terça-feira, 11 de agosto de 2026

IGREJA

 

Santo Antão: o santo do deserto que ensina a recomeçar todos os dias

Está dividido em três grandes partes: na primeira, vem a clássica vida do santo, segundo Santo Atanásio de Alexandria, bispo e doutor da Igreja; na segunda, as Cartas de Santo Antão; e, por fim, os Apoftegmas (breves sentenças com ensinamentos espirituais) do mesmo santo. 

Dom Estêvão Bettencourt, monge beneditino, defende que, no século IV, muito contribuiu para o estilo eremítico, tido como a primeira forma de vida consagrada na Igreja, a difusão da Vida de Santo Antão (251-356). Nesta obra, além das narrativas das famosas tentações de Antão, conta-se que sendo ele “filho de uma família cristã rica, ouviu o apelo do Senhor proclamado na Igreja e resolveu deixar tudo, retirando-se para o deserto do Egito; após ter providenciado a subsistência de sua irmã mais jovem” (História da Igreja. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2012, p. 126).

Quem foi Santo Antāo

De fato, a figura de Antão foi deveras importante, pois vivera como eremita desde cerca de 270, nos desertos de Nitria e Escete (no Baixo Egito). Todavia, por volta de 290, alguns discípulos se associaram a ele. Cada eremita, no entanto, vivia em sua cela de modo independente, mas sob a direção ou à luz dos conselhos de Antão, embora não fossem cenobitas ou homens de vida comum propriamente dita. Fala-se até em uma suposta Regra elaborada por Santo Antão, mas, segundo bons estudiosos, ela não é autêntica por várias razões: Santo Atanásio, biógrafo de Antão, não a menciona em sua obra; tem ela características de mera compilação, e não de trabalho de uma só pessoa; e chegou até nós apenas em Latim, em duas versões, uma a partir de tradução do árabe, em 1646, e outra em 1661 (cf. Johannes Quasten. Patrologia: fundadores del monaquismo egípcio. Mercaba.org, on-line). Eis o que, com riqueza de detalhes, o livro em foco narra, dando, inclusive, em um longo trecho, a palavra ao próprio Santo Antão (cf. pp. 59-87).

Eis o que sobre nosso santo se lê nas páginas 45-46: “Assim vivia Antão e era amado por todos. Por seu lado, submetia-se com toda sinceridade aos homens piedosos que visitava, e se esforçava por aprender aquilo em que cada um o avantajava em zelo e prática ascética. Observava a bondade de um, a seriedade de outro na oração; estudava a aprazível quietude de um e a afabilidade de outro; fixava sua atenção nas vigílias observadas por um e nos estudo de outro; admirava um por sua paciência, a outro por jejuar e dormir no chão, considerava atentamente a humildade de um e a paciente abstinência de outro; e em uns e outros notava especialmente a devoção a Cristo e o amor que mutuamente se tinham. Havendo-se assim saciado, voltava ao seu lugar de vida ascética. Então, se apropriava do que havia obtido de cada um e dedicava todas as suas energias a realizar em si as virtudes de todos”.

À luz de Filipenses 3,13 e 1Reis 17,1; 18,15, “observava que, ao dizer ‘este dia’, não estava contando o tempo que havia passado, mas, como que começando de novo, trabalhava duro cada dia para fazer de si mesmo alguém que pudesse aparecer diante de Deus: puro de coração e disposto a seguir a Sua vontade. E costumava dizer que a vida levada pelo grande Elias devia ser para o asceta como um espelho no qual poderia sempre mirar a própria vida” (p. 51). De fato, é no “aqui e agora” da nossa existência que Deus opera, em seu plano de amor, a nossa salvação. 

Suas Cartas (cf. pp. 145-189), escritas, em tom exortativo e amoroso, com grande zelo pela salvação de todos, servem de matéria de leitura meditativa individual ou até mesmo para um retiro espiritual, a só ou em comunidade. O mesmo pode-se dizer dos preciosos Apoftegmas compilados nas páginas 193 a 204.

Fazemos votos para que tal obra encontre ampla aceitação.

IGREJA

 Leão XIV convida fiéis a acolher Jesus com humildade através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra

Durante a oração do Ângelus deste domingo (9), o papa Leão XIV incentivou os fiéis a acolher Jesus "humildemente" em suas vidas "através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra".

"Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida – através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra –, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho", disse o papa.

Em sua reflexão, Leão XIV comentou o Evangelho de hoje (Mt 14,22-33), que narra o momento em que Jesus caminha sobre as águas do mar da Galileia e vai ao encontro de seus discípulos em meio a uma tempestade.

O papa lembrou que, depois de terem sido testemunhas de um sinal extraordinário, os discípulos "encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário". É nesse cenário que Jesus "vai ao encontro deles sobre as águas agitadas, e, assustados, confundem-no com um fantasma".

"Mas Ele diz-lhes: "Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!"", destacou o papa.

"A presença do Senhor muda" toda situação, continuou Leão XIV, e Pedro dá “alguns passos sobre as ondas em direção a Ele”, mas “depois assusta-se, começa a afundar e Jesus salva-o".

Segundo Leão XIV, para reconhecer a presença de Deus, não "bastou" aos discípulos assistir "a um milagre nem ter tido bom êxito diante das pessoas". Eles "tiveram que passar pela experiência da própria fraqueza e, nela, reconhecer a presença de Deus", destacou.

"Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade", acrescentou.

O papa também destacou que “este milagre ensina-nos algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos do sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros”. Além disso, ele pediu para "não perdermos a esperança" quando as dificuldades surgirem e não nos desesperamos "nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar".

"Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, Ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé", concluiu.

IGREJA

 Terremoto na Colômbia derruba parte da catedral de Manizales

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu hoje (10) vários departamentos da Colômbia, causando graves danos a várias infraestruturas, como a catedral de Manizales, no departamento de Caldas.

O terremoto ocorreu às 7h34 (5h34 no horário de Brasília), a uma profundidade de 96 km, e seu epicentro foi no município de San José del Palmar, departamento de Chocó, no litoral colombiano do oceano Pacífico.

Em suas redes sociais, a arquidiocese de Manizales divulgou um vídeo mostrando rachaduras na fachada e o desabamento parcial de uma das torres laterais do templo neogótico, de 119 metros de altura.

Autoridades locais e nacionais continuam reunindo informações para obter um panorama completo do número de vítimas — até o momento, há duas mortes em Manizales — e dos danos estruturais causados ​​pelo terremoto, considerado o mais forte da última década.

A arquidiocese de Manizales pediu à população para rezar e pedir a Deus "por todas as pessoas e famílias que possam ter sido afetadas, por aqueles que hoje sentem medo e incerteza e, especialmente, por aqueles que precisam de ajuda".

“Que Deus proteja Manizales e a Colômbia, fortaleça nossos corações e nos conceda serenidade, solidariedade e esperança. Senhor, colocamos a Colômbia em suas mãos”, disse a arquidiocese nas redes sociais.

A governadora de Chocó, Nubia Córdoba, disse nas redes sociais que “na capital, Quibdó, há feridos e danos graves em prédios”.

Córdoba disse: “Já estamos avaliando os danos para divulgar o primeiro relatório oficial”.Em seu primeiro relatório, a Autoridade de Aeronáutica Civil da Colômbia disse que o terremoto afetou as instalações dos aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura.

"Por razões de segurança, as operações aéreas nesses terminais permanecem suspensas até que os danos estruturais à infraestrutura sejam avaliados", disse a entidade.


SANTO DO DIA

 Hoje é celebrada santa Clara de Assis, padroeira da televisão

A Igreja hoje (11) a memória litúrgica de santa Clara de Assis, a jovem da nobreza italiana que deixou tudo por Cristo e, junto a são Francisco, decidiu atender ao chamado de Deus.

Considerada padroeira da televisão e de seus profissionais, a santa viveu episódios em que teve a graça de ver projetadas nas paredes de sua cela cerimônias que desejava acompanhar, mas não podia por causa da enfermidade.

Santa Clara nasceu em Assis, em 1193, em uma família da nobreza italiana. Conta-se que seu nome surgiu de uma inspiração dada a sua mãe, a quem foi revelado que a filha iluminaria o mundo com sua santidade.

Quando Clara tinha 18 anos, são Francisco pregou em Assis os sermões quaresmais na Igreja de São Jorge. As palavras do “poverello” acenderam o coração da jovem, que foi lhe pedir, em segredo, que a ajudasse a viver segundo o Evangelho.

São Francisco a animou em seu desejo de deixar tudo por Cristo. No Domingo de Ramos de 1212, Clara assistiu à bênção das Palmas na Catedral. Todos os fiéis se aproximavam para receber um ramo de oliveira, mas Clara ficou em seu lugar, por timidez. Ao ver isto, o Bispo levou o ramo até onde estava. Nessa noite, fugiu de sua casa e se dirigiu ao povoado da Porciúncula, que distava dois quilômetros de onde vivia São Francisco com sua comunidade.

Neste local, Clara trocou seus finos vestidos por um hábito de penitente, que consistia em uma túnica de tecido áspero e uma corda de cinturão. São Francisco lhe cortou o cabelo. Como este não tinha fundado um convento para religiosas, conseguiu alojamento provisório para Clara no claustro das beneditinas de são Paulo, perto da Bastia.

Os parentes da jovem já tinham planejado para ela um casamento e, quando souberam o que tinha acontecido, decidiram tirá-la do convento. Conta-se que Clara se aferrou com tal força ao altar, que rasgou as toalhas quando a arrancaram de lá. A jovem descobriu a cabeça para que vissem seus cabelos cortados e disse a seus amigos que Deus a tinha chamado a seu serviço e que ela estava disposta a responder.

Em pouco tempo, a irmã de Clara, Inês, foi se unir a ela, o que desencadeou uma nova perseguição familiar. Mais tarde, são Francisco transferiu as duas para uma casa contigua à igreja de São Damião, nos subúrbios de Assis, e nomeou Clara como superiora.

Passados alguns anos, já havia vários conventos das clarissas na Itália, França e Alemanha. A beata Inês fundou uma ordem em Praga, onde tomou o hábito. Santa Clara e suas religiosas praticavam austeridades até então desconhecidas nos conventos femininos. Não usavam calçado e dormiam no chão, nunca comiam carne e só falavam quando era necessário ou por caridade. Santa Clara imitou à perfeição o espírito de pobreza de São Francisco.

A partir de 1224, Clara adoeceu e, aos poucos, foi definhando. Em 1226, Francisco morreu e Clara teve visões projetadas na parede da sua pequena cela. Lá, via o santo de Assis e os ritos das solenidades do seu funeral que estavam acontecendo na igreja.

Anteriormente, tivera esse mesmo tipo de visão numa noite de Natal, quando viu projetado o presépio e pôde assistir ao santo ofício que se desenvolvia na Igreja de Santa Maria dos Anjos. Por essas visões, que pareciam filmes projetados numa tela, santa Clara é considerada padroeira da televisão e de todos os seus profissionais.

Outro momento marcante da vida desta santa se deu em 1240, quando, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento, defendeu a cidade de Assis do ataque do exército dos turcos muçulmanos.Em 1228, Gregório IX concedeu às clarissas o “Privilegium Paupertatis” para que ninguém pudesse obrigá-las a ter posses. Além disso, santa Clara, como verdadeira intérprete do espírito e tradição franciscanos, redigiu por sua conta uma regra que os reflete com fidelidade e que proíbe toda forma de propriedade individual ou comum. Inocêncio IV só aprovou esta regra dois dias antes da morte da santa.

Santa Clara morreu no dia 11 de agosto de 1253, aos 60 anos de idade. Em 1255, menos de dois anos após sua morte, foi incluída no livro dos santos pelo papa Alexandre IV.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de terça-feira: o maior no Reino dos Céus

Comentário ao Evangelho de terça-feira da XX semana do Tempo Comum. «Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus». Sobre a humilde consciência da nossa pequenez, Deus construirá uma grande santidade, que Ele mesmo tornará importante, eficaz e valiosa.


Evangelho (Mt 18, 1-5.10.12-14)

Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe:

«Quem é o maior no reino dos Céus?».

Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes:

«Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim. Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus».

Jesus disse ainda:

«Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».


Por vezes os Evangelhos mostram-nos os discípulos preocupados com o grau de importância entre eles. Com uma curiosidade que não parece muito sobrenatural, desta vez perguntam ao Mestre quem Lhe parece ser o maior no Reino dos Céus. Jesus responde de uma maneira surpreendente: chama uma criança e coloca-a no meio.

As crianças personificam alguns traços de dependência que as colocam abaixo dos mais velhos: são pequenas em tamanho, têm pouca experiência, muitas vezes não são capazes de responder pelos seus atos, não conseguem defender-se sozinhas... No entanto, Jesus diz: «Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus».

Para Deus, somos todos criaturas pequenas. Diante do seu olhar amoroso, os graus humanos de importância desaparecem, as escalas sociais e os rótulos desvanecem-se. O Mestre faz-nos entender que aceitar a nossa condição não nos humilha nem nos desvaloriza. Pelo contrário, pode levar-nos à grandeza e à santidade, porque somos seus filhos. Nesse sentido, São Josemaria recomendava: «Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança mais pequena do que, diante de ti, um miúdo de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças»[1].

Muitas das nossas preocupações podem ser redimensionadas se nos soubermos abandonar como crianças pequenas que precisam do cuidado constante do seu Pai. Com a humilde consciência da nossa pequenez, Deus construirá uma grande santidade, que Ele mesmo tornará importante, eficaz e valiosa.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

TESTEMUNHO

 “Eu queria me tornar prostituta.” Irmã Emmanuelle: Uma freira extraordinária com uma vida difícil

Ela era chamada de "Madre Teresa do Cairo" ou "a irmãzinha dos catadores de lixo". Ela carregava no coração o desejo não só de servir aos pobres, mas também de viver com os desamparados, os catadores de lixo e aqueles que haviam sido particularmente atingidos pela vida.

Ela tinha 62 anos quando deixou os muros do convento e se estabeleceu entre os pobres nos arredores do Cairo, um lugar onde a polícia não ousava ir. E lá ela fez a revolução.

"Cristo queria ir para lá...", disse ela anos depois. Nascida em 16 de novembro de 1908, na Bélgica, a Irmã Emmanuelle mostra como confiar em Jesus nos eleva do abismo do pecado à verdadeira santidade.

"...um espinho na carne me foi dado..."

"Eu, Madeleine Cinquin, sou uma pessoa que precisa ser tocada para acreditar. Mas não tenho dúvidas. Para mim, perseguir a vida terrena significava desespero , derrota. Eu tinha certeza de que nunca me livraria do demônio sob a minha pele. É impossível mudar a própria natureza. Mas eu acreditava que Cristo, que conquistaria o mundo, também me conquistaria", escreveu ela em "Confissões de uma Freira ", como a Irmã Emmanuelle, agora com 94 anos, das Irmãs de Nossa Senhora de Sião.

Ela relembrou o dia em 1927 em que decidiu entrar para um convento. Tinha 19 anos e era conhecida por ser uma jovem sedutora, que gostava de maquiagem carregada, roupas discretas, fumava cigarros e saía com qualquer homem que conhecia.

Sua necessidade insaciável de experiências sexuais era tão grande que, às vezes, ela saía à noite para satisfazê-la com um homem qualquer. Ao mesmo tempo — e isso parece absurdo —, desde 1920, desde os doze anos de idade, a Santa Missa tem sido o centro de sua vida, uma fonte de alegria .

Ele frequenta a missa todos os dias e recebe a comunhão diariamente. Após cometer um pecado, corre imediatamente para a confissão para não perder seu estado de graça. Peca com frequência e, na infância, tornou-se viciado em masturbação.

Apesar disso, ela trava uma batalha constante contra sua sensualidade . Ela está perdendo, até parece que está completamente derrotada, mas no fundo sabe que está lutando por sua vida, e é teimosa, então se recusa a perder.

“Vai e não peques mais”

"Eu queria me tornar prostituta", escreveria ela anos mais tarde em suas memórias, que só permitiria serem publicadas após sua morte. "Na idade de vocês, eu era como uma correnteza impetuosa. Um homem só certamente não teria sido suficiente para mim. Eu ansiava por algo mais, algo mais emocionante. Então escolhi Deus!", diria ela aos mendigos de Ezbet El-Nakhl em 1971.

Seu confessor, o padre Ryckmans, torceu as mãos quando ela lhe pediu que intercedesse junto à mãe e lhe solicitasse permissão para ingressar na congregação antes de completar 21 anos. Ele trovejou:

— Você se entrega à prostituição e ainda tem a audácia de me falar sobre a vida monástica?

– É claro que estou falando da vida monástica, e o padre está extinguindo minha vocação.

– No mosteiro você faz votos!

– É exatamente isso que eu quero, me comprometer com votos.

— E a limpeza? Está me ouvindo? Limpeza!

– Ufa! Não há homens no mosteiro, o que você quer que eu faça lá?

— E obediência? Você não ouve ninguém!

"Padre, o senhor não entende nada. É por isso que quero entrar para um mosteiro. Já chega, não me suporto, não consigo me controlar o tempo todo, preciso de regras, preciso de algo que me mantenha firme... Cristo é o único homem que nunca me decepcionará!"

"Quem ama não morre!"

Em 1929, ela ingressou na congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Sião e perseverou no cumprimento de seus votos de castidade, pobreza e obediência até sua morte em 20 de outubro de 2008, ou seja, por 79 anos.

"Despi-me dos trapos coloridos de uma jovem coquete e vesti um vestido preto sem graça e um véu. Eu não era mais escrava do desejo de agradar! Antes, bastava que os homens gostassem de mim. Eu já tinha problemas suficientes por causa disso. De repente, senti-me livre, livre!"

Ao longo de sua vida como freira, ela respondeu ao chamado de seus dois amores – Cristo, seu amigo desde a Primeira Comunhão – e sua missão, servindo aos pobres em terras distantes. Ela respondeu a ambos heroicamente. Foi aonde ninguém mais queria ir . “Imagine um beco tão entupido de lixo que não havia onde pisar, apartamentos em contêineres velhos e com goteiras, porcos pretos, cães vadios, ratos grandes e gordos, enxames de moscas e, bem no meio desse lixão, uma horda de crianças”, escreveu ela sobre o lugar entre os catadores de lixo do Cairo que escolheu como lar.

Graças à sua persistência, inteligência e grande senso de humor, ela conseguiu mobilizar pessoas influentes de todo o mundo para arrecadar fundos e construir uma maternidade, um abrigo para idosos e, mais tarde – com uma ideia ecológica – uma fábrica de compostagem.

"Agradeço a Deus por me ter levado a buscar e descobrir a pobreza. A pobreza é uma abertura para o amor. No silêncio dos meus dias de contemplação, compreendi como se desenrola a luta do amor e da justiça contra as forças da morte. Ela nasce na simplicidade da vida quotidiana, desde que o interesse pessoal não seja o único propósito das nossas vidas, mas que sejamos profundamente tocados pela desgraça alheia", escreveu ela pouco antes de falecer

RELIGIÃO

 Sete dados curiosos sobre são Lourenço, martirizado em uma grelha no século III

Hoje (10) é celebrado são Lourenço, um dos sete diáconos de Roma do papa Sisto II e, certamente, uma dos mais famosos da antiguidade.

A seguir, alguns dados curiosos da vida deste importante santo:

1. É padroeiro dos cozinheiros

São Lourenço de Roma é o santo padroeiro dos cozinheiros. O santo foi condenado a morrer queimado em uma fogueira, especificamente em uma grelha de ferro.

Segundo a tradição, despois de estar queimando um tempo na grelha, disse ao juiz: “Vira-me, que já estou bem assado deste lado”. O carrasco mandou que o virassem e assim se queimou por completo.

2. Uma basílica de Roma é dedicada a ele

A basílica de São Lourenço Extramuros, onde se encontra o túmulo do santo, é uma das cinco basílicas patriarcais ou papais. No interior do templo está uma pedra de mármore onde, segundo a tradição, foi colocado o corpo de são Lourenço imediatamente depois de seu martírio, ficando impressa parte de sua silhueta.

Todos os anos é realizada uma peregrinação no bairro de são Lourenço precedida por uma missa. A romaria é acompanhada por uma relíquia do santo levada em uma pequena custódia.

3. Em Roma é o santo mais importante, depois de Pedro e Paulo

Com uma tranquilidade que ninguém imaginaria, durante seu martírio, rezou pela conversão de Roma e a difusão da religião de Cristo em todo o mundo, até o seu último suspiro.

O professo de teologia sistemática, dom Francesco Moraglia, explica em um artigo que “a cidade, que lhe atribuía a vitória sobre o paganismo, o elegeu como seu terceiro padroeiro e celebra sua festa desde o século IV, como segunda festa em grau de importância depois da dos santos apóstolos Pedro e Paulo”.

Do mesmo modo, foram erguidas em sua honra “34 igrejas e capelas, sinal tangível de gratidão àquele que, fiel ao seu ministério, tinha sido entre eles um verdadeiro ministro e servidor da caridade”.

4. Seu martírio foi prenunciado pelo papa são Sisto II

São Lourenço era um dos diáconos que ajudava o papa Sisto II, o qual foi assassinado pela polícia do imperador enquanto celebrava missa em um cemitério de Roma. A antiga tradição diz que, quando Lourenço viu que iam matar o pontífice, este lhe disse:

“A nós, porque somos velhos, nos foi designado o percurso de um caminho mais fácil; a ti, porque és jovem, corresponde um triunfo mais glorioso sobre o tirano. Logo virá, deixe de chorar: dentro de três dias me seguirás. Entre um bispo e um levita, é conveniente que exista este intervalo” (Santo Ambrósio, De Officiis, n. 206).

5. O papa são Leão Magno lhe dedicou uma bela homilia

No século V, o doutor da Igreja e papa são Leão Magno disse sobre são Lourenço que “as chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que o queimava fora era mais débil do que aquele que ardia dentro dele”.

Acrescentou: “O Senhor quis exaltar a tal ponto o seu glorioso nome em todo o mundo que do Oriente ao Ocidente, no esplendor vivíssimo da luz que irradiou dos maiores diáconos, a mesma glória concedida a Jerusalém por Estêvão também foi dada a Roma por mérito de Lourenço” (Homilia 85, 4: PL 54, 486).6. Um fenômeno astronômico leva o seu nome

“Lágrimas de são Lourenço” é o nome popular com o qual se conhece uma chuva de meteoros (as Perseidas) visíveis todos os anos por volta dos dias 11 e 12 ou 12 e 13 de agosto. O nome começou a ser usado em memória ao diácono martirizado muito tempo depois na Europa medieval.

7. Um time de futebol leva o seu nome

O nome do time de futebol favorito do papa Francisco, o ‘Club Atlético San Lorenzo de Almagro’, é em honra ao diácono mártir, como foi o desejo do salesiano padre Lorenzo Massa, na fundação da equipe.