terça-feira, 1 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

O versículo bíblico que nos ensina a tratar o outro em momentos de estresse

Quando estamos sempre no limite, é fácil atacar os outros. Mas a Bíblia nos aconselha o contrário A ansiedade e o estresse tendem a aumentar nossa irritabilidade, tornando-nos mais propensos a agredir as outras pessoas. Isso pode acontecer na internet ou presencialmente mesmo.

No entanto, tal fato só agrava a situação e aumentará não apenas nossa própria ansiedade, mas a dos outros. As tensões continuarão crescendo, sem fim à vista.

A Bíblia, entretanto, nos incentiva a pensar de forma diferente e a nos edificar uns aos outros, em vez de nos destruirmos.

O versículo

O seguinte versículo bíblico, portanto, deve ser nosso tema durante qualquer momento estressante de nossas vidas, especialmente quando esse estresse afeta as pessoas em um nível global:

“Não nos destinou Deus para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo… Assim, pois, consolai-vos mutuamente e edificai-vos uns aos outros, como já o fazeis… Pedimo-vos, porém, irmãos, corrigi os desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com todos. Vede que ninguém pague a outro mal por mal. Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos.” (1 Tessalonicenses 5, 9. 11. 14-15)

Portanto, quanto mais encorajamos uns aos outros e apoiamos os fracos, menos nosso estresse ditará nossas ações, e mais paz poderemos trazer ao mundo.

ESPIRITUALIDADE

 

Mantenha este versículo da Bíblia por perto nas horas difíceis

Alguns dias são melhores que outros - portanto, alguns são também mais difíceis. Tantas vezes podemos sentir-nos sufocados, seja pela extrema pressão que sentimos, seja pelo aumento da nossa ansiedade.

Seja qual for a situação, Jesus quer falar conosco em nossos momentos mais difíceis.

Um versículo em particular pode ser reconfortante para recitarmos e meditarmos repetidas vezes.

Da próxima vez que você se sentir sobrecarregado, deixe Jesus dizer a você estas palavras:

"Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim" (João 14,1).

ESPIRITUALIDADE

 

A Bíblia do Peregrino: uma Bíblia que chama atenção

Eis mais uma publicação da Palavra de Deus em língua portuguesa. É da Paulus Editora e traduz a Biblia del peregrino: edición de estudio, composta por Luis Alonso Schökel (1920-1998), renomado intelectual espanhol.

A Bíblia do Peregrino chama atenção das pessoas, de um modo especial, por suas abundantes notas de rodapé a quase comentar versículo por versículo da Sagrada Escritura, o que muito ajuda na sua leitura orante, na preparação de homilia, na catequese etc. Embora chamada de “edição de estudo” não se compara, de modo algum, a nosso ver, à Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) ou à Bíblia de Jerusalém (BJ) nos mapas, comentários, notas, introduções aos livros bíblicos etc. Traz, ainda, pontos merecedores de atenção por parte do leitor atento. Aqui, apontamos, a título de ilustração, quatro deles.

Nosso Senhor foi tentado ou provado no deserto (cf. Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13)? – Para Schökel, Jesus não foi tentado pelo diabo, mas apenas posto à prova. Sim, em comentário ao capítulo 4, versículos 1 a 11, de Mateus, escreve ele que as tentações do Senhor, na verdade, “são provações”. Ora, assim procedendo, o grande erudito espanhol cai num erro básico de confundir duas realidades que a clássica espiritualidade católica distingue muito bem. Afinal, provação não é tentação e, por conseguinte, tentação não é provação. Com efeito, escreve o Pe. Adolphe Tanquerey, célebre estudioso das etapas de progresso na vida espiritual, o que segue: “As provações providenciais, físicas ou morais, como a doença, os lutos de família, as angústias da alma, os reveses da fortuna, são muitas vezes acompanhados de graças internas que nos estimulam a uma vida mais perfeita. Desapegam-nos do que não é Deus, purificam a alma pelo sofrimento, fazem-nos desejar o céu e a perfeição que é o caminho para lá, contanto que a alma tire proveito dessas provas, para se voltar para Deus” (Compêndio de Teologia ascética e mística. 6ª ed. Porto: L.A.I., 1961, n. 428). Já “a tentação é uma solicitação para o mal, proveniente dos nossos inimigos espirituais” (idem, n. 901). Em suma, as provações não induzem ao pecado, mas testam o ser humano a fim de que ele melhor confirme a sua fé e se exercite no amor. Já a tentação é o aliciamento para o pecado. Deus, no entanto, nos dá forças para resistirmos a essas terríveis investidas malévolas (cf. 1Cor 10,13).

Outro ponto estranho, mas, infelizmente bastante comum nos últimos tempos, é a facilidade que se tem – com ou sem base para tal – em negar a possessão diabólica e, por conseguinte, o exorcismo. Sim, os possessos encontrados por Nosso Senhor seriam meros portadores de doenças neurológicas ou psiquiátricas. Esta parece ser a teoria de Schökel ao apresentar Lucas 9,37-43 (cf. nota); 4,31-37, ainda que, no vocabulário de notas temáticas, trate do diabo de modo sóbrio e fiel à doutrina católica (cf. p. 2572). Que dizer?

ESPIRITUALIDADE

 

De chef de cozinha a monge contemplativo… e agora também psicólogo

Não é uma visão comum ver um monge com um hábito e sandálias numa aula de psicanálise tendo discussões acadêmicas sobre as teorias de Freud. Mas quando a pessoa em questão é também um monge de clausura, a situação é ainda mais incomum e curiosa!

Tal foi a situação do Ir. Juan Diego del Niño Jesús durante os seus estudos em psicologia na Universidade Luis Amigó, na Colômbia.

Enquanto contava a sua história a Aleteia, este monge disse nunca ter depositado qualquer confiança na psicologia, mas sentiu que faltava algo no seu apostolado para fortalecer o acompanhamento espiritual e a vocação de almas consoladoras e acolhedoras que caracteriza a sua comunidade, os Irmãos Contemplativos do Carmo.

Da reclusão monástica às salas de aula

"Fiz votos perpétuos como monge porque não senti o chamado ao sacerdócio, e como parte da minha missão ofereço àqueles que vêm ao nosso mosteiro o acompanhamento nas suas necessidades espirituais. Sabia, no entanto, que o queria fazer de forma diferente. Foi então que o Senhor me deu uma inspiração para integrar espiritualidade e psicologia", disse ele.

O Ir. Juan Diego obteve esta inspiração enquanto estava no mosteiro de Santa Teresa de Ávila (Espanha), depois de ter pedido de joelhos esclarecimento para a sua vocação. "Na nossa saída de lá, encontrámos um padre que perguntou: 'Estás a visitar a santa mais humana?' Ela era de fato muito humana, e lá percebi que queria ser um 'monge humano'. Foi aí que me veio à cabeça a psicologia".

Com o apoio do seu prior e da comunidade, encontrou a melhor opção, uma universidade virtual onde só aos sábados é que tinha de assistir pessoalmente às aulas. Nesses dias trocou a oração, o silêncio e a solidão do seu mosteiro por trajetos de metro, estudantes barulhentos, e alguma quantidade de provocação e crítica.

Durante os seus anos de estudo, os seus colegas de turma incluíam vários ateus e pessoas que eram contra a Igreja, mas a maioria das pessoas respeitava-o. Este grande desafio de se juntar ao ritmo que os seus colegas seguiam acabou por ser um feito para o Ir. Juan Diego a nível pessoal e a nível de fé.

Um novo chamado

Ir. Juan Diego del Niño Jesús acaba de se formar após cinco anos de "sacrifício fecundo" que marcaram a sua vida.

"A psicologia na minha vocação religiosa torna-se um chamado dentro do chamado, como Madre Teresa de Calcutá costumava dizer. Com isto posso facilitar processos nas pessoas para que [as pessoas que vêm ter comigo] possam ter um encontro com o Senhor a partir de um lugar saudável na sua vida. Uma pessoa com boa saúde mental estará melhor disposta a encontrar Deus".

Ele traz consigo muitas anedotas da sua passagem pela Universidade Luis Amigó, como quando começou a aprender sobre as teorias da psicanálise de Freud, que tinha uma atitude decididamente ateia, e acabou por estar entre os temas que mais lhe agradaram. Os temas complexos e as atitudes de alguns professores que eram duros com ele nunca o desencorajaram.

"Sempre pensei que estava lá para realizar o sonho de Deus, porque Ele quer que os hospitais para a alma da minha comunidade tenham mais instrumentos de consolação".

O impacto que este passo teve na sua vida é demonstrado constantemente, como quando ouvia um homem de 35 anos que queria entregar-se a Deus mais profundamente, mas que chorava em desespero quando falava do seu pai.

"Compreendi que havia uma grande dor na sua alma, e que ele tinha de curá-la antes de prosseguir na sua relação com Deus". Uma vez que identificou e curou as questões não resolvidas na sua relação com o seu pai, foi capaz de se entregar radicalmente à sua fé".

Paixão pela cozinha

Ir. Juan Diego del Niño Jesús é formado como chef profissional. Herdou a sua paixão pela cozinha da sua avó, a quem ajudava a preparar os jantares de Natal. Isso levou-o a estudar gastronomia. Pensou que o seu futuro estava decidido, até que fez um estágio de cozinha num hotel dirigido pelos Carmelitas Descalços. "Conheci de perto a vida daquela comunidade e senti o chamado de Deus. Compreendi que queria viver um noviciado eterno", disse ele a Aleteia.

E assim há oito anos e meio atrás ele juntou-se aos Irmãos Contemplativos do Carmelo, uma congregação monástica de clausura que estava a surgir naquela altura na Colômbia. Eles não estão totalmente isolados e têm espaços de acolhida, especialmente aos domingos, quando dezenas de pessoas vão à missa e compram produtos feitos pelos religiosos para se sustentarem. Nessa área, a contribuição do Ir. Juan Diego, sendo um chefe de cozinha, é crucial.

Os religiosos têm também alguns dormitórios para oferecer hospitalidade a todos aqueles que desejam fazer retiros espirituais individuais.

Com os conhecimentos adquiridos na universidade, o Ir. Juan Diego reforçará a ajuda que a sua comunidade oferece e obterá mais frutos espirituais, pois sabe que estudou para o serviço das almas.

ESPIRITUALIDADE

 

Encontre a Deus trabalhando na cozinha

Otrabalho na cozinha, descascando batatas por exemplo, é uma oportunidade de encontro com Deus. Muitos santos experimentaram isso ao longo dos séculos.

A reformadora do Carmelo, Teresa de Ávila, por exemplo, ensina isso às suas freiras no Livro das Fundações:

"Quando a obediência as mantiver ocupadas em coisas exteriores, entendam que, se for na cozinha, entre as panelas anda o Senhor, ajudando-as no interior e no exterior."

A mística espanhola garantia que Deus sempre nos busca a cada um de nós, também entre as caçarolas e as buchas de lavar louça.

Fazer pão com Deus

A santa mexicana Conchita Cabrera também escreveu sobre esses trabalhos no âmbito doméstico e até deixou um livro de receitas da família.

O diário espiritual desta mãe de família numerosa reflete como ela colocava amor e oferecia a Deus tarefas como fazer pão, servir o café da manhã para seus filhos, ordehar ou costurar.

Ela estava convencida de que, também nesses trabalhos ordinários, Jesus a estava atraindo para Si.

“A que vieste?”

Em seu mosteiro, o místico São Rafael Arnáiz, além de contemplar a natureza, desenhar e rezar, realizava trabalhos físicos como transportar cestos de batatas do despenseiro para a cozinha ou trabalhar na horta.

A dureza do trabalho e do estilo de vida cisterciense, somada às dificuldades causadas pela sua diabetes, chegaram a fazê-lo chorar.

"Mais de uma vez, naqueles dias, reguei os torrões de terra que arrancava com a minha enxada com umas lágrimas do tamanho de laranjas", reconhece o jovem em uma carta escrita ao seu tio.

"Logo eu reagia", acrescenta em seguida. "Lembrava-me da pergunta que nosso Pai São Bernardo se fazia: 'Bernardo, a que vieste?...'; redobrava então minhas forças no trabalho e, se alguém estivesse muito perto de mim, ter-me-ia ouvido cantar algo que começa assim: 'Virgem da santa Lembrança, que nunca poderei te esquecer'."

O trapista espanhol encontrava na Mãe do céu "o grande remédio". "Se você visse como a Senhora me tratou!", compartilhava. "Nunca saberemos o suficiente o quanto Maria nos ama."

Os conselhos de São Bento

A influente Regra de São Bento, que há séculos inspira comunidades, famílias e organizações de todos os tipos, dedica o capítulo 35 àqueles que trabalham na cozinha; está repleta de recomendações sábias como estas:

  • "Que ninguém se meça nem se meça ou se dispense do trabalho da cozinha, a não ser por enfermidade ou por estar ocupado em um assunto de grande utilidade, porque dele se adquire o prêmio de uma caridade muito grande."
  • "Dê-se ajuda aos fracos, para que não façam este trabalho com tristeza; e tenham todos ajudantes segundo o estado da comunidade e a situação do lugar."
  • "Devolva o despenseiro os utensílios do seu ministério limpos e inteiros."
  • "Que na hora da refeição sirvam aos seus irmãos sem murmuração e sem grave incômodo."
  • "Os semanários que entram e os que saem devem se colocar de joelhos no oratório aos pés de todos, pedindo que orem por eles."

IGREJA

 

Quando a política vira doença autoimune: por que é tão difícil dialogar com quem pensa diferente?

Ooutro deixa de ser alguém que pensa diferente e passa a ser percebido como alguém que ameaça aquilo que somos, aquilo em que acreditamos e, em alguns casos, até aquilo que consideramos moralmente correto.

É nesse ponto que a política pode se transformar em uma espécie de doença autoimune social: o sistema que deveria nos proteger passa a atacar o próprio organismo.

A metáfora é forte, mas ajuda a compreender um fenômeno cada vez mais presente. Em vez de reconhecermos o outro como parte da mesma sociedade, passamos a tratá-lo como uma ameaça que precisa ser combatida. E quanto mais nos convencemos de que o outro é perigoso, menos conseguimos escutá-lo.

A psicologia social chama uma parte desse fenômeno de polarização afetiva: não se trata apenas de discordar das ideias do outro grupo, mas de desenvolver sentimentos negativos em relação às pessoas que pertencem a ele. 

Pesquisas mostram que a identidade política pode estar associada a sentimentos de rejeição, hostilidade e até desumanização do grupo adversário. No Brasil, estudos também encontraram um papel importante das chamadas identidades políticas negativas — quando a rejeição ao outro se torna mais determinante do que a própria identificação positiva com um grupo.

Quando discordar passa a parecer uma ameaça:

Imagine duas pessoas conversando.

Uma diz: “Eu penso diferente de você.”

A outra poderia responder: “Tudo bem. Por quê?”

Mas, em ambientes profundamente polarizados, a resposta muitas vezes se transforma em:

“Como você pode pensar assim?”

E, em seguida:

“Se você pensa assim, então você é uma pessoa ruim.”

Esse salto é fundamental.

O problema deixa de ser a sua ideia está errada” e passa a ser há algo errado com você”.

Quando uma opinião política é incorporada à identidade, criticá-la pode ser percebido como uma espécie de ataque pessoal. Por isso, a pessoa não sente apenas que precisa defender uma ideia; sente que precisa defender a si mesma.

É justamente nesse contexto que opiniões podem ser “moralizadas”. Pesquisas recentes mostram que, em ambientes percebidos como altamente polarizados, posições políticas podem se tornar cada vez mais ligadas a valores morais, criando uma dinâmica na qual discordâncias comuns passam a ser percebidas como conflitos entre o bem e o mal.

E quando uma discussão é interpretada como uma batalha entre o bem e o mal, negociar parece uma traição.

O perigo de transformar o outro em caricatura:

Existe ainda outro problema: começamos a acreditar que conhecemos o outro antes mesmo de ouvi-lo.

“Quem vota naquele candidato é ignorante.”

“Quem pensa daquele jeito é egoísta.”

“Quem defende aquela pauta não tem caráter.”

“Quem discorda de mim é manipulado.”

São frases diferentes, mas psicologicamente fazem algo parecido: transformam milhões de pessoas diferentes em uma única caricatura.

O indivíduo desaparece. Resta apenas o rótulo. E é muito mais fácil odiar um rótulo do que uma pessoa.

Estudos sobre polarização mostram que as pessoas podem desenvolver percepções distorcidas sobre aquilo que o grupo adversário realmente pensa. Quando essas percepções são corrigidas e a pessoa encontra alguém do outro grupo que não corresponde ao estereótipo, a hostilidade pode diminuir.

Talvez por isso uma conversa verdadeira seja tão poderosa.

Ela nos obriga a descobrir que, por trás do “eleitor”, existe uma pessoa. Alguém que tem medo, esperança, família, perdas, sonhos, experiências e razões - algumas boas, outras equivocadas, para pensar como pensa.

As redes sociais não ajudam:

Há ainda um agravante: grande parte das nossas discussões políticas acontece em ambientes nos quais a indignação é recompensada.

Uma opinião ponderada raramente provoca a mesma reação que uma provocação. Uma frase equilibrada pode passar despercebida, uma frase agressiva gera comentários, compartilhamentos e respostas. Pouco a pouco, podemos começar a confundirvisibilidade com verdade eindignação com consciência.

Criamos bolhas nas quais quase todos pensam parecido. O algoritmo nos apresenta mais daquilo que desperta nossa atenção, e aquilo que desperta nossa atenção frequentemente é justamente o que nos provoca emocionalmente.

O resultado pode ser um círculo vicioso: vemos o outro como cada vez mais absurdo, consumimos conteúdos que confirmam essa percepção e, depois, usamos esses conteúdos como prova de que nossa percepção estava correta.

Mas conversar com quem pensa diferente funciona?

Sim, mas não significa que qualquer conversa produzirá uma mudança. E aqui existe uma distinção importante: dialogar não significa convencer.

Alguns experimentos encontraram redução da polarização afetiva depois que pessoas de grupos políticos diferentes conversaram. Em um estudo, conversar sobre aspectos pessoais e cotidianos reduziu significativamente a antipatia entre os grupos; porém, quando a conversa era direcionada diretamente para as divergências políticas, o efeito foi muito menor.

Isso nos ensina algo precioso:

Antes de tentar mudar a opinião de alguém, talvez seja necessário recuperar a capacidade de enxergar a pessoa que existe por trás da opinião. Não precisamos concordar para fazer isso, o problema não é discordar

Uma sociedade saudável não é aquela em que todos pensam da mesma maneira. É justamente o contrário.

Democracias pressupõem a existência de diferentes visões sobre o que seria uma sociedade melhor. O problema começa quando a lógica do “nós contra eles”se torna tão intensa que desaparecem a confiança, o respeito e a possibilidade de cooperação.

Discordar é saudável, questionar é saudável, criticar governos, partidos, políticos e ideologias é saudável. O que não é saudável é precisar destruir moralmente o outro para sustentar aquilo em que acreditamos.

Porque, quando isso acontece, a política deixa de ser uma ferramenta para organizar a vida em sociedade e passa a ser um campo permanente de guerra psicológica. E uma guerra permanente adoece todos os lados.

Talvez precisemos perguntar: o que a minha posição política está fazendo comigo?

Essa talvez seja uma pergunta mais importante do que “em quem você vota?”. A minha posição política está me tornando mais capaz de ouvir? Mais interessado em compreender? Mais atento às injustiças? Mais disposto a defender aquilo que considero justo?

Ou está me tornando agressivo, intolerante, ressentido e incapaz de reconhecer qualquer qualidade em quem pensa diferente?

"Porque existe uma diferença enorme entre ter convicções e ser possuído por elas."

Uma convicção pode orientar nossa vida:

Uma identidade política rígida pode começar a determinar quem merece nosso respeito, nossa amizade e até nossa humanidade. E talvez esse seja um dos sinais de alerta: quando já não conseguimos reconhecer nenhuma virtude no outro lado e nenhum defeito no nosso.

Nesse momento, não estamos mais pensando politicamente, estamos apenas defendendo nossa tribo, o outro não precisa ser nosso inimigo. Existe uma maturidade que consiste em conseguir dizer: “Eu discordo profundamente de você, mas ainda reconheço sua dignidade.”

Isso não significa relativizar princípios. Não significa considerar todas as opiniões igualmente corretas. Não significa permanecer em silêncio diante de injustiças. Significa apenas compreender que uma pessoa não se resume à sua posição política.

Talvez seja justamente aí que o diálogo comece. Não quando deixamos de discordar. Mas quando conseguimos discordar sem transformar o outro em inimigo.

Porque quando a política vira uma doença autoimune, já não estamos apenas combatendo o que consideramos errado. Estamos começando a atacar uns aos outros.

E talvez a cura comece por uma atitude simples, porém difícil: voltar a enxergar, antes do eleitor, do partido e da ideologia, a pessoa.

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SANTO DO DIA

 Hoje é celebrada a beata Isabel Cristina Mrad Campos, mártir da castidade

A Igreja celebra hoje, 1º de setembro, a festa da beata Isabel Cristina Mrad Campos, conhecida como a mártir da castidade. “Esta jovem foi morta em 1982, com 20 anos, por ódio à fé, por ter defendido a sua dignidade de mulher e o valor da castidade. Que o seu exemplo heroico possa inspirar em particular os jovens a dar um generoso testemunho de fé e de adesão ao Evangelho”, disse o papa Francisco no Ângelus no dia seguinte à beatificação de Isabel Cristina, em dezembro de 2022.

Isabel Cristina Mrad Campos nasceu em 29 de julho de 1962, em Barbacena (MG), filha de José Mendes Campos e Helena Mrad Campos, que já morreram. Desde a adolescência, fez parte da Associação de Voluntariado das Conferências de São Vicente e seu pai foi presidente do Conselho Central de Barbacena. A beata participava frequentemente da missa e dos sacramentos.

Em 1982, Isabel Cristina, que queria estudar medicina, mudou-se para Juiz de Fora (MG) a fim de fazer um curso pré-vestibular. Seu sonho era ser pediatra para ajudar crianças carentes.Desde o início, conta o site postulazionecausesanti.it, “achou na nova cidade um lugar para poder estudar, mas acima de tudo para rezar na Igreja do Cenáculo, onde era exposto o Santíssimo Sacramento”.

Naquele mesmo ano, ela preparava um pequeno apartamento para onde havia se mudado com seu irmão, Paulo Roberto Mrad Campos. No dia 1º de setembro, um homem que foi montar um guarda-roupa tentou violentá-la, mas Isabel resistiu.

Diante da resistência dela, o homem lhe deu uma cadeirada na cabeça, amarrou a moça, amordaçou e rasgou suas roupas. Como ela não cedeu, o agressor lhe deu 15 facadas, matando-a.

Em outubro de 2020, o papa Francisco reconheceu o martírio de Isabel Cristina, morta por defender sua castidade. Ela foi beatificada em 10 de dezembro de 2022, em missa celebrada em sua cidade natal, Barbacena.