quarta-feira, 4 de março de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

O papel dos avós na criação, sem substituir os pais

Como deve ser o papel dos avós na criação dos netos? Aqui apresentamos algumas diretrizes para criar com amor, presença e ternura, respeitando os pais

Todos sabemos que os avós são um pilar afetivo importante para os netos, mas respeitando os pais, que são quem estão no comando da criação de seus filhos. É por isso que os avós não devem carregar um papel que não lhes corresponde.

Aqui compartilharemos como eles podem contribuir na criação dos netos, sem que os pais sobrecarreguem os avós e sem que os avós queiram implementar um tipo de criação diferente daquele que os pais das crianças estabeleceram.

Os avós como fonte de amor incondicional

É indiscutível que os avós trazem um valor emocional importante para os netos e que esse amor é incondicional; por isso, oferecem seu tempo e sua paciência com cada um deles, de tal forma que favorecem um vínculo afetivo com a criança, fortalecendo sua segurança e seu desenvolvimento integral.

O carinho nunca estraga uma criança; o que a fortalece é saber-se amada. Assim, se a criança sabe que conta com o carinho de seus avós, isso favorece sua autoestima durante o crescimento. Por esta razão, é importante que, como pais, vocês promovam e incentivem a convivência com os avós.

Acompanhar sem substituir: um equilíbrio necessário

Agora, é importante compreender o limite saudável dos avós, já que eles não deveriam "criar de novo", mas sim acompanhar. Dessa forma, eles podem apoiar no cuidado das crianças, mas não substituir o papel de pai ou mãe, pois estes são a figura principal e de autoridade diante de qualquer decisão importante sobre os filhos.

Como pais, pode-se correr o risco de delegar completamente a criação aos avós, causando esgotamento e confusão de papéis, tanto nos avós quanto nas crianças.

Como deve ser o tempo com os avós?

O pediatra Carlos González compartilha que o ideal é que avós e netos passem tempo juntos de maneira ocasional. Portanto, quando estiverem juntos, ele expressa que em certas ocasiões os avós podem chegar a "mimar com carinho", não no sentido negativo, mas sim enchendo-os de amor, histórias e risadas.

Mas ele também explicou que há outra vertente na qual os avós podem cair: a que leva a comportamentos um tanto prejudiciais, pois pode haver um excesso de complacências, consentindo que as crianças abusem de açúcar, televisão, etc. Assim, estas são algumas recomendações que podem ser seguidas:

1ACORDOS ENTRE PAIS E AVÓS

Dialogar entre pais e avós é essencial, especialmente se os netos passarem a tarde com eles um ou vários dias por semana. Dessa maneira, a comunicação é fundamental para que os acordos estabelecidos não sejam ignorados e para que possam respeitar e compartilhar ideias.

2EVITAR CONTRADIÇÕES NA FRENTE DAS CRIANÇAS

Este ponto é de suma importância, pois, uma vez estabelecidos os acordos entre pais e avós, eles não devem ser quebrados e, muito menos, contraditos na frente das crianças, já que isso pode gerar confusão e mal-estar em toda a família.

3O CUIDADO COM AS PALAVRAS

O pediatra Carlos González recomenda aos pais que falem de maneira propositiva com os avós, para que possam ensinar aos netos aspectos saudáveis. Ele sugere que, se os avós oferecerem excesso de açúcar, os pais conversem com eles e peçam que preparem algum prato saudável juntos, favorecendo a convivência e a comunicação.

4A REDE FAMILIAR É UM VÍNCULO QUE DEVE SER PRESERVADO

Quando cada membro ocupa o seu lugar, a família floresce. Portanto, os avós não substituem os pais, mas sustentam a infância com uma ternura que deixa marcas para toda a vida.

ESPIRITUALIDADE

 

Dilexi te: “Eu te amei”, é uma bússola. Os pobres na 1a. exortação apostólica de Leão XIV

Dilexi te representa para muitos uma esperança de que a Igreja católica, sob Leão XIV, não abandone os pobres, mas reafirme com clareza a preferência pelos que sofrem. O desafio será tornar essas palavras realidade no cotidiano: nas dioceses, nas paróquias, nas políticas, nos programas de caridade e serviço, nas decisões institucionais.

Em 4 de outubro de 2025, festa de São Francisco de Assis, Papa Leão XIV assinou sua primeira Exortação Apostólica, intitulada Dilexi te (“Eu te amei”). Trata-se de um documento magisterial centrado no amor pelos pobres, com destaque para justiça, compaixão e a necessidade de uma Igreja que viva não como instituição distante, mas como presença que caminha junto com os mais vulneráveis. 

O título, Dilexi te, ecoa intencionalmente Dilexit nos, a encíclica de Papa Francisco, publicada em outubro de 2024, sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus Cristo. Essa escolha já anuncia um traço de continuidade: a herança espiritual e pastoral deixada pelo pontífice anterior. 

No comunicado oficial, nota-se que entre os temas abordados estarão as guerras e a emergência climática, vistas como grandes causadoras de pobreza e injustiça social; o apelo será para que os pobres sejam protagonistas na vida da Igreja, não apenas destinatários de ajuda.


Papa Leão e Papa Francisco: práticas, episódios e legado

Para entender melhor a exortação de Leão XIV — seu alcance e desafio — é útil olhar para como Papa Francisco viveu e pregou esse amor pelos pobres ao longo dos seus doze anos de pontificado (2013‑2025), e como muitos dos gestos de Francisco parecem estar sendo retomados ou reconhecidos como parte de um caminho que agora Leão segue.

A seguir alguns episódios que ilustram esse estilo pontifício:

1LAMPEDUSA, 2013

O primeiro deslocamento pastoral de Francisco fora de Roma foi para Lampedusa, ilha italiana símbolo dos dramas migratórios no Mediterrâneo. Lá, denunciou a “globalização da indiferença” diante das mortes de migrantes no mar.

2LESBOS, 2016 (E EM 2021)

Visitas às ilhas gregas, com campos de refugiados, e o gesto simbólico de levar refugiados no avião papal para Roma. A compaixão concreta frente ao deslocamento, à dor daqueles que fogem de guerras e pobreza.

3INSTITUIÇÃO DO DIA MUNDIAL DOS POBRES

Em 2016, por meio da carta apostólica Misericordia et Misera, Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres, convocando toda a Igreja a solidarizar-se concretamente com os que mais sofrem.

4CONFRONTO COM AS CAUSAS ESTRUTURAIS DA POBREZA

Francisco não se limitou a caridade individual, mas apontou as causas: guerras, desigualdades econômicas, crise climática, indiferença social. Ele exortava a “opção preferencial pelos pobres”, uma expressão teológica que se concretizava também em políticas, discursos, visitas e pronunciamentos


O que está em jogo

Com Dilexi te, Leão XIV retoma explicitamente essa tradição iniciada ou aprofundada por Francisco. Vejamos como ele enfatiza continuidade, e onde talvez já se vislumbre uma nota própria:

Continuidade: O tema central do amor aos pobres: Leão coloca os pobres no coração do primeiro documento de seu pontificado e utiliza símbolos e datas significativas. Além disso o documento foi assinado em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, símbolo de pobreza, simplicidade, fraternidade

Espera-se que Dilexi te enfatize ainda mais a protagonismo dos pobres: não apenas serem objetos de assistência, mas sujeitos de direitos, de voz dentro da Igreja.

Também há indicação de maior reflexão ou urgência sobre as causas globais que agravam a pobreza: guerras, catástrofes climáticas, injustiças econômicas. 

Pode haver uma intensificação da chamada à Igreja e à sociedade para não só mitigar sintomas, mas transformar estruturas. Esse será um traço que dependerá de como Dilexi te será levado à prática.

Narrativa: caminhar juntos no amor

Para ver esse momento de transição, imagine uma grande estrada trilhada por Papa Francisco durante doze anos, onde cada parada — Lampedusa, Lesbos, encontros com pobres, discursos, simples gestos de austeridade — deixou marcos luminosos que mostraram um caminho de retorno ao Evangelho “dos extremos”: com e pelos pobres.

Papa Leão XIV agora assume o leme dessa estrada. Dilexi te é sua bússola inicial: diz “eu te amei” não como um esquema retórico, mas como um compromisso. É lembrar que o amor divino precede toda ação, que cada pobre é amado e chama resposta. Mas também é convocar a ação: justiça, partilha, conversão, escuta.