terça-feira, 3 de março de 2026

IGREJA

 

Dom Mário Antônio, o novo arcebispo de Aparecida e o seu lugar na tradição da Igreja

De Cuiabá ao Vale da Paraíba. Um novo arcebispo para o Santuário Nacional de Aparecida

a manhã de 2 de março de 2026, a Igreja Católica no Brasil viveu um momento de grande importância pastoral e simbólica: o Papa Leão XIV aceitou a renúncia de Dom Orlando Brandes ao governo pastoral da Arquidiocese Metropolitana de Aparecida (SP) — e nomeou Dom Mário Antônio da Silva como o novo arcebispo metropolitano dessa sede que abriga o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. 

Origem humilde e formação sólida

Dom Mário Antônio da Silva nasceu em 17 de outubro de 1966, na cidade de Itararé, no interior do estado de São Paulo.

Durante sua infância e adolescência, Mário frequentou a Igreja local com seus familiares, o que ajudou a moldar sua identidade espiritual e despertou, gradualmente, a vocação religiosa que iria acompanhar sua vida. Ainda no interior paulista, ele vivenciou a realidade de uma comunidade marcada por relações próximas e pela presença viva da fé católica na vida de seus moradores — um ambiente que, para muitos jovens como ele, oferecia os primeiros contatos com ministros, celebrações e a vida de serviço cristão. Embora não existam relatos detalhados em reportagem específica sobre seus primeiros anos de vida, registros biográficos oficiais confirmam que sua origem foi no meio dessa cultura de fé local antes de seguir para a formação sacerdotal. 

Essa formação inicial — entre família, paróquia e escola — fincou raízes profundas que viriam a orientar sua decisão de ingressar no seminário, ainda muito jovem, abrindo caminho para uma trajetória dedicada ao estudo filosófico-teológico e ao serviço à Igreja

Sua trajetória demonstra um forte enraizamento na formação sacerdotal e no serviço à Igreja. Ele estudou Filosofia e Teologia no Seminário Diocesano Divino Mestre em Jacarezinho (PR) e, posteriormente, obteve licenciatura em Teologia Moral pela Pontifícia Academia Alfonsiana em Roma — o que o insere em uma tradição de formação teológica sólida que muitos dos grandes líderes eclesiais seguem. 

Ordenado sacerdote em 21 de dezembro de 1991, Dom Mário foi incardinado na Diocese de Jacarezinho, onde desempenhou funções como diretor espiritual, reitor de seminário, coordenador de pastoral e professor de Teologia Moral. Sua vasta experiência formativa e pastoral o projetou dentro da Igreja brasileira. 

Ascensão episcopal e ministério no Brasil

Sua nomeação episcopal ocorreu em 9 de junho de 2010, quando foi designado bispo titular de Arena e auxiliar da Arquidiocese de Manaus (AM). Recebeu a ordenação episcopal em 20 de agosto do mesmo ano. Posteriormente, em 2016, foi nomeado bispo de Roraima, e em 23 de fevereiro de 2022 foi transferido para a Arquidiocese de Cuiabá (MT) como arcebispo metropolitano. 

No âmbito nacional, Dom Mário ocupou posições relevantes na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sendo vice-presidente e membro da presidência da Regional Norte 1, além de presidente da Cáritas Brasileira, missão que o insere diretamente no compromisso social da Igreja no Brasil. 

Chegada a Aparecida: um novo capítulo

Ao assumir a Arquidiocese de Aparecida, Dom Mário retoma um papel central dentro da Igreja no Brasil. A arquidiocese — erigida em 19 de abril de 1958 — é reconhecida por abrigar o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, um dos maiores centros de peregrinação católica do mundo, que acolhe milhões de fiéis todos os anos. 

Dom Orlando Brandes: legados e transição

Dom Orlando Brandes, agora arcebispo emérito, presidiu a arquidiocese desde 2016 e sua gestão é marcada por grandes eventos e iniciativas pastorais. Entre eles, destaca-se a condução das comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida em 2017, um marco para a fé católica no Brasil. 

Além disso, sob sua liderança, o Santuário iniciou projetos como a “Jornada Bíblica”, iniciativa de evangelização que transformou simbolicamente as quatro fachadas da Basílica e envolveu milhares de peregrinos em atividades de reflexão e espiritualidade. 

A importância da Arquidiocese e sua missão contemporânea

A arquidiocese de Aparecida compreende cinco municípios no Vale do Paraíba (SP) e conta com um conjunto de paróquias, santuários e capelanias que desempenham papel essencial na formação cristã e no atendimento pastoral dos fiéis. O Santuário Nacional, em particular, se tornou um ponto de referência não apenas para devotos no Brasil, mas também para peregrinos de outras partes do mundo. 

A missão que agora cabe a Dom Mário envolve a continuidade desse legado — profundizando a devoção à padroeira do Brasil, incentivando iniciativas missionárias e sociais e conduzindo a arquidiocese num tempo em que as comunidades católicas enfrentam desafios tanto espirituais quanto sociais.

IGREJA

 

São José, o homem de Março, é o nosso modelo para a Quaresma.

Assim como Maria nos ensina a viver o Advento, José é um símbolo e um companheiro para a Quaresma.

Na tradição da Igreja, março é dedicado a São José — e no calendário litúrgico, a Quaresma ocorre principalmente em março. Isso faz de José o nosso guia quaresmal a cada ano. Faz todo o sentido. Ele é um guia quaresmal da mesma forma que a Virgem Maria é a “Mulher do Advento”.

Maria nos mostra como receber Cristo no Advento.

O Advento é sobre receptividade, e isso faz de Maria “a Virgem do Advento”, como disse São João Paulo II.

Enquanto aguardamos a vinda de Cristo, a Igreja nos direciona repetidamente às virtudes marianas: a Imaculada Conceição, que celebra sua impecabilidade em 8 de dezembro; a (nova) festa de Nossa Senhora de Loreto, em 10 de dezembro, que celebra o lar que ela preparou para Jesus; e a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, em 12 de dezembro, que celebra como ela preparou o Novo Mundo para Cristo em 1531.

Maria nos mostra como preparar um lugar para Jesus em nossas vidas, assim como ela fez no mundo.

Mas se o Advento é sobre a “ausência de Cristo”, quando lemos sobre o anseio dos profetas por Cristo, a Quaresma é sobre a “plenitude de Cristo”, quando esperamos com Jesus Cristo no deserto, caminhamos com Ele pelo Caminho da Cruz e nos preparamos para a Sua vitória final na Páscoa.

Da mesma forma, São José nos mostra como manter Cristo na Quaresma.

Enquanto o Advento é o tempo da receptividade, a Quaresma é o tempo da custódia — onde cuidamos, guardamos e protegemos o grande dom de Cristo em nossas vidas. Esperamos por Cristo no Advento, mas esperamos com Cristo na Quaresma. Cristo veio e nos pediu que permanecêssemos com Ele até o fim.

Não há modelo melhor para isso do que São José. A festa de São José, em 19 de março, é a de Esposo de Maria, quando celebramos o construtor de Nazaré que primeiro teve que mudar sua vida porque Jesus havia vindo ao mundo.

Quando o Evangelho diz “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”, o grego na verdade diz que ele “tabernaculou entre nós”. Em outras palavras, o Verbo entrou na família de José, viveu na casa de José e se confiou aos seus cuidados. No Antigo Testamento, Davi se ofereceu para construir uma casa para Deus, mas Deus recusou. Mas José, da casa de Davi, construiu uma casa para Jesus, e sua própria casa se tornou um Santo dos Santos, abrigando o próprio Deus.

Essa é a nossa tarefa na Quaresma: sermos melhores guardiões do dom de Cristo, moldando nossa casa de acordo com as suas necessidades.

José também foi o modelo do sacrifício de Cristo.

O outro foco principal da Quaresma é a Paixão de Cristo. Ao tomarmos a nossa cruz e seguirmos Jesus, São José é, mais uma vez, o nosso modelo. Toda a sua vida foi dedicada ao sacrifício, à oração e à doação de si, enquanto vivia um casamento celibatário literalmente centrado em Cristo e respondia obedientemente ao Senhor que o chamava repetidamente.

Mas ele também foi um modelo da Paixão de outra forma, segundo Madre Teresa. “São José é o exemplo mais maravilhoso!”, disse ela. “Quando ele percebeu que Maria estava grávida, ele só precisava fazer uma coisa: ir até o sacerdote e dizer: ‘Minha esposa teve um filho, não é meu.’… Eles a teriam apedrejado; essa era a regra.” Em vez disso, segundo Madre Teresa, “ele decidiu: ‘Vou fugir.’ E a regra era que… se ele fugisse e deixasse sua esposa grávida, eles o apedrejariam.”

Se era isso que José tinha em mente — e faz sentido —, então, a cada março, comemoramos o homem na vida de Jesus que foi um modelo de assumir os pecados de seus entes queridos.

Por fim, São José é o modelo do homem virtuoso que a Quaresma existe para nos ajudar a nos tornarmos.

O Evangelho de Mateus identifica José como um homem “justo” ou “íntegro”. O Papa Bento XVI destacou que o público judeu de Mateus saberia como um “homem justo” é definido — pelo Salmo 1.

Diz: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios… cujo prazer é a lei do Senhor, e que medita na sua lei dia e noite”. Pense nisso como uma descrição de São José, um homem forte, silencioso e firme, que não diminuiu Maria e Jesus, mas os complementou, “como uma árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto no tempo certo”.

A carta do Papa Francisco sobre São José celebra todos aqueles que, como José, são: “pessoas comuns, pessoas muitas vezes esquecidas. Pessoas que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, ou no último programa de televisão, mas que, nestes mesmos dias, certamente estão moldando os eventos decisivos da nossa história”.

A Quaresma é o tempo de moldar os nossos corações nas virtudes de José, moldando o futuro sem alarde, para Cristo.