domingo, 12 de abril de 2026

ESPIRITUALIDADE

 Doze vínculos estreitos entre Nossa Senhora de Fátima e a Divina Misericórdia

Os padres argentinos Germán Saksonoff e Mauro Carlorosi, especialistas na Divina Misericórdia, falaram sobre 12 vínculos próximos entre esta importante devoção católica e Nossa Senhora de Fátima.

Os padres, membros do Oratório São Felipe Neri e da Academia Teológica Internacional da Divina Misericórdia, que depende da Universidade Católica de Cracóvia, Polônia, explicaram à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, como essa devoção, cuja principal promotora é a polonesa santa Faustina Kowalska, está relacionado com as aparições de Nossa Senhora de Fátima.

1. Tempo de Misericórdia

Os padres lembram que em seu diário espiritual, santa Faustina escreveu em 1º de setembro de 1937 que viu "Jesus como um Rei [em] grande majestade, que olhava para a nossa terra com um olhar severo, mas a pedido de sua Mãe prolongou o tempo de misericórdia”.

Neste sentido, ressaltam, “a própria oração que o anjo de Fátima ensinou aos pastorinhos contém um apelo particular que culmina e “socorrei principalmente aquelas que mais precisarem da vossa Infinita Misericórdia'”.

“Hoje, mais do que nunca, a humanidade se colocou entre aquela parte da história que precisa especialmente dessa misericórdia”, dizem.

2. O vínculo da Divina Misericórdia e de Nossa Senhora Fátima em São João Paulo II

“Tão importantes são estas duas revelações particulares, estudadas pela Igreja e que não só não contradizem, mas colaboram com a fé, que João Paulo II fez duas especiais consagrações de toda a humanidade”, recordam.

Essas consagrações foram “tanto ao Imaculado Coração de Maria em 13 de maio de 1982, em Fátima, Portugal, e em 25 de março de 1984 em Roma; quanto à Divina Misericórdia em 17 de agosto de 2002 em Cracóvia, Polônia”.

3. Conversão dos pecadores

Os padres dizem que “ambas as revelações buscam a conversão dos pecadores. Todas as aparições que envolvem o mistério de Nossa Senhora de Fátima têm como epicentro a necessidade da conversão dos pecadores através da penitência. É a intervenção materna da Virgem que motiva sua própria conversão e a oração pela conversão dos pecadores”.

“Na Divina Misericórdia, o objetivo é o mesmo: provocar a conversão do pecado, por meio do conhecimento da infinita e maravilhosa bondade divina. O conhecimento da bondade divina é o que motiva a confiança nessa bondade e a correspondente conversão e penitência”.

Nas duas se pede rezar pelos pecadores e, “portanto, a dicotomia de que Fátima é uma mensagem bastante trágica e a Divina Misericórdia esperançosa é falsa. As duas são dons divinos que têm seu coração no bem mais necessário do homem, a conversão e a penitência pelo pecado”.

4. O Terço da Misericórdia e o Anjo da Justiça

Os padres argentinos destacam que “no Terceiro Segredo de Fátima podemos aprender sobre a intervenção da Virgem Maria para impedir que o Anjo com a espada de fogo castigue a humanidade”.

“Da mesma forma, nos números do Diário Espiritual da Irmã Faustina, de 474 a 476, onde o Senhor pede e ensina a oração do Terço da Divina Misericórdia, irmã Faustina vê um Anjo prestes a castigar a terra, e neste contexto, o terço é doado a ela para evitar este castigo”, continuam.

Além disso, o terço da misericórdia é rezado com um “terço comum”, como Cristo pediu à irmã Faustina.

5. Nossa Senhora de Fátima e a Divina Misericórdia apontam para o fim dos tempos

Os padres explicam que "as duas devoções se referem aos últimos tempos: Nossa Senhora adverte às crianças: 'No final, meu Imaculado Coração triunfará' e o Senhor diz à irmã Faustina 'Você preparará o mundo para minha Segunda Vinda'".

6. A visão do Inferno

“Os filhos de Fátima e a irmã Faustina testemunharam a realidade e os castigos do inferno. Eles foram testemunhas para o nosso tempo da veracidade deste ensinamento da Igreja. As crianças, tão pequenas, foram levadas pela Virgem para ver o inferno e fizeram uma forte descrição dele”, disseram os padres à ACI Prensa.

Irmã Faustina também teve uma visão “conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande sua extensão”, escreveu ela.

Entre os tormentos vistos pela santa polonesa estão a perda e o ódio a Deus, o contínuo remorso da consciência; o fogo que penetrará na alma, mas não a aniquilará, e a companhia contínua de Satanás.

“Ambas as revelações dão testemunho de nosso tempo que se recusa a acreditar no inferno ou a considerar essa consequência do pecado”, alertam os padres argentinos.

7. Sinais dos dois corações

“Em Fátima a Virgem mostra o seu Imaculado Coração. Na imagem de Jesus Misericordioso, o Senhor aponta para o seu coração (sem que o veja) para mostrar os raios de sua misericórdia que brotam dele”, dizem os sacerdotes.

“Os corações de Jesus e de Maria são fundamentais para nossa fé e que o Coração de Jesus seja alcançado através do Imaculado Coração de Maria”, acrescentam.

8. Consolar Jesus

Os especialistas em Divina Misericórdia contam que "as revelações de Fátima motivaram os pastorinhos a redescobrir o pecado como ofensa a Jesus e que Jesus deveria ser consolado de sua dolorosa paixão com a qual carregou os nossos pecados para nos redimir".

“Na Divina Misericórdia, uma de suas práticas devocionais consiste em consolar Jesus em sua Dolorosa Paixão todos os dias às 3 da tarde, na chamada 'Hora da Misericórdia'”, acrescentam.

9. Orações semelhantes

Os padres argentinos dizem que "há uma semelhança essencial entre uma das orações ensinadas pelo Anjo que preparou as crianças antes das aparições da Virgem de Fátima, com uma das orações fundamentais do Terço da Misericórdia".

A oração do Anjo diz: " Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espirito Santo, adoro-vos profundamente. E ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo presente em todos os sacrários da Terra. Em reparação aos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”.

A oração que Jesus ensinou a Santa Faustina diz: “Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro”.

10. A veste branca

“Tanto a Virgem de Fátima, como Jesus Misericordioso ao pedir para ser pintado, são apresentados numa notória cor branca. Tem todo o sentido de pureza, claro”, dizem os padres do Oratório São Felipe Neri.

As vestes brancas também permitem apreciar “a identificação com os cristãos que, nos primeiros 8 dias após o batismo, vestiam branco. Jesus e Maria se identificam conosco, seu povo”.

11. A oração pela Rússia

"A Virgem de Fátima pede para rezar pela Rússia e santa Faustina reza especialmente pela Rússia e Espanha diante do avanço do comunismo".

“Ela, polonesa, conheceu de fato o avanço do comunismo em seu país em 1920, quando os poloneses foram protegidos do comunismo russo pela Virgem no Milagre do Vístula, durante a Batalha de Varsóvia”, destacam os padres.

12. Deus continua falando hoje com a Divina Misericórdia e Nossa Senhora de Fátima

Os padres argentinos dizem que "através de ambas as revelações, Deus e a Virgem continuam falando e se mostram presentes em nosso tempo através de ambas as revelações".

“O céu continua a nos mostrar o caminho, não nos deixa, não estamos sozinhos”, concluíram.

ESPIRITUALIDADE

 Hoje é celebrada a festa da Divina Misericórdia

“Desejo que a festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores”, disse Jesus ao aparecer a santa Faustina Kowalska, revelando a ela a festa que a Igreja celebra neste segundo domingo da Páscoa.

A festa da Divina Misericórdia foi instituída por são João Paulo II, com o decreto emitido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 23 de maio de 2000. Seu nome oficial é “Segundo Domingo da Páscoa ou Divina Misericórdia”.

O então papa João Paulo II havia anunciado durante a canonização da polonesa Irmã Faustina Kowalska, no dia 30 de abril daquele mesmo ano: “Em todo o mundo, o segundo domingo de Páscoa receberá o nome de domingo da Divina Misericórdia. Um convite perene para o mundo cristão enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e as provas que esperam o gênero humano nos anos que virão”.

Santa Faustina, que é conhecido como a mensageira da Divina Misericórdia, recebeu revelações místicas nas quais Jesus mostrou o seu coração, a fonte de misericórdia, e expressou seu desejo de que fosse estabelecida esta festa. O papa dedicou uma de suas encíclicas à Divina Misericórdia – Dives in Misericordia.

Os apóstolos da Divina Misericordia estão integrados por sacerdotes, religiosos e leigos, unidos pelo compromisso de viver a misericórdia com relação aos irmãos, tornar conhecido o mistério da divina misericórdia, e invocar a misericórdia de Deus para os pecadores. Esta família espiritual, aprovada em 1996 pela arquidiocese de Cracóvia, Polônia, está hoje presente em 29 países do mundo.

O decreto vaticano esclarece que a liturgia do segundo domingo da Páscoa e leituras do breviário permanecem sendo as que já contemplava o missal e o rito romano.

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Padres do futuro: Quais os desafios da formação presbiteral? 



Os padres do futuro estão em formação hoje, e quais são os principais desafios?

As comunidades católicas têm muita satisfação em celebrar as ordenações sacerdotais. É o início de um serviço à Igreja e o fim de um longo processo formativo. Atualmente, no Brasil, do ingresso no seminário à ordenação sacerdotal um jovem leva, pelo em média 8 anos, talvez uma década de preparação. Sendo assim, os jovens que começaram o processo formativo neste ano não serão ordenados padres antes de 2032. Parece distante, mas já está aí, já se está construindo esse caminho.  

Fernando Altemeyer Junior, teólogo e chefe do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP, lança luz sobre o perfil do presbítero que a Igreja precisa formar nos próximos anos, em um artigo publicado pela revista Vida Pastoral. Segundo Altemeyer Junior, a mudança é urgente, pois o padre não pode ser comparado a um "profissional da religião, comparável a médicos ou advogados", e menos ainda um "administrador de coisas sagradas ou um homem de convenções legais e senhor feudal de sua paróquia". 

Perfil dos padres

A chave para a renovação, segundo Altemeyer Junior, reside no retorno ao espírito do Concílio Vaticano II. O "novo padre" é, primeiramente, o "servo da Palavra de Deus". Ele deve ter um "coração imenso e não um empedrado coração de funcionário que manipula rubricas", afirma Altemeyer Junior. 

Essa figura ministerial deve ser multifacetada e profundamente engajada com a realidade: 

  • Profeta e Pregador: O foco principal é a evangelização. Os novos presbíteros são, em primeiro lugar, "evangelizadores". 
  • Amigo dos Pobres: Um sacerdote sem a "magia" do antigo modelo, mas com o testemunho de vida e a caridade como virtudes centrais. 
  • Pessoa Eucarística e Mística: Sua força e reanimação vêm da fé e da força do Espírito Santo, vivendo a Eucaristia "com o povo de Deus e como Igreja". 
  • Homem de Diálogo: Deve ser profundamente ecumênico, com "ampla cultura e mente aberta", propondo "amor e diálogo a todos", e sem "impor medo aos seus paroquianos e menos ainda aos não-cristãos", segundo as palavras de Altemeyer Junior. 

O professor da PUC-SP reforça que o bom padre de hoje não é o que "sabe tudo ou pode tudo", mas sim aquele que é "atento, terno, compassivo, acolhedor, disponível, quase um mendigo a pedir esmolas e sempre pronto a repartir"

Contra o isolamento

Ainda conforme o artigo, a vida em comunidade é essencial. O padre do futuro deve viver como "membro do colegiado diocesano unidos ao bispo e ao povo. Não pode haver padre solitário e isolado". 

A maior aspiração para essa nova geração é a proximidade com o rebanho. Altemeyer  Em um cenário onde o Brasil conta com mais de 22 mil presbíteros e 8 mil seminaristas maiores se preparando para a ordenação, a necessidade de modelos "críveis de dedicação generosa a Deus e aos irmãos" é o maior desafio. 

O futuro do clero, para Altemeyer Junior, está em um sacerdócio que segue o "jeito de Jesus": pastores humildes, companheiros e dispostos a "dar razão da esperança, a quem lhes pedir". 

ESPIRITUALIDADE

 Como lucrar indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia

No segundo domingo da Páscoa – neste ano, 12 de abril –, é celebrada a Divina Misericórdia. Esta festa litúrgica permite ao fiel alcançar a graça do perdão dos pecados.

“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores (...). Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças”, prometeu Jesus em suas aparições à santa Faustina Kowalska.

“Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate”, assegurou-lhe o Senhor.

No ano 2000, o papa são João Paulo II instituiu esta Festa da Misericórdia e, em 2002, foi publicado pela Santa Sé o “decreto sobre as indulgências recebidas na Festa da Divina Misericórdia”, um dom que também pode ser alcançado pelos doentes e navegantes em alto mar.

Concede-se indulgência plenária no segundo domingo de Páscoa ao fiel que, com as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre), “participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., ‘Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti’)”.

E a indulgência parcial é concedida “ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas”.

Também os doentes e as pessoas que os ajudam, os navegantes, os afetados pela guerra, conflitos ou clima severamente adverso “e a todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma atividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia”.

Para isso, devem, com total rechaço de qualquer pecado e com a intenção de cumprir logo que possível as três condições habituais, rezar “diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso”.

Além disso, se nem mesmo essas exigências puderem ser cumpridas, poderão obter a indulgência plenária “todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incômodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária”.