sábado, 3 de outubro de 2026

IGREJA

 

Peregrino entre os peregrinos em Lourdes, fervoroso defensor da paz em Metz

Quando as primeiras tochas se acenderam no santuário de Lourdes, na noite de sábado, 27 de setembro, a cidade mariana gradualmente assumiu o ar de um rosário de luz. Às 21 horas, cerca de 50.000 pessoas estavam reunidas para viver, à luz das velas, esta grande procissão mariana com Leão XIV. Desde 1863, esta marcha é um dos grandes símbolos do santuário. Uma tradição nascida nos anos que se seguiram às aparições da Virgem a Bernadette Soubirous, e que, noite após noite, faz os peregrinos avançarem atrás de Maria, uma vela na mão.

Mas naquela noite, a procissão teve uma ressonância particular. Leão XIV queria fazê-lo ele mesmo a pé. Ao som de orações e canções, apenas cerca de 1.000 participantes, selecionados e inscritos, tiveram o privilégio de caminhar diretamente na procissão papal da Gruta de Massabielle. Mas foi na mesma oração à Virgem que as vozes se elevaram. As Ave Marias soaram, cantadas em uníssono. Uma cena familiar em Lourdes, mas que, naquela noite, assumiu uma dimensão particular: o Papa também estava presente, um peregrino entre os peregrinos.

Uma multidão vinda de longe

Nesta longa procissão iluminada, os rostos também contavam os quilômetros percorridos para chegar a Lourdes.

Luis Gómez et sa famille.

Entre eles, Luis Gómez veio de Choluteca, Honduras, com sua família e filhas. Para ele, esta noite permanecerá como um encontro à parte. "Agradeço a Deus por poder conhecê-lo em Lourdes esta noite com minha família e minhas filhas. E esperamos vê-lo em breve em Honduras!", ele sopra, muito emocionado.

Julie et Chiara.

Outros vieram de muito mais perto, mas com o mesmo desejo de viver um momento raro com o Papa. Julie, 36 anos, e Chiara, 27 anos, fizeram a viagem do Var. "Sentimos uma grande fraternidade. A procissão de tochas foi muito emocionante", diz Julie.

Élise et sa fille Andrea.

Para Élise, que veio de Saint-Brévin com suas filhas Andrea e Célia, essa procissão teve uma dimensão ainda mais íntima. Suas duas filhas adolescentes estão se preparando para receber o batismo na Páscoa. A mãe deles receberá em breve o sacramento de confirmação. A vinda do papa a Lourdes, portanto, inscreveu-se em sua própria jornada na fé. "Nós nos sentimos realmente apoiados por toda a comunidade cristã. Isso nos reforça em nosso caminho de fé", diz Célia.

Histórias diferentes, percursos de vários horizontes, mas a mesma noite vivida juntos. Em Lourdes, por alguns quilômetros, a oração do Rosário reuniu milhares de peregrinos no mesmo movimento, a marcha atrás de Maria, à luz das velas.

"Caminhar, uma luz na mão, em direção à luz do Céu"

E foi precisamente essa marcha que Leão XIV quis colocar no centro de sua mensagem no final da procissão. "Caminhar, uma luz na mão, em direção à luz do Céu. Essa luz que nos guia e nos atrai é a da esperança que nunca nos deixa", lançou o Papa à assembléia, despertando fortes emoções entre os presentes. Uma esperança que, em Lourdes, se mistura com a realidade do sofrimento porque por trás das milhares de luzes, há também os doentes, as pessoas frágeis e todos aqueles que vêm apresentar suas provações à Virgem. "É preciso vir aqui, fazer esta procissão com vocês, queridos doentes, para sentir toda a gravidade", enfatizou o pontífice. E para usar as palavras do Papa Pio XII para evocar este paradoxo tão particular de Lourdes, onde o sofrimento convive com a paz e a alegria: "Nunca, em nenhum lugar da terra, vimos tal procissão de sofrimento; nunca tal radiação de paz, serenidade e alegria." E como conclusão para esses dois dias passados em Lourdes, ele convocou todos a continuar seu caminho sob o olhar de Maria: "Somos chamados a perseverar em nossa caminhada, uma e outra vez."

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E enquanto os peregrinos começavam a deixar o santuário, os olhos se voltaram para o céu uma última vez. Acima da caverna, um espetáculo de drones iluminava a noite, desenhando várias figuras no ar, incluindo o rosto de Nossa Senhora de Lourdes. Depois das milhares de velas carregadas pelos peregrinos, a luz continuou a flutuar sobre a cidade mariana. Uma última imagem antes de virar a página desses dois dias em Lourdes.Na manhã de segunda-feira, 28 de setembro, Leão XIV deixará os Altos Pirineus para chegar a Metz, a terceira e última etapa de sua viagem apostólica à França. Seu programa também será particularmente denso, incluindo um encontro inter-religioso, um tempo dedicado às raízes da Europa para a paz e a unidade, mas também uma missa na Catedral de Santo Estêvão.

[EM IMAGENS] Uma procissão histórica de tochas:

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IGREJA

 

4 situações em que o anjo da guarda ajudou Bento XVI

Bento XVI teve pelo menos quatro experiências com seu anjo da guarda. Ele mesmo as revelou. Duas dessas situações aconteceram quando ele era muito jovem. O padre Fernando Cárdenas, sacerdote especializado em anjos, explica isso em um vídeo que publicou em seu canal no YouTube em homenagem ao falecido Papa.

A primeira experiência ocorreu quando ele teve difteria, ainda na infância. Disseram que ele não sobreviveria, mas Ratiznger finalmente se recuperou e atribuiu sua cura ao seu anjo da guarda.

A segunda foi quando ele caiu em um tanque e conseguiu sair, graças à ajuda dos seus protetores celestiais.

Mais tarde, no fim da Segunda Guerra Mundial, Hitler o enviou para uma unidade antiaérea. Mas Ratzinger fugiu.

Ele estava doente, com sepse. Naquele momento, o jovem Joseph conheceu alguns soldados. Sua situação era grave e desertar do exército era uma traição à pátria.

Mas, devido ao seu delicado estado de saúde, deixaram-no ir e ele conseguiu voltar para casa. Em suas memórias, Ratzinger diz que parecia que um anjo o protegia.

Em 2009 já como Papa, foi de férias a Castel Gandolfo com a intenção de escrever a sua obra "Jesus de Nazaré". Lá, ele caiu e precisou engessar o braço. Bento XVI disse que seu anjo da guarda permitiu esta queda, para que ele pudesse descansar.

O que o Papa ensinou sobre os anjos

O jornalista Vittorio Messori entrevistou Ratzinger quando ele era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e lhe perguntou sobre o mundo invisível. A resposta veio com uma analogia: quando se olha nos olhos de uma pessoa, pode-se vislumbrar o que está lá dentro, se essa pessoa está triste ou feliz. Você não vê a tristeza, mas olhando nos olhos de uma pessoa, você pode vislumbrar algo invisível.

Messori, então, perguntou a Ratzinger se ele já tinha visto seu anjo da guarda. Ele respondeu que não e que, em todo caso, não se deve parar no anjo, mas ter comunicação com Deus.

Quanto aos anjos, Ratzinger dizia que, com base na Sagrada Escritura e na Tradição, sabe-se que são criaturas (não deuses), mas a sua natureza é estar na presença de Deus. E o segundo aspecto é que eles são mensageiros de Deus. Podem estar - e estão - perto dos homens porque estão na presença de Deus.

Certa vez, Bento XV disse aos jovens para sentirem a presença dos anjos da guarda e se deixarem guiar por eles. E para os casados, que buscassem frequentemente a ajuda de seus anjos da guarda para crescer no testemunho constante do amor autêntico.

Portanto, juntemo-nos aos anjos para entrarmos em comunicação com Deus.

IGREJA

 Hoje começa a novena a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil

Ao aproximar a festa de Nossa Senhora Aparecida, celebrada em 12 de outubro, apresentamos a novena que está disponível no portal Canção Nova em honra à padroeira do Brasil, para pedir a sua bênção e proteção.

Oração Inicial

Meu Deus, vinde em meu auxílio. Senhor, apressai-vos em me socorrer.

Oração ao Divino Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo! Enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito, e tudo será criado. E renovareis a face da Terra. Oremos: Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Oração para todos os dias

Virgem puríssima, concebida sem pecado, e desde aquele primeiro instante toda bela e sem mancha, gloriosa Maria, cheia de graça, Mãe de meu Deus, Rainha dos anjos e dos homens: eu vos saúdo humildemente como Mãe do meu Salvador, que com aquela estima, respeito e submissão, com que vos tratava, me ensinou quais sejam as honras e a veneração que eu devo prestar-vos; dignai-vos, eu vô-lo rogo, de receber as que nesta Novena vos consagro. Vós sois o seguro asilo dos pecadores penitentes, e assim tenho razão para recorrer a vós; sois Mãe de misericórdia, e por este título não podeis deixar de enternecer-vos à vista das minhas misérias; sois depois de Jesus Cristo toda a minha esperança, e por esta razão não podereis deixar de reconhecer a terna confiança que tenho em vós; fazei-me digno de chamar-me vosso filho, para que possa confiadamente dizer-vos: mostrai que sois nossa Mãe!

Jaculatória (ao final de todos os dias):

Senhora Aparecida, milagrosa Padroeira, sede nossa guia nesta mortal carreira! Ó Virgem Aparecida, sacrário do Redendor, daí à alma desfalecida vosso poder e valor. Ó Virgem Aparecida, fiel e seguro norte, alcançai-nos graças na vida, favorecei-nos na morte! Pai Nosso, Ave-Maria, Glória.

Primeiro dia

Eis-me aqui aos vossos santíssimos pés, ó Virgem Imaculada! Convosco me alegro sumamente, porque desde a eternidade fostes eleita Mãe do Verbo eterno e preservada da culpa original. Eu bendigo e dou graças à Santíssima Trindade, que vos enriqueceu com este privilégio em vossa Conceição, e humildemente vos suplicamos me alcanceis a graça de vencer os tristes efeitos que em mim produziu o pecado. Ah! Senhor, fazei que eu os vença e jamais deixe de amar a meu Deus.

Segundo dia

Ó Maria, lírio imaculado de pureza, eu me congratulo convosco, porque desde o primeiro instante da vossa Conceição fostes cheia de graça e além disto vos foi conferido o perfeito uso da razão. Dou graças e adoro a Santíssima Trindade, que vos concedeu tão sublimes dons; e me confundo totalmente na vossa presença ao ver-me tão pobre de graça. Vós, que de graça celeste fostes tão copiosamente enriquecida, reparti-a com a minha alma e fazei-me participante dos tesouros que começastes a possuir em vossa imaculada Conceição.

Terceiro dia

Ó Maria, mística rosa de pureza, eu me alegro convosco, que gloriosamente triunfastes da infernal serpente, na vossa imaculada Conceição, e que fostes concebida sem mácula de pecado. Dou graças e louvo a Santíssima Trindade, que tal privilégio vos concedeu e vos suplico que me alcanceis força para superar todas as tradições do comum inimigo, e para não manchar minha alma com o pecado. Ah! Senhora, ajudai-me sempre, e fazei quem com a vossa proteção, sempre triunfe de todos os inimigos de nossa eterna salvação.

Quarto dia

Ó espelho de pureza, Imaculada Virgem Maria, eu me encho de sumo gozo ao ver que desde a vossa Conceição, foram em vós infundidas as mais sublimes virtudes e, ao mesmo tmepo, todos os dons do Espírito Santo. Dou graças e louvo a Santíssima Trindade que com estes privilégios vos favoreceu; e suplico-vos, ó benigna Mãe, que me alcanceis a prática das virtudes, e me façais também digno e receber os dons e a graça do Espírito Santo.

Quinto dia

Ó Maria, refulgente lua de pureza, eu me congratulo convosco, porque o mistério de vossa Imaculada Conceição foi o princípio da salvação de todo o mundo. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que assim magnificou e glorificou vossa pessoa, e vos suplico me alcanceis a graça de saber aproveitar-me da Paixão e Morte do vosso Jesus, e que não seja para mim inútil o seu sangue derramado na cruz, mas que viva santamente e salve a minha alma.

Sexto dia

Ó estrela resplandecente de pureza, Imaculada Conceição causasse um imenso gozo a todos os anjos do paraíso. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que vos enriqueceu com tão belo privilégio. Ah! Senhora, fazei que eu um dia tenha parte nessa alegria e que possa em companhia dos anjos, louvar-vos e bendizer-vos eternamente.

Sétimo dia

Ó aurora nascente e pura, Imaculada Maria, eu me alegro e exulto convosco porque no mesmo instante da vossa Conceição, fostes confirmada em graça e tornada impecável. Dou graças e exalto a Santíssima Trindade, que somente a vós distinguiu com esse especial privilégio, Ah! Virgem Santa, alcançai-me um total e contínuo aborrecimento do pecado sobre todos os outros males, e que antes morra do que torne a cometê-lo.

Oitavo dia

Ó sol sem mácula, Virgem Maria, eu me congratulo convosco e me alegro de que em vossa Conceição vos fosse conferida por Deus uma graça maior e mais copiosa do que tiveram todos os Anjos e todos os Santos no auge de seus merecimentos. Dou graças e admiro a suma bondade da Santíssima Trindade, que vos enriqueceu com tal privilégio. Ah! Senhora, fazei que eu corresponda à graça divina, e não torne a abusar dela; mudai-me o coração, e fazei que desde agora comece o meu arrependimento.

Nono dia

Ó viva luz de santidade e exemplo de pureza, Virgem e Mãe, Maria Santíssima, vós, apenas concebida, adorastes profundamente a Deus e lhe destes graças, porque, por meio de vós, levantada a antiga maldição, desceu uma grande bênção sobre os filhos de Adão. Ah! Senhora, fazei que esta bênção acenda no meu coração um grande amor para com Deus; inflamai-o, para que, constantemente ame o mesmo Senhor, e depois goze eternamente no Paraíso, onde possa dar-lhe as mais vivas graças pelos singulares privilégios a vós concedidos e possa também ver-vos coroada de tamanha vitória.

SANTO DO DIA

 Hoje a Igreja celebra os Protomártires do Brasil

“Mártires da fé, filhos do Rio Grande, homens e mulheres, jovens e meninos. Pelo bom pastor deram o seu sangue, nossa Igreja em festa canta os seus hinos”, diz o refrão do hino dedicado aos Protomártires do Brasil, os quais celebramos hoje (3).

Padre André de Soveral, padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e outros 27 companheiros morreram por defender a fé diante daqueles que queriam impedi-los de praticá-la.

A história desses homens remonta ao período em que holandeses calvinistas ocuparam territórios do nordeste do Brasil, entre 1630 e 1654. Na época, quiseram obrigar os católicos a se converterem ao calvinismo e proibiram a celebração da Santa Missa.Então, em 16 de julho de 1645, o padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Eles participavam da Missa na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, município de Canguaretama (RN).Três meses depois, em 3 de outubro de 1645, houve o massacre em Uruaçu, onde foram mortos padre Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira, o qual, segundo relatos, teve o coração arrancado pelas costas, mas, antes de morrer pôde gritar em alta voz: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”.

O nome de protomártires foi dado na ocasião da visita do papa João Paulo II, em 13 de outubro de 1991, na Missa de encerramento do XII Congresso Eucarístico, ocorrido em Natal.

Padre André de Soveral, padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e outros 27 companheiros foram beatificados por são João Paulo II, em 5 de março de 2000.

Em 15 de outubro de 2017, os protomártires foram canonizados junto com outros 5 beatos pelo papa Francisco, em Missa na Praça de São Pedro, no Vaticano, quando destacou que “eles não disseram ‘sim’ ao amor com palavras e por um certo tempo, mas com a vida e até ao fim”.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de sábado: A esperança do Céu

Evangelho do sábado da 26ª semana do tempo comum. "Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.” Jesus se alegra com a alegria dos Apóstolos. Jesus também se alegra conosco, todos os dias, e assim antecipa o amor eterno do céu.


 Evangelho (Lc 10, 17-24)

Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome.”

Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.”

Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”

Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir.”


Comentário

Os discípulos regressaram de sua missão entusiasmados por terem experimentados o poder que o Senhor lhes concedera de fazer milagres.

Jesus confirma que lhes deu poder sobre o inimigo e se alegra pela derrota do diabo, mas, ao mesmo tempo, ensina qual deve ser o verdadeiro motivo da sua alegria: a esperança do céu.

Jesus reorienta o nosso olhar. Nesta vida há muitas coisas agradáveis, presentes de Deus aos seus filhos, mas o que mais nos deve alegrar e dar esperança é a união de Amor que já começa aqui, e que será plena no céu.

Que é o Céu? “Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, – nos diz o Catecismo – essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados é denominada ‘o céu’. O céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva” (n. 1024).

Talvez pensemos pouco no céu. Pensar no céu, na felicidade eterna com Deus, fomenta a esperança, nos enche de alegria, e nos faz enfrentar as dificuldades desta vida com a serenidade de quem sabe que são caminho para chegar ao Amor. E esse pensamento não nos leva e deixar de nos interessarmos pelos nossos deveres na terra. Muito pelo contrário. Deus dá o céu aos que procuram fazer desta terra, com o seu amor e dedicação aos outros, uma sala de espera do céu.

De repente, Jesus exulta no Espírito Santo e manifesta a sua alegria ao ver que os pequenos e humildes recebem a palavra de Deus. Os que renunciam à soberba, entendem a Palavra, creem em Jesus. Os sábios e prudentes, ou seja, os que acham que são sábios com a sua própria sabedoria, e não reconhecem com humildade a sua ignorância, permanecem cegos para ver. Sobretudo, para ver em Jesus o Messias, o enviado de Deus, o próprio Deus.

Então Jesus manifesta de um modo simples e sublime que é igual ao Pai. Não podemos saber que Jesus é Deus se o Pai não nos der a graça da fé. E não podemos conhecer quem é o Pai se Jesus não o revelar a nós.

Os discípulos são chamados bem-aventurados, felizes, por terem visto e ouvido Jesus, por terem acreditado nEle. A fé é um dom de Deus, o maior dom, pois sem fé não há salvação. Mas é preciso que o homem se abra a esse dom com humildade e responda a ele com todo o seu coração.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 Afinal, o que é a devoção ao Imaculado

 Coração de Maria?

Com a ofensiva russa em território ucraniano, o Papa decidiu consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. O Pontífice convidou todos os bispos e sacerdotes do mundo inteiro a se unirem a esta consagração. Mas o que é, de fato, a devoção ao Imaculado Coração de Maria?

Trata-se de uma devoção católica específica a um aspecto da santidade da Mãe de Deus: sua pureza total, confirmada pelo dogma da Imaculada Conceição em 1854. É uma devoção relativamente recente, construída sobre os princípios mariológicos dos teólogos medievais como Santo Anselmo e São Bernardo de Claraval. Embora Santo Anselmo, no final do século XI, ainda não acreditasse na Imaculada Conceição, sua doutrina teve uma grande influência nesse sentido. Em sua obra De conceptu virginali, o arcebispo de Cantuária admite: "Era apropriado que esta Virgem brilhasse com tal pureza que, além de Deus, não se podia pensar em nenhuma".

Além de sua pureza, sua fé e total confiança em Deus caracterizam o Imaculado Coração de Maria. "O Coração de Maria é imaculado porque está livre do pecado, mas também porque é inteligente, ouvindo constantemente a Deus", disse nosso colunista Jean-Michel Castaing. "O coração de Nossa Senhora está livre de erros, negligências e erros por causa de sua atenção a Deus e aos assuntos divinos".

O amor de Nossa Senhora pela obediência reflete em sua inteligência. A este respeito, o coração de Maria, como sede da inteligência e da vontade, é um modelo para os cristãos: "Isto é o que Deus pede às Suas criaturas: confiar Nele, permitindo-nos ser instruídos por Ele nos caminhos que Ele escolheu e que nem sempre são os nossos", diz Jean-Michel Castaing.

A difusão da devoção ao Imaculado Coração de Maria

A devoção ao Imaculado Coração de Maria experimentou um grande boom na França a partir de 1830, com a aparição mariana na Rue du Bac, durante a qual a natureza imaculada da alma da Virgem foi revelada a Santa Catarina Labouré. Em 27 de novembro de 1830, a Virgem pediu à freira que fizesse uma medalha com os Corações de Jesus e Maria lado a lado, com esta oração: "Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".

"Maria concebida sem pecado", uma fórmula que anunciava o dogma da Imaculada Conceição proclamado 24 anos depois pelo Papa Pio IX.

Nossa Senhora de Fátima

Mas foi especialmente com as aparições marianas em Fátima, Portugal, a partir de 1917, que a devoção ao Imaculado Coração de Maria assumiu uma grande dimensão. Durante a segunda aparição, em 13 de junho de 1917, a Virgem declarou a Lúcia: "Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração".

Um mês depois, em 13 de julho de 1917, quando Nossa Senhora apareceu às crianças pela terceira vez, ela pediu "a consagração da Rússia ao [seu] Imaculado Coração", bem como "a comunhão reparadora" todo primeiro sábado do mês.

Esta devoção ao Imaculado Coração de Maria está, portanto, intimamente ligada às aparições de Fátima.

É por isso que a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria foi programada para acontecer ao mesmo tempo (no dia 25 de março de 2022) em Roma e no Santuário de Fátima, em Portugal.

ESPIRITUALIDADE

 

Espiritualidade do Coração de Jesus: do encontro com Cristo à entrega ao irmão

Viver a espiritualidade do Coração de Jesus nos dias de hoje é permitir que o amor transforme nossa vida por inteiro, moldando nosso ser, nosso servir e o nosso amar. Unir o coração ao de Jesus é entrar no mistério, deixando-se formar pelo Evangelho, para que a fé transborde em atitudes e presença de compaixão.

A espiritualidade do Coração não é somente um caminho de transformação interior, é  também  profundamente apostólica e missionária. Como Papa Francisco nos ensinou, é do Coração de Cristo que brota o amor que sustenta nossas convicções e inspira a missão (FRANCISCO, 2024, n. 32). A evangelização verdadeira nasce do amor apaixonado de Jesus pelo ser humano e se comunica por meio de testemunhos que irradiam ternura, misericórdia e fidelidade.

O convite à intimidade nos conduz naturalmente à missão. Andrea Tessarolo nos recorda que "somente a reparação de Cristo é fonte de todas as obras de reparação; [...] devemos deixar que a nossa realidade, toda transformada pelo amor, seja contínua irradiação de amor redentor [...]" (TESSAROLO, 2000, p. 103). Ao unir nosso coração ao de Jesus, passamos do egoísmo ao amor, do pecado à graça, tornando-nos instrumentos de comunhão e cura.

Madre Clélia Merloni, profundamente configurada a essa espiritualidade, revela a força que brota do encontro com Cristo na Eucaristia:

"Reconheço que na Santa Comunhão posso encontrar a força que me é necessária para resistir [...] Tu queres, ó Jesus, que eu não busque a mim mesma em qualquer coisa que eu faça, e eu te prometo que, com a Tua divina ajuda, o farei." (Gori, 2018, p. 186)

Não podemos contemplar o Coração de Jesus sem nos voltarmos à Eucaristia, no altar esse Coração continua a pulsar silenciosamente por nós. Cada Santa Missa é um encontro íntimo com o Amor que se entrega totalmente. A intimidade com o Coração de Jesus na Eucaristia nos impulsiona a sermos pão partido para os irmãos e irmãs, presença viva da compaixão de Cristo. Ser amante do Coração é viver a misericórdia como estilo de vida, como resposta à dor do outro, como anúncio silencioso de esperança.

Assim, a espiritualidade do Coração de Jesus é profundamente apostólica, encarnada e eucarística. É um chamado constante à santidade possível, concreta e vivida, não por força própria, mas pela união com o Amor que nos transforma.

A reparação. O que é?

Ser seguidor de Cristo é viver com ternura, ousar reparar as feridas do mundo, cultivando  uma confiança que aponta para a Esperança que não decepciona. A maturidade espiritual exige confiança na misericórdia de Deus, a busca de um caminho de intimidade com Ele, o que conduz ao desprendimento, à simplicidade e à escuta do seu Coração.

A reparação, na espiritualidade do Coração de Jesus, não é um fardo, mas um gesto profundo de amor e comunhão com Cristo. Tessarolo afirma que "o amor que, se é sincero e profundo, dedica-se a reparar os danos causados pelo egoísmo e por aquele 'grande mal' que é o pecado, comprometendo-se com todos os meios para difundir o amor de Deus e de Cristo no mundo [...]" (TESSAROLO, 2000, p. 93).

Reconhecer que somos amados mesmo em nossa fragilidade nos leva a esse passo essencial, "A reparação começa quando os homens descobrem que são amados por Deus apesar de seus pecados: floresce assim o desejo de passar do egoísmo ao amor, do pecado para a graça, de uma vida de escravos do pecado para uma vida nova em Cristo Jesus" (TESSAROLO, 2000, p. 105).

Reparar é amar na ausência do amor, consolar onde não há consolo, e oferecer nosso coração ao lado do de Cristo, como presença viva de ternura no mundo. Madre Clélia Merloni, em sua sensibilidade espiritual, compreendia que:

A alma, por mais carregada de misérias que esteja, não deve nunca ter medo de Deus, porque Ele está sempre pronto para usar misericórdia para com ela. O maior prazer que Jesus pode ter é o de poder conduzir, ao seu Eterno Pai, o maior número possível de pecadores. Os pecadores convertidos são as glórias do tesouro de Jesus. Ele ama tanto os pobres pecadores. (Gori, 2018, p. 214)

A reparação, longe da culpa, é compromisso com o amor que restaura e reconcilia. É também um modo de ser, uma resposta concreta às feridas do mundo, exige sensibilidade e disposição para nos envolvermos com o sofrimento alheio, "deixar-se envolver com os nossos irmãos na situação de egoísmo e de pecado, para levar a todos o amor do Senhor e para que o amor e o perdão oferecidos por Deus em Cristo sejam acolhidos por todos" (TESSAROLO, 2000, p. 97).

A verdadeira reparação, portanto, afasta-se da culpa e aproxima-se da responsabilidade evangélica, exigindo de nós uma sensibilidade nova para com as feridas do próximo. Ao acolhermos o perdão e o amor de Deus, somos impulsionados a dar um passo definitivo, fazer da nossa própria vida um caminho de profunda e autêntica extensão da ternura do Coração de Jesus.