segunda-feira, 31 de agosto de 2026

IGREJA

 

“Ele entrou no inferno para salvar um homem — e uma fotografia eternizou seu gesto”

Madrugada de 2 de junho de 1962. O silêncio da cidade litorânea de Puerto Cabello, na Venezuela, é brutalmente despedaçado pelo som avassalador de projéteis e explosões de granadas. Uma insurreição cívico-militar de proporções trágicas, batizada como "El Porteñazo", explode contra o governo do presidente Rómulo Betancourt. O cenário que se desenha nas ruas é de uma violência extrema, uma verdadeira carnificina que deixaria um saldo doloroso de mais de 400 mortos, 700 feridos e mais de mil detidos. O que leva homens a caminharem em direção ao perigo quando todos tentam fugir? Até onde vai o limite da coragem humana sob o impacto do terror?

No olho desse furacão, desafiando a ordem militar que proibia categoricamente a entrada da imprensa na zona de combate, avançava um homem obstinado. Seu nome: Héctor Rondón Lovera, repórter fotográfico do jornal La República. Nascido em Bruzual em 1933, Rondón tinha uma trajetória de vida multifacetada — fora taxista, encanador e jogador de beisebol nas ligas menores antes de abraçar a fotografia. Ele era o profissional escalado para a editoria de "acontecimentos" justamente porque não conhecia o significado da palavra medo. Protegido apenas pelo umbral de uma alfaiataria no coração do confronto, no setor conhecido como "La Alcantarilla", ele empunhava sua única defesa: uma câmera Leica. Durante trinta minutos de fogo cerrado, enquanto soldados tombavam ao seu redor, ele permaneceu ali, capturando a linha tênue entre a vida e a morte.

A batina e o sangue no asfalto

Foi exatamente naquele cenário desolador, logo após o recuo dos tanques blindados, que surgiu uma imagem quase irreal em meio à fumaça do combate. Um homem vestindo uma batina preta caminhava resoluto, desafiando a mira dos franco-atiradores camuflados nas casas. Era o padre Luis María Padilla, capelão da base naval de Puerto Cabello e pároco da localidade de Borburata. Nascido em Montalbán no ano de 1902, o sacerdote possuía uma longa trajetória de devoção, mas aquela manhã exigiria dele o teste de fé.

Em meio ao asfalto ensanguentado, um soldado gravemente ferido tenta erguer a cabeça e clama por socorro: "Ayúdeme padrecito", "ajude-me padre". Sem hesitar diante do risco iminente de morte, o padre Padilla aproxima-se e tenta ampará-lo nos braços. Naquele exato instante, uma nova rajada de metralhadora atinge o jovem militar. Sob o silvo incessante das balas, o capelão permanece firme, segurando o corpo moribundo e proferindo as palavras sagradas da extrema-unção enquanto o jovem expira em seus braços. A poucos metros de distância, a lente Leica de Rondón congela a eternidade. O clique definitivo estava feito.

A foto da fé

A fotografia, batizada mundialmente como "La ayuda del padre" ("A ajuda do padre"), chegou à redação do jornal provocando assombro absoluto. Distribuída internacionalmente pela agência Associated Press, a imagem impactou o planeta ao retratar, em uma única composição visual, o horror da guerra, a fragilidade humana e o poder sublime da compaixão.

A força avassaladora daquele registro rendeu a Héctor Rondón Lovera as maiores e mais cobiçadas honrarias do jornalismo global, feito inédito para o seu país: World Press Photo em 1962; e Prêmio Pulitzer: em 1963.

Com essas premiações, Rondón escreveu seu nome na história como o primeiro venezuelano e o primeiro latino-americano a conquistar ambos os galardões máximos do fotojornalismo. Décadas mais tarde, em 2005, a relevância histórica da imagem foi celebrada pelo correio nacional holandês, que emitiu selos postais comemorativos com a icônica fotografia para marcar o aniversário da fundação World Press Photo.

Os protagonistas reais desse drama histórico já saíram de cena — Héctor Rondón faleceu em 1984 e o Monsenhor Padilla partiu em 1985. No entanto, a fração de segundo eternizada em Puerto Cabello permanece como um manifesto eterno. A prova irrefutável de que, mesmo nos momentos mais sombrios da barbárie humana, a coragem de registrar a verdade e o instinto de estender a mão ao próximo se recusam a morrer.

IGREJA

 

História da beata brasileira Isabel Cristina se tornou filme

Odocudrama "Isabel Cristina: uma história de martírio", foi lançado em 2023.

A produção original da Lumine resgata a trajetória de Isabel Cristina Mrad Campos, assassinada aos 20 anos, após resistir a uma tentativa de estupro. Ela era de Barbacena, interior de Minas Gerais. Mesclando o formato de documentário, com cenas de ficção, o longa será exibido gratuitamente no canal do YouTube do serviço de vídeo sob demanda.

Iniciativa da própria comunidade

A ideia do filme começou pouco antes de Isabel Cristina ser declarada beata, em dezembro de 2022. O pároco, Monsenhor Danival Milagres, conversava com Gustavo Grossi, atuante na Pastoral da Comunicação. O empresário de 32 anos ficou impressionado com o engajamento da comunidade local e quis contar a história da beata para todo o mundo. Foi quando surgiu o propósito de documentar, em vídeo e em tempo real, tudo que estava acontecendo. E ele decidiu fazer contato com a Lumine, maior plataforma católica de streaming do Brasil, que aceitou o desafio de produzir um material sobre a mais nova beata brasileira.  

"Vi na produção cinematográfica uma oportunidade de não apenas documentar, mas também trazer um toque artístico, além de contribuir para dar continuidade no processo de canonização da beata. Foi como se Deus me chamasse para essa missão", lembra Gustavo Grossi. 

A plataforma aceitou o convite e, logo em seguida, iniciou a produção — processo que demorou menos de um ano. O envolvimento dos fiéis foi tão grande que o financiamento da obra veio, em grande parte, da própria paróquia.

“É uma gratificação muito grande saber que as comunidades das paróquias confiam em nós para contar essas histórias. Esse é o nosso maior troféu”, afirma Matheus Bazzo, fundador da Lumine.

A produção

É a primeira vez que a vida da mártir brasileira é contada através de um filme. “Isabel Cristina: uma história de martírio” reúne filmagens da cerimônia de beatificação e depoimentos de pessoas que conviveram com ela, compartilhando detalhes até então desconhecidos sobre sua trajetória. 

Foram ouvidos parentes próximos, amigos e o bispo Dom Geraldo Lyrio, que acabou falecendo meses depois da entrevista.

A produção foi até a paróquia e a escola onde Isabel Cristina estudou, captando relatos de quem conviveu de perto com a jovem. “Geralmente, quando se contam as histórias dos santos, é um processo de fora para dentro. Mas, nesta obra, fomos de dentro para fora. Entramos na intimidade e alcançamos algo exclusivo”, destaca Gustavo Leite, que dirigiu e roteirizou o longa-metragem ao lado de Julia Sondermann. 

Exemplo de santidade

Ao lado dos depoimentos, o filme conta com recursos de ficção. E, nessas cenas, Isabel Cristina ganha vida com a atriz Cris Eifler, que interpreta a beata. A semelhança entre as duas chama a atenção. A partir dos testemunhos, são reconstituídas passagens de sua vida — encerrada abrupta e brutalmente em 1982, quando um homem invadiu sua casa para violentá-la.  

Há uma característica estética diferenciada no docudrama: as cenas são metade coloridas, metade em preto e branco. E, ao contrário do que o senso comum pode indicar, não são as captações atuais dos relatos que vêm em cores.

O idealizador da obra pontua que a grande mensagem da beatificação de Isabel Cristina é sobre encontrar santidade nas pequenas coisas da vida. "É viver em comunidade, amar a Deus, a família, os doentes e necessitados", defende Grossi. E complementa: "A parceria entre a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade e a Lumine para esse projeto foi uma decisão de Deus. E, após um ano de trabalho, trazemos mais vida à história de Isabel Cristina". 

IGREJA

 

Papa Leão XIV: “Exijo que todos os reféns sejam libertados sem demora”

Após a oração do Angelus, o Papa expressou preocupação com a situação no Haiti: “Estamos recebendo notícias dramáticas do Haiti a respeito do grave massacre perpetrado em Kenscoff”.

Na noite de 23 para 24 de agosto, um grupo criminoso atacou um acampamento para pessoas deslocadas nesta pequena cidade próxima à capital, Porto Príncipe. Pelo menos 47 pessoas teriam sido mortas, e os perpetradores ainda mantêm cerca de 50 pessoas como reféns.

“Exijo que todos os reféns sejam libertados sem demora”, declarou o chefe da Igreja Católica. Ele apelou a todos os líderes políticos para que se comprometam “concretamente a garantir a segurança da população e a pôr fim a todas as formas de violência”.

O Papa também abordou as “terríveis inundações que atingiram o Nepal e o Tibete”. “Rezemos por aqueles que perderam a vida, pelos feridos e desaparecidos, pelas famílias e pelos socorristas”, exortou. As enchentes repentinas de 26 de agosto causaram a morte de pelo menos 630 pessoas. Vários milhares ainda estão desaparecidos.

Leão XIV já havia expressado sua tristeza por esses acontecimentos em um telegrama publicado em 27 de agosto. A mídia do Vaticano anunciou em 29 de agosto que “ajuda financeira” havia sido enviada pela Santa Sé ao Nepal para “atender às necessidades mais urgentes da população afetada pelo desastre”.

“Continuemos a rezar pela paz”, declarou também o 267º Papa. Citando Santo Agostinho, seu mentor espiritual, expressou sua esperança de que “aqueles que corajosamente partem e distribuem os pães da paz, superando as divisões, promovendo a justiça e praticando o perdão” se multipliquem.

Por fim, ele lembrou a todos que o dia 1º de setembro será o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que “marca o início do Tempo da Criação”.

O pontífice americano convidou a todos a se unirem em “oração e ação” para que “possamos nos tornar canais da água viva da paz de Deus, confortando nosso mundo ferido”. Leão XIV celebrará uma missa dedicada ao “cuidado da Criação” nos jardins de Castel Gandolfo na próxima terça-feira.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrada a Virgem das Lágrimas, que chora e intercede pelo mundo

Hoje (31) é celebrada a Virgem das Lágrimas, uma devoção que surgiu em Siracusa, Itália, onde uma imagem do Imaculado Coração de Maria derramou lágrimas de "dor" e "esperança" pelo mundo, como disse são João Paulo II.

O fato ocorreu em 1953, na casa do humilde do casal Angelo Lannuso e Antonina Lucia Giusti, que tinham a imagem mariana, de gesso, que ficava pendurada na parede sobre a cama do casal e que derramou lágrimas durante quatro dias, entre 29 de agosto e 1º de setembro.

A imagem foi um presente de casamento e, quando chorou, a primeira pessoa que viu foi Antonina, que estava grávida do seu primeiro filho.O casal vidente do milagre das lágrimas. Foto: Santuário della Madonna delle lacrime

Segundo Famiglia Cristiana, as autoridades eclesiásticas foram muito cautelosas com o que aconteceu. O pároco Giuseppe Bruno chegou à casa do casal acompanhado por vários especialistas, entre os quais o doutor Michele Cassola, abertamente ateu.

No local, os especialistas, que mais tarde participariam da comissão investigativa, também testemunharam as lágrimas da Virgem. Depois disso, a imagem não derramou mais lágrimas.

O líquido recolhido foi submetido a diversas análises que foram comparadas com lágrimas de um adulto e uma criança de dois anos e sete meses.Cassola, que liderava a comissão, não tinha explicação científica para o que os estudos revelaram: efetivamente, o líquido derramado pela imagem mariana era correspondente às lágrimas humanas. O relatório foi divulgado em 9 de setembro de 1953.

Três meses depois, em 12 de dezembro de 1953, dia em que a Igreja celebra Nossa Senhora de Guadalupe, os bispos da região de Sicília declararam por unanimidade que a imagem da Mãe de Deus chorou.Em 17 de outubro de 1954, o papa Pio XII se referiu a este evento prodigioso e, em uma mensagem de rádio ao congresso regional mariano de Sicília, disse: "Os homens compreenderão a linguagem misteriosas destas lágrimas? Oh, as lágrimas de Maria? No Gólgota foram lágrimas de dor por Jesus e tristeza pelo pecado do mundo. Ainda chora pelas novas chagas no Corpo Místico de Jesus?".

"Ou chora por tantos filhos nos quais o erro e a culpa extinguiram a vida da graça e ofendem gravemente a divina majestade? Ou são lágrimas de espera pela demora da volta dos outros filhos, que um dia foram fiéis e que agora são arrastados por falsas miragens entre as hostes dos inimigos de Deus? ".O grande número de fiéis que iam venerar a imagem milagrosa fez com que construíssem um santuário em 1968, que depois foi renovado em 1994. A consagração foi realizada naquele ano por são João Paulo II, em 6 de novembro.

Durante a sua visita pastoral a Catania e a Siracusa, o papa peregrino disse que as lágrimas da Virgem "testemunham a presença da Mãe Igreja no mundo".

"São lágrimas de dor por aqueles que rechaçam o amor de Deus, pelas famílias separadas ou que têm dificuldades, pela juventude ameaçada pela civilização de consumo e muitas vezes desorientada, pela violência que ainda provoca tanto derramamento de sangue, e por todas as incompreensões e pelos ódios que abrem abismos profundos entre os homens e os povos", acrescentou.

Em 5 de maio, 2016, o papa Francisco fez a vigília de oração "para enxugar as lágrimas", por ocasião do Jubileu da Misericórdia, quando o relicário da Virgem das Lágrimas foi levado ao Vaticano.Naquela ocasião, o papa disse que “junto de cada cruz, está sempre a Mãe de Jesus. Com o seu manto, Ela enxuga as nossas lágrimas. Com a sua mão, faz-nos levantar e acompanha-nos pelo caminho da esperança”.

Dois anos depois, em 25 de maio de 2018, Francisco celebrou novamente uma liturgia na presença do relicário com as lágrimas da Virgem.

Na capela da Casa Santa Marta, onde reside, o papa disse: “Trouxeram de Siracusa a relíquia das lágrimas de Nossa Senhora. Hoje estão aqui, e rezemos a Nossa Senhora para que nos dê e também à humanidade necessitada o dom das lágrimas, que nós possamos chorar: pelos nossos pecados e por tantas calamidades que provocam sofrimento ao povo de Deus e aos filhos de Deus”.

O Santuário Mariano de Siracusa recebe cerca de um milhão de pessoas que peregrinam até o local todos os anos.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de segunda-feira: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria

Evangelho da 2ª feira da 22ª semana do Tempo Comum e comentário sobre o Evangelho. “Enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista”. Hoje somos nós que recebemos esta grande notícia: Deus nos ama tanto que enviou o seu Filho Unigênito para nos redimir. Abriu para nós as portas do céu.


Evangelho (Lc 4, 16-30)

Veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.
Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito:

'O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque ele me consagrou com a unção
para anunciar a Boa Nova aos pobres;
enviou-me para proclamar a libertação aos cativos
e aos cegos a recuperação da vista;
para libertar os oprimidos
e para proclamar um ano da graça do Senhor.'

Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes:

'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.'
Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca.

E diziam: 'Não é este o filho de José?'

Jesus, porém, disse:
'Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo.
Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.'

E acrescentou: 'Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias,
quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel.
Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio.'

Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício.
Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.


Comentário

Durante séculos, Israel esperou pelo Messias que libertaria o povo das suas tribulações.

E agora, na sinagoga de Nazaré, aquele homem, conhecido por todos, Jesus, o filho de José e de Maria, o artesão, afirma que a profecia foi cumprida.

Jesus vem para “evangelizar”, para transmitir a boa nova de que Deus se compadeceu dos homens, uma notícia que os “pobres” recebem com alegria, ou seja, aqueles que não confiam em seus próprios bens e méritos, mas na bondade e misericórdia divina.

Vem para nos libertar da escravidão do pecado e da morte eterna, a que o diabo nos havia submetido; para abrir os nossos olhos cegos para podermos conhecer a verdade; para nos dar um coração limpo, com o qual possamos amar a Deus e aos outros.

Vem para promulgar “um ano da graça do Senhor”, o tempo de misericórdia e redenção, que Ele inaugura e que vai durar até o fim do mundo.

Os habitantes de Nazaré têm diante dos olhos o Salvador anunciado e esperado por tanto tempo, mas eles não acreditam. Exigem que o seu conterrâneo confirme as suas palavras realizando algum prodígio maravilhoso, como fez em outras cidades próximas, mas Jesus não consente à sua petição.

Então eles ficam furiosos, se levantam, o expulsam e tentam derrubá-lo no precipício.

Hoje somos nós que recebemos esta grande notícia: Deus nos ama tanto que enviou o seu Filho Unigênito para nos redimir, para nos salvar do pecado. Deu-nos a possibilidade de nos tornarmos filhos de Deus pela graça. Abriu para nós as portas do céu.

Talvez tenhamos ouvido este anúncio muitas vezes, e pensemos que, se víssemos algum milagre, algum sinal extraordinário, levaríamos a boa nova, “o evangelho”, mais a sério, e transformaríamos a nossa vida em uma ação de graças a Deus, em serviço ao próximo, e daríamos a conhecer aos outros, ao mundo inteiro, a fé cristã, o segredo da felicidade no céu e na terra.

O Espírito Santo, que ungiu Jesus, quer nos dar o fogo do seu amor. Não precisamos de um novo milagre. Basta abrirmos os nossos corações com humildade para Ele nos transformar com a Sua graça.

domingo, 30 de agosto de 2026

IGREJA

 

“Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família”, diz o Papa

inguém pode enfrentar o problema das drogas sozinho", explicou Leão XIV em 27 de agosto de 2026 aos participantes de uma reunião sobre vícios organizada no Vaticano pela Pontifícia Comissão para a América Latina. Ele pediu uma resposta abrangente, envolvendo instituições religiosas e seculares, para combater eficazmente a toxicodependência.

"Os vícios são um fenômeno complexo que evidencia o fracasso de um mundo desumanizado", explicou o Papa em seu discurso em espanhol. Ele pediu uma resposta ao "sofrimento dos jovens" afetados pelas drogas e pediu "soluções abrangentes: prevenção comunitária, atenção científica, justiça humana e um acompanhamento pastoral próximo".

O Papa mencionou a importância da cooperação com organizações internacionais, mas também a necessidade de vincular ciência e fé. "A Igreja não intervém no problema das drogas com a pretensão de competir com a neurociência, a psiquiatria ou a saúde pública, nem pretende suplantá-las", afirmou. Ele explicou que a Igreja, por outro lado, busca "iluminá-lo a partir do Evangelho, com uma compreensão integral da pessoa humana".

Leão XIV também enfatizou a dimensão ecumênica da luta contra as drogas. "A Igreja Católica e outras comunidades eclesiais, na prática do amor concreto para com aqueles que sofrem, encontram na fé uma linguagem comum particularmente eloquente para acompanhar e integrar os jovens em suas necessidades e sonhos", afirmou.

Compaixão pelas "famílias desfeitas"

"Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família", explicou também o Papa, ecoando as palavras do Concílio Vaticano II e de João Paulo II, que definiam a família como "a Igreja doméstica" e "o lar e a escola da comunhão".

"Hoje testemunhamos o sofrimento de muitas famílias desestruturadas, seja pelo uso de drogas, violência, recrutamento criminoso de menores, pobreza ou a falta de oportunidades que deixa alguns atrasados", lamentou o pontífice peruano-americano. Leão XIV enfrentou particularmente essas situações de miséria durante seus anos de trabalho missionário no Peru.

Ele disse que esperava que "a Igreja fosse a família de todos aqueles que ficaram para trás". "Não vamos passar", declarou, inspirado no exemplo do Bom Samaritano. "Construamos uma Igreja que pare, que se aproxime, que se deixe comover, que cure feridas, que alimente e que se torne um lar", exortou o Papa, ecoando as palavras do Papa Francisco, que pediu para tocar a "carne sofredora" dos pobres.

Esses apelos do Papa Leão XIV ocorrem em um contexto global marcado pelo aumento do tráfico de drogas, inclusive em países europeus. De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 331 milhões de pessoas usaram drogas em 2024, 34% a mais do que em 2014. A violência relacionada às drogas também aumentou significativamente, especialmente nas cidades portuárias.

Uma comissão presidida anteriormente pelo Cardeal Prevost

Antes de se tornar Papa, Robert Francis Prevost foi presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, órgão ligado ao Dicastério para os Bispos, entre 2023 e 2025. Esta comissão, criada por Pio XII em 1958, foi considerada por muito tempo uma espécie de "torre de controle" romana sobre os episcopados latino-americanos considerados suscetíveis ao marxismo e à teologia da libertação.

Mais recentemente, esta comissão tornou-se gradualmente um órgão especializado em questões sociais e eclesiais que afetam esta região do mundo. Esta conferência sobre vícios também envolve atores-chave na luta contra o abuso de drogas na Ásia, África e Europa. É organizado em colaboração com a Pontifícia Academia para a Vida, o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado o beato Eustáquio van Lieshout, missionário da saúde e da paz no Brasil

Hoje (30), a Igreja celebra o beato Eustáquio van Lieshout, sacerdote holandês que veio para o Brasil e ficou conhecido como missionário da saúde e da paz, por sempre abençoar e saudar os fiéis com essas duas palavras. Atualmente, seus restos mortais estão no Memorial do Santuário da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte (MG), que atrai grande número de devotos.

Padre Eustáquio nasceu em 3 de novembro de 1890, em Aarle Rixtel, na Holanda, e recebeu o nome de batismo de Humberto van Lieshout. Ingressou na Congregação dos Sagrados Corações e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1919. Seis anos depois, em 15 de julho de 1925, chegou como missionário ao Brasil, juntamente com seus irmãos de congregação, os padres Gil van den Boorgart e Matias van Rooy.

Inicialmente, foram para a cidade de Romaria, no Triângulo Mineiro, onde assumiram a pastoral do santuário episcopal e da paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja e das paróquias de São Miguel de Nova Ponte e Santana de Indianópolis, na arquidiocese de Uberaba.Padre Eustáquio dava especial atenção aos doentes. Segundo sua biografia publicada pelo site do Vaticano, quando ministrava suas orientações pessoais para “ações curativas de enfermidades físicas padre Eustáquio falava da disposição de Deus em curar as pessoas integralmente e, sempre que possível, indicava medicamentos naturais de aquisição fácil e uso seguro”, sempre recorrendo aos seu “Manual de Medicina no Campo”.Mais tarde, padre Eustáquio foi transferido para Poá (SP), onde “também fazia bênçãos, entre elas a da água no reservatório e nas pias de água benta, à entrada da igreja”. Com o tempo, “fiéis começaram a levar para a igreja garrafas de água para ser abençoadas”. Mas, com a repercussão de notícias de curas por meio das bênçãos do sacerdote, “o aglomerado de pessoas começou a aumentar em Poá”. Assim, ele foi transferido para Araguari (MG) e cumpriu um tempo de reclusão.

Em 1942, foi transferido para Belo Horizonte (MG), aonde chegou “sem alarde, já que era nacionalmente venerado como santo e taumaturgo. Porém, a despeito da discrição, logo nos primeiros dias muitas pessoas o procuraram pedindo bênçãos e curas”.

No dia 16 de maio de 1943, lançou a pedra fundamental da atual Igreja dos Sagrados Corações, conhecida como Igreja do Padre Eustáquio, que não chegou a ver construída. Padre Eustáquio morreu em 30 de agosto daquele mesmo ano.

Padre Eustáquio foi beatificado em 15 de junho de 2006, em missa celebrada pelo então prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal José Saraiva Martins, no estádio Mineirão, na capital mineira. A beatificação aconteceu após o reconhecimento da cura milagrosa de um sacerdote por sua intercessão. Padre Gonçalo Belém, de Belo Horizonte, foi curado de um câncer, em 1962. Na época, o sacerdote tinha 39 anos e descobriu que tinha um tumor na laringe e que deveria ser submetido a uma cirurgia, sem garantia de cura. Foi incentivado a pedir a intercessão de padre Eustáquio e assim o fez. Na véspera de sua cirurgia, os médicos não detectaram nenhum sinal do tumor. Padre Gonçalo Belém Rocha morreu em 2007, aos 83 anos.