terça-feira, 10 de março de 2026

IGREJA

 

Nesta Quaresma, acompanhe Jesus com gestos diários

Os tempos litúrgicos sempre nos presenteiam com a oportunidade de parar, olhar para a nossa vida e nos perguntar o que vai bem e o que precisa ser corrigido

Advento nos convida a olhar para trás, a preparar o coração para o que virá. O Tempo Comum, por outro lado, permite-nos avançar com certa rotina, quase no piloto automático, seguindo a inércia dos dias. Mas a Quaresma detém-nos novamente: convida-nos a olhar para dentro, a revisar o nosso coração, a ajustar o leme e a abrir os olhos para o que somos e para o que podemos oferecer.

Voltando o olhar para o interior

E esse olhar interior não é apenas um exercício pessoal: deveria ser uma constante na vida familiar. Assim como os quartos mudam à medida que as crianças crescem, também devem evoluir as formas de agir, de falar e de conviver em casa.

Temos de manter essa tensão constante que busca onde podemos melhorar. Uma deficiência clássica em todos os lares é a forma, a maneira como nos dirigimos aos outros. Como gerimos as nossas palavras e silêncios marca profundamente a atmosfera do nosso lar.

Agir com consciência

Todos conhecemos a cena: alguém começa a gritar (geralmente é a mãe): "Quem pegou isto? Quem tirou do lugar?". E apenas alguns minutos depois, quando a raiva já baixou, descobrimos que o objeto estava na gaveta errada.

É um momento cotidiano, quase trivial, mas ali reside uma oportunidade: o poder de calar a tempo, de responder com amabilidade, de escolher a palavra certa. Essa escolha, além disso, pode ter um valor muito maior, não apenas para a educação ou para a convivência.

Neste tempo, acompanhe Jesus

Porque cada gesto que escolhemos fazer, cada palavra que decidimos não pronunciar, cada silêncio oferecido com carinho pode acompanhar o Senhor no Horto das Oliveiras, no exato instante em que Judas o trai.

Esse gesto humilde, cotidiano, pode ser um ato de consolo e de presença que transcende a rotina da nossa casa e se estende até a Paixão do Senhor. É um milagre silencioso: enquanto resolvemos um mal-entendido na cozinha, enquanto acalmamos uma birra infantil ou deixamos passar uma palavra cortante, estamos sustentando, acompanhando e consolando o próprio Salvador.

É aqui que reside a força das nossas pequenas sementes de amor. Não precisamos de grandes gestos para sermos verdadeiramente transformadores. Junte ao jejum e à oração os instantes em que, com paciência e amor, paramos e escolhemos o pequeno bem.

Esse instante atravessa o espaço e o tempo, sustentando o Senhor no seu momento de maior solidão e traição. E Ele, que não se deixa vencer em generosidade, apaziguará a nossa sala de estar, fortalecerá os vínculos que construímos; serão as Suas mãos que, como ninguém, conseguirão restaurar as nossas relações familiares.

Pequenos gestos que somam

Nesta Quaresma, como sugeriu o Papa Leão XIV, podemos nos concentrar no que está ao alcance da nossa mão: a maneira como falamos uns com os outros, como nos escutamos e como nos acompanhamos em família.

Se aprendermos a ver as coisas assim, cada lar transforma o Horto das Oliveiras num jardim onde o Senhor não está sozinho, onde as nossas ações cotidianas se unem à Sua Paixão e Lhe fazemos companhia, e onde a nossa vida familiar se torna para Ele um motivo de orgulho, um instrumento de consolo e presença.

Este é o convite: viver cada instante de forma consciente, reconhecer que o pequeno pode sustentar o grande e entender que, mesmo na vida mais cotidiana, podemos acompanhar o Senhor no Horto das Oliveiras. Nesta Quaresma, na cozinha, em meio à bagunça dos brinquedos, quando limpamos o banheiro... Nossas casas podem acolher e aliviar o Senhor em sua pior noite.

IGREJA

 Hoje começa a novena a São José, esposo de Maria e patrono da Igreja Universal

No dia 19 de março é celebrado são José, esposo de Maria, pai adotivo de Jesus e patrono da Igreja Universal. A novena em honra ao santo custódio da Sagrada Família começa hoje (10).

Com a novena a seguir, é possível rezar a cada dia, em preparação para a festa de são José.

Oração preparatória para todos os dias:

Deus e Senhor meu, Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, creio que estou em Vossa soberana presença agora, quando pretendo consagrar a São José esta novena.

Valei-nos, são José!

Adoro-Vos com todo o meu coração, porque sois infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas. Adoro-Vos com toda a intensidade de que sou capaz e arrependo-me dos muitos pecados que fiz contra Vossa Divina Majestade.

Quero, nesta novena, aprender as virtudes que, com tanta perfeição, praticou o glorioso Patriarca São José e alcançar, por sua intercessão, as graças de que tanto preciso. Senhor, quem sou eu para me atrever a comparecer diante de Vossa presença?

Conheço a deficiência de meus méritos e a multidão de meus pecados, pelos quais não mereço ser ouvido em minhas orações, mas o que não mereço merece-o o pai nutrício de Jesus; o que não posso ele pode. Venho, portanto, com toda a confiança, implorar a divina clemência, não fiado em minha fraqueza, mas no poder e valimento de São José. Amém.

Oração do dia correspondente (confira abaixo a oração de cada dia da novena)

Oração final para todos os dias:

Lembrai- vos, ó puríssimo Esposo da Virgem Maria, ó meu doce Protetor São José, que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado vossa proteção, implorando vosso socorro e não fosse por vós consolado.

Com grande confiança, venho à vossa presença recomendar-me fervorosamente a vós. Não desprezeis as minhas súplicas, ó pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos acolhê-la piedosamente. Assim seja.

ANT.: José, filho de Davi, não temas receber Maria, vossa Esposa Santíssima, em vossa companhia, porque o que ela leva em suas puríssimas entranhas é obra do Espírito Santo.

V. Rogai por nós, José santíssimo.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Ó Jesus, que por uma inefável providência, dignastes-Vos escolher o bem-aventurado esposo de Vossa Mãe Santíssima; concedei-nos que aquele mesmo que veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Pede-se agora a graça que necessita conseguir

Para melhor alcançar as graças pedidas, rezaremos sete Pai-nossos, sete Ave-Marias e sete Glórias ao Pai em honra das alegrias e dores do glorioso patriarca.

Primeiro dia

Dou graças à Santíssima Trindade, Santíssimo São José, pelos muitos privilégios, méritos e virtudes com que vos enriqueceu e, principalmente, pelo grande e singularíssimo mérito a poucos concedido de ter sido santificado no ventre de vossa mãe e confirmado em graça. Que alegria para vosso coração ver-vos livre do pecado, que é a única coisa que desagrada a Deus Filho, que vos chamava de pai! Que graças destes à Trindade Beatífica por esse tão assinalado privilégio! Eu vos felicito, com todo o meu coração, pela inocência incomparável que tivestes desde antes de nascer e pela graça a amizade particular com que o mesmo Deus vos distinguiu.

Por esse privilégio e pela grande alegria que Ele vos causou, suplico-vos, ó meu querido pai, que me alcanceis de Deus um grande ódio ao pecado, grande amor às virtudes e à minha salvação eterna. E como creio que a graça que desejo conseguir nesta novena será benéfica à minha salvação, tenho inteira confiança de que a alcançareis por vossa poderosíssima intercessão; todavia, se minha oração não for bem dirigida, endireitai-a e rogai ao boníssimo Deus por mim. Amém.

Segundo dia

Que felicidade a vossa, meu glorioso protetor, serdes escolhido milagrosamente para esposo da Imaculada Maria!

Alegro-me convosco pela satisfação imensa que experimentastes, naquele dia feliz, quando associastes vossa sorte à da Mãe de Jesus Cristo. Que admiração vos teriam os santos anjos, por serdes o sustentáculo da Mãe do Verbo encarnado e, por esse mesmo motivo, também protetor do Filho de Deus!

Uno meus louvores aos que, nesse dia, vos dariam os anjos do céu e, de todo o meu coração, vos felicito por vos ter sido dada de presente a Rainha dos Anjos, e pelo zelo que se dedicou a vosso serviço. Que transbordante felicidade! Que maravilha terdes por companheira aquela que trouxe o Filho de Deus em Seu seio sagrado!

Que felicidade terdes, para vosso consolo nas penas, a Consoladora dos aflitos, para conselheira nas dificuldades a sapientíssima Mãe de Jesus Cristo e para modelo nas virtudes, aquela que é o espelho sem mancha, a Majestade Divina e a imagem da bondade de Deus!

Por esse favor e felicidade tão grandes, peço-vos, poderosíssimo José, a amizade e a graça de Deus, a proteção e o amparo constantes de Maria Santíssima. Amém.

Terceiro dia

Que pena tão amarga devíeis ter sentido em vosso coração, José gloriosíssimo, quando, em vossa humildade, julgastes dever separar-vos de vossa esposa Maria! Separar-vos de Maria, que tanto amáveis e que correspondia a vosso amor com amor puro e sincero.

Confraternizo-me convosco por aqueles momentos de sofrimento e por essa amarga provação que o Senhor vos permitiu! Por caridade, ficastes ao lado da Mãe do Unigênito Filho de Deus. Maria vos pertenceu e amou sempre no amor de Deus. Em Seu infinito poder, Deus fez nela maravilhas de Seu Divino Amor. Fostes a maior testemunha das grandiosidades operadas em Maria. Ela é o jardim de Deus e o paraíso onde o Filho tem seu receio, e vós José, fostes o anjo da guarda desse jardim, o depositário desse eterno tesouro.

São José, aceitai sinceras felicitações pela parte ativa que Deus vos concedeu o mistério da Encarnação, e pela sujeição de Jesus e de Sua Santíssima Mãe às vossas ordens.

Por essa grande alegria e também pelos méritos da tristeza que a precedeu, suplico-vos, meu pai querido, que me alcanceis de Deus o conhecimento de Jesus Cristo e a graça de conservar uma fé tão viva em todos os seus mistérios, que esteja pronto a antes morrer que duvidar deles; alcançai-me, outrossim, a graça que, nesta novena, pretendo conseguir, se for para maior glória de Deus e bem de minha alma. Amém.

Quarto dia

Esposo castíssimo da Mãe do Unigênito Filho de Deus, uno-me a vós na tristeza que experimentastes em Belém, quando lá chegando, depois de penosa viagem, vistes vossa venerada esposa Maria e o Salvador do mundo, que ela levava em suas entranhas, desconhecidos e repelidos de todas as casas e pousadas.

Ó meu querido José, como conhecestes então que o mundo não é amigo de Cristo, e que é impossível servir juntamente dois senhores tão inimigos e contrários! Dai-me a Jesus, que tanta alegria vos causou em Seu nascimento.

As vozes dos anjos dizendo “paz na terra aos homens de boa vontade”? são principalmente dirigidas a vós. Aceitai meus louvores pelo muito amor que Jesus vos manifestou, escolhendo-vos para Seu pai nutrício e para seu poderoso defensor e amparo.

Permiti-me, gloriosíssimo e poderosíssimo Santo, chegar aonde vós estais, perto de Jesus, contemplar Sua santidade divina e esplendor. Pedi a Jesus que Ele me dê as graças recebidas pelos pastores e reis que foram adorá-Lo no presépio; pedi-Lhe também as graças que desejo conseguir nesta novena, se forem para maior glória de Deus e salvação de minha alma. Amém.

Quinto dia

Que grande dor sofrestes, nosso querido São José, quando vistes derramar-se o preciosíssimo Sangue de Cristo na circuncisão! Por que teria, esse infante divino, de sofrer assim, poucos dias depois de ter nascido? Ah! Sendo Jesus a perfeição em pessoa, certamente que foi pelos nossos pecados, esse padecer.

São José, dai-me a conhecer o preço do Sangue de Jesus para que nunca deixe perder a menor gota; e que esse sangue, caindo abundantemente sobre minha alma, lave-me e purifique inteiramente. Permiti, São José, que, para eu conseguir graça tão importante, aproxime-me mais de vós para ouvir atento e obedecer aos ensinamentos do Divino Mestre e receber as bênçãos e graças que dele emanam e que, por bondade divina, passam por vossas sagradas mãos.

Vossas mãos sagradas amparam Jesus, o Salvador do mundo, que tira os pecados dos homens! São José, que alegria a vossa, quando destes ao Salvador o nome de Jesus, sabendo que esse nome, a própria felicidade, é a chave que nos abre a porta do céu!

Adorador de Cristo, consiga que ele seja para mim Jesus, isto é, meu salvador nesta vida e na eterna.

Pelo nome adorável, Jesus, peço-vos também as graças que desejo alcançar nesta novena, se forem para maior glória de Deus e para o bem de minha alma. Amém.

Sexto dia

Ó meu boníssimo São José, protetor e amparo dos desvalidos, por aquela alegria que experimentou o vosso coração, ouvindo os louvores que os doutores da lei fazem ao Cristo Menino, peço-vos que não vos esqueçais de mim, fazei que Jesus, meu Salvador, seja sempre para mim ocasião de ressurreição. Confraternizo-me convosco, pacienciosíssimo José, pela ferida que em vosso coração fizeram as palavras do Santo Simeão, com que anunciara a Maria que uma espada de dor havia de atravessar Seu delicado e amorosíssimo coração.

Em tão tremenda ocasião para Maria, vós nem poderíeis remediar essas dores, nem ao menos ser testemunha de tão terrível padecer, para consolar vossa esposa com vossa presença humana na Paixão de Cristo!

Eu, sim, posso e devo, com minha vida e bons costumes, consolar a Maria, porque culpado, por meus pecados, na morte de Jesus e nas dores de Maria, quero e devo evitar e reparar esses pecados.

Ajudai, José poderosíssimo, minha pobreza espiritual e poucas forças, alcançando-me de Nosso Senhor a graça de nunca ser, por minha culpa, causa das penas de Jesus e das dores de Maria. Alcançai-me, também, a graça que desejo conseguir rezando esta novena, se for para maior glória de Deus e salvação de minha alma. Amém.

Sétimo dia

São José, permiti que, em espírito, eu vos acompanhe na viagem ao Egito para admirar vossos sacrifícios e imitar vossas virtudes. Tudo fizestes para defender Jesus de tantos perigos e, sobretudo, da morte.

Que dor tão grande foi para vosso coração amante ver sofrer Jesus e Maria! Quanta sede devem ter sofrido no deserto os três peregrinos santíssimos!

Peço-vos humildemente que tireis de mim a sede dos prazeres mundanos e dai-me a fome e a sede de todas as virtudes, principalmente a humildade, a paciência, a mortificação que a minha lama deseja ardentemente possuir. Entristeçam-me as coisas que vos entristecem, amável São José, e saiba eu alegrar-me com as que vos causam alegria.

Experimente minha alma, conservando-se na graça de Deus, a mesma alegria que experimentou vosso delicado coração, quando, afinal, depois dos transtornos de uma perigosa viagem por ermos desertos, vistes Jesus a salvo e Maria vossa amantíssima esposa segura no novo lar. Assim como vos alegrastes com a queda dos ídolos do Egito, alegra-se meu coração com a queda dos ídolos das afeições desregradas e das paixões desordenadas, de modo que, em tudo e por tudo, agrade a Jesus, à Santíssima Mãe e a vós, meu amável José, que tanto gozais na glória de Deus. Alcançai-me também a graça que desejo conseguir nesta novena, se for para maior glória de Deus. Amém.

Oitavo dia

Confraternizo-me convosco, terníssimo José, por causa das privações a que vistes sujeita vossa amada família, na terra de peregrinação, e pelo mesmo desterro tão meritório, sobretudo para a Mãe do Filho de Deus.

Uno minhas lágrimas às que derramastes, em vosso coração, pela dureza do exílio e por tudo que faltou a vós, a Maria e a Jesus, no Egito. Vossa família, que é a família de Deus, tão paciente, e eu me queixo de qualquer pequena e insignificante mortificação, ainda que necessária!

Ó meu querido José, pela alegria imensa que inundou vosso coração quando Jesus, pela primeira vez, deu-vos o doce nome de pai, e pela sujeição com que, pela primeira vez, vos prestou a homenagem de sua obediência, suplico-vos que me ensineis a obedecer aos meus superiores e a sofrer, com paciência e resignação, as provas que a divina Providência se dignar enviar-me, para purificar-me de meus pecados, ou para aumentar meus méritos.

Alcançai-me também, pela alegria com que voltastes do exílio para morar em Nazaré, a graça com que tanta humildade vos peço nesta novena, se não for em prejuízo de minha salvação. Amém.

Nono dia

Ó José, chamado por Jesus com o nome de pai, que dor e tormento indizível seria para vosso coração amorosíssimo ter perdido Jesus, com o qual estavam todas as afeições de vossa vida! Que grande aflição sentistes por não ter encontrado o Menino Jesus entre parentes e conhecidos e por ninguém ter dado notícias d’Ele.

Onde estaria Jesus? Como poderíeis viver se Ele era a vossa alegria de viver? Vós perdestes a Jesus, sem culpa vossa, mas eu perdi-O muitas vezes por culpa própria, por causa de minha malícia e de meus pecados.

Fazei-me conhecer a Jesus e procurá-Lo com perseverança, ensina-me a obedecê-Lo, ensina-me a adorá-Lo custe o que custar. Consiga-me a graça de que, de hoje em diante, nunca mais eu o perca pelo pecado e que se por infelicidade eu venha a perdê-Lo, nunca tenha sossego até que o encontre novamente pela divina graça.

Peço-vos esta graça, pela alegria inefável que experimentastes achando a Jesus no templo, ensinando, como Mestre Divino, aos doutores da lei e causando-lhes encanto e admiração com Suas perguntas e respostas.

Intercedei para que eu esteja sempre em união com Jesus e Sua santa Igreja. Consegui que Jesus esteja sempre em meu coração, com Sua divina caridade e que, no futuro, eu possa gozar de Sua visão e amizade no céu para sempre.

Alcançai-me também as graças que vos tenho pedido, todos os dias, durante a novena. Tenho confiança de que, tudo que vos pedi, irei receber do amor de Deus, por vosso intermédio. De agora em diante, com a graça divina, serei divulgador do poder que o Misericordioso Deus vos concede. Amém.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de terça-feira: o limite no perdão

Comentário ao Evangelho de terça-feira da III semana da Quaresma. «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar?». Jesus ensina-nos que devemos sempre perdoar e que o perdão dos outros está intimamente relacionado com o perdão que recebemos de Deus.


Evangelho (Mt 18, 21-35)

Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe:

«Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?»

Jesus respondeu:

«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: 'Concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: 'Paga o que me deves!' O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: 'Concede-me um prazo que eu te pagarei.' Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia. Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor. O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: 'Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?' E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração».


Comentário

Hoje o Senhor fala-nos da necessidade do perdão, servindo-Se de uma conversa com o Apóstolo Pedro.

Pedro aproxima-se de Jesus com confiança para Lhe perguntar: Senhor, quantas vezes devo perdoar ao meu irmão quando ele peca contra mim?

A convivência íntima de Jesus com os Apóstolos permite a Pedro perguntar-Lhe sobre uma atitude que encontrou em Jesus e que lhe custa: o perdão aos outros.

Pedro propõe a Jesus perdoar muitas vezes: até sete. Devo perdoar o meu irmão sete vezes? Na linguagem da Bíblia, sete indica perfeição. Esse é o olhar do Pedro. Um olhar generoso na sua maneira de ver as coisas. Pedro reconhece a necessidade de pedir perdão. Não mantém uma atitude defensiva perante a culpa da qual se deve fugir porque impede de receber o perdão.

Jesus responde que tem que perdoar setenta vezes sete. Ou seja, sempre. Que não deve haver limite para o perdão. Esse é o olhar de Deus. Um olhar de plenitude.

Depois, Jesus dá o exemplo do servo a quem o seu senhor perdoa a dívida. Uma dívida enorme: 10 000 talentos, uma quantia astronómica.

E, pelo contrário, aquele servo não perdoa logo ao seu companheiro uma quantia insignificante em comparação com o que lhe tinha sido perdoado a ele.

O ensinamento termina com algumas palavras de Jesus nas quais relaciona o perdão aos outros com o perdão recebido do Pai celestial. «Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração». Se perdoamos, Deus perdoa-nos, se não perdoamos, não recebemos o perdão de Deus.

Com este exemplo, o Senhor quer que entendamos que o perdão aos outros vem do perdão que Deus sempre nos concede. Assim como Deus nunca e cansa de nos perdoar, devemos sempre esforçar-nos por perdoar aos outros.

Continuamos a percorrer o caminho quaresmal e hoje encontramo-nos, no Evangelho, com o ensinamento sobre o perdão. Contemplemos devagar a maravilha do perdão que Deus nos concede no sacramento da penitência e, com gratidão, lutemos, com a graça de Deus, para nos comportarmos assim com os nossos irmãos quando nos ofendem.

segunda-feira, 9 de março de 2026

IGREJA

 

Responsabilidade moral de deter a espiral de violência: Papa sobre o Irã

Estamos diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, alertou o Papa Leão XIII, ao exortar os fiéis a rezarem pela paz.

m relação à situação no Oriente Médio, o Papa Leão XIII fez um "apelo sincero" após celebrar o Ângelus do meio-dia com os fiéis na Praça de São Pedro. Ele exortou os líderes a "assumirem sua responsabilidade moral para deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável!" E pediu aos fiéis que continuassem a rezar pela paz.

Ele também mencionou a situação entre o Paquistão e o Afeganistão.

Embora definida há meses, a intenção do Papa para este mês de março é uma resposta direta aos eventos do fim de semana:

A intenção de março é: Pelo desarmamento e pela paz.

Rezemos para que as nações caminhem rumo a um desarmamento efetivo, particularmente o desarmamento nuclear,
e que os líderes mundiais escolham o caminho do diálogo e da diplomacia em vez da violência.

Eis o que o Papa Leão XIII disse após o Ângelus:

Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã neste momento dramático. A estabilidade e a paz não podem ser construídas por meio de ameaças mútuas ou armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável.
Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, faço um apelo sincero às partes envolvidas para que assumam sua responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos que anseiam por uma coexistência pacífica baseada na justiça. E continuemos a orar pela paz.
Além disso, notícias preocupantes chegam nestes dias sobre os confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Faço um apelo por um retorno urgente ao diálogo. Oremos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos ao redor do mundo. Somente a paz, dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.