quinta-feira, 5 de novembro de 2026

IGREJA

 

A espiritualidade do Coração: educar com ternura

Aespiritualidade do Coração de Jesus nos reconduz ao lugar onde o amor se faz doação, e a doação se faz esperança. Jesus, do alto da cruz, entrega tudo e o que parece fracasso se transforma em fonte de vida.

Em meio à pressa e aos desafios do mundo contemporâneo, a espiritualidade do Coração de Jesus nos convida a redescobrir a ternura como valor essencial e transformador, ainda que muitas vezes negligenciado. Carlo Rocchetta afirma com profundidade que "A ternura cristã nasce aos pés da cruz e se modela segundo suas dimensões. [...] A cruz diz que não pode existir verdadeira ternura pelo outro senão na ternura pelo Absolutamente-Outro [...]." (ROCCHETTA, 2002, p. 328)

A cruz, símbolo máximo do amor e da doação, revela que a ternura verdadeira abraça a dor, acolhe a fragilidade e transforma o sofrimento em amor redentor. Aí está nossa verdadeira identidade cristã: a capacidade de sair de si e abrir-se ao Outro, de entregar a própria vida. O egoísmo e o fechamento em si mesmo nos impedem de viver em plenitude essa identidade, amar e se doar com ternura, assim como o Coração de Jesus.

Essa ternura, longe de ser sentimentalismo ou fraqueza, é um estilo de vida evangélico, uma escolha existencial. Educar para a ternura é formar o coração para amar:

Educar para a ternura não significa orientar para algo exterior a nós, mas fazer amadurecer como escolha existencial e estilo de vida o que de mais profundo caracteriza nosso eu-espiritual-corpóreo e nossa existência social: a necessidade de amar e de ser amados; se educa para a ternura educando a amar, e se educa a amar educando para a ternura. (ROCCHETTA, 2002, p. 439)

Ser terno hoje é cultivar a escuta atenta, o olhar misericordioso, a presença fiel. É ter coragem para estar junto, especialmente dos que sofrem, e fazer da vida um espaço sagrado onde o amor de Deus possa habitar.

Cuidar de si e do outro é inseparável da vida espiritual. Como discípulos do Coração, somos chamados a reconhecer que cada pessoa é uma "obra única, mas sempre inacabada de Deus" (DIAS, 2024, p. 79). O cuidado integral, portanto, não é tarefa secundária, mas o centro pulsante da missão de quem segue Jesus, abrangendo corpo, mente e espírito, acolhendo a fragilidade e a beleza da vida em sua totalidade.

O crescimento espiritual exige um constante movimento de desprendimento, simplicidade e confiança no agir misericordioso de Deus, que nos alcança onde estamos e cura nossas feridas mais profundas (DIAS, 2024, p. 87). Essa confiança é fundamental para atravessarmos as dificuldades, mantendo viva a esperança e a alegria da fé no cotidiano.

Além disso, a espiritualidade do Coração nos recorda que a vocação fundamental está ancorada na consagração batismal, um chamado radical para seguir Jesus com plena consciência das exigências desse caminho (DIAS, 2024, p. 89). O seguimento do Mestre requer decisão, fidelidade e coragem para enfrentar renúncias e contradições. Não basta o entusiasmo passageiro, é necessária perseverança, uma fé que se confirma no serviço e no amor silencioso.

Pulsar com o Coração de Cristo nos tempos atuais

A espiritualidade do Coração de Jesus é um convite profundo e urgente para o nosso tempo. Não se trata de uma devoção distante ou meramente sentimental, mas de um chamado a transformar toda a existência pela experiência viva do amor misericordioso e gratuito do Senhor.

O convite a adentrar no Coração de Cristo ressoa com força num mundo marcado pela solidão, pela ansiedade e pelo cansaço existencial. Hoje, mais do que nunca, precisamos de um lar espiritual onde dores e esperanças sejam acolhidas e curadas. Jesus oferece essa morada em seu Coração,  espaço de amor forte e transformador.

Como viver, na prática, essa espiritualidade?

1. Cultivando o encontro pessoal com o Coração de Jesus: reservar tempo para escutar e acolher o amor que nos chama, especialmente na oração e na leitura orante da Palavra.

2. Abraçando o compromisso da reparação: ser instrumentos vivos desse amor no mundo, reparando feridas e construindo pontes de misericórdia onde há divisão e dor.

3. Educando o coração para a ternura: amar com profundidade e generosidade, sobretudo nas relações cotidianas, onde o amor se prova concreto e fiel.

4. Vivendo o cuidado integral: cuidar da saúde física, emocional e espiritual, reconhecendo que somos "obras únicas e sempre inacabadas" de Deus, e estendendo esse cuidado a todos ao nosso redor.

5. Perseverando no seguimento com simplicidade e confiança: assumir as exigências do caminho cristão com coragem e alegria, sustentados pela presença amorosa do Coração de Jesus.

Neste mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, somos chamados a renovar nosso compromisso de viver com esperança, confiança e amor. Que esse Coração, refúgio seguro e fonte de misericórdia, seja nossa força em todas as circunstâncias.

O Coração de Jesus não é uma devoção isolada ou sentimentalista. Ele é a expressão condensada de todo o mistério de Cristo. Como recorda Ir. Iracélis Maria Souza Dias, "o mistério do Coração de Jesus resume todos os mistérios do Filho de Deus em sua vida terrena: encarnação, paixão, morte e ressurreição" (DIAS, 2024, p. 29).

O Coração de Jesus nos revela o rosto de um Deus que não se cansa de amar. Através da intimidade com esse Coração, descobrimos que o verdadeiro sentido da vida está em amar e deixar-se amar por Deus.

Referências

DIAS, Iracélis Maria Souza. A Mística do Coração: A espiritualidade do Coração de Jesus a partir do olhar da Bem-aventurada Clélia Merloni. Colaboração de Vânia Cristina de Oliveira. São Paulo: Edições Loyola, 2024.

ROCCHETTA, Carlo. Teologia da ternura: um "evangelho" a descobrir. São Paulo: Paulus, 2002.

SANTO DO DIA

 

Hoje a Igreja celebra são Zacarias e santa Isabel, pais de João Batista

“Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor”, afirma são Lucas em seu evangelho (Lc 1,6) sobre são Zacarias e santa Isabel – pais de são João Batista e tios de Jesus –, cuja festa litúrgica é celebrada hoje (5).

Conforme são Lucas descreve no primeiro capítulo de seu evangelho, Zacarias pertencia à classe sacerdotal de Abias e Isabel era descendente de Aarão. Ambos eram de idade avançada e não tinham filhos, pois Isabel era estéril.

Certo dia, coube a Zacarias ingressar no “Santuário do Senhor” para oferecer o perfume. Então, um anjo do Senhor apareceu e lhe disse que sua esposa lhe daria um filho ao qual chamaria João.“Irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto”, disse o anjo a Zacarias.

Zacarias perguntou como poderia ter certeza disso, porque ele e sua esposa eram idosos. O anjo, então, respondeu que ele era Gabriel, o que está diante de Deus, e que tinha sido enviado para lhe falar e anunciar esta boa notícia. Em seguida, disse-lhe que ficaria mudo por não ter acreditado.Quando Zacarias voltou para casa, sua esposa Isabel concebeu um filho e ela pensava: “Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens”.

Depois que o anjo Gabriel apareceu à Virgem Maria, a Mãe de Deus foi ajudar Isabel, que ao vê-la exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas”.

Quando João nasceu, todos se alegraram da misericórdia de Deus. No dia da circuncisão, todos queriam chamá-lo como seu pai. Entretanto, Isabel comunicou que se chamaria João. Zacarias confirmou, escrevendo esse nome em uma tabuinha e imediatamente voltou a falar.Finalmente, o pai de são João Batista, louvando a Deus, pronunciou o famoso “Cântico de Zacarias”, uma das orações que os sacerdotes e religiosos rezam todas as manhãs em suas orações chamadas ‘Laudes’.

LITURGIA DIÁRIA

5ª feira da 31ª semana do tempo Comum: Vim chamar aos pecadores

Evangelho da 5ª feira da 31ª semana do tempo Comum. “Enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir”. Jesus quer que aqueles que o seguem compartilhem seu mesmo coração. Esse mesmo coração enamorado de Jesus é o que nos pede quando nos nomeia como seus missionários.


 Evangelho (Lc 15,1-10)

Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.

Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!”
Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!”

Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.


Comentário

Uma das coisas mais marcantes no caminhar de Jesus é que nenhum dos que eram considerados pecadores se sentia rejeitado por Nosso Senhor. Lucas expressa-o assim: “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar”. Para todos Jesus tinha palavras, um coração acolhedor e misericórdia. Animava todos a levar a sério o seu relacionamento com Deus, porque o acolhimento e a misericórdia não fecham os olhos para a necessidade de rejeitar o pecado e fazer o bem. Um acolhimento que era, ao mesmo tempo, entrega: “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). É a renovação do primeiro amor: “Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).

Aqueles publicanos e pecadores sabiam que Jesus os procurava e chamava. Nosso Senhor rezou assim: “Quando estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei” (Jo 17,12). E Ele fez isso como o pastor que sai à procura das suas ovelhas. Porque o Pai nos colocou em suas mãos, porque Ele sabe ao que fomos chamados e nos ama com amor divino, porque Ele não quer que ninguém se perca. Esse mesmo amor é o que Ele nos pede quando Ele nos nomeia como seus mensageiros: “enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir” (Lc 10,1). Jesus quer que os seus seguidores partilhem o seu mesmo coração.

Os exemplos que o Senhor dá são um desafio à lógica humana. Não é fácil para um pastor abandonar um rebanho inteiro para procurar uma única ovelha se houver algum perigo para as outras. Mas Jesus, o Bom Pastor, faz isso: é a realidade da sua preocupação com cada um e com todos. E o seu esforço para nos atrair ao Pai é como o de uma mulher que perdeu o sustento diário da sua família: o seu esforço de busca é proporcional ao amor que tem pelos seus. Jesus nos encoraja a crescer no verdadeiro amor ao próximo, amor também pela sua vida eterna. Esse amor dará como fruto a oração, criatividade e esforço para nos ajudar mutuamente a identificar o que nos afasta de Deus e a crescer no desejo de ter um coração limpo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

IGREJA

 

Além das sombras da alma: fé, psicologia e o reencontro com a luz

Contudo, há uma forma mais silenciosa e profunda de penumbra — aquela que não depende do pôr do sol para se instalar. 

A escuridão exterior não é a única que pode nos assustar; existe também a escuridão interior, que nos impede de enxergar com clareza, confiar e encontrar descanso.

Essa escuridão de dentro raramente chega fazendo alarde. Ela se constrói aos poucos, na poeira dos sentimentos não ditos, nos cansaços acumulados e nas dores que aprendemos a esconder até de nós mesmos. Quando ela se avança, o mundo ao redor pode estar ensolarado, mas a alma permanece sob nevoeiro. Perde-se a nitidez sobre quem se é, a capacidade de confiar nas próprias escolhas e a paz necessária para descansar o coração.

O encontro com a luz e a presença de Deus:

Nas tradições cristãs e na essência humana, a luz nunca é compreendida como a ausência simplista da sombra, mas como a presença que a ressignifica. Deus não nos promete uma caminhada isenta de noites escuras, mas nos assegura que nenhuma sombra é maior do que a Luz que nos sustentou para chegar até aqui.

"A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram."

A esperança divina não é um otimismo ingênuo; é a certeza de que, no fundo da nossa alma, habita uma faísca sagrada que nenhuma tempestade interior consegue apagar por completo. Mesmo quando você não consegue enxergar o próximo passo, a luz de Deus continua lá, sussurrando que há um propósito, um amparo e um caminho de volta para casa.

O processo terapêutico como ponte para a própria luz:

Reconhecer a própria escuridão interior exige coragem, mas tentar atravessá-la sozinho nem sempre é o único, ou o melhor caminho. É no espaço sagrado da terapia que a dor encontra escuta e a confusão encontra contorno.

Como psicóloga, vejo o processo terapêutico não como um lugar de julgamentos ou respostas prontas, mas como um refúgio acolhedor. Um espaço onde podemos, juntos:

Tirar os nós da alma: Dar nome ao que dói e desarmar as certezas dolorosas que a escuridão interior construiu.

Organizar o olhar: Acalmar o ruído interno para que você volte a enxergar suas próprias virtudes, limites e caminhos com clareza.

Aprender a descansar: Construir uma relação de confiança consigo mesmo e com a vida, permitindo-se desacelerar e soltar o peso do controle.

A terapia é o momento de reacender as velas que o vento da vida apagou. Ela não muda o passado, mas ilumina o presente para que você possa desenhar um futuro com mais leveza, autonomia e esperança.

Um convite ao recomeço:

Se hoje a sua escuridão interior parece densa demais, saiba que você não precisa carregar esse peso no silêncio. A luz da sua vida não desapareceu; ela apenas está encoberta pelas nuvens do cansaço e das batalhas que você travou em silêncio por tanto tempo.

Recuperar o brilho nos olhos e a paz no peito é um processo humano, profundo e totalmente possível. Permita-se ser acolhido(a). Permita-se dar o primeiro passo em direção à sua própria luz.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrado são Carlos Borromeu, patrono de são João Paulo II








Hoje (4), a Igreja celebra são Carlos Borromeu, o santo padroeiro de são João Paulo II e muito ligado à vida do papa polonês. Conheça a história do valente são Carlos, que também é padroeiro dos catequistas e seminaristas.

São Carlos Borromeu nasceu na Itália em 1538, em uma família muito rica. Era sobrinho do papa Pio IV e ocupou altos cargos eclesiásticos, chegando a ser arcebispo de Milão e Cardeal.

Sua participação no Concílio de Trento foi a chave para este chegar a um término, no qual foram aprovados muitos decretos dogmáticos e disciplinares.

São Carlos se preocupou bastante com a formação dos sacerdotes. Destituiu alguns presbíteros indignos e os substituiu por pessoas que restauraram a fé e os costumes do povo.

A vida de são Carlos Borromeu correu grave perigo quando a ordem religiosa dos Humiliati, que possuía muitos mosteiros, terras e membros corrompidos, tentou desprestigiá-lo para que o papa anulasse as disposições do santo. Não alcançando este objetivo, três priores da ordem armaram um complô para matá-lo.

Jerónimo Donati, um mau sacerdote da ordem, aceitou assassiná-lo por 20 moedas de ouro e disparou contra ele quando estava rezando na capela de sua casa, mas a bala só tocou a roupa e o manto do Cardeal.

Quando se propagou em Milão uma terrível peste, são Carlos se dedicou aos cuidados dos enfermos. Como seu clero não era o suficiente para atender as vítimas, pediu ajuda aos superiores das comunidades religiosas e imediatamente muitos religiosos se ofereceram como voluntários.

Borromeu não se contentou em rezar e atender pessoalmente os moribundos, mas também esgotou seus recursos para ajudar os necessitados e contraiu grandes dívidas.Foi amigo de são Francisco de Borja, são Felipe Neri, são Pio V, são Félix de Cantalício, santo André Avelino e muitos outros. Chegou inclusive a dar a primeira comunhão ao adolescente são Luís Gonzaga.

Morreu no dia 4 de novembro de 1584, sendo pobre e dizendo: “Já vou, Senhor, já vou”.

São Carlos Borromeu e são João Paulo II

Embora tenham vivido em épocas diferentes, os dois estão unidos por ter histórias parecidas que o próprio são João Paulo II ressaltou em sua audiência de 4 de novembro de 1981.A primeira semelhança está no nome. “Karol” Wojtyla em português é “Carlos”, nome com o qual João Paulo II foi batizado, estando sob a proteção do santo para crescer na missão de ser filho adotivo de Deus.

“Eis o papel que São Carlos desempenha na minha vida e na vida de todos aqueles que usam o seu nome”, disse.

A segunda semelhança é em uma arma. Assim como tentaram acabar com a vida do arcebispo de Milão, no século XVI, o papa peregrino enfatizou que o atentado que sofreu em maio de 1981 tinha lhe permitido “olhar para a vida de modo novo: esta vida cujo início anda unido à memória dos meus pais e ao mesmo tempo ao mistério do batismo e com o nome de são Carlos Borromeu”, assinalou.

O terceiro fato parecido está nos Concílios. São Borromeu participou no Concílio de Trento e são João Paulo II fez o mesmo no Vaticano II. Como seu padroeiro, o santo do século XX também introduziu os ensinamentos do Concílio em sua própria arquidiocese.Por último, está o amor pelos pobres e os doentes. João Paulo II é lembrado por visitar os mais necessitados e Borromeu não hesitou em ajudar pessoalmente os afetados pela praga.

Diz-se que são Carlos Borromeu era tão amado em Milão que quase ninguém dormiu na noite em que ele agonizava. E João Paulo II manteve o mundo em oração antes de morrer.

“Olhando para a minha vida na perspectiva do batismo, olhando através do exemplo de são Carlos Borromeu, agradeço a todos os que, hoje, em todo o período passado e continuamente ainda agora, me sustentam com a oração e por vezes também com grande sacrifício pessoal”, disse naquela ocasião o santo polonês.

LITURGIA DIÁRIA

 4ª feira da 31ª semana do tempo Comum: Ser discípulo de Jesus

Evangelho da 4ª feira da 31ª semana do tempo Comum e comentário ao evangelho. "Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” Podemos nos perguntar como seguimos Jesus, se procuramos nos identificar com Ele, com o apoio da graça.



Evangelho (Lc 14,25-33)

Grandes multidões acompanhavam Jesus.
Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: “Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!” Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”


Comentário

Jesus se vê acompanhado por muitas pessoas, e sabe que alguns dos que O seguem não o fazem com boas disposições. Junto dos que O acompanham com boa intenção, outros o fazem para poder participar de algo extraordinário, para presenciar algum milagre; outros por curiosidade ou até alguns para desautorizá-lo. Podemos nos perguntar como seguimos Jesus, o que nos motiva a segui-lo, se nos deixamos levar pela rotina nas normas ou obrigações que já incorporamos ao nosso horário, ou se, pelo contrário, procuramos nos identificar com Ele, com o apoio da graça.

A única resposta válida para seguir a Cristo é por uma razão de amor, de correspondência com o amor que Ele tem por nós. O Evangelho de hoje é apenas uma manifestação do primeiro mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento” (Mt 22,37). Um mandamento de amor que o Senhor dirige a todos, válido para todas as pessoas e para todos os tempos. Tudo deve ser colocado depois desse amor. Isso acontece quando o amor de Deus preenche o coração de uma pessoa. “Quem a Deus tem, nada lhe falta: só Deus basta”, como dizia Santa Teresa.

Um amor assim não é fruto de profundas meditações, nem de atos contínuos da vontade. É um dom, uma graça que Deus nos dá, para podermos amá-lo com um amor absoluto e incondicional, que se torna eterno após a morte. Quando respondermos com todo o nosso ser a Deus que se entrega a nós, poderemos amar as pessoas e as coisas como Deus as ama, mas primeiro temos que dar esse passo, de nos desapossarmos radicalmente de nós mesmos, que Jesus nos ensina no Evangelho: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

terça-feira, 3 de novembro de 2026

IGREJA

 

Conquiste a sua alma com estas belas frases de São Carlos Borromeu

“As almas se conquistam de joelhos”, costumava dizer São Carlos Borromeu. De fato, ele foi o grande conquistador de almas de seu tempo. Como? Com oração, penitência e um grande serviço social.

Quando uma peste acometeu o norte da Itália no século XVI, por exemplo, São Carlos Borromeu se colocou a ajudar os doentes e os padres que morriam por atender os infectados. Esse período ficou, inclusive, conhecido como "a peste de São Carlos". 

Portanto, com seu testemunho e seu rigor pessoal, São Carlos desafiou os problemas de seu tempo, ajudando os que não tinham fé a encontrar Jesus.

De fato, estas frases extraídas de suas homilias e discursos podem nos ajudar a incrementar a nossa fé.

Frases de Carlos Borromeu

1. "A oração é o princípio, o progresso e o complemento de todas as virtudes";

2. "O Rosário é a mais divina das devoções";

3. "Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido da nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência";

4. "Se ao menos uma fagulha do amor divino já se acendeu em ti, não a mostres logo, não a exponhas ao vento! Mantém encoberta a lâmpada, para não se esfriar e perder o calor; isto é, foge, tanto quanto possível, das distrações; fica recolhido junto de Deus, evita as conversas vãs";

5. "Tua missão é pregar e ensinar? Estuda e entrega-te ao necessário para bem exerceres este encargo. Faz, primeiro, por pregar com a vida e o comportamento. Não aconteça que, vendo-te dizer uma coisa e fazer outra, zombem de tuas palavras, abanando a cabeça"; 

6. "As almas se conquistam com os joelhos";

7. "Somos todos fracos, confesso, mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos ser fortalecidos com facilidade".