terça-feira, 21 de abril de 2026

IGREJA

 Idosos 'devem ser escutados', diz Leão XIV em asilo de Angola

O papa Leão XIV viajou hoje (20) para Saurimo, Angola, onde visitou um lar para idosos, que, segundo ele, têm uma sabedoria que deve ser ouvida.

O papa iniciou sua breve saudação agradecendo às pessoas presentes pela acolhida repleta de fé, dizendo que ela "tocou seu coração" e lhe dá “um grande conforto em sua missão".

“Tocou-me saber que chamais este espaço ‘lar’, uma palavra que remete para a família”, disse ele. “Dou graças a Deus por isto e espero que, na medida do possível, todos possais realmente viver aqui num ambiente familiar”.

“Jesus gostava de estar na casa dos seus amigos”, disse o papa. “Por isso mesmo, caríssimos, gosto de pensar que Jesus também habita aqui, neste lar. Sim, Ele habita no meio de vós sempre que procurais amar-vos e ajudar-vos mutuamente, como irmãos e irmãs”.

“Sempre que, depois de um mal-entendido ou de uma pequena ofensa, sois capazes de vos perdoar e reconciliar”, disse Leão XIV. “Sempre que, alguns de vós ou todos juntos, rezais com simplicidade e humildade”.

“O cuidado das pessoas mais frágeis é um sinal muito importante da qualidade da vida social de um país”, disse ele. “E não nos esqueçamos: os idosos não devem só ser assistidos, mas, em primeiro lugar, devem ser escutados, pois guardam a sabedoria de um povo”.

Depois de concluir sua visita ao lar de idosos, o papa vai à esplanada de Saurimo para a celebração da missa. Saurimo, elevada à categoria de diocese pelo papa são Paulo VI em 1975, foi depois elevada à categoria de arquidiocese pelo papa Bento XVI, dois anos depois da viagem apostólica do papa alemão a Angola, em março de 2009.

IGREJA

 Cristo não é 'um guru ou um amuleto da sorte', diz o papa em missa em Angola

O papa Leão XIV alertou, em missa celebrada hoje (20) em Saurimo, Angola, sobre o perigo de transformar Deus num ídolo, buscado só quando conveniente — “quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso”.

“Existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte”, disse hoje o papa, referindo-se à reação das multidões na leitura do Evangelho depois de Jesus Cristo fazer o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

“Eles não procuram, efetivamente, um mestre a quem amar, mas um líder a reverenciar por interesse”, disse ele.

Fé alegre em Saurimo

Desde sua chegada à África Subsaariana — primeiro em Camarões e depois em Angola — o papa Leão XIV foi recebido por fiéis. Em Saurimo, cidade no nordeste de Angola, o sucessor de são Pedro foi recebido com cânticos, danças e aplausos.

Apesar do calor intenso, ao chegar à esplanada antes da missa, Leão XIV saudou cerca de 60 mil fiéis de todas as idades que vieram de toda a região e de dioceses vizinhas fazendo um percurso no papamóvel.

“Essa é a primeira vez que um papa vai além da zona costeira de Angola e vem — usando as palavras do papa Francisco — às periferias”, disse o diretor do escritório de comunicação da Arquidiocese de Saurimo. “Esta é uma região rica em diamantes, mas também com muita pobreza, e ele vem aqui para mostrar a nossa realidade. Para nós, ter o Santo Padre em nossa região é uma grande alegria”.

“Este é um momento único e inesquecível na minha vida e na vida dos muitos peregrinos que estão aqui hoje”, disse Filomena Vunda, que trabalha na secretaria pastoral da arquidiocese de Malanje, à ACI Africa, agência da EWTN na África, na missa.

Vunda incentivou os não-católicos em Angola a "manterem em mente nossa palavra africana, Ubuntu: A felicidade dos outros depende de mim; minha felicidade depende unicamente da felicidade dos outros".

Ubuntu é uma filosofia africana sobre a interconexão humana. Pode ser traduzida como "Eu sou porque nós somos".

'Discípulos de Cristo'

Em sua homilia na missa, concelebrada por bispos angolanos, o papa Leão XIV disse: “Em todas as partes do mundo, a Igreja vive como povo que caminha no seguimento de Cristo, nosso irmão e Redentor”.

"Ele, o Ressuscitado, ilumina-nos a via para o Pai e santifica-nos com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor", disse o papa. "Essa é a Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho".

“Quando o Filho de Deus se faz homem, realiza gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos”, disse Leão XIV sobre o Evangelho do dia. “Quem ouve falar destas obras põe-se à procura de Jesus. Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor”.

“Com efeito, à gente que o seguia [o Senhor] diz: Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes (Jo 6, 26)”, disse o papa. “As suas palavras manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, vê-O como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam”.

“O mesmo acontece quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura só quando nos serve e enquanto nos serve”, disse ele. “Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prêmio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe”.

“Bem diferente é a atitude de Jesus para conosco: Ele não rejeita esta procura insincera, mas incentiva à sua conversão”, disse Leão XIV. “Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser”.

“A advertência que o Senhor dirige à multidão transforma-se assim num convite: Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna (Jo 6, 27)”, disse o papa.

“O seu dom ilumina o nosso presente: com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza”, disse ele. “Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”.

“Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos”, disse Leão XIV.

“Por isso, seguindo Jesus, o caminho eclesial é sempre um ‘Sínodo da ressurreição e da esperança’, como disse são João Paulo II na sua exortação apostólica para a África: continuemos nessa sábia direção”, disse o papa. “Com o Evangelho no coração, tereis coragem diante das dificuldades e desilusões: o caminho, que Deus abriu para nós, nunca desilude. O Senhor caminha sempre ao nosso lado, para que possamos prosseguir na sua estrada: o próprio Cristo dá orientação e força à caminhada, uma caminhada que queremos aprender a viver cada vez mais como deve ser, ou seja, de modo sinodal”.

Leão XIV concluiu falando sobre a importância dos mártires e santos, cujo testemunho “encoraja-nos e impele-nos a um caminho de esperança, de reconciliação e de paz, ao longo do qual o dom de Deus se torna o compromisso do homem na família, na comunidade cristã, na sociedade civil”.

“A vitalidade das vocações que vivenciais é, de modo particular, sinal da correspondência ao dom do Senhor, sempre abundante para quem o acolhe com coração puro", disse ele.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado santo Anselmo de Cantuária, doutor da Igreja

Santo Anselmo foi um monge beneditino nomeado arcebispo de Cantuária na Inglaterra, proclamado doutor da Igreja em 1720 pelo papa Clemente XI e considerado um dos maiores teólogos e filósofos de seu tempo. Sua festa é celebrada hoje (21).

É conhecido como “o pai da escolástica”. Como teólogo, é lembrado por suas importantes obras e sua defesa da Imaculada Conceição, e como filósofo, por seu célebre argumento ontológico.

Este santo, que contava com uma piedade e caridade transbordante, é precursor de santo Tomás de Aquino, pois a Igreja não havia tido um metafísico de sua estatura desde a época de santo Agostinho. Além disso, é um dos autores mais lidos por professores de teologia durante séculos.

Também foi um hábil mestre para seus irmãos da Ordem de São Bento, aos quais ensinou teologia, e um lutador para conseguir a liberdade da Igreja apesar de sofrer banimento.

Nasceu no ano 1033 em Aosta de Piamonte (Alpes italianos), em uma família nobre. Sua educação foi encarregada aos padre beneditinos, depois de sofrer pela excessiva rigorosidade e diversos maus-tratos de seu antigo professor leigo.

Depois da morte de sua mãe e devido a uma má relação com seu pai, Anselmo abandonou sua casa. Em 1060, aos 27 anos, ingressou no mosteiro de Bec (Normandia), onde se tornou discípulo e grande amigo de Lanfranco, arcebispo de Cantuária.

Três anos mais tarde, ocupou o cargo de prior do mosteiro, depois que Lanfranco foi enviado para assumir a abadia dos Homens (Normandia).

Como prior de Bec, Anselmo compôs suas duas obras mais conhecidas que serviram para integrar a filosofia e a teologia: “Monologium” (meditações sobre as razões da fé), no qual dava as provas metafísicas da existência e natureza de Deus, e “Proslogium” (a fé que busca a inteligência), ou contemplação dos atributos de Deus.

Do mesmo modo, compôs os tratados da verdade, da liberdade, da origem do mal e da arte de raciocinar.

Em 1078, o santo foi eleito abade de Bec, o que o obrigava a viajar com frequência para a Inglaterra, onde a abadia contava com algumas propriedades.

Após a morte de Lanfranco (1089), Anselmo viajou para a Inglaterra, onde foi nomeado Arcebispo em 4 de dezembro de 1093, embora inicialmente o rei Guilherme, o Vermelho, tenha se oposto. Este último foi hostil com os católicos daquela época e até mesmo baniu Santo Anselmo.

O santo passou um tempo no mosteiro de Campania (Itália) por razões de saúde e ali terminou sua famosa obra “Cur Deus homo”, o mais famoso tratado que existe sobre a Encarnação. Depois, sofreria mais um banimento e regressaria para a Inglaterra.

Faleceu no ano 1109, idoso e debilitado por sua idade, entre os monges de Cantuária. Suas últimas palavras antes de morrer foram: “Onde estão as verdadeiras alegrias celestes, devem estar sempre os desejos do nosso coração”. Foi canonizado em 1494. 

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de terça-feira: a Eucaristia enche-nos de vida

Comentário ao Evangelho de terça-feira da III semana da Páscoa. «Jesus respondeu-lhes: ‘Eu sou o pão da vida’». Jesus ressuscitado espera-nos na Eucaristia para nos dar a sua vida e encher-nos com essa energia com que transformamos o mundo.


Evangelho (Jo 6, 30-35)

Naquele tempo, disse a multidão a Jesus:

«Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: ‘Deu-lhes a comer um pão que veio do céu’».

Jesus respondeu-lhes:

«Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés que vos deu o pão que vem do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo».

Disseram-Lhe eles:

«Senhor, dá-nos sempre desse pão».

Jesus respondeu-lhes:

«Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».


Comentário

No Evangelho da Missa de hoje, Jesus apresenta-se como o pão que dá a vida ao mundo. Ao lermos esta passagem durante a época pascal, podemos recordar que Cristo vive e que n’Ele está a fonte da vida. Tudo o que é grande e belo no nosso mundo, tudo o que nos enche de energia e nos faz experimentar que vale a pena viver, está de algum modo ligado a Jesus. S. João diz: «Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens» (Jo 1, 3-4).

Em Jesus temos tudo. Por isso, podemos dizer com as personagens do Evangelho: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Quando no nosso coração sentimos um vazio ou sentimos que nos falta a força para enfrentar o nosso trabalho diário... que grande remédio temos na participação na Eucaristia! Aí reacendemos a nossa paixão de viver e de levar ao mundo a alegria de saber que somos amados por Deus.

A Missa é o momento de nos deixarmos renovar por Nosso Senhor. S. Josemaria confidenciou a sua própria experiência: «rezando ao pé do altar ao Deus que enche de alegria a minha juventude, sinto-me muito jovem, e sei que nunca me considerarei velho, porque se me mantiver fiel ao meu Deus, o Amor vivificar-me-á continuamente: a minha juventude se renovará como a da águia»[1].

Queremos que esta vitalidade que o Senhor nos dá não permaneça fechada dentro de nós, mas que transborde nas nossas atividades diárias e nas pessoas que encontramos durante o dia. Será útil para nós deixarmos no altar o que temos nas nossas mãos: projetos, sonhos, preocupações. O Senhor o tomará e fará próprio. Deixará de ser algo meramente humano para ser transformado, pela ação da graça, num alimento que dá vida ao mundo.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

espiritualidade

 

Ansiedade? Confie suas tensões ao Imaculado Coração de Maria

Como toda boa mãe, a Santíssima Virgem olhará por nós com ternura e nos confortará em nossas ansiedades

Quando a Santíssima Virgem Maria foi assunta ao Céu por seu Filho Jesus, ela nada perdeu da sua maternidade. Aliás, no Céu, o seu carinho maternal só se multiplicou: ela é, por desejo de Jesus, a mãe de todos nós - e isto significa que podemos e devemos recorrer a ela, como filhos confiantes, em todos os nossos momentos de necessidade.

Ela nos volta o seu olhar com ternura e acolhe as nossas ansiedades e preocupações. Unida ao seu Filho, Maria pode levar as nossas necessidades até Ele e interceder por graças especiais a fim de aliviar o nosso coração cansado.

Oração ao Imaculado Coração

Eis uma oração que nos recorda que o Coração Imaculado de Maria é para nós um refúgio durante as tempestades da vida:

Coração de Maria, Mãe de Deus, nossa Mãe,
Coração semelhante ao de Jesus,
sempre compassivo para com as nossas misérias,
reaquecei os nossos corações gelados
e transformai-os, à semelhança do Coração de Jesus.

Sede a estrada que nos conduz a Jesus;
sede o canal pelo qual recebemos todas as graças
necessárias à nossa salvação.
Sede nosso auxílio na necessidade,
nosso conforto na angústia,
nossa força na tentação,
nosso refúgio na perseguição,
nossa ajuda nos perigos e,
principalmente, na última luta de nossa vida,
no momento de nossa morte.

Quão grande é a doçura do vosso Coração de Mãe
e o poder do vosso poder junto ao Coração de Jesus,
abrindo-nos, na própria fonte da misericórdia,
um refúgio seguro,
para que um dia nós também possamos
unir-nos a vós no paraíso para louvar o Coração de Jesus
por toda a eternidade. Amém.

ESPIRITUALIDADE

 

Ofereça a sua ansiedade a Deus

Reze esta oração e preencha a sua alma com a paz de que tanto você precisa

Aansiedade é um dos sentimentos mais desafiadores para o ser humano. Ela coloca todo o seu corpo no limite, o que pode gerar outros sofrimentos emocionais e corporais difíceis de suportar.

Embora não exista uma solução única para trazer paz duradoura à sua mente e alma, é importante oferecer seu sofrimento a Deus. Isso vale para qualquer tipo de sofrimento. Essa oferta de oração é um acréscimo a qualquer tratamento que possamos estar passando para sanar as causas físicas e mentais da ansiedade.

O que quer que esteja pesando em seu coração, una seu sofrimento a Jesus na cruz ou mesmo ao sofrimento que Jesus pode ter tido como um bebê em Belém. Deixe a paz de Deus invadir a sua alma.

Aqui está uma oração adaptada do The Family Prayer Book ("O Livro da Família"), publicado em 1845:

Que minha alma não se perturbe, ó meu querido Salvador, e que eu não tenha medo. Eu acredito que vós, Senhor, sois o bem maior. Ajudai-me a encarar esse assunto à vossa verdadeira luz. Que vossa vontade seja feita na terra como no céu. Dai-me a graça de cumprir vossa vontade celestial.

Eu me ofereço a vós e vos entrego a minha ansiedade atual. Aceitai-me, eu vos rogo, e suportai-me com isso e com todo cuidado mundano. Com a eternidade diante de mim, deixai-me ver as coisas em sua verdadeira luz.

Concedei-me a paz verdadeira e permanente e ajudai-me a fazer todas as coisas para a vossa glória e, assim, ser admitido no descanso eterno. Amém.