domingo, 5 de abril de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Beata Ana Catarina Emmerick narra encontro de Jesus ressuscitado com a Virgem Maria



Em muitas passagens dos Evangelhos fala-se do encontro que o Ressuscitado teve primeiro com as mulheres que o seguiram e depois, em diversos momentos, com os apóstolos. No entanto, não diz nada sobre o que aconteceu quando o Redentor encontrou sua Mãe. A beata mística Ana Catarina Emmerick (1774-1824) teve uma visão desses momentos.

O site santoscorazons.org, gerido pelas Servas dos Corações Transpassados ​​de Jesus e Maria, narra que a beata viu a Virgem Maria rezar em seu interior com um desejo ardente de encontrar seu Filho.

Nesse momento, um anjo apareceu e disse a Maria para ir até a pequena porta de Nicodemos, porque o Senhor "estava perto". A Mãe de Deus se encheu de alegria e saiu apressada sem que as outras mulheres percebessem.

No caminho, Maria parou e olhou para cima. A alma de Cristo desceu até Ela acompanhada de muitas almas e patriarcas. O Senhor lhes disse: “Eis aqui Maria, eis aqui a minha Mãe”. A vidente conta que pareceu que Jesus deu um beijo em sua mãe e depois desapareceu.

Depois, o Cristo glorioso e ressuscitado se apresentou a Maria no Calvário. As almas dos patriarcas fizeram reverência diante da Virgem e o Redentor lhe mostrou as suas chagas. A Virgem tentou se prostrar para beijar os pés de seu Filho, mas Ele a levantou e desapareceu.

Maria ficou muito feliz e se ajoelhou para beijar o lugar onde seu amado Jesus havia aparecido.

A beata Emmerick narra que a Santíssima Virgem voltou confortada para onde as mulheres preparavam os unguentos e perfumes. Sem lhes dizer nada, começou a consolá-las e a fortalecê-las na fé.

As revelações privadas, como são as visões da beata Emmerick, não precisam ser aceitas pelos católicos.

O Catecismo da Igreja Católica diz, no número 67: “No decurso dos séculos tem havido revelações ditas 'privadas', algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é 'aperfeiçoar' ou 'completar' a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja”.

LITURGIA DA PALAVRA

 Evangelho do Domingo de Páscoa: Jesus vive!

Comentário ao Evangelho da Solenidade do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor. «Então entrou também o outro discípulo que tinha chegado antes ao sepulcro, viu e acreditou». O amor pelo Mestre de Maria Madalena, João e Pedro não desapareceu após a sua morte. A sua fé e a sua fidelidade são recompensadas com uma alegria que os acompanhará para sempre.


Evangelho (Jo 20, 1-9)

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes:

«Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».

Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.


Comentário

Como terá sido a Ressurreição de Jesus? De que maneira os seus membros dilacerados pela Paixão terão voltado à vida, transformando-se num corpo glorioso? Não o sabemos: as únicas testemunhas deste maravilhoso acontecimento foram o sepulcro, os panos de linho e o sudário. Estas testemunhas mudas são as primeiras que anunciam que algo totalmente novo aconteceu.

João é o primeiro a escutar a mensagem dos panos de linho e do sudário. Uns dias antes, tinha sido o discípulo corajoso que permanece firme ao pé da Cruz, junto do Mestre. Agora, é o discípulo que corre para o sepulcro para procurar o Senhor. O mesmo que sabe ser paciente no momento da prova é o que se move com diligência durante a procura. É a mesma força que o sustenta em todas as situações: o amor pelo Senhor. E esse amor não fica sem recompensa: Deus concede-lhe una graça especial para ler nos panos de linho dobrados e no sudário enrolado a mensagem mais luminosa de toda a História: Jesus vive!

Mas João não é o único que corre na manhã do Domingo de Páscoa. Antes dele, correu Maria Madalena. Nela, a força do amor é também muito intensa. O carinho pelo Senhor fez que se levantasse cedo, de madrugada, para servi-Lo de uma maneira totalmente desinteressada. Ela só quer ter um último pormenor com Jesus, sem esperar nada em troca. E será a primeira a contemplar o Senhor na sua glória, e anunciar à Igreja que Ele vive.

Pedro também sabe correr. Ele foi um pouco mais lento para chegar ao sepulcro. Não tem a impaciência de Maria Madalena nem a agilidade de João. Mas chegou ao sepulcro e é o primeiro a receber os sinais da Ressurreição – os panos de linho e o sudário – por mais que demore a acreditar. Talvez porque a ferida que tem é mais profunda: à dor da morte do Mestre soma-se a recordação de tê-lo abandonado durante a Paixão. Apesar de tudo, também soube correr. O amor não desapareceu: é como uma luzinha que timidamente vai abrindo caminho.

Como foi difícil para os discípulos acreditar que Jesus tinha voltado à vida! E como pode ser difícil para nós aceitar que Jesus sustenta a nossa vida! Às vezes, o sepulcro parece impor-se: os problemas no trabalho ou em casa, os defeitos do nosso carácter, a oposição aos valores cristãos em certos ambientes… No entanto, se olharmos bem para essas situações, provavelmente encontraremos sinais de esperança, que podem ser outras pessoas que se mantêm tenazmente no bem ou uma solução que aparece repentinamente. São sinais que estão à espera de que os leiamos com fé, como os panos de linho e o sudário na manhã da Ressurreição.

Para ler os sinais que Deus nos dá, necessitamos de acolher o dom da fé. Da nossa parte podemos pôr o afã sincero de procurar o Senhor, também quando parece que partiu. Foi o que fizeram Maria Madalena, João e Pedro: ainda procuravam Cristo, queriam oferecer-lhe um serviço, por mais que pensassem que continuava morto. O Senhor recompensa esse amor fiel com a alegria de encontrá-l'O vivo, envolto na glória da Páscoa.

IGREJA

 

Hoje é a Páscoa da Ressurreição



Hoje (5) é o dia em que a Igreja Católica celebra o sentido da fé, porque festeja o Domingo da Ressurreição de Jesus ou a Páscoa, quando Cristo triunfante sobre a morte abre as portas do céu.

Durante a missa, acende-se o círio pascal que permanecerá aceso até o dia em que se comemora a ascensão de Jesus ao céu.

Esta festa celebra a derrota do pecado e da morte pela a ressurreição. Todo o sofrimento temporal adquire sentido com a vida eterna.

É um dia de festa e alegria, Cristo ressuscitou, o túmulo está vazio, a humanidade está salva, agora é hora de abraçar esta salvação testemunhando uma verdadeira vida cristã.

A seguir, leia o evangelho de são João (20,1-9) deste Domingo da Ressurreição:

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.

3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.

6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.

8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.

9De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

sábado, 4 de abril de 2026

IGREJA

 FOTOS: O papa Leão XIV carrega a cruz em todas as estações da via-sacra no Coliseu




O papa Leão XIV carregou pessoalmente a cruz por todas as estações da via-sacra hoje (3), Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma.

Uma cruz se ergue no Coliseu em Roma na Sexta-feira Santa, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.
Uma cruz se ergue no Coliseu em Roma na Sexta-feira Santa, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.

O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.
Uma vela tremula no Coliseu em Roma na Sexta-feira Santa, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News
Uma vela tremula no Coliseu em Roma na Sexta-feira Santa, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. |. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.
O Papa Leão XIV carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu de Roma, sexta-feira, 3 de abril de 2026. |. Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News.

RELIGIÃO

 Os símbolos do Sábado Santo



Hoje, Sábado Santo, a Igreja celebra a Vigília Pascal, considerada a mãe de todas as vigílias por ser celebrada na noite em que Cristo passou da morte à vida. Esta celebração possui quatro partes: a liturgia da luz; a liturgia da Palavra; a liturgia batismal; e a liturgia eucarística. Conheça os símbolos presentes nessa missa.

A luz e o fogo

Desde sempre, a luz existe em estreita relação com a escuridão: na história pessoal ou social, uma época sombria vai seguida de uma época luminosa; na natureza é das escuridões da terra de onde brota à luz a nova planta, assim como à noite lhe sucede o dia.

A luz também se associa ao conhecimento, ao tomar consciência de algo novo, frente à escuridão da ignorância. E porque sem luz não poderíamos viver, a luz, sempre, mas sobretudo nas Escrituras, simboliza a vida, a salvação, que é Ele mesmo (Sl 27,1; Is 60, 19-20).

A luz de Deus é uma luz no caminho dos homens (Sl 119, 105), assim como sua Palavra (Is 2,3-5). O Messias traz também a luz e Ele mesmo é luz (Is 42.6; Lc 2,32).

As trevas, então, são símbolo do mal, a desgraça, o castigo, a perdição e a morte (Jó 18, 6. 18; Am 5. 18). Mas é Deus quem penetra e dissipa as trevas (Is 60, 1-2) e chama os homens à luz (Is 42,7).

Jesus é a luz do mundo (Jo 8, 12; 9,5) e, por isso, seus discípulos também devem sê-lo para outros (Mt 5,14), convertendo-se em reflexos da luz de Cristo (2 Cor 4,6). Uma conduta inspirada no amor é o sinal de que se está na luz (1 Jo 2,8-11).

Durante a primeira parte da Vigília Pascal, chamada “lucenário”, a fonte de luz é o fogo. Este, além de iluminar, queima e, ao queimar, purifica. Como o sol por seus raios, o fogo simboliza a ação fecundante, purificadora e iluminadora. Por isso, na liturgia, os simbolismos da luz–chama e iluminar–arder se encontram quase sempre juntos.

O círio pascal

Entre todos os simbolismos derivados da luz e do fogo, o círio pascal é a expressão mais forte, porque reúne ambos.

O círio pascal representa Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte, sol que não tem ocaso. Acende-se com fogo novo, produzido em completa escuridão, porque, na Páscoa, tudo se renova: dele se acendem as demais luzes.

As características da luz são descritas no exultet e formam uma unidade indissolúvel com o anúncio da libertação pascal. O círio aceso é, pois, um memorial da Páscoa. Durante todo o tempo pascal o círio estará aceso para indicar a presença do Ressuscitado entre os seus.

Os símbolos do Batismo

1. A água

Embora o rito do Batismo esteja repleto de símbolos, a água é o elemento central, o símbolo por excelência. Em quase todas as religiões e culturas, a água possui um duplo significado: é fonte de vida e meio de purificação.

Nas Escrituras, encontramos as águas da Criação sobre as quais pairava o Espírito de Deus (Gn 1,2). A água é vida no regaço, na seiva, no líquido amniótico que nos envolve antes de nascer. No dilúvio universal, as águas torrenciais purificam a face da terra e dão lugar à nova criação a partir de Noé.

No deserto, os poços e os mananciais se oferecem aos nômades como fonte de alegria e de assombro. Perto deles, têm lugar os encontros sociais e sagrados, preparam-se os matrimônios, etc.

Os rios são fontes de fertilização de origem divina; as chuvas e o orvalho contribuem com sua fecundidade como benevolência de Deus. Sem a água, o nômade seria imediatamente condenado à morte e queimado pelo sol palestino. Por isso, pede-se a água na oração.

Yahvé se compara com uma chuva de primavera (Os 6,3), ao orvalho que faz crescer as flores (Os 14.6). O justo é semelhante à árvore plantada ao borde das águas que correm (Nm 24,6); a água é sinal de bênção.

Segundo Jeremias (2, 13), o povo de Israel, ao ser infiel, esquece Yahvé como fonte viva, querendo escavar suas próprias cisternas. A alma procura Deus como o cervo sedento procura a presença da água viva (Sl 42,2-3). A alma aparece assim como uma terra seca e sedenta, orientada para a água.

Jesus emprega também este simbolismo em sua conversa com a samaritana (Jo 4.1-14), a quem se revela como “água viva” que pode saciar sua sede de Deus. Ele mesmo se revela como a fonte dessa água: “Se alguém tiver sede, que venha para Mim e beba” (Jo 7,37-38). Como da rocha de Moisés, a água surge do flanco transpassado pela lança, símbolo de sua natureza divina e do Batismo (cf Jo 19,34).

Por este motivo, a água se converteu no elemento natural do primeiro sacramento da iniciação cristã.  Desde os primeiros séculos do cristianismo, os cristãos adultos eram batizados em uma espécie de pia cheia de água que tinha duas escadas: por uma descia e por outra saía. A imagem de “descer” às águas representava o momento da purificação dos pecados e estava associada à morte de Cristo.

A saída, subindo pelo lado oposto, representava o renascer à nova vida, como se estivesse saindo do ventre materno e era associado à ressurreição. No centro se fazia a profissão de fé pública. E isto significa que a água do batismo não é algo “mágico” – como pensam muitos – que protege ou transforma por si só, mas sim a expressão deste duplo compromisso: o de mudar de vida morrendo ao pecado e o de renovar a escala de valores, iluminados por Cristo, ressuscitados com Ele.

2. A veste branca

A cor branca sempre foi identificada com a pureza, com o inocente. Parece lógico que, desde os primeiros séculos do cristianismo, os catecúmenos fossem ao Batismo vestidos com túnicas brancas. Poderíamos considerá-lo, inclusive, como inspirado na imagem reiterada do Apocalipse, em que os seguidores fiéis do Cordeiro mereceram vestir-se de branco (cf 3,4-5.18; 4,4; 7,9.13-14; 19,14; 22,14).

Entretanto, os textos bíblicos dependeriam do que nos diz a tradição cultural dos primeiros séculos, anterior aos mesmos. Em todo o Império Romano, só os membros do Senado se vestiam com túnicas brancas, por isso os chamavam candidatus, do latim “cândido”, branco. Desta maneira, manifestava publicamente sua dignidade, a de servir ao Imperador, o qual se apresentava como o filho de deus.

Os cristãos, então, a irem vestidos de branco a receber o Batismo, tentaram mostrar que a verdadeira dignidade do homem não consiste em trabalhar para nenhum poder político, mas em servir a Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus. Portanto, mais que símbolo de pureza, era símbolo de dignidade, de vida nova, de compromisso com um estilo de vida e com o esforço cotidiano por conservá-la sem mancha, para ser considerados dignos de participar do banquete do Reino (cf. Mt 22, 12).

Em uma sociedade consumista como a nossa, em que a dignidade das pessoas depende de como vão vestidas, da moda que seguem, das marcas que usam, os cristãos deveriam nos perguntar o que fizemos de nossa “veste branca” batismal e verificar se, como diz São Paulo, “tendo-nos revestido de Cristo” (cf. Gl 3.27).

SANTO DO DIA

 Hoje é dia de santo Isidoro de Sevilha, quem ensina o equilíbrio entre oração e ação

Hoje (4), a Igreja Católica celebra a festa de santo Isidoro de Sevilha, bispo da antiga Hispânia, polímata e estudioso e, segundo o papa Bento XVI, "o último dos Padres cristãos da antiguidade".

Família, escola de santidade

Santo Isidoro nasceu em Cartagena, Sevilha, Espanha, no ano 556. Era o caçula de quatro irmãos, também santos: são Leandro, são Fulgencio e santa Florentina. Em casa, Isidoro aprendeu o amor de família, selado pela presença do Senhor e onde rezar era algo cotidiano. Aprendeu também o valor do jejum, do trabalho manual, da solidariedade que davam ao lar certo ar monástico.

O irmão mais velho, são Leandro, bispo de Sevilha, foi o encarregado da educação de Isidoro. Graças a ele, Isidoro adquiriu uma ampla e profunda formação intelectual, na qual a tradição cristã e a herança greco-romana se fundiram sob a ortodoxia; além, é claro, dos bons hábitos de estudo e oração. Deus o chamou, assim, ao sacerdócio.

Quando Leandro morreu, Isidoro ocupou o cargo de bispo de Sevilha, que exerceu por 38 anos.

Vida ativa e vida contemplativa em equilíbrio

Uma das grandes dificuldades que muitos homens de Deus sofrem é conciliar a vida de estudo e contemplação, com a vida apostólica ou o exercício da caridade. Bento XVI, em uma de suas catequeses, recorda as palavras de santo Isidoro:

“Aqueles que procuram alcançar o descanso da contemplação devem preparar-se primeiro no estádio da vida ativa; e assim, livres dos resíduos do pecado, serão capazes de exibir aquele coração puro, o único que permite ver Deus" (Differentiarum Lib II, 34, 133: PL 83, col. 91 A).

Bento XVI comenta a seguir: “o realismo de um verdadeiro pastor convence-o do risco que os fiéis correm de reduzir-se a ser homens unidimensionais. Por isso, acrescenta: "O caminho do meio, composto por uma e outra forma de vida, é normalmente mais útil para resolver aquelas tensões que muitas vezes são aumentadas pela escolha de um só gênero de vida e por vezes são melhor temperadas por uma alternância das duas formas” (o.c., 134: ibid., col. 91 B).

A busca desse equilíbrio foi uma motivação constante para santo Isidoro. Por um lado, o seu amor pelos pobres era imenso, como sempre se manifestou pelas ajudas que lhe chegavam às mãos, esmolas que obtinha e distribuía entre os necessitados. Por outro lado, preocupou-se muito com a formação do clero, e promoveu a construção de uma escola para preparar os futuros padres, uma antecipação do que séculos depois seriam os seminários.

O último dos padres antigos

Dizia santo Ildefonso que "era tão admirável a facilidade de santo Isidoro com as palavras que vinham multidões para ouvi-lo e todos se maravilhavam com a sua sabedoria e com o grande bem que se obtinha ao ouvir os seus ensinamentos".

De todas as ciências, a que mais gostava e recomendava era o estudo da Bíblia Sagrada, sobre a qual escreveu longos comentários. Escreveu vários livros, entre eles o famoso "Etimologias", que é considerado o primeiro dicionário feito na Europa. Em atenção ao momento político que viveu, escreveu uma "História dos Visigodos" e algumas biografias de pessoas famosas. Por isso, muitos historiadores e teólogos consideram o santo como uma ponte entre a Idade Antiga e a Idade Média, em virtude da capacidade de reunir as riquezas do passado e comunicá-las às gerações seguintes.

Santo Isidoro foi a figura principal do Concílio de Toledo (ano 633), do qual emergiram os princípios canônicos orientadores da Igreja da Espanha, e que contribuiu fortemente para a formação do país. Bento XVI recordou: “Poucos anos depois da sua morte, em 636, o Concílio de Toledo de 653 definiu-o: Ilustre mestre da nossa época e glória da Igreja católica”.

Santo Isidoro de Sevilha morreu em 4 de abril de 636, aos 80 anos. Foi declarado Doutor da Igreja em 25 de abril de 1722 pelo papa Inocêncio XIII.

ESPIRITUALIDADE

 No Sábado Santo, esperamos com Maria

Hoje é Sábado Santo, dia de espera. Jesus está no sepulcro e Maria é quem acompanha a Igreja.

Maria é a mãe da paciente espera, embora esteja sofrendo pela morte de seu Filho. Ela foi a única que manteve viva a chama da fé quando Cristo foi sepultado.

Muitos seguidores de Jesus ficaram desiludidos, pois acreditavam que Ele seria o Grande Messias de Israel. Eles esperavam um guerreiro que os libertasse do domínio romano com punho de ferro e um exército numeroso.

Entretanto, quando viram que Cristo deixou que o crucificassem e morreu, ficaram tristes e desiludidos. “Jesus fracassou, voltemos para nosso trabalho ordinário”, disseram os discípulos de Emaús. Os apóstolos também estavam com medo e ficaram escondidos.

Inclusive as mulheres que estiveram ao pé da Cruz, foram embalsamar o corpo do Senhor porque estava morto. Elas não tinham acreditado na ressurreição de Cristo e, quando encontraram o sepulcro vazio, ficaram surpresas. Sem entender porque o corpo de Jesus não estava lá, começaram a duvidar do que Ele lhes havia dito sobre a ressurreição. Ao aparecer o anjo, uma delas pergunta: Para onde levaram o Senhor? Somente quando Cristo lhes aparece, acreditam.

Maria, muito pelo contrário, não foi ao sepulcro, pois tinha acolhido a palavra de Deus em seu coração. E por ser uma mulher de fé profunda, havia acreditado. Portanto, Ela não estava desiludida, nem assustada e desconfiada. Mas esperava plenamente a ressurreição do seu Filho.

Apesar de ter vivido toda a dor do dia anterior, sua fé e sua esperança são muito maiores. Permaneceu firme ao pé da cruz, embora profundamente dolorida. Nesses momentos, a única coisa que a sustentou foi a sua fé e também a esperança de que se cumpririam as promessas de Deus.