sábado, 28 de fevereiro de 2026

IGREJA

 Mães de presos recebem Leão XIV em bairro romano assolado pelo tráfico de drogas

Como parte de suas visitas pastorais a várias paróquias de Roma nesta Quaresma, o papa Leão XIV vai no próximo domingo, 1º de março, ao bairro periférico de Quarticciolo, uma das maiores áreas de tráfico de drogas em Roma.

O papa chegará no domingo à tarde à paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, confiada aos padres dehonianos.

Primeiro, segundo o vicariato de Roma, ele se encontrará no pátio do oratório com um grupo de crianças, jovens e suas famílias. Depois, o papa vai ao salão paroquial para saudar quatro mães de dependentes químicos presos.

Segundo o pároco, padre Daniele Canali, uma delas é catequista e outra é voluntária da Cáritas. Junto com elas estará também um grupo de pessoas com deficiência, idosos, doentes, pobres e voluntários que vão receber o papa.

Leão XIV se reunirá então com o conselho pastoral numa sala paroquial e, às 17h, horário de Roma, vai celebrar a missa na igreja paroquial. Por fim, ele se encontrará com a comunidade de sacerdotes.

Segundo o padre Canali, será a terceira visita de um papa ao bairro. "São João XXIII visitou o local em 3 de março de 1963, e são João Paulo II em 3 de março de 1980", disse ele.

“Estamos nos preparando não só do ponto de vista prático, com a organização de todos os espaços, mas sobretudo do ponto de vista espiritual, com a lectio divina semanal”, disse o padre. “Em todos os grupos, houve reflexão sobre a figura de Pedro”.

Para o pároco, a presença do papa é um sinal de esperança: "Essa comunidade paroquial é pequena e passou por momentos muito difíceis, mas devo testemunhar que ninguém jamais desistiu, a comunidade sempre se manteve firme”.

IGREJA

 Novas gerações de fiéis buscam solidez doutrinal, diz bispo irlandês

O bispo de Raphoe, Irlanda, Niall Coll, disse que as novas gerações de fiéis buscam "solidez doutrinal".

Diante de cerca de 100 pessoas reunidas na paróquia do Espírito Santo de Kimmage Manor, em Dublin, o bispo falou, na apresentação do livro Transformative Renewal in the Catholic Church (Renovação Transformadora na Igreja Católica, em tradução livre), do padre John O'Brien, sobre a busca pela verdade e significado pelas pessoas nascidas a partir de 1995.

Segundo Coll, essas novas gerações demonstram um renovado senso de seriedade em relação à fé, segundo o jornal The Irish Catholic.

O bispo falou sobre jovens que crescem numa cultura pós-cristã, “digital e moralmente fragmentada”, na qual vivem a ausência de uma “memória herdada do catolicismo irlandês”.

Ele disse que, diante dessa situação, os jovens buscam “clareza, coerência e tradição” e que “eles são atraídos pela solidez doutrinal, profundidade sacramental e continuidade com a tradição da Igreja”.

O bispo disse que, enquanto as conversas sinodais muitas vezes se concentrem em estruturas e processos, muitos deles perguntam: "No que a Igreja realmente acredita?"

“Tendo crescido em meio a escolhas constantes, sobrecarga de informações e ambiguidade moral, eles estão menos interessados ​​na conversação e mais numa educação que produza convicção e confiança”, disse ele.

O bispo disse que a sinodalidade, se não estiver ancorada nas Escrituras e na doutrina, "corre o risco de derivar para uma discussão interminável e sem propósito".

Diante desse cenário, ele listou alguns dos desafios mais urgentes, como a catequese e a formação de catequistas. O bispo disse que “a renovação não pode ser sustentada sem formação” e apontou a catequese “fraca” como um fator central na atual fragilidade da Igreja.

Segundo ele, que muitos jovens são educados online, “frequentemente por meio de fontes fragmentadas e polarizadas”, em vez de por meio de ensino estruturado em paróquias ou escolas.

“Uma Igreja sinodal requer não só participação, mas compreensão; não só voz, mas formação”, disse o bispo. “O Povo de Deus não pode discernir em conjunto a menos que consiga articular no que crê e porquê”.

Para Coll, esse anseio por coerência e tradição poderia ser recebido “como uma dádiva para a Igreja, não como um problema a ser administrado”. A sinodalidade “deve manter a escuta e o ensino, o discernimento e a autoridade unidos”, disse ele. “A tarefa não é escolher entre sinodalidade e tradição, mas integrá-las”.

O bispo disse que a renovação “será lenta e, por vezes, irregular”, já que “requer clareza teológica constante e profundidade espiritual”.

“O futuro do catolicismo irlandês dependerá de a Igreja conseguir tornar-se simultaneamente sinodal e coerente: uma Igreja que escuta atentamente, ensina com clareza, forma intencionalmente e dá um testemunho afetuoso num mundo ferido”, concluiu.

IGREJA

 

A Quaresma e os benefícios espirituais do contato com a natureza

Todos os anos, durante a Quaresma, tentamos imitar o tempo de jejum e oração de Jesus, fazendo vários sacrifícios, negando a nós mesmos os nossos alimentos e entretenimento favoritos. No entanto, alguma vez imitamos o tempo que Jesus passou no "deserto"?

O Evangelho de Mateus diz: "Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio" (Mateus 4, 1).

Isso pode parecer um detalhe menor, mas essa ação de Jesus ao sair da cidade e entrar no “deserto” está se tornando cada vez mais relevante (e necessário). Os americanos em particular estão gastando mais tempo dentro de casa, mal vendo a luz do dia. Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA), os americanos passam em média 93% de sua vida dentro de casa.

Nosso estilo de vida moderno criou uma ruptura com a natureza e agora estamos mais familiarizados com edifícios do que com árvores.

Uma das razões pelas quais devemos considerar passar mais tempo fora e em contato com a natureza são os muitos benefícios que isso pode trazer à nossa saúde física e espiritual. De acordo com uma pesquisa, passar mais tempo junto à natureza não apenas diminui a depressão e o estresse, como também melhora nosso comportamento em relação aos outros.

Outro estudo constatou que "os pacientes com vista para as árvores toleravam melhor a dor, pareciam ter menos efeitos negativos e passavam menos tempo em um hospital". Já foi demonstrado que "o contato com a natureza afeta positivamente a pressão arterial, o colesterol e a perspectiva da vida".

Além dos efeitos positivos que pode ter em nossos corpos, a caminhada ao ar livre também beneficia nossas almas. Em um estudo focado em crianças que passam de 5 a 10 horas por semana ao ar livre, as crianças “acreditavam que um poder superior havia criado o mundo natural ao seu redor. Eles também relataram sentir-se impressionadas e humilhadas pelo poder da natureza, ao mesmo tempo em que se sentem felizes e com um sentimento de pertencer ao mundo. ”

O Papa Francisco aponta em sua encíclica Laudato si ', que Jesus olhou ternamente para a natureza e sua beleza levou a muitas conexões espirituais:

"O Senhor pôde convidar outras pessoas a estarem atentas à beleza que existe no mundo, porque ele próprio estava em constante contato com a natureza, prestando-lhe uma atenção cheia de carinho e admiração. Ao percorrer a terra, muitas vezes parava para contemplar a beleza semeada por seu Pai e convidava seus discípulos a perceber uma mensagem divina nas coisas: 'Levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa' (Jo 4,35)".

São Francisco de Assis é um grande exemplo de santo que permitiu que a beleza da natureza penetrasse em sua alma, elevando-a a Deus. Além disso, São Francisco, fiel às Escrituras, convida-nos a ver a natureza como um livro magnífico no qual Deus nos fala e nos dá um vislumbre de sua infinita beleza e bondade. Por esse motivo, pediu que parte do jardim do seu convento sempre permanecesse intocada, para que flores e ervas silvestres pudessem crescer ali, e quem as visse pudesse elevar a mente a Deus, o Criador de tanta beleza.

Portanto, nesta Quaresma, ao considerar um “sacrifício”, tente passar mais tempo junto à natureza, permitindo que a beleza da criação cure sua alma e louvando a Deus pelas maravilhas de sua obra.

SANTO DO DIA

 Hoje é dia da beata Antônia de Florença, a viúva que se tornou religiosa

Hoje (28), é celebrada a beata Antônia de Florença, freira italiana do século XV, que ficou viúva duas vezes e depois foi chamada por Deus para ser freira, tornando-se protagonista de uma reforma em sua família espiritual.

Esposa e mãe

Antônia nasceu em Florença em 1401, casou-se aos 15 anos e teve um filho, mas logo ficou viúva.

Esse segundo golpe a levou a considerar seriamente se o Senhor tinha um plano diferente para ela, longe do casamento ou da vida mundana. Quando seu filho se tornou independente, ela decidiu ser freira.

Antônia foi uma das primeiras mulheres a se consagrar no convento das Irmãs Terciárias Regulares de São Francisco de Assis, em Florença, apesar da oposição de sua família que queria que ela se casasse de novo.  

Mãe espiritual

Em 1430, um ano depois de entrar para o claustro, foi nomeada superiora do convento de Santa Ana em Foligno e, depois de três anos ali, foi enviada para o convento de Santa Isabel em Áquila. Lá teve como diretor espiritual são João de Capistrano, que, junto com são Bernardino de Sena, promoveu a chamada "Observância", a reforma da Ordem de São Francisco de Assis.

Por conta própria, Antônia já havia descoberto a necessidade e a urgência de uma regra mais rígida em torno da pobreza e da caridade. Por isso, são João de Capistrano a incluiu em seu projeto e, com a aprovação do papa Nicolau V, doou a ela o mosteiro de Corpus Christi, que havia sido construído para outra Ordem.

Nesse mosteiro a beata retirou-se com onze das suas irmãs em 1447 com o propósito de praticar a regra originária de santa Clara de Assis com todo o seu rigor. São João de Capistrano confiou-lhe a direção do mosteiro e pediu-lhe expressamente que fosse modelo do novo espírito “observante”.

Legado

A beata Antônia foi uma superiora modelo, uma reformadora de costumes, um exemplo de virtudes e obediência. Durante os últimos 15 anos de sua vida, ela teve que suportar uma doença dolorosa, além de outras provações espirituais.

Ela morreu com 71 anos, em 28 de fevereiro de 1472. A cidade de Áquila a venerou como santa desde sua morte e seu culto foi confirmado em 1847.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de sábado: para sermos bons filhos, dizer bom dia

Comentário ao Evangelho de sábado da I semana da Quaresma. «Se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário?». Num mundo cheio de gente com má cara, somos os cristãos que estamos chamados e contagiar com o sorriso, fruto de nos sabermos filhos do Pai.


 Evangelho (Mt 5, 43-48)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».


Comentário

Deus não esperou que nós O amássemos. «Amou-nos primeiro» (1Jo 4, 19). Mas não só isso: também nos amou depois do pecado original. Ele ama-nos antes, durante e depois de cada queda. Ele ama-nos apesar de nós próprios. E depois da Cruz, ele olha para nós como aqueles por quem o seu Filho deu a sua vida. Valemos todo o sangue de Cristo. Por outras palavras, valemos tudo para Deus.

É assim que o Senhor se comporta, e é assim que Ele aspira a que nos comportemos. O problema é que, no nosso caso, as desculpas surgem rapidamente.

O vizinho, que acho antipático, porque uma vez não me cumprimentou. A senhora da loja da esquina que uma vez me atendeu sem sequer olhar para mim. O funcionário do balcão do banco que nada faz para resolver o meu problema.

A minha cunhada, que é muito severa. O meu patrão, que é insuportável. Os meus filhos, que são impossíveis de aturar.

E assim por diante, poderíamos continuar com uma lista infinita. De cada pessoa que conhecemos, poderíamos mencionar um defeito, um erro cometido, mesmo um mal que nos tenham causado. Mas Jesus, neste trecho do Sermão da Montanha, deixa muito claro: não há desculpa. O Senhor amou-nos primeiro, e por todos deu a sua vida. Jesus não se recusou a saudar ninguém: nem mesmo Judas no Jardim das Oliveiras.

Num mundo cheio de obscuridade, os cristãos são chamados a trazer luz. Num mundo cheio de caras tristes, os cristãos são chamados a espalhar sorrisos. Num mundo cheio de olhos no chão e de ouvidos ocupados com auscultadores, os cristãos são chamados a dizer sempre, aconteça o que acontecer, bom dia.

Os avanços das neurociências levaram a uma compreensão crescente da razão pela qual o sorriso é contagioso. As explicações são muito profundas, mas o que nos interessa aqui é a ratificação do facto: o riso, a ciência confirma, é contagioso.

Nunca sabemos o que poderá acontecer depois dessa saudação. Talvez seja o primeiro passo para o «fogo de Cristo que levamos nos nossos corações»[1] começar a aquecer outras vidas. Se lhe parecer que ninguém à sua volta sorri, comece por sorrir, «para poder ser filho do vosso Pai que está nos céus». Terá certamente mais do que uma surpresa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Redescobrindo o silêncio na Quaresma

São Bento, em sua Regra, observa que é muito difícil viver o ano todo em harmonia com a própria vocação. Realista, ele se propõe, pelo menos durante a Quaresma, como explica Dom Samuel, abade cisterciense de Nový Dvůr (República Tcheca), redescobrir o silêncio como semente de unidade.

Aperseverança na busca do silêncio pode dar belos frutos de conversão e reorientar-nos para a unidade, quando a turbulência do mundo nos sobrecarrega e dispersa. Com efeito, como pode o “nós” do “Pai-Nosso” tornar-se fermento do Reino quando as nossas sensibilidades litúrgicas nos dividem, quando as legítimas opiniões políticas que nos distinguem sistematicamente se azedam, quando as nossas famílias, as nossas comunidades religiosas, as nossas paróquias se sufocam com conflitos mesquinhos?

O remédio não se encontra em uma indulgência ingênua que aceita tudo e qualquer coisa, em um sincretismo brando que renuncia à busca da verdade: "Todo mundo é bonito, todo mundo é bom...", nem em um endurecimento de posições que não respeitam nenhuma divergência. O remédio está no silêncio que abre de par em par a porta ao Senhor, o único capaz de iluminar e restaurar tudo, uma porta sempre estreita, a do Evangelho. 

Tempo de oração

O cristão é convidado a rezar a Deus Pai "nosso". Para que a Quaresma seja um tempo privilegiado de oração, deve tornar-se também um tempo dedicado a fortalecer este “nós”. O "nós", entre nós... Na Missa, todas as orações são expressas em "nós": "nós te pedimos", que essas ofertas "se tornem por nós...", "nós te oferecemos", "nós te damos graças", "nós te pedimos", que "possamos ser reunidos em um só corpo". As únicas orações que se expressam no "eu" são aquelas em que cada um pede perdão pelas próprias faltas: "Confesso-me a Deus...", "Senhor, não sou digno de receber-te..." 

Na escuridão de um silêncio profundo, o caminho a seguir torna-se claro, e isso é suficiente. 

Como podemos orar dizendo "nós" quando estamos assim divididos? Como pode este “nós” atingir a abóbada das nossas igrejas, crescer desde a nave até ao transepto, ressoar como que em eco: nós, nós, nós... Será que o "nós" dos membros dos quais Cristo é a Cabeça finalmente será capaz de se dirigir ao "nosso" Pai com uma só voz, a de Cristo? Mas isso não diz respeito apenas aos cristãos. Isto diz respeito ao imenso povo do qual os cristãos são os representantes diante de Deus nosso Pai, sustentados pelas orações dos monges, todos os habitantes deste mundo com os quais somos solidários.

Quieto...

Como o silêncio pode fortalecer esse "nós"? Colocado na Regra de São Bento entre a obediência e a humildade, o silêncio é um dom de Deus. Para recebê-lo, cabe a nós ficar em silêncio e ouvir. Silenciar as queixas geradas pelas dificuldades que nos ultrapassam, pelas desilusões inesperadas, sempre que os acontecimentos nos surpreendem ou quando os outros que nos rodeiam não reagem como esperávamos.

Para silenciar as falsas ambições que nos habitam, os sonhos de ser santos diante de Deus alcançaram essa transformação em seu próprio ritmo. Silenciar os desejos de dominar, de estar certo contra todos, de saber melhor do que todos, de segurar nossas vidas em nossas mãos. Silencie os projetos que descarrilam, as emoções vãs, os desejos que escondem becos sem saída. Calar-se para se livrar das mil e uma imagens que entulham a imaginação e velam a pureza do olhar: essas imagens e sons artificiais dos quais é tão difícil se desprender.

… e ouça

Calar-se e escutar, especialmente na oração, diante do sacrário onde Jesus ressuscitado nos fala, calando-se. Silencie nossos sentimentos. Silencie nossa agitação. Para silenciar até mesmo nossos belos pensamentos. Silencie as orações automáticas onde você cuida de si mesmo.

Calar-se sobre tudo isto, recuperar a confiança do filho que segura a mão do Pai e não pede mais do que a sua presença. Na escuridão de um silêncio profundo, o caminho a seguir torna-se claro, e isso é suficiente. É o trabalho de uma vida. Portanto, sejamos pacientes, gratos pelos fragmentos de silêncio recebidos e, acima de tudo, perseverando em procurá-lo incansavelmente.