações, nossas intenções e nos convida à conversão.

No silêncio, Maria age para consolar e cumular de bens cada um de seus filhos. Nem sempre são necessárias palavras para compreender. A exemplo de Bernadette, que ia todas as vezes com prontidão e confiança, sem sequer saber quem estava vendo no início, esta última aparição pode ser compreendida como um convite de Maria para nos ajoelharmos diante dela na Gruta para receber suas graças. Esta última aparição ecoa como um convite permanente para ali depositarmos os nossos fardos.

SANTO DO DIA

 Hoje a Igreja celebra a Transfiguração do Senhor

A Igreja celebra hoje (6) a festa litúrgica da Transfiguração do Senhor. Segundo a tradição, ela aconteceu no Monte Tabor (Israel), na presença dos apóstolos Pedro, Tiago e João. Foi neste episódio que Jesus conversou com Moisés e Elias e escutou-se de uma nuvem a voz de Deus Pai que dizia “Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição; ouvi-o” (Mt 17),5.

No Catecismo da Igreja Católica (555), em referência à passagem bíblica, menciona-se que “por um momento, Jesus mostra a sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para ‘entrar na sua glória’ (Lc 24, 26), tem de passar pela cruz em Jerusalém”.

“Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias. A paixão de Jesus é da vontade do Pai”, assinala o Catecismo.Deste modo, recorda as palavras de santo Tomás de Aquino, que afirmou que neste acontecimento “apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa”.

Segundo o relato evangélico, a Transfiguração ocorreu em um monte alto e afastado chamado Monte Tabor, que em hebraico significa “o abraço de Deus”.São Jerônimo comentava este episódio da vida de Jesus com muito ardor e acrescentava inclusive palavras na boca de Deus Pai para explicar a predileção de Jesus. “Este é meu Filho, não Moisés nem Elias. Esses são meus servos; aquele, meu Filho. Este é meu Filho: de minha mesma natureza, da minha mesma substância, que em Mim permanece e é tudo o que Eu sou. Também aqueles outros são certamente amados, mas este é meu amadíssimo. Por isso escutem-no”, disse o santo.

“Ele é o Senhor, estes outros, os servos. Moisés e Elias falam de Cristo. São seus servos. Não honrem os servos do mesmo modo que o Senhor: escutem somente o Filho de Deus”, acrescentou.

Quando a Transfiguração acabou, Pedro, que havia dito “Senhor, é bom estarmos aqui!”, desce sem compreender o que havia acontecido. Por isso, santo Agostinho, em um dos seus sermões, se refere ao primeiro papa com palavras de reflexão, que na verdade se transformam em uma interpelação para cada cristão no mundo de hoje:“Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?”.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de 6 de agosto: Transfiguração do Senhor

Comentário ao Evangelho da Festa da Transfiguração do Senhor (Ciclo A). «E transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol». Na Eucaristia contemplamos com os olhos da fé a imensidade e a formosura de Cristo.


 Evangelho (Mt 17, 1-9)

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus:

«Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias».

Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia:

«Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse:

«Levantai-vos e não temais».

Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem:

«Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».


Comentário

O Evangelho de Mateus situa esta cena num momento delicado para os apóstolos. Pouco antes, Jesus tinha-lhes dito claramente «que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia» (Mt 16, 21). Ao mesmo tempo, tinha-lhes dito, também em termos muito claros, que «se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la» (Mt 16, 24-25). É compreensível a perplexidade e o medo dos seus discípulos perante avisos tão graves.

Por isso, agora quer alimentar a esperança deles, manifestando a sua glória diante de Pedro, Tiago e João. Sobe a um monte alto, acompanhado em primeiro lugar por três discípulos, tal como Moisés subiu ao monte Sinai acompanhado por Aarão, Nadab e Abiú, seguidos pelos anciãos do povo (cf. Ex 24, 9). Estes mesmos três apóstolos serão os que Ele chamará no Getsémani para O acompanharem mais de perto, enquanto os outros se afastam um pouco mais do lugar onde Jesus reza em agonia (cf. Mc 14, 33). As cenas de esplendor alegre e de sofrimento angustiante em que Pedro, Tiago e João O acompanham contrastam, mas, ao mesmo tempo, estão inseparavelmente relacionadas. Não há glória sem cruz.

Moisés e Elias, que tinham contemplado a glória de Deus e recebido a sua revelação no monte chamado Horeb ou Sinai (cf. Ex 24, 15-16 e 1Rs 19, 8), acompanhavam Jesus neste alto monte, quando «transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz» (v. 2). Agora contemplam a glória e falam com Aquele que é a revelação de Deus em pessoa.

Pedro não consegue conter a sua alegria e exclama: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias» (v. 4). O seu pedido exprime o desejo de todo o coração humano de habitar para sempre na contemplação jubilosa da glória de Deus. É a isso que somos chamados, à bem-aventurança. Com estes mesmos sentimentos, S. Josemaria, enquanto pregava, clamava na oração: «Jesus, ver-Te, falar-Te, ficar assim, contemplando-Te, absorvido na imensidade da Tua beleza, e nunca, nunca cessar nessa contemplação! Cristo, quem Te visse? Cristo, quem Te pudesse ver! Quem Te pudesse ver, para ser ferido de amor por Ti!»[1].

Da nuvem de luz que os envolve, ouvem-se palavras cheias de significado: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O» (v. 5). A expressão “meu Filho, muito amado” é um eco daquela com que Deus se dirige a Abraão para lhe pedir que sacrifique o seu filho Isaac: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas» (Gn 22, 2). Deste modo, estabelece-se um paralelo entre a cena dramática do Génesis, em que Abraão se dispõe a sacrificar Isaac, que o acompanha sem resistência, e o drama que se consumará no Calvário, onde Deus Pai oferece o seu Filho em sacrifício, voluntariamente assumido para a redenção do género humano. De facto, na cena da Transfiguração, a Igreja viu uma preparação dos apóstolos para suportar o escândalo da Cruz. Por seu lado, o aditamento «escutai-O» tem claros ecos das palavras do Senhor a Moisés no Deuteronómio: «O Senhor teu Deus fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deveis escutar» (Dt 18, 15). Aquele que é o Filho que o seu pai Deus entrega à morte, Jesus, é, ao mesmo tempo, o profeta como Moisés que devemos escutar.

«Deste episódio da Transfiguração gostaria de indicar dois elementos significativos – dizia o Papa Francisco –, que sintetizo em duas palavras: subida e descida. Precisamos de ir para um lugar apartado, de subir ao monte num espaço de silêncio, para nos reencontrarmos a nós mesmos e ouvir melhor a voz do Senhor. Fazemos isto na oração. Mas não podemos permanecer ali! O encontro com Deus na oração estimula-nos de novo a "descer do monte" e voltar para baixo, para a planície, onde encontramos tantos irmãos sobrecarregados por canseiras, doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual. A estes nossos irmãos que estão em dificuldade, estamos chamados a levar os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando a graça recebida»[2].