sábado, 17 de outubro de 2026

IGREJA

 

Tem um vice-papa no Vaticano?

Nos países existe a figura do vice-presidente que assume o papel do presidente quando este se ausenta. Mas no pequeno país do Vaticano tem uma grande diferença.

Até mesmo nas monarquias existe uma linha sucessória que assume as funções quando é o caso. Em um mundo acostumado à imediata sucessão de cargos executivos, à substituição automática de chefes de Estado por vice-presidentes ou primeiros-ministros e à fria mecânica das repúblicas modernas, o centro espiritual do catolicismo abriga uma regra que desafia a lógica: o Papa não tem substituto.

Quando um pontífice é hospitalizado e precisa ser submetido a uma intervenção cirúrgica, instauram-se o silêncio dos corredores apostólicos e uma curiosa suspensão institucional que merece ser investigada sob a luz da história e do direito.

A pausa da unidade

A primeira e mais surpreendente revelação para o observador leigo é a constatação de que, durante o período em que o Papa está internado, não ocorre absolutamente nenhuma tranferência de poderes.

Em termos jurídicos e práticos, o trono de Pedro não conhece a figura de um "vice-papa" ou de uma regência temporária. O pontífice em exercício mantém a titulação absoluta, plena e exclusiva do governo da Igreja Católica e do Estado da Cidade do Vaticano.

Contudo, como uma estrutura do porte da Santa Sé poderia simplesmente paralisar? A resposta reside na sutil e rigorosa distinção entre administração ordinária e decisões extraordinárias. A vasta e complexa máquina vaticana não cessa de funcionar. Os gabinetes dos dicastérios continuam abertos, a engrenagem cotidiana prossegue sob a batuta dos chefes de departamentos e, de maneira muito particular, sob a égide da Secretaria de Estado, liderada pelo cardeal secretário. Decretos e nomeações ordinárias continuam a ser chancelados e publicados em nome do Papa, mantendo uma normalidade administrativa impecável.

Por outro lado, o que se congela instantaneamente são todas as funções e deliberações de competência estrita e exclusiva do Bispo de Roma.

Atos de grande envergadura — como a nomeação de novos bispos, reformas estruturais profundas na Cúria ou a assinatura de atos legislativos de peso — entram em um estado de hibernação forçada. Eles aguardam pacientemente o regresso do Pontífice. É um limbo institucional pacífico, onde o poder supremo cessa de se mover não por falta de legitimidade, mas por uma rigorosa exigência de titularidade pessoal.

Os mitos do Vaticano

Quando um Papa morre, na oração eucarística da Missa, ao invés de dizer o nome do papa o sacerdote não deve dizer nada. Para muitos isso é difícil e inventam de citar o nome do cardeal carmelengo, ou do decano do colégio cardinalício, ou colocar nesse ponto da celebração uma prece pelo conclave. Se não tem Papa, não tem, e não tem substituto.

No imaginário popular e nas especulações da grande imprensa, é frequente o equívoco de que, diante de qualquer incapacidade física temporária do Papa, figuras de proa como o cardeal camerlengo — atualmente o cardeal Kevin Joseph Farrell — assumiriam imediatamente as rédeas do governo eclesiástico.

O camerlengo detém prerrogativas extraordinárias estritamente delimitadas: cabe a ele gerir os bens temporais da Igreja exclusivamente em momentos de "sede vacante", ou seja, na hipótese trágica de morte pontifícia ou em caso de renúncia formal ao pontificado. Ele não possui, sob nenhuma hipótese, poder substitutivo ou de regência quando o Papa está apenas enfermo ou sob o efeito de uma anestesia cirúrgica.

O Código de Direito Canônico contempla, de fato, a hipótese da chamada "sede impedita" (conforme o cânone 335), que se manifesta quando o Romano Pontífice se encontra totalmente impossibilitado de exercer o seu múnus pastoral devido a uma inaptidão comunicativa grave. No entanto, mesmo diante desse cenário extremo, a norma jurídica estabelece uma diretriz de imutabilidade impressionante: nada se altera no governo da Igreja universal.

Um estado transitório de internação hospitalar não preenche os requisitos drásticos de uma vacância ou de um impedimento permanente, não justificando qualquer transição de cetro. Assim, enquanto os médicos monitoram os batimentos cardíacos do Pontífice na sala de cirurgia, o Vaticano permanece suspenso em sua paradoxal eternidade: a barca de Pedro continua a navegar pela força de sua tradição milenar, confiante de que o silêncio momentâneo do leme não representa o naufrágio, mas apenas a pausa inevitável de quem encarna, na solidão do cargo, o fardo e a glória de uma missão secular.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado santo Inácio de Antioquia, o primeiro a chamar a Igreja de “Católica”

“Onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica”, escreveu santo Inácio de Antioquia, atribuindo pela primeira vez o adjetivo Católica (Universal) à Igreja. Sua festa é celebrada hoje, 17 de outubro.

Santo Inácio se tornou o terceiro bispo de Antioquia (70-107 d.C.), onde são Pedro foi o primeiro.

No caminho para o seu martírio em Roma, Santo Inácio ia encorajando as igrejas das diversas cidades. Orientou sempre para a união com Cristo e se definiu como “um homem a quem foi encomendada a tarefa da unidade”.Em uma carta aos cristãos de Trali disse: “Amai-vos uns aos outros com um coração indiviso. O meu espírito oferece-se em sacrifício por vós, não só agora, mas também quando tiver alcançado Deus… Que possais ser encontrados em Cristo sem mancha”.

Morreu devorado por feras. Ele é chamado “padre apostólico” por ter sido discípulo de são Paulo e são João.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho do sábado: Acolher o Espírito Santo

Evangelho do sábado da 28ª semana do Tempo Comum. "O Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer." O Paráclito nos guia pela vida para que lutemos para fazer o máximo de bem que pudermos. Receber o Espírito Santo é receber a felicidade.


Evangelho (Lc 12, 8-12)

Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.

Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer.


Comentário

Hoje lemos no Evangelho umas palavras de Jesus que podem suscitar alguns questionamentos em quem as ler: “quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado”.

Essas palavras do Senhor têm uma enorme profundidade e são difíceis de entender. Em qualquer caso, ressaltam a centralidade do Espírito Santo. Como o Catecismo da Igreja Católica ensina: “o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo”[1].

Acolher o Espírito Santo é acolher a vida. Rejeitar o Espírito Santo é rejeitar a vida. Não é que o Senhor não perdoe, mas é que, quando rejeitamos o Espírito Santo, rejeitamos a salvação.

E, ao acolhermos o Espírito Santo, acolhemos a salvação. Como são João XXIII disse em uma ocasião: “Oh! Cada um dos santos é uma obra-prima da graça do Espírito Santo!”[2]

Procuremos viver o conselho de São Josemaria: “Cultiva o trato com o Espírito Santo - o Grande Desconhecido -, que é quem te há de santificar”[3].

É, como Jesus nos diz, quem nos ensina tudo: “o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.

O Paráclito vai nos guiando pela vida para lutarmos por fazer o maior bem que pudermos. Porque, como ensina São Paulo: “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rom 5, 5). O seu modo mais habitual de atuar são inspirações que ouvimos na intimidade do coração. Muitas vezes serão coisas pequenas, uma pequena mortificação, o sorriso, acabar bem um trabalho etc. Assim, Ele vai nos dirigindo à realização plena da vida cristã.


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Encontre o sorriso radiante de Nosso Senhor Jesus em sua vida

Mesmo se você se esquecer de fazer outras orações, não se esqueça do seu exame de consciência, mas certifique-se de que o está fazendo assimEm uma recente homilia em sua paróquia em Irvine, Califórnia, o Pe. Joe Horn deu alguns bons conselhos.

“Por favor, façam um exame de consciência diário. Não entrando no local escuro de seus pecados e pensando em como você é horrível, mas sim saindo para a gloriosa luz do Filho de Deus e pensando sobre quão maravilhoso Ele é. Assim, você poderá ver suas sombras espirituais com mais clareza.”

Nossos pecados são os momentos de nossa vida em que bloqueamos as bênçãos de Deus; os pecados são as sombras espirituais que projetamos.

O conselho do padre: “Pense sobre os vários eventos do dia, veja em sua mente todas as muitas maneiras como o sorriso radiante de Nosso Senhor Jesus estava iluminando esses eventos, e depois disso faça a si mesmo duas perguntas: 1. Quando Deus e eu agimos juntos para que eu fosse um caminho da luz de Deus para o mundo? e 2. Quando eu bloqueei Sua luz?”

Deus é a base de todo ser

O que o padre Horn diz é tão verdadeiro e importante que o professamos no Credo todos os domingos.

“Eu creio em um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus”, proclamamos na missa, e então adicionamos algo significativo: “por meio dele foram feitas todas as coisas”.

Pense sobre isso. Deus é a base de todo ser, e Jesus Cristo é “Deus de Deus, Luz da Luz”, de quem todas as coisas foram feitas. Isso significa que cada coisa que vemos, tocamos, saboreamos, sentimos e experimentamos foi feita por meio de Jesus Cristo.

Cada coisa linda que você vê foi feita por Aquele que é a Beleza Perfeita. Cada coisa verdadeira participa de sua verdade, cada bondade participa de seu amor, cada ato positivo está em sua justiça e cada perdão está em sua misericórdia. Cada dor e tristeza que você experimenta podem ser unidas a Cristo crucificado e seu convite para tomar a sua cruz e segui-Lo.”

Viver na presença da graça de Cristo

Também significa que você vive o dia todo na presença da graça de Cristo – não apenas os momentos em que está na igreja ou rezando.

É por isso que o padre Michael Gaitley enfatizou a importância dessa abordagem no exame de consciência.

“Para Santo Inácio de Loyola, o exame de consciência é um dos exercícios espirituais mais poderosos que uma pessoa pode fazer fora dos sacramentos. Inácio disse que você pode até perder sua meditação alguns dias. Você pode até sentir falta do seu rosário. Você pode até perder sua leitura espiritual. Mas há uma coisa que ele quer que você nunca perca: o seu exame de consciência.”

Comece seu exame de consciência agradecendo a Deus pelas bênçãos do dia

Durante anos, minha família instituiu uma regra durante nossa oração noturna: você não podia pedir nada a Deus a menos que primeiro agradecesse a Ele por algo.

Isso ensinou-nos como é fácil esquecer o quanto devemos ser gratos.

Em primeiro lugar, agradecemos a Deus pelas coisas pelas quais não temos que rezar. Nosso telhado não está vazando, o carro está funcionando, ninguém está doente – ou se alguém está doente, agradecemos porque poderia ser muito pior.

Então, agradecemos a Deus por coisas que consideramos certas, mas que realmente não devemos tê-las totalmente como garantidas – que eu tenho um emprego, que temos o dom da fé e uma igreja por perto, e que temos uma comunidade de amigos.

Também é útil ser específico sobre as coisas que este dia nos deu para agradecer a Deus – a ótima conversa desta manhã, o elogio que o filho mais novo recebeu durante o dia e a sobremesa que comemos depois do jantar.

Quando você olha para sua vida dessa forma, a luz do céu preenche o seu dia

O Céu não é a recompensa para as pessoas que têm sua papelada em ordem; é a casa do Pai, o depósito de sua bondade e sua graça.

E, como disse o padre Horn, o sorriso radiante do Pai está preenchendo nossa vida já neste instante.

ESPIRITUALIDADE

 

Quando o conhecimento psicológico 

não bastou e a fé e o sorriso salvaram

Sou psicóloga há 9 anos. Estudei anos para compreender as complexidades da mente humana, aprendi sobre os caminhos tortuosos da dor psíquica, sobre os transtornos, os traumas, os mecanismos de defesa e as possibilidades de cura. Aprendi a escutar, a acolher e a acompanhar pessoas nos seus momentos mais difíceis. Mas nada disso me preparou para o que eu mesma viveria.

A depressão chegou silenciosa, como costuma fazer. No começo, era apenas um cansaço insistente, depois uma apatia que se espalhou como uma noite escura pelos meus dias. E então, veio a escuridão completa. Eu, que tantas vezes ofereci palavras de esperança, não conseguia enxergar uma fresta sequer de luz no meu próprio caminho. Eu, que sabia nomear os sintomas, que conhecia os protocolos, os manuais, as técnicas, sentia-me completamente impotente. Minha fé estava fragilizada. Meu coração, em ruínas.

Foi nesse tempo que ganhei um presente singelo e o melhor que eu poderia ter ganho: uma imagem de Nossa Senhora do Sorriso. Eu já a conhecia, mas não conhecia profundamente essa devoção, mas o nome me tocou de imediato — talvez porque sorrir já me parecia um gesto distante, quase impossível. Ainda assim, comecei a novena.

Para quem não conhece, a história de Nossa Senhora do Sorriso está ligada a uma outra mulher profundamente abatida pela tristeza: Santa Teresinha do Menino Jesus. Antes de ser santa, ela também foi tocada por uma intensa melancolia. Sua família, sem saber o que mais fazer, colocou ao lado de sua cama a imagem de Maria. E foi ali, diante daquela presença serena, que Teresinha experimentou a cura. Um sorriso de Maria devolveu-lhe a paz, e com ela, o desejo de viver.

Comecei a novena com grandes expectativas, quase como quem tenta pela última vez. Mas algo foi se abrindo em mim. Não posso explicar com precisão o que aconteceu — não com o vocabulário técnico da psicologia, ao menos. Só sei que, pouco a pouco, a esperança voltou a se aproximar. Senti que já não estava sozinha. O vazio deu lugar a uma luz silenciosa. A imagem de Nossa Senhora sorrindo para mim foi me curando por dentro. E então, o que parecia improvável aconteceu: eu voltei a sorrir também.

Duas semanas depois, eu me tornei outra pessoa. Ainda sou psicóloga, ainda acredito no valor da escuta, da análise, do tratamento adequado. Mas agora sei que há dores que não se alcançam apenas com teoria. Há curas que não vêm da lógica, mas do mistério.

Nossa Senhora do Sorriso não substituiu os conhecimentos que adquiri — ela os transcendeu. Sua presença me conduziu para além de mim mesma, para além da técnica, para além do desespero. E foi ali que reencontrei a fé. Não a fé teórica, de livros ou rituais automáticos. Mas a fé viva, que consola, que abraça, que levanta.

Se hoje escrevo estas palavras, é para dizer que a luz pode sim voltar. Que o sorriso pode sim renascer, mesmo quando parece impossível. E que às vezes, é preciso deixar que o Céu cuide daquilo que nossos saberes humanos não conseguem alcançar. 

Eu ainda experimento dia após dia essa cura, e por isso, resolvi escrever sobre o meu testemunho, para que você também possa recorrer a Ela se você se encontra totalmente imerso(a) a noites escuras.

Nossa Senhora do Sorriso, rogai por nós. 

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ESPIRITUALIDADE

 

Há graça até nos lugares onde você só

 consegue enxergar dor.

Existem momentos em que a vida parece perder o sentido: Uma perda que não esperávamos, uma espera que se prolonga, uma porta que se fecha, uma oração que parece não ser respondida.

E, quando a dor chega, é natural perguntar: “Onde Deus está?”

Talvez uma das respostas mais difíceis — e mais bonitas — seja: Ele também está aqui.

Não necessariamente para explicar a dor. Não para dizer que aquilo que aconteceu era necessário. Muito menos para pedir que suportemos tudo em silêncio. Mas para permanecer.

A psicologia nos ensina que, quando estamos sofrendo, nossa mente tende a enxergar o presente como definitivo. O que dói hoje parece que sempre doerá e o que perdemos parece ser tudo o que tínhamos.

É por isso que, em determinados momentos, não conseguimos enxergar além da própria ferida. Mas a dor não é capaz de contar sozinha toda a nossa história.

A fé católica nos lembra de algo ainda maior: Deus não abandona seus filhos no sofrimento.Cristo não ficou distante da dor humana. Ele chorou, sentiu angústia, experimentou o abandono e carregou uma cruz.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “por que Deus permitiu isso?”, mas também: “Como posso atravessar isso sem perder a esperança?”

Às vezes, a graça não chega como um milagre que muda imediatamente as circunstâncias. Ela chega como força para levantar, como alguém que permanece, como coragem para pedir ajuda, como uma terapia que nos ajuda a compreender aquilo que sozinhos não conseguimos, como uma pequena vontade de continuar quando já não enxergávamos motivos, como a capacidade de acreditar que nossa história ainda não terminou.

Talvez você esteja olhando para a sua vida e enxergando apenas aquilo que doeu. Mas Deus pode estar trabalhando justamente no lugar que você ainda não consegue compreender.

Há graça até nos lugares onde você só consegue enxergar dor.

E talvez, um dia, quando olhar para trás, você perceba que não saiu daquele deserto da mesma maneira que entrou.

A dor não foi o fim. Você foi transformado por aquilo que atravessou.

E, mesmo quando você não conseguia perceber, Deus estava ali.

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SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrada santa Margarida Maria Alacoque, serva do Sagrado Coração de Jesus

“Quando se ama, tudo fala de amor, até nossos trabalhos que requerem nossa total atenção podem ser um testemunho de nosso amor”, dizia santa Margarida Maria Alacoque, a quem o Sagrado Coração de Jesus apareceu e cuja festa é celebrada hoje, 16 de outubro.

Santa Margarida Maria nasceu na França em 1647. Aos quatro anos, consagrou a Deus sua pureza e fez voto de perpétua castidade. Quando tinha oito anos, seu pai morreu. Ela ingressou na escola das clarissas pobres, onde se sentiu atraída pela vida das religiosas e recebeu a comunhão aos nove anos, algo pouco comum para a época.

Dois anos mais tarde, contraiu uma doença reumática dolorosa que a obrigou a ficar de cama até os 15 anos e, por isso, teve que voltar para sua casa. Buscou alívio na Virgem Maria, a quem prometeu que, se ficasse saudável, se tornaria uma de suas filhas e, assim, recuperou a saúde.A jovem, porém, se deixou levar pela vaidade e pelas diversões, mas a Virgem apareceu para ela em vários momentos para repreendê-la e encorajá-la em seu caminho de santidade.

Em casa, Margarida e sua mãe eram agressivamente controladas por alguns familiares que tinham se apoderado dos bens. Além disso, a mãe tinha uma dolorosa ferida no rosto que a jovem cuidava todos os dias. Diante de tudo isso, ela sempre buscou consolo no Senhor.

Aos poucos, foi tentada a se casar e começou a se preparar, considerando que talvez pudesse obter dispensa de seu voto, porque o fez quando era criança. Foi assim que em uma ocasião Jesus lhe disse que Ele tinha motivado o voto de castidade e que depois a tinha colocado aos cuidados de sua Santíssima Mãe.

Mas Margarida só compreendeu que estava perdendo um tempo precioso, do qual lhe seria pedido contas rigorosas na hora da morte, quando o Senhor apareceu a ela desfigurado, flagelado e lhe disse: “E bem quererá gozar deste prazer? Eu não gozei jamais de nenhum, e me entreguei a todo gênero de amarguras por teu amor e por ganhar teu coração”.Mais tarde, depois de convencer seus parentes, entrou para o Convento da Visitação. Ali Margarida se desenvolveu de maneira humilde, obediente e sincera ante os sacrifícios da vida em comunidade e professou seus votos no dia 6 de novembro de 1672.Com o tempo, recebeu revelações do Sagrado Coração de Jesus e sofreu todas as primeiras sextas-feiras do mês uma reprodução da misteriosa chaga no lado.

Por suas visões e doenças, começou a receber incompreensões e rejeições no convento, teve que passar por difíceis interrogatórios de teólogos e chegou-se a dizer que suas experiências místicas podiam ser obra do demônio. Tudo isso parou quando conheceu o padre jesuíta são Cláudio de la Colombiere, que pôde ver nela sua santidade e falou com a madre superiora.

Por obediência, escreveu o que Deus lhe tinha revelado e contou as mensagens divinas para sua comunidade. A princípio, foi humilhada, mas depois recebeu o apreço de suas irmãs.

Santa Margarida, lamentavelmente, não veria se cumprir na Igreja a instituição do dia do Sagrado Coração de Jesus, tal como Jesus Cristo lhe tinha pedido. Em 17 de outubro de 1690, tendo previamente indicado esta data como o dia de sua morte, partiu para a Casa do Pai com 43 anos de idade e 18 de profissão religiosa.

Entre os mosteiros das visitandinas, começou-se a propagar a devoção ao Coração de Jesus e, em 1765, Clemente XIII introduziu a festa do Sagrado Coração em Roma. Em 1856, o beato Pio IX a estendeu a toda a Igreja e, finalmente, em 1920, Margarida foi proclamado santa pelo papa Bento XV.