quinta-feira, 30 de julho de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

O método de Santo Inácio de Loyola para reconhecer os sinais de Deus

Às vezes, buscamos desesperadamente uma indicação do Senhor e pensamos que não podemos encontrá-la. Porém, os sinais de Deus não são tão difíceis de decifrar...

Às vezes, buscamos desesperadamente uma indicação do Senhor e pensamos que não podemos encontrá-la. Porém, os sinais de Deus não são tão difíceis de decifrar…Um sinal é sempre um “sinal de alguma coisa”. O trabalho da inteligência e da fé consiste, portanto, em voltar do sinal à realidade revelada pelo sinal. Desta forma, a Criação nos envia seu Criador. A Imitação de Jesus Cristo especifica que “não há criatura, por menor que seja, por mais humilde que seja, que não revele a bondade de Deus”. Portanto, os sinais desse amor estão por toda parte! Você só precisa saber percebê-los.

A ausência de um “sinal” é um “sinal” que fala alto

Os acontecimentos da vida são também “sinais” da Providência divina. A filósofa Simone Weil disse que Deus estabelece uma “linguagem convencional” com seus amigos. Cada acontecimento na vida é uma palavra desta linguagem. O significado comum de todas essas palavras é: “Eu te amo”. Simone Weil nos dá este exemplo: um homem bebe um copo d’água; a água é o “eu te amo” de Deus. Ele fica dois dias no deserto sem encontrar nada para beber; a secura da garganta é o “eu te amo” de Deus. Deus não tem palavras para dizer à sua criatura: “Eu te odeio”, mas certamente é mais fácil ouvir “eu te amo” de Deus naquele providencial copo d’água do que decifrar sua ternura oculta quando a língua gruda no palato…

Às vezes, na monotonia do dia a dia, podemos parecer um motorista procurando desesperadamente uma placa de saída na rodovia: “Abri a Bíblia e me deparei com essas palavras …” “Fiz uma novena para descobrir o que Jesus queria de mim, e recebi este sinal …” Mas a ausência de um “sinal” é realmente um “sinal” que fala muito alto! É assim que Deus confirma que devemos perseverar nas nossas tarefas e não procurar seguir sinais imaginários … Vivendo o “sinal” da realidade repetitiva da vida, certamente encontraremos o reino de Deus – Cristo, com a alegria e a paz de sua presença (Rm 14,17).

Para reconhecer bem o sinal, é preciso chegar à “indiferença”

A nossa humilde vida quotidiana é marcada por “piscadelas” de Deus, “sinais” do seu amor pessoal, delicado e atento por nós. Estes sinais suscitam a nossa gratidão e o nosso louvor: o sorriso de uma criança, a alegria do nosso esposo ou esposa, uma leitura … O “sinal” mais marcante é o da Eucaristia que comunica a vida divina e contém, na pobreza das aparências, ao Autor da graça: o próprio Jesus!

O sinal de saída também pode aparecer. Esses sinais costumam ter um duplo aspecto: um chamado do coração e uma confirmação externa na realidade. Para poder perceber bem o sinal, é necessário chegar ao que Santo Inácio de Loyola chama de “indiferença”: uma liberdade interior que depois se torna vontade de servir a glória de Deus, a seu modo e não segundo os seus gostos. Também é aconselhável buscar o conselho de uma pessoa iluminada. E, finalmente, é preciso saber, na oração, esperar a hora de Deus agir. O Senhor nos guia com sinais simples e fáceis de decifrar … para corações simples!

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O lugar onde Santo Inácio escreveu os Exercícios Espirituais

A rota inaciana passa pela cidade espanhola em que o fundador da Companhia de Jesus teve várias experiências místicas

Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, é muito conhecido em Euskadi (Espanha) e em Roma (Itália). Mas um dos lugares mais emblemáticos da vida dele fica na localidade catalã de Manresa, que agora está potencializando o Caminho de Santo Inácio com a “Rota Inaciana”.

Foi nessa cidade, não fica muito longe do célebre mosteiro beneditino de Montserrat – também significativo na vida do santo – que Inácio descobriu sua vocação religiosa e fez votos de pobreza. Também foi lá que ele começou a escrever seus Exercícios Espirituais, em 1522.

Manresa organiza rotas inacianas pela cidade, chegando a um dos lugares mais impressionantes: a famosa “Cueva” [Caverna]. Construída entre os séculos XVII e XVIII, virou um santuário e casa de exercícios.

Inácio de Loyola viveu em Manresa durante 11 meses: de março de 1522 a fevereiro de 1523. As experiências que ele teve na cidade ajudaram-no a consolidar sua trajetória espiritual depois que ele decidiu abandonar a vida militar para se dedicar à meditação.

Experiências místicas

Segundo relata sua autobiografia, Inácio teve experiências místicas e “raptos espirituais” em Manresa, que foram chave para a redação de sua obra mais influente, um clássico da literatura cristã universal: seus “Exercícios Espirituais”.

Os lugares inacianos em Manresa incluem a ante-caverna, com mosaicos, molduras e vitrais muito ricos em decoração, que levam à caverna. Destaque para o retábulo do século XVII de Joan Grau, um escultor barroco. Também há uma série de medalhões do artista Josep Sunyer.

A Casa dos Exercícios é um colossal edifício neoclássico, que acolhe todos os peregrinos do mundo que querem fazer os Exercícios Espirituais no lugar onde eles foram criados. No local, também há uma comunidade jesuíta.

A cidade de Manresa também abriga alguns lugares desconhecidos, como a “Capela de Santo Inácio enfermo”. A família Amigant acolheu Inácio na casa deles em várias ocasiões. Na capela, conserva-se uma tela com a imagem da família cuidando do santo.

Uma curiosidade é a casa onde o agora santo pedia esmola e onde ele deixou um cilício antes de abandonar Manresa.

Outro ponto da rota inaciana é a “Ermita de la Guía”, lugar por onde Inácio chegou a Manresa e onde teve a visão que o conduziu à caverna.

Em 2022, Manresa celebrará o ano Jubiliar, em comemoração aos 500 anos da chegada de Santo Inácio de Loyola à cidade.

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Pesquisa comprova: exercícios espirituais podem melhorar a saúde física

Cientistas descobriram que um retiro inaciano provocou "mudanças significativas" no cérebro dos participantes, o que gerou melhoras na saúde.

Um pesquisa desenvolvida por cientistas norte-americanos comprovou que os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola podem melhorar a saúde física. Os pesquisadores descobriram que um  retiro inaciano de sete dias provocou "mudanças significativas" no cérebro dos participantes, o que gerou melhoras na saúde.

O estudo foi conduzido pelos cientistas do Instituto Marcus de Saúde Interativa, da Universidade Thomas Jefferson. Eles estudaram as respostas cerebrais de 14 participantes de um retiro - todos com idades entre 24 e 76 anos. Os pesquisadores publicaram os resultados do estudo no artigo científico "Religion, Brain and Behavior" (Religião, Cérebro e Comportamento).

Para o Dr. Andrew Newberg, diretor da pesquisa, os impactos cerebrais na melhora da saúde dos participantes da pesquisa tem a ver com a serotonina e a dopamina. Essas substâncias fazem parte dos sistemas de recompensa e emocional do cérebro. "Nosso estudo mostrou mudanças significativas nos transportadores de dopamina e de serotonina logo depois do retiro de sete dias, o que poderia ajudar os participantes nas experiências espirituais que descreveram”, indicou Newberg.

Dopamina e serotonina

A dopamina é conhecida como a "química do prazer". Ela também desempenha vários papéis importantes nas funções cerebrais, como o controle de atenção e o movimento, por exemplo. Já a serotonina é o "hormônio da felicidade" e interfere na regulação emocional e no estado de humor.

As observações posteriores ao retiro revelaram diminuições no transportador de dopamina e na ligação do transportador de serotonina, o que poderia gerar que mais neurotransmissores estivessem disponíveis para o cérebro.

Depois da Missa matinal, no retiro, as pessoas passaram a maior parte do dia em silêncio, rezando e meditando. Ao voltarem à vida normal, os participantes do estudo também responderam a uma série de perguntas. As respostas indicaram melhoras significativas na percepção da saúde física, na tensão e no cansaço.

Além disso, eles também relataram uma sensação maior de autotranscedência depois dos exercícios espirituais. Para os pesquisadores, isso se relaciona com a mudança de dopamina vinculante.

Mas por que isso aconteceu? O Dr. Newberg explica que ainda não tem a resposta. "A nossa equipe tem a curiosidade de saber a respeito de quais aspectos do retiro causaram as mudanças nos sistemas de neurotransmissores e se diferentes retiros causariam resultados diferentes. Esperemos que os estudos futuros possam responder a estas perguntas" concluiu o especialista.