sexta-feira, 8 de maio de 2026

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sexta-feira: amigo de todos

Comentário ao Evangelho de sexta-feira da V semana da Páscoa. «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e vos destinei, para que vades e deis fruto». Jesus, ao chamar-nos, amou-nos primeiro, para que levemos o amor divino aos nossos iguais.


Evangelho (Jo 15, 12-17)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e vos destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».


Comentário

Há anos, na sua primeira encíclica, Bento XVI perguntava-se: «O amor pode ser mandado?»[1]. Muitas pessoas consideram que o amor é um sentimento, talvez o mais nobre mas, ao fim e ao cabo, sujeito às vicissitudes do coração humano. Mas podemos considerar esse amor primeiro de Deus para connosco: «Na história de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos – até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até às aparições do Ressuscitado e às grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente»[2]. Na verdade, Jesus manifestou-Se como o nosso melhor amigo. Ele encarna o oráculo do profeta: «Com amor eterno Eu te amei» (Jr 31, 3).

Em Jesus, o amor não é frágil nem efémero. É eterno, mais forte do que a morte (cf. Ct 8, 6). A amizade que Ele nos manifestou, além de ser o próprio Amor incriado, é também humana, um exemplo que, com a graça de Deus, é capaz de nos arrastar para nos lançarmos também nós a dar a vida pelos outros, em inúmeros pormenores: escutar, servir, aconselhar, perdoar, cuidar, etc., «especialmente aos irmãos na fé» (Gl 6, 10). Mas também «a todos» (ibid.), porque, com o amor de Cristo, todos podem chegar a ser amigos: não só aqueles com quem temos mais afinidades, mas também os que pensam de maneira diferente ou não atuam conforme as nossas expectativas. Quando Judas entregou o Mestre com um beijo, Este respondeu-lhe: «Amigo, a que vieste?» (Mt 26, 50).

O Amor é prerrogativa de Deus; poderíamos dizer que Ele tem a “patente”: «Não há amor, senão o Amor»[3], escreve S. Josemaria. O discípulo de Cristo, escolhido por Deus com vocação divina, tem este formoso encargo: enquanto vai transformando o seu coração à medida do coração do Mestre, aprende a amar os outros e vai produzindo neles os frutos saborosos e duradouros do Amor de Deus.


santo do dia

 Hoje é a festa de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina

Hoje (8), é celebrada a festa de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, que também é a protetora dos motoristas e das estradas , assim como da Polícia Federal desse país.

Durante o ano 1630, o português Antônio Farias, fazendeiro de Sumampa no território de Córdoba do Tucumán, pediu a um amigo marinheiro que lhe enviasse do Brasil uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, pois queria venerá-la em uma capela que estava construindo.

Assim, duas imagens chegaram para aquele homem: uma era conforme ele havia pedido e a outra era a Mãe de Deus com um menino em seus braços. Ambas foram colocadas em duas caixas dentro de uma charrete. Ao chegar às margens do Rio Luján, na fazenda de Rosendo, os carregadores pararam para passar a noite.

No dia seguinte, numa clara manhã de maio, quando quiseram continuar a viagem, a charrete não se movia. Os carroceiros tentaram fazê-la avançar de várias maneiras, mas foi inútil. Então, retiraram uma das imagens e a charrete continuava sem se mexer. Em seguida, colocaram-na novamente na charrete e retiraram a outra e o veículo andou normalmente.

Ao ver que a imagem de Nossa Senhora da Conceição não queria sair daquele lugar, levaram-na à casa do senhor Rosendo, onde a família a acolheu com alegria. Esta notícia ficou conhecida por toda a região e começou a crescer a devoção junto com os milagres.

Em 8 de maio de 1887, realizou-se a coroação canônica da imagem. Com o tempo, foi erguida uma basílica – santuário de Nossa Senhora de Luján.

João Paulo II, em 1982, em uma missa no santuário de Luján disse: "Diante desta bendita Imagem de Maria, à qual mostraram a sua devoção os meus predecessores Urbano VIII, Clemente XI, Leão XIII, Pio XI e Pio XII, vem também prostrar-se, em comunhão de amor filial convosco, o sucessor de Pedro na cátedra de Roma".

Na audiência geral de 8 de maio de 2013, o papa Francisco recordou de modo especial a Virgem de Luján, a quem tem uma devoção especial por ser a Padroeira de sua terra natal, Argentina, e encomendou-lhe todas as alegrias e preocupações dos argentinos, pedindo “um aplauso bem forte para a Mãe de Deus”.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

TESTEMUNHO

 

Sandra Sabattini, a primeira noiva beatificada na história da Igreja

Falecida aos 23 anos, a jovem e seu noivo Guido pretendiam fundar uma comunidade a serviço dos "últimos entre os últimos" na África

No dia 24 de outubro de 2021, Sandra Sabattini se tornará a primeira noiva beatificada na história da Igreja.

A jovem leiga italiana estava se preparando para o sacramento do matrimônio com Guido Rossi quando, aos 23 anos, sofreu um atropelamento e, infelizmente, não resistiu.

Ela e o futuro esposo pretendiam mudar-se para a África a fim de fundar uma comunidade católica a serviço dos "últimos entre os últimos".

Primeira noiva beatificada na história da Igreja

A beatificação será presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em Rimini, província italiana onde Sandra nasceu em 19 de agosto de 1961.

Aos 4 anos, sua família se transferiu para a casa paroquial de San Girolamo, cujo pároco, o pe. Giuseppe Bonini, era irmão de sua mãe. Adolescente, Sandra passou a manter um diário pessoal a partir de janeiro de 1972. Três anos depois, conheceu o padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade Papa João XXIII, e seu carisma de servir aos "últimos da sociedade". A jovem tornou-se parte da comunidade. Foi o pe. Oreste, aliás, quem começou a promover a causa de beatificação de Sandra.

Sandra cursava Medicina e, como voluntária, atendia pessoas doentes. Além disso, todos os dias rezava o terço e meditava sobre a Palavra de Deus, alimentando uma profunda vida espiritual. Na virada de cada ano, costumava fazer oração da meia-noite à 1h da manhã perante o Santíssimo Sacramento.

A jovem tinha 20 anos quando conheceu Guido Rossi, que tinha os mesmos propósitos de Sandra. Guido e ela noivaram. Em 29 de abril de 1984, os noivos se dirigiam a mais um encontro da Comunidade Papa João XXIII. Quando Sandra desceu do carro e aguardava para atravessar a rua, um veículo que vinha na direção contrária a atropelou. Ela foi rapidamente socorrida e levada a um hospital de Bolonha, mas não pôde resistir às consequências do impacto brutal e entregou a alma a Deus no dia 2 de maio.

"Eu vivo por um milagre"

Em 19 de julho de 2007, um homem italiano de 41 anos, Stefano Vitali, viu-se curado inexplicavalmente de um câncer em metástase, após ter rezado por intercessão de Sandra. Ele relatou a sua história no livro "Eu vivo por um milagre", publicado em italiano e ainda sem tradução oficial para o português.

O testemunho de Stefano foi bastante divulgado. Em uma das entrevistas, ele afirmou que a sua cura não foi somente física, mas principalmente espiritual, já que o exemplo de vida de Sandra lhe apontou "o caminho para alcançar a serenidade e realizar a minha vocação". E completou: "se ela conseguiu isto comigo, que sou teimoso, mais ainda conseguirá com tantos que vierem a encontrá-la no futuro".

"Ícone de santidade verossímil"

O bispo de Rimini, dom Francesco Lambiasi, testemunha sobre Sandra Sabattini:

"Ela é uma figura que pode ser apontada como um ícone de santidade verossímil e atraente, que está do nosso lado: não são necessárias experiências excepcionais de compromisso ascético ou de contemplação mística.

Tudo de que a nossa querida Sandra precisava era do tecido de uma vida comum, costurado com a fé viva, sustentada por uma oração intensa e extensa. Uma vida dedicada ao cumprimento feliz e fiel do seu dever, pontuada por pequenos gestos de amor levados ao extremo, na amizade apaixonada com o Cristo pobre e servidor, no generoso e incansável serviço em favor dos pobres.

Depois de conhecer Jesus de modo pessoal, ela não podia mais deixar de amá-Lo, centrar-se n'Ele, viver para Ele, na Igreja".

TESTEMUNHO

 

O diagnóstico médico de Maria das Graças: “não poderá ser mãe”

Testemunho de superação por meio da fé

“Foi por meio da fé que encontrei a alegria de viver”, conta Maria das Graças, mãe e esposa, católica fiel. A infância de Maria foi muito dura, marcada por vícios dentro de casa, violência doméstica e abandono. Emocionada, recorda o encontro com a graça de Deus na juventude: “Olhei para uma imagem do Sagrado Coração de Jesus que tinha em casa e pedi: Se você existe, muda a minha vida ou me deixa morrer para ser feliz”.

Dentre os sinais de Deus, veio a possibilidade de morar com uma irmã mais velha no interior de São Paulo. Mesmo sem motivação, a irmã insistia que Maria fosse ao grupo de oração com ela. “Demorei um pouco para entender que a fé era deixar Deus fazer parte de minhas ações. Participei de um retiro de jovens e foi decisivo para mim. Senti tanto amor naquela ocasião e percebi que a minha realidade não era o que Deus queria”, relata Maria das Graças.

Fé e família

Maria das Graças conta que participando na comunidade foi diminuindo seu orgulho, lidando melhor com a timidez e se abrindo para o bem. Conheceu Jonhy, um amigo que se tornou namorado e é o marido dela. Casaram-se no mesmo ano em que Maria das Graças perdeu os pais, a mãe devido o vício em álcool e o pai em um acidente.

Após dois anos de casamento feliz, chegou um diagnóstico médico preocupante. Maria das Graças não poderia ser mãe. “Deixei tudo nas mãos de Deus e com ou sem filhos , decidi ficar em paz”. Para surpresa dela e dos médicos, a receita de confiar em Deus e ficar em paz foi infalível. Teve três gestações que, embora tenham sido consideradas de risco, deram ao casal Maria, Ana e Miguel.

Fé e esperança

“A fé faz parte da minha história. Tive que lutar, caminhar, sofrer e aprender a esperar. Amadureci e ainda estou aprendendo, coordeno o Grupo de Oração Missão Sopro da Vida e procuramos ajudar quem sofre”, conta Maria das Graças. “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito daquilo que não se vê” (Hb 11). “Ter fé não é só sentimentalismo, mas também atitude! Portanto, não tenhamos medo e, sim, fé!”, conclui Maria das Graças.