terça-feira, 20 de outubro de 2026

IGREJA

 

O outro padroeiro do Brasil: São Pedro de Alcântara

Muitos brasileiros não sabem, mas o Brasil tem outro padroeiro oficial além de Nossa Senhora Aparecida - e ele também é celebrado liturgicamente em outubro: o dia 19 marca a memória litúrgica de São Pedro de Alcântara, um frade franciscano nascido espanhol e cuja vida se caracterizou pela penitência e pelas mortificações.

Seu sobrenome vem da cidade onde nasceu em 1499, Alcântara. Cultivador da oração desde pequeno, Pedro descobriu a vocação quando estudava na Universidade de Salamanca. Embora o pai desejasse que ele seguisse carreira na área de Direito, o jovem decidiu entrar na ordem dos franciscanos.

Pedro recebeu a ordenação sacerdotal e era reconhecido como exemplo de vida de oração, desapego material e firme domínio de si, já que exercitava com disciplina o jejum e as mortificações, além de usar um hábito surrado e dormir poucas horas por noite. Foi superior em vários conventos, sempre testemunhando estrita conformidade com as regras da comunidade. Suas orações incentivaram muitos à conversão.

Para que os religiosos se aprofundassem cada vez mais na oração e na disciplina, São Pedro de Alcântara fundou o ramo franciscano de "estrita observância", também chamados de "alcantarinos". Teve amigos como os santos Francisco de Borja e Teresa de Ávila, de quem, aliás, foi diretor espiritual e apoiador nas reformas da ordem carmelita.

São Pedro de Alcântara morreu em 1562, aos 63 anos, ajoelhado, pronunciando as palavras do Salmo 121:

"Que alegria quando me disseram: Vamos subir à casa do Senhor".

Santa Teresa De Ávila declarou ter recebido uma visão de São Pedro de Alcântara após a sua morte, ocasião em que o santo lhe teria dito:

"Felizes sofrimentos e penitência na terra, que me valeram tão grandes recompensas no céu".

São Pedro de Alcântara, o "outro" padroeiro do Brasil

Mas se ele nunca sequer chegou perto do Brasil presencialmente, como foi que São Pedro de Alcântara veio a se tornar padroeiro do país?

Notável pregador, o frade havia sido também o confessor do rei de Portugal dom João III, vindo a se tornar, depois, o santo de devoção da Família Real. É por isso, inclusive, que o nome de Pedro de Alcântara foi escolhido para batizar os dois futuros imperadores do Brasil: dom Pedro I e dom Pedro II.

E foi dom Pedro I quem solicitou ao Papa Leão XII que São Pedro de Alcântara fosse proclamado Padroeiro do Brasil, o que aconteceu em 1826.

Mesmo com a proclamação de Nossa Senhora Aparecida como a padroeira nacional, São Pedro de Alcântara também continua sendo honrado como especial patrono da nossa terra junto a Deus.

IGREJA

 

Inimigos de Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora Aparecida é venerada pelos católicos e respeitada por diversos grupos evangélicos que compreendem que Ela é a Mãe de Jesus e aceitam a fé dos católicos. Mas, para alguns grupos, a figura de Nossa Senhora Aparecida, que aparece em adesivo de carro e pintura em muro, é uma inimiga.

A história do Brasil foi forjada entre altares, lágrimas e a devoção inabalável de um povo que encontrou na fé um refúgio contra todas as adversidades. No centro dessa identidade coletiva, ergue-se a imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul em 1717 por três humildes pescadores. O que começou na sala de uma família transformou-se no maior símbolo mariano do Brasil, oficializado como Padroeira do Brasil em 1930 pelo Papa Pio XI e transformado em feriado nacional em 1980. Contudo, grupos procuram desestabilizar, desqualificar e, em última instância, destronar a rainha da nação.

Ofensas repetidas

Em algumas cidades do interior, ao invés de estátuas do padroeiro ou de Nossa Senhora nos trevos rodoviários, algumas prefeituras colocam os dizeres que indicam que a cidade é do Senhor Jesus. A iniciativa que visa utilizar um elemento religioso evangélico em substituição de elementos culturais católicos mostra que há grupos evangélicos que querem deixar sua marca. Isso não é uma ofensa, é só uma situação do sociedade. Mas existem ofensas reiteradas a Nossa Senhora Aparecida.

Para compreender a gênese dessa visão conflituosa é preciso partir do ataque ocorrido em outubro de 1995. Durante um programa de televisão ao vivo, um líder evangélico desferiu chutes contra uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, chamando-a de "boneco feio, horrível e desgraçado". Anos mais tarde, em 1998, o episódio inspirou até mesmo uma música gravada por lideranças ligadas à mesma denominação religiosa, celebrando o ato de hostilidade.

Mas o ápice da articulação teológica e política contra a padroeira deu um salto qualitativo nos anos 2000 quando foram publicados livros que associam Nossa Senhora Aparecida divindades pagãs e afirmando que Ela seria "o braço direito de Satanás". Algo que ocorre com trágica frequência é a associação de elementos religiosos a tragédias. Em 2010 quando houve o terremoto no Haiti não foram poucos pregadores que afirmaram que o país estava sofrendo um castigo devido sua religiosidade de matriz africana; Assim também, há quem junte a figura da padroeira aos flagelos sociais do país, culpando-a por períodos de recessão, seca no Nordeste e criminalidade. logo, uma maneira de aplacar a ira de Deus seria destronar Nossa Senhora Aparecida, segundo essa mentalidade.

Ameaças à padroeira

A "destronização" começou com uma mobilização política para tirar o feriado nacional de 12 de outubro. O que começou como panfletagem teológica não demorou a encontrar eco nos corredores do poder legislativo federal. Em dezembro de 2007, um deputado do estado de Mato Grosso apresentou formalmente na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei com o objetivo explícito de revogar o título de Padroeira do Brasil conferido a Nossa Senhora Aparecida.

Embora a iniciativa tenha enfrentado forte resistência institucional, sendo rejeitada e arquivada pela Comissão de Educação e Cultura em agosto de 2008, o episódio escancarou a porosidade das instituições republicanas diante de agendas de exclusão religiosa.

Nesse contexto, ataques a diversas estátuas de Nossa Senhora Aparecida em rodovias aconteceram no Brasil; também templos de religião de matriz africana sofrem ataques constantes como se estivessem envolvidos em uma guerra religiosa. Atualmente o debate se aqueceu, pois, campanhas políticas prometem que estados e o país podem ser "do Senhor Jesus", em uma mensagem de que a prevalência de grupos evangélicos ocupam os lugares de poder e decisão desconsiderando outras manifestações religiosas.

A tentativa de desestabilizar o símbolo máximo da fé mariana no Brasil não é um mero debate teológico inofensivo; trata-se de um projeto de poder que enxerga na pluralidade e na diversidade cultural da pátria um obstáculo a ser vencido. Aparecida incomoda porque sua imagem unifica um país plural, onde o evangélico respeita o feriado, o católico faz procissão e a família brasileira encontra refúgio independentemente de credos. Destronar a rainha, na visão de seus artífices, significava abrir caminho para a imposição de um único modelo moral e político sobre a nação. Uma investida que continua a exigir vigilância intransigente em defesa da liberdade e do respeito mútuo.

IGREJA

 

Papa Leão XIV retoma audiências gerais nesta quarta-feira

O papa Leão XIV retomará suas audiências gerais de quarta-feira no Vaticano esta semana; mas ele não viajará para Castel Gandolfo hoje (29), onde costuma ficar de segunda-feira à tarde até terça-feira.

O papa voltou ao Vaticano no último sábado (17), quatro dias depois de se submeter a uma cirurgia para remover um nódulo cancerígeno no pulmão.

No mesmo dia, o médico Stefano Margaritora, que operou Leão XIV em 13 de outubro no Hospital Agostino Gemelli em Roma deu sinal verde para que o papa faça sua viagem apostólica à América do Sul no mês que vem.

Ontem (18), Leão XIV retomou a recitação da oração do Ângelus dominical na janela do Palácio Apostólico, no Vaticano.

“Superada esta fase delicada, como sabeis, agora retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e das vossas orações”, disse o papa no Ângelus.

Louis Prevost, um dos irmãos do papa, expressou ontem sua surpresa com a autorização dada por Margaritora à viagem do papa.

"Pensei que talvez eles fossem adiar", disse Prevost à rede de notícias americana Fox News.Prevost, que está recebendo tratamento para mieloma múltiplo — um tipo de câncer — também expressou surpresa com o diagnóstico de câncer de pulmão de Leão XIV, uma doença que nunca havia aparecido na família antes.

“Ele foi o primeiro a sofrer de câncer de pulmão; surgiu de modo completamente inesperado. Que eu saiba, ninguém mais em nossa família teve isso”, disse Prevost.

Louis Prevost disse também contou que conversava com o irmão todos os dias no período em que Leão XIV esteve internado.

“Toda vez que eu falava com ele ou mandava uma mensagem [na internação], ele respondia”, disse Prevost. “Eu sei que, tirando o período da cirurgia e sua breve e rápida recuperação, ele estava inacessível. Mas desde então, quase sempre que tento contatá-lo, ele está lá”, disse Louis.

“Quando conversamos ao telefone ou por chat, a gente brinca um com o outro”, disse Louis Prevost. “A gente conta piadas; algumas delas são um pouco além da conta”.

LITURGIA DIÁRIA

3ª feira da 29ª semana do tempo Comum: Os amigos íntimos de Jesus

Evangelho da 3ª feira da 29ª semana do Tempo Comum e comentário ao evangelho.


 Evangelho (Lc 12, 35-38)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar da festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.

Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!


Comentário

O evangelho de hoje recolhe a primeira das parábolas nas que o Senhor exorta à vigilância. Está inspirada na atenção dos criados que esperam o seu amo que volta da festa de casamento. Estar cingidos indica que eles estão com suas roupas levantadas e ajustadas para servi-lo. As lâmpadas acesas aludem ao cortejo nupcial que chega à noite.

Com esta parábola, Jesus Cristo nos ensina qual deve ser a atitude fundamental do cristão: estar vigilante.

Essa atitude é própria da alma sacerdotal de todo cristão: alimentar espiritualmente o povo de Deus, manter o mundo aberto para Deus. Todo cristão é um guardião que vela pelos seus irmãos, vigiando, rezando, cuidando.

Da mesma forma que Jesus Cristo esteve no Horto das Oliveiras vigiando, Ele pede a cada cristão que esteja atento e cuide das necessidades dos outros, que não se deixe levar pela sonolência ou pelo descuido.

Quando o cristão vive assim, acontece o que Jesus continua contando na parábola: o esposo se cinge como um servo, senta-o à sua mesa e põe-se a servi-lo. E então se produz a grande transformação: o criado se converte em amigo íntimo.

É este o grande desejo de Jesus, chegar a uma comunhão de vida com cada cristão.

A relação que Deus quer ter conosco não é uma relação de súditos devotos com o rei, ou de servos fiéis com o seu amo. Ele quer ter uma relação de intimidade amorosa conosco: é Ele quem nos deseja, nos procura, nos convida à sua festa e nos serve.

Pobres, simples, sem méritos ou talentos, somos os amados, os prediletos de Deus.

E para entrar nessa festa, o cristão deve assumir o que Cristo leva em seu coração: todas e cada uma das pessoas deste mundo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

IGREJA

 

Jesus, o Grande Convencedor, entendia de marketing


Visto de uma forma, Jesus era radical e exigente — ordenando que as pessoas mudassem a si mesmas e expondo as consequências terríveis para aqueles que não o fizessem. Ele não mediu palavras nem pegou leve, mas não o pensamos como um capataz severo e rigoroso, porque ele conhecia a arte da persuasão.

De muitas maneiras, Jesus era a antítese do marketing moderno

O livro dos anos 1980 Positioning: The Battle for Your Mind (Posicionamento: A Batalha por Sua Mente) é ensinado em escolas de negócios até hoje. Seus autores escreveram: "A publicidade não é um debate. É uma sedução", e disseram: "A abordagem básica do posicionamento não é criar algo novo e diferente, mas manipular o que já está lá na mente, reatar as conexões que já existem".

Isso deu origem a uma geração de profissionais de marketing que compartilham a sensação de um produto em vez da sua substância.

À primeira vista, a abordagem de Jesus parece ser exatamente o oposto da deles. Ele surgiu pregando: "Arrependei-vos e credes no Evangelho", e deu aos seus apóstolos a mesma mensagem nada sedutora, acrescentando um posicionamento terrível: "Eu vos envio como ovelhas entre lobos".

De fato, quando Jesus diz: "Seja o vosso 'Sim', sim, e o vosso 'Não', não. O que passar disso vem do maligno", ele parece desaprovar o marketing moderno por completo.

Mas, se você observar a técnica de Cristo um pouco mais de perto, o panorama começa a mudar. Jesus foi o mestre da persuasão criativa. Ele propôs uma mudança radical à mulher no poço, confrontando-a com seus pecados — mas usou uma "mensagem positiva" sobre conseguir uma bebida no calor do dia.

E embora seu chamado à ação fosse "Arrependei-vos!", ele posicionou o arrependimento como ser resgatado como uma ovelha perdida, recuperado como uma moeda perdida ou festejar como um filho que retorna. Ele vendeu seu "produto", o Evangelho, usando categorias preexistentes nas mentes de seu público — encontrar um tesouro enterrado, obter uma pérola de grande valor ou fazer uma pesca lucrativa.

Ele até fez apelos ao ridículo, como os antigos comerciais da Apple contra o PC: se você não ora, é uma virgem tosca e não sábia, e se ora do jeito errado, é um fariseu pomposo em comparação com um publicano arrependido.

O marketing depende de imagens vívidas, e Jesus também

Sabemos quem era João Batista porque Jesus nos ajudou a imaginar o que ele não é: "uma cana agitada pelo vento". Conhecemos nossa estreita relação com Jesus, porque pudemos visualizá-la quando Jesus disse: "Eu sou a videira e vós sois os ramos". E podemos ver sua generosidade, compartilhando uma "boa medida, calcada, sacudida e transbordante, derramada no vosso colo".

Ele encontrou muitas imagens memoráveis para nos ensinar a fazer a sua vontade em vez de apenas alegar que o amamos: uma casa construída sobre a rocha, não sobre a areia; uma planta que produz frutos, e não espinhos; um servo que espera acordado pelo patrão; e um filho que faz mais do que apenas prometer ajudar.

Jesus até usou imagens cômicas para garantir que aprendêssemos suas lições.

Podemos esquecer que Jesus era engraçado. Por exemplo, ele descreveu a trave em nossos próprios olhos quando tentamos tirar o cisco do olho do nosso irmão, e contou histórias exageradas com cenários absurdos, como o Administrador Desonesto e o Servo Incompassivo.

Os camelos são criaturinhas objetivamente hilárias, com seus rostos estranhos e corcundas, e Jesus os empregou com efeito humorístico, convidando-nos a imaginá-los tentando passar pelo fundo de uma agulha, ou sendo engolidos em nossa sopa depois de coarmos os mosquitos.

Por fim, os bordões de Cristo são tão memoráveis que até os não cristãos os memorizaram. Jesus diz "Buscai e achareis" para nos manter curiosos, e "Não julgueis para não serdes julgados" para nos manter amorosos. Ele disse "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" para se descrever; e "Eu sou a luz do mundo" para se recomendar.

Há tantos exemplos: "Fazei aos outros o que quereis que vos façam"; "Amai o vosso próximo como a vós mesmos", "Oferecei a outra face", "Caminhai a milha extra", e "Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir".

Jesus foi verdadeiramente o grande convencedor.

Mas a diferença entre Jesus e os profissionais de marketing modernos é que as palavras dele não nos manipulam para querermos algo que esteja abaixo de nós.

Em vez disso, elas nos ajudam suavemente a nos elevarmos à plena visão da nossa verdadeira grandeza.

IGREJA

 

O cirurgião que operou Leão XIV: 

“Um paciente ideal”

Dr. Stefano Margaritora, Professor de Cirurgia Torácica da Universidade Católica do Sagrado Coração, realizou a operação no Papa Leão XIV em 13 de outubro. Em uma entrevista ao Vatican News, ele descreveu um procedimento que era medicamente rotineiro — e pessoalmente diferente de tudo o que ele havia experimentado antes: “Um sentimento profundo que não consigo descrever”, disse ele sobre operar no Papa.

Encontrado por acaso

O adenocarcinoma pulmonar não foi descoberto através dos sintomas — Leão XIV não tinha nenhum. Apareceu por acaso durante a imagem abdominal de rotina: como os pulmões inferiores aparecem no topo das varreduras abdominais, um pequeno ponto na base do pulmão direito tornou-se visível. O câncer de pulmão em estágio inicial raramente se anuncia, e é precisamente por isso que Margaritora usou a ocasião para enfatizar a importância de exames regulares e exames de câncer de pulmão para aqueles em risco.

Devido ao tamanho do tumor, todo o lobo inferior do pulmão direito foi removido. O procedimento não teve complicações.

“Ele entrou na sala de cirurgia sorrindo e relaxado”

Antes que a anestesia fosse administrada, Margaritora disse ao Papa que sua equipe era “nossa equipe dos sonhos”. Leão XIV recebeu a observação com a mesma compostura que ele carregou durante toda a sua internação. “Ele entrou na sala de cirurgia sorrindo e relaxado”, lembrou o cirurgião.

A recuperação confirmou a impressão. No segundo dia após a cirurgia, a equipe de enfermagem encontrou o Papa arrumando as cadeiras em sua capela do hospital. Margaritora o descreveu como “um paciente ideal”: calmo, raramente reclamando, diligente com fisioterapia e dieta. Na alta, os exames de sangue estavam normais e a função cardíaca era sólida. A reexpansão pulmonar está seguindo o cronograma esperado.

Margaritora reconheceu que a operação o colocou em uma posição incomum. Medicamente, o procedimento foi simples. Emocionalmente, não foi: até onde ele sabia, esta foi a primeira vez na história moderna que um papa reinante foi submetido a uma cirurgia para um tumor maligno - uma distinção que fica ao lado da própria transparência de Leão XIV sobre seu diagnóstico, que ele anunciou publicamente no Angelus em 11 de outubro.

A viagem para a América Latina ainda está em pras

A recuperação física completa desse tipo de cirurgia normalmente leva cerca de duas semanas. Margaritora esperava que o Papa estivesse lá dentro de 10 dias da entrevista. Sobre a questão da viagem apostólica planejada de Leão XIV ao Uruguai, Argentina e Peru, agendada para 6 a 17 de novembro, o cirurgião foi direto: ele não vê razão clínica para que a viagem de longa distância não deva prosseguir.

Margaritora fechou agradecendo a toda a equipe do Gemelli — enfermeiros, anestesiologistas, técnicos de radiologia e laboratório, fisioterapeutas e liderança hospitalar — cujo trabalho, disse ele, tornou o resultado possível.

SANTO DO DIA

 

Hoje é a festa de são Paulo da Cruz, fundador dos Padres e Irmãs Passionistas

fundador dos Padres e Irmãs Passionistas (Congregação da Paixão), que convida a agir “de forma que todos vejam que leva, não só no interior, mas também no exterior, a imagem de Cristo crucificado, modelo de toda doçura e mansidão”.

São Paulo da Cruz, cujo nome de batismo era Paulo Francisco Danei Massari, nasceu em Ovada, Itália, em 1694. Recebeu de seus pais uma cuidadosa educação na fé. Enquanto sua mãe despertava nele a piedade cordial à cruz de Cristo, seu pai lia com frequência para ele a vida dos santos, para que Paulo sempre se sentisse animado a ser uma pessoa melhor.

Quando Paulo tinha cerca de 19 anos, ouviu na missa que o padre pregava sobre a penitência e a oração. Essa homilia o tocou profundamente e mudou sua vida de muitas maneiras; foi o impulso espiritual que finalmente o encorajou a se consagrar a Deus. Cheio de fervor, Paulo começou a usar todos os meios à sua disposição para viver santamente. Aqueles dias foram de intensa oração e serena alegria. Deus estava preparando seu coração para grandes coisas, que deveriam ser feitas com espírito de renúncia e humildade.Um sonho, uma missão a cumprir

De repente, uma noite Paulo teve um sonho no qual a Virgem Maria apareceu a ele e lhe mostrou um hábito com o emblema de uma nova comunidade religiosa que deveria viver sob o modelo de Jesus Cristo crucificado. São Paulo contou sobre esse sonho a seu bispo, dom Gattinara, que lhe propôs fazer o que a Virgem lhe pediu: ordenou que usasse um hábito igual ao do sonho, todo preto; o qual seria o “hábito da Paixão”. Com isso, Paulo da Cruz foi revestido em 22 de novembro de 1720. Mais tarde, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, faria seus votos e uma promessa: promover a memória da Paixão de Cristo.Junto com seu irmão João Batista, eles assumiram a missão de estabelecer a nova comunidade religiosa. Ambos já se dedicavam a servir os mais pobres e necessitados. Especialmente em sua obra, eles deram atenção especial aos doentes. Os “Passionistas” - como passaram a ser chamados - pediam esmolas para ajudar aqueles que, com a sua dor, se uniram ao Cristo sofredor. Quando a nova família espiritual começou a tomar forma, Paulo solicitou uma audiência com o papa Bento XIV, que aprovaria os estatutos da nova "Congregação da Paixão". Os seus membros se consagrariam à vida de oração, concentrando-se na meditação da Paixão, e ao anúncio do mistério do sacrifício de Cristo pela humanidade. Logo depois, em 1727, Paulo e seu irmão foram ordenados sacerdotes.

O papa Clemente XIV convocou São Paulo da Cruz para ser seu conselheiro pessoal e, em sinal de patrocínio à Ordem da Paixão, deu-lhe o convento e a basílica dos santos João e Paulo, que se tornaria a casa-mãe dos Passionistas. A ordem a conserva até hoje. Nesse lugar, Paulo da Cruz passou seus últimos dias, até que, em 1775, aos 80 anos, Deus o chamou à sua presença.

Os passionistas deram muitos frutos de santidade ao longo de sua história, entre os quais São Vicente Maria Strambi, São Gabriel das Dores e Santa Gema Galgani.Um santo para um mundo sem amor

Em 29 de setembro de 2006, o papa emérito Bento XVI enviou uma mensagem aos irmãos Passionistas por ocasião do Capítulo Geral de sua Ordem, realizado em Roma. Aqui estão algumas de suas palavras sobre seu fundador: “Paulo da Cruz considerava a Paixão de Jesus como a maior manifestação do amor de Deus, capaz de converter os corações muito mais do que qualquer outro argumento. Com efeito, somente à luz da Cruz é possível aproximar-se do mistério do Amor divino”.