terça-feira, 4 de agosto de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

             Santo Cura d’Ars: saber reconhecer nossos erros

mbora saibamos que ninguém está isento de cometer erros, achamos desconfortável aceitar quando algo não saiu como esperávamos e temos que dizer: "Eu errei". Humanamente, quando erramos, geralmente justificamos nossas decisões, culpamos as circunstâncias, minimizamos o que aconteceu, mudam a versão dos fatos para nos convencermos de que agimos corretamente. São João Maria Vianney, nos deixa algumas dicas para o nosso desenvolvimento pessoal.

Por que isso acontece conosco?

A resposta não está apenas no orgulho. A psicologia mostra que existem mecanismos mentais que tentam proteger a imagem que temos de nós mesmos.

Santo Cura d'Ars atendeu milhares de pessoas que o procuravam para receber o sacramento da reconciliação, seus conselhos e orientação espiritual. Todos encontraram um espaço onde pudessem reconhecer suas falhas sem se sentirem reduzidos a elas. Essa experiência que o santo deu foi recebê-los com acolhimento em vez de julgá-los, impactando positivamente seus corações e incitando-os a mudar.

Nosso cérebro quer nos fazer ver bem

Por natureza, nossa mente responde com mecanismos de defesa recorrendo à justificativa de nossos erros. Do ponto de vista psicológico, isso ocorre devido às nossas ideias e crenças irracionais ou erradas, atitude perfeccionista, medo do fracasso, necessidade de aprovação, e pode até haver um transtorno de personalidade narcisista.

O que podemos fazer para aprender com nossos erros?

Aqui compartilhamos os ensinamentos de São João Maria Vianey, que andam de mãos dadas com a psicologia para que possamos aceitar nossos erros, nos ver com compaixão, remediar os fatos e aprender com eles.

1Não tenha medo de reconhecer suas falhas

Para o Santo Cura d'Ars, reconhecer um pecado ou um erro não era motivo de desespero, mas o início da liberdade. Ele costumava dizer:

"O bom Deus sabe tudo. Antes que eles confessem, ele já sabe que eles vão pecar novamente, e ainda assim ele os perdoa".

O santo nos lembra que, embora não sejamos perfeitos, somos perfeitos. O que significa que há aspectos que sempre podemos melhorar à meda que semem que se aem carga.

2Nunca duvide da misericórdia de Deus

Grande parte de não reconhecer nossos erros é porque temos vergonha de admitir quando tivemos uma falha, especialmente se esta tem sido constante, mas é aqui que o padroeiro dos sacerdotes nos lembra que nenhuma pessoa está muito longe de Deus.

3Receber um guia espiritual

Santo Cura d'Ars entendeu que as pessoas mudam mais facilmente quando encontram um espaço onde podem dizer a verdade sobre si mesmas sem perder a esperança. Reconhecer um erro não era o fim do caminho, mas o início de uma nova vida. Reconhecer as próprias falhas não busca humilhar a pessoa, mas abrir a porta para a reconciliação e o crescimento.

4

Eu olho para ele e Ele olha para mim."

Com esta expressão simples ensinava que a oração é, antes de tudo, uma relação de amor e presença.

5Não perder a humildade

Manter uma atitude humilde, depois de termos cometido um erro, nos ajudará a aprender e, por sua vez, a não confiar no orgulho, que nos faz agir com uma postura errônea de perfeccionismo, como mencionamos anteriormente. O Santo Cura d'Ars, recomenda a todos os fiéis que vivam na verdade e assim reconheçam nossa necessidade de ajuda.

Um conselheiro para a alma

Reconhecer um erro requer coragem, porque envolve renunciar à imagem de perfeição que tentamos manter. No entanto, é precisamente esse ato de honestidade que abre a porta para o verdadeiro crescimento.

SANTO DO DIA

 Hoje é a festa de são João Maria Vianney, padroeiro dos padres

A Igreja celebra hoje (4) são João Maria Vianney, o Cura D’Ars, como é chamado, por conta do nome do povoado na França onde serviu por muitos anos.

É o padroeiro dos sacerdotes, por isso, neste dia também se celebra o Dia do Padre. São João Maria Vianney é considerado um grande confessor, tinha o dom de profecia, recebia ataques físicos do demônio e viveu entregue à mortificação e à oração.

Foi ordenado sacerdote no dia 13 de agosto de 1815. Seu grande amor pela salvação das almas o levava a passar muitas horas no confessionário, onde arrebatava várias almas.

Era desprendido das coisas materiais, a tal ponto que dormia no chão do quarto, porque deu sua cama. Comia batatas e, ocasionalmente, um ovo cozido. Costumava dizer que “o demônio não tem tanto medo da disciplina; mas teme realmente a redução de comida, bebida e sono”.

Uma vez, o demônio sacudiu sua casa por 15 minutos; em outra ocasião, quis tirá-lo da missa e incendiou a sua cama, mas o santo mandou outras pessoas apagarem o fogo e não deixou o altar. O demônio fazia muito barulho para não o deixar dormir e também lhe gritava da janela: “Vianney, Vianney come batatas”.Uma das sequelas da Revolução Francesa foi a ignorância religiosa. Para remediar esta situação, o santo passava noites inteiras na pequena sacristia compondo e memorizando seus sermões, mas por não ter muito boa memória, tinha muita dificuldade de lembrar o que escrevia.

Ensinava o Catecismo às crianças e lutou para que as pessoas não trabalhassem ou estivessem em tabernas aos domingos. Em uma de suas homilias, disse que “a taberna é a tenda do demônio, o mercado onde as almas se perdem, onde se rompe a harmonia familiar”. Pouco a pouco, conseguiu que a taberna se fechasse e que as pessoas se aproximassem de Deus.

Sua popularidade foi crescendo e eram milhares as pessoas de todas as partes que chegavam para confessar-se com ele. Mais tarde, concederam ao povoado a permissão de construir uma Igreja, o que garantiria a permanência do santo. Seu doce amor pela Virgem Maria levou a que consagre a sua paróquia à Rainha do Céu.Às 2h do dia 4 de agosto de 1859, o santo Cura D’Ars morreu. Foi canonizado na festa de Pentecostes em 1925, pelo papa Pio XI.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de terça-feira: «Sou Eu, não temais»

Comentário ao Evangelho de terça-feira da XVIII semana do Tempo Comum. «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». Senhor, aumenta-nos a fé para que diante das tempestades da nossa vida recorramos confiados à tua poderosa intercessão.



Evangelho (Mt 14, 22-36)

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.

Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:

«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».

Respondeu-Lhe Pedro:

«Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas».

«Vem!» – disse Jesus. 

Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou:

«Salva-me, Senhor!».

Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe:

«Homem de pouca fé, porque duvidaste?».

Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus e disseram-Lhe:

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

Depois fizeram a travessia e vieram para terra em Genesaré. Os homens do lugar reconheceram Jesus e mandaram avisar toda aquela região. Trouxeram-Lhe todos os doentes e pediam que os deixasse tocar ao menos na orla do seu manto. E quantos lhe tocaram foram completamente curados.


Comentário

Jesus serve-se de milagres, mas assegura-se de que não são mal compreendidos. Assim, depois de realizar algo surpreendente, envia os discípulos de volta à vida comum, ao lago, onde o habitual é ter de lutar nas ondas. Mas Jesus ainda lá está, embora de uma forma diferente. E assim está nas nossas vidas. Jesus não veio ao mundo para nos facilitar tudo, mas para que Lhe demos a mão no nosso caminhar e, com a Sua ajuda, possamos superar as hostilidades do demónio e ter força e esperança nas dificuldades. Nada disto faz muito sentido se as nossas aspirações tiverem apenas esta vida como horizonte. Daí a centralidade da fé.

Porque é que por vezes temos dificuldade em reconhecer a presença de Deus na nossa vida quotidiana? Ouvimos Pedro dizer: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». Com estas palavras sentimos tanto a confiança em Jesus como a incapacidade de O reconhecer. Só o Senhor nos pode dizer até que ponto esta confiança era humana e até que ponto Pedro compreendeu o que tinha dito: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (Mt 16, 16). Pedro queria aproximar-se de Jesus, e que mais queria ele? Podemos aproveitar essas intenções, parcialmente desconhecidas para nós, para pensarmos nas nossas próprias: como contamos com Deus na nossa vida quotidiana, com que intenções nos aproximamos d'Ele ou permitimos que Ele entre nas nossas vidas?

Há algo na vida que não pode ser abordado com uma mentalidade meramente humana. Precisamente porque a "carreira" em que participamos é mais do que humana, se entendermos "humana" como algo que pode, se isso fosse possível, existir sem que Deus entre na cena. O coração pode sentir-se seguro quando enfrenta empresas que dependem da sua força. Mas isto, por muito grande que por vezes nos possa parecer, será sempre muito pequeno. Visto à distância, tudo o que é humano nos aparece como frágil e pequeno: a tecnologia desenvolve-se e os desafios que enfrentamos tornam-se cada vez maiores; fazemos descobertas e, ao mesmo tempo, temos de corrigir muito do que pensávamos saber. O Evangelho de hoje convida-nos a não confiar demasiado em nós próprios e a abrir-nos Àquele que pode verdadeiramente curar e encher o coração humano: «Confia no Senhor de todo o teu coração, e não confies no teu próprio discernimento» (Pr 3, 5).

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

IGREJA

 Papa exorta fiéis a abençoar a mesa como testemunho de fé no dia a dia

O papa Leão XIV encorajou os fiéis hoje (2), na oração do Ângelus, a redescobrirem a bênção da mesa como uma simples expressão de fé e como um modo concreto de transmitir a “beleza” da Eucaristia na vida diária.

“Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos cotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos”, disse o papa da varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano, onde retomou a oração mariana depois de concluir três semanas de repouso de verão em Castel Gandolfo, Itália.Por fim, Leão XIV disse que até mesmo as férias podem ser uma oportunidade para viver a fraternidade e cuidar dos mais necessitados. “Na companhia de Jesus, também as férias podem tornar-se um tempo de serenidade fraterna, envolvendo aqueles que, ao nosso lado, se encontram em necessidade”, disse ele.

Em sua reflexão, Leão XIV falou sobre o relato evangélico da multiplicação dos pães e peixes, proclamado na liturgia de hoje, e disse que as ações de Jesus Cristo revelam o profundo significado de Sua missão salvífica. O papa disse: "São gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao mundo”.

Leão XIV disse que Cristo não só fez milagres extraordinários, mas, por meio deles, anunciou a proximidade do Reino de Deus. “O Senhor é recordado como Aquele que dá sentido à vida, libertando-a do mal e do pecado”, disse o papa. “Ao dar vista aos cegos e audição aos surdos, Cristo não apenas realiza atos milagrosos, mas também anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo”.

O papa disse que o Evangelho mostra como Jesus Cristo transforma a existência humana de modo integral. Leão XIV disse que o texto bíblico de hoje "testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos".

Encontro com Cristo, “uma experiência nutritiva”

O papa disse que a multiplicação dos pães é uma imagem eloquente do encontro com Cristo. “O episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva”, disse ele. “No deserto, ou seja, no lugar da nossa necessidade, Cristo é o pão da vida”.

Sobre isso, Leão XIV disse que o Senhor responde aos anseios mais profundos do coração humano. “Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”. O papa disse também que o milagre transmite uma lição fundamental sobre solidariedade e partilha.

Em contraste com a lógica do egoísmo, Leão XIV falou sobre os riscos de uma cultura centrada na acumulação. "Seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado".

Em contrapartida, o papa disse que "a acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância".

Leão XIV definiu-a como uma “doença da alma” que “faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede”.

O papa falou também sobre as contradições de um mundo marcado por profundas desigualdades e conflitos: “E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.

Falando sobre o contexto atual de guerras e tensões internacionais, Leão XIV convidou a todos a contemplar o milagre da multiplicação dos pães como uma manifestação da caridade divina. “Nesse milagre da caridade, reconhecemos os gestos característicos de Jesus, que encontram na Última Ceia o seu ápice”, disse o papa.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de segunda-feira: Deus abençoa a nossa generosidade

Comentário ao Evangelho de segunda-feira da XVIII semana do Tempo Comum. «Dai-lhes vós de comer». Jesus abençoa a nossa generosidade: seja muito ou pouco o que entreguemos, Ele multiplica tudo. Aumenta-nos a fé!


Evangelho (Mt 14, 13-21)

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe:

«Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento».

Mas Jesus respondeu-lhes:

«Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer».

Disseram-Lhe eles:

«Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes».

Disse Jesus:

«Trazei-mos cá».

Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.


Comentário

O Evangelho da Missa de hoje convida-nos a olhar para a relação de Jesus com Deus Pai. Abeiramo-nos dela em silêncio e, ao mesmo tempo, como diria São Paulo, com medo e tremor, pois trata-se de nos aproximarmos da beira de um abismo que não podemos escrutinar. É o próprio Jesus que nos convida a olhar: Ele quer que O vejamos a rezar e que também nós desejemos falar com o Pai. Que rezemos como filhos. A "solidão" de Jesus ao orar diz-nos também que na oração está tudo aquilo de que precisamos, o alimento que nos aperfeiçoa. Aqueles que O seguiam mais de perto estavam desconcertados com esta intimidade. Os seus corações, cheios do seu modo de ver, pensavam nas necessidades que consideravam mais convincentes, e ainda não conseguiam compreender o alcance da sua vocação de filhos de Deus.

Jesus foi num barco para um lugar isolado; os outros partiram das cidades. Nosso Senhor sabe como cada um pode "aproximar-se" do Pai, conhece o caminho. Ele é o Caminho. Em Jesus, além disso, tudo é amor. Em nós há sempre uma certa mistura de amor e egoísmo, porque nos aproximamos de Deus, pelo menos em parte, procurando alguém que satisfaça as nossas necessidades e desejos. Mas até mesmo essa imperfeição nos fala de algo mais profundo: da necessidade de tornar realidade a nossa vocação; da grandeza a que o coração humano foi chamado. É apenas uma questão de compreender e experimentar que, na realidade, os nossos modestos desejos quotidianos são apenas a ponta do iceberg de desejos muito mais profundos.

Estas necessidades e desejos estão em todos os corações. O evangelho da missa mostra-nos Jesus disposto a dar-nos o que precisamos, mas através do que temos, mesmo que pensemos que não temos muito. Seja o que for que tenhamos, mesmo que pareça pouco, será sempre potenciado pelo próprio Jesus, servindo-Se da fé e do amor com que partilhamos o que somos e o que temos. Jesus abençoa a nossa generosidade: tempo, companhia, vestuário, conhecimento, oração, uma visita… Estes são os nossos pães e os nossos peixes, que, entregues por amor e com amor, são abençoados, como foram abençoados o pote de farinha e a almotolia de azeite da viúva de Sarepta (1Rs 17, 8-24).

domingo, 2 de agosto de 2026

ESPIRITUALIDADE

 Se Jesus te perguntasse: “Se eu não te der o que você quer, você me amaria?”

Imagine, por um instante, que Jesus olhasse para você hoje e perguntasse: “Se eu não te der aquilo que você mais deseja, você ainda me amaria de todo o seu coração?”

Talvez você esteja pedindo pela cura de uma doença, por um casamento que não aconteceu, pelo filho que ainda não chegou, pela restauração de uma família, por uma porta de trabalho ou simplesmente pelo fim de uma dor que já dura tempo demais.

Todos nós carregamos pedidos que apresentamos a Deus com lágrimas. E isso não é errado. Pelo contrário. A oração nasce justamente desse encontro entre a nossa fragilidade e a esperança.

Mas, às vezes, sem perceber, deixamos que o amor por Deus fique condicionado às respostas que esperamos receber. Quando isso acontece, a fé deixa de ser um relacionamento para se tornar uma negociação silenciosa.

Vivemos em uma cultura que nos ensinou a acreditar que felicidade significa ausência de sofrimento. Queremos respostas rápidas, soluções imediatas e caminhos sem perdas. No entanto, a vida insiste em nos lembrar de outra verdade: existir também é experimentar limites, despedidas, frustrações e dores que não escolhemos.

E talvez uma das experiências mais difíceis seja justamente esta: perceber que a vida não faz pausas por causa do nosso sofrimento.

Enquanto tentamos compreender uma perda, o relógio continua andando. Enquanto choramos uma despedida, o mundo segue seu ritmo. Enquanto esperamos por um milagre, os dias continuam passando.

É nesse lugar que muitos de nós perguntamos: “Deus, onde o Senhor está?”

A fé nunca prometeu uma vida sem cruz. O próprio Cristo não escolheu um caminho livre da dor. Ele escolheu permanecer amando, mesmo quando tudo parecia dizer o contrário.

Talvez amar a Deus de todo o coração não signifique compreender todos os seus silêncios. Signifique confiar que Seu amor permanece, mesmo quando as respostas ainda não chegaram.

Isso não elimina a dor. Mas o ajuda a superar.

IGREJA

A maioria dos católicos conhece apenas uma destas cinco festas de Nossa Senhora



Se você perguntar à maioria dos católicos quais festas marianas são celebradas nessa época do ano, eles dirão logo uma: a Assunção, e estarão certos. Mas não é a única. Entre o final de maio e meados de agosto, a Igreja inclui no calendário cinco celebrações distintas dedicadas à Virgem Maria, cada uma com seu próprio caráter teológico, sua própria história e até sua própria geografia. Quatro delas passam praticamente despercebidas para a maioria. Elas merecem algo melhor.

1
A Visitação (31 de maio)
A festa que encerra o mês de maio é uma das cenas mais dinâmicas do Evangelho. Maria, recém-grávida, percorre cerca 160 km a partir de Nazaré através de uma perigosa região montanhosa para chegar até sua prima Isabel em Ein Karem, nos arredores de Jerusalém — uma caminhada ladeira acima com quase 425 metros de desnível, por um terreno conhecido pela presença de salteadores.

Ela se dirige, como diz Lucas, "às pressas" (Lc 1, 39). Quando Isabel ouve a sua saudação, a criança pula em seu ventre e Isabel exclama: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1, 42). A resposta de Maria é o Magnificat (Lc 1, 46): o grande hino dos pobres e humildes que tem sido cantado nas Vésperas todas as tardes desde que Bento o tornou o eixo central da oração vespertina no século VI.

Ein Karem continua lá, agora integrada à extremidade ocidental de Jerusalém, com sua Igreja da Visitação construída sobre o local tradicional da casa de Isabel. Os peregrinos que visitam Jerusalém nessa época do ano podem percorrer a rua onde, segundo se diz, ocorreu esse encontro. A Visitação é uma festa do reconhecimento — da graça reconhecida em outra pessoa antes mesmo que qualquer uma das duas mulheres tenha pronunciado uma única palavra de teologia — e de uma jovem que, após receber a notícia mais extraordinária da história da humanidade, dispôs-se imediatamente a ajudar outra pessoa.

2
O Imaculado Coração de Maria (sábado após o segundo domingo depois de Pentecostes)
Esta festa móvel é celebrada em junho, sempre no dia seguinte à solenidade do Sagrado Coração de Jesus, de modo que ambos os corações estão liturgicamente sempre unidos.

Instituída por Pio XII em 1944, em pleno auge da Segunda Guerra Mundial, ela conta com o respaldo teológico de Fátima: o pedido de Nossa Senhora de que se consagrasse a Rússia ao seu Imaculado Coração marcou profundamente a forma como a Igreja se compreendia ao longo do século XX, desde as aparições de 1917 até a consagração realizada por João Paulo II em 1984. Em Portugal, onde Fátima se localiza nas encostas da Serra de Aire, ao norte de Lisboa, a festividade atrai peregrinos durante o ano todo, mas especialmente no período das férias, quando o grande santuário ao ar livre fica repleto de multidões vindas de todo o mundo. A teologia é simples e exigente: o coração de Maria estava tão conformado ao de seu Filho que honrar a um significa sentir-se irremediavelmente atraído pelo outro.

3
Nossa Senhora do Monte Carmelo (16 de julho)
Nas encostas do Monte Carmelo, ao norte de Israel, sobre a cidade portuária de Haifa, os carmelitas conservam um monastério e uma basílica no lugar onde a sua ordem teve origem: eremitas que viviam perto de uma capela dedicada à Virgem nos séculos XII e XIII. A festividade de 16 de julho comemora tanto essa origem quanto a tradição do escapulário marrom. Mas é nas localidades costeiras do Mediterrâneo que a festa ganha mais vida. Na Itália, a celebração é, antes de tudo, marítima. Ao longo da costa da Campânia — Nápoles, Sorrento, Ischia, Positano —, as comunidades pesqueiras levam a imagem da Virgem até a praia e a colocam em um barco, que em seguida é escoltado por frotas de embarcações menores, enquanto pétalas de flores são lançadas ao mar e fogos de artifício estouram sobre o porto.

Em Roma, a celebração se transforma na "Festa de’ Noantri" — "a festa de nós, os outros", no dialeto romano do Trastevere —, onde a imagem percorre o rio Tibre de barco, uma tradição que remonta a 1535, quando, segundo se conta, pescadores encontraram uma imagem da Virgem no rio após uma tempestade. Na Espanha e na América Latina, onde é a padroeira dos marinheiros e do mar (Nossa Senhora do Carmo), a procissão se repete em dezenas de cidades litorâneas, da Galiza ao Chile. Em Brooklyn (Espanha/EUA), o festival de dez dias realizado em Williamsburg ergue um «giglio» de sessenta e cinco pés (20 metros) — uma torre que sustenta a Virgem — e a carrega pelas ruas, seguindo uma tradição trazida por imigrantes do sul da Itália que se mantém ininterruptamente por mais de um século.

4
A Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior (5 de agosto)
Esta é a festividade menos conhecida das cinco e uma das mais insólitas. Comemora a lendária fundação da grande basílica romana no ano 358, depois que a Virgem apareceu em sonhos ao Papa Libério e a um nobre romano chamado João, ordenando-lhes que construíssem uma igreja na colina do Esquilino onde caísse neve… em pleno mês de agosto.

A neve caiu. A basílica foi construída e hoje se ergue como uma das quatro basílicas maiores de Roma, com seu teto artesoado dourado com o que, segundo a tradição, foi o primeiro ouro trazido da América, um presente de Fernando e Isabel. Em seu interior encontra-se o que é venerado como um ícone da Virgem pintado pelo próprio São Lucas (a Salus Populi Romani). A festividade é conhecida às vezes como Nossa Senhora das Neves — um título estranho e belo para uma festa celebrada no auge do calor de agosto, um lembrete de que o milagroso segue um calendário diferente do meteorológico. Se você estiver em Roma no início de agosto, quando a cidade se esvazia de seus habitantes e se enche de turistas, a basílica do Esquilino fica mais tranquila do que o habitual. É um ótimo momento para visitá-la, se puder suportar o calor. E se você assistir à missa lá nesse dia, verá o milagre ser recriado com pétalas de rosa brancas caindo do teto da cúpula.

5
A Assunção (15 de agosto)
Em Malta, a Assunção de Nossa Senhora não é uma festa qualquer. É a festividade por excelência: o ápice do ano litúrgico local, o momento para o qual todo o verão foi se preparando. Neste pequeno arquipélago de 316 quilômetros quadrados situado em pleno Mediterrâneo, mais de vinte vilarejos celebram a sua «festa» paroquial em 15 de agosto, competindo entre si pelas decorações mais elaboradas, pela qualidade de sua banda musical e pela imponência de seus fogos de artifício. As ruas são enfeitadas com luzes coloridas com semanas de antecedência. As fachadas das igrejas permanecem iluminadas até depois da meia-noite. As bandas de música desfilam pelas estreitas ruas de pedra calcária enquanto a imagem da Assunção — a Virgem elevada ao céu, cercada por anjos dourados — é carregada nos ombros pelos fiéis em uma procissão que pode durar horas.

No vilarejo de Mosta, cuja grande basílica imponente possui uma das maiores cúpulas de igreja do mundo, a festa atrai milhares de pessoas. Em Attard, em Gudja, em Mqabba, repete-se o mesmo ritual: a população se reúne, a imagem sai pelas portas da igreja e a praça explode em júbilo. A Assunção — definida como dogma pelo Papa Pio XII em 1950, embora seja celebrada pelo menos desde o século V — proclama que Maria, ao fim de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celestial. É a antecipação, nela, do que é prometido a todos: a ressurreição da carne, a redenção de toda a pessoa humana. Malta, ao que parece, nunca precisou que isso lhe fosse explicado. A tradição católica de dois mil anos da ilha, que tem suas raízes no naufrágio de São Paulo no ano 60, transmitiu esta festividade com uma intensidade ininterrupta de geração em geração. Estar em Malta no dia 15 de agosto é compreender, de uma forma que nenhum tratado teológico consegue transmitir plenamente, o que significa quando uma festa pertence verdadeiramente a um povo.