sábado, 15 de agosto de 2026

LITURGIA DIÁRIA

            Assunção de Nossa Senhora

Lucas 1,39-56

Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

Palavra da salvação.


 

IGREJA

 Maria mostra que a verdadeira beleza está na luz do Ressuscitado, diz Leão XIV

O papa Leão XIV exortou hoje (15) os católicos a olharem para Maria, a Mãe de Deus, como um exemplo de “verdadeira beleza”. O papa destacou a aparência juvenil dela na arte sacra como um sinal de “amor que não tem fim”.

O papa proferiu a homilia na missa na paróquia pontifícia de São Tomás de Villanova, em Castel Gandolfo, localizada bem ao lado da residência papal de verão. A pequena capela estava lotada para a liturgia das 10h da solenidade da Assunção da Santíssima Virgem Maria.

Em sua homilia, ao refletir sobre a assunção de Maria ao céu, Leão XIV disse que “muitas obras de arte retratam-na, no fim da sua vida terrena, como uma jovem belíssima que se eleva fisicamente da terra em direção à abóbada celeste”.Essas representações de uma Maria jovem no fim de sua vida contrastam com “com a experiência que provoca em nós o passar dos anos”, disse o papa. Ele perguntou retoricamente: “O que temos em comum com a jovem maravilhosa que vemos retratada nas telas dos nossos altares?”

A glorificação de Maria, disse o papa, “ensina-nos que a nossa verdadeira beleza não consiste em esconder os sinais do tempo que passa, mas em mostrar, impressos também na nossa carne, os sinais do amor que não tem fim”.

O papa disse que esse sinal de fé convida os católicos a “rever muitos dos padrões estéticos que o mundo nos impõe, predominantemente de caráter hedonista e consumista,”.Ele comparou aqueles que parecem envelhecidos, mas que irradiam “serenidade, benevolência e paz”, com aqueles que “talvez exteriormente atraentes, mas duras e frias no seu íntimo”.

“É fácil compreender onde reside a verdadeira beleza e onde, pelo contrário, ainda há necessidade de conversão, de perdão e de cura”, disse.O amor é “o mais belo ornamento do homem”, disse o papa. Ele exortou os católicos a seguir “a luz do Ressuscitado”, em parte “olhando para Maria, que Deus coroou de glória em corpo e alma”.

Em suas palavras durante o Ângelus do meio-dia, depois da missa, Leão XIV disse que contemplar uma representação de Maria sendo assunta ao céu “permite-nos contemplar o nosso destino último” como seguidores de Cristo.

Ele descreveu a Santíssima Mãe como “um sinal de esperança e consolação” para os fiéis e invocou sua bênção sobre “comunidades que têm uma necessidade especial de serem consoladas”, incluindo os fiéis na Ucrânia e na Rússia, bem como aqueles que sofrem com o recente terremoto na Colômbia.

IGREJA

 Hoje começa a Quaresma de São Miguel Arcanjo

Hoje (15), quando a Igreja celebra a solenidade da Assunção de Maria, começa também a Quaresma de São Miguel, que surgiu por inspiração de são Francisco de Assis e se conclui no dia 29 de setembro, com a festa dos santos arcanjos.

Em artigo no site de padre Paulo Ricardo por ocasião do início desta Quaresma em 2017, diz que o surgimento desta Quaresma remete à Idade Média, quando são Francisco de Assis, “achando muito longa a distância entre o Advento e a Quaresma, os dois períodos litúrgicos tradicionalmente dedicados à penitência e ao jejum, decidiu praticar um novo tempo de mortificações em honra ao príncipe da milícia celeste, são Miguel Arcanjo”.

A partir de então, começou a se tornar muito popular, “embora não esteja prevista no calendário litúrgico da Igreja”.

Este ciclo de quarenta dias de penitência, sem contar os domingos, começa exatamente em 15 de agosto, na Assunção da Santíssima Virgem Maria, e se encerra em 29 de setembro, festa dos santos arcanjos, o que remete a uma narrativa do Apocalipse.

“É interessante notar – diz o artigo – que o relato do capítulo 12 do livro do Apocalipse faz uma descrição exata da Quaresma de São Miguel, apresentando, em primeiro lugar, a ‘Mulher vestida de Sol’ e, por último, a vitória de são Miguel contra o dragão”.

Entretanto, lamenta que, “infelizmente, algumas pessoas vivem a Quaresma de São Miguel como uma superstição”, achando que basta “acender uma vela” ao santo arcanjo para “converter, por exemplo, alma de seus familiares”.

“Essas pessoas se esquecem da liberdade humana e que Deus jamais irá intervir no coração de alguém sem que esse mesmo alguém permita. Na verdade, a infalibilidade da Quaresma de São Miguel depende da disposição interior da pessoa que a está rezando, já que essa pessoa é a primeira que deve receber as graças dessa devoção”, acrescenta.

O segredo desta Quaresma, diz, é “a humildade”. “Não é à toa que ela se inicia com a assunção de Nossa Senhora e se encerra com a festa de S. Miguel, as duas criaturas que, na ordem da graça, deram um grande testemunho de humildade diante de Deus”.

“Maria e Miguel mostram que o caminho da perfeição deve ser trilhado pela via da humildade” e “venceram o dragão pelo sangue do Cordeiro porque se dispuseram a cumprir tudo o que Ele lhes dissera”.

"Nós precisamos recorrer ao auxílio divino, à intercessão dos anjos, de Nossa Senhora e do sangue do Cordeiro, caso queiramos vencer a batalha contra o diabo”, acrescenta.

A seguir, confira a Quaresma de São Miguel, disponibilizada pela site da Comunidade Canção Nova:

Todos os dias:

– Acender uma vela benta.
– Oferecer uma penitência.
– Fazer o sinal-da-cruz.
– Rezar a oração inicial.
– Rezar a Ladainha de São Miguel

Oração inicial:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai ao inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

Sacratíssimo Coração de Jesus! (três vezes)

Ladainha de São Miguel

Senhor, tende piedade de nós;
Jesus Cristo, tende piedade de nós;
Senhor, tende piedade de nós;
Jesus Cristo, ouvi-nos;
Jesus Cristo, atendei-nos!

Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós;
Filho Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós;
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós;
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós;
São Miguel, rogai por nós;
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós;
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós;
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós;
São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós;
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós;
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós;
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós;
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós;
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós;
São Miguel, luz dos Anjos, rogai por nós;
São Miguel, baluarte da verdadeira fé, rogai por nós;
São Miguel, força dos que combatem sob o estandarte da Cruz, rogai por nós;
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós;
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós;
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós;
São Miguel, mensageiro da sentença eterna, rogai por nós;
São Miguel, consolador das almas do Purgatório, rogai por nós;
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, rogai por nós;
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós;
São Miguel, nosso Advogado rogai por nós!

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor;
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor;
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.

– Jesus Cristo, ouvi-nos.
– Jesus Cristo, atendei-nos.
– Rogai por nós glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja de Jesus Cristo.
– Para que sejamos dignos das Suas promessas. Amém!

Oremos

Senhor Jesus Cristo, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, por intercessão de São Miguel, a sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas no Céu e a trocar os bens do tempo presente pelos bens eternos. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém!

ESPIRITUALIDADE

 Reflexões de Madre Angélica sobre a Assunção de Nossa Senhora

Hoje (15), é a festa da Assunção de Nossa Senhora, solenidade que celebra o fim da vida terrena de Nossa Senhora e a assunção de seu corpo e alma ao céu. O dia também marca o aniversário da Eternal Word Television Network (EWTN).

Em 15 de agosto de 1981, a fundadora da EWTN, madre Maria Angélica da Anunciação, iniciou seu programa de televisão num estúdio de garagem no Alabama, EUA. A transmissão lançou o que hoje é a maior rede global de mídia católica do mundo. ACI Digital é um serviço da EWTN News, afiliada da EWTN.

Enquanto os fiéis celebram a Assunção e a EWTN comemora 45 anos de propagação da Palavra Eterna, relembre o que Madre Angélica disse sobre a Mãe de Jesus e sua assunção ao Céu.

Assunção de Nossa Senhora

“Essa é a festa da Assunção de Nossa Senhora, e muita gente não entende isso”, disse madre Angélica, freira clarissa da Adoração Perpétua, numa transmissão da EWTN em 15 de agosto de 2000. “Confundem tudo com a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. E é diferente”.

A Assunção é uma festa relativamente nova na Igreja, mas tem raízes nos primeiros séculos da fé cristã. Madre Angélica disse aos seus ouvintes que "quando todos os apóstolos souberam que Nossa Senhora havia morrido, todos foram até onde ela estava, exceto Tomé".

“São Tomé, segundo a tradição, estava sempre atrasado, sempre atrasado”, brincou Madre Angélica. “Todos nós temos alguém assim na família. Eles estão sempre atrasados”.

“Então, quando ele chegou, abriram o [túmulo] e ela havia sumido… E desde o início do cristianismo, sempre se acreditou que ela foi elevada ao Céu. Faz sentido”.Faz sentido, disse Madre Angélica, "porque ela era tão pura e tão santa. Não havia motivo para ela apodrecer como vamos apodrecer".

“Nossa Senhora jamais poderia cometer um único pecadinho. Então, o que ela faz? Ela se beneficia de todas as graças. Nós nos beneficiaremos do sangue de Jesus — da redenção”, disse ela. “Vocês dizem: Bem, por que ela seria tão diferente? Bem, porque ela foi criada por Deus e, antes do início dos tempos, Ele a tinha em mente para ser a mãe de seu Filho — o Verbo Eterno”.

“Você não pode nem pensar por meio segundo que a mãe de Deus possa estar nas mãos de satanás. Isso profanaria o templo”, disse ela, acrescentando: “Quer dizer, isso é senso comum. Não é preciso mais nada para realmente perceber que o templo de Deus tinha que ser absolutamente perfeito por causa Dele”.

Embora Nossa Senhora tenha nascido perfeita, madre Angélica disse: “Todos nós nascemos com o pecado original e temos consequências por ele, mesmo depois do batismo”. Sentimos “ciúme, raiva e hipersensibilidade. Nascemos com muitas coisas que não são como Jesus. E, portanto, temos que superar essas coisas”.Mas, eventualmente, “a Assunção de Nossa Senhora é algo que todos nós teremos”, porque “todos nós vamos ressuscitar… chegará o dia no fim do mundo em que Deus vai respirar e dizer: Levanta-te”.

“Segredo da santidade”

“Nossa Senhora tinha que ser incrível, porque ela sempre dizia sim a Deus. Esse é o segredo da santidade”, disse madre Angélica. “Ah, você não precisa ser brilhante, não precisa ser um gênio, não precisa construir prédios, não precisa fazer nenhuma dessas coisas. Você precisa fazer a vontade de Deus com amor e sacrifício”.

No fim das contas, "tudo se resume ao amor", disse ela. "E você só faz a vontade de Deus porque ama. Nossa Senhora sempre amou a Deus e sempre fez a vontade Dele com perfeita união".Na solenidade da Assunção de Nossa Senhora, "devemos agradecer a Deus por Ele ter criado uma mulher assim", disse madre Angélica. "Tinha que haver alguém como ela. E só dela, só dessa mulher santa e perfeita, poderia vir o Verbo Eterno".

SANTO DO DIA

 Hoje é dia de são Tarcísio, mártir da eucaristia e padroeiro dos coroinhas

A Igreja celebra hoje (15) são Tarcísio, acólito da Igreja de Roma que morreu apedrejado por defender a eucaristia do ataque dos pagãos. São Tarcísio, mártir da eucaristia, é o padroeiro dos coroinhas.

São Tarcísio ajudava o papa Sisto II na celebração das missas no século III, época em que o imperador romano Valeriano perseguia os cristãos. Eles eram obrigados a se reunir em segredo nas casas ou nas catacumbas para prestar culto a Deus. Quando descobertos, eram presos, torturados e, se não aderissem ao culto do imperador, mortos.

Por causa da perseguição, levar a eucaristia para os doentes e prisioneiros era perigoso. Certo dia, o sacerdote perguntou quem queria cumprir essa tarefa e Tarcísio se ofereceu. “Minha juventude será a melhor salvaguarda para a Eucaristia", disse ele, e levou a hóstia jurando protegê-la até a morte, se necessário.No caminho, Tarcísio foi parado por pagãos que perceberam que ele apertava alguma coisa ao peito e tentaram arrancá-la. Ele não cedeu e começaram a espancá-lo. O acólito resistiu, conseguiu proteger as hóstias, mas entrou em agonia. Um soldado, que também era cristão em segredo, o levou a um sacerdote.

Tarcísio chegou lá sem vida, mas ainda com a hóstia em um pedaço de linho apertada contra o peito. Ele foi sepultado imediatamente nas catacumbas de são Calisto. O papa Damaso mandou fazer uma inscrição para o túmulo de são Tarcísio, segundo a qual ele morreu no ano 257.  O Martirológio Romano incluiu uma tradição oral sobre são Tarcísio, segundo a qual não foi encontrada a hóstia nem no corpo, nem nas mãos, nem nas roupas de são Tarcísio. Diz que a partícula sagrada, defendida com a vida pelo pequeno mártir, se tornou carne da sua carne, formando com o seu corpo uma única hóstia imaculada oferecida a Deus.

“Ao defender a Santíssima Eucaristia de Cristo que uma multidão furiosa de gentios pretendiam profanar”, são Tarcísio “preferiu ser apedrejado até à morte, em vez de entregar aos cães as sagradas espécies”, diz ainda o Martirológio Romano.

Oração a são Tarcísio

“São Tarcísio, ajuda-nos a consagrar nossa vida a Deus. Ensinai-nos a servir Cristo e ao próximo, com firmeza, alegria, fé e dedicação. Pede por nós, ó são Tarcísio! Concede-nos saúde, vontade de viver e coragem para perseverar. Dá-nos disposição de viver como amigos e irmãos. São Tarcísio, coroinha-mártir, desperta em nós um grande amor a Cristo na eucaristia. Fortalece nossa união e inspira nossos serviços à comunidade. Que assim seja. Amém!”.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de 15 de agosto: Assunção de Nossa Senhora

Comentário ao Evangelho da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. «Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha». Tudo em Maria reflete a alegria de um amor diligente, humilde e desprendido de si. S. Josemaria gostava de meditar esta cena e aprender a naturalidade de Maria para viver as virtudes cristãs.


 Evangelho (Lc 1, 39-56)

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz:

«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Maria disse então:

«A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».

Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.


Comentário

No gozoso dia em que a Igreja celebra a Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu, o Evangelho desta solenidade narra a cena da visita de Maria à sua prima Santa Isabel.

A Virgem percebe imediatamente que Isabel está em idade avançada e vai precisar de ajuda na última fase da gravidez e no parto. E, sem reparar em todos os possíveis incómodos da viagem, «naqueles dias» foi «apressadamente para a montanha» (v. 39). O evangelista não especifica se José acompanha Nossa Senhora, mas é lógico que assim seja, já que eram casados e a estada duraria vários meses.

Tudo em Maria reflete a alegria de um amor diligente, humilde e desprendido. Com efeito, a donzela de Nazaré acaba de aceitar a sua elevada vocação de Mãe de Deus. Mas este dom inefável não a retrai sobre si mesma, mas vemo-la transbordante de espírito de serviço e preocupação amorosa pelos outros.

S. Josemaria gostava de meditar sobre esta cena e aprender as virtudes cristãs a partir da naturalidade de Maria: «“Bem-aventurada, porque acreditaste!”, diz Isabel à nossa Mãe. A união com Deus, a vida sobrenatural, vai sempre unida à prática atraente das virtudes humanas: porque "leva" Cristo, Maria leva a alegria ao lar de sua prima»[1]. E noutra ocasião S. Josemaria sugeria: «Olha para a Virgem Santíssima, e observa como vive a virtude da lealdade: quando Isabel precisa d’Ela, diz o Evangelho que vai "cum festinatione", com pressa, com alegria. Aprende!»[2].

Quando Maria chega ao seu destino, no meio da alegria das mães, o Batista salta de gozo no seio de Isabel, iniciando assim a sua missão de Precursor que anuncia a chegada do Messias. E Isabel regozija-se humildemente que «a Mãe do meu Senhor» a tenha visitado (v. 43). É o Espírito Santo, de que Isabel e o Batista estão cheios (cf. Lc 1, 15.41), que os faz perceber a presença divina, ainda que oculta e humilde. E será o Paráclito que nos ensinará a reconhecer o Senhor quando Ele vier a nós, nos sacramentos e nas necessidades dos outros.

Assim como a passagem da visitação nos mostra Maria cheia de diligência e vontade de ajudar os outros, de levar-lhes o seu Filho, agora também continua a viver connosco os cuidados que demonstrou com Isabel.

O Papa Francisco exprimiu-o assim: «A festividade da Assunção de Maria é uma exortação a todos nós, especialmente àqueles que estão aflitos por dúvidas e tristezas, e vivem cabisbaixos, não conseguem erguer os olhos. Olhemos para cima, o céu está aberto; não incute medo, já não está distante, porque no limiar do céu há uma Mãe à nossa espera, é a nossa Mãe. Ela ama-nos, sorri para nós e socorre-nos com esmero»[3].

«Como todas as mães, Ela quer o melhor para os seus filhos e diz-nos: «Vós sois preciosos aos olhos de Deus; não sois feitos para as pequenas satisfações do mundo, mas para as grandes alegrias do céu». Sim, porque Deus é alegria, não tédio. Deus é alegria! Deixemo-nos levar pela mão de Nossa Senhora»[4].

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

IGREJA

 

A oração do Papa chega às periferias. E nós, cristãos, chegamos até elas?

Quem anda pelas ruas de uma grande metrópole brasileira conhece bem aquele contraste que aperta o peito. De um lado, sobem os prédios altos de vidro, espelhados e frios. Do outro, sob marquises ou erguidos com tábuas improvisadas nos morros e baixadas, homens, mulheres e crianças tentam apenas existir. A cidade grande corre apressada, no balanço duro do ônibus, no olhar esquivo de quem cruza a calçada sem enxergar o vizinho.

Neste mês de agosto de 2026, lá de Roma, o Papa Leão XIV olhou para essa mesma paisagem urbana e fez um pedido de oração aos fiéis de todo o mundo: rezar pela evangelização nas cidades, buscando novas formas de anunciar o Evangelho onde o anonimato e a solidão costumam vencer. Esse pedido de Roma não ficou flutuando no ar. No Brasil, ele encontrou chão firme, ecoando direto nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032) e na Campanha da Fraternidade de 2026, que escolheu como tema um grito que vem do peito de milhões de brasileiros: "Fraternidade e Moradia".

A ferida da moradia

Não é por acaso que a voz do Papa e a da Igreja no Brasil falam a mesma língua. O Pontífice lembra que a vida urbana moderna criou um certo culto ao indivíduo, onde cada um se fecha na própria opinião e na sua rotina. Mas a solidão da cidade não é feita apenas de portas fechadas; ela é feita de carências concretas. Nas diretrizes dos bispos brasileiros, a lista de dores da cidade abre espaço para a pobreza, o desemprego, a falta de saneamento básico, a violência, a devastação ambiental e a precarização do teto.

É aí que o assunto deixa de ser apenas discurso e vira pele, osso e tijolo. A negação do direito à casa no Brasil é uma ferida histórica que sangra desde o fim dos mais de 400 anos de escravidão, quando os ex-escravizados foram jogados à própria sorte sem acesso à terra e à moradia.

Os números mostram o tamanho desse desafio urbano: cerca de um terço da população do país enfrenta algum tipo de precariedade habitacional. São aproximadamente 6 milhões de famílias (cerca de 10% da população) que necessitam imediatamente de uma casa digna — gente morando em condições muito precárias, esmagada por aluguéis elevados ou dependendo de moradia cedida por terceiros. Ao mesmo tempo, outros 80 milhões de brasileiros (26 milhões de famílias) vivem em habitações inadequadas nas cidades. E o maior paradoxo desse cenário é ver cerca de 12 milhões de imóveis vazios espalhados pelo país enquanto tantas famílias não têm onde se proteger do frio ou da chuva.

O Papa pede para plantar a fraternidade

Diante desse deserto de concreto e desigualdade, qual é a resposta? Tanto a intenção de oração do Papa Leão XIV quanto as diretrizes da Igreja e a Pastoral da Moradia e Favela apontam para a mesma direção: é preciso reconstruir a vida em comunidade.

O Papa deseja que sejam descobertos "caminhos criativos para construir comunidade". As Diretrizes da Ação Evangelizadora respondem propondo a imagem viva de "armar a tenda no hoje da história", criando comunidades abertas e acolhedoras. Inspiradas nas primeiras comunidades do livro dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42), essas pequenas comunidades de discípulos missionários nascem da escuta da Palavra, da comunhão, da oração, da Eucaristia e do testemunho da fé no cotidiano. A fé cristã não é um ato isolado; a Trindade é uma comunidade de amor e a fé pressupõe viver juntos na partilha e na caridade.

Essa comunidade de fé não pode ficar trancada entre quatro paredes enquanto a periferia ao lado sofre e se torna oração e ação por meio de uma organização pastoral. Fruto da 6ª Semana Social Brasileira (2022-2023), a Pastoral da Moradia e Favela vem articulando lideranças comunitárias pelo país. Atualmente com cerca de 30 grupos em formação nas dioceses, a meta é chegar a 300 equipes para acompanhar famílias ameaçadas de despejos ou afetadas por enchentes e deslizamentos, além de lutar por políticas públicas de habitação.