quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Nossa Senhora de Lourdes: uma história de fé e amor

A Santíssima Virgem Maria manifestou seu profundo amor por nós ao aparecer para uma menina de 14 anos. Ela se identificou como a Imaculada Conceição.

Em 11 de fevereiro de 1858, na vila francesa de Lourdes, às margens do rio Gave, Nossa Mãe, Santa Maria, manifestou de maneira direta e próxima seu profundo amor para conosco, aparecendo a uma menina de 14 anos, chamada Bernadete (Bernardita) Soubirous

Simples, humilde, mal sabendo ler e escrever direito, Bernadete saiu com sua irmã e uma vizinha para recolher lenha, mas no caminho deparou-se com uma enxurrada. Estava descalça e, como sofria de asma, hesitou colocar o pé na água fria, até que ouviu um barulho entre as árvores. Olhando mais atentamente, avistou uma senhora com as faces radiantes, sorridente, vestida de branco, com um cinto azul, um rosário entre os dedos e uma rosa dourada em cada pé. Bernadete recitou o terço, fazendo uso do rosário que trazia sempre consigo. 

Nossa Senhora, então, disse-lhe: “Não te prometo, Bernadete, a felicidade deste mundo, mas no outro.” 

As aparições

A partir desse momento, Bernadete presenciou diversas aparições, nas quais Nossa Senhora sempre pedia para que rezasse pelos pecadores, convidando os fiéis à penitência. 

Em 25 de fevereiro, guiada por Nossa Senhora, Bernadete cavou a terra e, daquele pequeno buraco, começou a jorrar água, tornando-se uma fonte milagrosa. A Virgem, por sua vez, manifestou o desejo de que ali fosse edificada uma igreja, mas quando consultou o pároco, Bernadete ouviu dele a resposta incrédula: “Peça à senhora que diga o seu nome.” 

A menina obedeceu e a Virgem revelou: “Eu sou a Imaculada Conceição.” Surpreendentemente, fazia apenas quatro anos que o Papa Pio IX proclamara o dogma da Imaculada Conceição

Como sempre, a princípio, as autoridades se mostraram descrentes e proibiram a realização de peregrinações. Algum tempo depois, Napoleão III permitiu o acesso à gruta. 

Entre 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858, ocorreram ao todo 18 aparições, caracterizadas pela sobriedade das palavras da Virgem e pelo aparecimento da fonte de água. Desde então, o lugar é referência de inúmeros milagres comprovados cientificamente.

IGREJA

 

Quando o 71º milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes foi reconhecido

Em 8 de dezembro de 2024, a Igreja reconheceu como milagrosa a cura de um soldado britânico, que ocorreu em 1923, após sua visita ao Santuário de Lourdes.

No dia 8 de dezembro de 2024, na festa da Imaculada Conceição, o 71º milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes foi oficialmente reconhecido. O arcebispo de Liverpool (Reino Unido), Malcolm McMahon, anunciou que um soldado britânico, John Traynor, ferido durante a Primeira Guerra Mundial foi curado durante uma peregrinação ao Santuário de Lourdes, na França, em 1923. Embora a cura tenha sido considerada milagrosa na época, nunca houve uma declaração oficial até agora, 100 anos depois.

“Dada a força das evidências médicas, o testemunho da fé de John Traynor e sua devoção à Nossa Senhora, é com grande alegria que declaro que a cura de John Traynor, de várias condições médicas graves, será reconhecida como um milagre operado pelo poder de Deus através da intercessão de Nossa Senhora de Lourdes”, afirmou o arcebispo em um comunicado.

Desde a criação no santuário do Escritório Médico de Lourdes, em 1883, cerca de 7.000 casos foram submetidos, mas apenas 71 foram oficialmente reconhecidos como milagres. O último milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes foi a cura de Irmã Bernadette Moriau, reconhecida em fevereiro de 2018.

A história de John Traynor

Nascido em Liverpool em 1883, John (Jack) Traynor ingressou na Marinha Real e lutou durante a Primeira Guerra Mundial, sendo ferido na Bélgica e depois em Gallipoli (atualmente na Turquia). Ele perdeu o movimento do braço direito, sofreu convulsões epilépticas severas e, posteriormente, foi afetado por uma paralisia parcial em ambas as pernas. Por isso, foi considerado "incurável" pelos médicos em 1923. No mesmo ano, ele decidiu participar da primeira peregrinação da arquidiocese de Liverpool ao Santuário de Lourdes, na França.

"Ele foi curado no dia 25 de julho, após ser imerso nas piscinas do Santuário e participar da procissão e bênção dos doentes", explicou o Santuário de Lourdes em um comunicado. "No mesmo dia, os médicos que acompanhavam a peregrinação confirmaram sua cura."

John Traynor voltou a Lourdes todos os anos para ser transportador de macas até 1939 e faleceu em 8 de dezembro de 1943.

Por que o milagre demorou tanto para ser reconhecido?

Apesar de ser amplamente acreditado na época que a cura de John Traynor fosse milagrosa, nunca houve uma declaração oficial da Igreja. Isso foi porque se acreditava que não havia evidências contemporâneas suficientes para comprovar que a cura fosse de fato milagrosa.

Em razão do centenário da primeira peregrinação de 1923 o ano passado, o Presidente do Escritório Médico de Lourdes (BdCM), Dr. Alessandro de Franciscis, e um membro inglês do Comitê Médico Internacional de Lourdes revisaram o arquivo de John Traynor e encontraram novos documentos da época que confirmavam que o soldado foi curado de forma milagrosa. Após um exame cuidadoso dos documentos em Lourdes e Liverpool, ficou claro que havia evidências médicas suficientes para declarar o milagre.

Assim, na festa da Imaculada Conceição, a cura de John Traynor foi reconhecida como o 71º milagre operado pela intercessão de Nossa Senhora de Lourdes!

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrada santa Eulália, menina mártir espanhola dos primeiros séculos

A Igreja celebra hoje (12) santa Eulália, uma mártir da Igreja que nasceu em Mérida, Espanha, no final do século III e que morreu aos 12 anos, depois de ser torturada por se recusar e renegar sua fé cristã.

Naquela época, um decreto emitido pelo imperador Diocleciano proibia os católicos de cultuar Jesus Cristo e exigia que adorassem ídolos pagãos. Precisamente no “Martirológio romano”, onde se encontra uma lista muito antiga dos mártires da Igreja, há uma frase que diz: “em 12 de fevereiro comemora-se Santa Eulália, mártir da Espanha, morta por proclamar sua fé em Jesus Cristo”.

A mártir se tornou prontamente uma das santas mais famosas da Espanha e hoje ostenta o título de prefeita perpétua de Mérida e padroeira desta cidade.

Os dados sobre sua vida e sua morte se encontram em um hino feito em sua honra pelo poeta Prudencio no século IV.

Neste poema, narra como Eulália decidiu protestar ante o governador Daciano contra as leis que proibiam o cristianismo. Do mesmo modo, conta os terríveis métodos de tortura empregados contra ela.

Eulália foi levada à prisão, acorrentaram-na, rasgaram com ganchos seus seios, ombros, todo seu corpo virginal.

Mas, com grande paz e alegria, dizia: “Veja Senhor, que escrevem teu nome em meu corpo. Quão agradável é ler estas letras que assinalam a vitória de Jesus Cristo, que o meu sangue proclame o teu nome!”.

Como último tormento, queimaram-na com tochas acesas. A tradição assinala que seus carrascos viram uma pomba branca sair de sua boca e voar para o céu.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de quinta-feira: uma fé que supera fronteiras

Comentário ao Evangelho de quinta-feira da V semana do Tempo Comum. «Ao ouvir falar d’Ele, uma mulher cuja filha tinha um espírito impuro, veio prostrar-se a seus pés». Peçamos uma fé que supere as dificuldades e que nos leve a abandonar-nos completamente no Senhor.


 Evangelho (Mc 7, 24-30)

Jesus dirigiu-Se para a região de Tiro e Sidónia. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse. Mas não pôde passar despercebido, pois logo uma mulher, cuja filha tinha um espírito impuro, ao ouvir falar d’Ele, veio prostrar-se a seus pés. A mulher era pagã, sirofenícia de nascimento, e pediu-Lhe que expulsasse o demónio de sua filha. Mas Jesus respondeu-lhe:

«Deixa primeiro que os filhos estejam saciados, pois não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».

Ela, porém, disse:

«Senhor, também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças».

Então Jesus respondeu-lhe:

«Dizes muito bem. Podes voltar para casa, porque o demónio já saiu da tua filha».

Ela voltou para casa e encontrou a criança deitada na cama. O demónio tinha saído.


Comentário

Como terá sabido aquela mulher sirofenícia quem era Jesus? O Evangelho não nos diz nada sobre isto. Considerando a sua procedência, provavelmente não viveria longe da Galileia. E ali o Senhor tinha realizado muitos milagres, e o povo estava entusiasmado com a sua pregação. Além disso, a esperança da vinda do Messias circulava entre os judeus, e é lógico que as aldeias circunvizinhas soubessem algo sobre os anseios do Povo de Israel.

Seja como for, esta mulher tinha um coração aberto à ação de Deus. Os comentários sobre a disponibilidade de Jesus para atender as pessoas necessitadas – os doentes, os endemoninhados, etc. – teriam acendido a sua esperança. No seu diálogo com Cristo, ela parece admitir que o Povo de Israel tem uma relação especial com o Senhor, semelhante à do filho que se senta à mesa com o pai. Assim, podemos adivinhar que a sirofenícia tem alguma fé nas promessas que Deus tinha feito aos judeus. Mas ela também sente que esta relação particular do Senhor com o seu povo não se fecha em si mesma, mas que de algum modo a misericórdia de Deus transborda para chegar a toda a Humanidade.

Esta mulher é um modelo de humildade e de confiança. Ela não tem problemas em se pôr com o rosto por terra aos pés daquele profeta estrangeiro. E sabe insistir, mesmo quando parece que não tem muitos argumentos para obter o que pede. Que a nossa fé saiba também superar as fronteiras, e que se transforme numa oração constante, cheia de abandono no Senhor, que nunca olha ninguém com indiferença.