segunda-feira, 10 de agosto de 2026

TESTEMUNHO

 “Eu queria me tornar prostituta.” Irmã Emmanuelle: Uma freira extraordinária com uma vida difícil

Ela era chamada de "Madre Teresa do Cairo" ou "a irmãzinha dos catadores de lixo". Ela carregava no coração o desejo não só de servir aos pobres, mas também de viver com os desamparados, os catadores de lixo e aqueles que haviam sido particularmente atingidos pela vida.

Ela tinha 62 anos quando deixou os muros do convento e se estabeleceu entre os pobres nos arredores do Cairo, um lugar onde a polícia não ousava ir. E lá ela fez a revolução.

"Cristo queria ir para lá...", disse ela anos depois. Nascida em 16 de novembro de 1908, na Bélgica, a Irmã Emmanuelle mostra como confiar em Jesus nos eleva do abismo do pecado à verdadeira santidade.

"...um espinho na carne me foi dado..."

"Eu, Madeleine Cinquin, sou uma pessoa que precisa ser tocada para acreditar. Mas não tenho dúvidas. Para mim, perseguir a vida terrena significava desespero , derrota. Eu tinha certeza de que nunca me livraria do demônio sob a minha pele. É impossível mudar a própria natureza. Mas eu acreditava que Cristo, que conquistaria o mundo, também me conquistaria", escreveu ela em "Confissões de uma Freira ", como a Irmã Emmanuelle, agora com 94 anos, das Irmãs de Nossa Senhora de Sião.

Ela relembrou o dia em 1927 em que decidiu entrar para um convento. Tinha 19 anos e era conhecida por ser uma jovem sedutora, que gostava de maquiagem carregada, roupas discretas, fumava cigarros e saía com qualquer homem que conhecia.

Sua necessidade insaciável de experiências sexuais era tão grande que, às vezes, ela saía à noite para satisfazê-la com um homem qualquer. Ao mesmo tempo — e isso parece absurdo —, desde 1920, desde os doze anos de idade, a Santa Missa tem sido o centro de sua vida, uma fonte de alegria .

Ele frequenta a missa todos os dias e recebe a comunhão diariamente. Após cometer um pecado, corre imediatamente para a confissão para não perder seu estado de graça. Peca com frequência e, na infância, tornou-se viciado em masturbação.

Apesar disso, ela trava uma batalha constante contra sua sensualidade . Ela está perdendo, até parece que está completamente derrotada, mas no fundo sabe que está lutando por sua vida, e é teimosa, então se recusa a perder.

“Vai e não peques mais”

"Eu queria me tornar prostituta", escreveria ela anos mais tarde em suas memórias, que só permitiria serem publicadas após sua morte. "Na idade de vocês, eu era como uma correnteza impetuosa. Um homem só certamente não teria sido suficiente para mim. Eu ansiava por algo mais, algo mais emocionante. Então escolhi Deus!", diria ela aos mendigos de Ezbet El-Nakhl em 1971.

Seu confessor, o padre Ryckmans, torceu as mãos quando ela lhe pediu que intercedesse junto à mãe e lhe solicitasse permissão para ingressar na congregação antes de completar 21 anos. Ele trovejou:

— Você se entrega à prostituição e ainda tem a audácia de me falar sobre a vida monástica?

– É claro que estou falando da vida monástica, e o padre está extinguindo minha vocação.

– No mosteiro você faz votos!

– É exatamente isso que eu quero, me comprometer com votos.

— E a limpeza? Está me ouvindo? Limpeza!

– Ufa! Não há homens no mosteiro, o que você quer que eu faça lá?

— E obediência? Você não ouve ninguém!

"Padre, o senhor não entende nada. É por isso que quero entrar para um mosteiro. Já chega, não me suporto, não consigo me controlar o tempo todo, preciso de regras, preciso de algo que me mantenha firme... Cristo é o único homem que nunca me decepcionará!"

"Quem ama não morre!"

Em 1929, ela ingressou na congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Sião e perseverou no cumprimento de seus votos de castidade, pobreza e obediência até sua morte em 20 de outubro de 2008, ou seja, por 79 anos.

"Despi-me dos trapos coloridos de uma jovem coquete e vesti um vestido preto sem graça e um véu. Eu não era mais escrava do desejo de agradar! Antes, bastava que os homens gostassem de mim. Eu já tinha problemas suficientes por causa disso. De repente, senti-me livre, livre!"

Ao longo de sua vida como freira, ela respondeu ao chamado de seus dois amores – Cristo, seu amigo desde a Primeira Comunhão – e sua missão, servindo aos pobres em terras distantes. Ela respondeu a ambos heroicamente. Foi aonde ninguém mais queria ir . “Imagine um beco tão entupido de lixo que não havia onde pisar, apartamentos em contêineres velhos e com goteiras, porcos pretos, cães vadios, ratos grandes e gordos, enxames de moscas e, bem no meio desse lixão, uma horda de crianças”, escreveu ela sobre o lugar entre os catadores de lixo do Cairo que escolheu como lar.

Graças à sua persistência, inteligência e grande senso de humor, ela conseguiu mobilizar pessoas influentes de todo o mundo para arrecadar fundos e construir uma maternidade, um abrigo para idosos e, mais tarde – com uma ideia ecológica – uma fábrica de compostagem.

"Agradeço a Deus por me ter levado a buscar e descobrir a pobreza. A pobreza é uma abertura para o amor. No silêncio dos meus dias de contemplação, compreendi como se desenrola a luta do amor e da justiça contra as forças da morte. Ela nasce na simplicidade da vida quotidiana, desde que o interesse pessoal não seja o único propósito das nossas vidas, mas que sejamos profundamente tocados pela desgraça alheia", escreveu ela pouco antes de falecer

RELIGIÃO

 Sete dados curiosos sobre são Lourenço, martirizado em uma grelha no século III

Hoje (10) é celebrado são Lourenço, um dos sete diáconos de Roma do papa Sisto II e, certamente, uma dos mais famosos da antiguidade.

A seguir, alguns dados curiosos da vida deste importante santo:

1. É padroeiro dos cozinheiros

São Lourenço de Roma é o santo padroeiro dos cozinheiros. O santo foi condenado a morrer queimado em uma fogueira, especificamente em uma grelha de ferro.

Segundo a tradição, despois de estar queimando um tempo na grelha, disse ao juiz: “Vira-me, que já estou bem assado deste lado”. O carrasco mandou que o virassem e assim se queimou por completo.

2. Uma basílica de Roma é dedicada a ele

A basílica de São Lourenço Extramuros, onde se encontra o túmulo do santo, é uma das cinco basílicas patriarcais ou papais. No interior do templo está uma pedra de mármore onde, segundo a tradição, foi colocado o corpo de são Lourenço imediatamente depois de seu martírio, ficando impressa parte de sua silhueta.

Todos os anos é realizada uma peregrinação no bairro de são Lourenço precedida por uma missa. A romaria é acompanhada por uma relíquia do santo levada em uma pequena custódia.

3. Em Roma é o santo mais importante, depois de Pedro e Paulo

Com uma tranquilidade que ninguém imaginaria, durante seu martírio, rezou pela conversão de Roma e a difusão da religião de Cristo em todo o mundo, até o seu último suspiro.

O professo de teologia sistemática, dom Francesco Moraglia, explica em um artigo que “a cidade, que lhe atribuía a vitória sobre o paganismo, o elegeu como seu terceiro padroeiro e celebra sua festa desde o século IV, como segunda festa em grau de importância depois da dos santos apóstolos Pedro e Paulo”.

Do mesmo modo, foram erguidas em sua honra “34 igrejas e capelas, sinal tangível de gratidão àquele que, fiel ao seu ministério, tinha sido entre eles um verdadeiro ministro e servidor da caridade”.

4. Seu martírio foi prenunciado pelo papa são Sisto II

São Lourenço era um dos diáconos que ajudava o papa Sisto II, o qual foi assassinado pela polícia do imperador enquanto celebrava missa em um cemitério de Roma. A antiga tradição diz que, quando Lourenço viu que iam matar o pontífice, este lhe disse:

“A nós, porque somos velhos, nos foi designado o percurso de um caminho mais fácil; a ti, porque és jovem, corresponde um triunfo mais glorioso sobre o tirano. Logo virá, deixe de chorar: dentro de três dias me seguirás. Entre um bispo e um levita, é conveniente que exista este intervalo” (Santo Ambrósio, De Officiis, n. 206).

5. O papa são Leão Magno lhe dedicou uma bela homilia

No século V, o doutor da Igreja e papa são Leão Magno disse sobre são Lourenço que “as chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que o queimava fora era mais débil do que aquele que ardia dentro dele”.

Acrescentou: “O Senhor quis exaltar a tal ponto o seu glorioso nome em todo o mundo que do Oriente ao Ocidente, no esplendor vivíssimo da luz que irradiou dos maiores diáconos, a mesma glória concedida a Jerusalém por Estêvão também foi dada a Roma por mérito de Lourenço” (Homilia 85, 4: PL 54, 486).6. Um fenômeno astronômico leva o seu nome

“Lágrimas de são Lourenço” é o nome popular com o qual se conhece uma chuva de meteoros (as Perseidas) visíveis todos os anos por volta dos dias 11 e 12 ou 12 e 13 de agosto. O nome começou a ser usado em memória ao diácono martirizado muito tempo depois na Europa medieval.

7. Um time de futebol leva o seu nome

O nome do time de futebol favorito do papa Francisco, o ‘Club Atlético San Lorenzo de Almagro’, é em honra ao diácono mártir, como foi o desejo do salesiano padre Lorenzo Massa, na fundação da equipe.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrado são Lourenço, diácono mártir que morreu queimado na fogueira

“A Igreja Romana convida-nos hoje a celebrar o triunfo glorioso de são Lourenço, que, desprezando as ameaças e as seduções do mundo, venceu a perseguição do demônio”, disse certa vez o bispo Santo Agostinho em um de seus sermões.

São Lourenço era um dos diáconos que ajudavam o papa Sisto II, o qual foi assassinado pela polícia do imperador quando estava celebrando a missa em um cemitério de Roma.

A antiga tradição conta que são Lourenço, ao ver que iam matar o pontífice, disse-lhe: “Meu pai, vais sem levar o teu diácono?”. E o papa respondeu: “Meu filho, em poucos dias me seguirás”.São Lourenço se alegrou muito de saber que iria logo para o céu e, vendo o perigo que se aproximava, recolheu todos os bens que a Igreja tinha em Roma, vendeu-os e distribuiu o dinheiro para os mais necessitados.

O prefeito, que era pagão e apegado ao dinheiro, chamou São Lourenço e mandou que o levasse aos tesouros da Igreja para custear uma guerra que o imperador ia começar. O santo pediu alguns dias de prazo para reuni-los.

O diácono, então, reuniu os pobres, deficientes, mendigos, órfãos, viúvas, idosos, cegos e leprosos que ele ajudava com esmolas. Mandou chamar o prefeito e lhe disse que eles eram o tesouro mais precioso da Igreja de Cristo.

O prefeito, cheio de raiva, mandou matá-lo lentamente. Colocaram o santo em um braseiro ardente. Os fiéis viram o rosto do mártir rodeado de um esplendor muito formoso e sentiram um agradável aroma, enquanto os pagãos não percebiam nada disso.

Depois de estar queimando na grelha por um tempo, o valente mártir disse ao juiz que o virassem do outro lado, para ficar completamente queimado. Quando já se se aproximava a sua hora e com uma tranquilidade impressionante, pediu a Deus pela propagação do cristianismo no mundo e partiu para a Casa do Pai em 10 de agosto de 258.

Conta-se que esse martírio significou o declínio da idolatria romana e que a basílica de São Lourenço, em Roma, é considerada a quinta em importância.

A devoção a este grande santo se espalhou por todo o mundo e muitos povos e cidades levam o seu nome.

Até mesmo o nome da equipe de futebol favorita do papa Francisco, o ‘Club Atlético San Lorenzo de Almagro’, é em honra do diácono mártir, como foi o desejo do salesiano Pe. Lorenzo Massa, na fundação da equipe.

IGREJA

 Hoje é celebrado o Dia dos Diáconos Permanentes

Por ocasião da festa de são Lourenço, diácono e mártir da Igreja, hoje (10) também é celebrado o Dia dos Diáconos Permanentes.

No século III, são Lourenço era um dos sete diáconos de Roma que ajudavam o papa Sisto II, o qual o nomeou administrador dos bens da Igreja e permitiu que distribuíssem esmolas aos pobres e necessitados.

Na história da Igreja, os diáconos sempre ajudavam os sacerdotes a desenvolver seu ministério. Embora o diácono tenha recebido o sacramento da ordem, este não é propriamente um sacerdote e, portanto, não tem suas potestades.O sacramento da ordem tem três graus – episcopado, presbiterato e diaconato – que estão explicados entre os numerais 1554 e 1571 do Catecismo da Igreja Católica (CIC).

O diácono se ordena ao ministério da palavra, da liturgia e da caridade. Sua função principal é a assistência qualificada ao sacerdote nas celebrações e não é simplesmente um “ajudante”.

As outras funções dos diáconos estão explicadas na constituição dogmática Lumen Gentium e nos cânones 757, 835, 910, 943 e 1087 do Direito Canônico.Algumas destas competências são: o batismo, conservar e distribuir a Eucaristia, ser ministros da exposição do Santíssimo e da bênção eucarística, ser ministro ordinário da sagrada comunhão, levar o viático aos doentes terminais, em nome da Igreja assistir e abençoar o matrimônio, ler a Sagrada Escritura aos fiéis, administrar os sacramentais como por exemplo a água benta, a bênção das casas, imagens e objetos, presidir o ritual fúnebre e o sepultamento.

O diaconato considerado em si mesmo como ministério permanente decaiu no ocidente depois do século V, e este primeiro grau do sacramento da ordem foi reduzida a uma simples etapa para chegar ao grau sucessivo, ou seja, ao sacerdócio.Depois do Concílio Vaticano II, foi restabelecido o diaconato “como um grau particular dentro da hierarquia”.

A constituição Lumen Gentium especifica no numeral 29: “Com o consentimento do Romano Pontífice, poderá este diaconado ser conferido a homens de idade madura, mesmo casados, e a jovens idôneos; em relação a estes últimos, porém, permanece em vigor a lei do celibato” (EV, 1/360).

Estes deverão ter uma preparação durante 3 anos para receber as sagradas ordens, conforme está estabelecido no Código de Direito Canônico numeral 236.

O papa Paulo VI, em sua carta apostólica Sacrum diaconatus ordinem de 18 de junho de 1967, assinala que a ordem do diaconato “não deve ser considerada como simples grau para ascender ao sacerdócio, mas recebe tal riqueza pelo seu carácter indelével e pela sua graça particular que aqueles que a ele são chamados podem dedicar-se de modo estável aos ‘mistérios de Cristo e da Igreja’” (EV, 2/1369).

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de 10 de agosto: São Lourenço

Comentário ao Evangelho da Festa de São Lourenço, diácono e mártir. «Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto». Dar a vida por amor: nisto radica a nossa felicidade diária e eterna.


 Evangelho (Jo 12, 24-26)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará».


Comentário

O Papa Sixto II foi decapitado em 258 durante a perseguição de Valeriano. Um dos seus diáconos, Lourenço, foi temporariamente poupado porque estava encarregue dos bens da igreja: foi-lhe dado quatro dias para os trazer. Lourenço distribuiu, então, esses bens aos pobres. Quando o prazo acabou, apresentou-se perante o magistrado acompanhado pelos pobres e doentes. «Estas são as riquezas da Igreja», teria dito. Os pobres e os doentes são um tesouro. Há uma presença misteriosa de Deus nos seus sofrimentos. Estão especialmente associados à cruz de Jesus.

Lourenço foi submetido ao tormento do fogo sobre uma grelha. O cristão não procura o seu próprio martírio: não há necessidade de precipitar acontecimentos; mas é coerente com a sua fé e está pronto a dar a vida por Cristo. O grão de trigo deve morrer para dar fruto (cf. Jo 12, 24). Quando Santo Agostinho recorda o martírio de São Lourenço, compara a Igreja a um jardim do Senhor, com as rosas dos mártires; mas neste jardim há todo o tipo de flores, acrescenta[1]. Cabe a cada um de nós saber como dar a vida como Deus nos pede: isto é, amar. Muitas vezes, será de uma forma discreta e escondida, no desempenho diário de um trabalho bem feito, na atenção à família, na fidelidade aos amigos, na proximidade aos pobres e aos doentes. Seria imprudente apressar a chegada de um martírio sangrento, quando é possível transformar o mundo a partir de dentro com uma vida ancorada em Deus e dedicada ao serviço dos outros.

O testemunho de São Lourenço não é desprovido de sentido de humor. «Deus ama o que dá com alegria» (2Cor 9, 7). O sentido de humor mostra humildade e uma certa distância de um mundo que passa, mas que gostamos de amar e reconduzir a Deus[2]. Através do seu trabalho diário tornado sagrado, a pessoa batizada une a criação à redenção. Ao aproximar-se a solenidade de 15 de agosto, que a Virgem Maria, Mãe da esperança, nos ajude a realizar esta tarefa com bom humor, com um coração firme e confiante (cf. Sl 112, 7-8).


domingo, 9 de agosto de 2026

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrada santa Teresa Benedita da Cruz, judia convertida e vítima dos nazistas

Santa Teresa Benedita da Cruz nasceu em Breslau (1891), cidade que pertenceu à Alemanha e que, em seguida, passou para a Polônia. Recebeu o nome de Edith Stein. Na adolescência, deixou a religião judaica, porque não encontrava nela sentido à sua vida.

Mais adiante, chegou a ser uma brilhante estudante de fenomenologia na Universidade de Gottiengen, onde conheceu o pensamento dos filósofos Husserl e Martin Heidegger (dois dos mais importantes do século XX). Finalmente, Edith recebeu o diploma de Filosofia da Universidade de Freiburg.

Por seu alto sentido de solidariedade, alistou-se à Cruz Vermelha como enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial, destacando-se por sua amabilidade, serviço e autocontrole.

Em 1921, Edith decidiu acompanhar uma amiga que tinha se tornado viúva e ficou impactada ao encontrá-la com uma grande paz e fé em Deus. Foi assim que desejou conhecer a fonte dessas graças e começou a ler, na casa da viúva, a biografia de santa Teresa de Jesus.

Entrou em um estado de crise profunda e em um momento de purificação até que, meses depois, decidiu ser batizada. Buscou a ajuda de um sacerdote e recebeu o sacramento em 1922. Ao ser católica, sentiu-se mais judia, porque encontrou em Jesus Cristo o sentido de toda a sua fé e vida.

Aos poucos, foi brotando nela a inquietude vocacional, enquanto era acompanhada por seu diretor espiritual. Começou a trabalhar como professora na escola de formação de professores das dominicanas de santa Madalena, ministrou palestras, traduziu livros, destacou-se profissionalmente e, às vezes, retirava-se para encontrar a paz na abadia beneditina de Beuron.

A situação política na Alemanha começou a piorar, mas Edith não desanimou e entrou para o Carmelo, o que havia sido seu sonho por muitos anos, deixando a fama. Em 15 de abril de 1934, tomou o hábito carmelita e mudou seu nome para Teresa Benedita da Cruz.A situação para os judeus se agravou e Edith pediu para ser transferida para evitar o perigo para as religiosas do lugar. Foi enviada para uma comunidade na Holanda, junto com sua irmã Rosa, que também tinha se convertido ao cristianismo e servia como uma irmã leiga.

Quando aconteceram as deportações dos judeus, os luteranos, calvinistas e católicos concordam em ler em conjunto um texto de protesto durante os serviços religiosos. Os nazistas também ameaçavam deportar os judeus convertidos ao catolicismo.

As forças de ocupação nazistas declararam todos os católicos-judeus como “apátrida”. Um corpo militar nazista entrou no convento carmelita e levou Teresa e Rosa. Ao sair, a santa segurou a mão de sua irmã e disse: “Venha, vamos, por nosso povo”.

Foram levadas ao campo de concentração de Westerbork e os prisioneiros ficaram admirados com o testemunho de paz de Santa Teresa, que se preocupava por ajudar e consolar os demais, mesmo nas duras condições de humilhações e tormentos que viviam.

Foram enviadas para Auschwitz, com milhares de judeus, e chegaram ao campo de concentração em 9 de agosto de 1942. Imediatamente, os prisioneiros foram conduzidos para a câmara de gás e Santa Teresa partiu para a Casa do Pai, oferecendo sua vida pela salvação das almas, a libertação do seu povo e a conversão da Alemanha.

Santa Teresa Benedita da Cruz foi canonizada por são João Paulo II em 1998, que lhe deu o título de “mártir do amor” e, em outubro de 1999, foi declarado copadroeira da Europa.

IGREJA

 Dia dos Pais: Seis pais de família católicos que alcançaram a santidade

Na Igreja Católica, houve homens que, em diferentes épocas, deram testemunho de uma verdadeira e santa paternidade. Por ocasião do Dia dos Pais, apresentamos alguns pais de família que alcançaram a santidade:

1. São José

Deus encomendou a são José uma grande responsabilidade e privilégio: ser o pai adotivo de Jesus Cristo e casto esposo da Virgem Maria.

São José era carpinteiro e descendente do rei Davi. Quando foi a Belém com Maria para se registrar no censo, ela deu à luz Jesus em um estábulo e, em seguida, tiveram que fugir para o Egito para evitar que o Menino fosse assassinado por ordem do rei Herodes.

São José educou Cristo e lhe ensinou o ofício de carpinteiro. É conhecido como “Padroeiro da Boa Morte”, porque, segundo a tradição, morreu acompanhado e consolado por Jesus e Maria.

Em um discurso, o papa Francisco destacou que são José soube descansar em Deus na oração, levantar-se com Jesus e Maria e ser uma voz profética em meio ao mundo.

2. São Luís Martin

São Luís Martin foi esposo de santa Zélia Guérin e pai de cinco filhas, entre as quais se destacam santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja, e Leônia, cuja causa de beatificação foi aberta em 2015.

Quando era jovem, Luís quis ser religioso da Congregação Hospitaleira do Grande São Bernardo, mas não foi admitido porque não sabia latim. Aprendeu o ofício de relojoeiro e se estabeleceu em Alençon (França), onde conheceu sua futura esposa.

Luís e Zélia se casaram em 12 de julho de 1858 e tiveram nove filhos, dos quais cinco mulheres sobreviveram. O casal tinha uma intensa vida espiritual e formou as meninas para que fossem boas católicas e cidadãs respeitáveis.

Zélia morreu de câncer em 1877. Luís cuidou de suas filhas e se mudaram para Lisieux. Com o passar dos anos, todas abraçaram a vida religiosa. O santo padecia de uma doença que foi o consumindo até que perdeu suas faculdades mentais. Morreu em 1894.

Em outubro de 2015, Luís e sua esposa Zélia foram o primeiro casal a ser canonizados juntos. Sua festa é celebrada em 12 de julho, dia de seu aniversário de casamento.

3. São Tomás More

São Tomás More nasceu em Londres em 1477 e, em 1505, casou-se com Jane Colt, com que teve um filho e três filhas. Entretanto, sua esposa morreu e ele contraiu um novo matrimônio com Alice Middleton.

São João Paulo II indicou que More foi “um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos”.

Sua excelente carreira como advogado o levou ao parlamento inglês e, anos mais tarde, chegou a ocupar postos importantes do governo, depois que seu livro “Utopia” chamou a atenção do rei Henrique VIII.

Foi preso por se opor aos desejos do monarca de repudiar sua esposa para se casar com outra mulher e separa-se da Igreja Católica para formar a Igreja Anglicana.

Sua filha Margarida o visitava na prisão frequentemente e rezavam juntos. Por se manter forme em suas convicções, foi declarado traidor e decapitado em 6 de julho de 1535.

4. Santo Isidro Lavrador

Desde pequeno, Santo Isidro trabalhou lavrando, cultivando e na colheita em campos na Espanha.

Casou-se com uma camponesa que também se tornou santa: Maria da Cabeça. Ambos tiveram um filho que, segundo a tradição, caiu em um poço com uma cesta. Rezaram com fervor e, então, as águas começaram a subir até que o pequeno apareceu ileso.

Aos domingos à tarde, costumavam passear com sua família pelos campos. Depois de ter criado seu filho, santo Isidro e santa Maria da Cabeça decidiram se separar para ter uma vida entregue totalmente a Deus. Ele ficou em Madri e ela partiu para uma ermida.

Santo Isidro passou o resto de sua vida lavrando os campos e rezando. Morreu em 30 de novembro de 1172.

5. São Luís da França

Luís IX nasceu em 1214 e foi coroado rei dos franceses aos doze anos, sob a regência de sua mãe, que costumava lhe dizer: “Filho, prefiro te ver morto a ver-te em desgraça de Deus pelo pecado mortal”.

Em 1234, foi declarado maior de idade e assumiu suas funções de monarca. Casou-se com a virtuosa Margarida de Provença, que lhe ajudaria a alcançar a santidade. Ambos tiveram 11 filhos.

O rei se distinguiu por sua bondade, justiça, caridade e piedade. Educou seus filhos assim como sua mãe fez com ele.

Participou das cruzadas para recuperar os lugares santos e frear as invasões muçulmanas. Na segunda cruzada, ficou doente de disenteria perto de Cartago (norte da África). Morreu em agosto de 1270.

Deixou um “testamento espiritual” ao filho que o sucederia, o futuro Felipe III, no qual deu instruções para ser um governante sábio, justo e santo.

6. Santo Estêvão da Hungria

Santo Estêvão foi rei da Hungria, esposo da beata Gisela da Baviera e pai de santo Américo.

Teve um grande carinho pela Igreja e procurava ser um exemplo de piedade para seus súditos. Costumava se disfarçar para sair à noite para ajudar quem precisava.

Educou eu filho com esmero e lhe deixou escritos vários conselhos sobre as virtudes que um monarca deve cultivar.

Juntos, defenderam o reino do ataque de Conrado II, imperador do Sacro Império Romano Germânico. Entretanto, o jovem faleceu durante uma caça. Ao receber a notícia, Estêvão exclamou: “O Senhor o deu a mim, o Senhor o tirou de mim. Bendito seja Deus”.

O rei nomeou como sucessor seu sobrinho Pedro Orseolo. O santo morreu em 15 de agosto de 1038, dia da solenidade da Assunção da Virgem Maria, de quem foi grande devoto.