domingo, 5 de julho de 2026

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado santo Antônio Maria Zaccaria, fundador dos padres barnabitas

Hoje (5), a Igreja celebra a memória litúrgica de santo Antônio Maria Zaccaria, fundador dos Clérigos Regulares de São Paulo e da Congregação das Angélicas de São Paulo, um homem apaixonado por Jesus Eucarístico e pela Virgem Maria, que se dedicou intensamente ao serviço da caridade.

Antônio Maria Zaccaria nasceu em Cremona, em 1502, pertencente à rica família dos Zaccaria, de origem genovesa. Era filho único e seu pai faleceu quando ele tinha apenas 2 anos de idade. Na época, sua mãe, com 18 anos, foi cortejada por muitos pretendentes, mas decidiu rejeitar segundas núpcias só para dedicar-se totalmente à educação do filho.

Ainda menino começou a ser reconhecido por sua inteligência, mas sobretudo por sua caridade e humildade. Embora rico, vestia-se com modéstia e, já crescido, escolheu a profissão de médico para ficar mais perto das pessoas humildes, curar-lhe as doenças do corpo, gradativamente, para distribuir-lhe os remédios da alma, o conforto, a esperança, a paz com Deus.Em 1528, abandonou a medicina e foi ordenado sacerdote. Estabeleceu-se em Milão, onde, com a colaboração de Tiago Morigia e Bartolomeu Ferrari, fundou a Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo, mais conhecidos como Barnabitas, porque residiam junto à Igreja de São Barnabé.

A finalidade da nova congregação era a promoção da reforma do clero e dos leigos, não se consideravam monges nem frades, seu carisma específico era evangelizar e administrar os sacramentos.Com a ajuda da Condessa de Guastalla, Ludovica Torelli, surgiu a congregação feminina das Angélicas, para a reforma dos mosteiros femininos. A palavra reforma era o emblema de 1500. Antônio Maria Zaccaria não dava importância às palavras, mas aos fatos.

O santo manteve muito presente em sua vida a importância de amar os demais. “Você quer chegar à perfeição? Quer ser, pelo menos, um pouquinho espiritual? Quer amar a Deus, ser seu bom filho e ser amado por Ele? Ame o próximo, oriente-se para o próximo, disponha-se beneficiar o próximo e não a ofendê-lo”, disse em um de seus sermões.

Ele ajudou na preparação do Concílio de Trento, cuja influência ainda persiste na Igreja. Foi também promotor da devoção à Eucaristia e da Adoração ao Santíssimo Sacramento, instituindo as quarenta horas de adoração ao Santíssimo Sacramento. Criou ainda os Grupos de Casais, para os leigos, sendo por isso considerado um pioneiro da Pastoral Familiar.Durante uma de suas missões na Itália meridional, foi acometido por uma epidemia. Sabendo que sua morte se aproximava, voltou para os braços de sua mãe, na casa onde havia nascido.

Morreu aos 37 anos, em 5 de julho de 1539, assistido por sua mãe, que aceitara vida de solidão para não pôr obstáculos à vocação do filho. Foi canonizado em 1897 pelo papa Leão XIII.

SANTO DO DIA

 Igreja no Brasil celebra o Divino Pai Eterno

Hoje (5), primeiro domingo de julho, romeiros de todo o Brasil celebram a do Divino Pai Eterno, que acontece no santuário de Trindade (GO).

A devoção ao Divino Pai Eterno na cidade goiana teve início por volta de 1840. Nas proximidades do Córrego do Barro Preto, que mais tarde recebeu o nome de Trindade, o casal Constantino Xavier e Ana Rosa de Oliveira encontrou um medalhão enquanto trabalhavam no campo.

A peça trazia a imagem da Santíssima Trindade coroando a Virgem Maria.  Eles a levaram para casa, onde, junto a outros morados, começaram a rezar o terço.As notícias de graças alcançadas se espalharam, levando ao crescimento do número de devotos. Com isso, foi construída, por volta de 1843, a primeira capela coberta com folhas de buriti.

Em 1912, foi inaugurado o primeiro santuário do Divino Pai Eterno, hoje conhecido como Santuário Velho ou Igreja Matriz.

Em relação à imagem do Divino Pai Eterno, conta a história que, dois anos após o início das orações em torno do medalhão, Constantino se dirigiu a Pirenópolis, mais de 120 km de distância de Trindade, para encomendar uma réplica. Entretanto, foi orientado pelo artista plástico Veiga Valle a fazer uma imagem maior, de aproximadamente 30 cm.Sem dinheiro para pagar pela obra, Constantino deixou o próprio cavalo em troca da imagem e voltou a pé para Trindade, onde foi recebido em festa. Naquele momento, surgiu o motivo da peregrinação anual ao Santuário.

O atual Santuário Basílica do Divino Pai Eterno teve sua pedra fundamental lançada em 1943, em comemoração pelo centenário da romaria.Em 1957 foi apresentado um projeto para sua construção e, em 1974 começou a realização da novena e festa do Divino Pai Eterno no local. Mas, somente em 1994 iniciou-se a fase final do prédio. Já em 2006, o papa Bento XVI concedeu o título de Basílica Menor.

A Romaria do Divino Pai Eterno compreende dez dias, culminando no primeiro domingo de julho. Trata-se do maior evento religioso da região Centro-Oeste e o segundo maior do Brasil. Ao todo, são realizadas cerca de 100 missas e mais de 45 novenas, além de procissões, batizados, vigílias, alvoradas e confissões.

Mais de 2,5 milhões de pessoas costumam passar pela Romaria durante os dez dias de festa e vários outros fazem visitas ao longo do ano.

LITURGIA DIÁRIA




Evangelho de domingo: encontrareis descanso

Comentário ao Evangelho do XIV domingo do Tempo Comum (Ciclo A). «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei». O verdadeiro remédio para as nossas feridas é uma vida cheia de amor fraterno e de amor a Deus.






 Evangelho (Mt 11, 25-30)

Naquele tempo, Jesus exclamou:

«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Tudo Me foi dado por meu Pai. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».


Comentário

Jesus faz uma oração em voz alta e o evangelista menciona quais foram as palavras concretas com as que se dirigiu a Deus. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11, 25-27). Chama-O Pai e alegra-se com a sua predileção pelos pequeninos e de que a eles sejam reveladas as coisas mais profundas. Com efeito, Deus alegra-se com as crianças já que, como lembra o Papa Francisco, «as crianças são em si uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: a de não nos considerarmos autossuficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão. E todos nós precisamos de ajuda, de amor, de perdão!»[1].

S. Josemaria experimentou essa predileção divina que, quando quer, ilumina os corações daqueles que O procuram com simplicidade, para que penetrem na intimidade divina e captem o que implica ser filhos de Deus. Uma experiência singular que teve lugar num dia concreto, 16 de outubro de 1931. Anos depois, S. Josemaria relembrava o que viveu naquele dia, vendo cumpridas em si mesmo as palavras de Jesus recolhidas por S. Mateus: «Até poderia dizer-vos quando, em que momento, onde foi aquela primeira oração de filho de Deus. Aprendi desde criança, no Pai-Nosso, a chamar Pai a Deus, mas sentir, ver, admirar esse querer de Deus de que sejamos seus filhos..., foi na rua e num elétrico – durante uma hora, hora e meia, não sei – Abba Pater!, tinha de gritar. Há no Evangelho umas palavras maravilhosas, todas o são: “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11, 27). Naquele dia, naquele dia Ele quis de uma maneira explícita, clara, terminante que, comigo, vós vos sentísseis sempre filhos de Deus, deste Pai que está nos céus e que nos dará o que pedirmos em nome do seu Filho»[2].

Jesus deu-nos exemplo dessa humildade e simplicidade que admira nas crianças. Assim nos explicava S. Josemaria enquanto meditava esta passagem do Evangelho: «Jesus Cristo, Nosso Senhor, propõe-nos com muita frequência na sua pregação o exemplo da sua humildade: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”, para que tu e eu aprendamos que não há outro caminho; que só o conhecimento sincero do nosso nada é capaz de atrair sobre nós a graça divina. Por nós, Jesus veio padecer fome e alimentar-nos, veio sentir sede e dar-nos de beber, veio vestir-se da nossa mortalidade e vestir-nos de imortalidade, veio pobre para nos tornar ricos»[3].

Na cena do evangelho que estamos a considerar, Jesus, depois de manifestar a sua alegria pela predileção de Deus pelos que são simples, como as crianças, acrescenta algo muito consolador: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11, 28). Porém, coloca uma condição para proporcionar o descanso: «Tomai sobre vós o meu jugo» (Mt 11, 29). Bento XVI perguntava-se: «O que é este ‘jugo’, que em vez de pesar, alivia, e em vez de esmagar, conforta? O ‘jugo’ de Cristo é a lei do amor, é o seu mandamento, que Ele deixou aos seus discípulos (cf. Jo 13, 34; 15, 12). O verdadeiro remédio para as feridas da humanidade, quer materiais, como a fome e as injustiças, quer psicológicas e morais causadas por um falso bem-estar, é uma regra de vida baseada no amor fraterno, que tem a sua fonte no amor de Deus. Por isso é preciso abandonar o caminho da arrogância, da violência utilizada para obter posições de poder sempre maiores, para garantir o sucesso a qualquer preço»[4].

sábado, 4 de julho de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Oração a Nossa Senhora das Mercês, Rainha e Mãe de misericórdia

Em especial para quem está lutando para se livrar das "cadeias e opressões do nosso mundo"

Compartilhamos esta oração a Nossa Senhora das Mercês, Rainha e Mãe de misericórdia, tal como publicada por monsenhor André Sampaio em sua rede social. Monsenhor André é professor de Direito Canônico Oriental.

Mãe querida das Mercês,
com a simples confiança de filhos,
recorremos a Ti.
Vimos aos Teus pés
de Rainha e Mãe de misericórdia suplicando o Teu poderoso auxílio.

O nosso mundo vive aprisionado
em tantas formas de escravidão e opressão.
Nosso tempo não é menos atribulado
que aquele em que Tu, compadecida da Terra,
inspiraste a fundação de uma ordem religiosa
destinada à redenção dos cativos cristãos.
Novas formas de escravidão social,
política ou psicológica, que derivam,
em última instância, da corrupção do pecado,
surgem a cada dia.

Aqui nos tens, ó Mãe das Mercês,
lutando para livrar-nos
de tantas cadeias e opressões do nosso mundo.
Ajuda-nos com a Tua misericórdia
para que possamos recuperar a feliz liberdade
dos filhos de Deus.

Amém.

RELIGIÃO

 

As armadilhas do diabo

Sabia que o demônio pode usar até sua oração para afastá-lo de Deus? Saiba como defender-seO que é a tentação? A tentação é a ação de Satanás para levar você ao inferno. E ele pode lê-lo como um livro; então, não exagere seu poder, mas tampouco o subestime.

Algumas das suas ações mais sutis ocorrem no âmbito da prática religiosa, na qual ele consegue se camuflar de maneira muito fácil, usando a pele devota do cordeiro, mas, lobo como é na realidade, ele a distorce, por excesso ou por defeito, destruindo a pessoa com algo que é bom.

Então, é preciso estar atento ao que alguns escritores espirituais chamam de “armadilhas para beatos”.

Vejamos um exemplo:

Você pode se desanimar com a oração, dizendo: “Se eu rezasse um pouco mais, Deus me daria o que busco”. Mas o engano é que, ainda que rezemos mais, nunca rezaremos o suficiente.

E assim, dado que nunca teremos rezado o bastante, a oração se torna cada vez mais uma tarefa pesada; Deus parece um tirano cruel que pede orações mais longas e precisas, e a oração se transforma em um esforço supersticioso cujo resultado controlamos de alguma maneira, com a duração e o tipo de oração que fazemos.

Jesus nos diz que o Pai sabe do que precisamos e que não deveríamos pensar que são necessárias muitas palavras e ações piedosas. Podemos precisar perseverar na oração no tempo, mas Deus não é um tirano cruel que pede rituais infinitos.

Satanás pode aproveitar a sua prática de rezar o terço ou de participar da missa diária, ou outras devoções, e insinuar lentamente um sentimento de superioridade, elitismo ou orgulho.

Gradualmente, você pode começar a pensar que os outros são menos devotos, inclusive que estão no erro, porque não fazem ou não observam o que na realidade é opcional e recomendado, mas não imprescindível. O que é belo e santo acaba sendo, assim, utilizado para incitar o orgulho e um cinismo crescente.

Uma forma extrema disso vem daqueles que, valendo-se da belíssima e poderosa devoção a Nossa Senhora de Fátima, permitem que Satanás os faça rebelar-se contra o Papa e todos os bispos do mundo, afirmando que fracassaram ao consagrar adequadamente a Rússia.

E, assim, uma das nossas aparições mais belas e instrutivas pode suscitar em algumas pessoas desconfiança com relação à Igreja e desunião dentro dela, com relação aos papas e inclusive à Irmã Lúcia. É uma ação surpreendentemente astuta do maligno utilizar o que é bom e religioso e corrompê-lo na mente de algumas pessoas.

demônio pode também usar os mandamentos e transformá-los em uma espécie de minimalismo religioso, uma maneira de manter Deus bem distante.

Assim, tenta algumas almas com a noção de que a missa dominical e algumas poucas orações feitas com pressa são a finalidade da religião, e não o seu começo. A observância se torna uma forma de “cumprir a lista de obrigações” e estar bem com Deus a semana inteira, e não apenas uma base sobre a qual se constrói uma relação de amor bela e cada vez mais profunda com Ele.

Estas práticas mínimas se tornam uma forma de “controle divino” para aqueles que caem nessa tentação. É como dizer: “Eu fiz o que tinha de fazer, e agora Deus e a Igreja que me deixem em paz; Deus agora tem que cuidar de mim, porque eu fiz tudo o que Ele me pediu”.

E, assim, as belíssimas leis da Igreja, as regras que descrevem os deveres fundamentais ou a base de uma relação mais profunda com Deus, se tornam uma espécie de “acordo de separação”, que insiste em horários de visita muito rígidos e especifica quem fica com cada coisa.

diabo também pode usar o zelo religioso e corrompê-lo em atitude rígida e não caridosa. Pode usar o amor pela beleza da liturgia, antiga ou nova, e transformá-lo em uma insistência minuciosa nos ingredientes justos, às custas da caridade, com falsa superioridade e divisão.

E assim, afastada a caridade, dizemos: “Garanta que a celebração da liturgia será do jeito que eu gosto. Quem não gosta desse jeito é antigo, inepto, troglodita, e certamente odeia a Igreja à qual eu tanto amo”.

demônio pode usar o belíssimo amor aos pobres e corrompê-lo em um paternalismo escravizador, que os fecha na dependência ou que não enfrenta suas necessidades espirituais.

E, assim, as belíssimas obras corporais de misericórdia ou se separam das obras espirituais ou se acha que são suficientes em si mesmas. Satanás pode enviar muitos a servir os pobres armados de meias verdades e pontos de vista que se limitam a vendar feridas sem curá-las.

De certa forma, todas as virtudes são necessárias. O diabo pode usar cada uma delas e tentará corromper todas, inclusive as religiosas. Ninguém está a salvo da sua obra de tentação. Seu objetivo é levar-nos ao inferno.

O que torna esta obra de corrupção da virtude tão insidiosa é a sutileza da sua ação, porque ele pega algo que é intrinsecamente positivo e tenta corrompê-lo, por excesso ou por defeito, ou transformá-lo em uma espécie de caricatura.

As virtudes, obviamente, devem estar em sintonia com outras virtudes que as equilibrem. A caridade deveria estar equilibrada com a verdade, e a verdade, com a caridade. Sem caridade, a verdade pode ser angustiante; sem verdade, a caridade pode ser prejudicial, paternalista. A caridade e a verdade devem se equilibrar e agir unidas a outras virtudes, em uma delicada interação.

Uma das táticas de Satanás é pegar uma virtude e isolá-la das outras. Fique atento diante dessas táticas sutis do demônio, que se camufla bem na aparência de virtude – mas são virtudes separadas entre si, sem equilíbrio nem proporção.

Cuidado com as armadilhas para beatos.