sábado, 25 de abril de 2026

RELIGIÃO

 

Igreja no Brasil: Desafio no combate ao feminicídio

Somente em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios no país, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, e o <strong>maior número já registrado desde a criação da lei Maria da Penha </strong>que endurece as penas para quem comete esse crime brutal.

Padre Rodolfo, assessor da Comissão Episcopal Vida e Família da CNBB, provoca uma reflexão interna nas comunidades religiosas. O segundo nível da justiça é moral e teológico. O sacerdote argumenta que o feminicídio é um escândalo que fere o plano de Deus. Para ele, a Igreja não pode ser conivente com discursos que justifiquem a submissão ou a posse da mulher pelo homem, pois tais deformações educativas são o berço da violência.

O padre é direto ao apontar a responsabilidade da formação cristã nesse processo. "O feminicídio não surge 'do nada', mas é fruto de uma longa cadeia de omissões, conivências e deformações educativas", destaca o sacerdote. Ele reforça que a verdadeira justiça divina exige que o Evangelho seja usado para libertar e não para oprimir, transformando a cultura do descarte em uma cultura do cuidado e da igualdade fundamental.

Uma missão para o novo ano

Ao iniciar 2026, o desafio é transformar os protestos e as reflexões em ações concretas. A união entre a pressão popular e o despertar da consciência religiosa aponta para um caminho de esperança. A justiça que as mulheres buscam passa pela educação das novas gerações, pelo acolhimento nas paróquias e pela fiscalização rigorosa das leis.

O Padre Rodolfo considera que reconhecer os erros do passado é o que permitirá à sociedade avançar. "Esses erros, entre outros, são, em grande parte, fruto de ignorância, medo, insegurança e de uma cultura patriarcal que ainda não foi suficientemente convertida pelo Evangelho", afirma. O compromisso de 2026, portanto, é fazer com que a justiça deixe de ser uma palavra em cartazes ou sermões para se tornar a garantia real de que nenhuma mulher a mais terá sua vida interrompida pelo ódio.

Educar a consciência

Superar este cenário exige mais do que leis; exige uma transformação na base da formação humana. O Padre Rodolfo destaca o papel crucial da família e da Igreja na criação de uma nova consciência que rejeite a violência masculina. Educar filhos e filhas para a não-violência é um imperativo cristão que começa no lar e se estende às catequeses e comunidades.

Ação pastoral

Por fim, a Igreja é convocada a um desafio prático: o acolhimento e a proteção. A Pastoral Familiar e outras instâncias eclesiais precisam de estar equipadas para identificar vulnerabilidades e oferecer suporte real às vítimas. Não se pode falar de "Reino de Deus" ignorando a "covardia" e a "degradação" — termos usados pelo Papa Francisco e reforçados pelo Padre Rodolfo — que o feminicídio representa.

O Padre Rodolfo conclui que o compromisso da fé exige que todos se tornem parte de uma "grande onda contra a violência masculina". "Somente assim poderemos, progressivamente, deixar de contar feminicídios e começar a contar histórias de libertação e de reconciliação, sinais do Reino que já está em meio a nós", afirma. O escândalo da morte de mulheres deve, portanto, despertar uma fé que não se cala e que trabalha incansavelmente pela justiça e pela dignidade humana.

ESTILO DE VIDA

 

O perigo de comparar o seu casamento com os dos outros

Em um mundo que sofre constantemente com comparações, tanto nas redes sociais como no cotidiano, como proteger seu casamento dessa armadilha?

Quantas vezes você já pensou: "Quem dera meu casamento fosse como o deles"? Talvez depois de ver uma postagem nas redes sociais, ouvir uma história ou conviver com outro casal. Sem perceber, você começa a medir e comparar sua relação conjugal com parâmetros alheios.

O detalhe é que não vemos a história completa, apenas fragmentos — o que publicam ou o que nos contam. Quando comparamos a partir daí, não estamos nos motivando, mas sim nos desgastando e criando uma rachadura no matrimônio. Com o tempo, essa fenda cresce até fraturar a relação.

O hábito de comparar

Na última década, a comparação tornou-se algo constante para o ser humano. Comparamos conquistas, famílias, estilos de vida e, sem notar, também comparamos casamentos. Pensamos que um é melhor que o outro apenas pelo que aparece nas telas, concluindo que são mais felizes, atenciosos, unidos e "perfeitos".

Raramente paramos para perguntar se essa comparação é justa ou saudável. Comparar o casamento com o de outros pode parecer inofensivo, mas é uma das formas mais silenciosas de semear insatisfação e distância na relação.

Feridas que a comparação provoca

omparar a própria história com a de outros não traz bons resultados, especialmente quando isso é feito na frente do cônjuge, gerando:

  • Insatisfação constante: Frases como "Eles sim...", "Nós não...", fazem com que o que é bom deixe de ser suficiente.
  • Idealização falsa: Surgem padrões irreais sobre como um casamento "deveria" ser, perseguindo uma imagem construída pelo que se vê de fora, e não uma relação genuína.
  • Desvalorização do cônjuge: O cônjuge deixa de admirar o parceiro e passa a criticar: "Por que você não é como fulano?". Isso corrói a autoestima e a conexão emocional.

Armadilha para o casamento

As comparações surgem quando falta diálogo entre os esposos. O problema não é o "outro casal", mas o que não está sendo conversado no próprio relacionamento. A comparação atua como um refúgio para evitar a responsabilidade de trabalhar em equipe. Confira estas recomendações:

1. Filtre o conteúdo das redes sociais Lembre-se: o que você vê é apenas uma pequena parte da vida alheia. Ninguém posta seus silêncios, suas discussões ou suas noites difíceis. Aquela foto perfeita não anula os altos e baixos que todo casal enfrenta.

2. Volte o olhar para dentro Faça um exercício de introspecção pessoal e depois com seu cônjuge. Perguntem-se:

  • Do que precisamos como casal hoje?
  • O que está nos faltando expressar? Escolham um momento tranquilo para falar com franqueza e intimidade, com o objetivo de crescerem juntos.

3. Seja grato Agradeça a Deus e ao seu cônjuge pela relação que construíram. Valorize os esforços e conquistas compartilhados, mesmo que não sejam perfeitos. Experimente deixar um bilhete de agradecimento por um gesto que você gosta ou expressar gratidão ao acordar ou antes de dormir.

4. Estabeleça seus próprios acordos Não tente copiar modelos alheios. Conversem sobre em quais áreas gostariam de crescer e quais atividades ou gestos querem implementar na vida a dois para fortalecer a identidade única do casal.

Casamento não é competição

Quando comparamos, a relação se desgasta; quando construímos juntos, ela se conecta. Não esqueça: o melhor casamento não é o que mais se compara, mas o que mais se trabalha.