sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

IGREJA

 A regra de Santo Inácio de Loyola que ajuda os pais e crianças a administrar o uso da internet

Sempre pedimos a Deus que cuide das crianças e precisamos também rezar pelas famílias que devem assumir o compromisso de proteger os filhos de riscos na internet

Oser humano foi feito a imagem e semelhança de Deus, sendo Sua obra mais completa. Por amor à criação, nosso Deus Altíssimo nos oferta o mundo inteiro, portanto devemos ser responsáveis com os dons que recebemos. Entre os dons recebidos do Pai, as crianças estão entre os mais preciosos.


Somos responsáveis por tornarmos nossos filhos e filhas, bons seres humanos que colaborem com a obra da criação divina. É realmente uma grande, imensa responsabilidade.


Habilidades das crianças

A pouco tempo atrás conversando com uma amiga, ela manifestou sua repulsa pelo conceito de escrever a mão e ter uma boa letra, disse-me: “que coisa mais antiga!”. Tão antiga, essencial e funcional. Esse hábito serve para que possamos desenvolver comandos cerebrais que nos permitem, respirar, tomar água, comer, andar e podermos fazer tudo isso ao mesmo tempo.


Os pais são responsáveis por ajudar as crianças a desenvolver essas habilidades importantes para a vida e também são responsáveis pelo tempo de computador ou jogos virtuais dos filhos, porque se como adultos podemos nos tornar dependentes desses meios eletrônicos, imagine uma criança que se espelha no ambiente e nas pessoas com as quais convive para estabelecer padrões adequados que permitam o crescimento, físico, intelectual e mental.


Uma regra útil de Santo Inácio de Loyola

A reflexão que Santo Inácio de Loyola nos coloca: a regra do "tanto - quanto". Devemos usar de tudo o tanto quanto seja necessário para fazer o bem. Pensemos: o computador me afasta ou aproxima de Deus e das pessoas a quem devo proteger e cuidar? Se você sabe onde está seu celular, mas desconhece onde está seu filho, o objeto te afasta de Deus, pois devemos amar o próximo como a nós mesmos e quem mais próximo que nossos filhos?


A vida das crianças não deve ser blindada da realidade, mas deve ser apresentada de forma que ela possa entender os perigos que existem e que não devemos negar.

Histórias para crianças

Nas histórias infantis como Branca de neve, Chapeuzinho vermelho e outras, percebemos lições de cuidado para as crianças. Cuidado com o que oferecem para comer, no caso da Branca de neve e cuidado ao andar sozinha, pois há lobos à solta, no caso da Chapeuzinho vermelho.


O perigoso lobo que que pertencia ao livro colorido infantil, que parece hoje ultrapassado, está inserido em um jogo de computador ou redes de amigos sociais. O lobo, a bruxa e outros malvados, podem estar a espera para atacar as crianças, e cabe aos pais protegerem seus filhos.


Pais não tenham medo de serem pais, estabelecer fronteiras, organizar a vida, conhecer o que acontece com seus filhos. A humanidade somente evoluiu porque passou de geração a geração o conhecimento adquirido, assim seu conhecimento sobre os perigos do mundo devem servir para que seu filho possa chegar a vida adulta capaz de se proteger e proteger aqueles que serão seus futuros netos.


E um bom princípio para esse cuidado e proteção é rezar juntos esta singela oração:


“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém".

ESPIRITUALIDADE

 Nos domingos da Quaresma, batismo e penitência são dois pilares do itinerário quaresmal, diz padre

A Quaresma começa no próximo dia 18, Quarta-feira de Cinzas. Cada domingo desse tempo litúrgico “ajuda na preparação para a Semana Santa e Páscoa percorrendo páginas especiais do Antigo e do Novo Testamento, onde batismo e penitência emergem como dois pilares do itinerário quaresmal”, disse o padre Rafhael Silva Maciel, da arquidiocese de Fortaleza (CE).

O sacerdote, doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto de Santo Anselmo, em Roma, falou com ACI Digital sobre a origem e o significado da Quaresma e como cada um dos cinco domingos desse tempo litúrgico ajudam na preparação para a Semana Santa e Páscoa.

Origem da Quaresma

Segundo o padre da arquidiocese de Fortaleza (CE), Rafhael Silva Maciel, doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto de Santo Anselmo, em Roma, “não se sabe ao certo quando se deu o início do Tempo da Quaresma, mas entre o final do século III e o início do século IV, no Egito, era práxis fazer um período de jejum de 40 dias em honra do jejum feito por Jesus no deserto, que tinha início logo após a solenidade da Epifania, com a celebração do Batismo do Senhor”.

“Não custou muito tempo para que essa prática fosse ligada a uma preparação dos fiéis para a celebração da Páscoa do Senhor”, disse o padre.

O sacerdote contou que “o Concílio de Nicéia, em 325, no cânon 5, já menciona a quadragesima paschae, ou seja, um tempo de quarenta dias precedentes em preparação à Páscoa”. Além disso, ressaltou que são Jerônimo (347 - 420) “é o primeiro autor eclesiástico a testemunhar sobre a existência da Quaresma em Roma; o que se confirmará com textos de são Leão Magno” (400 - 461).

Se contados os dias corridos, a Quaresma soma mais de 40 dias. Entretanto, disse o padre Rafhael, “os Domingos, que continuam sendo o dia da Páscoa semanal, para o fiel não contam como dia penitencial”.

“Se contarmos a quantidade de dias da Quarta-feira de Cinzas até a Quinta-feira Santa, pela manhã, dentro desse espaço de tempo estão os dias penitenciais, somar-se-ão 44 dias, dos quais subtraímos os Domingos de Quaresma, resultando em 40 dias de penitência quaresmal”, disse.

A Quaresma na Bíblia

Os 40 dias têm um significado. O padre Rafhael disse que “o simbolismo bíblico do número 40 perpassa todo tempo quaresmal – que significa, na Palavra de Deus, tempo de espera, de humilhação, de esforço, de penitência de luta”. O sacerdote citou, por exemplo, os “40 dias de Moisés no Sinai”, os “40 anos de Israel no deserto” e os “40 dias de Jesus na sua preparação para o início do seu ministério público”.

“Após os 40 anos/dias chega-se à vitória, ao prêmio esperado”, completou.

Segundo o sacerdote, “dessas experiências, especialmente aquela de Jesus no deserto, sobressai a relação dos 40 dias de jejuns quaresmais”.

TESTEMUNHO

 De que adianta ser curada e deixar a fé, dizia Maria Eduarda, morta de câncer aos 17 anos em Juiz de Fora

“De que adiantaria ser curada logo, esquecer o milagre e abandonar a fé?”, dizia Maria Eduarda Nogueira de Paula, a Duda. Ela morreu de câncer aos 17 anos na cidade de Juiz de Fora (MG), em 17 de janeiro de 2025. Para quem a conheceu, ela viveu o sofrimento com alegria, sem murmurações, entregue a Deus, a Nossa Senhora, e à eucaristia. Para o arcebispo-emérito da cidade, dom Gil Antônio Moreira, ela é a versão feminina de são  Carlo Acutis.

Maria Eduarda nasceu em 28 de dezembro de 2007, primeira dos três filhos de Octacília Silva Nogueira e Juliano Tarcísio de Paula. Cresceu no bairro São Mateus, em Juiz de Fora, e desde cedo participou da vida paroquial: missas, procissões e coroações marianas faziam parte de sua rotina. Recebeu a primeira comunhão em 2017 e passou a servir como coroinha.

Maria Eduarda com seus dois irmãos. Crédito: Arquivo pessoal.
Maria Eduarda com seus dois irmãos. Crédito: Arquivo pessoal.

Em 2022, aos 14 anos, Duda começou a sentir fortes dores nas pernas. Depois de muitas consultas e exames, foi diagnosticada com sarcoma de Ewing em estado avançado, com metástase óssea. Iniciou quimioterapia em Juiz de Fora, e os médicos recomendaram tratamento especializado na Espanha. Diante do alto custo, a família lançou uma campanha online que arrecadou R$ 820 mil em menos de 30 horas, superando a meta de R$ 700 mil.

Tratamento e fé

No tratamento na Espanha, Duda sofreu complicações, entre elas uma lesão no esôfago que a impediu de engolir. A mãe relatou à ACI Digital que, em um momento de dor, a filha perguntou: “Mãe, o que você agradeceu na sua oração hoje?”

“Hoje eu agradeci por respirar, andar”, disse Duda. Segundo a mãe, durante cinco dias, ela se alimentou só da comunhão, porque o esôfago estava em “carne viva”.

Mesmo em sofrimento, Duda manteve práticas de devoção: terços rezados no quarto, músicas e a presença de padres que celebravam missa para ela. No fim de 2024, já com mobilidade reduzida, fez questão de ir à Missa do Galo na Igreja dos Arautos do Evangelho. Ao chegar na Igreja, o seu confessor, padre Sebastião, disse que ela não precisava ter ido e ela respondeu: “Padre, por Ele vale a pena, por Ele a gente faz tudo, por Jesus.”

Fama de santidade em Juiz de Fora

Dom Gil acompanhou de perto a história da jovem. “Ela respirava Jesus Cristo; isso se via no rosto, no sorriso, nas palavras. Tinha grande devoção à Eucaristia, a Nossa Senhora e à Igreja. Esses sinais apontam para uma afinidade com o sobrenatural. Na cidade de Juiz de Fora ela tem a fama de santidade”, disse o arcebispo à ACI Digital.

Dom Gil Antônio Moreira com Maria Eduarda. Crédito: Arquivo pessoal.
Dom Gil Antônio Moreira com Maria Eduarda. Crédito: Arquivo pessoal.

Em julho de 2025, durante viagem a Roma para o Jubileu dos Bispos e para apresentar sua renúncia por limite de idade, ele entregou ao papa Leão XIV um dossiê sobre a vida de Duda. “Não estou querendo adiantar o juízo da Igreja, mas antes de sair da arquidiocese, me achava no dever de dar um testemunho positivo à Igreja, ao papa, sobre um caso, que no meu entender, é uma vida de muita santidade de uma jovem”, disse dom Gil à ACI Digital.

Ao comparar Duda a Carlo Acutis, dom Gil afirmou: “Eu digo que é a versão feminina de Carlo Acutis, justamente porque o que havia no coração e na vida dessa menina se parece muito com aquilo que havia no coração e na vida de Carlo Acutis: são dois jovens… Carlo Acutis tinha um grande amor à Eucaristia, a Nossa Senhora e a Igreja, ela também demonstrava isso.”

Ela também usava a internet para evangelizar, fazendo lives para rezar o terço, também para falar sobre a vida dos santos e da Igreja e foi na internet onde ela aprendeu a fazer rosários e os vendia para ajudar os pais a pagarem o tratamento e os distribuía para fomentar a devoção a Nossa Senhora.

“Os próprios jovens se inspiram nela para viver uma vida de piedade mais intensa, de amor a Cristo, de participação na missa, nas coisas que podem ajudar aos outros, no amor aos pobres”, contou o arcebispo.

“A Maria Eduarda, portanto, me parece ser daqui de dentro de sua casa, sem sair porque não podia mais sair por causa da doença, me parece ser uma imitadora de santa Teresinha, missionária que nunca saiu do convento”.

Alegria divina em meio ao sofrimento

A professora Letícia Cristina Pereira autora do dossiê a pedido de dom Gil e responsável pela biografia em andamento, contou à ACI Digital que “no primeiro momento que eu a conheci, ela estava com um sorriso, uma alegria tão divina. Eu percebi ali que é uma santinha que nós temos”. Letícia descreve o quarto de Duda como um espaço de oração e celebração, onde o sofrimento era vivido com fé e alegria.

No terço que rezaram, Duda agradecia por ter a doença. “Num tempo que a gente vive uma sociedade que quer só bem-estar, só anestesia das dores, ninguém quer sofrer mais, a Duda consegue agradecer por sofrer, porque ela podia se unir ao sofrimento de Jesus”, disse.

“Sofrendo naquela menina que sofre, a gente encontrava o próprio Cristo sofredor. E víamos a Cristo numa menina que não reclamava, não murmurava, não se queixava, muito pelo contrário, o quarto de Duda era um quarto de celebração”, continuou.

“Para mim, o que fica na Duda é um amor tão grande a Jesus Cristo, é uma menina que tinha uma clareza de que Ele era o tesouro da vida dela, e por Ele valiam a pena todas as coisas”.

Para Letícia, Duda viveu as virtudes de forma heroica, principalmente o amor pelas almas, buscando sempre “apontar para Deus, sempre apontar para o céu. Ela irradiava esse amor a Jesus, era uma luz que vinha da Eucaristia na vida da Duda, e a gente conseguia quase que tocar. Então, estar na casa dela era a gente falar assim, vou visitar Deus, Jesus está ali”.

Duda incentivou os pais a se casarem na Igreja e receberem os sacramentos

A jovem também teve papel decisivo na vida espiritual da família: foi ela quem incentivou os pais a se casarem na Igreja e a receberem os sacramentos. Octacília, a mãe, resume: “Eu tive a honra de receber uma filha que foi quem me mostrou o caminho do céu. Foi ela que me mostrou que a meta da nossa vida não pode ser o mundo, tem que ser o céu”.

“Ela quis que nós nos casássemos, ela quis que nós nos confessássemos, ela queria tudo o que ela estava vivendo, todo esse encontro que ela estava tendo com Deus, ela queria para todo mundo, ela não queria só para ela e principalmente para os de casa”, contou Octacília.

Casamento de Octacília e Juliano. Crédito: Arquivo pessoal.
Casamento de Octacília e Juliano. Crédito: Arquivo pessoal.

O pai de Maria Eduarda contou que no Natal de 2024 ela pediu que eles se reunissem pois ela queria um presente. Sabendo que sua vida estava no fim, ele estava disposto a dar qualquer presente que ela pedisse, por mais caro que fosse. Então ela disse que queria que eles se confessassem para passar o nascimento de Jesus em estado de graça.

No início de janeiro de 2025, Duda piorou, teve que ser internada no hospital. Os médicos perceberam que sua vida estava terminando e liberaram visita irrestrita à jovem. Todos os dias cerca de 25 pessoas passavam por ali. Ela morreu no dia 17 de janeiro de 2025. Segundo o dossiê, uma multidão acorreu ao velório e ao sepultamento na cidade de Andrelândia (MG). 

“A morte de Maria Eduarda não foi marcada pelo luto, mas por uma silenciosa certeza de que o céu havia se aberto para acolher uma de suas filhas muito amadas”, diz o dossiê.


LITURGIA DIÁRIA

 Evangelho de sexta-feira: faz que os surdos oiçam

Comentário ao Evangelho de sexta-feira da V semana do Tempo Comum. «Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele». Por vezes sofremos porque alguns amigos se isolam e não querem ouvir razões para melhorar a sua vida. Lembremo-nos: a oração é omnipotente, Jesus tudo pode.


Evangelho (Mc 7, 31-37)

Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe:

«Effathá», que quer dizer «Abre-te».

Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam:

«Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».


Comentário

A cura do surdo pode servir-nos para considerar como na vida espiritual o Senhor é capaz de fazer com que os ouvidos do coração se abram e a língua se solte. O Evangelho diz que aquele pobre doente é levado a Jesus por outros: provavelmente os seus amigos teriam tentado todos os meios para curá-lo, mas com pouco sucesso. Agora eles limitam-se a facilitar este encontro pessoal com Jesus.

Isto também acontece na vida espiritual: às vezes, podemos sofrer quando vemos amigos que se isolam, que não querem falar sobre os seus problemas ou ouvir razões para evitar o que os afasta de Deus. O que podemos fazer? Favorecer um encontro pessoal com Cristo: primeiro, a oração e a mortificação, depois talvez com um comentário aberto que convida à reflexão pessoal; assim, estes amigos podem avançar num plano inclinado, como dizia S. Josemaria.

Jesus separou o doente da multidão antes de realizar o milagre. Para entrar em contacto com Nosso Senhor, muitas vezes é necessário afastar-se do que produz ruído. Não é tanto o ruído exterior, mas o ruído interior: o que é provocado quando se perde o equilíbrio e se dá rédea solta ao que a vista, o paladar e o conforto pedem... Um primeiro passo para a conversão muitas vezes consiste em reconhecer que uma vida dispersa para o exterior produz um vazio interior no qual se ouve apenas um ruído inconsistente. Vale a pena dizer que não a certos pedidos dos sentidos para trabalhar na nossa interioridade. E lá encontramos Cristo.

O Evangelho de hoje termina com o entusiasmo das pessoas que contemplam o milagre. «Tudo o que faz é admirável» (v. 31). Também nós podemos maravilhar-nos de como o Senhor é capaz de reparar todas as situações, se nos dirigirmos a Ele com fé.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Nossa Senhora de Lourdes: uma história de fé e amor

A Santíssima Virgem Maria manifestou seu profundo amor por nós ao aparecer para uma menina de 14 anos. Ela se identificou como a Imaculada Conceição.

Em 11 de fevereiro de 1858, na vila francesa de Lourdes, às margens do rio Gave, Nossa Mãe, Santa Maria, manifestou de maneira direta e próxima seu profundo amor para conosco, aparecendo a uma menina de 14 anos, chamada Bernadete (Bernardita) Soubirous

Simples, humilde, mal sabendo ler e escrever direito, Bernadete saiu com sua irmã e uma vizinha para recolher lenha, mas no caminho deparou-se com uma enxurrada. Estava descalça e, como sofria de asma, hesitou colocar o pé na água fria, até que ouviu um barulho entre as árvores. Olhando mais atentamente, avistou uma senhora com as faces radiantes, sorridente, vestida de branco, com um cinto azul, um rosário entre os dedos e uma rosa dourada em cada pé. Bernadete recitou o terço, fazendo uso do rosário que trazia sempre consigo. 

Nossa Senhora, então, disse-lhe: “Não te prometo, Bernadete, a felicidade deste mundo, mas no outro.” 

As aparições

A partir desse momento, Bernadete presenciou diversas aparições, nas quais Nossa Senhora sempre pedia para que rezasse pelos pecadores, convidando os fiéis à penitência. 

Em 25 de fevereiro, guiada por Nossa Senhora, Bernadete cavou a terra e, daquele pequeno buraco, começou a jorrar água, tornando-se uma fonte milagrosa. A Virgem, por sua vez, manifestou o desejo de que ali fosse edificada uma igreja, mas quando consultou o pároco, Bernadete ouviu dele a resposta incrédula: “Peça à senhora que diga o seu nome.” 

A menina obedeceu e a Virgem revelou: “Eu sou a Imaculada Conceição.” Surpreendentemente, fazia apenas quatro anos que o Papa Pio IX proclamara o dogma da Imaculada Conceição

Como sempre, a princípio, as autoridades se mostraram descrentes e proibiram a realização de peregrinações. Algum tempo depois, Napoleão III permitiu o acesso à gruta. 

Entre 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858, ocorreram ao todo 18 aparições, caracterizadas pela sobriedade das palavras da Virgem e pelo aparecimento da fonte de água. Desde então, o lugar é referência de inúmeros milagres comprovados cientificamente.

IGREJA

 

Quando o 71º milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes foi reconhecido

Em 8 de dezembro de 2024, a Igreja reconheceu como milagrosa a cura de um soldado britânico, que ocorreu em 1923, após sua visita ao Santuário de Lourdes.

No dia 8 de dezembro de 2024, na festa da Imaculada Conceição, o 71º milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes foi oficialmente reconhecido. O arcebispo de Liverpool (Reino Unido), Malcolm McMahon, anunciou que um soldado britânico, John Traynor, ferido durante a Primeira Guerra Mundial foi curado durante uma peregrinação ao Santuário de Lourdes, na França, em 1923. Embora a cura tenha sido considerada milagrosa na época, nunca houve uma declaração oficial até agora, 100 anos depois.

“Dada a força das evidências médicas, o testemunho da fé de John Traynor e sua devoção à Nossa Senhora, é com grande alegria que declaro que a cura de John Traynor, de várias condições médicas graves, será reconhecida como um milagre operado pelo poder de Deus através da intercessão de Nossa Senhora de Lourdes”, afirmou o arcebispo em um comunicado.

Desde a criação no santuário do Escritório Médico de Lourdes, em 1883, cerca de 7.000 casos foram submetidos, mas apenas 71 foram oficialmente reconhecidos como milagres. O último milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes foi a cura de Irmã Bernadette Moriau, reconhecida em fevereiro de 2018.

A história de John Traynor

Nascido em Liverpool em 1883, John (Jack) Traynor ingressou na Marinha Real e lutou durante a Primeira Guerra Mundial, sendo ferido na Bélgica e depois em Gallipoli (atualmente na Turquia). Ele perdeu o movimento do braço direito, sofreu convulsões epilépticas severas e, posteriormente, foi afetado por uma paralisia parcial em ambas as pernas. Por isso, foi considerado "incurável" pelos médicos em 1923. No mesmo ano, ele decidiu participar da primeira peregrinação da arquidiocese de Liverpool ao Santuário de Lourdes, na França.

"Ele foi curado no dia 25 de julho, após ser imerso nas piscinas do Santuário e participar da procissão e bênção dos doentes", explicou o Santuário de Lourdes em um comunicado. "No mesmo dia, os médicos que acompanhavam a peregrinação confirmaram sua cura."

John Traynor voltou a Lourdes todos os anos para ser transportador de macas até 1939 e faleceu em 8 de dezembro de 1943.

Por que o milagre demorou tanto para ser reconhecido?

Apesar de ser amplamente acreditado na época que a cura de John Traynor fosse milagrosa, nunca houve uma declaração oficial da Igreja. Isso foi porque se acreditava que não havia evidências contemporâneas suficientes para comprovar que a cura fosse de fato milagrosa.

Em razão do centenário da primeira peregrinação de 1923 o ano passado, o Presidente do Escritório Médico de Lourdes (BdCM), Dr. Alessandro de Franciscis, e um membro inglês do Comitê Médico Internacional de Lourdes revisaram o arquivo de John Traynor e encontraram novos documentos da época que confirmavam que o soldado foi curado de forma milagrosa. Após um exame cuidadoso dos documentos em Lourdes e Liverpool, ficou claro que havia evidências médicas suficientes para declarar o milagre.

Assim, na festa da Imaculada Conceição, a cura de John Traynor foi reconhecida como o 71º milagre operado pela intercessão de Nossa Senhora de Lourdes!