quinta-feira, 20 de agosto de 2026

espiritualidade

 

Oração de São Patrício contra feitiços e malefícios

Aassim chamada "Couraça de São Patrício", que reproduzimos abaixo, é uma oração popular atribuída a um dos mais queridos santos padroeiros da Irlanda. De acordo com a tradição, São Patrício a teria escrito por volta do ano 433 para invocar a proteção divina, depois de converter com êxito, do paganismo ao cristianismo, o rei irlandês e seus súditos.

O termo “couraça” se refere a uma peça de armadura que se usa para uma batalha; em sentido simbólico, ele se refere a essa oração como uma verdadeira couraça espiritual de proteção na luta contra o mal.

Estudos recentes sugerem que o autor desta oração não seria de fato São Patrício, mas, de qualquer modo, ela reflete muito bem o espírito com que o Apóstolo da Irlanda levou a fé católica a esse país.

A Couraça de São Patrício

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da unidade
Do Criador da Criação.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do nascimento de Cristo em Seu batismo,
Pela força da crucificação e do sepultamento,
Pela força da ressurreição e ascensão,
Pela força da descida para o Julgamento Final.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do amor dos Querubins,
Em obediência aos Anjos,
A serviço dos Arcanjos,
Pela esperança da ressurreição e da recompensa,
Pelas orações dos Patriarcas,
Pelas previsões dos Profetas,
Pela pregação dos Apóstolos
Pela fé dos Confessores,
Pela inocência das Virgens santas,
Pelos atos dos Bem-aventurados.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do céu:
Luz do sol,
Clarão da lua,
Esplendor do fogo,
Pressa do relâmpago,
Presteza do vento,
Profundeza dos mares,
Firmeza da terra,
Solidez da rocha.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força de Deus a me empurrar,
Pela força de Deus a me amparar,
Pela sabedoria de Deus a me guiar,
Pelo olhar de Deus a vigiar meu caminho,
Pelo ouvido de Deus a me escutar,
Pela palavra de Deus em mim falar,
Pela mão de Deus a me guardar,
Pelo caminho de Deus à minha frente,
Pelo escudo de Deus que me protege,
Pela hóstia de Deus que me salva,
Das armadilhas do demônio,
Das tentações do vício,
De todos que me desejam mal,
Longe e perto de mim,
Agindo só ou em grupo.

Conclamo, hoje, tais forças a me protegerem contra o mal,
Contra qualquer força cruel que ameace meu corpo e minha alma,
Contra a encantação de falsos profetas,
Contra as leis negras do paganismo,
Contra as leis falsas dos hereges,
Contra a arte da idolatria,
Contra feitiços de bruxas e magos,
Contra saberes que corrompem o corpo e a alma.

Cristo guarde-me hoje,
Contra veneno, contra fogo,
Contra afogamento, contra ferimento,
Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa.
Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim,
Cristo em mim, Cristo em baixo de mim, Cristo acima de mim,
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar,
Cristo ao me sentar,
Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da Unidade,
Pelo Criador da Criação.

espiritualidade

 Oração de S. Bernardo a N. Senhora: Ó Doce Virgem Maria, minha Soberana!

Uma prece para confiar tudo às mãos de Maria, com a mais profunda confiança e paz de coraçãoÓ doce Virgem Maria, minha augusta Soberana!
Minha amável Senhora!
Minha boníssima e amorosíssima Mãe!

Doce Virgem Maria, coloquei em Vós toda a minha esperança e não serei em nada confundido.
Doce Virgem Maria, creio tão firmemente que do alto do Céu Vós velais dia e noite por mim e por todos os que esperam em Vós, e estou tão intimamente convencido de que jamais faltará coisa alguma quando se espera tudo de Vós, que resolvi viver para o futuro sem nenhuma apreensão e descarregar inteiramente em Vós todas as minhas inquietações.

Doce Virgem Maria, Vós me estabelecestes na mais inabalável confiança. Mil vezes Vos agradeço por tão precioso favor!

Doravante habitarei em paz em vosso coração tão puro; não pensarei senão em Vos amar e Vos obedecer, enquanto Vós mesma, ó Mãe bondosa, gerireis os meus interesses mais queridos.

Doce Virgem Maria! Como, entre os filhos dos homens, uns esperam a felicidade da sua riqueza, outros a procuram nos talentos!

Outros se apóiam sobre a inocência de sua vida, ou sobre o rigor de sua penitência, ou sobre o fervor de suas preces, ou no grande número de suas boas obras.

Quanto a mim, minha Mãe, esperarei em Vós somente, depois de Deus;
e todo fundamento de minha esperança será sempre a minha confiança em vossas maternais bondades.

Doce Virgem Maria, os maus poderão roubar-me a reputação e o pouco de bem que possuo;
as doenças poderão tirar-me as forças e a faculdade exterior de Vos servir;
poderei eu mesmo — ai de mim, minha terna Mãe! — perder vossas boas graças pelo pecado;
mas a minha amorosa confiança em vossa maternal bondade, jamais — oh, não! — jamais a perderei!

Conservarei esta inabalável confiança até meu último suspiro.

Todos os esforços do inferno não a arrebatarão de mim.
Morrerei repetindo mil vezes o vosso nome bendito, fazendo repousar em vosso Coração toda a minha esperança.

E por que estou tão firmemente seguro de esperar sempre em Vós?

Não é senão porque Vós mesma me ensinastes, dulcíssima Virgem, que sois toda misericórdia e somente misericórdia.

Estou, pois, seguro, ó boníssima e amorosíssima Mãe!

Estou certo de que Vos invocarei sempre, porque Vós sempre me consolareis;
de que Vos agradecerei sempre, porque sempre me confortareis;
de que Vos servirei sempre, porque sempre me ajudareis;
de que Vos amarei sempre, porque sempre me amareis;
de que obterei sempre tudo de Vós, porque o vosso liberal amor sempre ultrapassará a minha esperança.

Sim, é de Vós somente, ó doce Virgem Maria, que, apesar de minhas faltas, espero e aguardo o único bem que desejo: a união a Jesus no tempo e na eternidade.

É de Vós somente, porque sois Vós aquela a quem meu Divino Salvador escolheu para me dispensar todos os Seus favores, para me conduzir a Ele com segurança.

Sim, sois Vós, minha Mãe, que, após me terdes ensinado a compartilhar as humilhações e sofrimentos de vosso Divino Filho, me introduzireis em Sua glória e em Suas delícias, para O louvar e bendizer, junto a Vós e convosco, pelos séculos dos séculos.

Assim seja.

São Bernardo de Claraval

IGREJA

 Música litúrgica deve estar acima de modas e sensibilidades particulares, diz Leão XIV

Falando sobre a doutrina da Igreja sobre a música litúrgica em sua audiência geral hoje (19), o papa Leão XIV disse que ela deve estar "além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores".

Citando a constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, o papa disse que “a tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor” e que a música sacra “será tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas”.

“Encontramos aqui o núcleo do ensinamento conciliar, que confirma e aprofunda a função ministerial da música na liturgia”, disse o papa na audiência realizada na basílica de São Pedro, no Vaticano, dizendo que “a música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração”.

“Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado”, disse ele.

Dizendo que santo Agostinho disse: “«Cantare amantis est», ou seja, «cantar é próprio de quem ama» (Sermo 336, 1)”, o papa disse que “a música expressa a dimensão afetiva da oração”, pois ajuda a abrir o coração à ação de Deus e a deixar-se moldar pela sua graça.

“O canto favorece a comunhão”, disse Leão XIV. “Através da sinfonia das vozes, contribui para a união das almas, superando as diferenças entre as pessoas e congregando todos no louvor a Deus”.

Requisitos da música litúrgica

Ele então apontou “algumas exigências” que surgem “do profundo significado teológico do canto sacro”.

“Uma primeira é que, além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, ele deve corresponder a todos os níveis àquilo que é mais apropriado para o momento celebrativo”, disse o papa.“Além disso a forma, especialmente no seu aspecto melódico, deve ser nobre e simultaneamente simples, de elevada qualidade musical e facilmente executável, sobretudo quando se destina a ser entoada por toda a assembleia (cfSC, 121)”, disse Leão XIV.

“Pelo mesmo motivo, o Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja”, disse ele.

É necessário velar sobre isso, a fim de que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio lex orandi lex credendi, ou seja, a lei da oração é também lei da fé”.

Leão XIV disse também que o Concílio Vaticano II atribui “grande valor ao canto gregoriano, mas sem excluir da celebração outros tipos de música sacra” e presta “atenção especial inclusive ao órgão (cfSC, 120)”, embora seja “admitida a utilização de outros instrumentos, «contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis» (SC, 120)”.Ele disse então que a inculturação é “um tema caro à reforma conciliar”, também “no campo da música sacra”. O papa disse que a Sacrosanctum Concilium incentiva “uma adequada «educação do sentido religioso» (SC, 119)” e recomenda que se promova , na medida do possível, “«a música tradicional desses povos nas escolas e nas ações sagradas» (ibid.)”.

Leão XIV disse também que “o compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o acervo musical da Igreja” e, citando o Quirógrafo sobre Música Sacra, publicado pelo papa são João Paulo II em 2003, falou sobre a importância de “purificar o culto de dispersões de estilos, de formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra, para assegurar dignidade e singeleza de formas à música litúrgica”.Depois de concluir sua catequese, falando-se aos peregrinos poloneses, o papa disse que “23 de agosto é o Dia Europeu da Memória das Vítimas do Stalinismo e do Nazismo” e falou sobre o testemunho do beato Ladislaus Findysz , “sacerdote e o primeiro polonês beatificado como mártir da perseguição comunista”.

Leão XIV disse que o sacerdote, “no Concílio Vaticano II, apoiou espiritualmente os seus trabalhos, envolvendo os fiéis na Obra Conciliar do Bem”, através de “atos de caridade e renovação moral”.

“Que o seu testemunho nos lembre que a civilização do amor se constrói perdoando e vencendo o mal com o bem”, disse ele.

Saudando os peregrinos de língua espanhola, o papa os convidou “a refletir sobre o canto litúrgico como símbolo da comunhão eclesial” e a pedir ao Senhor “que nos ajude a viver em harmonia e concórdia, como um só coro, cujas melodias e boas obras glorificam e louvam o Pai por meio de Jesus Cristo”.

LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de quinta-feira: as bodas do Cordeiro

Comentário ao Evangelho de quinta-feira da XX semana do Tempo Comum. «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho». Procurar viver a Eucaristia como o Céu na Terra, abrir-nos-á pouco a pouco as portas da Eternidade.



Evangelho (Mt 22, 1-14)

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes:

«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes:

‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’.

Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos:

‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.

Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe:

‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.

Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos:

‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’.

Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».


Comentário

As parábolas de Jesus são de uma riqueza inesgotável e não nos podemos sentir dispensados de nenhuma. Ninguém pode dizer: “não, esta parábola não tem nada a ver comigo”. Cada uma é um convite direto do Senhor para que investiguemos o estado da nossa alma.

A que encontramos no Evangelho de hoje permite vários níveis de leitura, mas desta vez podemos fixar-nos num detalhe: o facto de que um rei prepara um banquete para celebrar o casamento do seu filho. Quem é este Rei? Deus Pai. Quem é o Filho? Evidentemente, Jesus Cristo. Quem é a noiva? A Igreja.

Portanto, qual é este banquete? A Santa Missa.

Todos os dias, mesmo antes da comunhão, ouvimos da boca do sacerdote: 'Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, felizes os convidados para a ceia do Senhor'. Estas palavras são uma combinação do que diz S. João Batista aos seus discípulos (cf. Jo 1, 29) e o que se proclama quase no final do Apocalipse: «bem-aventurados os que foram chamados ao banquete das núpcias do Cordeiro» (Ap 19, 9).

Não devemos perder de vista que o Senhor está a contar esta parábola aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, quer dizer, a pessoas consideradas piedosas. Por isso, é importantíssimo que os que procuram viver diariamente a Eucaristia se sintam interpelados por estas palavras de Jesus. Em cada Missa o Senhor espera que assistamos com as devidas disposições.

Se fizermos um exame sincero, damos conta de que às vezes estamos na Missa de corpo presente, mas a nossa cabeça está noutro lado: foi um para o seu campo, outro para o seu negócio. Enquanto ocorrem as Bodas do Cordeiro, tantas vezes estamos a pensar nas nossas banais preocupações.

Ou também podemos ser esse homem que não estava vestido com o traje nupcial, quer seja porque a nossa aparência externa parece delatar que não lhe damos a importância que tem, quer seja porque não dedicámos atenção suficiente à preparação remota e próxima da alma, cuidando a confissão frequente e a oração diária.

Em qualquer dos casos, o Evangelho de hoje apresenta-se-nos como uma ocasião estupenda para voltar a descobrir que a Eucaristia é pignus vitae eternæ: penhor (que é sinónimo de garantia) da vida eterna. Viver a Missa como o que é, como o Céu na terra, será o que nos vai abrir as portas da Eternidade.

santo do dia

 Hoje é celebrado são Bernardo de Claraval, o “caçador de almas e vocações”

Seu nome significa “batalhador e valente”. Tinha uma incrível capacidade de persuasão com a qual levou centenas de homens aos pés de Cristo, incluindo toda a sua família. Foi conselheiro de reis e Papas, escreveu vários livros e uma das orações mais formosas à Virgem. Era conhecido como “o caçador de almas e vocações” e “o oráculo da cristandade”.

São Bernardo de Claraval nasceu no castelo de Fontaine-les-Dijon, localizado na Borgonha (França), em 1090. Sua família pertencia à nobreza francesa, pois seu pai Tescelino era um dos cavaleiros do Duque de Borgonha e sua mãe Alice era filha de um poderoso senhor feudal chamado Bernardo de Montbard. Foi o terceiro de sete filhos.

Desde a infância, teve uma relação estreita com sua mãe, que durante sua gravidez teve uma visão sobre a vida do santo. Bernardo era muito sensível e reservado. Junto com seus irmãos, recebeu uma esmerada educação em história, literatura e latim.Quando sua mãe morreu, o jovem voltou seus olhos para a Virgem Maria, por quem tinha uma forte devoção durante toda a sua vida. Compôs o “Lembrai-vos”, uma de suas mais belas orações marianas.

Durante sua juventude, desenvolveu uma personalidade alegre, inteligente, bondosa e carismática. Seu temperamento vigoroso o levou a se inclinar por atrações e amizades mundanas, mas no fundo sentia-se vazio e cansado.

Uma noite de Natal no ano de 1111, Bernardo adormeceu. Em seu sonho apareceu a Virgem levando o Menino Jesus em seus braços e o oferecia para que o amasse e o fizesse ser amado pelos demais. Desde então, decidiu se dedicar a Deus e alcançar a santidade.

Para combater as tentações carnais, revolvia-se em gelo. Em 1112, ingressou no mosteiro cisterciense de Citeaux, fundado por são Roberto, santo Alberico e santo Estêvão Harding, e era o primeiro lugar onde se praticava rigorosamente a regra de são Bento. Santo Estêvão, que era o prior, aceitou Bernardo com alegria, porque não recebiam vocações há 15 anos.

Com apenas 25 anos, foi enviado como superior para fundar, com outros doze monges, um novo mosteiro em Champagne, ao qual chamou Clairvaux (Claraval – que significa vale claro).São Bernardo era dotado de uma incrível capacidade de persuasão e de fascinação. Levou muitas almas para a vida religiosa e, por isso, ganhou o apelido de “o caçador de almas e vocações”. As jovens tinham medo de que seus noivos falassem com o santo, porque Bernardo ia às universidades, aos povoados e aos campos para falar sobre as maravilhas e os benefícios da vida religiosa e acabava convencendo muitos.

Fundou cerca de 300 conventos e conseguiu que 900 homens professassem os votos. Um de seus discípulos, Bernardo de Pisa, chegou a se tornar papa sob o nome Eugênio III.

A família que alcançou Cristo

Além de pertencer a uma família nobre, Bernardo pertenceu a uma família santa.Sua mãe, a beata Alice Montbard, foi uma mulher caritativa e entregue à vontade de Deus. Formou na fé cristã seus sete filhos e morreu rezando o terço. Seu pai, o venerável Tescelino, perdoou um cavalheiro que o desafiou para um duelo e o feriu com sua lança. Ensinou a seus dois filhos mais velhos, o beato Gerardo e o beato Guy, a importância da misericórdia.

Quando são Bernardo manifestou diante de sua família sua decisão de se tornar religioso, a princípio se opuseram, mas o santo conseguiu convencê-los e levou consigo seus quatro irmãos mais velhos, o beato Gerardo, o beato Guy, o beato Andrés e o beato Bartolomeu, seu tio e 31 companheiros. Quando saiam, o beato Nirvardo, o irmão mais novo, disse: “Ah! Como vocês vão ganhar o céu e me deixam aqui na terra? Não posso aceitar isso”. Anos mais tarde, o caçula da família se tornou um religioso.

Antes de ingressar no mosteiro, Bernardo conduziu seus familiares e amigos a uma fazenda para prepará-los espiritualmente. Tempos depois, seu pai Tescelino entrou no mosteiro de Citeaux.

A esposa do beato Guy, Isabel, também se tornou monja com suas duas filhas. A irmã do santo, a beata Humbelina, que ansiava pela vida religiosa graças aos conselhos de seu irmão, chegou a um acordo mútuo com seu marido, Guy de Marcy, de que ambos se consagrariam a Deus. Guy se foi com demais familiares. Humbelina fundou vários conventos e seu lema foi “Amar é servir”.A fama de suas qualidades intelectuais e espirituais era tão grande que os príncipes e bispos o consultavam para os assuntos mais importantes e respeitavam suas opiniões e decisões. Chamavam-no “o oráculo da cristandade”.

Bernardo morreu no dia 21 de agosto de 1153, aos 73 anos, e tinha sido abade por 38. Foi canonizado em 1174 e proclamado doutor da Igreja em 1830.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Por que o Presidente da Colômbia fez um retiro espiritual antes da posse?

Uma observação atenta do cenário político latino-americano nos ensina que a fronteira entre o palco institucional e o altar religioso tornou-se cada vez mais tênue. Na Colômbia, contudo, o ritual que precedeu a posse presidencial marcada para este mês de agosto ultrapassou os limites convencionais do simbolismo democrático. A poucos dias de assumir o Palácio de Nariño para o mandato 2026-2030, o presidente eleito Abelardo de la Espriella optou por não confinar seus futuros ministros em um centro de convenções para alinhar planilhas orçamentárias ou definir metas fiscais. Em vez disso, reuniu a cúpula do novo governo em um retiro espiritual nas imediações de Barranquilla, em Puerto Colombia, inaugurando o mandato sob uma mística abertamente confessional.

A cena carregava elementos gráficos inconfundíveis: a distribuição de Bíblias personalizadas — gravadas com o mapa do país e o Sagrado Coração de Jesus —, ao lado de declarações categóricas de que a futura administração responderá a uma ordem providencial. A proclamação de que a equipe se encontra “tocada pelo Espírito Santo” não é um mero uso retórico, tampouco uma demonstração ingênua de devoção pessoal. Trata-se da aplicação prática que leva a fé a atuar como a principal ferramenta de coesão, disciplina e articulação do poder executivo.

A teologia da autoridade

Sob a denominação de “Patria Milagro”, o projeto que chega ao topo do poder colombiano articula uma síntese eficiente entre o conservadorismo moral, a doutrina de segurança e a aproximação estratégica com setores católicos tradicionais e igrejas evangélicas. Ao declarar que os desafios da Colômbia não se resumem à gestão macroeconômica ou ao combate à criminalidade, mas representam uma “batalha espiritual”, a nova liderança altera substancialmente a gramática do debate público.

Quando os atos da administração pública são enquadrados sob a chancela da orientação divina, espera-se que a intuição moral da luz da fé evite também os casos de corrupção e prevaricação que marcam o país. Trata-se de um modelo de governança focado no alinhamento irrestrito de sua base de apoio que é popular e religiosa, ao mesmo tempo coloca um escrutínio moral sobre as ações do governo.

O impasse constitucional

O uso intensivo de símbolos cristãos no topo da administração gerou, como era previsível, reações imediatas na capital. Setores do atual governo e congressistas da oposição denunciaram a iniciativa como uma afronta explícita ao princípio da laicidade do Estado, consagrado pela Constituição colombiana. Do outro lado do espectro, defensores da nova gestão rebatem argumentando que o texto constitucional protege a liberdade de consciência e que a manifestação da fé do mandatário não altera a estrutura legal das instituições.

O que se desenha no horizonte de Bogotá não é uma simples contenda ideológica, mas um choque profundo sobre o próprio conceito de legitimidade republicana. Enquanto a oposição aponta para o risco do maniqueísmo político, a liderança eleita sinaliza que utilizará a mobilização espiritual como um pilar permanente de sua comunicação oficial. A Colômbia inicia este novo ciclo sob o signo da convicção: os desafios do país latino americano são imensos e precisam, certamente, de muita ajuda, sobretudo, da divina.

ESPIRITUALIDADE

 

Mulher descobre a vocação de sua vida durante uma Adoração Eucarística

Muitos católicos sentem poderosamente a presença de Deus quando passam algum tempo em adoração à Eucaristia — como deveríamos, claro, já que a Eucaristia é a Presença Real de Jesus Cristo. 

Quer estejamos discernindo uma decisão importante na vida, resolvendo problemas do dia a dia ou carregando algum tipo de cruz pesada, podemos encontrar respostas e esperança amorosa quando buscamos a presença de Deus na Adoração.

Sem dúvida há tantas histórias de momentos transformadores que ocorrem durante a Adoração Eucarística que ninguém conseguiria escrevê-las todas. 

Hoje, quero compartilhar a história de uma jovem esposa e mãe que sentiu que Deus a chamava para uma vocação inesperada e desconhecida – e que acabou se completando anos depois.

Algo faltando

Hoje, Erin Thielman é professora de ciências do ensino médio na Diocese de Arlington, Virgínia. Mas em 2016, a ideia dessa vocação não estava no seu radar. 

Em 2016, ela estava numa fase de sério discernimento depois de servir a Força Aérea dos EUA. Casada e com dois filhos, ela conseguiu um emprego como assistente de instrução na escola católica de seu filho enquanto pensava nos próximos passos. 

“Embora eu soubesse que tinha uma boa formação, faltava algo e eu estava insegura”, disse ela em entrevista à Aleteia. “Para onde Deus estava me chamando em seguida?”, pensava.

O chamado de Deus na Adoração 

Um dia, Erin estava ajoelhada na capela de Adoração da escola e sentiu "como se um ímã estivesse me puxando". Ela ficou chocada ao sentir um chamado intenso em seu coração. 

“Fiquei impressionada com um chamado alto de Deus perguntando se eu me submeteria humildemente à sua vontade”, disse ela. Ela sentia que Deus queria que ela fosse professora, mas não sabia como isso seria possível. 

“Eu disse a ele que faria isso, mas não tinha ideia de como!” ela disse. “Eu guardei isso em meu coração.”

Poucos dias depois, ela recebeu um telefonema do diretor perguntando se ela poderia lecionar religião nas turmas do 7.º e 8.º anos. 

Supresa, ela pensou: “Talvez fosse para isso que Deus estava me chamando quando pediu para me submeter à sua vontade.” 

Ela teve um “ano glorioso” e está lecionando e até hoje.

Uma reviravolta surpreendente

Mas aquele ano de ensino teve um fim inesperado: ela ficou grávida do terceiro filho. 

“Os médicos disseram que eu não poderia engravidar novamente depois de superar uma doença fatal, mas Deus sempre sabe o que é melhor”, disse ela. 

Seu terceiro filho nasceu com síndrome de Down. E ela descobriu que criar uma criança com síndrome de Down a capacitou para lecionar de uma maneira totalmente nova.

“Na minha sala de aula do ensino médio há um punhado de crianças com necessidades especiais”, disse ela. “Consigo ensiná-las e me conectar com elas por causa do meu filho pequeno. Tudo se completou. ”

Hoje, Erin é defensora da comunidade de portadores da síndrome de Down, palestrante motivacional para adolescentes e jovens adultos e autora.

O chamada continua

O chamado de Deus não foi um evento único. Ela sente isso repetidas vezes ao fazer do trabalho de sua vida, ou seja, servir e ensinar. Diz ela:

"Lembro-me dessa experiência transformadora na Adoração quando me sento no sofá com meus três filhos, corrigindo trabalhos e definindo planos de aula. O que aprendi com aquela experiência transformadora na capela da escola repetiu-se várias vezes nos últimos seis anos. Estou confiante de que continuarei a ouvir esse chamado repetidamente ao longo do tempo. Caí de joelhos, mas meu coração foi elevado ao tabernáculo. Ele me pediu para cuidar de seus filhos – todos eles que cruzam meu caminho – e estou me esforçando para fazer exatamente isso."

E ela tem esta mensagem para compartilhar com o mundo sobre a Adoração Eucarística: “Não precisamos ficar falando tudo. Às vezes precisamos encontrar o silêncio para ouvir a voz poderosa de Deus”.