domingo, 13 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 Características do Santíssimo Nome de Maria explicadas pelos santos

Por volta do século XVIII adeptos da heresia jansenista começaram a divulgar que a devoção a Santa Maria era uma superstição. Santo Alfonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, saiu em defesa da Mãe de Deus e publicou seu famoso livro “As Glórias de Maria”.

Podemos encontrar no capítulo 10 desta obra, as 7 importantes características do Santo Nome de Maria que todo cristão sempre deve recordar:

1. Nome Santo“O nome augusto de Maria, como Mãe de Deus, não era coisa terrena, ou inventada pela mente humana ou escolhido por decisão humana, como acontece com todos os outros nomes que são impostos. Este nome foi escolhido pelo céu e imposto pelo arranjo divino, como evidenciou São Jerônimo, Santo Epifânio e outros santos”.

2. Cheio de doçura

“O glorioso santo Antônio de Pádua, reconheceu no nome de Maria, a mesma doçura de são Bernardo, no nome de Jesus. ‘O nome de Jesus’, dizia este, ‘o nome de Maria’, dizia aquele, ‘é alegria para o coração, mel para a boca, melodia para o ouvido de seus devotos’... Lê-se no Cântico dos Cânticos, na Assunção de Maria, os anjos perguntaram três vezes: ‘Quem é esta que vem subindo do deserto, como colunas de fumaça? Quem é esta que está a aurora? Quem é esta que sobe do deserto repleto de alegria?’(Ct 3, 6, 6, 9, 8, 5)”.

“Pergunta Ricardo de São Lourenço: ‘Por que os anjos muitas vezes perguntam o nome da rainha?’ E ele respondeu: ‘Era tão doce ouvir os anjos pronunciarem o nome de Maria, por isso fazem tantas perguntas. Mas eu quero falar sobre a doçura saudável, conforto, amor, alegria, confiança e força que o nome de Maria concede àqueles que o pronunciam com fervor’”.

3. Alegra e inspira amor“Vosso nome, ó Mãe de Deus, como disse são Metódio, é cheio de graça e de bênçãos divinas. Assim, como são Boaventura disse, não podemos pronunciar o vosso nome sem receber alguma graça ao invocá-lo devotamente. Quando um coração está endurecido, como vós podeis imaginar, e todos desesperados, se ele vos chama, ó Virgem cheia de graça, tal é o poder do vosso nome, que suavizarás a sua dureza, porque sois quem conforta os pecadores com a esperança do perdão e da graça”.

4. Concede fortaleza

“Pelo contrário, os demônios, diz Tomás de Kempis, tanto receiam a Rainha do Céu que, como do fogo, fogem de quem invoca o seu grande nome. A própria Virgem revelou o seguinte a santa Brígida: ‘Por mais endurecido que seja um pecador, imediatamente o abandona o demônio, se invoca meu nome com o propósito de emendar-se’”.“Isso mesmo lhe confirmou em outra revelação, dizendo: ‘Todos os demônios têm um grande pavor e respeito diante de meu nome. Assim que o ouvem invocar, largam de pronto a alma presa em suas garras. E se os anjos maus se afastam dos pecadores que chamam pelo nome de Maria, os anjos bons tanto mais se chegam às almas justas que o pronunciam com devoção’”.5. Promessas de Jesus

“São maravilhosas as graças prometidas por Jesus Cristo aos devotos do nome de Maria, como disse santa Brígida, conversando com a sua Mãe, revelando que todo aquele que invocar o nome de Maria com confiança e propósito de emenda, receberá estas graças especiais: dor de coração pelos pecados e a fortaleza para alcançar a perfeição e, finalmente, a glória do paraíso. Porque, disse o Divino Salvador, são para mim tão doces e queridas suas palavras, ó Maria, que não posso negar-vos o que pedistes”.

“Em suma, santo Efrem também disse que o nome de Maria é a chave que abre a porta do céu para aquele que o invoca com devoção”.

6. Oferece consolo

“São Camilo de Lellis, recomendou fortemente aos seus religiosos que ajudassem os moribundos com frequência a invocar os nomes de Jesus e de Maria como ele mesmo sempre fazia; e praticou consigo mesmo na hora da morte, como relata em sua biografia, repetindo os nomes tão docemente, tão amados por ele, de Jesus e de Maria, que inflamavam de amor a todos os que o ouviam”.

“E finalmente, com os olhos fixos naquelas amadas imagens, com os braços abertos, pronunciando pela última vez os doces nomes de Jesus e de Maria, o santo expirou com uma paz celestial”.

7. O que dizia são Boaventura

“Roguemos, pois, meu amado e devoto leitor; roguemos a Deus que nos conceda a graça de ser o nome de Maria a última palavra que a nossa língua pronuncie, como Lhe pediu São Germano”.

“Para a glória do vosso nome, ó bendita Senhora, quando minha alma sair deste mundo, vinde-lhe ao encontro e tomai-a em vossos braços. Dignai-vos vir consolá-la com a vossa doce presença; sede o seu caminho para o Céu, alcançai-lhe a graça do perdão e o eterno descanso. Ó Maria, advogada nossa, a vós pertence defender os vossos devotos, e tomar a vosso encargo a sua causa diante do tribunal de Jesus Cristo”.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado são João Crisóstomo, o “boca de ouro”

A Igreja Católica celebra hoje (13) a memória litúrgica de são João Crisóstomo, que significa “boca de ouro”. Foi chamado assim pelas pessoas por ser um dos mais famosos oradores que a Igreja teve.

São João, que também é doutor da Igreja, nasceu na Antioquia (Síria), no ano 347. Estando na escola já causava admiração com suas declamações e intervenções nas academias literárias.

Depois de ter vivido como monge em sua casa e no deserto, foi ordenado sacerdote e começou a deslumbrar com seus maravilhosos sermões. O santo considerava como sua primeira obrigação o cuidado e a instrução dos pobres e jamais deixou de falar deles em seus sermões e de incitar o povo à esmola.

São João foi consagrado arcebispo de Constantinopla no ano 398 e empreendeu a reforma do clero. Mandou tirar todos os luxos do palácio e com as cortinas elegantes se fabricaram vestidos para os pobres. Exigiu que seus sacerdotes e monges fossem pobres no vestir, comer e em seu mobiliário, para dar bom exemplo.A eloquência e o zelo do santo levaram à penitência muitos pecadores e converteram muitos idólatras e hereges.

Outra das atividades às quais o são João consagrou suas energias foi a fundação de comunidades de mulheres piedosas, sendo a mais ilustre a nobre Santa Olímpia. O santo bispo se distinguiu também por seu extraordinário espírito de oração, virtude esta que pregou incansavelmente, e exortou os fiéis à comunhão frequente.

Foi banido duas vezes por conspiração da rainha Eudóxia e do bispo da Alexandria, Téofilo. No último desterro perante as penosas condições da viagem e a crueldade dos soldados imperiais, São Crisóstomo faleceu em 14 de setembro de 407, dizendo: “Seja dada glória a Deus por tudo”. Em 1909, são Pio X declarou o santo “Patrono dos Pregadores”.

LITURGIA DIÁRIA

 

24º Domingo do Tempo Comum (Ano A): Setenta vezes sete

Evangelho do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A) e comentário do evangelho da Missa.


Evangelho (Mt 18,21-35)

Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
'Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?'

Jesus respondeu:
“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’.
Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’.
Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:
‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’
O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.
É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.


Comentário

A pergunta de Pedro refere-se a um assunto difícil que afeta a todos nós: a necessidade de perdoar. Esta questão surge frequentemente diante dos inevitáveis atritos da vida cotidiana na convivência familiar, com amigos ou em relacionamentos profissionais. Não é raro que nos sintamos feridos pensando que alguém nos ofendeu, desprezou ou prejudicou e não apenas uma vez, mas repetidamente. O perdão é difícil. É por isso que a pergunta de Pedro nos parece razoável: tenho que perdoar sempre?

Bento XVI convida-nos a refletir sobre tudo o que envolve o perdão. “A culpa é uma realidade, uma potência objetiva, que provocou destruição e que deve ser vencida. Por isso, o perdão deve ser mais do que ignorar, mais do que simples querer esquecer. A culpa deve acabar, deve ser curada, deve ser vencida. O perdão custa alguma coisa – em primeiro lugar para quem perdoa: deve em si vencer o mal que lhe aconteceu, ao mesmo tempo queimá-lo interiormente e assim se renovar de tal modo que então acolha também o outro, o culpado, neste processo de transformação, de íntima purificação, e ambos se tornem novos suportando e vencendo o mal. Neste momento confrontamo-nos com o mistério da cruz de Cristo”[1].

De fato, as dificuldades que encontramos para perdoar não são tão grandes em comparação com o que Jesus Cristo fez por cada um de nós. Esta parábola expressa muito bem o contraste entre a atitude mesquinha dos seres humanos em perdoar com cálculo e a infinita misericórdia de Deus. Um talento era o equivalente a seis mil denários e um denário era o salário diário de um trabalhador. Dez mil talentos é uma quantia exorbitante que nos dá uma ideia do imenso valor do perdão que recebemos de Deus.

São Josemaria nos leva a perceber que “As circunstâncias do servo da parábola que devia dez mil talentos refletem bem a nossa situação diante de Deus: nós também não contamos com nada para pagar a dívida imensa que contraímos por tantas bondades divinas, e que aumentamos ao ritmo dos nossos pecados pessoais. Ainda que lutemos denodadamente, não conseguiremos devolver com equidade o muito que o Senhor nos perdoou. Mas a misericórdia divina supre folgadamente a impotência da justiça humana. Ele, sim, pode dar-se por satisfeito e perdoar-nos a dívida, simplesmente porque é bom e infinita é a sua misericórdia[2].

Diante de tanta generosidade de Deus para conosco, como não iremos perdoar os outros? “Longe da nossa conduta, portanto, a lembrança das ofensas que nos tenham feito, das humilhações que tenhamos padecido – por muito injustas, descorteses e rudes que tenham sido –, porque é impróprio de um filho de Deus ter preparado um registro para apresentar uma lista de agravos. Não podemos esquecer o exemplo de Cristo”[3]. Somente com o olhar fixo em Jesus, podemos renunciar a todo rancor e manter nosso coração sadio e limpo de toda a inimizade.

Quando a tentação de não perdoar vier, lembremo-nos das palavras do Senhor misericordioso àquele servo impiedoso: “Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” (vv. 32-33). Ao vivenciarmos a alegria, a serenidade e a paz interior que nascem ao sermos perdoados, podemos com a ajuda de Deus abrir-nos à possibilidade de perdoar.


sábado, 12 de setembro de 2026

IGREJA

 

Oração para pedir por uma viagem segura

Uma viagem sempre envolve riscos, quer seja de carro, avião, barco, ônibus, trem, moto... O simples trajeto para o trabalho, a escola ou a igreja também tem seus perigos. Portanto nada melhor do que fazer uma oração antes de uma viagem. Reze até mesmo ao sair de casa todos os dias.

Aqui está uma breve prece adaptada do Breviário Romano para você rezar sempre que for sair.

"Ó Deus, que fez os filhos de Israel andarem com os pés secos pelo meio do mar (...) concede-nos boa velocidade e viagens seguras. Que Teu Santo Anjo possa estar conosco, a fim de que possamos chegar alegremente ao nosso destino e, no final, ao porto da salvação eterna. Amém."

IGREJA

 

Depressão e suicídio na Igreja: quando os padres precisam de ajuda

Está na hora de estender a mão aos religiosos e religiosas sobrecarregados: eles também são seres humanos necessitados16 de novembro de 2016: o padre Rosalino Santos, de 34 anos, pároco na cidade sul-matogrossense de Corumbá, publica no Facebook uma foto de quando era criança, legendada com frases soltas: “Dei o meu melhor“, “Me ilumine, Senhor“. Dois dias depois, o seu corpo sem vida é encontrado pendendo de uma forca.

Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, de Salvador, se atira de um viaduto aos 37 anos de idade.

Dentro do mesmo período de 15 dias, um terceiro sacerdote brasileiro dá fim à própria vida, com apenas 31 anos: o pároco Renildo Andrade Maia, em Contagem, Minas Gerais.

A sequência de suicídios de padres católicos chamou a atenção da mídia e voltou a ser abordada recentemente em uma relevante reportagem da BBC Brasil, que, a respeito desses casos, consultou  o psicólogo Ênio Pinto, atuante há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo. Desde que foi fundado, no ano 2000, o instituto voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos a serviço da Igreja atendeu por volta de 3.700 pacientes.

Autor do livro “Os Padres em Psicoterapia“, Ênio observa que “a vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós. Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”.

Esta visão é compartilhada pelo psicólogo William Pereira, autor do livro “Sofrimento Psíquico dos Presbíteros“. Para William, “o grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade. Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”.

Os especialistas consultados pela reportagem da BBC indicam o excesso de trabalho, a falta de lazer e a perda de motivação entre os possíveis fatores que levam religiosos ao suicídio.

De fato, uma pesquisa feita em 2008 pela organização Isma Brasil, voltada a estudar e tratar do estresse, já apontava que a vida sacerdotal era uma das ocupações mais estressantes: dos 1.600 padres e freiras entrevistados naquele ano, 448 (28%) se disseram “emocionalmente exaustos”, um percentual superior ao dos policiais (26%), dos executivos (20%) e dos motoristas de ônibus (15%).

Para Ana Maria Rossi, a psicóloga coordenadora da pesquisa, os padres diocesanos são mais propensos a sofrer de estresse do que os religiosos que vivem reclusos: “Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes: os padres têm que estar à disposição dos fiéis 24 horas por dia, sete dias por semana”.

Muito distante da “vida mansa” que os desinformados imaginam, o dia-a-dia da maioria dos sacerdotes é pontuado por celebrações de batizados, casamentos, unções dos enfermos, escuta de confissões e muitas atividades pastorais que incluem a caridade e as atenções a pessoas necessitadas, além da celebração diária da Santa Missa, das orações pessoais ou comunitárias e dos tempos de estudo – sem mencionar os muitos casos em que o padre ainda dá aulas e atende os fiéis em direção espiritual.

Conforme os dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a média nacional é de 1 padre para cada 5.600 fiéis.

Diretor da Âncora, uma casa de repouso no Paraná para padres e freiras com estresse, ansiedade ou depressão, o padre Adalto Chitolina confirma que, para eles, “sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático. Ao longo de 2016, a nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”.

Um dos sacerdotes atendidos pelo centro Âncora foi o padre Edson Barbosa, de Andradina, SP, que, dormindo pouco, comendo mal e se sentindo irritadiço, começou a beber. Ao se dar conta do rumo que estava tomando, pediu dispensa das atividades paroquiais e se internou durante três meses na casa de repouso. Após as consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos que o ajudaram a trocar o álcool pelo novo hábito de fazer caminhadas e pedalar, o padre de 36 anos está sóbrio há um ano e nove meses e testemunha: “Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”.

O padre Douglas Fontes, reitor do seminário São José, de Niterói, RJ, costuma alertar os futuros sacerdotes sobre a importância de cuidarem mais da própria saúde: “Jamais amaremos o próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não cumpriremos a missão que Deus nos confiou”.

O bom conselho é reforçado pelo arcebispo de Porto Alegre, RS, dom Jaime Spengler, que preside a comissão da CNBB voltada à vida pessoal dos padres. Ele afirma que os sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo quando sentirem tensão psicológica ou esgotamento físico: “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E, nesta família, cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e zelar pelas necessidades dos filhos”.

O Brasil não é exceção no quadro de estresse que afeta os religiosos sobrecarregados. A universidade espanhola de Salamanca ouviu 881 sacerdotes do México, da Costa Rica e de Porto Rico para identificar uma alta incidência, entre eles, de transtornos relacionados à atividade sacerdotal: “Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome do esgotamento profissional”, informa Helena de Mézerville, autora da pesquisa.

burnout é conhecido na Itália, entre alguns sacerdotes, como a “síndrome do bom samaritano desiludido”.

Mas os padres católicos estão longe de ser os únicos atingidos. A BBC também ouviu o xeque do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu, PR, Ahmad Mazloum, para quem “é preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, da mente e do corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”. O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista, concorda e observa que “a natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”.

Fiéis devem ficar atentos, julgar menos e ajudar mais

É oportuno lembrar aos leitores católicos que é dever cristão de todos nós zelar pelo bem das almas – e isto inclui a alma dos nossos sacerdotes, religiosos, seminaristas, freiras e leigos consagrados. Eles contam com especial graça de Deus, certamente, mas Deus sempre deixou claro que confia o acolhimento da Sua graça à nossa liberdade, inteligência e caridade: precisamos fazer a nossa parte por nós próprios e pelos outros, ajudando-os especialmente quando estão sobrecarregados e necessitados da nossa fraternidade.

Devemos tomar em especial o cuidado de não cometer injustos julgamentos baseados na visão imatura de que “o que falta a esses padres é vida de oração“. Isto é um reducionismo que pode chegar a ser grave pecado de calúnia ou, no mínimo, maledicência. Mesmo as pessoas que vivem intensamente a fé e uma sólida espiritualidade estão sujeitas, sim, ao esgotamento físico e, portanto, à necessidade de ajuda.

Se julgarmos menos e ajudarmos mais, viveremos com mais coerência o cristianismo que dizemos professar e que tanto gostamos de cobrar dos outros.

IGREJA

 

Setembro amarelo: Suicídio é perda de sentido e de propósito diante da vida

No Brasil, o "setembro amarelo" é um mês dedicado à disseminação de informações, a fim de prevenir o suicídio.

Suicídio, de fato, nada mais é do que a perda de sentido e de propósito diante da vida. É preciso, portanto, ficarmos atentos aos seus sinais, inclusive, observar se eles atingem quem está próximo de você.

Pensamentos: Pensamentos remoídos obsessivamente, sem esperança e concentração são um dos primeiros indícios do suicida, assim como enxergar a vida como algo sem sentido ou propósito;

Humor: Alterações extremas no humor podem sinalizar emoções suicidas. Excesso de raiva, sentimento de vingança, ansiedade, irritabilidade e sentimentos intensos de culpa ou vergonha são sinais aos quais você deve ficar atento.

Avisos: Frases como “a vida não vale a pena”, “estou tão sozinho que queria morrer” ou “você vai sentir a minha falta” estão diretamente ligadas a pensamentos sobre a morte. Se a pessoa se sente um fardo, busque ajuda;

Desapego: Caso você perceba que a pessoa está começando a “fechar pontas soltas”, doar seus pertences e até visitar vários entes queridos, faça uma intervenção o mais rápido possível;

 Irresponsabilidade: Comportamentos irresponsáveis e perigosos, sem medir as consequências, como o uso excessivo de álcool e drogas, direção imprudente e sexo sem proteção são indícios de que a pessoa já não dá a importância devida a própria vida;

 Mudança na rotina: Todo mundo tem um lugar que gosta de frequentar em especial, então repare em mudanças extremas na rotina. Caso a pessoa pare de ir a locais que sempre gostou de visitar, tome uma medida o mais rápido possível. Abandonar atividades que lhe davam prazer é um grande sinal de alerta.

Todo mundo tem um lugar que gosta de frequentar em especial, então repare em mudanças extremas na rotina. Caso a pessoa pare de ir a locais que sempre gostou de visitar, tome uma medida o mais rápido possível. Abandonar atividades que lhe davam prazer é um grande sinal de alerta.

Fique atento: paciência e diálogos salvam vidas. Portanto, se você sente ou percebe os aspectos citados acima, busque ajuda!

É tempo de acolher e de amar a sua alma. 

IGREJA

 

Aniversário de Papa Leão XIV: A extraordinária jornada de um Papa americano

Se viajássemos no tempo até o início dos anos 1980, encontraríamos pelas ruas calçadas de Roma um jovem diácono norte-americano, de olhar sereno e passos firmes, caminhando em direção ao Colégio Internacional Santa Mônica. Poucos poderiam supor que aquele frade agostiniano, apaixonado por beisebol e capaz de citar orações em latim com a mesma naturalidade com que saboreava uma fatia de pizza em sua terra natal, viria a se tornar o chefe da Igreja Católica universal. No entanto, para compreender a magnitude de um Papa que assumiu o nome de Leão XIV, é preciso desenterrar as camadas de sua própria história — uma viagem fascinante revelada por três documentários que compõem um verdadeiro mosaico biográfico.

Os caminhos da missão

Nossa jornada começa nas margens frias do Lago Michigan, resgatada pelo documentário Leo from Chicago. Ali, na casa da família em Dolton, os irmãos do pontífice relembram o menino que brincava de celebrar missas antes mesmo de compreender a vastidão da vocação que o aguardava. É o retrato de um homem pleno de humanidade: fã dos White Sox, ouvinte de rock dos anos 60 e 70, matemático rigoroso e estudante de teologia que decidiu abraçar a Ordem de Santo Agostinho. Mas a narrativa ganha contornos de uma verdadeira epopeia quando cruzamos o oceano em direção ao sul.

No segundo capítulo dessa trilogia, León de Perú, a câmera nos conduz por caminhos empoeirados, ladeados por casas de adobe e tijolos coloridos. No Peru, onde viveu por mais de duas décadas em locais como Chulucanas, Trujillo, Chiclayo e Callao, ele não era o cardeal ou o bispo solene; era simplesmente "el padre Roberto". As testemunhas locais recordam com emoção um pastor de botas cobertas de lama, caminhando entre as enchentes devastadoras do El Niño para socorrer famílias que haviam perdido tudo, ou convocando o povo para a missa com um megafone nas mãos.

Em tempos de escuridão, como na pandemia de Covid-19 no miserável distrito de Pachacútec, o antigo missionário agostiniano não hesitou em enviar milhares de suprimentos e alimentos para combater a fome das periferias. Criou refeitórios populares, combateu as redes de tráfico humano ao lado de mulheres vulneráveis e viveu a caridade em sua forma mais pura e visceral.

Passos na Cidade Eterna

A peça final desse tríptico cinematográfico nos devolve à capital do antigo Império Romano. Em Leão em Roma, acompanhamos a maturação institucional e espiritual do futuro Papa ao longo de quase duas décadas na Cidade Eterna. Das aulas de catecismo ministradas aos jovens na periferia de Cesano às viagens exaustivas pelo coração da África e pelas fronteiras da Ásia quando serviu como Prior-Geral da Ordem de Santo Agostinho, a trajetória de Prevost revela a construção rigorosa de uma liderança escutada e respeitada. Mais tarde, chamado pelo Papa Francisco para presidir o Dicastério para os Bispos, ele percorreria os corredores da Cúria Romana com a mesma atitude serena que o acompanhava nas ruas de Chiclayo.

Observar esses três documentários produzidos pelos jornalistas da mídia do Vaticano é como contemplar um afresco antigo, onde cada detalhe — do quarto preservado com o livro de Direito Canônico em Trujillo à biblioteca de Chicago, dos pátios de Pachacútec às basílicas romanas — ganha um significado profundo. O Papa Leão XIV surge não como um mito inalcançável, mas como o fruto de uma trajetória tecida com humanidade, rigor e compaixão. Uma história que continua a ser escrita diante dos nossos olhos, convidando-nos a descobrir, em cada gesto, a beleza de uma vida inteiramente entregue aos outros.