quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Qual é a relação entre pecado e esperança?

Pecado e esperança são dois termos diametralmente opostos; no entanto, a relação entre eles é dada por Deus.

Não poderíamos imaginar uma relação entre dois termos mais opostos: pecado e esperança. Porque, à primeira vista, o pecado representa a perda da esperança em obter a salvação prometida por Cristo para aqueles que creem nele e seguem os Seus mandamentos.

Portanto, descobrir uma relação entre os dois é chocante para o cristão que se esforça para fazer a vontade de Deus. No entanto, para o pecador endurecido que encontrou Cristo, é uma verdade sublime.

Consciência do pecado

São João Paulo II meditou sobre  na Audiência Geral de 8 de maio sobre a atitude do homem diante da consciência do pecado, tomando como referência ao salmo 50(51). Este é um primeiro passo para a conversão:

O salmista confessa seu pecado claramente e sem hesitação: 'Eu reconheço a minha culpa (...). Contra ti, contra ti somente, pequei; fiz a maldade que tu odeias' (Salmo 50, 5-6).

Assim, a consciência pessoal do pecador entra em cena, pronta para perceber com clareza o mal cometido. É uma experiência que implica liberdade e responsabilidade, e o leva a admitir que rompeu um vínculo para construir uma opção de vida alternativa em relação à Palavra de Deus. Disso decorre uma decisão radical de mudança.

O Santo Padre então se referiu ao remorso como o próximo passo, colocando “diante dos olhos dos nossos corações os pecados que cometemos”:

.. ".. nós os revisamos um por um, os reconhecemos, nos envergonhamos e nos arrependemos deles, então, perplexos e aterrorizados, podemos dizer com razão: "meus ossos não têm descanso por causa dos meus pecados". Consequentemente, o reconhecimento e a consciência do pecado são o fruto de uma sensibilidade adquirida graças à luz da palavra de Deus" (n. 2).

A esperança do perdão de Deus

Nesse momento, o pecador sabe que ofendeu a Deus e precisa do Seu perdão. Este é o momento sublime em que ele recupera a esperança, porque Deus o ama e deseja a sua salvação.

São João Paulo II coloca desta forma:

"...a confissão de culpa e a consciência da própria miséria não conduzem ao terror ou ao pesadelo do julgamento, mas à esperança de purificação, libertação e nova criação" (n. 5).

A esperança do pecador no perdão divino restaura sua vida e a certeza de que, não importa quão grande seja seu pecado, Deus sempre estará esperando por ele de braços abertos se ele se arrepender de todo o coração.

Esta, então, é a relação mais estranha, mas também a mais reconfortante para aqueles de nós que ainda lutam neste mundo. Nunca nos esqueçamos disso.

ESPIRITUALIDADE

 

O que se esconde por trás do pecado da inveja?

Todos nós já a sentimos e, mesmo assim, temos vergonha de admiti-la. Sabemos que o caminho para a santidade exige vencer a inveja; por isso, como podemos não apenas vencê-la, mas utilizá-la para criar uma melhor versão de nós mesmos?

"Não cobiçarás os bens alheios". Vencer a inveja tem sido uma lição que ouvimos desde a infância, tanto no catecismo quanto em casa. O décimo mandamento nos deixa claro que não devemos desejar desordenadamente o que pertence ao outro, que isso é pecado; no entanto, à medida que crescemos, enfrentamos diferentes situações em que esse sentimento aparece e não sabemos o que fazer com ele.

Um erro que cometemos frequentemente é tentar reprimi-la ou negá-la porque "é um sentimento ruim" e temos vergonha de experimentá-la. O que diz a ciência? E, acima de tudo, o que aconteceria se a utilizássemos como uma ferramenta para nos decifrar e crescer?

Ciúmes e inveja

Jancee Dunn — uma jornalista do The New York Times, especializada em temas de saúde, com mais de 20 anos de experiência — desenvolveu recentemente o tema da inveja baseando-se em pesquisas científicas e entrevistas.

Dunn cita Robert Leahy — Diretor do Instituto Americano de Terapia Cognitiva e professor de psicologia do Weill Cornell Medical College — para explicar o que é a inveja: "O sentimento que você tem quando percebe que alguém está melhor do que você".

A necessidade de vencer esse pecado

O Catecismo, citando São Gregório Magno, ensina que "da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pelo mal do próximo e a tristeza causada pela sua prosperidade"; por isso é necessário lutar contra ela.

Leahy reconhece que, para conseguir isso, o primeiro passo é reconhecê-la; para depois perder o medo e colocá-la em perspectiva.

Este especialista — dedicado a investigar a inveja — começa fazendo uma distinção importante entre dois sentimentos que costumam ser confundidos: o ciúme e a inveja. Em suas palavras, o ciúme "envolve a percepção de ameaças nos relacionamentos", enquanto, no caso da inveja, a ameaça é dirigida à sua posição.

E acrescenta: "Dar espaço à inveja e perceber quando ela aparece permite não ter medo dela". Além disso, ele especifica que as emoções são muito complexas, por isso é necessário ter em conta que a inveja, quando aparece, não nos leva a deixar de amar e admirar uma pessoa, mas que ambos os sentimentos podem coexistir. "Você não precisa reduzir seus pensamentos ou emoções sobre uma pessoa apenas à inveja", comenta.

Não aos impulsos, sim à meditação

Outro dos especialistas consultados por Jancee é Manuel González, professor adjunto de Psicologia na Universidade Estadual de Montclair, que também se dedica a estudar a inveja.

Ele recomenda evitar as reações impulsivas para dar lugar a uma análise pessoal. Para ele, há uma pergunta-chave que deve ser respondida diante da inveja: "Que problemas ela apresenta em sua própria vida?"

Para responder a este questionamento, ele propõe três perguntas mais concretas que podem guiar a reflexão:

  1. Por que invejo esta pessoa?
  2. Como posso utilizar esta pessoa como modelo?
  3. O que posso aprender para mudar minha própria situação?

Desta forma, passamos do medo de um sentimento — que em ocasiões é mais um sintoma de tudo aquilo que requer nossa atenção — para um plano de ação pessoal: talvez você não inveje a promoção de trabalho do seu colega porque acredita ser melhor que ele, mas porque se sente desvalorizado e não sabe como expressar isso ao seu chefe. A solução exigirá trabalhar na expressão do seu ponto de vista e na valorização dos seus talentos.

Ou talvez você não deseje conhecer o mundo a bordo de um cruzeiro, mas sim aprender a priorizar o descanso e o lazer para se desconectar do trabalho de vez em quando. Com isso, verá a necessidade de fazer um balanço do que é mais valioso para você e, com base nisso, organizar sua agenda de maneira diferente e aprender a delegar.

Com estas perguntas, chegamos à verdadeira origem. Visualizamos qual problema da nossa vida habita por trás dessa inveja.

O exemplo dos santos

Da próxima vez que sentir inveja, não se esqueça de respirar fundo e fazer este exercício de reflexão; mas antes, coloque em prática o conselho de São Bernardo de Claraval para vencer a inveja: invoque Maria.

Em uma de suas orações — que você pode consultar completa neste artigo da Aleteia — ele escreveu: "Se te golpearem as ondas da soberba, da maledicência, da inveja, olha para a estrela, invoca Maria!". E mais adiante assegura:

"E para estar mais seguro da sua proteção, não te esqueças de imitar os seus exemplos. Seguindo-a, não te perderás no caminho! Implorando-lhe, não te desesperarás! Pensando nela, não te desencaminharás!".