sábado, 21 de março de 2026

IGREJA

 

A violência nunca pode levar à paz, adverte o Papa Leão

O Papa Leão destaca o Líbano como particularmente preocupante em meio a duas semanas da "horrível violência da guerra".

apa Leão fez mais um apelo pelo fim da guerra no Oriente Médio, alertando que "a violência nunca pode levar à justiça, estabilidade e paz que os povos estão esperando".

Ele chamou atenção particular para a situação do Líbano, que tem a mais alta presença cristã na Terra Santa.

O número de mortos no Líbano desde 28 de fevereiro está se aproximando de 1.000, incluindo 12 profissionais de saúde que foram mortos em uma greve em um centro médico na noite de sexta-feira. Até 1 milhão de pessoas são deslocadas e não têm para onde ir, vivem em barracas ou abrigos improvisados nas ruas.

Em 9 de março, o padre Pierre Al-Rahi, pároco de Qlayaa, no sul do Líbano, foi morto.

Aqui está o que o Papa Leão disse depois de rezar o meio-dia Angelus:

Há duas semanas, os povos do Oriente Médio têm sofrido a horrível violência da guerra. Milhares de pessoas inocentes foram mortas e inúmeras outras foram forçadas a fugir de suas casas. Renovo minha proximidade de oração com todos os que perderam entes queridos nos ataques, que atingiram escolas, hospitais e áreas residenciais.

A situação no Líbano é motivo de grande preocupação. Espero que surjam caminhos para o diálogo para apoiar as autoridades do país na implementação de soluções duradouras para a grave crise que se desenrola atualmente, para o bem comum de todo o povo libanês.

Em nome dos cristãos do Oriente Médio e de todas as mulheres e homens de boa vontade, apelo aos responsáveis por este conflito: Cessem o fogo! Que os caminhos do diálogo sejam reabertos! A violência nunca pode levar à justiça, estabilidade e paz que os povos estão esperando.

RELIGIÃO

 

Como o jejum pode nos tornar menos egoístas

O jejum durante a Quaresma pode reorientar a nossa vida e nos deixar mais focados nos outros

Ojejum é uma disciplina quaresmal que a maioria de nós não gosta de praticar ou não adota plenamente. Não gostamos do sacrifício de sentir fome.

No entanto, é grande a importância do jejum como disciplina espiritual capaz de nos ajudar a ser menos egoístas e mais abertos às outras pessoas.

O Papa Bento XVI em sua mensagem de Quaresma em 2011, destacou:

"O jejum, que pode ter várias motivações, assume para o cristão um significado profundamente religioso: tornando a nossa mesa mais pobre, aprendemos a vencer o egoísmo para viver na lógica do dom e do amor; suportando alguma forma de privação – e não apenas o excesso – aprendemos a desviar o olhar do nosso 'eu', a descobrir Alguém próximo de nós e a reconhecer Deus no rosto de tantos irmãos e irmãs. Para os cristãos, o jejum, longe de ser deprimente, nos abre cada vez mais a Deus e às necessidades dos outros, permitindo assim que o amor a Deus se torne também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31)".

É tentador pensar no jejum como algo opressivo e desnecessário, mas ele pode ter um efeito espiritual surpreendente se o abraçarmos a sério.

A atitude-chave é deixar o jejum abrir os nossos olhos para os pobres entre nós e reconhecer o quanto Deus nos deu. Essa percepção deve inspirar-nos a servir os pobres em nossa comunidade local e a fazer o que pudermos para retribuir aos menos afortunados.

Sempre que jejuarmos durante a Quaresma, ou em outras épocas do ano, deixemos que a graça de Deus penetre em nosso coração e nos ajude a ser menos egoístas em nossa vida.

SANTO DO DIA

 Hoje é dia de santa Maria Francisca das Cinco Chagas, freira que recebeu os estigmas


Hoje (21), a Igreja lembra santa Maria Francisca das Cinco Chagas, freira italiana que carregou em seu próprio corpo as feridas de Cristo: as dos pés, das mãos e do lado. Por isso a tradição recorda esta santa evocando, a partir do nome, as chagas de Nosso Senhor. Hoje, vários séculos depois da sua morte, seu corpo continua incorrupto.

De nascimento humilde

O nome de santa Maria Francisca era Ana Maria Gallo, mulher nascida em Nápoles, Itália, filha de comerciantes que viviam no antigo bairro espanhol da cidade, conhecido pela sua precariedade. Deus concedeu a Maria Francisca o dom da profecia, bem como o dom de sentir as dores da Paixão e Morte de Jesus. Os napolitanos professam-lhe grande devoção e atribuem-lhe o mérito de ter intercedido por eles durante os bombardeios sofridos na Segunda Guerra Mundial. Como sinal deste favor, o bairro onde vivia ficou intacto durante os ataques, apesar da sua ferocidade.

Ana Maria Gallo nasceu em 6 de outubro de 1715. Começou a trabalhar ainda criança, forçada pelo pai, que tinha uma fábrica de fios e armarinho. A sua mãe, uma mulher muito piedosa, lia-lhe livros sobre a fé cristã e a levava para rezar na igreja de Santa Lucia da Cruz. O padre local, admirado pela piedade e conhecimento do catecismo, permitiu-lhe fazer a primeira comunhão aos oito anos e depois de um ano tornar-se catequista infantil.

Um pai violento

Quando fez 16 anos, o pai de Maria Francisca decidiu comprometê-la em casamento com um jovem rico, mas ela se recusou a aceitar o compromisso. Ela havia prometido a Deus permanecer solteira e virgem para se dedicar à vida espiritual e à salvação das almas.

O pai rejeitou tal desejo e puniu-a trancando-a em casa. Como se isso não bastasse, ele constantemente a maltratava, espancando-a e alimentando-a apenas com pão e água. Aqueles dias foram muito difíceis para Maria Francisca, mas, ao mesmo tempo, tornaram-se uma ocasião de maior proximidade com o coração sofredor de Jesus, com quem dividiu as suas dores. A mãe de Maria Francisca, sozinha, conseguiu que um padre franciscano convencesse o marido de que as reivindicações da filha não eram imaturas e nasciam de um coração que amava a Deus.

Em 8 de setembro de 1731, Maria Francisca recebeu o hábito da ordem terciária franciscana e, ao contrário do que se poderia esperar, pediu permissão para viver na casa da família como freira. Em casa, ela cuidava dos afazeres domésticos e das tarefas mais simples. Através delas ia conectando cada vez mais a sua alma com Deus, no serviço e na oração, fazendo do simples uma oferta de amor. Maria Francisca começou a cair em êxtase, absorta em meditar nas dores do Senhor. Muitas vezes, absorta no arrebatamento místico, Nossa Senhora apareceu-lhe para lhe dar conforto e fazer alguns pedidos espirituais.

Misticismo

Depois da morte da mãe, a santa deixou a casa da família e mudou-se para o campo na companhia de outras terciárias. Ela ficou lá pelos próximos 38 anos de sua vida, até sua morte. Foi uma vida dedicada à oração, à penitência e ao sacrifício, de zelo constante para resgatar as almas do purgatório e conseguir a conversão dos pecadores. É nesta fase que ela teria recebido os estigmas de Cristo.

Santa Maria Francisca das Cinco Chagas morreu santamente em 6 de outubro de 1791. Foi declarada venerável pelo papa Pio VII em 18 de maio de 1803; depois beatificada por Gregório XVI  em 12 de novembro de 1843 e finalmente proclamada santa pelo papa Pio IX, em 29 de junho de 1867.

Em 1901 foi declarada co-padroeira da cidade de Nápoles junto com são Januário.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sábado: ouvir Jesus

Comentário ao Evangelho de sábado da IV semana da Quaresma. «Nunca ninguém falou como esse homem». As personagens do evangelho mostram diferentes maneiras de escutar Jesus e convidam-nos a deixar que as suas palavras se transformem em vida.


Evangelho (Jo 7, 40-53)

Naquele tempo, alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão:

«Ele é realmente o Profeta».

Outros afirmavam:

«É o Messias».

Outros, porém, diziam:

«Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?»

Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos. Então os guardas do templo foram ter com os príncipes dos sacerdotes e com os fariseus e estes perguntaram-lhes:

«Porque não O trouxestes?».

Os guardas responderam:

«Nunca ninguém falou como esse homem».

Os fariseus replicaram:

«Também vos deixastes seduzir? Porventura acreditou n’Ele algum dos chefes ou dos fariseus? Mas essa gente, que não conhece a Lei, está maldita».

Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles:

«Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?».

Responderam-lhe:

«Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta».

E cada um voltou para sua casa.


Comentário

Os Evangelhos contam-nos que ao longo da vida de Jesus muitas pessoas ouviram as suas palavras, em diferentes momentos e lugares: no Templo ou na sinagoga, numa casa, durante uma refeição ou na margem do mar. Mas nem todos o escutavam com a mesma disposição.

A passagem de S. João que a liturgia nos propõe hoje mostra-nos um leque de atitudes na escuta do Senhor. Por um lado, encontramos os que o consideravam “o profeta” esperado por Israel, ou o “Cristo”, o Messias davídico que salvaria o seu povo; por outro lado alguns viam-no como um impostor e queriam prendê-lo.

A presença de Jesus, naquela altura como agora, é motivo de desacordo, de divisão, «sinal de contradição a fim de que se descubram os pensamentos de muitos corações» (Lc 2, 34-35).

Os guardas enviados pelos sacerdotes e fariseus para prender Jesus ficam admirados ao escutar a sua palavra: «Nunca ninguém falou como esse homem». Estas personagens secundárias e sem nome recordam-nos a necessidade de escutar a palavra de Deus com simplicidade e coração aberto à vontade divina.

Pelo contrário, os fariseus ficam encerrados nas suas ideias e posições. Um conhecimento rígido da Escritura e da tradição não lhes permite deixar-se surpreender pela novidade da palavra do Senhor.

Essa palavra continua a ressoar nos nossos ouvidos e, como nos sugere Nicodemos – um dos poucos fariseus prudentes e abertos –, não podemos tomar decisões sem ter ouvido antes esse Homem e conhecer o que fez por nós. Se o escutamos com coração simples, como Maria de Betânia estaremos «sentados aos pés do Senhor, escutando a sua palavra» (Lc 10, 39) ou como Pedro reconheceremos que só as palavras de Jesus nos salvam: «a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).

Em suma as palavras de Jesus, que encontramos na leitura quotidiana do Evangelho, falam-nos da nossa vida, ensinam-nos a vontade do Pai nos nossos afazeres quotidianos. Por isso «temos de reproduzir, na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo: à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar»[1].

sexta-feira, 20 de março de 2026

RELIGIÃO

 

Quaresma: o jejum que verdadeiramente agrada a Deus

O jejum que Deus quer é aquele que é fruto da humildade. O próprio Jesus disse que há certos pedidos e certas orações que só conseguiremos somados a jejum e penitência

AQuaresma é um tempo privilegiado para intensificar nossa conversão, mudança de vida, transformação de nossa consciência e do modo de agir. Muito propício para o Tempo de Quaresma é o exercício penitencial do jejum, tão esquecido e desvirtuado atualmente. 

Fala-se muito em jejum “detox”, jejum intermitente, que podem ser ferramentas eficazes para emagrecer, mas não tem nenhum valor espiritual. É importante observar que o jejum não é uma dieta, mas uma pratica espiritual que aumenta nossa intimidade com Deus, e fortalece a virtude da temperança.

Segundo Santo Agostinho, o jejum “purifica a alma, eleva a mente, subordina a carne ao espírito, cria um coração humilde e contrito, espalha as nuvens da concupiscência, extingue o fogo da luxúria e acende a verdadeira luz da castidade” (Sermão sobre a oração e o jejum).

Podem e devem fazer jejum todos os católicos maiores de idade até os 60 anos completos. 

Como fazer jejum?

Vou citar o básico, chamado jejum da Igreja, é aquele em que se toma o café da manhã e deixa-se de fazer uma refeição, a escolha almoço ou jantar, substituindo a refeição escolhida por um lanche simples. O importante é não comer nada fora dessas refeições.

O jejum que Deus quer é aquele que é fruto da humildade. O próprio Jesus disse que há certos pedidos e certas orações que só conseguiremos somados a jejum e penitência (cf. Mt 17,20).  Jejuar e orar nos ensinam a confiar mais em Deus e no seu auxílio, bem como vencer as batalhas espirituais.

De nada adianta o jejum se o coração é orgulhoso, se a língua é ferina, e se usamos do jejum para prática da injustiça, porque o jejum que agrada a Deus, como Ele diz através do Profeta Isaías, é aquele que quebra a cadeia da injustiça, é aquele que rompe, liberta os que estão sendo oprimidos. 

Jejum verdadeiro

O jejum verdadeiro é aquele que partilhamos o alimento com quem não tem, a prática da caridade faz parte do jejum. 

O jejum que agrada a Deus e que nos é proposto como prática quaresmal inclui obra de caridade, é cobrir o que está nu, levar o consolo aos doentes, dar pão a quem tem fome, água a quem tem sede.  Esse é o jejum verdadeiro que brota de um espírito contrito. Só assim não será só mais um gesto externo, mas sim uma transformação de vida.

A oração suplica a Deus, o jejum ajuda a alcançar a graça e a caridade estende-se a quem necessita.

Que Deus nos ajude a viver santamente o tempo da Quaresma!