sábado, 7 de março de 2026

IGREJA

 

Por que é tão difícil aceitar que a gente erra?

Nós nos tornamos pessoas melhores quando reconhecemos os nossos erros

ão, errar não é sinônimo de imperfeição ou fracasso! Errar é uma característica e um direito que só os seres humanos têm. Não somos perfeitos, mas temos três maravilhosos atributos: inteligência, vontade e liberdade. 

 Então, se errar é um direito, por que dói tanto reconhecer que erramos? Porque o mundo nos vendeu a ideia de que temos que fazer tudo perfeitamente. Se errarmos, significa que não somos tão bons ou aptos para o que quer que seja. Ah! Esse ego é, às vezes, tão conselheiro! 

Não querer cometer erros vai contra a autoestima, que nos convida, insisto, a buscar uma perfeição que não existe, a perseguir uma excelência com pouca retidão, pois, com isso, pretendemos ser amados e aceitos. Como se a perfeição fosse sinônimo de amor e aceitação! 

Penso que o fato reconhecer os nossos erros nos faz mais humildes e nos torna pessoas melhores. Além disso, aprendemos mais com os erros do que com os acertos. Se nos equivocamos, só temos que assumir as consequências.

 A vida passa mais rapidamente quando nos permitimos errar, reconhecer o erro e pedir perdão. Essa sim é a lição. Se não a aprendermos, será um grande erro. 

O mais importante é que cada um, de acordo com suas capacidades individuais, faça o melhor que puder. E, assim, viva com dignidade, sem escândalos, sempre com verdade. Sim, somos imperfeitos e não vamos cometer um erro, mas muitos, muitíssimos. E daí? Permita-se ser imperfeito, permita-se errar e aprender. Solte a máscara da perfeição, pois ela pesa.  Na verdade, quando aceitamos que podemos errar, a alma descansa. É como se tirássemos um monte de pedras das costas! 

Atreva-se a ser você mesmo e faça o que você quiser, mesmo com medo de errar. A única condição é que esse “fazer” não atente contra a sua dignidade como pessoa e filho de Deus.

 Quando você tiver dúvidas entre fazer e não fazer por medo de errar, faça! Porque, se você se equivocar, ficará a experiência. Se não o fizer, permanecerá a frustração e a dúvida. 

Deixemos de ser tão duros com nós mesmos. Vamos ser mais humanos. Mesmo que a gente erre, tudo passa! 

Se cairmos, vamos levantar, se errarmos, aprenderemos a lição e, da próxima vez, seremos mais cuidadosos na hora de tomar decisões. “O que não nos mata fortalece-nos”. 

SANTO DO DIA

 Hoje a Igreja celebra santas Perpétua e Felicidade, mulheres guerreiras e mártires da fé


“Permanecei firmes na fé e guardai a caridade entre vós; não deixeis que o sofrimento se converta em pedra de escândalo”, disse santa Perpétua antes de morrer com a amiga Santa Felicidade. Com coragem, essas mulheres guerreiras se tornaram mártires e sua festa é celebrada hoje (7).

Perpétua era filha de uma família nobre e tinha um filho recém-nascido. Felicidade era escrava e estava grávida. As duas foram presas, no norte da África, na época em que o imperador Severo havia decretado pena de morte para os cristãos.

Na prisão, Felicidade obteve a graça que tanto pedia, de que seu filho nascesse antes da sua execução. Ao gemer com as dores do parto, respondeu ao guarda que a perturbava: “O que sofro agora é fruto da natureza, mas quando for atacada pelas feras, não estarei sofrendo sozinha, Cristo sofrerá por mim!”.

As duas mulheres se mantiveram firmes e fizeram questão de ser batizadas mesmo na prisão.

De acordo com as atas dessas santas, no dia de seu martírio, Perpétua e Felicidade foram jogadas a uma vaca selvagem, que atacou primeiro Perpétua. A santa se sentou imediatamente e arrumou sua túnica e seu cabelo para que as pessoas não achassem que estava com medo. Em seguida, aproximou-se de Felicidade, que estava no chão.

Pessoas gritavam que isso bastava e os guardas as retiraram pela porta dos gladiadores vitoriosos. Perpétua voltou a si de uma espécie de êxtase e perguntou se já iria enfrentar as feras. Quando lhe contaram o que havia acontecido, a santa não podia acreditar.

Em seguida, a multidão pediu que as mártires comparecessem novamente. Depois que as santas se deram um beijo da paz, Felicidade foi decapitada pelos gladiadores.

O carrasco de Perpétua estava nervoso e errou o primeiro golpe. Então, Perpétua ofereceu o pescoço ela mesma e, dessa maneira, também morreu pela fé. Naquele dia também deram suas vidas outros mártires valentes.

SANTO DO DIA

Oração a são José diante dos problemas escrita por são Francisco de Sales


Março é considerado o mês de são José, pois no dia 19 a Igreja celebra a sua solenidade. São Francisco de Sales escreveu uma oração a este grande patriarca para lhe pedir que nos ajude a resolver os nossos problemas e necessidades.

São Francisco de Sales, doutor da Igreja, foi um grande propagador da devoção a são José. Segundo o livro Um Ano com São Francisco de Sales, que reúne trechos de seus escritos, este santo manifestou a sua admiração pelo pai adotivo de Jesus, dizendo que ele sempre foi “o mesmo” apesar das dificuldades.

“Sempre doce, calmo e perseverante na sua submissão ao beneplácito de Deus, ao qual a sua conduta se conforma plenamente; porque, sendo justo, a sua vontade sempre foi ajustada, unida e conforme a de Deus”, diz o texto

São Francisco de Sales diz que são José era conhecido como um pobre carpinteiro, que muito provavelmente não conseguia cobrir todas as necessidades com o seu trabalho, mas “se esforçava com um carinho sem igual para o sustento da sua pequena família”.

Segundo o santo doutor da Igreja, o esposo de Maria “submeteu-se humildemente à vontade de Deus e continuou na sua pobreza, nunca se deixando vencer nem abater pelo desânimo interior”.

São Francisco de Sales compôs uma oração ao pai adotivo do Senhor, que está reunida em um pequeno livro de Orações a São José e que está disponível no site da diocese de Roma, a diocese do papa .

Nesta oração, o santo bispo pede a são José a sua proteção para nos ajudar a resolver as nossas preocupações e necessidades, buscando sempre a glória de Deus e o nosso próprio bem. Abaixo, a oração;

Glorioso São José, Esposo de Maria, concedei-nos a vossa proteção paterna, nós vos suplicamos pelo coração de Jesus Cristo. Vós, cujo poder se estende a todas as necessidades, sabendo tornar possíveis as coisas impossíveis, volvei o vosso olhar de pai sobre os interesses dos vossos filhos.

Nas dificuldades e tristezas que nos afligem, recorremos a vós, com toda a confiança. Dignai-vos tomar sob o vosso poderoso amparo este assunto importante e difícil, causa das nossas preocupações. Fazei que o seu êxito sirva para a Glória de Deus e bem dos vossos dedicados servos. Assim seja.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sábado: redescobrir o rosto de Deus Pai

Comentário ao Evangelho de sábado da II semana da Quaresma. «(…) correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos». Para conhecer o amor que Deus Pai nos tem necessitamos de abrir um espaço no nosso coração para o Espírito Santo. Só graças a ele podemos dizer “Abbá, Pai”, ou seja, reconhecer-nos filhos amados de Pai tão grande.


Evangelho (Lc 15, 1-3.11-32)

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo:

«Este homem acolhe os pecadores e come com eles».

Jesus disse-lhes então a seguinte parábola:

«Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai:

‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’.

O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse:

‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’.

Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho:

‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.

Mas o pai disse aos servos:

‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’.

E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe:

‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’.

Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai:

‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’.

Disse-lhe o pai:

‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».


Comentário

O Evangelho da Missa de hoje é um dos textos mais conhecidos do Novo Testamento. Fala-nos sobre a misericórdia do Pai e, ao mesmo tempo, de dois tipos de corações, dois tipos de filhos, incapazes de chegar ao centro desse amor que os rodeia e inunda. No contexto de conversão, uma vez que estamos no tempo da Quaresma, o relato anima-nos a não nos cansarmos de redescobrir o rosto do Pai, por muito que pensemos que já O conhecemos: a conhecê-lo com o coração (cf. 2Cor 5, 16).

Chama a atenção aquilo que faz o filho que sai de casa: pensar que merece uma herança e pedi-la; a inconsciência de procurar apenas o prazer do momento presente; ver-se obrigado a virar as costas à sua própria fé (cuidar de porcos) para conseguir sustento; a sua forma de pensar ao regressar a casa, movido não pelo amor, mas pela necessidade; o endurecimento do seu coração, que o faz projetar sobre o seu pai a sua própria forma de julgar as coisas e as pessoas. Também chama a atenção a atitude do filho que permanece em casa, com o coração endurecido, incapaz de compreender o amor do seu pai e sem misericórdia para com o seu irmão.

Essas atitudes descrevem aquilo que pode existir nos nossos corações. E recordam-nos a necessidade de redescobrir continuamente o amor de Deus por nós, um Pai que não é indiferente a nenhuma das nossas limitações. Ele chamou-nos para sermos seus filhos e, da sua parte, essa chamada não cessa. Ele chamou-nos para vivermos em liberdade, não como escravos. Os dois filhos da parábola tinham acabado por viver como escravos: um, das suas paixões; o outro, de uma obrigação mal-entendida. S. Paulo recorda-nos que «onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3, 17). Não uma liberdade como «pretexto para a carne, mas para nos servirmos uns aos outros por amor» (Gl 5, 13). Destes filhos aprendemos a necessidade de pedir ao Espírito Santo que nos ajude a redescobrir continuamente o rosto amoroso desse Pai do qual somos filhos; daí emana a força para viver com alegria a fé no dia a dia.

sexta-feira, 6 de março de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Quaresma: tempo de desconectar e fazer silêncio no coração

Estamos sempre com pressa, procurando sem encontrar, sem tempo para assimilar todas as experiências que temos no dia a dia

omo vai a sua vida de oração? A Quaresma é um tempo privilegiado para buscar mais momentos de oração e de silêncio, para contemplar o Senhor na adoração, para ler a Bíblia e saborear a Palavra de Deus.

Tempo para meditar sobre a própria vida à luz de Maria no Santuário, buscando discernir os caminhos que precisamos seguir. Tempo para ler livros de espiritualidade que despertem novas perguntas em nós. Tempo para enxergar Deus na nossa vida, no silêncio, no escondido. Tempo para fazer algum retiro e voltar nosso olhar para o próprio coração.

Desconectar

Como é difícil desconectar, deixar as coisas um pouco de lado, parar e fazer silêncio! Estamos sempre com pressa, procurando sem encontrar, sem tempo para assimilar todas as experiências que temos. A Quaresma nos convida a ir ao deserto, seguindo os passos de Jesus, acompanhando sua busca.

Jesus sentiu fome no deserto. Jesus vivenciou a necessidade, a fome, a sede, a solidão. O ser humano sempre evita ter fome. Como é difícil fazer jejum quando a Igreja o propõe! Parece que é quando temos mais fome.

Na vida, buscamos satisfazer os sentidos, as necessidades, à medida em que vão surgindo. Se temos fome, comemos; se temos sede, bebemos; se precisamos de alguma coisa, compramos.

Achamos que satisfazer os desejos é o caminho da verdadeira felicidade. Como nos equivocamos! Um desejo satisfeito abre a porta para outro desejo. Maior ou diferente. E assim vamos, em um círculo interminável. Saber renunciar nos torna mais livres e, portanto, mais capazes de ser felizes.

Renúncia

Mas como custa sofrer a fome, a sede, a renúncia! Por isso, a Quaresma adquire um tom cinza, porque sentimos que temos de renunciar e nos parece que renunciar é perder algo importante, que não ter é ausência do que desejamos. Como podemos ser felizes renunciando?

Sempre que Deus nos pede uma renúncia, ela adquire um sentido muito verdadeiro. Ele nos convida a preencher nosso coração com o seu amor, com a sua vida. Mas é claro que isso dói.

O homem de hoje perdeu a imagem positiva da renúncia, que parece já não ter valor para ele. Não gostamos de sofrer a escassez, queremos tudo para "agora", achamos que precisamos de muitas coisas. Então, já saciados, nosso amor se empobrece e nossa personalidade se enfraquece.

Estamos acostumados a ter tudo facilmente. Nesta sociedade do bem-estar, nós nos habituamos rapidamente às coisas boas. O aburguesamento da alma é paulatino, lento, mas crescente. A alma vai perdendo força, ímpeto, e adormece. Vai se enfraquecendo quase sem percebermos.