quarta-feira, 30 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Está com depressão? Peça ajuda 

a Santa Teresinha!

Conforte sua alma com esta oração que surgiu da devoção de Santa Teresinha do Menino Jesus a Nossa Senhora do SorrisoSanta Teresinha do Menino Jesus contou como foi curada quando menina, do que hoje seria diagnosticado como uma síndrome do pânico, provavelmente. Curada pelo sorriso de Nossa Senhora. Ela escreveu:

“No dia 13 de maio de 1883, festa de Pentecostes. Do leito, virei meu olhar para a imagem de Nossa Senhora e… De repente, a Santíssima Virgem pareceu-me bonita, tão bonita que nunca vira algo semelhante, seu rosto exalava uma bondade e uma ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o “sorriso encantador da Santíssima Virgem”. Todas as minhas penas se foram naquele momento, duas grossas lágrimas jorraram das minhas pálpebras e rolaram pelo meu rosto, eram lágrimas de pura alegria… Ah! pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, estou feliz… (…) Fora por causa dela, das suas intensas orações, que eu tivera a graça do sorriso da Rainha dos Céu…” .

A esta imagem ela chamou de “Virgem do Sorriso” e a invocação começou com seus familiares. Depois, ela levou a devoção para o Carmelo de Lisieux. Finalmente, foi divulgada em todas as ordens carmelitas e se propagou no mundo. Muitas pessoas tem alcançado a cura da depressão e outras doenças da alma, assim como Teresinha alcançou, através dessa devoção.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO SORRISO

Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa,
que com um claro sorriso vos dignastes consolar
e curar vossa filha Santa Teresinha do Menino Jesus da depressão,
devolvendo-lhe a alegria de viver
e o sentido da sua existência em Cristo Ressuscitado.
Olhai com maternal afeto para tantos
filhos e filhas que sofrem com a depressão,
transtornos e síndromes psiquiátricas e males psicossomáticos.
Que Jesus Cristo cure e dê sentido à vida de tantas pessoas,
cuja existência às vezes está deteriorada.
Maria, que seu belo sorriso não deixe que
as dificuldades da vida obscureçam nosso ânimo.
Sabemos que só seu filho Jesus pode satisfazer
os anseios mais profundos do nosso coração.
Maria, mediante a luz que brota de seu rosto,
transparece a misericórdia de Deus.
Que seu olhar nos acaricie, e nos convença que
Deus nos ama e nunca nos abandona,
e a sua ternura renove em nós a autoestima,
a confiança nas próprias capacidades,
o interesse pelo futuro e o desejo de viver feliz.
Que os familiares dos que sofrem com a depressão
ajudem no processo de cura, nunca os considerando
farsantes da enfermidade com interesses de comodidade,
mas os valorizem, escutem, compreendam e os animem.
Virgem do Sorriso, alcança-nos de Jesus a verdadeira cura
e livra-nos de alívios temporários e ilusórios.
Curados, comprometemo-nos a servir com alegria,
disposição e entusiasmo Jesus como discípulos missionários,
com nosso testemunho de vida renovada.
Amém.

RELIGIÃO

 

Santa Teresinha repetia esta frase 

sempre que se sentia sozinha

Avida de Santa Teresinha do Menino Jesus nem sempre foi fácil. Apesar dos amigos e familiares queridos, muitas vezes ela se sentia sozinha e lutava contra a depressão.

Esses sentimentos de solidão ocorreram em sua infância, bem como durante seu tempo no carmelo.

Em sua autobiografia História de uma Alma ela explica que, quando criança, era tímida e não tinha muitos colegas. Pelo contrário: tinha Jesus como seu único amigo:

"Eu tinha que ir duas vezes por semana ao Convento, e devo confessar que isto me custava algo - eu era muito tímida. Não havia dúvida do afeto que sentia por minhas superioras, mas, como disse antes, não tinha nenhuma amiga especial entre elas, com quem eu poderia ter passado muitas horas como outras antigas alunas. Assim, trabalhava em silêncio até o fim da aula e, como ninguém me notava, ficava na Capela até que papai viesse me buscar. Ali, durante aquelas visitas silenciosas, eu encontrava meu único consolo - pois não era Jesus meu único Amigo?

Naqueles momentos, ela se lembrava de uma frase, na verdade de um poema que seu pai, São Luís Martin, lhe ensinou quando criança:

"A vida é teu navio, não é tua morada."

Santa Teresinha do Menino Jesus

Santa Teresinha escreve: “É verdade que nesses períodos de solidão eu às vezes me sentia triste, e costumava me consolar repetindo este verso de um belo poema que papai me ensinara: 'A vida é teu navio, não é tua morada'".

Curiosamente, ela está fazendo referência a um poema de Alphonse de Lamartine que, na verdade, diz: "O tempo é teu navio, não a tua morada”.

Consolo e esperança

De qualquer forma, a frase proporcionava muito consolo à Santa Teresinha, como ela explica:

"O símbolo de um navio sempre me encanta e me ajuda a suportar o exílio desta vida ... Quando meus pensamentos correm assim, minha alma se perde como se fosse no infinito. Parece que já toco a Costa Celeste e recebo o abraço de Nosso Senhor. Imagino que posso ver Nossa Senhora vindo ao meu encontro, com meu Pai e minha Mãe, meus irmãos e minhas irmãzinhas... E me imagino desfrutando das verdadeiras alegrias da família por toda a eternidade."

Com isso em mente, é fácil ver como esta frase confortou Santa Teresinha e como poderia nos ajudar a “suportar o exílio desta vida”, sabendo que um dia todas as nossas lágrimas serão enxugadas e seremos abraçados por todos os nossos entes queridos na vida eterna.

RELIGIÃO-SAÚDE MENTAL

 

Depressão e suicídio na Igreja: 

quando os padres precisam de ajuda

Está na hora de estender a mão aos religiosos e religiosas sobrecarregados: eles também são seres humanos necessitados16 de novembro de 2016: o padre Rosalino Santos, de 34 anos, pároco na cidade sul-matogrossense de Corumbá, publica no Facebook uma foto de quando era criança, legendada com frases soltas: “Dei o meu melhor“, “Me ilumine, Senhor“. Dois dias depois, o seu corpo sem vida é encontrado pendendo de uma forca.

Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, de Salvador, se atira de um viaduto aos 37 anos de idade.

Dentro do mesmo período de 15 dias, um terceiro sacerdote brasileiro dá fim à própria vida, com apenas 31 anos: o pároco Renildo Andrade Maia, em Contagem, Minas Gerais.

A sequência de suicídios de padres católicos chamou a atenção da mídia e voltou a ser abordada recentemente em uma relevante reportagem da BBC Brasil, que, a respeito desses casos, consultou  o psicólogo Ênio Pinto, atuante há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo. Desde que foi fundado, no ano 2000, o instituto voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos a serviço da Igreja atendeu por volta de 3.700 pacientes.

Autor do livro “Os Padres em Psicoterapia“, Ênio observa que “a vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós. Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”.

Esta visão é compartilhada pelo psicólogo William Pereira, autor do livro “Sofrimento Psíquico dos Presbíteros“. Para William, “o grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade. Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”.

Os especialistas consultados pela reportagem da BBC indicam o excesso de trabalho, a falta de lazer e a perda de motivação entre os possíveis fatores que levam religiosos ao suicídio.

De fato, uma pesquisa feita em 2008 pela organização Isma Brasil, voltada a estudar e tratar do estresse, já apontava que a vida sacerdotal era uma das ocupações mais estressantes: dos 1.600 padres e freiras entrevistados naquele ano, 448 (28%) se disseram “emocionalmente exaustos”, um percentual superior ao dos policiais (26%), dos executivos (20%) e dos motoristas de ônibus (15%).

Para Ana Maria Rossi, a psicóloga coordenadora da pesquisa, os padres diocesanos são mais propensos a sofrer de estresse do que os religiosos que vivem reclusos: “Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes: os padres têm que estar à disposição dos fiéis 24 horas por dia, sete dias por semana”.

Muito distante da “vida mansa” que os desinformados imaginam, o dia-a-dia da maioria dos sacerdotes é pontuado por celebrações de batizados, casamentos, unções dos enfermos, escuta de confissões e muitas atividades pastorais que incluem a caridade e as atenções a pessoas necessitadas, além da celebração diária da Santa Missa, das orações pessoais ou comunitárias e dos tempos de estudo – sem mencionar os muitos casos em que o padre ainda dá aulas e atende os fiéis em direção espiritual.

Conforme os dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a média nacional é de 1 padre para cada 5.600 fiéis.

Diretor da Âncora, uma casa de repouso no Paraná para padres e freiras com estresse, ansiedade ou depressão, o padre Adalto Chitolina confirma que, para eles, “sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático. Ao longo de 2016, a nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”.

Um dos sacerdotes atendidos pelo centro Âncora foi o padre Edson Barbosa, de Andradina, SP, que, dormindo pouco, comendo mal e se sentindo irritadiço, começou a beber. Ao se dar conta do rumo que estava tomando, pediu dispensa das atividades paroquiais e se internou durante três meses na casa de repouso. Após as consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos que o ajudaram a trocar o álcool pelo novo hábito de fazer caminhadas e pedalar, o padre de 36 anos está sóbrio há um ano e nove meses e testemunha: “Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”.

O padre Douglas Fontes, reitor do seminário São José, de Niterói, RJ, costuma alertar os futuros sacerdotes sobre a importância de cuidarem mais da própria saúde: “Jamais amaremos o próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não cumpriremos a missão que Deus nos confiou”.

O bom conselho é reforçado pelo arcebispo de Porto Alegre, RS, dom Jaime Spengler, que preside a comissão da CNBB voltada à vida pessoal dos padres. Ele afirma que os sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo quando sentirem tensão psicológica ou esgotamento físico: “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E, nesta família, cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e zelar pelas necessidades dos filhos”.

O Brasil não é exceção no quadro de estresse que afeta os religiosos sobrecarregados. A universidade espanhola de Salamanca ouviu 881 sacerdotes do México, da Costa Rica e de Porto Rico para identificar uma alta incidência, entre eles, de transtornos relacionados à atividade sacerdotal: “Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome do esgotamento profissional”, informa Helena de Mézerville, autora da pesquisa.

O burnout é conhecido na Itália, entre alguns sacerdotes, como a “síndrome do bom samaritano desiludido”.

Mas os padres católicos estão longe de ser os únicos atingidos. A BBC também ouviu o xeque do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu, PR, Ahmad Mazloum, para quem “é preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, da mente e do corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”. O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista, concorda e observa que “a natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”.

Fiéis devem ficar atentos, julgar menos e ajudar mais

É oportuno lembrar aos leitores católicos que é dever cristão de todos nós zelar pelo bem das almas – e isto inclui a alma dos nossos sacerdotes, religiosos, seminaristas, freiras e leigos consagrados. Eles contam com especial graça de Deus, certamente, mas Deus sempre deixou claro que confia o acolhimento da Sua graça à nossa liberdade, inteligência e caridade: precisamos fazer a nossa parte por nós próprios e pelos outros, ajudando-os especialmente quando estão sobrecarregados e necessitados da nossa fraternidade.

Devemos tomar em especial o cuidado de não cometer injustos julgamentos baseados na visão imatura de que “o que falta a esses padres é vida de oração“. Isto é um reducionismo que pode chegar a ser grave pecado de calúnia ou, no mínimo, maledicência. Mesmo as pessoas que vivem intensamente a fé e uma sólida espiritualidade estão sujeitas, sim, ao esgotamento físico e, portanto, à necessidade de ajuda.

Se julgarmos menos e ajudarmos mais, viveremos com mais coerência o cristianismo que dizemos professar e que tanto gostamos de cobrar dos outros.

SAÚDE MENTAL

 

Há pessoas que não querem morrer, Estão somente cansadas de viver da maneira como estão vivendo

Da sobrevivência à vida: quando a esperança precisa ser reaprendida.

Cansadas de acordar sem vontade. De realizar tarefas no automático. De sorrir quando, por dentro, tudo parece silencioso demais. Cansadas de ouvir que “vai passar” quando já não conseguem imaginar como seria um dia em que a vida voltasse a fazer sentido.

É preciso falar sobre isso com delicadeza. Porque a depressão não é simplesmente tristeza, assim como a desesperança não é falta de fé.

Às vezes, uma pessoa pode continuar acreditando em Deus e, ainda assim, não conseguir enxergar um futuro possível para si.

Pode rezar e continuar chorando. Pode ir à Missa e voltar para casa sentindo-se vazia. Pode amar profundamente a própria família e, mesmo assim, sentir que não possui forças para continuar carregando a própria existência.

E isso não faz dela uma pessoa fraca, ingrata ou uma cristã menos fiel, faz dela alguém que está sofrendo e precisa ser cuidado.

A depressão também pode alterar nossa percepção do futuro. A dor deixa de parecer um estado e começa a parecer um destino.

A desesperança nos faz acreditar que aquilo que sentimos hoje será aquilo que sentiremos para sempre. Mas existe uma diferença fundamental entre não conseguir enxergar uma saídaenão existir uma saída.

É justamente aí que a psicologia pode ajudar: a compreender a dor, questionar pensamentos que nos aprisionam e reconstruir, pouco a pouco, a capacidade de imaginar possibilidades.

E talvez, em alguns momentos, não seja necessário perguntar “qual é o sentido da minha vida?”, mas apenas: “Do que eu preciso para atravessar este dia?”

Pode ser uma sessão de terapia, uma consulta médica, uma conversa sincera ou simplesmente permitir que alguém permaneça ao nosso lado.

A fé também tem um lugar nesse caminho:

A Bíblia nunca prometeu uma vida sem noites. Jó sofreu. Os salmistas choraram. Elias conheceu o desânimo. E Cristo, no Getsêmani, experimentou a angústia.

A fé não elimina necessariamente a dor. Ela nos lembra que não precisamos atravessá-la sozinhos.

Buscar tratamento não significa ter pouca fé. Cuidar da mente também pode ser uma forma de cuidar do dom da vida que Deus nos confiou.

Talvez a recuperação não comece com a felicidade, mas com uma pequena possibilidade de esperança.

Um dia menos difícil, uma conversa que traz alívio, uma oração que volta a ser possível, um pensamento que já não machuca tanto.

É assim que a esperança pode retornar: não necessariamente como uma certeza, mas como um sussurro: “Talvez ainda exista alguma coisa para mim.”

E essa pequena possibilidade já pode ser suficiente para continuar.

Se você está vivendo uma fase em que apenas sobreviver parece difícil, não transforme o sentimento de hoje em uma sentença sobre o seu amanhã.

Procure ajuda, não atravesse sozinho aquilo que precisa ser atravessado acompanhado.

A psicoterapia pode ajudar a compreender a dor, reconstruir recursos internos, questionar pensamentos que aprisionam e reencontrar possibilidades.

E a fé pode sustentar o coração enquanto o cuidado acontece. Uma coisa não precisa excluir a outra.

Podemos cuidar da mente e alimentar a alma. Podemos procurar tratamento e continuar rezando. Podemos reconhecer nossa fragilidade sem perder a esperança.

Talvez hoje você ainda não consiga imaginar uma vida diferente e tudo bem.

Não é preciso enxergar todo o caminho, às vezes, basta encontrar luz suficiente para dar o próximo passo. Porque sobreviver já é, em si, uma vitória.

Mas a história não precisa terminar aí. Depois da sobrevivência, pode existir reconstrução, depois da reconstrução, pode existir sentido.

E depois de uma longa noite, mesmo que lentamente, a vida pode voltar a fazer sentido.

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SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado são Jerônimo, tradutor da Bíblia e doutor da Igreja

“Ama a Sagrada Escritura e a sabedoria amar-te-á; ama-a ternamente e ela guardar-te-á; honra-a e receberás as suas carícias”. Assim costumava a dizer são Jerônimo, tradutor da Bíblia ao latim, cuja festa se celebra hoje (30). Ao recordar este santo, a Igreja celebra também o dia da Bíblia.

O nome Jerônimo significa “que tem um nome sagrado”. Este santo consagrou toda sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras e é considerado um dos melhores, se não o melhor, neste ofício.

Nasceu na Dalmácia (Iugoslávia) por volta do ano 340. Em Roma, estudou latim sob a direção do mais famoso professor de seu tempo, Donato, que era pagão. Chegou a ser um grande latinista e muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas, mas muito pouco conhecedor dos livros espirituais e religiosos. Passava horas e dias lendo e aprendendo de cor os grandes autores latinos, Cicero, Virgilio, Horácio e Tácito, e aos autores gregos, Homero e Platão, mas quase nunca dedicava tempo à leitura espiritual.Jerônimo se dispôs ir ao deserto a fazer penitência por seus pecados (especialmente por sua sensualidade que era muito forte, por seu mau gênio e seu grande orgulho). Mas lá embora rezasse muito, jejuasse e passasse noites sem dormir, não conseguiu a paz, descobrindo que sua missão não era viver na solidão.

De volta à cidade, foi nomeado secretário do papa Dâmaso, encarregado de redigir as cartas que o pontífice enviava. Em seguida, foi designado para fazer a tradução da Bíblia.

As traduções que existiam naquela época tinham muitas imperfeições de linguagem e várias imprecisões ou traduções não muito exatas. Jerônimo, que escrevia com grande elegância o latim, traduziu a este idioma toda a Bíblia, e essa tradução chamada "Vulgata" (tradução feita para o povo ou vulgo) foi a Bíblia oficial para a Igreja Católica durante 15 séculos.Por volta dos 40 anos, Jerônimo foi ordenado sacerdote. Mas seus altos cargos em Roma e a dureza com a qual corrigia certos defeitos da alta classe social lhe trouxeram invejas. Sentindo-se incompreendido e até caluniado em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, dispôs afastar-se daí para sempre e foi para a Terra Santa.

Passou seus últimos 35 anos em uma gruta, junto à Gruta de Belém. Várias das ricas matronas romanas que ele tinha convertido com suas pregações e conselhos venderam seus bens e foram também a Belém a seguir sob sua direção espiritual. Com o dinheiro dessas senhoras, construiu naquela cidade um convento para homens, três para mulheres, e uma casa para atender os que chegavam de todas as partes do mundo para visitar o lugar onde nasceu Jesus.Com tremenda energia, escrevia contra os hereges que se atreviam a negar as verdades da Santa religião.

A Santa Igreja Católica reconheceu sempre São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia. Por isso, foi nomeado patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais as Sagradas Escrituras.

Morreu em 30 de setembro do ano 420, aos 80 anos.

O papa Bento XVI, em sua audiência geral de 7 de novembro do 2007 disse: “Concluo com uma palavra de são Jerônimo a são Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz são Jerônimo: ‘Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu’”.

LITURGIA DIÁRIA

4ª feira da 26ª semana do Tempo Comum: A proposta de Jesus

Evangelho da 4ª feira da 26ª semana do tempo comum. "Disse-lhe: Segue-me". Jesus lança uma proposta que compromete nossas vidas. Fazer parte da missão de Cristo e trilhar os caminhos do mundo para ser alto-falante de sua misericórdia é uma fonte segura de alegria.


 Evangelho (Lc 9,57-62)

Enquanto estavam caminhando, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”.

Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.

Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”.

Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”.

Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”.

Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus”.


Comentário

Jesus caminha com firme decisão a Jerusalém, para cumprir a missão que seu Pai lhe havia confiado e que inflamava seu coração: abrir a porta do Céu a toda a humanidade. A sua passagem não deixa indiferentes os que o contemplam, e suscita reações ousadas: “Eu te seguirei...” Mas o Senhor responde de uma forma ainda mais ousada: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus”. (v. 62). Estas palavras recordam a história de Eliseu, narrada no Antigo Testamento: Elias lhe dá tempo para deixar o arado e ir despedir-se dos seus pais antes de se juntar à sua missão (cf. 1 Reis 19:20-21). Agora, porém, o evangelho sugere-nos que a chamada de Jesus é ainda mais urgente, que não há tempo a perder para dar uma resposta.

Nos filmes ou séries que vemos, chega um momento crucial em que o protagonista deve tomar uma decisão que marcará toda a sua vida: Deve aceitar a declaração de amor que recebe? Deve dizer sim à aventura que lhe é proposta? Em poucos minutos parece que a história pode tomar um caminho ou outro, cada um deles totalmente diferente... Algo assim acontece nesta passagem do Evangelho: Jesus faz uma proposta que compromete a vida dos seus interlocutores. E hoje, o Mestre continua a nos chamar para nos associarmos à sua missão, para percorrer as estradas do mundo para sermos alto-falantes de sua misericórdia. “Por que não te entregas a Deus de uma vez..., de verdade..., agora!?”[1]. Existe uma santa impaciência do amor.

Não sabemos qual foi a resposta final destes três personagens no Evangelho de hoje. Talvez, depois de um momento de hesitação, eles tenham seguido Jesus. Seja como for, a Escritura nos apresenta um exemplo perfeito de uma resposta pronta, total e entusiasta: é o exemplo de Santa Maria. Quando o Arcanjo Gabriel lhe anuncia que Deus quer que ela seja a sua Mãe, ela pergunta como tal prodígio vai se realizar e abraça a sua missão, sem duvidar: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).


terça-feira, 29 de setembro de 2026

SAÚDE MENTAL

 

Por que o Papa Leão continua falando

 de saúde mental

Asaúde mental não é um tópico que a maioria das pessoas associa a discursos papais. No entanto, nas últimas semanas, o Papa Leão voltou a ele repetidamente, levantando o assunto em diferentes ambientes e com diferentes públicos, desde estudantes da Universidade La Sapienza de Roma até jovens reunidos durante sua visita à Espanha.

E o que é difícil de perder é que ele raramente aborda a questão exatamente do mesmo ângulo duas vezes.

Na Universidade La Sapienza, em Roma, ele refletiu sobre as pressões enfrentadas pelos jovens, observando que "muitos jovens estão doentes de ansiedade". Em vez de tratar isso como uma preocupação passageira, ele desafiou os educadores a desempenhar um papel ativo na ajuda os alunos a navegar por um mundo cada vez mais complexo, insistindo que "é de extrema importância acreditar em seus alunos".

Algumas semanas depois, em Barcelona, a conversa tomou um rumo diferente. Durante uma vigília com a presença de centenas de milhares de jovens, o Papa Leo ouviu uma jovem falar abertamente sobre sua experiência de depressão e a luta para encontrar significado quando a vida parece esmagadora.

Sua resposta revelou a mesma preocupação, mas de outra perspectiva,

"Diante das situações mais difíceis e dolorosas, quando Deus parece ausente, devemos confiar a ele mais uma vez os fardos que carregamos em nossos corações, até mesmo gritando para ele, até mesmo protestando como Jó, confiante de que de alguma forma ele está presente e próximo, mesmo quando parece estar em silêncio."

No entanto, ele imediatamente acrescentou algo igualmente importante: "Mas acredito que não podemos fazer isso sozinhos". E essa frase simples pode ser uma das mais reveladoras de seu jovem pontificado.

Talvez seja por isso que a abordagem do Papa Leão parece tão valiosa. Em vez de reduzir a saúde mental a um único problema, ele continua retornando a ela de direções diferentes. Um dia ele está falando sobre educação. Outro, sobre a comunidade. Então tecnologia, propósito, solidão, fé ou relacionamentos. Não porque eles são a mesma coisa, mas porque os seres humanos são complicados, assim como as lutas que carregamos.

Quando confrontado com problemas difíceis, há uma tentação natural de procurar um cara de outono. Hoje em dia, as mídias sociais e os smartphones raramente escapam da acusação. No entanto, o colapso familiar, a pressão acadêmica, a solidão, a incerteza econômica, a instabilidade global e a perda de propósito ou fé podem contribuir para a ansiedade e a angústia. Dependendo de quem está falando, cada um pode ser apresentado como explicação.

Os seres humanos raramente se encaixam perfeitamente em categorias, nem suas lutas. Se ao menos pudéssemos apontar para uma coisa e dizer: "Esse é o problema". Na maioria das vezes, a vida é mais bagunçada do que isso.

Talvez seja por isso que outro comentário do Papa em Barcelona parece tão importante. Falando sobre aqueles que acompanham as pessoas em períodos de sofrimento, ele disse que precisamos de pessoas que possam nos ajudar sem "se apressar para explicar essa dor".

Que ideia refrescante.

Se os discursos recentes do Papa Leo revelam alguma coisa, é que alguns assuntos merecem mais do que uma resposta rápida. A saúde mental parece ser uma delas. Nem toda luta pode ser resolvida imediatamente. Nem todas as feridas podem ser claramente explicadas. Às vezes, o maior presente é simplesmente uma pessoa disposta a ficar, ouvir e caminhar ao nosso lado.