quinta-feira, 25 de junho de 2026

IGREJA

 

Será que oferecer ovos para Santa Clara acalma a tempestade?

Desvendamos como a jovem que renunciou à riqueza transformou um elemento simples da vida cotidiana no maior símbolo de fé contra as tempestades da alma e do céu</em>

Para compreender a essência de certos lugares, não basta olhar para as grandes catedrais; é preciso escutar o sussurro das histórias que atravessaram os séculos. Imaginem-se caminhando pelas vielas de pedra de Assis, na Itália. Foi neste cenário que, no século XIII, uma jovem chamada Clara decidiu romper com as correntes de um destino aristocrático e de um casamento arranjado para seguir os passos de um homem que dialogava com os pássaros: São Francisco. Ao fundar a Ordem das Clarissas, Santa Clara não apenas abraçou a pobreza absoluta, mas também teceu uma das conexões mais fascinantes entre a espiritualidade e a simplicidade do cotidiano humano. Uma ligação que se materializa numa tradição perpétua: a oferta de ovos.

Ovos que clareiam o céu

Desde a infância, Clara demonstrava uma inclinação singular para a cozinha, dedicando-se com esmero à criação de doces que tinham como base a clara do ovo. Mesmo recolhida ao silêncio do convento de São Damião, essa habilidade não se perdeu; pelo contrário, transformou-se em instrumento de caridade, pois os doces eram comercializados para amparar os mais desfavorecidos. A arqueologia da fé muitas vezes nos revela que os grandes mitos nascem de crises profundas. A lenda nos conta que, em certa ocasião, as galinhas do convento adoeceram, cessando a produção de ovos e mergulhando a santa numa profunda tristeza.  

A resposta divina veio sob o disfarce de uma tempestade. Um grupo de aldeões, cuja vila havia sido completamente inundada pelas chuvas torrenciais, bateu às portas do convento em busca de abrigo. Consigo, traziam seus poucos pertences e suas próprias aves. Em troca do teto seguro oferecido por Clara, os refugiados doaram as galinhas e os ovos.  

Comovida com o restabelecimento de sua matéria-prima sagrada, Clara elevou os olhos ao céu e rezou fervorosamente para que a tormenta cessasse e os aldeões pudessem retornar ao lar. Naquele instante, ela teve a visão da aldeia banhada pelo sol. O milagre se consumou e, a partir daquele dia, o ovo — símbolo ancestral do nascimento e da luz solar — tornou-se uma ligação entre Santa Clara e as forças climáticas.  

Os noivos e a devoção

Esta narrativa milenar não ficou retida nos vales italianos; ela viajou pelo mundo e se enraizou profundamente na cultura popular, manifestando-se em rituais de tocante simplicidade. Em Portugal e no Brasil, o gesto de oferecer ovos a Santa Clara transformou-se em um patrimônio afetivo, partilhado especialmente por aqueles que estão prestes a selar o matrimônio.  

Diz a tradição que, para afastar a chuva e garantir um céu azul e radiante no dia do casamento, a noiva deve entregar uma dúzia de ovos — se possível, caseiros — no altar de uma igreja ou mosteiro dedicado à santa, na véspera da cerimônia.  

Uma variação dessa antiga prática dita que o número de ovos oferecidos deve corresponder exatamente ao dia do mês em que a união será celebrada, reforçando o laço íntimo entre o tempo dos homens e a proteção divina. 

Pequenos gestos de fé

A sabedoria popular lapidou, ao longo das gerações, uma série de pequenas simpatias domésticas baseadas na simplicidade do ovo, destinadas a clarear o firmamento e acalmar os temores humanos. 

Se há garantias científicas de que tais gestos possam mover as massas de ar do planeta? A ciência nos diz que não. Mas a história da humanidade nos ensina que, quando um coração se enche de devoção e deposita algo tão simples como um ovo, o que se está movendo não são as nuvens do céu, mas a própria paisagem interior da alma, iluminando-a com a certeza de que, após qualquer tempestade, o sol sempre voltará a brilhar. 

Certamente Santa Clara inspira para um casal a solidariedade, a dedicação a Deus e também o bom tempo. O gesto de oferecer ovos não é tudo, mas nos remetendo à figura de Santa Clara nos lembra do seu exemplo para vencer também as tempestades da alma.

IGREJA

 

Eucaristia é um poderoso antídoto para divisão que ameaça o mundo, diz Leão XIV

O papa Leão XIV disse hoje (24) que a Eucaristia é um “poderoso antídoto” para a divisão que ameaça o mundo e exortou os fiéis a “beber com fé dessa nascente de vida divina” e a deixarem-se “transformar pelo mistério”.

“Incorporando-nos a Cristo, a Eucaristia ensina-nos a adotar o estilo de vida do próprio Senhor Jesus, marcado pela doação gratuita de si. Por isso, esta doação faz-nos entrar na dinâmica da unidade, que oferece um poderoso antídoto contra os fermentos de divisão que minam o nosso mundo, as nossas comunidades, as nossas famílias, o nosso coração”, disse ele na catequese na audiência geral de hoje.

O papa prosseguiu sua reflexão sobre os documentos do Concílio Vaticano II, concentrando-se na constituição Sacrosanctum concilium, sobre a liturgia. Leão XIV elogiou a reforma litúrgica promovida pelos padres conciliares, em particular a criação do Lecionário, livro que contém as leituras bíblicas para as celebrações litúrgicas.Em sua visão, a reforma é uma “amplitude” extraída da fonte mais pura da Tradição viva, na qual se combinam a “fidelidade à tradição” e o caminho para o progresso legítimo.

O papa disse que, na Missa, os fiéis são convidados a “ouvir a Palavra de Deus e a alimentar-nos à mesa do Senhor, onde Ele próprio se oferece ao Pai”. A Liturgia da Palavra e a Liturgia da Eucaristia “estão tão intimamente ligadas entre si [...] que formam um só ato de culto” disse o papa citadno o documento conciliar (SC, 56).

“A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, assim como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério eucarístico”, disse o papa, citando a exortação apostólica Verbum Domini, publicada pelo papa Bento XVI em 2010.

IGREJA

 Leão XIV pede a Cáritas que continue promovendo cuidados de saúde baseados nos valores do Evangelho

O papa Leão XIV encorajou os membros da Caritas Internationalis a continuarem sua contribuição para a missão da Igreja na conferência sobre saúde que acontece em Castel Gandolfo, Itália, de 23 a 25 de junho.

Com o tema “Uma abordagem holística da saúde na Confederação Caritas”, o encontro reúne representantes de 25 países com o objetivo de reafirmar seu compromisso com a promoção da saúde como um direito fundamental.

Na abertura da cúpula, a saúde foi destacada como um pilar central da dignidade humana e como um modo de mitigar o sofrimento causado pelos conflitos mundiais.

Em sua mensagem, assinada pelo secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, o papa transmitiu sua solidariedade espiritual aos participantes.

Ele disse ter esperança de que as deliberações "contribuam para um novo impulso à cooperação e à solidariedade em seus esforços para melhorar a assistência médica aos enfermos, com base nos valores do Evangelho".

Leão XIV disse que as Escrituras apresentam Jesus Cristo como "o Médico Divino" que cura os enfermos de aflições mentais, físicas e espirituais.

O papa encorajou a Cáritas a continuar a missão dentro da Igreja e a proclamar o Reino de Deus por meio da presença entre os enfermos, “demonstrando que a salvação não é uma ideia abstrata, mas começa por meio de ações concretas em favor daqueles que sofrem”.

Leão XIV desejou que a obra da Cáritas “sempre se direcione a levar a compaixão e a bondade de Deus àqueles que mais precisam”.

Caritas Internationalis é uma confederação mundial de 162 organizações católicas, atuando em cerca de 200 países e territórios. Como expressão da missão da Igreja, servem aos pobres, vulneráveis ​​e excluídos.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de quinta-feira: acolher a Palavra de Deus

Comentário ao Evangelho de quinta-feira da XII semana do Tempo Comum. «Mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha». Podemos pedir ao Espírito Santo que nos ajude a rezar, alicerçados no amor que Deus Pai sente por cada um de nós.



 Evangelho (Mt 7, 21-29)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão no dia do Juízo: ‘Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?’. Então lhes direi bem alto: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade’. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína».

Quando Jesus acabou de falar, a multidão estava admirada com a sua doutrina, porque a ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.


Comentário

Jesus aproveita todas as oportunidades para ensinar os seus discípulos. Está desejoso por nos ajudar a entrar em contacto com o seu Pai, que se compraz em nós. Neste discurso, Cristo fala-nos sobre o que dizer na oração, mas sobretudo de como escutar. As suas lições são práticas. Com a ajuda do Espírito Santo, podemos aprendê-las uma e outra vez, sem nunca nos cansarmos de começar e recomeçar na arte da oração. No nosso coração, bate aquela humilde petição dos apóstolos a Jesus: «Senhor, ensina-nos a rezar» (Lc 1, 1).

«Nem todo aquele que Me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no reino dos Céus» (Mt 7, 21). Jesus deixa claro que a oração é o caminho para entrar no Céu, para o viver já aqui na nossa peregrinação até à casa do Pai. Mas onde é que se esconde a fraude da oração feita daquela forma? A resposta pode ser encontrada nas seguintes palavras «Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?» (Mt 7, 22). Quem se dirige a Deus desta forma pode não O ouvir, porque se está a ouvir sobretudo a si próprio. No fundo, começa com “Senhor, Senhor”, mas está ancorado num monólogo autorreferencial. Por isso, como dizia São Josemaria, é necessário «que o nosso clamor – Senhor! – vá unido ao desejo eficaz de converter em realidade essas moções interiores, que o Espírito Santo desperta na nossa alma»[1].

Se quisermos aprender a rezar verdadeiramente, Jesus encoraja-nos a acolher a palavra de Deus, a fazer dela a nossa rocha. Não são as nossas obras que nos sustentam, mas a sua palavra, que nos fala sobretudo do seu amor incondicional. Pôr em prática a palavra de Deus não significa fazer tudo na perfeição, mas acolhê-la como um verdadeiro dom, mesmo quando nos pede coisas difíceis, ou quando não temos forças ou vontade de a escutar. «Prezo mais a lei da tua boca do que milhões em ouro e prata» (Sl 119, 72). Assim, nem a chuva das nossas fraquezas, nem os rios transbordantes das nossas paixões, nem os ventos das dificuldades podem fazer-nos naufragar: «Estou cheio de angústia e tribulação, mas encontro alívio nos teus mandamentos» (Sl 119, 143).

Hoje podemos aprender com os santos que, sem serem canonizados, têm Jesus no centro das suas vidas. São «os mais pequeninos, os doentes que oferecem o seu sofrimento pela Igreja, pelo próximo, (...) os numerosos anciãos que rezam, as mães e pais que levam em frente com dificuldade a família, a educação dos filhos, o trabalho, mas sempre com a esperança em Jesus, (...) os numerosos sacerdotes que não se mostram, mas trabalham com grande amor nas suas paróquias: a catequese às crianças, o cuidado dos idosos e doentes, a preparação dos noivos. Fazem todos os dias a mesma coisa, mas não se aborrecem porque estão fundados na rocha»[2]. Por isso podemos denominá-los como os “santos da vida quotidiana”. O seu testemunho convida-nos a meditar na santidade oculta que existe na Igreja, a dos cristãos não da aparência, mas fundados na rocha, em Jesus[3].


quarta-feira, 24 de junho de 2026

RELIGIÃO

 

10 versículos bíblicos para quando estamos doentes ou sofrendo

Palavras de alívio também podem curar – ainda mais se for a Palavra de Deus!

Jesus é promessa de alívio e cura

“Estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva” (João 7, 37-38)

Exercício da piedade

“Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e da futura” (I Timóteo 4, 8)

“O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!” (Romanos 15, 13)

Coragem: não tenhamos medo!

“Nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa” (Isaías 41, 10)

“Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (João 16, 33)

Atenção e confiança na Palavra de Deus

“Meu filho, ouve as minhas palavras, inclina teu ouvido aos meus discursos. Que eles não se afastem dos teus olhos, conserva-os no íntimo do teu coração, pois são vida para aqueles que os encontram, saúde para todo corpo” (Provérbios 4, 20-22)

Esperança no Deus do Amor

“Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortifique-se o teu coração e espera no Senhor!” (Salmos 26, 13-14)

“Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia! Com efeito, à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (II Coríntios 1, 3-5).

E duas promessas do Senhor

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mateus 11, 28)

“A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tiago 5, 15)