sexta-feira, 16 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Encontre o sorriso radiante de Nosso Senhor Jesus em sua vida

Mesmo se você se esquecer de fazer outras orações, não se esqueça do seu exame de consciência, mas certifique-se de que o está fazendo assimEm uma recente homilia em sua paróquia em Irvine, Califórnia, o Pe. Joe Horn deu alguns bons conselhos.

“Por favor, façam um exame de consciência diário. Não entrando no local escuro de seus pecados e pensando em como você é horrível, mas sim saindo para a gloriosa luz do Filho de Deus e pensando sobre quão maravilhoso Ele é. Assim, você poderá ver suas sombras espirituais com mais clareza.”

Nossos pecados são os momentos de nossa vida em que bloqueamos as bênçãos de Deus; os pecados são as sombras espirituais que projetamos.

O conselho do padre: “Pense sobre os vários eventos do dia, veja em sua mente todas as muitas maneiras como o sorriso radiante de Nosso Senhor Jesus estava iluminando esses eventos, e depois disso faça a si mesmo duas perguntas: 1. Quando Deus e eu agimos juntos para que eu fosse um caminho da luz de Deus para o mundo? e 2. Quando eu bloqueei Sua luz?”

Deus é a base de todo ser

O que o padre Horn diz é tão verdadeiro e importante que o professamos no Credo todos os domingos.

“Eu creio em um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus”, proclamamos na missa, e então adicionamos algo significativo: “por meio dele foram feitas todas as coisas”.

Pense sobre isso. Deus é a base de todo ser, e Jesus Cristo é “Deus de Deus, Luz da Luz”, de quem todas as coisas foram feitas. Isso significa que cada coisa que vemos, tocamos, saboreamos, sentimos e experimentamos foi feita por meio de Jesus Cristo.

Cada coisa linda que você vê foi feita por Aquele que é a Beleza Perfeita. Cada coisa verdadeira participa de sua verdade, cada bondade participa de seu amor, cada ato positivo está em sua justiça e cada perdão está em sua misericórdia. Cada dor e tristeza que você experimenta podem ser unidas a Cristo crucificado e seu convite para tomar a sua cruz e segui-Lo.”

Viver na presença da graça de Cristo

Também significa que você vive o dia todo na presença da graça de Cristo – não apenas os momentos em que está na igreja ou rezando.

É por isso que o padre Michael Gaitley enfatizou a importância dessa abordagem no exame de consciência.

“Para Santo Inácio de Loyola, o exame de consciência é um dos exercícios espirituais mais poderosos que uma pessoa pode fazer fora dos sacramentos. Inácio disse que você pode até perder sua meditação alguns dias. Você pode até sentir falta do seu rosário. Você pode até perder sua leitura espiritual. Mas há uma coisa que ele quer que você nunca perca: o seu exame de consciência.”

Comece seu exame de consciência agradecendo a Deus pelas bênçãos do dia

Durante anos, minha família instituiu uma regra durante nossa oração noturna: você não podia pedir nada a Deus a menos que primeiro agradecesse a Ele por algo.

Isso ensinou-nos como é fácil esquecer o quanto devemos ser gratos.

Em primeiro lugar, agradecemos a Deus pelas coisas pelas quais não temos que rezar. Nosso telhado não está vazando, o carro está funcionando, ninguém está doente – ou se alguém está doente, agradecemos porque poderia ser muito pior.

Então, agradecemos a Deus por coisas que consideramos certas, mas que realmente não devemos tê-las totalmente como garantidas – que eu tenho um emprego, que temos o dom da fé e uma igreja por perto, e que temos uma comunidade de amigos.

Também é útil ser específico sobre as coisas que este dia nos deu para agradecer a Deus – a ótima conversa desta manhã, o elogio que o filho mais novo recebeu durante o dia e a sobremesa que comemos depois do jantar.

Quando você olha para sua vida dessa forma, a luz do céu preenche o seu dia

O Céu não é a recompensa para as pessoas que têm sua papelada em ordem; é a casa do Pai, o depósito de sua bondade e sua graça.

E, como disse o padre Horn, o sorriso radiante do Pai está preenchendo nossa vida já neste instante.

ESPIRITUALIDADE

 

Quando o conhecimento psicológico 

não bastou e a fé e o sorriso salvaram

Sou psicóloga há 9 anos. Estudei anos para compreender as complexidades da mente humana, aprendi sobre os caminhos tortuosos da dor psíquica, sobre os transtornos, os traumas, os mecanismos de defesa e as possibilidades de cura. Aprendi a escutar, a acolher e a acompanhar pessoas nos seus momentos mais difíceis. Mas nada disso me preparou para o que eu mesma viveria.

A depressão chegou silenciosa, como costuma fazer. No começo, era apenas um cansaço insistente, depois uma apatia que se espalhou como uma noite escura pelos meus dias. E então, veio a escuridão completa. Eu, que tantas vezes ofereci palavras de esperança, não conseguia enxergar uma fresta sequer de luz no meu próprio caminho. Eu, que sabia nomear os sintomas, que conhecia os protocolos, os manuais, as técnicas, sentia-me completamente impotente. Minha fé estava fragilizada. Meu coração, em ruínas.

Foi nesse tempo que ganhei um presente singelo e o melhor que eu poderia ter ganho: uma imagem de Nossa Senhora do Sorriso. Eu já a conhecia, mas não conhecia profundamente essa devoção, mas o nome me tocou de imediato — talvez porque sorrir já me parecia um gesto distante, quase impossível. Ainda assim, comecei a novena.

Para quem não conhece, a história de Nossa Senhora do Sorriso está ligada a uma outra mulher profundamente abatida pela tristeza: Santa Teresinha do Menino Jesus. Antes de ser santa, ela também foi tocada por uma intensa melancolia. Sua família, sem saber o que mais fazer, colocou ao lado de sua cama a imagem de Maria. E foi ali, diante daquela presença serena, que Teresinha experimentou a cura. Um sorriso de Maria devolveu-lhe a paz, e com ela, o desejo de viver.

Comecei a novena com grandes expectativas, quase como quem tenta pela última vez. Mas algo foi se abrindo em mim. Não posso explicar com precisão o que aconteceu — não com o vocabulário técnico da psicologia, ao menos. Só sei que, pouco a pouco, a esperança voltou a se aproximar. Senti que já não estava sozinha. O vazio deu lugar a uma luz silenciosa. A imagem de Nossa Senhora sorrindo para mim foi me curando por dentro. E então, o que parecia improvável aconteceu: eu voltei a sorrir também.

Duas semanas depois, eu me tornei outra pessoa. Ainda sou psicóloga, ainda acredito no valor da escuta, da análise, do tratamento adequado. Mas agora sei que há dores que não se alcançam apenas com teoria. Há curas que não vêm da lógica, mas do mistério.

Nossa Senhora do Sorriso não substituiu os conhecimentos que adquiri — ela os transcendeu. Sua presença me conduziu para além de mim mesma, para além da técnica, para além do desespero. E foi ali que reencontrei a fé. Não a fé teórica, de livros ou rituais automáticos. Mas a fé viva, que consola, que abraça, que levanta.

Se hoje escrevo estas palavras, é para dizer que a luz pode sim voltar. Que o sorriso pode sim renascer, mesmo quando parece impossível. E que às vezes, é preciso deixar que o Céu cuide daquilo que nossos saberes humanos não conseguem alcançar. 

Eu ainda experimento dia após dia essa cura, e por isso, resolvi escrever sobre o meu testemunho, para que você também possa recorrer a Ela se você se encontra totalmente imerso(a) a noites escuras.

Nossa Senhora do Sorriso, rogai por nós. 

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ESPIRITUALIDADE

 

Há graça até nos lugares onde você só

 consegue enxergar dor.

Existem momentos em que a vida parece perder o sentido: Uma perda que não esperávamos, uma espera que se prolonga, uma porta que se fecha, uma oração que parece não ser respondida.

E, quando a dor chega, é natural perguntar: “Onde Deus está?”

Talvez uma das respostas mais difíceis — e mais bonitas — seja: Ele também está aqui.

Não necessariamente para explicar a dor. Não para dizer que aquilo que aconteceu era necessário. Muito menos para pedir que suportemos tudo em silêncio. Mas para permanecer.

A psicologia nos ensina que, quando estamos sofrendo, nossa mente tende a enxergar o presente como definitivo. O que dói hoje parece que sempre doerá e o que perdemos parece ser tudo o que tínhamos.

É por isso que, em determinados momentos, não conseguimos enxergar além da própria ferida. Mas a dor não é capaz de contar sozinha toda a nossa história.

A fé católica nos lembra de algo ainda maior: Deus não abandona seus filhos no sofrimento.Cristo não ficou distante da dor humana. Ele chorou, sentiu angústia, experimentou o abandono e carregou uma cruz.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “por que Deus permitiu isso?”, mas também: “Como posso atravessar isso sem perder a esperança?”

Às vezes, a graça não chega como um milagre que muda imediatamente as circunstâncias. Ela chega como força para levantar, como alguém que permanece, como coragem para pedir ajuda, como uma terapia que nos ajuda a compreender aquilo que sozinhos não conseguimos, como uma pequena vontade de continuar quando já não enxergávamos motivos, como a capacidade de acreditar que nossa história ainda não terminou.

Talvez você esteja olhando para a sua vida e enxergando apenas aquilo que doeu. Mas Deus pode estar trabalhando justamente no lugar que você ainda não consegue compreender.

Há graça até nos lugares onde você só consegue enxergar dor.

E talvez, um dia, quando olhar para trás, você perceba que não saiu daquele deserto da mesma maneira que entrou.

A dor não foi o fim. Você foi transformado por aquilo que atravessou.

E, mesmo quando você não conseguia perceber, Deus estava ali.

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SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrada santa Margarida Maria Alacoque, serva do Sagrado Coração de Jesus

“Quando se ama, tudo fala de amor, até nossos trabalhos que requerem nossa total atenção podem ser um testemunho de nosso amor”, dizia santa Margarida Maria Alacoque, a quem o Sagrado Coração de Jesus apareceu e cuja festa é celebrada hoje, 16 de outubro.

Santa Margarida Maria nasceu na França em 1647. Aos quatro anos, consagrou a Deus sua pureza e fez voto de perpétua castidade. Quando tinha oito anos, seu pai morreu. Ela ingressou na escola das clarissas pobres, onde se sentiu atraída pela vida das religiosas e recebeu a comunhão aos nove anos, algo pouco comum para a época.

Dois anos mais tarde, contraiu uma doença reumática dolorosa que a obrigou a ficar de cama até os 15 anos e, por isso, teve que voltar para sua casa. Buscou alívio na Virgem Maria, a quem prometeu que, se ficasse saudável, se tornaria uma de suas filhas e, assim, recuperou a saúde.A jovem, porém, se deixou levar pela vaidade e pelas diversões, mas a Virgem apareceu para ela em vários momentos para repreendê-la e encorajá-la em seu caminho de santidade.

Em casa, Margarida e sua mãe eram agressivamente controladas por alguns familiares que tinham se apoderado dos bens. Além disso, a mãe tinha uma dolorosa ferida no rosto que a jovem cuidava todos os dias. Diante de tudo isso, ela sempre buscou consolo no Senhor.

Aos poucos, foi tentada a se casar e começou a se preparar, considerando que talvez pudesse obter dispensa de seu voto, porque o fez quando era criança. Foi assim que em uma ocasião Jesus lhe disse que Ele tinha motivado o voto de castidade e que depois a tinha colocado aos cuidados de sua Santíssima Mãe.

Mas Margarida só compreendeu que estava perdendo um tempo precioso, do qual lhe seria pedido contas rigorosas na hora da morte, quando o Senhor apareceu a ela desfigurado, flagelado e lhe disse: “E bem quererá gozar deste prazer? Eu não gozei jamais de nenhum, e me entreguei a todo gênero de amarguras por teu amor e por ganhar teu coração”.Mais tarde, depois de convencer seus parentes, entrou para o Convento da Visitação. Ali Margarida se desenvolveu de maneira humilde, obediente e sincera ante os sacrifícios da vida em comunidade e professou seus votos no dia 6 de novembro de 1672.Com o tempo, recebeu revelações do Sagrado Coração de Jesus e sofreu todas as primeiras sextas-feiras do mês uma reprodução da misteriosa chaga no lado.

Por suas visões e doenças, começou a receber incompreensões e rejeições no convento, teve que passar por difíceis interrogatórios de teólogos e chegou-se a dizer que suas experiências místicas podiam ser obra do demônio. Tudo isso parou quando conheceu o padre jesuíta são Cláudio de la Colombiere, que pôde ver nela sua santidade e falou com a madre superiora.

Por obediência, escreveu o que Deus lhe tinha revelado e contou as mensagens divinas para sua comunidade. A princípio, foi humilhada, mas depois recebeu o apreço de suas irmãs.

Santa Margarida, lamentavelmente, não veria se cumprir na Igreja a instituição do dia do Sagrado Coração de Jesus, tal como Jesus Cristo lhe tinha pedido. Em 17 de outubro de 1690, tendo previamente indicado esta data como o dia de sua morte, partiu para a Casa do Pai com 43 anos de idade e 18 de profissão religiosa.

Entre os mosteiros das visitandinas, começou-se a propagar a devoção ao Coração de Jesus e, em 1765, Clemente XIII introduziu a festa do Sagrado Coração em Roma. Em 1856, o beato Pio IX a estendeu a toda a Igreja e, finalmente, em 1920, Margarida foi proclamado santa pelo papa Bento XV.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sexta-feira: Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados.

Evangelho da 6ª feira da 28ª semana do tempo Comum. "Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados." Devemos caminhar diante de Deus com simplicidade, enfrentando as tentações da hipocrisia, do medo, da dissimulação.


Evangelho (Lc 12, 1-7)

Milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos:

“Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados.

Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer:

temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno.

Sim, eu vos digo, a este temei. Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.


Comentário

“Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. O Senhor procura pessoas que lutem por ser coerentes, que procurem viver em unidade de vida.

As palavras de Jesus lembram aquele elogio que fez a Natanael quando Felipe o apresentou a Ele: “Este é um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade”! (Jo 1, 47)

Jesus ajuda aos que o ouvem, e a nós, a caminhar sob o olhar de Deus: “Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado sobre os telhados”.

Jesus espera de nós a simplicidade da criança que sabe que está diante do seu pai e que não tem nada a temer.

Como São Josemaria escrevia em Caminho: “É preciso convencer-se de que Deus está junto de nós continuamente. - Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado.

E está como um Pai amoroso - quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos -, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando... e perdoando.
Quantas vezes fizemos desanuviar o rosto de nossos pais dizendo-lhes, depois de uma travessura: Não volto a fazer mais! - Talvez naquele mesmo dia tenhamos tornado a cair... - E o nosso pai, com fingida dureza na voz, de cara séria, repreende-nos..., ao mesmo tempo que se enternece o seu coração, conhecedor da nossa fraqueza, pensando: - Pobre criatura, que esforços faz para se portar bem!
Necessário é que nos embebamos, que nos saturemos de que Pai e muito Pai nosso é o Senhor que está junto de nós e nos céus”[1].

“Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? (...) Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

Temos que caminhar com essa simplicidade diante de Deus, sem nos deixarmos enganar quando o diabo tentar levar-nos pelo caminho da hipocrisia, do medo e da dissimulação quando não fizermos bem as coisas.


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

IGREJA

 

Como santa Teresa de Jesus influenciou a primeira capela dedicada a são José

A capela de são José, na cidade de Toledo, na Espanha, é a primeira capela da cristandade dedicada ao esposo da Virgem Maria. No seu retábulo central, está uma das primeiras pinturas onde o santo custódio de Jesus aparece jovem.

Santa Teresa de Jesus tinha uma grande devoção a são José, que sempre lhe concedeu tudo o que ela lhe pedia. E a capela em Toledo tem uma relação com a santa: fica ao lado do antigo convento das Carmelitas Descalças de São José, quinto convento fundado por santa Teresa na Espanha, que anos depois se mudou para outro local, onde estão até hoje.

Pilar Gordillo, delegada diocesana de Fé e Cultura da arquidiocese de Toledo, disse à ACI Prensa, agência em espanhol do Grupo ACI, que santa Teresa de Jesus adotou “são José como especial advogado, que sempre lhe concedeu o que lhe pedia”. De fato, 11 dos 17 conventos fundados por ela estão dedicadas ao pai adotivo de Jesus. O convento das Carmelitas Descalças de São José de Toledo foi um deles.Quando “as religiosas carmelitas deixaram este convento e foram para outro local, a família de Zayas, proprietária do local, decidiu continuar com a devoção a são José construindo esta capela, independente do convento, e dedicá-lo a ssão José para manter assim a devoção”.

O convento das Carmelitas Descalças de São José tem algo especial. Nele, santa Teresa de Jesus escreveu grande parte de seu livro “Moradas do Castelo Interior”, que é “uma das maiores obras da mística mundial”. Gordillo conta que “neste convento a santa escreveu cinco das sete moradas”.

Por volta de 1600, a família de Zayas decidiu construir a capela e pediu a El Greco, o pintor mais famoso da época, que pintasse os três altares, sendo o principal dedicado a são José.

Até então, a representação tradicional de são José era a de um homem idoso, “curvado”, que não tinha nada a ver com o mistério do Natal, que chegava tarde e com a vela.“Era uma figura secundária, mas foram séculos de recuperação dos Padres da Igreja, o concílio de Constança, o concílio de Trento, entre outros, que afirmaram como são José foi realmente. Quando os teólogos assumiram o vigor e a força de são José, são Bernardino de Sena, com a sua pregação, mostrou que ela foi maior que a de qualquer apóstolo. E o Greco pôde, depois, apresentá-lo desta forma tão nova através da arte”, disse Gordillo.Após o concílio de Trento, a Igreja recomendou aos pintores que não representassem são José como um ancião. Segundo Pilar Gordillo, “a pintura de são José do altar central da capela de são José de Toledo é, sem dúvida, uma das primeiras representações de são José jovem na história da arte mundial”. Para ela, a representação de são José no altar central fez com que são José já não ficasse em “segundo plano”, como até então estava, e que se ergueu “a figura de um gigante”.

Gordillo explicou cada detalhe do quadro. “A pintura que o Greco desenhou para homenagear são José foi totalmente inovadora e muito corajosa, porque apresenta um são José, jovem, forte, bonito, galante, protegendo o Menino”. Ao fundo, há “uma paisagem de Toledo sob tormenta, as silhuetas das casas estão cintilantes, com essas luzes que o Greco tanto gostava. Aparece um gigante com manto azul, envolto com o manto amarelado, saindo na nossa direção com o cajado. O Menino Jesus está vestido de vermelho, que prefigura a paixão. Ele gira, porque há um perigo à frente, porque ele tem diante de si toda a sua missão. Mas o pai, José, o protege e o lança à missão”.

A imagem de são José é “alongadíssima e elegantíssima, porque o Grego alongava as figuras para embelezá-las” e “o rosto doce de são José, que cuida do Menino e que olha pra ele de soslaio, está solícito, cuidando do Menino e guiando a Igreja com passo firme”, acrescentou.

Na parte superior encontramos três anjos em perspectiva, de cabeça para baixo, trazendo coroas de rosas, louros e lírios.

“A coroa de flores rosadas e brancas simbolizam o amor puríssimo de são José pelo Menino, a quem ele teve que alimentar, transmitir a fé, salvá-lo de Herodes, e o amor o amor puríssimo à Virgem Maria”, disse Gordillo. A vara de lírios significa a “castidade de são José”. A coroa de louro “se entregava aos doutores, aos vencedores da corrida. O louro é por ser doutor”, ou seja, um grande erudito da fé cristã.

“Mas se são José não deixou nada escrito, como pode ser isso possível? É doutor porque, com seu silêncio, ajustando-se ao plano de Deus, ensinou muito mais que os rios de tinta de outros doutores da Igreja”, afirmou a diretora de Fé e Cultura da arquidiocese de Toledo. “A homenagem do Greco a são José é inovadora na iconografia. Ela propõe a partir de então uma nova imagem de são José, muito mais viril, já não mais idoso, e sim jovem, forte e pai”, afirmou.

IGREJA

 

Quem é são Peregrino, ‘santo do câncer’ que fiéis invocam por Leão XIV

Enquanto o papa Leão XIV se recupera no hospital Gemelli, em Roma, depois de uma cirurgia que confirmou um câncer de pulmão, fiéis de todo o mundo rezam por ele, e muitos se voltam para um sacerdote servita do século XIV, conhecido há muito tempo como "o santo do câncer": são Peregrino Laziosi.

Do soco à penitência

Segundo um relato do padre Lawrence G. Lovasik, SVD, publicado na biblioteca da EWTN, Peregrino nasceu em 1260 em Forlì, Itália. Ele era filho único de uma família rica e, quando jovem, aliou-se à facção antipapal da cidade.Quando são Filipe Benizi, dos Servos de Maria (servitas), chegou a Forlì para pregar a paz em nome do papa Martinho IV, foi recebido com insultos, pedras e porretes. Peregrino o golpeou no rosto. Filipe respondeu oferecendo a outra face e rezando pelo jovem.

Comovido, Peregrino correu atrás do frade que partia. Implorou perdão de joelhos e prometeu mudar de vida. Segundo a tradição, Nossa Senhora apareceu-lhe depois na catedral de Forlì e disse-lhe: “Vá para Sena. Lá encontrarás os homens devotos que se chamam de meus servos. Junta-te a eles”.Peregrino recebeu o hábito servita em 1292. Dizia-se que por 30 anos ele nunca se sentou. Em 1322, seus superiores o enviaram para fundar uma casa servita em sua cidade natal, Forlì, onde ficou conhecido como pregador e confessor sempre disponível.

Na noite anterior à amputação

Depois, Peregrino desenvolveu uma dolorosa ferida cancerosa no pé. Lovasik escreve que o "cheiro gangrenoso" era tão fétido que as pessoas se mantinham afastadas. Os cirurgiões decidiram amputar o pé.

Peregrine passou a noite anterior à operação em oração diante de uma imagem de Cristo crucificado e adormeceu ali. Num sonho, Cristo pareceu estender a mão da cruz e tocar seu pé doente. Quando acordou, estava curado. O relato diz que os médicos não encontraram mais nenhum vestígio da doença.

Peregrino morreu em 1345, com cerca de 80 anos de idade. Foi beatificado em 1609 e canonizado pelo papa Bento XIII em 1726. Sua festa é celebrada em 1º de maio. Seu corpo repousa na basílica de San Pellegrino Laziosi, em Forlì. A devoção a ele se espalhou muito além da Itália, chegando ao santuário nacional de São Peregrino na basílica de Nossa Senhora das Dores, em Chicago, EUA, cidade natal do Leão XIV.