quarta-feira, 21 de outubro de 2026

IGREJA

 

João Paulo II e Padre Pio: o encontro em vida de dois santos da Igreja Católica

Dia 22 de outubro, a Igreja recordou o início do pontificado de João Paulo II (1978). Karol Wojtyla (seu nome de batismo) era polonês, nasceu na cidade de Wadowice no de ano de 1920. Foi eleito a Papa com 58 anos de idade e marcou gerações com sua vida de santidade.

O momento do encontro entre João Paulo II e São Pio de Pietrelcina, ocorreu em uma visita de Karol Wojtyla a paróquia que São Pio residia em São Giovanni Rotondo, Itália. O cenário daquela época era pós-guerra.  O mundo acabava de viver um período de tensão e conflito com a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Muitos fiéis se deslocavam quilômetros de distância para se confessar com São Padre Pio, pois até então, já estava bastante conhecido entre as regiões e cidades vizinhas, pelos fatos milagrosos ocorridos pela intercessão de São Pio. 

Em uma dessas visitas, Padre Pio recebe o jovem seminarista, Karol Wojtyla. Alguns dizem, que naquela ocasião, Padre Pio profetizou que ele seria o futuro Papa da Igreja Católica, mas haveria sangue e violência. De fato, isso aconteceu. Karol Wojtyla torna-se Papa e mais tarde, no ano de 1981, se dá o atentado de assassinato contra Wojtyla, um crime que comoveu a todos. 

Outro fato interessante sobre estes dois grandes santos, agora comprovado por cartas e outros documentos, foi a intercessão de São Pio. Era o ano de 1962 e Wojtyla era o bispo auxiliar de Cracóvia. Wojtyla escreve a São Pio, lhe pedindo orações para a cura de um câncer de sua amiga. Logo em seguida, lhe escreve novamente, agradecendo a intercessão pela graça recebida. 

O pontificado de São João Paulo II foi marcado pelo seu amor ao Santíssimo Sacramento, a devoção à Virgem Maria, o amor humano, à Santa Cruz e aos jovens. Em um de seus pronunciamentos na Assembleia do CELAM, em Puerto Príncipe, no Haiti, em 1983, Papa João Paulo II pede pelo ardor e devoção na Evangelização em seus métodos e em sua expressão. Inspirado nesta mensagem e outros momentos catequéticos do Papa João Paulo II, nasce a Obra Evangelizar É Preciso que leva São Padre Pio como intercessor. 

O que podemos aprender com estes dois grandes santos? A perseverança e confiança. Eles passaram por tempos muito difíceis, guerra e sofrimento. Deus estava presente, assim como está conosco atualmente. Por isso, não esmorecemos na Fé. Lutaremos com as armas de Deus: Oração, confissão e jejum. 

Que estes dois grandes santos, São Padre Pio e João Paulo II, intercedam pela paz no mundo. 

Amém! 

IGREJA

 

Dados essenciais sobre a vida de são João Paulo II

Quem foi são João Paulo II? Esse artigo apresenta dez dados sobre a vida do papa peregrino, que é lembrado como um dos líderes mais influentes do século XX.

1. Nasceu na Polônia

Nasceu em Wadowice, em 18 de maio de 1920, em uma pequena cidade a 50 quilômetros de Cracóvia. Era o mais novo dos três filhos de Karol Wojtyla e Emília Kaczorowska. Sua mãe morreu em 1929. Seu irmão mais velho, Edmundo, que era médico, morreu em 1932 e seu pai, suboficial do exército, em 1941. Sua irmã Olga morreu antes de ele nascer.2. Seu santo onomástico era são Carlos Borromeu

Embora tenham vivido em épocas diferentes, os dois estão unidos por ter histórias parecidas que o próprio são João Paulo II disse em sua audiência de 4 de novembro de 1981.

Karol é o equivalente polonês a Carlos. Ambos sofreram tentativas de assassinato, participaram de Concílios e compartilharam o amor pelos pobres e doentes.

3. Bateu recordes e obteve importantes conquistas

O papa são João Paulo II foi o primeiro papa não italiano desde Adriano VI (1522-1523). Foi o papa que fez mais viagens, somando 129 países; e quem mais fez beatificações e canonizações – 1.340 beatos e 483 santos. Também foi o primeiro a visitar uma sinagoga, a Casa Branca (EUA) e Cuba.4. Foi um grande diplomata

Durante seu pontificado, são João Paulo II aumentou o número de nações que contam com relações diplomáticas com a Santa Sé. Passou de 85 países em 1978 para 174 em 2003.

Os EUA, que antes tinham status de delegação junto à Santa Sé, a União Europeia, a Ordem Militar Soberana de Malta e a maioria das nações do antigo bloco comunista estabeleceram relações diplomáticas durante o pontificado de são João Paulo II. Ele também estabeleceu “relações de natureza especial” com a Federação russa e a Organização para a Libertação da Palestina.

5. Criou a Jornada Mundial da JuventudeSeu amor pelos jovens o impulsionou a iniciar em 1985 as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Nas 19 edições da JMJ celebradas ao longo de seu pontificado, foram reunidos milhões de jovens de todo o mundo.

A sua atenção para com a família se manifestou com os encontros mundiais das famílias, inaugurados por ele em 1994.

6. Tinha dois doutoradosEm 1948, obteve o doutorado em teologia pela Pontifícia Universidade de Santo Tomás de Aquino, com uma tese sobre o tema da fé nas obras de são João da Cruz.Em 1953, obteve o doutorado em filosofia pela Universidade Católica de Lublin, cm uma tese intitulada “Avaliação da possibilidade de fundar uma ética católica sobre a base do sistema ético de Max Scheler”.

7. Sobreviveu a mais de um atentado

Em 13 de maio de 1981, recebeu um tiro na praça de São Pedro por parte do turco Mehmet Al Agca.

Em 12 de maio de 1982, em Fátima, Portugal, aonde o papa havia chegado para agradecer por sua vida depois do atentado do ano anterior, um padre cismático tentou apunhalá-lo com uma faca, mas foi preso a poucos metros.É conhecido pelo menos mais um atentado, o de terroristas muçulmanos que tentaram explodir o avião no qual o papa viajava durante sua visita a Filipinas. Autoridades filipinas frustraram o plano elaborado.

8. Pediu perdão em nome da Igreja

Em 12 de março de 2000, pediu perdão pelas faltas cometidas por membros da Igreja Católica em toda a sua história. Fazendo referência à discriminação para com as mulheres, os pobres e etnias.

Em 15 de junho de 2004, pediu perdão pela inquisição, “por erros cometidos no serviço da verdade por meio do uso de métodos que não tinham nada a ver com o evangelho”.9. Promulgou o Catecismo da Igreja Católica

Promulgou o Catecismo Universal da Igreja Católica, fruto do sínodo especial de bispos de 1985 dedicado ao Concílio Vaticano II. Também reformou o Código de Direito Canônico, o Código de Cânones das Igrejas Orientais e reorganizou a Cúria Romana.

Entre os documentos de seu Magistério estão incluídos 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas.

10. Sua beatificação foi a mais rápida dos tempos modernos

São João Paulo II morreu em 2 de abril de 2005. No dia 28 do mesmo mês, o papa Bento XVI dispensou o tempo de cinco anos de espera após sua morte para iniciar a causa de beatificação e canonização.

A causa foi aberta oficialmente pelo cardeal Camillo Ruini, vigário-geral para a diocese de Roma, em 28 de junho de 2005. O papa Bento XVI o beatificou em 1º de maio de 2011 e o papa Francisco o canonizou, junto com João XXIII, em 27 de abril de 2014.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrada santa Úrsula, padroeira das jovens e estudantes

Hoje (21), a Igreja celebra santa Úrsula, padroeira das jovens e estudantes, que foi martirizada junto com um grupo de virgens.

Conta a tradição que santa Úrsula era filha de um rei inglês. Para adiar o casamento com um príncipe pagão, viajou com algumas donzelas em peregrinação a Roma.

Após seu retorno, em Colônia (Alemanha), foram capturadas pelos hunos. Santa Úrsula rejeitou a proposta de casamento com o chefe dos bárbaros e ela e suas amigas foram martirizadas por sua fé.Santa Úrsula apareceu à santa Ângela de Mérici, que fundou a primeira ordem de mulheres dedicadas à formação cristã de meninas, chamadas Ursulinas.

LITURGIA DIÁRIA

 4ª feira da 29ª semana do tempo Comum: Administradores dos mistérios de Deus

Evangelho da 4ª feira da 29ª semana do tempo Comum. "Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa?". Jesus quer que nossa existência seja frutífera. Viemos à terra para algo, ou melhor, por alguém: para nossas famílias, amigos, colegas de trabalho, vizinhos; para receber os tesouros do coração de Deus.


Evangelho (Lc 12, 39-48)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

“Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa.

Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.

Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?”

E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis.

Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes.

Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”


Comentário

O evangelho de hoje, em continuidade com o de ontem, apresenta as outras duas parábolas exortando à vigilância. Jesus se dirige aos seus discípulos ensinando-os a cuidar do povo de Deus que foi confiado a eles. Convida-os a viver dentro da lógica do amor, da atenção, da ternura, da vigilância.

Todo cristão é administrador dos mistérios de Deus: da vida que nos deu, do amor intratrinitário em que vivemos – filhos de Deus Pai no Filho pelo Espírito Santo –, dos talentos e capacidades com que nos adornou, das pessoas que nos confiou. E ninguém pode nos substituir nessa tarefa.

Quando nos esquecemos de que todos esses bens foram confiados a nós, quando pensamos que os merecemos e não percebemos porque os temos, acabamos fechados em nós mesmos, cheios das nossas soberbas, invejas, rancores e juízos críticos. E, então, não somente não cuidamos, mas acabamos maltratando os outros, incapazes de olhá-los com o olhar de Cristo.

Como recorda Bento XVI, esta vigilância significa “que o homem não se fecha no momento presente, entregando-se às coisas sensíveis, mas levanta o olhar para além do momentâneo e da sua urgência. O que conta é manter livre a visão sobre Deus, para d’Ele receber o critério e a capacidade de agir de modo justo. Vigilância significa, sobretudo, abertura ao bem, à verdade, a Deus, no meio de um mundo muitas vezes inexplicável e no meio do poder do mal. Significa que o homem procure, com todas as forças e com grande sobriedade, praticar o que é justo, vivendo não segundo os próprios desejos, mas sob a orientação da fé”[1].

Jesus quer que nossa existência seja fecunda, que não baixemos a guarda, para receber com gratidão e maravilhados todos os tesouros do seu coração. Quer que estejamos vigilantes para colocar a serviço dos outros os nossos talentos e capacidades, o nosso sorriso, o nosso perdão, o nosso trabalho diário, a nossa vida de fé, esperança e amor.

Cristo nos apresenta a vida como uma missão: estar “à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa”. A nossa vida é uma missão. Viemos à terra para algo, ou melhor, para alguém: para as nossas famílias, nossas amizades, companheiros de trabalho, vizinhos. Do nosso cuidado depende, em grande medida, a felicidade eterna dessas pessoas.


terça-feira, 20 de outubro de 2026

IGREJA

 

O outro padroeiro do Brasil: São Pedro de Alcântara

Muitos brasileiros não sabem, mas o Brasil tem outro padroeiro oficial além de Nossa Senhora Aparecida - e ele também é celebrado liturgicamente em outubro: o dia 19 marca a memória litúrgica de São Pedro de Alcântara, um frade franciscano nascido espanhol e cuja vida se caracterizou pela penitência e pelas mortificações.

Seu sobrenome vem da cidade onde nasceu em 1499, Alcântara. Cultivador da oração desde pequeno, Pedro descobriu a vocação quando estudava na Universidade de Salamanca. Embora o pai desejasse que ele seguisse carreira na área de Direito, o jovem decidiu entrar na ordem dos franciscanos.

Pedro recebeu a ordenação sacerdotal e era reconhecido como exemplo de vida de oração, desapego material e firme domínio de si, já que exercitava com disciplina o jejum e as mortificações, além de usar um hábito surrado e dormir poucas horas por noite. Foi superior em vários conventos, sempre testemunhando estrita conformidade com as regras da comunidade. Suas orações incentivaram muitos à conversão.

Para que os religiosos se aprofundassem cada vez mais na oração e na disciplina, São Pedro de Alcântara fundou o ramo franciscano de "estrita observância", também chamados de "alcantarinos". Teve amigos como os santos Francisco de Borja e Teresa de Ávila, de quem, aliás, foi diretor espiritual e apoiador nas reformas da ordem carmelita.

São Pedro de Alcântara morreu em 1562, aos 63 anos, ajoelhado, pronunciando as palavras do Salmo 121:

"Que alegria quando me disseram: Vamos subir à casa do Senhor".

Santa Teresa De Ávila declarou ter recebido uma visão de São Pedro de Alcântara após a sua morte, ocasião em que o santo lhe teria dito:

"Felizes sofrimentos e penitência na terra, que me valeram tão grandes recompensas no céu".

São Pedro de Alcântara, o "outro" padroeiro do Brasil

Mas se ele nunca sequer chegou perto do Brasil presencialmente, como foi que São Pedro de Alcântara veio a se tornar padroeiro do país?

Notável pregador, o frade havia sido também o confessor do rei de Portugal dom João III, vindo a se tornar, depois, o santo de devoção da Família Real. É por isso, inclusive, que o nome de Pedro de Alcântara foi escolhido para batizar os dois futuros imperadores do Brasil: dom Pedro I e dom Pedro II.

E foi dom Pedro I quem solicitou ao Papa Leão XII que São Pedro de Alcântara fosse proclamado Padroeiro do Brasil, o que aconteceu em 1826.

Mesmo com a proclamação de Nossa Senhora Aparecida como a padroeira nacional, São Pedro de Alcântara também continua sendo honrado como especial patrono da nossa terra junto a Deus.

IGREJA

 

Inimigos de Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora Aparecida é venerada pelos católicos e respeitada por diversos grupos evangélicos que compreendem que Ela é a Mãe de Jesus e aceitam a fé dos católicos. Mas, para alguns grupos, a figura de Nossa Senhora Aparecida, que aparece em adesivo de carro e pintura em muro, é uma inimiga.

A história do Brasil foi forjada entre altares, lágrimas e a devoção inabalável de um povo que encontrou na fé um refúgio contra todas as adversidades. No centro dessa identidade coletiva, ergue-se a imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul em 1717 por três humildes pescadores. O que começou na sala de uma família transformou-se no maior símbolo mariano do Brasil, oficializado como Padroeira do Brasil em 1930 pelo Papa Pio XI e transformado em feriado nacional em 1980. Contudo, grupos procuram desestabilizar, desqualificar e, em última instância, destronar a rainha da nação.

Ofensas repetidas

Em algumas cidades do interior, ao invés de estátuas do padroeiro ou de Nossa Senhora nos trevos rodoviários, algumas prefeituras colocam os dizeres que indicam que a cidade é do Senhor Jesus. A iniciativa que visa utilizar um elemento religioso evangélico em substituição de elementos culturais católicos mostra que há grupos evangélicos que querem deixar sua marca. Isso não é uma ofensa, é só uma situação do sociedade. Mas existem ofensas reiteradas a Nossa Senhora Aparecida.

Para compreender a gênese dessa visão conflituosa é preciso partir do ataque ocorrido em outubro de 1995. Durante um programa de televisão ao vivo, um líder evangélico desferiu chutes contra uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, chamando-a de "boneco feio, horrível e desgraçado". Anos mais tarde, em 1998, o episódio inspirou até mesmo uma música gravada por lideranças ligadas à mesma denominação religiosa, celebrando o ato de hostilidade.

Mas o ápice da articulação teológica e política contra a padroeira deu um salto qualitativo nos anos 2000 quando foram publicados livros que associam Nossa Senhora Aparecida divindades pagãs e afirmando que Ela seria "o braço direito de Satanás". Algo que ocorre com trágica frequência é a associação de elementos religiosos a tragédias. Em 2010 quando houve o terremoto no Haiti não foram poucos pregadores que afirmaram que o país estava sofrendo um castigo devido sua religiosidade de matriz africana; Assim também, há quem junte a figura da padroeira aos flagelos sociais do país, culpando-a por períodos de recessão, seca no Nordeste e criminalidade. logo, uma maneira de aplacar a ira de Deus seria destronar Nossa Senhora Aparecida, segundo essa mentalidade.

Ameaças à padroeira

A "destronização" começou com uma mobilização política para tirar o feriado nacional de 12 de outubro. O que começou como panfletagem teológica não demorou a encontrar eco nos corredores do poder legislativo federal. Em dezembro de 2007, um deputado do estado de Mato Grosso apresentou formalmente na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei com o objetivo explícito de revogar o título de Padroeira do Brasil conferido a Nossa Senhora Aparecida.

Embora a iniciativa tenha enfrentado forte resistência institucional, sendo rejeitada e arquivada pela Comissão de Educação e Cultura em agosto de 2008, o episódio escancarou a porosidade das instituições republicanas diante de agendas de exclusão religiosa.

Nesse contexto, ataques a diversas estátuas de Nossa Senhora Aparecida em rodovias aconteceram no Brasil; também templos de religião de matriz africana sofrem ataques constantes como se estivessem envolvidos em uma guerra religiosa. Atualmente o debate se aqueceu, pois, campanhas políticas prometem que estados e o país podem ser "do Senhor Jesus", em uma mensagem de que a prevalência de grupos evangélicos ocupam os lugares de poder e decisão desconsiderando outras manifestações religiosas.

A tentativa de desestabilizar o símbolo máximo da fé mariana no Brasil não é um mero debate teológico inofensivo; trata-se de um projeto de poder que enxerga na pluralidade e na diversidade cultural da pátria um obstáculo a ser vencido. Aparecida incomoda porque sua imagem unifica um país plural, onde o evangélico respeita o feriado, o católico faz procissão e a família brasileira encontra refúgio independentemente de credos. Destronar a rainha, na visão de seus artífices, significava abrir caminho para a imposição de um único modelo moral e político sobre a nação. Uma investida que continua a exigir vigilância intransigente em defesa da liberdade e do respeito mútuo.

IGREJA

 

Papa Leão XIV retoma audiências gerais nesta quarta-feira

O papa Leão XIV retomará suas audiências gerais de quarta-feira no Vaticano esta semana; mas ele não viajará para Castel Gandolfo hoje (29), onde costuma ficar de segunda-feira à tarde até terça-feira.

O papa voltou ao Vaticano no último sábado (17), quatro dias depois de se submeter a uma cirurgia para remover um nódulo cancerígeno no pulmão.

No mesmo dia, o médico Stefano Margaritora, que operou Leão XIV em 13 de outubro no Hospital Agostino Gemelli em Roma deu sinal verde para que o papa faça sua viagem apostólica à América do Sul no mês que vem.

Ontem (18), Leão XIV retomou a recitação da oração do Ângelus dominical na janela do Palácio Apostólico, no Vaticano.

“Superada esta fase delicada, como sabeis, agora retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e das vossas orações”, disse o papa no Ângelus.

Louis Prevost, um dos irmãos do papa, expressou ontem sua surpresa com a autorização dada por Margaritora à viagem do papa.

"Pensei que talvez eles fossem adiar", disse Prevost à rede de notícias americana Fox News.Prevost, que está recebendo tratamento para mieloma múltiplo — um tipo de câncer — também expressou surpresa com o diagnóstico de câncer de pulmão de Leão XIV, uma doença que nunca havia aparecido na família antes.

“Ele foi o primeiro a sofrer de câncer de pulmão; surgiu de modo completamente inesperado. Que eu saiba, ninguém mais em nossa família teve isso”, disse Prevost.

Louis Prevost disse também contou que conversava com o irmão todos os dias no período em que Leão XIV esteve internado.

“Toda vez que eu falava com ele ou mandava uma mensagem [na internação], ele respondia”, disse Prevost. “Eu sei que, tirando o período da cirurgia e sua breve e rápida recuperação, ele estava inacessível. Mas desde então, quase sempre que tento contatá-lo, ele está lá”, disse Louis.

“Quando conversamos ao telefone ou por chat, a gente brinca um com o outro”, disse Louis Prevost. “A gente conta piadas; algumas delas são um pouco além da conta”.