sexta-feira, 11 de setembro de 2026

EDUCAÇÃO

 

Motivação ou pressão? A diferença na criação dos filhos

Todos os pais desejam que seus filhos sejam felizes, tenham sucesso e aproveitem suas capacidades. No entanto, entre acompanhar o crescimento deles e exigir constantemente, pode haver uma linha muito tênue. Muitas vezes nos propomos a ideia de "quero que meu filho seja o melhor", "quero que ele vença a competição", "que não seja tímido" e, embora todos os pais busquem o mesmo, dizer isso à criança pode exercer sobre ela uma grande pressão. 

Como saber se estamos motivando nossos filhos ou se, pelo contrário, estamos depositando sobre eles expectativas demais? Aqui mostramos alguns exemplos de erros comuns que você pode estar cometendo na criação dos seus filhos, que poderiam pressioná-los sem que você perceba.

1Compará-lo constantemente

 "Olha como a sua irmã consegue." "Seu amigo tirou notas melhores." "Na sua idade, eu já...". Isso só fará com que ele se sinta julgado e exposto. A comparação pode fazer com que seu filho sinta que está sempre sendo medido de acordo com as conquistas de outra pessoa, o que pode causar nele uma ferida de rejeição. 

2Buscar as mesmas vitórias que você

Pode acontecer de, durante a sua infância, você ter sido o melhor jogador de futebol e agora gostaria que seu filho também fosse, por isso o inscreve em aulas à tarde e o leva para partidas nos finais de semana, expressando que quer que ele seja o melhor e o maior artilheiro. 

No entanto, às vezes os filhos adquirem outros gostos e outros talentos para outra disciplina. Não o force a repetir as mesmas conquistas ou a desenvolver os mesmos passatempos. 

3Que ele alcance o que nós não conseguimos

No outro extremo, temos os pais que buscam que seus filhos alcancem o que eles não conseguiram realizar na infância; isso coloca um grande peso sobre os ombros deles. 

4Transformar cada erro em uma grande decepção

Quando o filho sente que um erro provocará gritos, reproches ou uma profunda decepção em seus pais, ele pode começar a viver com medo do fracasso. 

O problema não é corrigir, mas como corrigimos. Você pode comparar duas perguntas: "como você pôde fazer uma coisa dessas?", em contraste com "o que você acha que poderia fazer diferente da próxima vez?". A criação não deveria ensinar apenas a evitar erros, mas também a aprender com eles. 

5Fazer de suas conquistas a medida de seu valor

Quando a criança recebe mais atenção, reconhecimento ou afeto apenas quando obtém bons resultados, ela pode interpretar que precisa render para ser amada. Desde as notas e o esporte até a sua aparência física e conduta. 

Seu filho precisa saber que as conquistas dele podem alegrar você, mas que o seu amor por ele não depende de seus resultados. Isso não significa deixar de reconhecer o esforço ou exigir responsabilidade, mas separar o valor da pessoa do seu desempenho. 

Como acompanhar sem pressionar? Valorize o esforço do seu filho. 

IGREJA

 

Beata, a babá polonesa que guiou Carlo Acutis no caminho da fé

Uma família católica, mas não praticante

Como muitos italianos, os pais de Carlo eram católicos culturalmente, mas pouco praticantes. Sua mãe, Antonia Salzano, contou em entrevista à Aleteia em 2022 que, antes do filho, tinha ido à igreja apenas três vezes: “Minha primeira missa foi a Primeira Comunhão, a segunda a Crisma, e a terceira o meu casamento.” Em casa, nunca se falava sobre fé.

Mesmo assim, desde pequeno Carlo mostrava vivo interesse pelas coisas de Deus. Demonstrava grande piedade e amor especial por Jesus e Maria. Com apenas três anos, não conseguia passar diante de uma igreja sem parar para saudar Jesus presente no sacrário. Durante passeios pelos parques de Milão, colhia flores para depositar aos pés de imagens da Virgem Maria. Embora Carlo tivesse uma inclinação natural para o sagrado, sua mãe reconhece que a influência da babá foi decisiva.

A polonesa que o aproximou da Eucaristia

Essa babá era Beata Anna Sperczyńska, uma jovem polonesa que trabalhou como au pair na casa dos Acutis durante alguns anos. Antonia recorda: “Beata foi uma das primeiras pessoas a falar de Deus a Carlo.”

Foi ela quem despertou nele o amor por Jesus presente na Eucaristia, levando-o regularmente à Missa. Também o ensinou os fundamentos da fé, a prática da misericórdia para com os pobres e as primeiras orações.

O “Anjo da Guarda” em polonês

Em entrevista ao semanário Niedziela, Beata contou que a primeira oração que Carlo aprendeu rapidamente — e em polonês — foi a oração ao anjo da guarda: “Aniele Boży, stróżu mój” (“Anjo de Deus, meu guardião”).

No início, Carlo apenas repetia as palavras sem entender, mas logo começou a perguntar o que significavam. Beata também lhe apresentou a Virgem Maria, mostrando-lhe uma imagem da Virgem Negra de Czestochowa, pela qual tinha grande devoção, e transmitiu-lhe o amor ao rosário.

Ela relembrou ainda um episódio marcante: durante uma festa de aniversário, quando tinha apenas três anos, Carlo saiu em sua defesa. Algumas crianças zombavam dela por usar o rosário no pescoço, e Carlo interveio dizendo que o rosário dela era “o mais bonito do mundo”.

Uma fé enraizada no coração da criança

Com o passar dos anos, Beata acompanhou admirada a ligação natural de Carlo com Jesus, como se o conhecesse desde sempre.

Ela mesma vinha de uma família católica de uma pequena aldeia polonesa, onde a missa dominical era o centro da vida da comunidade. Era uma mulher de fé simples e sólida, profundamente marcada também pelos ensinamentos de São João Paulo II.

Graças às suas palavras e ao seu testemunho, Carlo recebeu a fé que ela mesma carregava desde a infância. Essa fé, cultivada desde cedo, ajudou-o a crescer no caminho da santidade e o preparou para, em breve, ser canonizado.

O testemunho de Beata mostra como a semente da fé pode florescer de maneira extraordinária e nos lembra de nunca subestimar a força da presença cristã no coração de uma criança.

ESPIRITUALIDADE

 

Antonia Salzano, mãe de Carlo Acutis: “Continuamos a receber testemunhos quase todos os dias”

le quase dispensa apresentações. Em 7 de setembro de 2025, Carlo Acutis foi canonizado juntamente com Pier Giorgio Frassati pelo Papa Leão XIV. Originalmente agendada para alguns meses antes, a cerimônia foi adiada após a morte do Papa Francisco. Essa canonização era aguardada com grande expectativa por muitos fiéis ao redor do mundo. Desde então, projetos, igrejas, capelas, organizações de caridade, escolas e iniciativas para ajudar os membros mais pobres da sociedade que levam seu nome continuam a se multiplicar. Mas, acima de tudo, testemunhos de conversão e cura atribuídos à intercessão do jovem santo italiano continuam a chegar, como relata sua mãe, Antonia Salzano.

Aleteia: Já se passou um ano desde a canonização de Carlo. O que mudou para você, seu marido e seus dois filhos desde então?
Antonia Salzano: O fato de a Igreja, à qual somos obviamente muito apegados, ter reconhecido oficialmente a santidade dele é um conforto para nós. De certa forma, por meio da canonização, a Igreja assume um compromisso no plano sobrenatural, afirmando que Carlo está no céu. É exatamente isso que a canonização significa. Mas, além disso, nada realmente mudou. Desde a morte de Carlo, recebemos muitos sinais, bem como muitos testemunhos de milagres e conversões. Para nós, a única coisa que mudou foi que a Igreja se pronunciou oficialmente, confirmando a santidade de Carlo. Isso foi importante para nós. Mas, para nós, Carlo já era um santo.

Quando você pensa no dia da canonização, qual é a primeira lembrança que lhe vem à mente?
Digamos que foi uma história um tanto movimentada. A canonização de Carlo deveria ter acontecido durante o Jubileu da Juventude. Então, o Papa Francisco faleceu e, no fim das contas, não foi possível celebrá-la naquela data. Ficamos muito tristes pelos milhares de jovens que vieram a Roma para ver Carlo. Finalmente, chegamos a esta nova data, 7 de setembro, e para nós, isso foi um alívio. Vejo esta canonização como o ápice de uma jornada muito exigente, mas também como o início de um período que está dando frutos enormes: muitos milagres, muitas conversões e muita luz levada a pessoas em todo o mundo.

O momento mais emocionante foi quando o Papa Leão XIII declarou Carlo santo.

O momento mais emocionante do dia da canonização foi quando o Papa Leão XIII declarou Carlo santo. Ficamos muito felizes. Também ficamos encantados em ver Carlo canonizado ao lado de Pier Giorgio Frassati, uma figura que admiramos muito e que nos é particularmente querida.

Seu filho Carlo conhecia Pier Giorgio Frassati?
Sim, Carlo o conhecia. Ele foi uma figura muito importante para ele, porque Pier Giorgio foi um daqueles jovens santos que o inspiraram. Ele era um santo profundamente eucarístico: havia começado a ir à missa todos os dias e a praticar a adoração eucarística. Para mim, Pier Giorgio é um pouco como o irmão mais velho de Carlo. Ele tinha um grande amor pelos pobres; era, de certa forma, um apóstolo e, como Carlo, também falava aos jovens. Não acho que seja coincidência que essas duas figuras tenham sido canonizadas juntas. Vejo Pier Giorgio como uma espécie de imagem espelhada de Carlo. Acho que o que os une mais profundamente é, acima de tudo, sua intensa vida eucarística, especialmente através da adoração. A Eucaristia é o sacramento do amor. É o sacramento que nos ajuda a crescer no amor e a amar a Deus acima de todas as coisas, assim como ao nosso próximo como a nós mesmos.

Na sua opinião, quais são os frutos mais belos que a canonização de Carlo produziu neste primeiro ano?
Continuamos a receber, como antes, testemunhos de milagres, curas e conversões quase diariamente. Este movimento continua, portanto, e tem continuado desde o dia do seu funeral. A partir desse dia, recebemos testemunhos de graças atribuídas à sua intercessão. Mas Carlo é, acima de tudo, um instrumento que Deus usa para nos conduzir a uma espiritualidade mais madura no nosso dia a dia. Na minha opinião, Carlo reacendeu em muitos jovens, mas também em adultos, padres, seminaristas e freiras, uma fé mais madura, vivida com maior consciência. Este é certamente o grande mérito de Carlo. Tudo o que ele fez, fez por Jesus e com Jesus. Ele viveu essa profunda união com Deus à qual todos os cristãos são chamados.

Após a canonização de Carlo, foram abertas diversas causas relativas a jovens contemporâneos que morreram em odor de santidade, como as de Marco Gallo e Pedro Ballester. Na sua opinião, o que explica este crescente interesse da Igreja pela santidade dos jovens?
Anteriormente, a Igreja mostrava-se relutante em acolher a juventude. Praticamente só existiam mártires. Depois, com os pastorinhos de Fátima, as coisas começaram a mudar. Passou-se a compreender que a santidade também era possível desde muito jovem. Mas os jovens santos sempre existiram. Acontece que a Igreja se tornou mais aberta e surgiram novas causas. Estas podem certamente ser uma ajuda para os jovens, como a de Chiara Luce Badano . Mas também existem muitos exemplos de jovens freiras, padres ou seminaristas que morreram em odor de santidade. 

É possível fazer o bem e ser um jovem que vive na luz de Deus.

Algumas causas estão progredindo, outras permanecem sem solução. Mas essas pessoas, independentemente do reconhecimento oficial, continuam sendo figuras inspiradoras. Num mundo onde os jovens às vezes se perdem e a fé falta, fica claro que essas figuras, canonizadas ou não, são, ainda assim, flores que o Senhor coloca em nosso caminho para nos mostrar que existem outras maneiras de viver a vida. É possível fazer o bem e ser um jovem vivendo na luz de Deus.

ESPIRITUALIDADE

 

Excelente obra sobre a Lectio Divina

AIr. Paula Iglesias, OSB, por longos anos abadessa da Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz, de Juiz de Fora (MG), escreveu a obra que tem por título Uma lectio divina na Bíblia, na história de Israel e na Liturgia (Subiaco, 2017, 4ª edição).

O livro é fruto de formações oferecidas pela autora a jovens monges e monjas professos e tem por grande alicerce a Dei Verbum, do Concílio Vaticano II (1962-65). Tal base é enriquecida pelo conhecimento da madre no que diz respeito ao mundo bíblico – em especial à história antiga e contemporânea de Israel (cf. p. 33-117) – e a aspectos importantes, mas nem sempre devidamente valorizados, da Liturgia (cf. p. 118-139).

A obra sabiamente caracteriza, de modo breve e prático, mas fiel, a revelação natural e a sobrenatural de Deus. Sim, à luz do número 3 da Dei Verbum, a autora traz “uma dupla manifestação de Deus aos homens: a primeira pelo testemunho da ‘criação’ (que comumente chamamos de ‘revelação natural’) e a segunda por uma manifestação aos nossos primeiros pais (que costumamos chamar de ‘revelação sobrenatural’)” (p. 24). Isso posto, a irmã descreve aspectos de ambas as formas de revelação divina. 

revelação natural deseja “afirmar que o universo constitui, por sua beleza, por sua perfeição, por sua grandeza, um testemunho permanente de Deus à humanidade. Diante do espetáculo dos seres criados, os homens podem, por analogia, elevar-se até o Autor e Senhor de tudo. Refletindo sobre as maravilhas da criação pode ele concluir que existe um Ser Supremo que é a sua única fonte. Assim, o espírito humano, se tem suficiente sensibilidade e capacidade de contemplação, é capaz de chegar a essa realidade, mediante um processo intelectual, relativamente fácil, pois não se pode fazer calar o mundo que fala do seu autor” (idem, cf. At 14,15-17; Rm 1,20; Catecismo da Igreja Católica n. 31-43; Dei Verbum, 6).

revelação sobrenatural traz, como o próprio nome diz, algo muito superior à mera natureza, uma vez que aí é o próprio Deus quem fala com o ser humano. Ele chamou os primeiros pais à aliança consigo, mas, seduzidos pelo maligno, recusaram o projeto divino para si e para os seus. Perderam-se. “Deus, porém, após a queda, os reergueu pela esperança de uma salvação futura, pela promessa de um resgate: Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar (Gn 3,15). Esse vislumbre da salvação evocado pelo Gênesis é o chamado ‘Protoevangelho’ (Primeiro Evangelho). Com estas palavras de alcance universal, começa a marcha da História da Salvação, da qual ninguém será excluído. Ainda que o povo de Israel tenha sido constituído depositário desta promessa, Deus jamais cessou de se preocupar com toda a humanidade e velou permanentemente pelo gênero humano, a fim de dar a Vida Eterna a todos aqueles que, pela perseverança na prática do bem, procuram a salvação” (p. 26; cf. Catecismo da Igreja Católica n. 50-67).

Após citar o número 3 da Dei Verbum, a demonstrar a sábia pedagogia divina que, de Abraão até Cristo, preparou o povo de Israel para a plenitude da Revelação, afirma: “Deus falou outrora a seu povo através dos Profetas, mas agora, no tempo do Evangelho, Ele vem, pessoalmente, em Seu Filho, para consumar a Revelação” (p. 27).

Feito este percurso, chega-se à Liturgia da Igreja. Afinal, “a salvação realizada pelo Cristo e anunciada pelos apóstolos é levada a efeito entre os homens, através do Sacrifício Eucarístico e dos Sacramentos sobre os quais ‘circula’ toda vida litúrgica” (p. 119). É também por meio da Liturgia que o mistério salvífico de Cristo se atualiza para nós: “O Hoje da Liturgia (não somente nas Solenidades e Festas) é um apelo dirigido pessoalmente a cada um de nós. Aquilo que se cumpriu em Jesus, em Maria e nos Santos, é agora comunicado a nós na Liturgia e deve encontrar ‘eco’ em nossa vida pessoal. O cotidiano de nossas vidas é inserido na trama do plano de Deus, também no cotidiano da Liturgia...” (p. 132).

Eis, pois, uma obra que, embora não ensine a fazer Lectio divina, demonstra a sua importância na Bíblia e na Liturgia. Vale a pena lê-la e estudá-la com apreço.

ESPIRITUALIDADE

 

Guia de meditação cristã para iniciantes

Na tradição cristã, a meditação consiste em procurar “compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e responder ao que o Senhor pede” (CIC 2705). Normalmente a meditação é sobre um tema específico, feita com a ajuda de um livro espiritual ou a Bíblia.

Aqui está um breve guia para iniciantes na meditação cristã, com foco em três etapas essenciais para desfrutar de paz de espírito e alma.

1Coloque-se na presença de Deus

São Francisco de Sales recomendou: “Exercite sua imaginação comum, imaginando o Salvador em Sua Humanidade Sagrada como se Ele estivesse ao seu lado”. Esta é uma parte importante da meditação, pois lembra você do objetivo desse tipo de oração, que é aprofundar seu relacionamento com Deus. Durante essa prática é útil respirar devagar e acalmar sua mente, o que vai te ajudar a focar sua atenção em Deus e não em todos os acontecimentos do dia.

2Leia um livro espiritual ou a Bíblia

A meditação cristã é um exercício da mente e da alma, por isso é importante fazê-la juntamente com a leitura de um livro espiritual ou de diferentes partes da Bíblia. Pode ser o Antigo ou Novo Testamento, ou simplesmente os Evangelhos. Seja o que for, São Francisco de Sales sugere: “Pegue um livro e leia com atenção até que sua mente se acalme". Nem tudo vai inspirar em nós grande fervor ou amor a Deus, mas quando isso acontecer, devemos parar e refletir sobre essa verdade espiritual.

3Fale com Deus e o escute

Depois de acalmar seu espírito e ponderar sobre várias verdades espirituais, agora é hora de falar com Deus e ouvir sua resposta. Nem sempre podemos ouvir sua voz, mas podemos notar certos movimentos em nosso coração. Santo Inácio de Loyola explica os atributos da voz de Deus: "É próprio de Deus e de seus anjos em seus movimentos dar verdadeira alegria e alegria espiritual, tirando toda tristeza e perturbação que o inimigo traz." Além disso, “pertence a Deus nosso Senhor dar consolo à alma sem causa precedente, pois é propriedade do Criador entrar, sair e causar movimentos na alma, trazendo tudo para o amor de Sua Divina Majestade”. Se notarmos paz e alegria, é provável que Deus esteja tentando falar conosco nessa experiência.

Enfim, com essas três etapas você estará no caminho certo para praticar a arte da meditação cristã.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sexta-feira: Deixar-se instruir

Evangelho da 6ª feira da 23ª semana do Tempo Comum. "Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?" A humildade que vem de nos vermos com o olhar amoroso do Senhor nos permite conduzir os outros pelo caminho da imitação de Cristo. Somente a partir da verdade sobre si mesmo é que se pode corrigir autenticamente.


Evangelho (Lc 6, 39-42)

Jesus contou uma parábola aos discípulos:

'Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.


Comentário

“Seguir Cristo: este é o segredo”, dizia são Josemaria. “Acompanhá-lo tão de perto que vivamos com Ele, como aqueles primeiros Doze; tão de perto, que com Ele nos identifiquemos”[1].

O discípulo não está acima do mestre. Todo aquele que for bem instruído pode ser como o seu mestre. O discípulo de Cristo aspira, como um ideal que engloba todos os aspectos de sua vida, a ser como seu Mestre. Foi assim que os santos viveram e ensinaram e é também a nossa experiência diária: quando na oração o Espírito Santo nos faz vislumbrar uma característica da vida de Jesus ou uma atitude dele que podemos incorporar em nossas lutas diárias, ficamos cheios de alegria e de desejo de nos identificarmos com Ele. É por isso que é tão importante que o discípulo se permita ser instruído pelo mestre, para se tornar como ele. Para isso, é necessário que o cristão cuide da sua formação, tenha um desejo real de conhecer a doutrina em profundidade: a Palavra do Senhor e de sua Igreja. O tempo gasto na própria formação é um tempo que dá frutos no amor a Deus e ao próximo.

Conhecer a doutrina, para contemplá-la com alegria e vivê-la. Jesus continua nos instruindo sobre o modo de nos relacionarmos com o próximo: todo cristão é chamado a ser guia e, de alguma forma, também mestre, na medida em que se identifica com Cristo. Damos o primeiro passo, auxiliados pela luz do Espírito Santo: conhecer a nós mesmos, purificar nosso olhar, limpar a nossa alma na contrição e na graça do Senhor. A humildade que vem de nos vermos com o olhar amoroso do Senhor nos permite conduzir os outros pelo caminho da imitação de Cristo. Somente a partir da verdade sobre si mesmo é que se pode corrigir autenticamente.

Jesus detesta os hipócritas, aqueles que julgam sem amor e compreensão, aqueles que procuram ser bem vistos pelos outros, sem se preocupar realmente em enfrentar os seus defeitos. Essa é a trave, enorme, no olho do hipócrita. Deus nos salve dessa tremenda reprovação.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Adoração eucarística: o Senhor nos espera!

Oculto eucarístico fora da Missa é desconhecido para algumas pessoas. Mas podemos, além de receber Nosso Senhor por meio da Sagrada Comunhão, adorá-Lo no Santíssimo Sacramento. A Solenidade de Corpus Christi nos recorda anualmente que devemos adorar o Senhor até mesmo publicamente. Mas como podemos adorar o Senhor em nosso cotidiano?

Muitas paróquias já possuem Adoração Eucarística semanalmente, em especial na quinta-feira. Durante horas o Santíssimo Sacramento está exposto para nossa adoração, contemplação e vigília. Se propor ao menos uma hora por semana já é um ótimo passo para crescer intimamente com o Senhor por meio da Adoração Eucarística. Dessa forma, o primeiro passo é ir até o Senhor exposto solenemente.

Diante de Jesus Eucarístico muitas são as formas de orações que podemos fazer. Mas gostaria de sugerir a oração de contemplação. No ritmo frenético de nosso cotidiano, contemplar se tornou quase que impossível, pois precisamos de silêncio não só externo, mas também interior. Diante de Jesus é preciso silenciar. Perceber onde estamos e, principalmente, diante de Quem estamos: o Senhor de nossa história. 

Naturalmente que quem não possui a Adoração Eucarística como parte de sua vida de oração levará um pouco de tempo para perceber a riqueza de tal ato. Contudo, é preciso se esforçar. A leitura da Palavra de Deus e a oração do Rosário podem ajudar muito num primeiro momento. Mas não nos esqueçamos: Ele está vivo e ressuscitado diante de nós, é uma Pessoa, nosso Salvador! Não percamos a oportunidade de, ao contemplá-Lo, conversar com Ele.

Conversar com Jesus deve ser algo habitual e diário em nossa vida. Dizer a Jesus não só acerca dos nossos medos e desafios, mas com leveza e amizade partilhar com o Senhor nosso desejo de amá-Lo. Por isso, a Adoração Eucarística é um meio eficaz para dialogarmos com o Senhor. Muitos fiéis, após uma profunda experiência com Jesus no Santíssimo Sacramento, passam a se dirigir aos sacrários de nossas igrejas diariamente. Isso é louvável, pois o Senhor nos espera! Sempre, dia e noite, Jesus nos aguarda.

Não percamos tempo! Adoremos o Senhor. Façamos da Adoração Eucarística expressão do nosso amor a Deus sobre todas as coisas. Que nossa contemplação diária ao Senhor na Eucaristia o console ante tantas atitudes que desolam Seu Coração Eucarístico. Ao adorá-Lo, consolemos Seu Coração e a Ele demos o devido louvor, para honra e glória de Seu Nome.