quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

IGREJA

Cinco passagens da Bíblia para viver bem a Quaresma


A Bíblia contém muitas passagens que podem ajudar os cristãos a viver melhor a Quaresma. Abaixo estão algumas referências da Sagrada Escritura relacionadas a este tempo de preparação para a Semana Santa e a Páscoa.

Jesus é tentado no deserto (Mt 4,1-11)

Na Quaresma, destaca-se a passagem bíblica em que Jesus é levado pelo Espírito ao deserto para jejuar 40 dias e 40 noites e é tentado pelo demônio.

Sobre esta passagem, são João Crisóstomo ensinou em uma de suas homilias que, como Jesus, "por grandes que sejam as tentações que possais sofrer depois do Batismo, não vos perturbeis por elas, mas permanecei firmes".

Santo Agostinho disse que o Senhor se ofereceu para ser tentado para “tornar-se um mediador que vença as tentações, não só com a sua ajuda, mas com o seu exemplo”.

Por isso, o Catecismo da Igreja Católica convida a se unir na Quaresma “ao mistério de Jesus no deserto”.

O Senhor dá instruções sobre o jejum (Mt 6,16-18)

O jejum é outro elemento fundamental durante a Quaresma, especialmente nas sextas-feiras, Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa.

Para fazê-lo da forma certa, Jesus pede "que não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que je­juam".

Sobre esta passagem do Novo Testamento, são Leão Magno diz que “não é bom o jejum que não provém da convicção da consciência, mas da arte de enganar”.

Arrependei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15)

No início da Quaresma, a liturgia católica recorda de modo especial o chamado do Senhor ao arrependimento e à fé na boa nova do Evangelho.

Por isso, a Igreja pede aos fiéis que aproveitem este tempo para se aproximarem do “sacramento da conversão”, também chamado de sacramento da penitência ou da reconciliação.

O Catecismo da Igreja Católica diz que este sacramento “consagra um processo pessoal e eclesial de conversão, arrependimento e reparação por parte do cristão pecador”.

Pois tu és pó e ao pó hás de voltar (Gn 3,19)

Durante o rito da imposição das cinzas na Quarta-feira de Cinzas, o padre fala estas palavras retiradas do livro do Gênesis.

A frase "tu és pó e ao pó hás de voltar" lembra que fomos criados por Deus e que nossa vida terrena terá um fim para o qual devemos estar preparados.

Que tua mão esquerda não saiba o que fez a direi­ta (Mt 6,3)

Nesta passagem do Novo Testamento, o Senhor convida a fazer o bem em todos os momentos, evitando a tentação de buscar o reconhecimento dos outros.

Sobre este ponto, são João Crisóstomo refletia que “se quereis ter espectadores das coisas que fazeis, aqui estão eles: não só os anjos e arcanjos, mas também o próprio Deus do universo”.

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 Cinzas da Quaresma carregam ‘o peso de um mundo em chamas’, diz o papa

O papa Leão XIV liderou ontem (18) a tradicional procissão penitencial da Quarta-feira de Cinzas no monte Aventino, em Roma, caminhando com clero e fiéis até a basílica de Santa Sabina, onde celebrou a missa que marcou o início da Quaresma.

Falando sobre o significado das cinzas tradicionalmente impostas sobre a cabeça dos fiéis, Leão XIV falou sobre uma catequese do papa são Paulo VI, de 1966, na qual ele descreveu a celebração pública do rito como uma “cerimônia penitencial severa e impressionante” e como “uma pedagogia realista”, destinada a romper com as ilusões modernas e o pessimismo generalizado que podem reduzir a vida à “metafísica do absurdo e do nada”.

“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra”, disse Leão XIV.

Ele disse que a devastação se reflete nas “cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos”, nas “cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas”, nas “cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais” e nas “cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura”.

Na mesma homilia, o papa exortou os fiéis a encararem a Quaresma como um tempo em que a Igreja se renova como uma verdadeira comunidade, mesmo que a sociedade moderna tenha mais dificuldade em se reunir em comunhão.

Leão XIV disse que o pecado nunca é só privado, pois molda e é moldado pelos ambientes reais e digitais que as pessoas habitam. “É claro que o pecado é pessoal, mas ele ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos… muitas vezes dentro de autênticas estruturas de pecado de ordem econômica, cultural, política e até religiosa”, disse ele. Contra a idolatria, disse o papa, as Escrituras chamam os cristãos a ousarem ser livres e a redescobrir a liberdade por meio de “um êxodo, de um caminho”, em vez de permanecerem “paralisados, rígidos, seguros nas nossas posições”.

O papa falou sobre o que disse ser uma atenção renovada entre os jovens ao apelo da Quarta-feira de Cinzas à prestação de contas. “São eles, os jovens, quem percebem nitidamente que é possível um modo de vida mais justo e que existem responsabilidades por tudo o que não funciona na Igreja e no mundo”, disse ele, exortando os fiéis a “começar por onde se pode e com quem está presente” e a abraçarem “o alcance missionário da Quaresma” para “as tantas pessoas inquietas e de boa vontade” que buscam uma renovação genuína.

Leão XIV falou sobre a antiga tradição romana das estações quaresmais, que começa todos os anos com Santa Sabina. "A antiga tradição romana das stationes quaresmais – da qual esta de hoje é a primeira – é educativa", disse ele. Ela aponta tanto para o movimento, como peregrinos, quanto para a pausa — statio — na memória dos mártires sobre os quais as basílicas de Roma foram construídas, disse o papa.

IGREJA

 

6 maneiras de rezar se você se sente espiritualmente cansado

Se neste momento você tem dificuldade para rezar, estas formas simples podem ajudá-lo a manter-se perto de Deus, mesmo nos dias em que se sente cansado

Sejamos sinceros: nem todas as etapas da vida são especialmente propícias à oração. É possível que você acredite profundamente em Deus e, ainda assim, se sinta distraído, vazio, sobrecarregado ou simplesmente exausto. Ao começar o ano de 2026, muitas pessoas carregam um cansaço silencioso, provocado pelo ritmo de vida, pela preocupação com o mundo ou pelas lutas pessoais que ninguém mais vê. Assim, se agora mesmo você tem dificuldade para rezar, não é que esteja falhando.

Você é humano. A boa notícia é esta: a oração não está reservada para os momentos em que você se sente santo, tranquilo ou inspirado. De fato, algumas das orações mais sinceras começam precisamente quando você não se sente nada espiritual.

Aqui estão algumas formas suaves de rezar em 2026, mesmo quando seu coração se sente cansado ou distante:

1. Comece onde você está, não onde acha que deveria estar

A oração não exige o estado de espírito adequado nem as palavras perfeitas. Você não precisa "se recompor" antes de recorrer a Deus. Se a única coisa que você consegue dizer é "estou exausto" ou "não sei o que estou fazendo", isso já é uma oração. Deus o encontra na sua realidade, não no seu desempenho.

2. Seja breve, muito breve

Quando a vida está agitada ou esmagadora, as orações longas podem parecer impossíveis. Não tem problema. Uma simples frase repetida ao longo do dia pode ser suficiente:

  • "Senhor, fica comigo."
  • "Jesus, eu confio em Vós."
  • "Ajuda-me."

Essas breves orações infiltram-se nas brechas da vida cotidiana — enquanto você dirige, dobra a roupa, espera em uma fila — e mantêm seu coração suavemente voltado para Deus.

3. Deixe o silêncio contar como oração

Nem sempre são necessárias palavras. Às vezes, a oração consiste simplesmente em sentar-se na presença de Deus, mesmo que sua mente divague. O silêncio não é vazio; é um ato de confiança. Se a única coisa que você pode fazer é sentar-se em silêncio por um minuto e respirar, acreditando que Deus está perto, isso ainda é importante. O silêncio permite que Deus trabalhe sob a superfície, mesmo quando você não sente que nada está acontecendo.

4. Pegue emprestadas as palavras de outros

Nos dias em que suas próprias palavras falharem, deixe que outra pessoa reze por você. As Escrituras, os Salmos, o Pai-Nosso ou orações familiares podem ajudá-lo quando sua fé parecer fraca. Você não precisa inventar a oração. Pode apoiar-se na sabedoria da Igreja, especialmente quando se sentir debilitado.

5. Reze com seu corpo

A oração não acontece apenas na sua cabeça. Acenda uma vela. Faça o sinal da cruz lentamente. Caminhe em silêncio. Sente-se em uma igreja, mesmo que por um momento. Os gestos físicos podem ajudar a centrar a oração quando os pensamentos estão dispersos. Às vezes, seu corpo leva seu coração de volta a Deus antes que suas emoções o alcancem.

6. Seja paciente com a aridez

Não se sentir espiritual não significa que Deus esteja longe. Frequentemente, significa que sua fé está se aprofundando de maneiras que você ainda não consegue ver. As temporadas de aridez não são fracassos, são convites a confiar sem garantias. E lembre-se: a fé que permanece mesmo quando os sentimentos desaparecem é uma fé forte.

À medida que o ano de 2026 avança, lembre-se disto: a oração não consiste em sentir-se perto de Deus em todos os momentos. Trata-se de escolher voltar-se para Ele, uma e outra vez, tal como você é. Mesmo a oração cansada conta. De fato, especialmente a oração cansada. E, às vezes, essa é a oração que Deus mais utiliza.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de quinta-feira: a verdade da cruz

Comentário ao Evangelho de quinta-feira depois das Cinzas. «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me». Para um cristão, tomar a cruz de cada dia consiste em repetir as mesmas verdades de Cristo. Sem medo da morte. Com graça e bom humor.


 Evangelho (Lc 9, 22-25)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia».

E, dirigindo-Se a todos, disse:

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida tem de perdê-la; mas quem perder a vida por minha causa salvá-la-á. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou arruinar-se a si próprio?».


Comentário

Jesus aproximava-se com carinho e compaixão de toda a gente. Fazia milagres. Falava como nunca ninguém tinha falado até então. Interessava-Se por todos, a ponto de nem sequer saber onde ia repousar a cabeça à noite. Perdoava os pecados. Expulsava demónios. Jesus entrava nas casas e aceitava os convites de todos para refeições, mesmo dos publicanos. Também conversava profunda e confidencialmente com os fariseus que estavam dispostos a isso. E dava de comer a multidões, se era necessário. A sua personalidade devia ser (e continua a ser) muito atrativa. Além disso, Jesus queria chamar amigos a todos e com todos tinha um relacionamento amigável: com os galileus, os judeus da Judeia, os samaritanos e os estrangeiros…

Apesar da sua amabilidade, o Senhor foi rejeitado por alguns… Os anciãos, os príncipes dos sacerdotes e alguns escribas foram culpados da morte de Jesus, como Ele próprio anuncia no Evangelho. É como se permanecessem cegos perante a bondade do Senhor.

Hoje continuamos a fazer-nos a mesma pergunta que poderiam fazer os seus discípulos de então: como é possível que sendo Jesus tão bom como é, tão amável, haja alguns que queiram condená-l'O no patíbulo?

Seguramente a resposta é constituída por uma série de razões, que só Deus conhece. Mas talvez uma razão suficiente seja o facto de o Mestre também fazer mais outra coisa muito boa, mas que nem sempre faz amigos: Jesus dizia sempre a verdade. De facto, a verdade é muito boa, mas, como é sabido, nem sempre a verdade é amável. Jesus, que foi sempre fiel à missão do Pai, nunca Se calou. E foi essa fidelidade eloquente que O levou à Cruz.

Para um cristão deste século, talvez mais do que nunca, pegar na cruz de cada dia consiste em repetir as verdades de Cristo com as palavras de Cristo. Sem medo da vida. Sem medo da morte. E, se possível, com graça. Com a graça de Maria. Que é sempre possível.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

A imposição das cinzas perdoa os meus pecados?

As cinzas são sinais de arrependimento e nos preparam para as graças de Deus

AQuarta-Feira de Cinzas marca o começo da Quaresma, um tempo de 40 dias de jejum, reflexão, meditação e preparação para a Páscoa. 

Embora a celebração da Quarta-Feira de Cinzas não esteja mencionada na Bíblia, é um dos maiores acontecimentos cristãos da história da Igreja. 

Durante a Missa de Cinzas, o sacerdote diz: “És pó, e ao pó tornarás” (Gênesis 3,19), enquanto impõe as cinzas em forma de cruz na testa do fiel. 

Com isso, a Igreja Católica recorda o quão curta é a vida e que devemos começar a nos preparar para a morte e a ressurreição junto a Jesus. 

Cinza, um sinal de arrependimento 

Há muito tempo, as cinzas são consideradas um sinal de arrependimento e de dor pelos pecados. Várias vezes a Bíblia menciona pessoas e povos inteiros arrependidos de seus pecados, usando a cinza como uma mostra externa de sofrimento, como na passagem abaixo: 

"Quando Mardoqueu soube o que se tinha passado rasgou suas vestes, cobriu-se de saco e de cinza. Em seguida, percorreu a cidade, dando gritos de dor.Veio desse modo até diante da porta do rei, pela qual ninguém tinha o direito de passar com vestes de luto. Em cada província, em toda a parte onde chegavam a ordem do rei e seu edito, havia grande desolação entre os judeus. Jejuaram, choraram e fizeram lamenta­ções; e muitos se deitavam sobre o saco e a cinza” (Ester 4,1-3).

O próprio Jesus Cristo fez referência às cinzas como sinal de arrependimento: 

"Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza" (Lucas 10,13).

Conhecendo agora o que significam as cinzas, podemos responder à pergunta: a imposição das cinzas perdoa os pecados?

Absolutamente não. A imposição das cinzas é apenas um sinal de arrependimento. O perdão dos pecados acontece apenas no Sacramento da Reconciliação (ou Confissão).  

As cinzas apenas nos preparam para recebermos a graça de Deus e deixam nossos corações abertos para receber o perdão no Sacramento da Reconciliação. 

Que possamos, então, receber as cinzas como forma de arrependimento e sinal da nossa vontade de caminharmos até o Senhor.