sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

“Somente o perdão liberta e traz a luz de volta”, assegura o Papa durante o Angelus

Ao comentar o Evangelho do dia (Mt 18, 21-35), o Papa recordou que o perdão — ensinado e vivido por Cristo até a cruz — é «indispensável» para construir a paz e evitar que os conflitos se transformem em rancores, divisões ou guerras.

Em sua meditação, proferida da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, o Papa retomou a passagem em que Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar o irmão que comete uma falta contra ele: «Até sete vezes?» Como o número sete simboliza a plenitude na Bíblia, essa proposta já manifesta, segundo o Papa, «um coração generoso». Mas Jesus vai além: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete», responde Cristo, exortando, assim, a um perdão sem limites e «sem medida».

Para o Papa, essa resposta ganha todo o seu sentido na parábola do servo cuja dívida para com o seu senhor é tão vultosa que se torna praticamente impagável. Tendo obtido o seu perdão por pura misericórdia, o homem mostra-se, contudo, incapaz de conceder ao seu companheiro uma clemência comparável. Essa contradição permite a Jesus recordar que «o dom e o perdão estão na base da nossa existência».

«Tudo nos é dado por Deus por puro amor, e nenhum de nós pode dizer-se perfeito na sua resposta a tanta bondade», ressaltou Leão XIV. Dessa gratuidade recebida decorre, segundo ele, uma regra essencial para a vida em sociedade: «a gratuidade, que é a fonte da nossa própria vida, é também a melhor regra para a nossa vida em comunidade».

Não há paz sem abertura ao perdão

O Papa recordou as consequências da falta de perdão nas relações humanas. «O perdão é indispensável e, se ele falta, não se pode viver em paz», declarou. Sem ele, surgem de fato «conflitos, acusações, rancores, vinganças» que, progressivamente, «destroem as relações, dividem as famílias, desencadeiam guerras».

Diante dessas situações, Leão XIV apresentou o perdão como uma força capaz de reabrir um futuro onde tudo parece obscuro: «Somente o perdão liberta e traz de volta a luz, mesmo onde a pobreza material e moral do homem, por um instante, obscureceu o horizonte e tornou incerto o caminho», explicou. Ele comparou o perdão a «um vento benéfico» que dissipa «até mesmo as nuvens mais densas» até fazer o sol reaparecer.

O Pontífice deteve-se na figura de Pedro, diretamente envolvido no Evangelho do dia. O primeiro dos Apóstolos experimentou ele mesmo a misericórdia após ter negado Jesus durante a sua Paixão. À beira do lago, após a Ressurreição, Cristo não lhe dirige nenhuma censura, mas pergunta-lhe simplesmente: «Simão, tu me amas?», antes de lhe dizer: «Segue-me!»

Para Leão XIV, essa cena mostra que o perdão de Jesus não se contenta em apagar o passado: ele restaura uma relação e permite retomar uma missão «como se nada tivesse acontecido». O sucessor de Pedro demonstrou assim que o perdão concedido por Jesus ao seu distante predecessor foi o ponto de partida de toda a história do papado, ancorada desde a sua origem numa dinâmica de misericórdia. "Essa caridade, que esquece e cura, marcará, para o primeiro dos Apóstolos, a confirmação de sua missão", explicou o Papa.

ESPIRITUALIDADE

 

O Coração que nos refaz: esperança para um mundo ferido e cansado

Vivemos um tempo de profundas inquietações: crises sociais, violência disfarçada, incertezas crescentes e o enfraquecimento dos vínculos humanos tornam muitos corações inquietos e sedentos de sentido. A própria vida espiritual, muitas vezes, é sufocada pelo ativismo e pela perda do silêncio interior, e a esperança, por vezes, parece distante.

Nesse cenário, o Coração de Jesus ressurge como fonte inesgotável de coragem, sentido e esperança. Ele nos fala ao íntimo, recordando que não estamos sós, e nos oferece remédios profundos para os males do nosso tempo: Amor, Misericórdia, Ternura, Escuta e Fidelidade.

A espiritualidade do Coração de Jesus, diferente de uma simples devoção, é um caminho de renovação e encontro com a pessoa de Jesus Cristo. É um amor que se fez próximo, que se encarnou, que sofreu, morreu e ressuscitou. Do Coração transpassado de Cristo crucificado brota a coragem para continuar e a esperança para recomeçar.

Descobrindo a espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus

Com simplicidade, quero refletir sobre como viver a espiritualidade do Coração de Jesus nos tempos atuais, especialmente para aqueles e aquelas que desejam trilhar um caminho autêntico de Fé, uma fé encarnada, ativa, sensível ao sofrimento humano, assim como foi vivida por Cristo, ensinada pelos santos e que se renova pela e na Igreja hoje.

O Coração de Jesus é fonte de esperança duradoura. Esta certeza sustenta nossa confiança, especialmente quando nos sentimos feridos. Como expressou o Papa Leão XIV em uma de suas catequeses, Jesus é aquele que para no caminho para cuidar de nós, com compaixão e misericórdia (LEÃO XIV, 2025). Ele não ignora nossas dores: toca, cura e convida a recomeçar.

A esperança que brota do Coração de Jesus não é mero otimismo, mas uma certeza firme de que o amor vencerá, como nos recorda a Sagrada Escritura: "Pois eu sei os planos que tenho para vocês, planos de paz e não de mal, para lhes dar um futuro e uma esperança." (Jr 29,11)

Confiar plenamente em Deus em meio à instabilidade e ao sofrimento é um gesto profundamente humano. A espiritualidade do Coração de Jesus nos conduz a esse lugar seguro e fecundo, onde a confiança nasce do amor que nos precede. Henri Nouwen expressa essa experiência com beleza singular: “Teu coração é tão cheio de desejo de me amar, que arde com um fogo que me aquece [...] Venha quem estiver cansado, exausto, deprimido, sem coragem e desanimado. Venha e saiba que vim para lhe dar um novo coração [...]. Venha a mim e confie em mim […]” (NOUWEN, 2001, p. 24-25).

Papa Francisco, na Encíclica Dilexit Nos, nos convidou a mergulhar nessa fonte, "Recorramos, pois, ao Coração de Cristo, o centro do seu ser, que é uma fornalha ardente de amor divino e humano [...] É aí, nesse Coração, que finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar." É nesse Coração que encontramos forças para recomeçar e coragem para amar, ali, nos "tornamos capazes de nos relacionar uns com os outros de maneira mais saudável, justa e feliz"

Ao mergulhar no amor de Cristo, a alma se abre à restauração interior e à renovação da fé.

Essa confiança não é ingênua nem frágil, pois nasce da certeza de sermos infinitamente amados. Como bem nos lembrou o Papa Leão XIV: "Deus quer dar a todos o seu Reino, ou seja, a vida plena, eterna e feliz. E é o que Jesus faz em relação a nós: não faz classificações, dá tudo de Si mesmo a quantos lhe abrem o coração!" (LEÃO XIV, 2025). Confiar no Coração de Jesus é, portanto, acolher um amor que transforma, cura e nos capacita a amar com liberdade e responsabilidade. É permitir que nossa vida seja moldada não pelo medo, mas pela esperança que nasce da intimidade com o Senhor.

Encontrar esse refúgio seguro é o alicerce para restaurar as nossas forças e abrir o coração. Afinal, é na beleza desse encontro íntimo que a nossa fé ganha uma força renovada, preparando-nos para acolher o mistério do Seu amor e da Sua compaixão no quotidiano.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Edição Pastoral. Tradução sob coordenação da CNBB. São Paulo: Paulus, 1990. 

FRANCISCO. Dilexit Nos: Sobre o Amor Humano e Divino do Coração de Jesus. Vaticano, 2024.

LEÃO XIV. Audiências catequéticas. Vaticano, maio-junho de 2025. Disponível em: www.vatican.va. Acesso em: jun. 2025

NOUWEN, Henri. De coração a Coração: Três orações ao Coração de Jesus. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

SANTO DO DIA

 Hoje a Igreja celebra são José de Cupertino, padroeiro dos estudantes com dificuldades

“Rezar, não se cansar nunca de rezar. Que Deus não é surdo nem o céu é de bronze. Todo aquele que pede, recebe”, dizia são José de Cupertino, o franciscano que não era bom nos estudos, mas que se tornou padroeiro dos estudantes.

São José nasceu em 1603 no povoado chamado Cupertino (Itália) em uma família muito pobre. Quando tinha 17 anos, pediu para ser admitido na ordem franciscana, mas foi recusado. Então, solicitou ingressar nos capuchinhos, onde ingressou como irmão leigo.

Depois de alguns meses foi expulso por ser muito distraído. Deixava cair os pratos que levava ao refeitório, esquecia-se de suas atribuições e parecia que sempre estava pensando em outra coisa.

São José buscou refúgio na casa de um familiar rico que também chegou a coloca-lo na rua, dizendo que o jovem era bom para nada. Por isso, sua mãe rogou a um parente franciscano para que recebessem o rapaz como mensageiro em um convento.

Os frades o aceitaram como empregado, colocaram-no para trabalhar no estábulo e o jovem começou a desempenhar sua função com grande destreza em todos os ofícios que o encomendavam.

Com sua humildade, amabilidade, espírito de penitência e de oração, foi ganhando rapidamente o apreço dos religiosos, os quais em 1625, por votação unânime, admitiram-no como um de seus membros.

Colocaram-no para estudar para o sacerdócio, mas quando tinha provas São José travava e não era capaz de responder. Chegou uma das provas finais e a única frase do Evangelho que o frade sabia explicar era: “Bendito o fruto do teu ventre, Jesus”.O examinador disse que abriria a Bíblia e leria uma frase por acaso para escutar a interpretação. José estava assustadíssimo e a providência quis que a passagem escolhida fosse a única que era capaz de explicar.Na prova definitiva para as autoridades decidirem quem seria ordenado sacerdote, o bispo examinou os dez primeiros. Eles responderam tão maravilhosamente que o bispo não achou necessário seguir examinando os demais. Assim, são José, que era o seguinte da lista, livrou-se da prova.

Por isso, este santo é considerado padroeiro dos estudantes, especialmente dos que encontram dificuldades nos estudos como ele.

Foi ordenado sacerdote em 18 de março de 1628 e, sabendo que não tinha qualidades especiais para a pregação e o ensino, então dedicou-se à oferecer penitências e orações pelos pecadores.

Por sua intercessão, em vida, Deus realizou vários milagres e, com eles, alcançou a conversão de muitos.Partiu para a Casa do Pai em 18 de setembro de 1663. Foi beatificado em 1753 por Bento XIV e canonizado em 1767 por Clemente XIII.

IGREJA

 Sete fatos sobrenaturais de são José de Cupertino, conhecido como o santo voador

São José de Cupertino (1603-1663), padroeiro dos estudantes e conhecido como o santo voador, foi abençoado por Deus com muitos milagres que ele sempre atribuía à intercessão da Santíssima Virgem Maria.

Abaixo, sete acontecimentos sobrenaturais que ocorreram durante a sua vida:

1. Voava pelos aresSão José de Cupertino caia constantemente em êxtase e seus irmãos frades e os fiéis o viram "voar" em várias ocasiões. Um dia, os religiosos o viram levitar até uma estátua da Virgem Maria que estava a três metros e meio de altura e dar um beijo no Menino Jesus. Logo depois rezou no ar com intensa emoção.

O acontecimento mais conhecido ocorreu quando dez trabalhadores queriam levar uma cruz pesada a uma montanha alta, mas não conseguiram. Então, o Frei José levitou com a cruz e a levou ao topo da montanha.

2. Exorcizava com uma frase obediente

Seus superiores o escolheram para exorcizar demônios, mas o santo se considerava indigno disso. Por isso, usava a seguinte frase contra o maligno: "Sai desta pessoa se quiser, mas não faça isto por mim, mas pela obediência que devo aos meus superiores". E os demônios saíam.

3. Podia estar em dois lugares ao mesmo tempo

O dom de estar em dois lugares ao mesmo tempo se chama bilocação ou onipresença. Dizem que quando a mãe de São José estava morrendo no povoado de Cupertino, o santo estava em Assim ao saber da notícia. O frei entrou com uma grande luz no quarto da sua mãe, que depois de vê-lo partiu para a casa do Pai.

Em Assis, os superiores perguntaram a São José por que ele estava chorando amargamente e lhes disse que a sua mãe tinha acabado de falecer. Mais tarde, muitas pessoas testemunharam que o santo acompanhou a sua mãe em Cupertino.

4. Curava com o sinal da cruz

Um homem arrogante disse a São José: “ímpio, hipócrita, não por você, mas pelo hábito de religioso que veste tenho que respeitá-lo. Eu acreditaria em tudo o que você faz se me curar com o sinal da cruz sobre a minha ferida".O santo respondeu humildemente que tudo o que dizia dele era verdade e fazendo o sinal da cruz sobre a ferida, o homem foi curado.

Do mesmo modo, recuperou a vista de um cego colocando a sua capa sobre a sua cabeça. Os aleijados e coxos eram curados ao beijar o crucifixo que São José colocava diante deles. Os que estavam doentes com uma epidemia de febre altíssima foram curados quando o santo fazia o sinal da cruz na testa deles.

5. Lia os corações e convertia os protestantes

O príncipe luterano John Federick, aos 25 anos, foi a Assis com duas escoltas, uma católica e outra protestante. Entraram na igreja onde São José estava celebrando a Missa e no momento da consagração o santo não conseguiu partir a Hóstia Consagrada, porque estava dura como pedra e teve que devolvê-la à patena.Pe. José começou a chorar de dor e levitou aproximadamente um metro de altura. Ao descer, conseguiu partir a hóstia depois de muito esforço. Os seus superiores perguntaram por que havia acontecido isso e ele respondeu que era devido ao coração duro das pessoas que participavam da Missa.

No dia seguinte, o príncipe voltou com os dois homens e quando o santo levantou a Hóstia durante a Missa, a cruz da Sagrada Hóstia ficou negra. Isso lhe causou muita dor e chorando levitou com a hóstia durante aproximadamente 15 minutos. Este milagre comoveu o coração do príncipe e, por isso, ele e o seu acompanhante decidiram se converter à fé católica.

6. Comunicava-se com os animais

Quando passava por um campo e começava a rezar, as ovelhas se reuniam ao redor dele e escutavam atentamente as suas orações. As andorinhas voavam em bandos ao redor da sua cabeça e o acompanhavam por vários quarteirões.7. Profetizou o futuro dos papas

Um dia, levaram São José para visitar o papa Urbano VIII, que queria saber se os êxtases e os episódios de levitação do frade eram verdadeiros.

São José apareceu diante do pontífice e levitou e impressionou as pessoas que estavam presentes. O santo previu o dia e a hora da morte deste papa e de Inocêncio X.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sexta-feira: Servos e fiéis

Evangelho da 6ª feira da 24ª semana do Tempo Comum. "Jesus andava por cidades e povoados... Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças". Cada detalhe de carinho pelo próximo é um serviço a Jesus Cristo; através do nosso serviço Ele entra no coração daqueles ao nosso lado.


Evangelho (Lc 8, 1-3)

Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.


Comentário

Os doze Apóstolos e as mulheres acompanhavam o Senhor, de cidade em cidade, proclamando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus: que Deus está apaixonado pela sua criação e por cada um dos homens e mulheres deste mundo.

E Ele continua a nos acompanhar todos os dias, cada minuto de nossa vida, é incapaz de separar-se de nós.

Nós: pobres e cheios de misérias, mas curados pelas mãos misericordiosas de Jesus, protegidos pelo seu olhar terno, animados pela sua voz amável.

Nós: ricos e cheios de glória, da riqueza e glória do Filho de Deus.

E assim os nossos bens – o nosso trabalho, os nossos talentos e virtudes, as nossas esperanças e projetos, a nossa família, os nossos amigos – são a matéria sobre a qual Cristo realiza a redenção.

O exemplo deste grupo de mulheres fiéis, que servem a Jesus com os seus bens, que não o deixarão sozinho nos piores momentos, é um chamado à nossa fidelidade.

Nossa esperança deve ser servir a Deus e aos outros com generosidade, com visão sobrenatural: servir mesmo àqueles que não agradecem o serviço prestado, mesmo que esta atitude entre em conflito com os critérios humanos. Basta-nos compreender que cada detalhe de carinho pelos outros é um serviço a Jesus Cristo. Através do nosso serviço Ele entra no coração daqueles que estão ao nosso lado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Carlo Acutis e Aparecida: mais do que uma data litúrgica em comum

Ojovem Carlo Acutis, beatificado em 2020, tem sua memória celebrada pela Igreja em 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. Foi nesta data, em 2006, que o adolescente partiu para a Casa do Pai, aos 15 anos de idade.

Mas não é só a data litúrgica que ele e a padroeira do Brasil têm em comum: ambos conquistaram o coração dos devotos brasileiros.

Mesmo sem nunca ter visitado o Brasil, Acutis também tem uma fortíssima ligação com o país. Aliás, um dos milagres reconhecidos pelo Vaticano no processo de beatificação do jovem italiano aconteceu no Brasil.

Milagre de Carlo Acutis no Brasil

O Vaticano reconheceu o milagre pela intercessão de Carlo Acutis registrado no Brasil, onde um menino, morador do estado do Mato Grosso do Sul, foi curado de uma doença rara conhecida por anomalia congênita do pâncreas. O garoto, no dia 12 de outubro de 2010, em uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, recebeu a bênção sacerdotal, com a relíquia de Carlo Acutis. Após a bênção, a família relata que ele recebeu a cura. Certamente, não foi mera coincidência...

Devoção a Nossa Senhora

Outra forte conexão de Carlo Acutis com Aparecida: em seu quarto há uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, que a mãe dele ganhou de um sacerdote brasileiro. O beato, de fato, nutria uma forte devoção à Maria. Certa vez, ele afirmou:

A Virgem Maria foi a única mulher da minha vida.”

Além disso, o jovem rezava o Rosário e recebia a Eucaristia todos os dias todos os dias. Ele chegou a recomendar:

“Lembre-se de recitar o Rosário todos os dias”; “O Rosário é a escada mais curta para chegar ao céu”; “Depois da Santa Eucaristia, o Santo Rosário é a arma mais poderosa para combater o demônio"; “Faça pedidos e ofereça flores ao Senhor e Nossa Senhora, a fim de ajudar os outros”.

Maria e Acutis

Vale lembrar que, perto dos 15 anos (não se sabe a idade exata), Maria de Nazaré aceitou ser Mãe do Verbo de Deus encarnado. Também o jovem Carlo Acutis, aos 15 anos de idade, partiu para os braços de Jesus e de Maria. Agora, certamente, Nossa Senhora, que Carlinho tanto amou e admirou, está ajudando este jovem a interceder pelo Brasil e pelo mundo.

IGREJA

 

Mártires estão entre os maiores evangelizadores da Igreja, diz Leão XIV

O papa concedeu hoje (16) uma audiência privada no Vaticano aos participantes da conferência O Século XXI: Uma Nova Era de Mártires? no Instituto Patrístico Augustinianum, em Roma.

A conferência, organizada pelo Dicastério para as Causas dos Santos, debateu a iniciativa ecumênica Comissão Para Os Novos Mártires — Testemunhas da Fé, instituída pelo papa Francisco em 2023 para documentar as mortes de cristãos de todas as denominações que foram mortos desde 2000.

Entre os casos discutidos estava o da irmã Dorothy Stang, freira americana que foi morta no Brasil em 2005 em meio a um conflito de terras.

Testemunhas cristãs propõem fé vivida, não uma ideologia

Em seu discurso, o papa Leão XIV elogiou o trabalho do dicastério de catalogar as vidas de cristãos mortos por sua fé e disse que o exemplo deles pode ensinar os fiéis de hoje a apresentar a fé não como uma ideologia, mas como um modo de vida.

“A força evangelizadora das novas testemunhas da fé representa um dos maiores recursos da Igreja para anunciar o Evangelho no mundo de hoje”, disse Leão XIV. “As testemunhas da fé não propõem uma ideologia, mas mostram uma fé vivida no dia a dia”.

Ele falou também sobre a importância desses cristãos para os católicos, dizendo que eles “são irmãos e irmãs que, em vários contextos geográficos, históricos e políticos, deram a vida pelo Evangelho”.

O papa disse também que a santidade do dia a dia pode ajudar os cristãos a explicar e defender sua fé em discussões.Em contextos culturais indiferentes, a santidade cotidiana e o heroísmo silencioso tornam-se argumentos poderosos, capazes de falar a todos, até mesmo aos mais céticos.

Entre os palestrantes da conferência estavam o cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, e o cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém.

Pizzaballa, que fez um discurso sobre o sofrimento dos cristãos em meio às guerras em curso na Terra Santa, falou sobre sua experiência ao falar sobre esse sofrimento a estudantes muçulmanos na Palestina.

“Concordei em me encontrar com jovens da universidade local que insistiram para que eu fosse”, disse Pizzaballa. “Eu nunca tinha passado por isso antes e estava com medo. Havia cerca de 600 estudantes, todos muçulmanos. Na conversa, eu esperava perguntas políticas sobre a guerra. Em vez disso, todas as perguntas foram sobre a vida, sobre a fé e sobre o cristianismo”.“Quando eu disse que o cristianismo rejeita a violência… eles se levantaram e aplaudiram, dizendo que também estavam cansados ​​de viver num sistema de violência”.

O sangue dos mártires precede as divergências teológicas

Em seu discurso, Semeraro falou sobre o progresso da iniciativa Comissão Para Os Novos Mártires — Testemunhas da Fé e falou sobre a necessidade de priorizar o sacrifício dos cristãos pela fé em detrimento dos debates teológicos.“O sangue dos mártires precede nossos diálogos teológicos”, disse Semeraro. “Onde nossas confissões cristãs ainda têm feridas que precisam ser curadas, os mártires nos dizem que o essencial já está compartilhado: a confissão de Cristo, até mesmo a doação da própria vida. Isso se chama ecumenismo de sangue”.

Irmã Dorothy Stang e o impacto do 11 de Setembro na perseguição aos cristãos

Entre os cristãos mencionados na conferência estava a irmã Dorothy Stang, freira americana assassinada no Brasil em 2005 em meio a conflitos de terra quando fazia parte da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No ano passado, ela se tornou a primeira americana a ter um memorial permanente em Roma, Itália, dedicado aos mártires cristãos modernos.

A freira Nicoletta Spezzati, consultora do Dicastério para as Causas dos Santos, descreveu Stang como uma “mulher de oração contemplativa” que compreendia que “a devastação predatória do planeta não é simplesmente uma ofensa moral, mas a rebelião da humanidade contra o Criador”.

Marcia Goodman, sobrinha de Stang, disse que a vida da freira estava enraizada na crença num ambiente sustentável para todas as pessoas.

“É especialmente impactante que Dorothy, uma mulher, esteja sendo reconhecida como uma mártir moderna”, disse Goodman à EWTN News. “Ela viveu sua vida acreditando que todas as pessoas importam e, portanto, merecem um lugar para chamar de lar”.

Além de Stang, também foi mencionado o impacto dos ataques terroristas contra os EUA em 11 de setembro de 2001 sobre a perseguição aos cristãos na Europa. O padre Roberto Regoli, presidente da Fundação Joseph Ratzinger, descreveu esses ataques como um prenúncio de uma nova escala de perseguição aos cristãos em nível internacional.“Há 25 anos, em 11 de setembro, lembramos os ataques às Torres Gêmeas. Lembramos o avião que atingiu o Pentágono em Washington D.C. A partir daqueles anos, houve uma escalada de conflitos em nível internacional”, disse Regoli.

“Diante do laicismo, das dificuldades sociais, das dificuldades psicológicas e das tensões religiosas, há homens e mulheres — religiosos e leigos — que permanecem onde estão. E talvez isso seja, em si, uma maneira de testemunho: permanecer no próprio lugar”, disse Regoli.

Elias Turk contribuiu para esta matéria.