quinta-feira, 8 de outubro de 2026

IGREJA

 Amoris laetitia está em consonância com a doutrina da Igreja, diz freira ao papa e a bispos

CIDADE DO VATICANO — Amoris Laetitia, exortação apostólica do papa Francisco sobre a família, de 2016, está em consonância com a doutrina e a prática da Igreja que a precederam, disse a freira Helen Alford, OP, na abertura de uma reunião hoje (7) no Vaticano sobre o documento.

Assim como um documento anterior sobre a família, de autoria do papa são João Paulo II, Amoris laetitia foi uma resposta inovadora ao desafio de seguir a lei moral "quando as situações sociais são turbulentas e mudam rapidamente", disse Alford.

A publicação do documentoAmoris laetitiaem 2016 gerou intenso debate, especialmente depois que os bispos da Região Pastoral de Buenos Aires a interpretaram como permitindo, depois de um processo de discernimento pastoral acompanhado, o acesso aos sacramentos da reconciliação e da Eucaristia para alguns católicos divorciados e recasados ​​no civil, “quando a pessoa julgar que incorreria numa falta adicional prejudicando os filhos da nova união”.

Em 2023, o Dicastério para a Doutrina da Fé disse que essa interpretação faz parte do magistério autêntico, depois de ter sido incorporada na Acta Apostolicae Sedis, boletim oficial da Santa Sé.

No início deste ano, o papa Leão XIV convocou os presidentes das conferências episcopais e os chefes das Igrejas Orientais, junto com alguns casais e especialistas em teologia, para passarem uma semana no Vaticano em “discernimento sinodal” sobre as famílias e os desafios que enfrentam hoje, como “abandono, separação e divórcio”, à luz da Amoris laetitia.

A 'lei da gradualidade'

O discurso de Alford no primeiro dia do encontro de bispos, que ocorreu de 7 a 14 de outubro, seguiu-se a uma oração de abertura e a um discurso do papa Leão XIV, que também disse haver continuidade na doutrina sobre o matrimônio desde o papa beato João Paulo I até o papa Francisco.

Assim como Leão XIV, Alford também relacionou as duas recentes exortações apostólicas sobre a família: aFamiliaris consortio, do papa são João Paulo II, e a Amoris laetitia, do papa Francisco.

Ambas, disse ela, incluem a ideia da “lei da gradualidade”. Em Amoris laetitia, o papa Francisco disse que João Paulo II a propôs “ciente de que o ser humano ‘conhece, ama e cumpre o bem moral segundo diversas etapas de crescimento’ ”.

Alford, citando o papa Francisco, disse que “isso não é uma 'gradualidade da lei', mas sim uma gradualidade no exercício prudente de atos livres por parte de indivíduos que não estão em condições de compreender, apreciar ou cumprir plenamente as exigências objetivas da lei. Pois a lei em si é uma dádiva de Deus que aponta o caminho, uma dádiva para todos, sem exceção; ela pode ser seguida com a ajuda da graça”.A freira disse que ambos os papas “preocupam-se em manter o ideal de que 'a lei é uma dádiva de Deus que aponta o caminho', e em reconhecer que muitos não são capazes de 'compreender, apreciar ou... cumprir plenamente as exigências objetivas da lei' ”.

Ela disse que 35 anos separam a Familiaris consortio da Amoris laetitia, período no qual a situação vivida pelas famílias cristãs sofreu muitas transformações.

“Como em outros casos, como na doutrina social da Igreja, quando as situações sociais são turbulentas e mudam rapidamente, pode ser necessário encontrar novas maneiras de conciliar as ‘exigências objetivas da lei’ (AL , 295) e a ‘lei da gradualidade’ (FC , 34) que muitos experimentam ao tentar ingressar nela. Tanto a Familiaris consortio quanto a Amoris Laetitia tentam fazer isso em seus diferentes contextos históricos”, disse ela.“Não nos esqueçamos”, disse a freira, “que são Tomás de Aquino e toda a tradição que remonta a ele diriam que a lei de Deus atinge sua maior expressão na nova lei, a lei do Evangelho: a graça de Jesus”.

O objetivo da reunião

“Neste encontro… somos chamados a proclamar o Evangelho tanto das famílias quanto para as famílias”, disse a freira dominicana. “Isso implica que a família é parte integrante da proclamação do Evangelho. A família tanto proclama ativamente o Evangelho quanto precisa recebê-lo”.

Alford disse que o estresse e as dificuldades frequentemente presentes na vida familiar e no casamento são uma oportunidade para maior santidade e confiança em Deus. Para unir seu sofrimento ao de Cristo, as famílias precisam ouvir as boas novas do Evangelho.

“Muitas famílias em situações de sofrimento e necessidade poderiam encontrar grande ajuda para enfrentar suas provações ao ouvirem as boas novas que lhes são proclamadas, ao receberem a nova perspectiva que o Evangelho nos dá sobre a vida e, assim, a graça dos sacramentos”, disse ela. “As próprias dificuldades, tensões e rupturas na vida familiar podem ser suportadas com mais fortaleza e com a esperança de que podem ser superadas pela união aos sofrimentos de Cristo”.

“Como diz o papa Francisco, ‘Nas horas mais sombrias da vida de uma família, a união com Jesus em seu abandono pode ajudar a evitar a ruptura’ ”, disse ela, citando Amoris laetitia nº 317.“A beleza da vocação ao matrimônio reside em sua fragilidade, sobretudo porque a fraqueza pode reacender a confiança em Deus, e a confiança em Deus desperta o desejo de santidade”, disse Alford. “Em resumo, esse é o Evangelho da e para a família de que estamos falando”.

Ajudando os jovens a escolher o casamento

A palestra de Alford também abordou o olhar relacional de Jesus e sua importância para reconhecer e "enxergar" os relacionamentos que compõem nossas vidas, que não são visíveis como objetos físicos, mas que, como o ar que respiramos, estão realmente presentes.

Ela também falou sobre a importância de ajudar os jovens a entrarem no casamento com a perspectiva e as ferramentas adequadas para enfrentar as dificuldades que ele acarreta.

“No mundo altamente instável em que vivemos hoje, se quisermos ajudar os jovens a terem a coragem de se casar e a desenvolver a capacidade de lidar com o estresse que enfrentarão, eles precisarão 'enxergar' seus relacionamentos e pensar sobre o casamento e a vida familiar de uma perspectiva relacional”, disse ela.

“O amor social, como reflexo da Trindade, é o que verdadeiramente unifica o significado espiritual da família e sua missão para com os outros, pois torna presente o querigma em todos os seus imperativos comunitários”, disse, citando Amoris laetitia n.º 324.

Ela encorajou os participantes da reunião a "buscarem maneiras de encorajar os jovens a aceitarem o grande desafio do casamento e da vida familiar, abraçando-o com a plena consciência de que experimentarão grande fragilidade como parte do processo de perceber sua beleza, e que nessa fragilidade encontrarão novas e inesperadas fontes da graça de Deus e experimentarão um desejo de santidade que lhes é próprio".

“Vamos nos unir a Jesus para convidá-los a aceitar o desafio, assim como Jesus chamou a mulher samaritana, de proclamar o Evangelho aos outros, precisamente reconhecendo sua fragilidade, para que outros se unam a eles na confiança na graça de Deus e na experiência do desejo cristão de santidade”, disse Alford.

LITURGIA DIÁRIA

5ª feira da 27ª semana do tempo Comum: Pedi e vos será dado

Evangelho de 5ª feira da 27ª semana do tempo comum. "Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto." Jesus nos revela o amor de Deus por seus Filhos e o seu desejo de dar generosamente àqueles que lhe pedem confiança filial. Basta tomar consciência sobre nossa dignidade e saber que nosso Pai Deus está pronto para se entregar, sair ao nosso encontro para abrir a porta de seu amor.



 Evangelho (Lucas 11, 5-13)

E Jesus acrescentou: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomoda! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário.

Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo
aos que o pedirem!”


Comentário

Com estas palavras o Senhor nos ensina que um dos modos que os cristãos temos de nos dirigir a Deus é a oração de petição. Jesus começa seu ensinamento falando-nos de um homem inoportuno a quem seu amigo termina fazendo o favor que ele pede, porém não tanto por sua amizade mas por sua insistência.

Talvez seja uma das primeiras características que a nossa petição deve ter, a constância. Certamente a assiduidade no pedir tem como consequência o dom de Deus. O Senhor quer, em sua misericórdia, unir os seus dons e as suas graças à nossa súplica. Assegura-nos que peçamos e Ele nos dará.

Quantas vezes estas palavras são descanso e consolo diante das necessidades de tantas pessoas que temos presentes em nossos corações e mentes e que requerem, por algum motivo, a ajuda de Deus. Pois o Senhor nos anima a pedir com confiança e constância, sabendo que Ele está esperando essa nossa oração. A oração de petição se fundamenta na bondade do nosso Pai Deus e não nos nossos méritos e virtudes. Ele nos dará “porque é bom, porque é eterna a sua misericórdia” (Salmo 118, 1).

Podemos pedir muitas coisas; porém Jesus termina esta passagem dizendo-nos: “quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo
aos que o pedirem?”. Se pedimos ao Pai que nos envie o seu Espírito, que seja Ele quem preencha nosso coração, o nosso modo de viver pode mudar radicalmente. Peçamos ao Espírito Santo que preencha o nosso coração e desse modo viveremos a vida dos filhos de Deus; saberemos que somos cuidados e amados e queridos pelo nosso Pai Deus.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Noites escuras, Santa Faustina

 e a fé inabalável: uma jornada espiritual profunda

Noites escuras da alma são momentos de profundo desamparo espiritual, nos quais a fé é posta à prova. Em uma jornada espiritual notável, Santa Faustina Kowalska, uma freira polonesa do século XX, experimentou essas noites escuras enquanto abraçava sua devoção à Divina Misericórdia. Sua história nos oferece insights sobre como a fé pode prosperar mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras. 

Veja alguns deles:

1A jornada de Santa Faustina

Santa Faustina Kowalska é mais conhecida por sua devoção à Divina Misericórdia e por sua comunicação direta com Jesus Cristo,que ela registrou em seu diário, "Diário de Santa Maria Faustina Kowalska: A Misericórdia Divina na Minha Alma". No entanto, sua jornada espiritual não foi sem dificuldades.

2As noites escuras da alma

Santa Faustina experimentou profundas noites escuras da alma, nas quais ela se sentia espiritualmente desamparada e distante de Deus. Essas experiências são semelhantes às vividas por outros santos, como Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz. Durante esses períodos, a fé de Santa Faustina foi severamente testada, e ela se sentiu abandonada por Deus.

3A fé inabalável de Santa Faustina

Apesar das noites escuras e das dificuldades, a fé de Santa Faustina permaneceu inabalável. Ela continuou a cumprir sua missão de difundir a mensagem da Divina Misericórdia, mesmo quando se sentia distante de Deus. Sua devoção e confiança na misericórdia de Deus a ajudaram a superar essas provações espirituais. 

4A mensagem da Divina Misericórdia

A mensagem central que Santa Faustina recebeu de Jesus é a da Divina Misericórdia, que enfatiza o amor incondicional e o perdão de Deus. Essa mensagem é uma fonte de esperança para muitos e destaca a importância da fé, mesmo em meio à escuridão espiritual. 

5A lição para todos nós

A história de Santa Faustina nos ensina que a fé não é uma jornada sempre iluminada. Pode haver momentos de escuridão e desespero, nos quais nos sentimos distantes de Deus. No entanto, é nesses momentos que a fé verdadeira é testada e fortalecida. Assim como Santa Faustina, podemos aprender a confiar na misericórdia divina, mesmo quando tudo parece perdido. 

6A luz da fé

As noites escuras da alma de Santa Faustina são um lembrete de que a fé é uma jornada complexa, repleta de desafios. No entanto, também demonstram que, mesmo nas horas mais sombrias, a fé pode brilhar intensamente quando ancorada na confiança em Deus e em Sua misericórdia. 

A história de Santa Faustina nos inspira a nutrir nossa fé, independentemente das dificuldades, e a encontrar luz na escuridão. 

Tenha fé, e guarde a esperança. As noites mais escuras também passam. 

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ESPIRITUALIDADE

 

É possível lucrar indulgências com o rosário

Muitas pessoas escreveram sobre o poder espiritual do rosário, mas talvez algo pouco conhecido é a graça da indulgência que é possível ganhar com esta devoção mariana que, segundo a tradição, foi dada pela própria Mãe de Deus.

São João Paulo II em sua carta apostólica Rosarium Virginis Mariae (Rosário da Virgem Maria, 37) assinalou que “para fomentar esta projeção eclesiástica do Rosário, a Igreja quis enriquecê-lo com santas indulgências para quem o recita com as devidas disposições”.

Sobre isso, a Concessão 17 da Enchiridion Indulgentiarum (Manual de Indulgências) da Penitenciária Apostólica do Vaticano, indica que “confere-se uma indulgência plenária se o Terço for rezado em uma igreja ou em um oratório público ou em família, em uma comunidade religiosa ou em piedosa associação”.Do mesmo modo, a indulgência é concedida ao fiel que “se une devotamente à recitação dessa mesma devoção quando é feita pelo Supremo Pontífice e é transmitida através da televisão ou do rádio. Em outras circunstâncias ganha a indulgência parcial”.

Em seguida, explica que, “se a obra, enriquecida com a indulgência plenária, se pode dividir ajustadamente em partes (como o Rosário de Nossa Senhora em dezenas), quem por motivo razoável não terminou a obra por inteiro, pode ganhar a indulgência parcial pela parte que fez”.

Nesse sentido, destaca que no caso da oração vocal “deve acrescentar a devota meditação dos mistérios” e que na oração pública, “os mistérios devem ser meditados conforme o costume aprovado no local; mas na recitação privada, basta que o fiel acrescente à oração vocal a meditação dos mistérios”.

Como se sabe, só é possível ganhar uma indulgência plenária por dia (exceto em perigo de morte). É possível obtê-la se cumprir as devidas disposições que a Igreja pede, ou seja, a confissão sacramental, a comunhão eucarística e as orações pelas intenções do Papa. Se desejar, a indulgência pode-se ganhar a indulgência para um falecido.

Sobre o objeto do terço

Por outro lado, são Paulo VI estabeleceu em sua constituição apostólica Indulgentiarum Doctrina (Doutrina das indulgências, Norma 17), que “aos fiéis que utilizam religiosamente um objeto de piedade (crucifixo, cruz, terço, escapulário, medalha), validamente abençoado por um padre, concede-se indulgência parcial”.

“Além disso, se o objeto de piedade foi bento pelo Soberano Pontífice ou por um bispo, os fiéis que religiosamente o usam podem também obter a indulgência plenária no dia da festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, ajuntando, porém, a profissão de fé sob uma forma legítima”.

Com relação a este assunto, padre Jhon Phalen, Csc, grande propagador da devoção do rosário em família, advertiu que usar com devoção um objeto de piedade significa rezar.

“Eu acredito que carregar uma cruz ou até o terço é como uma profissão de fé. Mas o terço em si, mais do que o objeto concreto, é a oração. Então, deverá rezá-lo”, esclareceu o sacerdote. “De outra forma pode parecer que há muita fé no objeto e não em Deus… o objeto nos ajuda a nos comunicarmos, relacionarmos com Deus”, acrescentou.Portanto, não basta carregar o terço no pescoço, no bolso ou a bolsa para ganhar a indulgência parcial, mas deve ser usado na oração, para nos aproximar mais de Deus na própria vida.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrada Nossa Senhora do Rosário, auxílio dos cristãos

“O rosário é minha oração preferida. Oração maravilhosa em sua simplicidade e em sua profundidade. Nesta oração repetimos muitas vezes as palavras que a Virgem Maria escutou da boca do anjo e de sua prima Isabel. A estas palavras toda a Igreja se associa”. Estas são as palavras de são João Paulo II que remetem à data celebrada hoje (7), festa de Nossa Senhora do Rosário.

Foi a própria mãe de Deus quem pediu que essa oração fosse difundida para a obtenção de graças abundantes. Em 1208, a Virgem Maria apareceu a São Domingos de Gusmão para ensinar-lhe a rezar o Rosário e pediu que ele difundisse a devoção desta arma poderosa para vencer os inimigos da fé. Foi por causa deste anúncio do santo que as tropas cristãs, antes da Batalha de Lepanto (7 de outubro de 1571), rezaram o rosário e venceram os turcos otomanos.

Em agradecimento a Nossa Senhora, o papa São Pio V instituiu esta data como a festa de Nossa Senhora das Vitórias e acrescentou o título de “Auxílio dos Cristãos” às ladainhas da Mãe de Deus. Mais tarde, o Papa Gregório III mudou o nome para festa de Nossa Senhora do Rosário.Rosário significa “coroa de rosas”. Foi definido por são Pio V como “um modo muito piedoso de oração, ao alcance de todos, que consiste em ir repetindo a saudação que o anjo fez a Maria; intercalando um ‘Pai Nosso’ entre cada dez ‘Ave Marias’ e tratando de ir meditando enquanto isso na vida de Nosso Senhor”.

São João Paulo II, que acrescentou os mistérios luminosos à oração do rosário, escreveu em sua carta apostólica Rosarium Virginis Mariae que esta oração “na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade”.Ao visitar o santuário de Pompeia, na Itália, em março de 2015, o papa Francisco se deteve em oração durante alguns minutos em frente à imagem de Nossa Senhora do Rosário e recitou a “Pequena Súplica”, extraída da histórica oração, composta pelo beato Bartolo Longo, que, em 1875, levou a imagem ao Santuário de Pompeia. Esta é a oração:

“Virgem do Santo Rosário, Mãe do Redentor, mulher da nossa terra elevada aos céus, humilde serva do Senhor, proclamada Rainha do mundo, do profundo das nossas misérias recorremos a Ti. Com confiança de filhos, contemplamos o teu rosto dulcíssimo.

Coroada por doze estrelas, tu nos conduzes ao mistério do Pai, tu resplandeces de Espírito Santo, tu nos dais o teu Menino divino, Jesus, nossa esperança, única salvação do mundo. Mostrando-nos o teu Rosário, nos convidas a fixar o seu rosto. Tu nos abres o seu coração, abismo de alegria e de dor, de luz e de glória, mistério do Filho de Deus, que se fez homem por nós. Aos teus pés, nas pegadas dos Santos, sentimo-nos família de Deus.Mãe e modelo da Igreja, tu és nossa guia e sustento seguro. Tu nos tornas um só coração e uma só alma, povo forte a caminho para a pátria do céu. Nós te apresentamos as nossas misérias, os tantos caminhos do ódio e do sangue, as antigas e novas pobrezas, sobretudo os nossos pecados. A ti confiamos, Mãe de Misericórdia! Obtém-nos o perdão de Deus! Ajuda-nos a construir um mundo, segundo o teu coração.

Ó Rosário bendito de Maria, doce corrente que nos liga a Deus; corrente de amor, que nos faz irmãos, não te deixaremos jamais. Nas nossas mãos serás a arma da paz e do perdão, estrela do nosso caminho. O nosso beijo a ti, com o último respiro, nos imergirá em um mar de luz, na visão da amada Mãe e do seu Filho divino, anseio e alegria do nosso coração, com o Pai e o Espírito Santo. Amém”.

LITURGIA DIÁRIA

7 de outubro: Nossa Senhora do Rosário

Festa de Nossa Senhora do Rosário. “Começou a pensar qual seria o significado da saudação”. Uma alma contemplativa não lê a realidade com olhos humanos. Vê o seu dia a dia com os olhos de Deus. A Virgem Maria considerava essa saudação sabendo-se criatura, com humildade, mas aberta às maravilhas divinas.


 Evangelho Lc 1, 26-38

O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria.

O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.

O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?”

O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”.

Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”

E o anjo retirou-se.


Comentário

A Igreja propõe este Evangelho para a festa de hoje, e é bonito parar e pensar quantos pintores retrataram esta cena, ou quantos gestos litúrgicos recordam este momento importante para a nossa salvação (gestos, pausas, cânticos, etc.), ou ser conscientes de quantos cristãos param ao meio-dia para rezar o Ângelus, e voltar a contemplar as maravilhas que podem ser encontradas no exemplo de Nossa Senhora.

E o evangelista, para preparar o leitor para tal acontecimento, dá-nos algumas informações que nos ajudam a contextualizar e a situar a cena. Fala-nos de um anjo que vai visitar uma mulher, uma virgem, que vive numa pequena aldeia. Introduz-nos na vida desta mulher, e dá-nos mais algumas informações para a apresentar: ela está noiva de um homem, que é da casa de Davi. E fecha este preâmbulo com uma menção ao seu nome: Maria (cf. v. 27).

Não é uma menção indiferente, tal como não é indiferente ter um nome. O próprio Deus quis dar um nome ao seu Filho: “a quem porás o nome de Jesus” (v. 31). O nome permite-nos personalizar alguém, falar sobre ele, invocá-lo, amá-lo. E para nós esta menção do nome de Nossa Senhora enche-nos de esperança, enche-nos de alegria. “Se se levantam os ventos de tentação, se tropeças nos escolhos das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria (...). Não te desviarás se a seguires, não desesperarás se pedires a Maria, não te perderás se pensares nela. Se ela te segurar pela mão, não cairás; se ela te proteger, não terás nada a temer. Não ficarás cansado, se ela for a tua guia; chegarás em segurança ao porto, se ela te proteger. E assim experimentarás em ti mesmo com que razão foi dito: E o nome da Virgem era Maria”[1].

Em cada Ave Maria, como o próprio nome da oração indica, saudamos Nossa Senhora, dirigimo-nos a Ela. Invocamos a Senhora do doce nome, como fez São Josemaria[2], como fez o anjo, como faz Deus. E fazemo-lo muitas vezes em cada mistério, em cada terço. Hoje, na festa de Nossa Senhora do Rosário, no início do mês desta oração, saboreemos esta oração como Deus o faz, “pois todo um Deus se regozija em tão graciosa beleza”[3] chamando-lhe Maria.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 O significado do dia de Nossa Senhora do Rosário

Afesta de Nossa Senhora do Rosário foi instituída por São Pio V para comemorar e agradecer a Virgem por sua ajuda na vitória sobre os turcos em Lepanto, na Grécia, no dia 7 de outubro de 1571.

O Papa São Pio V abençoou os escudos dos exércitos cristãos que enfrentaram os turcos otomanos. Estes já tinham tomado Constantinopla – sede do Império romano do oriente (1476) – e se preparavam para dominar a Europa Cristã e faze-la muçulmana. Então, o Papa pediu ao Príncipe João da Áustria para enfrentar o inimigo da Igreja.

Foi uma guerra justa, para se defender e não para atacar. E os exércitos cristãos, em menor número, mas sob a proteção do santo Rosário de Nossa Senhora venceram os otomanos; então o Papa consagrou o dia 7 de outubro à Nossa Senhora das Vitórias, ou do Santo Rosário.

Ameaça

No século XVI, o Império Otomano em expansão continuava a ameaçar perigosamente a Europa Ocidental, como sempre fez desde Maomé no século VII. Num contexto pouco favorável, em maio de 1571, o Papa Pio V conseguiu, finalmente, celebrar a “Santa Liga”, aliança entre Espanha, Veneza e Malta, que ele consagra na Basílica de São Pedro.

Uma frota se reúne, e é confiada a Dom João da Áustria, irmão de Felipe II da Espanha. Desejando implorar a proteção celeste para a frota, São Pio V publicou um jubileu solene e ordenou o jejum e a oração pública do Rosário.

A batalha decisiva teve lugar no dia 7 de outubro de 1571, no golfo de Lepanto, à saída do estreito de Corinto. No combate, 213 galeras espanholas e venezianas e uns 300 navios turcos.

Aproximadamente cem mil homens combatem em cada campo. A frota cristã alcançou uma vitória completa. Quase todas as galeras inimigas foram presas ou postas a pique. O almirante turco Ali Pacha foi morto. Quinze mil cativos cristãos foram liberados. Somente um terço da frota turca consegue voltar, derrubando assim a lenda da invencibilidade da frota muçulmana.

Vitória

Na noite da batalha, o papa Pio V foi, bruscamente, do seu escritório até a janela, onde parecia contemplar um espetáculo. Em seguida, voltou-se e disse aos cardeais que estavam com ele: “Vamos dar graças a Deus: nossa armada saiu vitoriosa”.

Isto aconteceu no dia 7 de outubro, pouco antes das cinco horas da tarde, mas a notícia da vitória chegaria a Roma somente 19 dias mais tarde, em 26 de novembro, confirmando, assim, a revelação feita pelo sumo pontífice.

Após a batalha de Lepanto, Pio V acrescentou às Ladainhas da Santíssima Virgem uma invocação suplementar: “Auxílio dos cristãos, rogai por nós” (ou "Socorro dos cristãos, rogai por nós"), e ordenou a instituição da festa de Nossa Senhora das Vitórias, que Gregório XIII logo a seguir fez celebrar, sob o nome de festa do Rosário, a cada primeiro domingo do mês de outubro em todas as igrejas. No seio do povo católico, a vitória de Lepanto contribuiu, desta forma, para o rápido desenvolvimento da devoção do Rosário.

Festa

No seu Breve Consueverunt (14-IX-1569), o Papa Pio V falava do Rosário como um meio de vitória. Clemente XI estendeu a festa a toda a Igreja no dia 3-10-1716. Leão XIII conferiu-lhe um nível litúrgico mais elevado e publicou nove Encíclicas sobre o Santo Rosário. São Pio X fixou definitivamente a festa no dia 7 de outubro.

Por esse motivo, foi acrescentada à ladainha a invocação Auxilium christianorum. Desde então, esta devoção à Virgem foi constantemente recomendada pelos Sumos Pontífices como “oração pública e universal pelas necessidades ordinárias e extraordinárias da Igreja santa, das nações e do mundo inteiro”.

Idade Média

Na Idade Média, saudava-se a Virgem Maria com o título de rosa (Rosa mystica), símbolo de alegria. Adornavam-se as suas imagens com uma coroa ou ramo de rosas (em latim medieval Rosarium). E os que não podiam recitar os cento e cinquenta salmos do ofício divino substituíam-no por tantas Ave-Marias.

A Ladainha que se reza atualmente no Rosário começou a ser cantada solenemente no Santuário de Loreto (de onde procede o nome de ladainha lauretana) por volta do ano 1500, mas baseia-se numa tradição antiquíssima. Desse lugar espalhou-se por toda a Igreja.

Catecismo

O Catecismo da Igreja fala de uma “guerra justa”, às vezes necessária para defender a nação ou as nações. Se os turcos otomanos não fossem detidos na Grécia, milagrosamente e definitivamente, talvez a Europa hoje não fosse cristã; e, por desdobramento também a América Latina. Viva Nossa Senhora do Rosário.

Rosário

Todos os Papas, desde o seu advento na Igreja, sem exceção recomendaram vivamente a oração do santo Rosário, meditando toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Papa João Paulo II dizia que “era a sua oração predileta” e escreveu a Encíclica “O Rosário da Virgem Maria”.