quarta-feira, 29 de julho de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Por que é tão importante abençoar a sua casa?

Abençoar sua casa pode ser uma boa maneira de estabelecer verdadeiros marcos e abrir as portas para que o Senhor faça parte do seu novo lar

Sempre que nos mudamos, pedimos para um padre abençoar nosso apartamento. É uma boa oportunidade para agradecer a Deus pelo nosso lar e para colocar sob sua proteção tudo aquilo que neste lugar iremos viver, além de todos que aqui serão acolhidos”. Bento, que está na casa dos trinta anos, não imaginava se mudar sem convidar um padre para abençoar seu novo lar. Sob os olhos de sua esposa e filho, um padre oficializava e abençoava sua nova casa, cômodo por cômodo. “Ouve, na tua bondade, a oração dos teus servos, neste dia em que inauguram a sua nova casa...”. As orações que acompanham a aspersão da água benta são familiares ao sacerdote. Enraizadas na sabedoria da Igreja, essa liturgia vai ao encontro dos desejos dos fiéis, como aconteceu com essa família, que aproveitou a vinda do padre para confiar a Deus a sua nova casa, ou no caso de recém-casados ​​que ousam convidar o seu pároco para a festa de casa nova.

Uma prática enraizada na liturgia do povo de Israel

Entre todas as bênçãos possíveis - um local de trabalho, um negócio, um carro, dentre outras - aquela invocada sobre uma casa tem uma importância particular. “Esta prática está enraizada na liturgia do povo de Israel, ela recorda o sangue do cordeiro pascal que os hebreus puseram à porta antes da fuga para o Egito”, explica o padre Emmanuel Roberge. Durante os primeiros séculos, tempo de perseguição, a fé era vivida dentro das casas na chamada domus ecclesiae, ou “Igreja doméstica”. A primeira liturgia cristã foi celebrada em casa.

Portanto, vemos que a casa é um lugar de importância singular e foi também espaço de testemunho em muitas passagens bíblicas, como na hospitalidade de Abraão ou nas visitas de Jesus a Marta, Maria e Zaqueu. Também ressoa a instrução de Jesus aos discípulos: “Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!” (Lc 10,5). Uma paz que se estabelece entre as paredes da casa e que se estende a todos que nela habitam. No dia da bênção de sua casa, “momento de graça, alegria e festa”, Marion e Luís convidaram suas respectivas famílias. “É uma forma de colocar o lugar onde viveremos nas mãos do Senhor e de proteger nossas famílias. Para nós é essencial”, testemunham os jovens pais.

Entre os cristãos, alguns desejam proteger e até mesmo libertar a sua casa de qualquer influência prejudicial à saúde. “Não sabemos necessariamente o que pode ter acontecido aqui antes da nossa chegada”, diz Bento. O padre Emmanuel Dumont, exorcista, recebe muitos pedidos desse tipo. “A casa é um local de combate espiritual, como toda a Igreja”, afirma. Quando venho abençoar uma casa, gosto de recorrer ao antigo ritual que traz a oração penitencial. Nele, pedimos perdão pelos próprios pecados e pelo que foi feito de errado naquele lugar. Também pode ser uma oportunidade de orar por aqueles que morreram nesse ambiente sem estarem preparados”. O sacerdote então usa água benta e sal, incenso e óleo para ungir portas e janelas.

Fórmulas algébricas inscritas em giz acima das portas

Quem aprende sobre os ritos de bênção descobre um tesouro de piedade popular escondido por séculos. Na França, em Calvados, podemos nos surpreender ao ver fórmulas algébricas inscritas em giz acima das portas: “20 + C + M + B + 18”. Resquício de uma tradição germânica ligada à Epifania. Essas iniciais correspondem à invocação “Christus mansionem benedicat”, ou “Cristo abençoe esta casa”, emoldurada pelos números do ano novo. Também lemos as iniciais dos três reis magos, Gaspar (ou Caspard), Melchior (ou Belchior) e Baltasar. “Os três reis magos vieram adorar o Menino Jesus e, ao regressarem ao seu país, espalharam pelo caminho a boa notícia da vida divina”, explica o padre Guilhem de la Barre.

De 6 a 13 de janeiro, o padre percorreu as estradas da Normandia, na França, para abençoar cerca de quarenta casas. Com giz, ele traçou essa inscrição acima de cada porta que encontrou. “A bênção das casas torna visível ao mundo que, através da sua encarnação, nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo feito carne, habitou entre nós e que age nas nossas vidas no quotidiano, na humildade da vida doméstica diária”. A Igreja propõe esta tradição no Diretório sobre a piedade popular e na liturgia. O dono da casa também pode conduzir pessoalmente esta liturgia familiar e escrever a fórmula apropriada a giz, previamente abençoado durante a Missa da Epifania.

Ao contrário do giz, a água benta não deixa marcas visíveis nas paredes. A casa, no entanto, permanece nas mãos de Deus. “Por isso, é muito importante deixar à mostra todos os ícones, imagens, Bíblias ou livros de oração”, lembra o Padre Emmanuel Roberge, “para mostrar claramente a presença do Senhor nesta casa”. São sinais que testemunham que a casa cristã é célula viva do corpo da Igreja.

Noémie Bertin

ESPIRITUALIDADE

 

Quando Marta, Maria e Lázaro ganharam um dia litúrgico próprio

Santos irmãos de Betânia, amigos de Jesus serão celebrados em 29 de julho

Marta, Maria e Lázaro ganham dia litúrgico próprio: a memória dos três irmãos de Betânia, amigos de Jesus, passará a ser celebrada conjuntamente no dia 29 de julho, conforme decreto da Congregação para o Culto Divino que o Papa Francisco promulgou nesta semana.

Quem assina o decreto são o prefeito dessa congregação, cardeal Robert Sarah, e seu secretário, dom Arturo Roche. O documento estabelece que esta memória constará em todos os calendários e livros litúrgicos para a celebração da Missa e da Liturgia das Horas, cabendo às conferências episcopais, com aprovação vaticana, traduzir as variações e acréscimos nos devidos textos litúrgicos.

Sobre os três irmãos santos, o decreto afirma:

"Na casa de Betânia, o Senhor Jesus experimentou o espírito de família e a amizade de Marta, de Maria e de Lázaro. Por isso, o Evangelho de São João afirma que Ele os amava. Marta ofereceu-Lhe generosamente hospitalidade, Maria ouviu atentamente as Suas palavras e Lázaro saiu de imediato do sepulcro a convite d’Aquele que aniquilou a morte".

Marta, Maria e Lázaro ganham dia litúrgico próprio

O texto também recorda que, durante séculos, perdurou a incerteza quanto à identidade dessa Maria, pois o nome é comum a outras mulheres mencionadas nos Evangelhos. Foi por esta razão que somente Santa Marta havia sido inscrita no Calendário Romano em 29 de julho.

O Papa Francisco decidiu inscrever a memória dos Santos Marta, Maria e Lázaro no calendário Romano Geral por considerar de grande importância o "testemunho evangélico dos três irmãos, que ofereceram ao Senhor Jesus a hospitalidade da sua casa, prestando-lhe uma atenção dedicada e acreditando que Ele é a ressurreição e a vida".

ESPIRITUALIDADE

 

Você conhece a devoção do escapulário da Irmã Justina?

Foi à Irmã Justina Bisqueyburu que a Virgem Maria inspirou a devoção do pouco conhecido escapulário verde, que também traz promessas de salvação.

Émuito famosa a devoção do escapulário marrom da Virgem do Carmo e as promessas que ele traz para quem o usa e cumpre os requisitos que envolvem portar este popular sacramental. No entanto, a Santíssima Virgem Maria inspirou a Irmã Justina Bisqueyburu a confeccionar um de cor verde, menos conhecido, mas que também traz promessas de conversão e salvação.

As aparições marianas à Irmã Justina

A história de Maria Justina começou em 11 de novembro de 1817 em Mauleón, na França. Ela nasceu em uma família humilde e, ainda muito menina, perdeu os pais, ficando sob os cuidados de uma tia materna que lhe incutiu uma fé profunda e um grande sentido de dever para ajudar os necessitados.

Muito jovem, sentiu o chamado para a vida religiosa; sua alma inclinava-se à contemplação, e assim ela ingressou na Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris — a mesma congregação à qual também pertenceu Santa Catarina Labouré, vidente da Virgem e a quem foi entregue a Medalha Milagrosa.

Dedicada desde o noviciado à oração e ao atendimento dos pobres e enfermos, Justina destacou-se por sua caridade, humildade e devoção. Foi nessa etapa que ela começou a ter visões da Virgem Maria, sendo a primeira delas em 28 de janeiro de 1840.

Durante o seu retiro de noviciado, a Irmã Justina estava rezando na capela quando lhe apareceu a Virgem vestida de branco e com um manto azul-claro, mas com os pés descobertos; os cabelos, que caíam sobre os seus ombros, não tinham véu. Em suas mãos, junto ao peito, ela sustentava o seu Imaculado Coração, que emitia chamas resplandecentes.

A visão repetiu-se para a Irmã Justina ao final do retiro e mais cinco vezes durante o seu noviciado.

O escapulário verde

Foi em 8 de setembro de 1840, festa da Natividade de Maria, que a Irmã Justina viu novamente a Virgem, mas desta vez ela trazia em sua mão esquerda o escapulário, que consistia em uma única peça de tecido unida por dois cordões verdes. De um lado, trazia impressa a imagem de Maria Santíssima com o seu Coração Imaculado, transpassado por uma espada, e do outro, a religiosa descreveu ter visto:

"Um Coração ardendo com raios mais deslumbrantes que o sol e tão transparente quanto o cristal".

Embora a Santíssima Virgem nunca tenha proferido palavra alguma, foi-lhe revelado interiormente o significado do escapulário verde, chamado "Escapulário do Imaculado Coração", como um novo meio para alcançar graças. Além disso, "operará grandes conversões, particularmente para alcançar uma boa morte para os pecadores e para os que não têm fé".

Consolo dos enfermos

A partir de então, as religiosas confeccionaram o escapulário verde tal como foi descrito anteriormente, mas ele traz, além disso, uma cruz de ouro e esta jaculatória que deve ser recitada pelo menos uma vez ao dia:

"Imaculado Coração de Maria, rogai por nós agora e na hora de nossa morte".

Em 1870, o uso do escapulário verde foi aprovado pelo Papa Pio IX. Para usá-lo, não é necessária nenhuma cerimônia especial, basta apenas que seja abençoado por um sacerdote.

Este sacramental é de grande auxílio e consolo para os enfermos, aos quais pode ser colocado na cama, nas roupas ou em algum lugar do quarto.