segunda-feira, 29 de junho de 2026

IGREJA

 Santo Irineu ajuda a combater o gnosticismo, heresia viva hoje

Nestes tempos cheios de gnosticismo, heresia que defende que a salvação da alma não se obtém de Deus, mas através de um certo tipo de "conhecimento", o padre John P. Cush, da diocese de Brooklyn, EUA, escreveu sobre como santo Irineu ajuda a Igreja a combatê-la.

O gnosticismo defende que a salvação da alma é obtida por meio de certo “conhecimento” que vem da mistura de várias doutrinas, tradições e crenças religiosas, incluindo as verdades do cristianismo, sobre os mistérios do universo e da natureza humana.

Os gnósticos caem no erro de encorajar a alcançar a perfeição sem o Deus verdadeiro, sem a verdadeira conversão e relegando aqueles que consideram "não iniciados". É como os movimentos da Nova Era ou os esoteristas atuam hoje.Cush, deão acadêmico e assessor de formação do Pontifício Colégio Norte-Americano de Roma, explicou num artigo do jornal National Catholic Register, do grupo EWTN a que pertence ACI Digital, o que é o gnosticismo e por que a figura de santo Irineu é tão importante para combate-la.

O Código de Direito Canônico da Igreja Católica ensina que os batizados cometem heresia quando negam ou duvidam persistentemente de “alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica”.

Cush cita um artigo da revista americana First Things, em que Alyssa Lyra Pitstick, em diálogo com o teólogo jesuíta padre Edward Oakes, descreve os dois tipos de hereges: o herege material e o herege formal. "O herege material se engana em seus fatos, ao crer que algo é a verdadeira doutrina da Igreja, quando, na realidade, não é. Sua escolha é feita na ignorância. Quando ele aprende de fontes confiáveis que o ensinamento da Igreja é algo contrário, rapidamente muda de crença, porque sua preocupação é crer no que a comunidade de fé crê, pois ele crê na Igreja de Cristo”, escreve Pitstick.

Cush explicou que “um herege formal não é simplesmente alguém que comete um deslize ou que expressa sua resposta de maneira incorreta”, mas sim aquele que “sabe qual é o ensinamento da Igreja”, mas escolhe acreditar em outra coisa.“Um herege formal muitas vezes começa com um erro inocente de um herege material, mas a diferença é que ele se apega obstinadamente a esse erro com novas informações”, afirma o artigo.Padre Cush disse que santo Irineu, bispo que viveu entre os anos 130 e 202, é considerado o mais importante adversário do gnosticismo, uma das heresias mais antigas e, ao mesmo tempo, atuais da humanidade.

O padre disse que os bispos dos EUA estão reconsiderando a figura de santo Irineu na Igreja. Em 2020, o bispo de Fort Wayne-South Bend, Indiana, dom Kevin Rhodes, pediu à Assembleia Geral dos Bispos Católicos dos EUA que reconhecesse santo Irineu como "Doutor da Igreja" e teve o apoio de todos.

Para o padre Cush, “uma das principais razões” pelas quais eles e o resto dos bispos do mundo estão mais uma vez destacando a figura de santo Irineu é porque eles pensam que o gnosticismo está muito presente no mundo de hoje.

O papa emérito Bento XVI recordou em 2007 que, no tempo de santo Irineu, esta heresia apresentada como doutrina difundiu a ideia de que “a fé ensinada pela Igreja não passava de um simbolismo para os simples, que não conseguem compreender as coisas difíceis”, e que “os iniciados, os intelectuais — chamados ‘gnósticos’ — compreenderiam o que estava escondido por trás desses símbolos e assim formariam um cristianismo de elite, intelectualista”.Como bispo de Lyon na Gália, atual França, santo Irineu destacou-se por combater heresias com argumentos que apresentou em cinco livros nos quais refutava as diferentes seitas, colocando-as diante da doutrina correta emanada dos ensinamentos dos Apóstolos e das Sagradas Escrituras. 

Santo Irineu foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Francisco em 2022. "Seu nome, Irineu, expressa essa paz qu e vem do Senhor e que reconcilia, reintegrando na unidade", diz o decreto. "Que a doutrina de tão grande mestre possa encorajar cada vez mais o caminho de todos os discípulos do Senhor rumo à plena comunhão", acrescenta.

IGREJA

 Sete chaves para entender por que são Pedro e são Paulo são celebrados juntos

Hoje (29) a Igreja celebra a solenidade de são Pedro e são Paulo juntos. Entretanto, há algumas dúvidas sobre as verdadeiras razões do motivo da festa de ambos os apóstolos ser celebrada no mesmo dia.

A seguir, sete chaves que permitem entender isso:

1. Santo Agostinho de Hipona expressou que eram “um só”

Em um sermão do ano 395, o doutor da Igreja, santo Agostinho de Hipona, expressou que são Pedro e são Paulo, “na realidade, eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos”.

2. Ambos morreram em Roma

Foram detidos na prisão Mamertina, também chamada Tullianum, localizada no foro romano na Roma Antiga. Além disso, foram martirizados nessa mesma cidade, possivelmente por ordem do imperador Nero.

São Pedro passou seus últimos anos em Roma liderando a Igreja durante a perseguição e até o seu martírio no ano 64. Foi crucificado de cabeça para baixo, a pedido próprio, por não se considerar digno de morrer como seu Senhor. Foi enterrado na colina do Vaticano e a Basílica de São Pedro está construída sobre seu túmulo.

São Paulo foi preso e levado a Roma, onde foi decapitado no ano 67. Está enterrado em Roma, na basílica de São Paulo Extramuros.

3. São fundadores da Igreja de Roma

Na homilia de 2012 na solenidade de são Pedro e são Paulo, o papa Bento XVI afirmou que “a sua ligação como irmãos na fé adquiriu um significado particular em Roma. De fato, a comunidade cristã desta Cidade viu neles uma espécie de antítese dos mitológicos Rómulo e Remo, o par de irmãos a quem se atribui a fundação de Roma”.

4. São padroeiros de Roma e representantes do Evangelho

Na mesma homilia, o santo padre chamou esses dois apóstolos de “padroeiros principais da Igreja de Roma”.

Desde sempre a tradição cristã tem considerado são Pedro e são Paulo inseparáveis: na verdade, juntos, representam todo o Evangelho de Cristo”, disse.

5. São a versão contrária de Caim e Abel

O santo padre também apresentou um paralelismo oposto com a irmandade apresentada no Antigo Testamento entre Caim e Abel.

“Enquanto nestes vemos o efeito do pecado pelo qual Caim mata Abel, Pedro e Paulo, apesar de ser humanamente bastante diferentes e não obstante os conflitos que não faltaram no seu mútuo relacionamento, realizaram um modo novo e autenticamente evangélico de ser irmãos, tornado possível precisamente pela graça do Evangelho de Cristo que neles operava”, afirmouo Bento XVI.6. Porque Pedro é a “rocha”

Esta celebração recorda que São Pedro foi escolhido por Cristo – “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” – e humildemente aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja e apascentar o rebanho de Deus, apesar de suas fragilidades humanas.

Os Atos dos Apóstolos ilustram seu papel como líder da Igreja depois da ressurreição e ascenção de Cristo. Pedro dirigiu os apóstolos como o primeiro Papa e assegurou que os discípulos mantivessem a verdadeira fé.

Como afirmou em sua homilia o Bento XVI, “na passagem do evangelho de são Mateus (...), Pedro faz a sua confissão de fé em Jesus, reconhecendo-O como Messias e Filho de Deus; fá-lo também em nome dos outros apóstolos. Em resposta, o Senhor revela-lhe a missão que pretende confiar-lhe, ou seja, a de ser a ‘pedra’, a ‘rocha’, o fundamento visível sobre o qual está construído todo o edifício espiritual da Igreja”.7. São Paulo também é coluna do edifício espiritual da Igreja

São Paulo foi o apóstolo dos gentios. Antes de sua conversão, era chamado Saulo, mas depois de seu encontro com Cristo e conversão, continuou seguindo para Damasco, onde foi batizado e recuperou a visão. Adotou o nome de Paulo e passou o resto de sua vida pregando o Evangelho sem descanso às nações do mundo mediterrâneo.

“A iconografia tradicional apresenta são Paulo com a espada, e sabemos que esta representa o instrumento do seu martírio. Mas, repassando os escritos do Apóstolo dos Gentios, descobrimos que a imagem da espada se refere a toda a sua missão de evangelizador. Por exemplo, quando já sentia aproximar-se a morte, escreve a Timóteo: ‘Combati o bom combate’ (2Tm 4,7); aqui não se trata seguramente do combate de um comandante, mas daquele de um arauto da Palavra de Deus, fiel a Cristo e à sua Igreja, por quem se consumou totalmente. Por isso mesmo, o Senhor lhe deu a coroa de glória e colocou-o, juntamente com Pedro, como coluna no edifício espiritual da Igreja”, disse Bento XVI em sua homilia.

IGREJA

 Leão XIV encerra consistório com apelo para ajudar o mundo a encontrar caminhos de Deus para a paz

O papa Leão XIV agradeceu ontem (27) ao Colégio de Cardeais pelo trabalho realizado no consistório extraordinário de dois dias, destacando as reflexões sobre a guerra, a pobreza e a fragmentação social, e sobre feridas mais profundas como a solidão e a perda de sentido.

Em seu discurso de encerramento, o papa disse que ficou “particularmente impressionado com a maneira como [os cardeais] falaram sobre os jovens”, especialmente sobre o sofrimento que, às vezes, pode levá-los “ao desespero extremo de tirar a própria vida”.

“Vocês reconheceram uma das feridas mais profundas do nosso tempo”, disse ele, “mas também foram capazes de reconhecer a obra do Espírito Santo [na] busca deles por autenticidade, por relacionamentos genuínos e por significado”.Abordando outra das feridas do mundo — a guerra — Leão XIV reafirmou temas de sua encíclica Magnifica humanitas, dizendo que a guerra deriva de uma “cultura do poder” mais ampla que afeta a política, a economia e até mesmo a religião.

“A guerra nasce dentro de nós”, disse ele, mas é “precisamente no coração que a paz também é decidida”. É nesse mesmo coração, disse o papa, que Cristo “continua a nos encontrar, a falar conosco e a nos converter”, e Leão XIV fez um apelo por um renovado compromisso com o diálogo, a cooperação multilateral e as respostas não-violentas fundamentadas no Evangelho.

Embora os cardeais tenham discutido a “guerra justa”, o papa não citou especificamente essa tradição em seu discurso, falando, em vez disso, sobre o tema da autodefesa à luz das “profundas transformações” nos conflitos contemporâneos.

A reflexão sobre esse tema precisa ser "mais aprofundada", disse ele, "com o rigor teológico e pastoral necessário".Num apelo global, Leão XIV disse: "Deus deseja a paz para cada nação e para cada povo", exortando a Igreja a ajudar o mundo a rejeitar a violência e a redescobrir os caminhos de reconciliação do Senhor.

O papa Leão XIV falou também sobre a importância da família, da doutrina social da Igreja e da formação da consciência, reafirmando o papel do diálogo ecumênico e inter-religioso na promoção da paz.

Ele exortou os cardeais a aprofundar o caminho sinodal da Igreja como um “estilo espiritual” enraizado na escuta, no discernimento e na fidelidade ao Evangelho. A sinodalidade, disse ele, não se trata primordialmente de estruturas ou tomada de decisões, mas de salvaguardar a missão da Igreja por meio do discernimento compartilhado.

“A questão não é quem decide”, disse ele, “mas como podemos, juntos, salvaguardar o dom confiado à Igreja”.Leão XIV encorajou os cardeais a promoverem a participação ativa em todas as Igrejas locais, dizendo que a sinodalidade autêntica surge do encontro e da abertura ao Espírito Santo.

Ele comparou esse encontro de dois dias — que teve um formato sinodal distinto de discussões em grupos de trabalho — ao relato do Evangelho sobre os discípulos a caminho de Emaús, no qual Cristo renova a esperança e esclarece a missão.

Referindo-se a uma reunião de bispos em outubro para marcar o 10º aniversário da Amoris laetitia, o papa disse que o encontro fará parte da implementação do Sínodo da Sinodalidade — uma oportunidade para “promover espaços onde o Povo de Deus possa ouvir uns aos outros, rezar, discernir e caminhar junto”.

Leão XIV encerrou confiando os frutos do consistório à intercessão de Nossa Senhora. "Que ela nos ensine a preservar a unidade na diversidade e a servir o Evangelho da paz com humildade, coragem e esperança", disse ele.O papa reafirmou que esses consistórios extraordinários ocorrerão anualmente e disse que anunciará a reunião do próximo ano no fim do ano atual.Como o consistório ocorreu a portas fechadas, não foi possível saber exatamente o que os cardeais discutiram na reunião de dois dias.

Em vez disso, os meios de comunicação tiveram que se basear em sínteses fornecidas pela Sala de Imprensa da Santa Sé, que omitiram algumas intervenções importantes, como o apelo do cardeal Gerhard Müller à Santa Sé para que emitisse uma resposta formal ao mais recente desafio da Fraternidade São Pio X a Roma, segundo dito ontem por Nico Spuntoni, do jornal italiano Il Giornale.

As sínteses também não abordaram nenhum dos temas levantados na discussão livre ao fim do consistório. A Santa Sé, no entanto, forneceu os textos completos das reflexões de quatro cardeais.

A sessão da tarde da última sexta-feira (26) sobre A Cultura do Poder e a Civilização do Amor foi inaugurada pelo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Victor Fernández, que falou sobre o tema e sobre o capítulo quinto da  Magnifica humanitas.Baseando-se na encíclica social, ele disse que uma profunda mudança cultural vinha permitindo o surgimento e a normalização de novas guerras, muitas vezes sustentadas pela manipulação política e midiática impulsionada por inteligência artificial.

Magnifica humanitas, disse Fernández, marcou um desenvolvimento significativo ao declarar a teoria da “guerra justa” ultrapassada na prática. Em vez disso, o cardeal falou sobre uma compreensão muito mais rigorosa da legítima defesa e condenou a guerra preventiva e desproporcional como incompatível com a doutrina católica e com a constituição pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, e sua rejeição à destruição indiscriminada.

Como exemplos, ele destacou intervenções militares em Gaza e no sul do Líbano.

O relativismo, o cinismo, os "ataques verbais maliciosos por parte de líderes políticos" e a inconsistência geopolítica favoreceram as potências violentas, disse o cardeal, dizendo que a doutrina social da Igreja era a resposta.Aludindo a uma ética de vida consistente, ele disse que a doutrina é coerente em sua defesa da vida, dos migrantes, da paz e dos vulneráveis, e que é capaz de resistir à cultura do poder e promover uma cultura de fraternidade e do bem comum.

A Santa Sé disse que, em seus grupos de trabalho na sessão, presidida pelo bispo de Kalookan, Filipinas, Siongco David, os cardeais expressaram preocupação semelhante com uma “cultura de poder” generalizada, marcada pela polarização, normalização da guerra e diminuição da sensibilidade à violência.

Em resposta, enfatizaram o dever urgente da Igreja de testemunhar de forma credível a paz através de uma linguagem de encontro transformada, alicerçada na escuta, no perdão e na reconciliação, e através de uma unidade cristã visível.

Eles também incentivaram o diálogo com outras religiões, especialmente o islã, e o engajamento com instituições internacionais. A Santa Sé disse que “vários grupos” pediram que se superasse os modelos clássicos de “guerra justa” em direção à autodefesa proporcional, reafirmando o Evangelho como a verdadeira fonte da paz.

A Santa Sé disse que houve forte apoio à encíclica de Leão XIV e à liderança moral do papa, junto com uma reflexão renovada sobre o ministério petrino como salvaguarda da independência da Igreja e sinal de unidade. 

Construindo o bem comum

A sessão da manhã de ontem mudou o foco para Construindo para o Bem Comum, examinando as profundas fraturas que afetam sociedades, famílias e indivíduos.

O arcebispo de Joanesburgo, África do Sul, cardeal Stephen Brislin, apresentou a Magnifica humanitas  como uma visão teologicamente coerente da "construção" humana numa era de poder tecnológico, lendo toda a encíclica através do contraste inicial entre a autossuficiência isolada de Babel e a reconstrução de Jerusalém orientada por Deus.

Ele disse que a introdução oferecia uma “gramática de construção” estruturada em torno do desejo, da limitação, da responsabilidade compartilhada e do discernimento, perguntando se a expansão tecnológica, inclusive a inteligência artificial (IA), de fato produz relações e instituições mais justas e atentas à pessoa.

Em sua leitura, a conclusão mostrou como essa gramática encontrou sua plenitude nas virtudes teologais: a fé lendo a história à luz do plano misericordioso de Deus, a caridade enraizada na Eucaristia fundamentando a comunhão sinodal e a esperança direcionando a responsabilidade concreta para uma “civilização do amor”, todas sustentadas pela oração exemplificada no olhar contemplativo de Nossa Senhora.

Nos debates que se seguiram, resumidos pela Santa Sé e presididos pelo arcebispo de Tabora, Tanzânia, cardeal Protase Rugambwa, os cardeais destacaram a crise antropológica subjacente a essas divisões, inclusive a perda de significado, identidade e relacionamentos, exacerbada pelo individualismo extremo e por desafios emergentes como a inteligência artificial.

A inteligência artificial foi discutida não só do ponto de vista tecnológico, mas também como uma força que remodela a autocompreensão humana, levantando preocupações sobre dignidade, limitações e a redução das pessoas a meros dados. O bem comum foi apresentado como algo tanto esquivo quanto essencial, exigindo uma redescoberta da solidariedade fundamentada na fé e expressa por meio do cuidado concreto com os pobres.

A Santa Sé disse que a doutrina social da Igreja e a formação de líderes políticos responsáveis ​​foram consideradas respostas vitais à desigualdade sistêmica e à fragmentação. Em todas as intervenções, o Evangelho emergiu como antídoto para a divisão, convocando a Igreja a incorporar uma presença “samaritana”, a fomentar o sentimento de pertencimento e a promover a sinodalidade como uma prática vivida de escuta e responsabilidade compartilhada.

Sessão final

A sessão final do consistório abordou a implementação prática da sinodalidade, enfatizando os elementos espirituais e os desafios institucionais.

Em sua reflexão, o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, descreveu o Sínodo da Sinodalidade como uma experiência profunda “no Espírito” e disse que ele já havia despertado na Igreja um amplo desejo de participação, escuta mútua e discernimento compartilhado entre bispos, clérigos, religiosos e leigos.

Ele disse que a atual fase de implementação não se trata de aplicar decisões mecanicamente, mas de receber, testar e integrar as percepções sinodais na vida ordinária das Igrejas locais, culminando na assembleia eclesial de 2028.

Essa fase, disse o cardeal, dependia dos bispos como principais responsáveis ​​pela jornada sinodal, dizendo que eles precisavam manter unidas a sinodalidade e a colegialidade como expressões complementares de uma comunhão ordenada à missão num mundo marcado por guerra, desigualdade, migração e revolução tecnológica.

Nas discussões que se seguiram, presididas pelo arcebispo de Newark, EUA, cardeal Joseph Tobin, a Santa Sé disse que os cardeais concordaram com a necessidade de integrar as dimensões “ascética e histórica” da sinodalidade, garantindo, ao mesmo tempo, que seus processos não se tornem excessivamente onerosos ou desviem a atenção da missão evangelizadora da Igreja.

Foi dada especial atenção à formação sacerdotal, com apelos a uma visão do sacerdócio que seja dinâmica, atraente e autenticamente evangélica, sem reforçar o clericalismo.

A discussão falou também sobre os papéis complementares da hierarquia e dos leigos no discernimento da voz do “Espírito”, destacando a sinodalidade como uma responsabilidade compartilhada, porém diferenciada, dentro do Povo de Deus. A contribuição das Igrejas Católicas Orientais, com suas antigas tradições sinodais, foi considerada especialmente valiosa.

A síntese da Santa Sé disse que os cardeais discutiram “o risco de que a complexidade do processo de consulta possa sobrecarregar a Igreja num momento em que ela é chamada a dar testemunho”.



LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de 29 de junho: São Pedro e São Paulo

Comentário ao Evangelho da Solenidade de S. Pedro e S. Paulo, Apóstolos. «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja». Depois de Jesus e de Maria , o Santo Padre ocupa o lugar de honra no nosso afeto, na nossa veneração e nas nossas orações.


 Evangelho (Mt 16, 13-19)

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos:

«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?».

Eles responderam:

«Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas».

Jesus perguntou:

«E vós, quem dizeis que Eu sou?».

Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:

«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».

Jesus respondeu-lhe:

«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».


Comentário

Durante uma das suas longas caminhadas com os discípulos, Jesus interroga-os sobre a opinião pública acerca da sua Pessoa. Depois de darem várias hipóteses de resposta, o Mestre pergunta-lhes com grande pedagogia o que pensam eles. Pedro deixa-se então levar pelo ímpeto de amor e responde: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16). Esta confissão sobre a identidade do Mestre revelou desígnios divinos sobre a identidade e missão de Simão: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…» e «dar-te-ei as chaves do Reino dos céus…» (v. 18-19).

No mundo antigo, era muito comum aproveitar a dureza e estabilidade da rocha- mãe para levantar sobre ela o resto de um muro, de uma fortaleza, ligando assim a obra natural à arquitetónica. E as cidades antigas estavam rodeadas de muralhas e portas de acesso, que se podiam abrir e fechar com chaves. Ter as chaves de uma cidade era ostentar o poder de decidir quem podia entrar ou sair e quando. Por isso, o símbolo da rendição de um enclave ou praça forte costumava ser a entrega das suas chaves.

Cheio de assombro, Pedro escutaria o Messias anunciando com solenidade que ele seria como essa rocha- mãe, sobre a qual Jesus levantaria a sua Igreja; e que teria o poder sobre as chaves do Reino, para decretar o seu acesso ou vetá-lo, influindo assim no destino da terra como no do próprio Céu.

Este episódio e o lugar em que sucedeu ficaram gravados na memória dos apóstolos e consignado nos evangelhos. Por vontade do Senhor, Pedro seria o líder dos doze e da Igreja, fator de unidade e eficácia para todos. E os apóstolos, inclusive os que tinham conhecido Jesus antes de Pedro, que talvez pudessem refletir melhor disposição ou virtude aos olhos humanos, assumiram com veneração e respeito esta vontade do Mestre, como assumiram todas as suas outras disposições e mandatos.

Mais tarde, quando Pedro negou Jesus durante a paixão, comprovou que a sua liderança e eficácia eram emprestadas. Mas depois da Ressurreição, essa posição de Pedro seria inegável e admitida pelos cristãos, que rezavam juntos por Pedro (cf. At 12). Por isso, os cristãos, temos o afetuoso dever de rezar muito pelo Papa, sucessor de Pedro, e venerar ao mesmo tempo a eficácia do seu cargo principal, como os apóstolos veneraram a de Simão. A este respeito, comentava S. Josemaria: «O teu maior amor, a tua maior estima, a tua mais profunda veneração, a tua obediência mais rendida, o teu maior afeto, hão de ser também para o Vice-Cristo na terra, para o Papa. Nós, os católicos, temos de pensar que, depois de Deus e da nossa Mãe, a Virgem Santíssima, na hierarquia do amor e da autoridade, vem o Santo Padre»[1].

Conta o livro dos Atos dos Apóstolos, que Deus adicionou ao grupo dos 12 apóstolos um jovem fariseu da tribo de Benjamim: Saulo de Tarso, perseguidor de cristãos. Graças à oração de Estêvão (cf. At 7, 58 ss.) e à fina caridade de Barnabé (cf. At 9, 23), Paulo seria admitido na Igreja. Paulo era alguém que não conheceu Jesus em vida e que O odiou nos seus seguidores. Mas também os apóstolos souberam reconhecer humildemente em Saulo os desígnios surpreendentes de Deus e aceitaram-no como apóstolo, tal como eles, porque também ele viu o ressuscitado e foi enviado a anunciá-l’O a todas as gentes.

A vida destes dois grandes apóstolos ensina-nos que, apesar das limitações próprias e alheias, Deus sabe realizar os seus desígnios de amor; a sua graça atua sempre nos corações. O que Deus pede, para que haja fruto, é a atitude da Igreja nascente: perseverar todos juntos na oração, com Maria, Mãe de Jesus (cf. At 1, 12).


sábado, 27 de junho de 2026

RELIGIÃO

 

Quando Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria

A Consagração foi feita pelo Santo Padre em 2013, diante da imagem original de Nossa Senhora de Fátima, levada a Roma

AConsagração foi feita pelo Santo Padre em 2013, diante da imagem original de Nossa Senhora de Fátima, levada a Roma

Diante de 100 mil pessoas presentes na Praça de São Pedro, o Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria no dia 13 de outubro de 2013.

A consagração foi feita pelo Santo Padre diante da imagem original de Nossa Senhora de Fátima, levada do seu santuário em Portugal até Roma.

Esta foi a oração de consagração rezada pelo Papa Francisco:

Bem-aventurada Maria Virgem de Fátima,
com renovada gratidão pela tua presença materna
unimos a nossa voz àquela de todas as gerações
que te chamam bem-aventurada.

Celebramos em ti as grandes obras de Deus,
que jamais se cansa de prostrar-se com misericórdia
sobre a humanidade, afligida pelo mal e ferida pelo pecado,
para curá-la e para salvá-la.

Acolhe com benevolência de Mãe
O ato de consagração que hoje fazemos
com confiança, diante desta tua imagem
tão querida a nós.

Estamos certos de que cada um de nós é precioso aos teus olhos
e que nada é a ti estranho de tudo aquilo que habita em nossos corações.

Nos deixamos alcançar pelo teu dulcíssimo olhar
e recebemos o afago consolador do teu sorriso.

Protege a nossa vida entre os teus braços:
abençoa e reforça todo desejo de bem;
reaviva e alimenta a fé;
ampara e ilumina a esperança;
suscita e anima a caridade;
guia todos nós no caminho da santidade.

Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção
Pelos pequenos e pelos pobres,
pelos excluídos e os sofredores,
pelos pecadores e os dispersos de coração:
reúne todos sob tua proteção
e os entrega ao teu Filho amado, o Senhor nosso Jesus.

Amém.