domingo, 3 de maio de 2026

LITURGIA DIÁRIA

 

Evangelho de domingo: Eu sou o Caminho

Comentário ao Evangelho do V domingo da Páscoa (Ciclo A). «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces?». Jesus tornou visível o Deus invisível e revelou-O a nós com um rosto humano e próximo, que nos olha com amor e nos chama amigos.




Evangelho (Jo 14, 1-12)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho».

Disse-Lhe Tomé:

«Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?».

Respondeu-lhe Jesus:

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».

Disse-Lhe Filipe:

«Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».

Respondeu-lhe Jesus:

«Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».


Comentário

O Evangelho deste quinto domingo da Páscoa recolhe um fragmento do discurso de Jesus durante a Última Ceia. Os discípulos estão tristes com a partida iminente do Mestre. Para confortá-los, o Senhor revela profundas verdades de fé nas quais podemos meditar enquanto nos aproximamos da Festa do Pentecostes.

Antes de tudo, Jesus pede aos seus amigos que não se perturbem, que tenham fé, que confiem n'Ele e nas suas obras. Então fala-lhes do que Ele chama a «casa de meu Pai», na qual «vou preparar-vos um lugar» (v. 2). Não é mau pensar no Céu no meio da tribulação. De facto, «frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição – comenta S. Josemaria a propósito desta passagem –. O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José – a quem tanto venero – dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada»[1].

A propósito da pergunta de Tomé sobre como seguir Jesus para onde Ele vai, o Mestre revela aos seus discípulos que Ele é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (v. 6). Sobre esta expressão misteriosa, Sto. Agostinho comentou que é como se Jesus dissesse a Tomé: «Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida (...). Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-Se caminho ao assumir a natureza humana»[2].

Portanto, seguir Jesus supõe compreender o mistério da sua Pessoa e a sua Missão. De facto, o Papa Francisco dizia que «o conhecimento de Jesus é a obra mais importante da nossa vida»[3]. É necessário descobrir a união íntima que existe entre o Filho e o Pai. Esta verdade essencial é a que Jesus explica a Filipe: «Quem Me vê, vê o Pai» (v. 9). Jesus é o Caminho, porque tudo n’Ele revela o Pai e nos une ao Pai. Jesus tornou visível o Deus invisível e revelou-O aos homens com todas as suas obras e palavras[4]. E o faz com um rosto humano e próximo, que nos olha com amor e nos chama amigos, para que nos seja fácil conhecê-l'O, amá-l'O e unir-nos a Ele.

Finalmente, podemos ver que Jesus une o conhecimento da Sua Pessoa com a Verdade quando diz «Eu sou a Verdade» (v. 6). Sobre este facto, o Papa Francisco fazia uma importante consideração: «Jesus é precisamente isto: a Verdade que, na plenitude dos tempos, ‘se fez carne’ (Jo 1, 1.14), veio habitar no meio de nós para que nós a conhecêssemos. A Verdade não se captura como uma coisa, mas a Verdade encontra-se. Não é uma posse, é um encontro com uma Pessoa»[5].

É como se em toda esta passagem Jesus nos estivesse a dizer que na casa do seu Pai todos os nossos anseios vitais e de conhecimento (vida e verdade) serão cumpridos; não por se tornarem objetos de conquista e posse próprias, mas porque entenderemos que a verdade e a vida convergem numa Pessoa a quem se conhece e se ama. Na medida em que entendermos e vivermos isto, avançaremos no caminho para o Pai através da identificação com o seu Filho, até fazermos as mesmas obras que Ele e «ainda maiores que estas».

sábado, 2 de maio de 2026

IGREJA

 Oito dados sobre a vida de santa Gianna Beretta Molla

"Jamais acreditei estar vivendo com uma santa. Minha esposa tinha infinita confiança na Providência e era uma mulher cheia de alegria de viver", disse Pietro, esposo de Gianna Beretta Molla, em uma ocasião.

Por ocasião da celebração desta mãe coragem italiana, que se celebra hoje (28), fornecemos oito dados inspiradores que talvez não conhecia sobre a sua vida.

1. Foi "médica dos pobres"

Santa Gianna Beretta obteve o título de doutora em medicina e cirurgia, em 1949, na Universidade de Pavia, e em 1952, especializou-se em pediatria na Universidade de Milão.

Segundo indica sua biografia, ela “preferia os pobres entre seus pacientes”, assim como as mulheres grávidas, as crianças e os idosos.

“Não esqueçamos que no corpo de nossa paciente existe uma alma imortal. Sejamos honestos e médicos de fé”, costumava dizer santa Gianna.

2. Difundiu sua devoção por Nossa Senhora

Santa Gianna foi muito devota de Nossa Senhora. Quando sua mãe morreu, ela disse a Maria: "Confio em vós, doce mãe, e tenho certeza de que nunca me abandonareis".

Ela falava da Mãe de Deus para as jovens da Ação Católica e nas cartas dirigidas ao seu namorado Pietro, que mais tarde se tornou seu marido.

Em seu livro “Gianna Molla Beretta. Escritos, lembranças, testemunhos", Pietro indicou que, no dia de seu matrimônio, a santa "doou seu buquê de flores ao altar da Virgem da qual era muito devota".

3. É possível alcançar a santidade no matrimônio

Gianna conheceu o seu marido em uma Missa, em 1954. Ele era engenheiro e também pertencia à Ação Católica. A biografia da santa descreve que, durante o namoro, ela foi "muito clara em seus propósitos e em projetar sua nova família e, ao mesmo tempo, foi maravilhosa, transmitindo a Pietro sua grande alegria de viver".

Casaram-se em 24 de setembro de 1955. Gianna foi "uma esposa feliz" e "soube harmonizar, com simplicidade e equilíbrio, seus deveres como mãe e médica".

Pietro apoiou-a em sua decisão de não abortar seu bebê, como alguns médicos sugeriram, para salvar sua vida, e após a morte de Gianna, o marido nunca se casou novamente e cuidou dos quatro filhos.

4. Recusou-se a fazer um aborto "terapêutico"

No início de sua quarta gravidez, os médicos detectaram-lhe um tumor no útero e sugeriram que fizesse um aborto "terapêutico" para se salvar. Ela recusou e pediu ao cirurgião que protegesse o seu bebê a “todo custo”.

Foi operada e o bebê conseguiu se salvar. Antes do parto, Santa Gianna disse aos médicos: “se for necessário decidir entre a minha vida e a da criança, não duvidem; eu exijo que escolham a dele. Salvem-no”.

Segundo indica sua biografia, a santa considerava que seu bebê "tinha os mesmos direitos de viver" que seus outros três filhos e que ela "era apenas o instrumento da Providência para que aquela nova criaturinha viesse ao mundo".

5. Sua última filha nasceu no Sábado Santo

A biografia da santa destaca que, em 21 de abril de 1962, um Sábado Santo, ela deu à luz a sua quarta filha, Gianna Emmanuela, por cesariana.

Uma hora após o parto, Santo Gianna começou a sofrer dores abdominais e febre devido à peritonite séptica. Sua condição piorou nos dias seguintes. No meio dos sofrimentos, recebeu a Eucaristia e não parou de pronunciar jaculatórias de amor a Jesus.

Morreu em 28 de abril, aos 39 anos.

6. Uma carta de amor foi lida diante de milhares de famílias

Em 26 de setembro de 2015, durante o Encontro Mundial das Famílias (EMF), realizado na Filadélfia (Estados Unidos), Gianna Emanuela leu uma carta de amor que sua mãe escreveu ao seu pai quando ambos ainda namoravam.

Depois, a filha da santa cumprimentou o Papa Francisco e lhe presenteou com uma relíquia de sua mãe.

7. Teve três irmãos consagrados

Segundo sua biografia, santa Gianna foi a décima de treze filhos e três de seus irmãos optaram pela vida consagrada.

Seu irmão Enrico pertenceu à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e foi missionário no Brasil. Giuseppe, outro de seus irmãos foi sacerdote na diocese italiana de Bérgamo, e sua irmã Virginia foi religiosa na congregação das Filhas da Caridade Canossianas.

A irmã Virginia disse uma vez que, enquanto eu estava na Índia como missionária, “de forma inesperada e providencial, o Senhor me fez voltar para a Itália a tempo para ver Gianna, apenas quatro dias antes de sua morte. Assim, pude ajudá-la e confortá-la naqueles momentos tão dolorosos e preciosos aos olhos de Deus, e guardo uma lembrança viva destes momentos”.

8. Foi beatificada e canonizada por são João Paulo II

Gianna Beretta Molla foi beatificada por são João Paulo II em 24 de abril de 1994, durante o Ano Internacional da Família; e canonizada pelo mesmo Pontífice em 16 de maio de 2004.

Santa Gianna Beretta é considerada padroeira da defesa da vida.

IGREJA

 

Aspectos edificantes sobre a figura de são José que poucos conhecem

Hoje (1º) é celebrada a festa de são José Operário, padroeiro dos trabalhadores e pai adotivo de nosso Senhor Jesus Cristo. Também é comemorado o Dia Mundial de Trabalho. A seguir, é apresentada uma lista com oito dados que poucos conhecem a respeito de são José:

1. Não há palavras suas nas Sagradas Escrituras

Ele protegeu a Imaculada Mãe de Deus e ajudou a cuidar do Senhor do Universo! Entretanto, não há nenhuma palavra dele nos Evangelhos. Muito pelo contrário, foi um silencioso e humilde servo de Deus que desempenhou seu papel cabalmente.

2. Foi muito pouco mencionado no Novo Testamento

São José é mencionado no Evangelho de são Mateus, de são Lucas, uma vez em são João (alguém diz que Jesus é “o filho de José”) e apenas isso. Ele não é mencionado em Marcos ou no restante do Novo Testamento.

3. Sua saída da história dos Evangelhos não é explicada na Bíblia

É uma figura importante nos relatos do Nascimento do Senhor em são Mateus e são Lucas e mencionado nas passagens que relatam o momento em que Jesus se perdeu aos 12 anos e foi encontrado no templo. Mas este é o último momento que falam dele.

Maria aparece várias vezes durante o ministério de Jesus, mas José desapareceu, sem deixar rastro. Então, o que aconteceu? Várias tradições explicam esta diferença dizendo que José morreu aproximadamente quando Jesus tinha 20 anos.

4. Viúvo e idoso?

A Escritura não diz a idade de são José quando se casou com Maria ou sobre seu passado. Entretanto, por muito tempo foi representado como um homem de idade avançada, aparentemente baseado em um texto do chamado protoevangelho de são Tiago, um evangelho apócrifo que menciona que são José havia casado anteriormente, teve filhos desse casamento e ficou viúvo.

Segundo essa tradição, são José sabia que Maria tinha feito voto de virgindade e foi eleito para se casar com ela para protegê-la, de certo modo porque ele era idoso e não estaria interessado em formar uma nova família. Esta ideia foi contraposta ao longo da história por grandes santos, como santo Agostinho.

5. É venerado aproximadamente desde o século IX

Um dos primeiros títulos que utilizaram para honrá-lo foi “nutritor Domini”, que significa “guardião do Senhor”.

6. Tem duas celebrações

A solenidade de são José é no dia 19 de março e a festa de são José Operário (Dia Internacional do Trabalho) no dia 1º de maio. Também é celebrado na festa da Sagrada Família (30 de dezembro) e sem dúvida faz parte da história do Natal.

7. É padroeiro de várias coisas

É o padroeiro da Igreja Universal, da boa morte, das famílias, dos pais, das mulheres grávidas, dos viajantes, dos imigrantes, dos artesãos, dos engenheiros e trabalhadores. E também é padroeiro das Américas, Canadá, China, Croácia, México, Coreia, Áustria, Bélgica, Peru, Filipinas e Vietnã.

8. A ‘Josefologia’

Entre as subdisciplinas da teologia, são conhecidas a cristologia e mariologia. Mas, sabia que também existe a Josefologia?

São José foi uma figura de interesse teológico durante séculos. Entretanto, a partir do século XX algumas pessoas começaram a recolher opiniões da Igreja a respeito dele e o converteram em uma subdisciplina.

Na década de 1950, abriram três centros dedicados ao estudo de São José: na Espanha, na Itália e no Canadá.

Publicado originalmente em ChurchPOP.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrado santo Atanásio, bispo que foi expulso de sua pátria por defender a verdade

Hoje (2) é celebrado santo Atanásio de Alexandria, doutor da Igreja, bispo do século III, defensor da Trindade e da Encarnação do Verbo.

Atanásio foi bispo de Alexandria, cidade onde nasceu e cresceu. Ele foi uma das figuras mais importantes dos primeiros séculos do cristianismo graças a sua defesa da ortodoxia contra o arianismo, uma das mais poderosas heresias da antiguidade. Por causa de sua fidelidade à doutrina, foi vítima de perseguição e foi exilado muitas vezes. Apesar disso, nunca desistiu de anunciar Cristo nem se afastou da Igreja.

Defensor da Encarnação

Atanásio nasceu em Alexandria em 295 e, quando criança, soube das perseguições sangrentas empreendidas pelo Império Romano contra os cristãos. No ano de 326 foi ordenado sacerdote pelo bispo Alexandre, a quem serviu como secretário. Teve uma importante formação acadêmica em filosofia, gramática e teologia. Ele dominava o grego em suas diferentes variantes, assim como o copta. Desde muito jovem mostrou talento para escrever, dom que soube usar como teólogo e pastor. Seus dois primeiros escritos foram "Contra os Pagãos" e a "Encarnação do Verbo".

No entanto, o que tornou Atanásio famoso foi a controvérsia que ele travou contra os arianos ou arianistas. O arianismo teve sua origem na doutrina de Ário, um sacerdote de Alexandria, que defendia a ideia de que Cristo não era o verdadeiro Deus.

Contra a heresia

O bispo de Alexandria naquela época, Alexandre, levou Atanásio consigo ao Concílio Ecumênico de Niceia com o objetivo de combater os partidários de Ário e lhe pedir uma retratação. Embora no início Atanásio tenha desempenhado um papel secundário no Concílio, sua eloquência o levou a refutar publicamente os argumentos de Ário, que não se retrataria e, portanto, seria excomungado.

Atanásio enviou várias cartas aos bispos do Oriente nas quais advertia sobre o perigo de deturpar a doutrina de Cristo, advertindo também que assumir posições heréticas resultaria na excomunhão daqueles que professam ou defendem a heresia. Enquanto isso, a controvérsia em Alexandria chegou aos ouvidos do imperador Constantino, que decidiu encerrar o debate enviando um conciliador. Infelizmente, a polêmica já havia se espalhado por quase todo o Oriente cristão e as medidas de Constantino não deram muito resultado. O imperador sabia que essa controvérsia tinha que ser resolvida prontamente e que não poderia se espalhar pelo Oriente, pois se reconhecia que era um perigo para a estabilidade e unidade tanto do Império como da Igreja.

Com a morte do bispo Alexandre, Atanásio, por aclamação, foi escolhido como seu sucessor. A partir desse momento, o santo foi reconhecido como defensor da verdadeira fé, o que ficou evidenciado por sua participação no Concílio de Niceia. Simultaneamente, foi se tornando o grande inimigo dos hereges, que ainda tinham poder e influência. Os arianos, por exemplo, não pararam de persegui-lo até que conseguiram que fosse expulso de Alexandria.

O sucessor do trono imperial, Constâncio II (filho do imperador Constantino), estava sob a influência do bispo ariano Eusébio de Nicomédia. Por sua vez, Atanásio havia se tornado alvo de muitos ataques do poder político.

O exílio

No ano de 356, cinco mil soldados cercaram o templo onde Atanásio morava, com o objetivo de prendê-lo. O bispo conseguiu escapar e fugiu para o deserto, onde foi acolhido por monges eremitas. Do exílio continuou escrevendo aos fiéis de Alexandria e escreveu a biografia de santo Antão abade, seu amigo e companheiro.

Em 362, o novo imperador, Juliano, o Apóstata, emitiu um decreto pedindo o retorno de todos os bispos exilados. No entanto, os conselheiros de Juliano perceberam Atanásio como um homem perigoso e conseguiram que o imperador o mandasse de volta ao exílio. O santo se escondeu no deserto até Juliano morrer. Então, retornou a Alexandria por mandato do novo monarca, Valente.

O santo seria novamente exilado no ano de 365. Apesar das tribulações, manteve-se firme na doutrina e no ensino. Seu retorno definitivo a Alexandria se deu por aclamação popular, pois a cidade o reivindicou como seu verdadeiro bispo.

Atanásio morreu em 2 de maio de 373, depois de servir como bispo por 45 anos e ter passado um total de 18 anos de sua vida no exílio.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de sábado: Jesus trabalha com poder divino através dos seus discípulos

Comentário ao Evangelho de sábado da IV semana da Páscoa. «Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço». Nosso Senhor fez grandes milagres. Visto que, sendo Deus, é omnipotente, pode trabalhar com o mesmo poder através dos seus seguidores; tudo o que é exigido de nós é fé n´Ele.



 Evangelho (Jo 14, 7-14)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».

Disse-Lhe Filipe:

«Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».

Respondeu-lhe Jesus:

«Há tanto tempo estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que vos digo, não as digo por Mim próprio, mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu a farei».


Comentário

«Há tanto tempo estou convosco e não Me conheces?». Há ironia na pergunta. Filipe foi um dos doze apóstolos, não qualquer um dos seguidores próximos de Jesus. Filipe tinha sido testemunha de todos os sinais grandes que Jesus tinha feito. Só isso devia ter convencido os apóstolos sobre a sua verdadeira identidade.

Como escreve Sto. Atanásio: «Na verdade, dominar demónios e afastá-los não é obra humana, mas divina (...) Ele purificou os leprosos, fez o coxo andar, abriu os ouvidos dos surdos, deu vista aos cegos, e, numa palavra, ele retirou do corpo dos homens todos os males e doenças e nessas ações ele foi capaz de contemplar a sua divindade»[1]

O próprio Senhor já tinha falado na importância dos seus milagres. Aos discípulos de João Batista, disse: «Os cegos veem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, e os mortos ressuscitam» (Mt 11, 5). Ele clamou aos fariseus: «Acreditai nas obras, ainda que não acrediteis em mim» (Jo 10, 38).

Mas a incompreensão dos apóstolos continua a ser uma surpresa. No entanto, em vez de se dececionar, Jesus fortalece os seus discípulos com palavras de encorajamento: «Quem crê em mim também fará as obras que eu faço e fá-las-á maiores do que estas».

A promessa de fazer obras "maiores" do que o próprio Senhor é assombrosa. Mas é assim que Deus escolheu trabalhar. Envia os seus discípulos e age com o mesmo poder através deles.

Como escreveu S. Josemaria: «Como aqueles primeiros discípulos que voltaram maravilhados com os milagres que fizeram em nome de Jesus, perceberemos que o fruto não é nosso. (...) Cristo faz estas coisas através de vós, como fez através dos primeiros discípulos. Isso é bom, minhas filhas e meus filhos, porque nos fundamenta na humildade, tira-nos a possibilidade do orgulho e ajuda-nos a ter boa doutrina»[2]


sexta-feira, 1 de maio de 2026

 

Como confiar a São José nossos sonhos e nossas angústias profissionais

Ninguém dorme bem quando a preocupação é o trabalho e, sobretudo, a falta dele. As contas a pagar, as despesas da casa, a saúde da família, e por aí vai... Imagina então se o chefe da família tem por missão cuidar de Jesus e Maria. Dá pra dormir em paz com uma família desta pra cuidar? Pois para São José dormia. Por quê? A resposta é simples

Ao longo do Antigo Testamento diversas pessoas foram visitadas por Deus (ou seus anjos) em sonhos: Jacó, José (filho de Jacó), Moisés, Salomão, dentre outros. No Novo Testamento ninguém teve tanto a Santíssima visita em sonhos como São José, pai adotivo de Jesus.

Dos sonhos de São José, dentre tantos ensinamentos, três se destacam:

1. Oração. Em nenhum momento há uma palavra sequer proferida por São José no Novo Testamento. Apesar do silencio exterior, era um homem de profunda intimidade com Deus. Nele prefiguram as palavras de Jesus: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará” (Mt 6,6). No oculto, isto é, no silêncio. Sobre a recompensa... Patrono da Igreja, Pai nutrício de Jesus, Esposo castíssimo de Maria, dentre tantos outros títulos que lhe foram conferidos.

2. Ação. São José não sonhava por sonhar. Quando o Anjo Gabriel lhe apareceu em sonhos, sabia quem ele era intimamente e, por isto, tinha certeza das atitudes que tomaria ao acordar, o que lhe rendeu o título de fiel protetor de Jesus e Maria.

3. Trabalho. Trouxe em si a regra de São Bento: “ora et labora” (ora e trabalha). Sejamos sinceros. Ninguém dorme bem quando a preocupação é o trabalho e, sobretudo, a falta dele. As contas a pagar, as despesas da casa, a saúde da família, e por aí se vai. Imagina então se o chefe da família tem por missão cuidar de Jesus e Maria. Dá pra dormir em paz com uma família desta pra cuidar? Pois para São José dormia. Por quê? A resposta é simples. Confiança em Deus. Ele já tinha no seu coração as palavras que um dia seu Filho diria: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,33s). São José, ao ver e receber sonhos, demonstrou a plena obediência a esses sonhos, e tornou os sonhos uma realidade de vida e para vida.

Entregar nossos sonhos a São José

Por tudo isto podemos nos voltar a este pai amorosíssimo e a ele entregar nossos sonhos, e porque não, também nossas angústias, doenças, dores, esperança de emprego. Ainda que não tenhamos uma imagem de São José dormindo, façamos como o Santo Padre, Papa Francisco:

“Eu gostaria de dizer a vocês também uma coisa muito pessoal. Eu gosto muito de São José porque é um homem forte e de silêncio. No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, eu o escrevo em um papelzinho e o coloco embaixo da imagem de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema” (encontro com as famílias Filipinas em Manila, em janeiro de 2015).

Assim, certos e seguros da proteção deste pai, com confiança entreguemos a ele nossos sonhos e angústias profissionais, rezando a belíssima oração do Papa Leão XIII.

Oração

"A vós, SÃO JOSÉ, recorremos em nossa tribulação, e depois de termos implorado o auxílio de vossa SANTÍSSIMA ESPOSA e cheios de confiança, solicitamos também o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à VIRGEM IMACULADA, MÃE de DEUS, e pelo amor paternal que tivestes ao MENINO JESUS, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que JESUS CRISTO conquistou com Seu Sangue, e nos socorrais nas nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da SAGRADA FAMÍLIA, o povo eleito de JESUS CRISTO. Afastai para longe de nós, ó Pai Amantíssimo, a peste, o erro e o vício que aflige o mundo. Assisti-nos do alto do Céu, ó nosso Fortíssimo Sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim, como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do MENINO JESUS, defendei também agora a Santa IGREJA de DEUS, conta as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer e obter no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.

São José, rogai por nós."

Reze conosco essa novena de São José Operário e confie a ele todos os seus sonhos e angústias profissionais (clique aqui para se inscrever).

Wellington de Almeida Alkmin, pelo Hozana