terça-feira, 27 de outubro de 2026

IGREJA

 

Quando você pensa em desistir, Deus ainda permanece fiel

Existem dias em que a alma se cansa. Dias em que oramos sem sentir consolo, tentamos recomeçar sem encontrar forças e olhamos para a própria história com a impressão de que nada vai mudar. É quando a desistência deixa de ser apenas um pensamento e começa a parecer um lugar de descanso.

A psicologia compreende que, diante de frustrações repetidas, perdas e sofrimento prolongado, podemos desenvolver uma percepção de impotência. A mente, tentando nos proteger de novas dores, começa a antecipar o fracasso. Aquilo que não deu certo até aqui passa a parecer impossível para sempre. E, pouco a pouco, deixamos de enxergar possibilidades.

Mas o fato de você não conseguir ver uma saída hoje não significa que ela não exista.

Ser frágil não anula nossa fé

É justamente nesses momentos que precisamos nos lembrar de algo essencial: a nossa fragilidade não anula a fidelidade de Deus.

Na fé cristã, a fidelidade divina não significa que tudo acontecerá conforme os nossos planos, nem que seremos poupados das perdas, das esperas ou das noites difíceis. Significa que Deus não deixa de ser Deus quando a vida deixa de fazer sentido para nós. Seu amor não oscila conforme o nosso desempenho, e Sua presença não desaparece quando nossas forças se esgotam.

Talvez você não consiga rezar como antes. Talvez esteja cansado de tentar, de esperar, de acreditar que as coisas podem melhorar. Talvez até sinta culpa por estar tão desanimado. Mas você não precisa esconder de Deus a sua exaustão. Os Salmos estão cheios de perguntas, lágrimas e clamores de pessoas que também não compreendiam o que estavam vivendo.

A fé não exige que você finja estar bem. Ela permite que você se apresente diante de Deus como realmente está.

E há algo importante nisso: descansar não é o mesmo que desistir; reconhecer os próprios limites não é fracassar; pedir ajuda não é falta de fé. Às vezes, a coragem de continuar começa quando paramos de exigir de nós mesmos uma força que não temos e aceitamos ser amparados — pela graça, por pessoas que nos amam e pelo cuidado psicológico quando necessário.

Em Lamentações, encontramos uma declaração que nasce em meio à dor: “As misericórdias do Senhor não se acabam, elas são renovadas cada manhã” (cf. Lamentações 3,22-23). Não é uma promessa de que todas as manhãs serão fáceis. É a lembrança de que a dor não tem a palavra final sobre a nossa história.

Deus permanece fiel, mesmo quando nos sentimos sós

Por isso, se hoje você pensa em desistir, não tome o seu momento mais escuro como uma sentença definitiva sobre o seu futuro. Você não precisa resolver a vida inteira agora. Talvez o próximo passo seja pequeno: levantar da cama, conversar com alguém, retomar uma oração simples, marcar uma sessão de terapia ou apenas atravessar este dia sem exigir de si respostas para tudo.

Deus permanece fiel até quando você já não sabe como permanecer. E, enquanto você aprende a recuperar as forças, não precisa caminhar sozinho.

Talvez a esperança não volte como um grande milagre de uma só vez. Talvez ela comece discretamente, como uma luz que ainda não ilumina todo o caminho, mas revela o próximo passo.

E, por hoje, isso pode ser suficiente.

IGREJA

 

Ideias maravilhosas de uma catequista da Primeira Comunhão

Preparar as crianças para a Primeira Comunhão é um daqueles privilégios que alguns catequistas têm. Almas puras e belas que logo se tornarão tabernáculos vivos.

Tive esse breve privilégio de dar uma palestra dirigida às crianças da Primeira Comunhão na escola da minha neta. Foi um encontro maravilhoso em que cantamos juntos em voz alta aquela música infantil que eu tanto gostava:

"Vamos crianças ao tabernáculo
porque Jesus está chorando,
mas vendo tantas crianças
ficará muito feliz.
"

Cada vez que vou a uma Primeira Comunhão ou falo dela, lembro-me destas inspiradoras palavras de São José María Escrivá e faço-as minhas:

"Para acolher na terra pessoas constituídas em dignidade há luzes, música, trajes de gala. Para abrigar Cristo em nossa alma, como devemos nos preparar? Já pensamos em como nos comportaríamos se pudéssemos receber a Comunhão apenas uma vez na vida?"

Histórias extraordinárias

Anteriormente, compartilhei alguns depoimentos e belas críticas de nossos leitores. Adoro compartilhá-los com vocês, pois fazem parte da nossa grande família na Aleteia. Suas orações e generosas doações nos sustentam e nos permitem continuar.

De vez em quando recebo histórias excepcionais. Esta que estou publicando hoje veio da Itália e tive que traduzi-la para vocês. Compartilho com a aprovação da autora:

"Olá. Sou catequista e há treze anos ajudo crianças a conhecerem Jesus. Minha fé cresceu com elas, pela graça de Jesus e Maria.

Durante a pandemia, fazíamos catecismo na igreja, pois as salas de aula eram muito pequenas para permitir o distanciamento.

Todos os sábados, antes de irmos embora, passávamos em frente ao sacrário para saudar Jesus, para Lhe agradecer as coisas boas que aconteceram durante a semana e para Lhe pedir que nos ajudasse nas nossas dificuldades.

As crianças Lhe ofereciam orações espontâneas e todos cantávamos juntos: “Te dou meu coração, Jesus”.

Bater na porta do sacrário

Em algumas ocasiões fiz com que as crianças batessem à porta do sacrário para lhes fazer sentir que Jesus nos esperava e queria a nossa companhia, mais do que qualquer outra coisa .

As reuniões catequéticas sempre continuavam na igreja e me inspiravam tanto, que às vezes bastava eu ​​ler uma passagem do Evangelho e pedir a Jesus uma oração para que as palavras saíssem da minha boca sem ter que me preparar com atividades ou jogos.

As crianças ficavam sempre atentas, com o “coração aberto”,  pareciam sentir a Sua presença e faziam muitas perguntas. Às vezes, até conseguiam dar a si mesmas as respostas, com a sua simplicidade, mas certamente “guiadas” pelo Espírito Santo.  

Elas se prepararam para a Primeira Comunhão com muita vontade de recebê-Lo e, desde então, sempre me pedem para ir adorá-Lo (dizem para cumprimentá-Lo) antes de iniciar as reuniões.

Dou graças ao Senhor por estas crianças e peço-Lhe que as acompanhe nas suas vidas. Um grande abraço para todos vocês. "

Visitar Jesus

Que bela experiência aquela catequista fez com as crianças que começavam a conhecer e amar Jesus, prisioneiro de amor no sacrário.

Como elas, adoro cumprimentá-Lo. Você poderia me fazer o favor de dizer olá a Jesus por mim quando você O visitar? Diga-lhe: "Querido Jesus, Claudio manda lembranças."

IGREJA

 

Quatro obstáculos que quem está na catequese pode enfrentar

Ocatecumenato não é um mar de rosas, é um percurso que comporta inúmeros obstáculos. Como em qualquer verdadeira aventura, inimigos e combates podem obstruir essa magnífica jornada. Aqui estão quatro obstáculos enfrentados por muitos adultos que fazem catequese: o contexto no Ocidente que dificulta a adesão à fé, a desilusão, as próprias fraquezas espirituais e a tentação do diabo.

1Um contexto difícil

Hoje em dia, é difícil viver a própria fé em grande parte do Ocidente. O Concílio Vaticano II explica esse fenômeno: "Ao contrário do que acontecia outrora, a negação de Deus ou da religião, ou o abandono deles, já não são fenômenos raros e isolados. Hoje em dia, com efeito, não raramente tais coisas são apresentadas como exigências do progresso científico ou de um certo novo humanismo. Estas ideias manifestam-se (...), não apenas nos escritos dos filósofos, mas influenciam por toda a parte a literatura, as artes, a interpretação das ciências humanas e da história, e até o próprio direito civil. Consequentemente, muitos ficam abalados." (GS 7). A fé é marcada por suspeitas e clichês temíveis que são capazes de fazer vacilar e dificultam a adesão à fé cristã.

2Alguns católicos podem decepcionar

Alguns católicos podem decepcionar e não estar à altura das expectativas dos catecúmenos. Existem três doenças espirituais presentes na Igreja no Ocidente. Primeiro, uma tibieza e moleza na vida de fé; segundo, um certo angelismo, ou seja, discursos desconectados quando se trata de falar sobre a fé; e, por fim, o mundanismo, um fechamento em si mesmo ("entre-soi"), uma dificuldade de se abrir aos outros e de se desvencilhar de certos comportamentos homogêneos (linguagens, atitudes, códigos sociais). O objetivo não é julgar, mas estar preparado para o fato de que alguns católicos vão te decepcionar.

3Suas próprias fraquezas

Há também as suas próprias fragilidades espirituais, isto é, crenças, formas de pensar e de se comportar, diretamente incutidas pela sociedade, que se tornarão obstáculos para o aprofundamento da fé. Aqui estão as fragilidades encontradas com mais frequência entre os catecúmenos:

O relativismo: ou o fato de considerar que não existe verdade, cada um com o seu ponto de vista;

O individualismo: ou o fato de acreditar que se pode viver a fé sozinho e que não se precisa dos outros;

O laicismo (que não é a laicidade): ou o fato de considerar que a fé deve permanecer estritamente privada e oculta;

A amoralidade: ou o fato de considerar que o mal não existe realmente e que, portanto, os pecados cometidos não têm importância;

O consumismo: ou o fato de se interessar pela vida espiritual apenas quando ela proporciona prazer;

O esoterismo: ou o fato de não depositar a sua fé na Igreja e nos seus ensinamentos, mas sim em outras correntes espirituais, bem como em práticas espíritas, videntes ou médiuns;

A incultura cristã: ou o fato de apegar-se a clichês e ter uma opinião arraigada sobre muitos temas controversos da Igreja, sem dominar a história da Igreja ou a teologia.

Também é preciso levar em conta as fragilidades psicológicas: alguns se voltam para Deus após uma provação ou sofrimento psicológico. Isso deve ser considerado em uma caminhada para distinguir o que é de ordem espiritual e o que é de ordem psicológica.

4A ação do diabo contra a catequese

E, finalmente, por trás de todo combate, há uma luta contra o mal, o diabo: o combate espiritual. São Paulo fala disso explicitamente: "Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo de trevas [...], contra os espíritos do mal que povoam as regiões celestes" (Ef 6, 11-12).

No entanto, cuidado para não dar ao diabo mais importância e poder do que ele realmente tem (cuidado com a paranoia, isso só lhe dá mais espaço). O único poder que ele possui sobre nós é aquele que nós lhe damos, por exemplo, quando cedemos ao pecado e, sobretudo, quando nos afastamos de Deus, voltando-nos para o mal. Como o apóstolo Pedro, permaneçamos vigilantes: "Sede sóbrios e vigiai. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé" (1 Pe 5, 8-9).

É permanecendo focados em Cristo, ao mesmo tempo em que levamos em conta esses obstáculos, que poderemos atravessar as tempestades que marcam o caminho rumo ao batismo.

IGREJA

 

Como derrotar Satanás: os conselhos do exorcista-mor de Roma

O padre italiano Gabriele Amorth nos fala sobre o Amor de Deus Pai, capaz de ofuscar todos os ataques do diabo

Muitos cristãos não acreditam no diabo, como o cardeal que certa vez deixou alarmado o padre Gabriele Amorth, exorcista e especialista em mariologia: “Isso não é nada além de superstição”, tinha dito o purpurado. Outros veem o diabo em todos os lugares, prestando-lhe um excesso de atenção que não é saudável.

O padre Amorth restaura a perspectiva adequada em um “testamento espiritual” legado ao final da sua vida (ele está com 90 anos de idade). A verdade é que Deus é infinitamente “mais belo que o diabo” e muito mais atraente, diz o padre no livro-entrevista compilado por seu colega Angelo De Simone. É uma grande pena que tantos católicos deixem o Deus do Amor em segundo plano – até porque isto é jogar o próprio jogo do diabo.

Somos filhos de Deus: esta é a boa notícia que todos os cristãos devem irradiar. Como podemos evangelizar sem irradiar o Amor de Deus? Como podemos transmitir esse fogo sendo meramente “religiosos”? Afinal, todo mundo, até mesmo o ateu mais empedernido, é “religioso” de certa forma.

Sob a proteção de Maria

O diabo certamente existe e “possui” um número limitado de pessoas. O padre Amorth passou boa parte da vida expulsando-o. Ele também tem um posicionamento claro quanto às “marcas devastadoras do diabo” em nossa sociedade. No entanto, o célebre exorcista de Roma é cuidadoso para não tornar o diabo uma obsessão. Ele nos dá os seguintes conselhos sobre as inevitáveis ​​tentações e quedas que acontecem na vida do cristão: “Se há uma maneira infalível de nos proteger da influência do diabo é nos deixar atrair pela bondade e pela beleza do Bem e do nosso Deus e Pai”.

O próprio padre Amorth trilhou a estrada real de seguir o exemplo de Maria e se colocar sob a sua proteção.

Este discípulo do padre Pio não minimiza o mal, o pecado e o inferno de maneira alguma. No entanto, assim como a “pequena” Santa Teresinha, ele sabe que seremos julgados pelo amor. Desde a queda de Adão e Eva, “a razão mais profunda que impede a comunhão com Deus é o medo de Deus; um medo que não nos deixa sentir o Amor de Deus Pai por nós como filhos”. Esta é a mortal mentira do anjo das trevas: “Deus não ama você”. Este é “o pior dos males” e a fonte de todos os outros: “não conhecer o Pai”. Sem o Amor do Pai, “a lei de Deus é apenas um fardo pesado”.

Total confiança no Amor do Pai

Ao longo de toda a sua vida, de Belém até o Gólgota, Cristo nos mostra como resistir a Satanás e vencer o mal: confiando-se totalmente ao Pai, abandonando-se ao seu Amor. Isto não acontece sem a nossa participação, sem sermos vigilantes todos os dias e durante toda a nossa vida, “transformando-nos de servos em filhos”. Neste caminho, o diabo vai fazendo a sua parte: “a presença e a ação dele no mundo deve nos manter atentos para podermos travar a batalha”. O Filho quer nos associar à sua luta bem sucedida contra Satanás e contra as suas obras, de modo a sermos vencedores, junto com Ele, nas mãos do Pai.

O cristão é chamado a esta luta como outro Cristo, no testemunho pacífico da verdade: “A nossa luta não é contra criaturas de carne e sangue, mas contra espíritos do mal que habitam este mundo. Vamos obedecer a Cristo e seguir as instruções que Paulo deu aos cristãos de Roma: vamos vencer o mal com o bem, porque a vingança gera vingança e não quebra a cadeia do mal: ela a perpetua e agrava”.

Humildade, fé e oração

Em suma, a armadilha diabólica mais formidável é a tibieza, a indiferença e a insensibilidade espiritual, que, gradualmente, nos mergulham na escuridão. Como podemos evitá-la? Os remédios são conhecidos há dois mil anos: “a humildade, a fé, a oração (o rosário), os sacramentos (a missa, o sacramento da reconciliação), vivendo uma vida cristã em conformidade com o Evangelho, fazendo as obras da caridade e perdoando os nossos inimigos”. Sempre seguindo o exemplo de Maria e colocando-nos sob a sua proteção.

Deus é mais belo que o diabo! Deus é infinita e incomparavelmente mais belo que o diabo!

SANTO DO DIA

 Hoje é dia de santo Odrano, abade e fundador irlandês, apóstolo da Escócia

Hoje (27) é a festa de santo Odrano (Odran ou Odhran), que foi chamado de "nobre e sem mancha". Odrano viveu entre os séculos V e VI e talvez seja o mais famoso abade do mosteiro de Meath, Irlanda.

A evangelização da Escócia e a morte de Odrano

Santo Odrano viveu por mais de 40 anos em Silvermines, no condado de Tipperary, Irlanda, e é considerado o responsável pela construção da igreja local em 520. Segundo a tradição irlandesa, Odrano foi abade do mosteiro de Meath e fundou o mosteiro de Lattreagh.

Em 563, Odrano fez parte do grupo que partiu para a ilha escocesa de Iona (Ilhas Hébridas Interiores, arquipélago da Escócia), onde acabou morrendo. Odrano e seus companheiros partiram de Loch Foyle, Irlanda, para Iona ao lado de são Columba (521-597), santo padroeiro dos escoceses. Iona é uma pequena ilha no oeste da Escócia, onde foi construído um mosteiro e de onde começou a evangelização do povo escocês.

Uma antiga tradição irlandesa diz que, logo após desembarcar em Iona, Odrano sentiu que seu fim estava próximo e disse: "Serei o primeiro cristão a morrer nesta região". Ao que são Columba respondeu: "Eu lhe asseguro que você irá para o Reino dos Céus e prometo que ninguém obterá uma graça em meu túmulo sem tê-la pedido a você também". Como Columba não queria ver seu amigo morrer, ele lhe deu sua bênção e eles seguiram caminhos diferentes.

Um combate nas alturas

Columba estava na metade de seu caminho quando ergueu os olhos para o céu. De repente, ele ficou paralisado, como se estivesse em um profundo êxtase. Seus companheiros perguntaram o que ele estava vendo e Columba respondeu, para surpresa de todos, que estava vendo a batalha travada nas alturas entre os espíritos bons e os maus. Em seguida, disse que também tinha visto como os anjos estavam levando triunfantes a alma de santo Odrano para o céu.

A companhia aérea de bandeira da Irlanda, Aer Lingus, batizou um de seus aviões de passageiros, um Boeing 757, de "St. Otteran-Odhrán". ‘Otteranus é ‘Odrano’ em latim, provavelmente em alusão à lenda do santo voando pelos ares acompanhado por anjos.

Escócia e Irlanda unidas

Santo Odrano foi o primeiro dos monges irlandeses a morrer e ser enterrado em Iona, na Escócia. Sua morte foi registrada em 548. Seu local de sepultamento, que fica no único cemitério da ilha, é chamado de "Reilig Orain" em sua homenagem. Um relato antigo diz que seu túmulo está localizado na base da capela do local.

O santo fundou o mosteiro de Latteragh no condado de Tipperary, que mais tarde foi renomeado Leitrioch Odrain. Embora pouco se saiba sobre os detalhes de sua vida, ele é celebrado como um bispo santo em toda a Irlanda.

LITURGIA DIÁRIA

 

3ª feira da 30ª semana do tempo Comum: A que é semelhante o Reino de Deus?

Evangelho da 3ª feira da 30ª semana do tempo Comum. "É como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado". Tratemos de fazer nosso trabalho da melhor forma possível, com a competência necessária e com espírito de serviço.


Evangelho (Lucas 13 18-21)

Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”.
Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.


Comentário:

A ação santificadora do Espírito Santo pode nos passar inadvertida. O crescimento da vida interior é paulatino. Deus conta com o tempo. Conhece a nossa fragilidade e as dificuldades que vão se apresentar em nossa vida, mas a sua graça, o seu amor, é constante O bem é comunicativo e a santidade também. O Senhor nos dá a imagem das aves do céu, que pousam nos ramos da semente de mostarda que se tornou árvore. A mesma coisa acontece aos filhos de Deus, quando procuram ser fiéis. Muitos virão refugiar-se no amor de Deus que se manifesta em suas vidas.

Temos de perseverar na luta, uma luta cotidiana, quase sempre em coisas pequenas, que deixam a alma preparada para receber a semente divina e dar frutos. Não importa que os nossos desejos de santidade sejam efêmeros e inconstantes. Deus é tão bom, que com um pouquinho de boa vontade, constrói o edifício da nossa santidade. São Josemaria costumava dizer que cada vez que fazia um ato de contrição, recomeçava... Experimentamos a nossa imperfeição constantemente, mas em vez de nos desanimar, sabemos que a nossa debilidade atrai o amor divino, um amor que o leva a clamar: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca”[1].

Deus atua como o fermento na massa. Aplica à nossa natureza caída os méritos infinitos da sua Redenção e a transforma, a diviniza. Assim nós temos de atuar no meio do mundo: ser fermento na massa, santificando as nossas ocupações diárias, aproveitando essas circunstâncias para crescer em santidade e santificar os outros. A santidade consiste em amar. O fermento do amor fará emergir uma nova civilização, uma nova cultura que surgirá no mundo, realizada pelos filhos de Deus, porque, como afirmava o Apóstolo: “a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus”[2].

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

IGREJA

 

Causas dos santos: Roma reconhece as virtudes heroicas de 6 Servos de Deus

Durante uma audiência concedida ao Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, Cardeal Marcello Semeraro, no sábado, o Papa Leão XIV aprovou a publicação de seis decretos que reconhecem as virtudes heroicas de Servos de Deus. Para cada um deles, o reconhecimento subsequente de um milagre será necessário para que se considere a sua beatificação — o passo final antes da canonização.

A Igreja Católica reconheceu, assim, as virtudes heroicas do Bispo Friedrich Kaiser Depel, um bispo alemão que serviu durante muitos anos como missionário no Peru. Nascido em 1903, foi membro dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, ordem na qual foi ordenado sacerdote em 1932. Enviado como missionário ao Peru em 1939, tornou-se o primeiro prelado da prelazia territorial de Caraveli, no sul do país andino.

Nesse território remoto, o homem que recebeu o título de bispo em 1963 encontrou poucos sacerdotes e nenhuma freira. Empreendeu, então, a criação de uma congregação religiosa feminina, as Irmãs Missionárias do Salvador, Mestre e Redentor. Participante do Concílio Vaticano II, fez o pedido de enviar "sacerdotes onde não há nenhum". Faleceu em 1993, no Peru.

Um Bispo Missionário na Índia

Entre os novos decretos, a Igreja Católica reconhece as virtudes heroicas do Bispo Oreste Marengo, membro dos Salesianos de Dom Bosco. Este italiano, nascido em 1906 no Piemonte, passou a maior parte da sua vida na Índia, onde serviu como Bispo de Diburugarh de 1951 a 1964, Bispo de Tezpur de 1964 a 1969 e, posteriormente, Administrador Apostólico de Tura até 1979.

Faleceu nesta cidade do leste da Índia em 1998. Fervoroso evangelizador, dedicou-se profundamente a atender às necessidades educacionais das regiões onde atuou.

Ao assinar esses decretos, Leão XIV também impulsionou a causa de Domenico Pogliani, um sacerdote italiano nascido em 1838 e falecido em 1921. Em 1896, ele fundou o Instituto da Sagrada Família, uma organização de caridade dedicada ao cuidado dos pobres e necessitados. Essa obra de caridade permanece ativa até hoje no norte da Itália.

O Papa reconheceu as virtudes heroicas de Alessandro Vitetti, um sacerdote italiano nascido em 1915 e falecido em 1995. Conhecido por sua devoção aos mais pobres entre os pobres, ele era particularmente procurado por suas qualidades como confessor e diretor espiritual. Cego e surdo devido a uma doença no final da vida, ele disse: “Não posso ver, não posso ouvir, mas acredito”.

Declarado morto, ele despertou três horas depois.

Roma também está promovendo a causa do frade capuchinho Daniele Natale (nascido Michele De Bonis). Nascido em 1919, ele foi discípulo espiritual de Padre Pio e se destacou particularmente por sua caridade para com as vítimas dos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1952, após uma grande cirurgia, ele foi declarado morto, mas, para surpresa de seus médicos, despertou três horas depois. Ele afirmou ter tido uma experiência de quase morte e ter encontrado Deus durante o que descreveu como uma estadia no purgatório. Ele faleceu 42 anos depois desse episódio, em 1994.

Finalmente, um decreto deu prosseguimento à causa de Margarita Bavosi, leiga consagrada do Movimento dos Focolares, nascida na Argentina em 1941. Apelidada de "Luminosa" por seu caráter otimista, ela serviu à Igreja particularmente na Espanha, mas também no Uruguai. Sofrendo de uma doença dolorosa, faleceu prematuramente em Roma, em 1985, aos 43 anos.