quinta-feira, 7 de maio de 2026

TESTEMUNHO

 

Sandra Sabattini, a primeira noiva beatificada na história da Igreja

Falecida aos 23 anos, a jovem e seu noivo Guido pretendiam fundar uma comunidade a serviço dos "últimos entre os últimos" na África

No dia 24 de outubro de 2021, Sandra Sabattini se tornará a primeira noiva beatificada na história da Igreja.

A jovem leiga italiana estava se preparando para o sacramento do matrimônio com Guido Rossi quando, aos 23 anos, sofreu um atropelamento e, infelizmente, não resistiu.

Ela e o futuro esposo pretendiam mudar-se para a África a fim de fundar uma comunidade católica a serviço dos "últimos entre os últimos".

Primeira noiva beatificada na história da Igreja

A beatificação será presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em Rimini, província italiana onde Sandra nasceu em 19 de agosto de 1961.

Aos 4 anos, sua família se transferiu para a casa paroquial de San Girolamo, cujo pároco, o pe. Giuseppe Bonini, era irmão de sua mãe. Adolescente, Sandra passou a manter um diário pessoal a partir de janeiro de 1972. Três anos depois, conheceu o padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade Papa João XXIII, e seu carisma de servir aos "últimos da sociedade". A jovem tornou-se parte da comunidade. Foi o pe. Oreste, aliás, quem começou a promover a causa de beatificação de Sandra.

Sandra cursava Medicina e, como voluntária, atendia pessoas doentes. Além disso, todos os dias rezava o terço e meditava sobre a Palavra de Deus, alimentando uma profunda vida espiritual. Na virada de cada ano, costumava fazer oração da meia-noite à 1h da manhã perante o Santíssimo Sacramento.

A jovem tinha 20 anos quando conheceu Guido Rossi, que tinha os mesmos propósitos de Sandra. Guido e ela noivaram. Em 29 de abril de 1984, os noivos se dirigiam a mais um encontro da Comunidade Papa João XXIII. Quando Sandra desceu do carro e aguardava para atravessar a rua, um veículo que vinha na direção contrária a atropelou. Ela foi rapidamente socorrida e levada a um hospital de Bolonha, mas não pôde resistir às consequências do impacto brutal e entregou a alma a Deus no dia 2 de maio.

"Eu vivo por um milagre"

Em 19 de julho de 2007, um homem italiano de 41 anos, Stefano Vitali, viu-se curado inexplicavalmente de um câncer em metástase, após ter rezado por intercessão de Sandra. Ele relatou a sua história no livro "Eu vivo por um milagre", publicado em italiano e ainda sem tradução oficial para o português.

O testemunho de Stefano foi bastante divulgado. Em uma das entrevistas, ele afirmou que a sua cura não foi somente física, mas principalmente espiritual, já que o exemplo de vida de Sandra lhe apontou "o caminho para alcançar a serenidade e realizar a minha vocação". E completou: "se ela conseguiu isto comigo, que sou teimoso, mais ainda conseguirá com tantos que vierem a encontrá-la no futuro".

"Ícone de santidade verossímil"

O bispo de Rimini, dom Francesco Lambiasi, testemunha sobre Sandra Sabattini:

"Ela é uma figura que pode ser apontada como um ícone de santidade verossímil e atraente, que está do nosso lado: não são necessárias experiências excepcionais de compromisso ascético ou de contemplação mística.

Tudo de que a nossa querida Sandra precisava era do tecido de uma vida comum, costurado com a fé viva, sustentada por uma oração intensa e extensa. Uma vida dedicada ao cumprimento feliz e fiel do seu dever, pontuada por pequenos gestos de amor levados ao extremo, na amizade apaixonada com o Cristo pobre e servidor, no generoso e incansável serviço em favor dos pobres.

Depois de conhecer Jesus de modo pessoal, ela não podia mais deixar de amá-Lo, centrar-se n'Ele, viver para Ele, na Igreja".

TESTEMUNHO

 

O diagnóstico médico de Maria das Graças: “não poderá ser mãe”

Testemunho de superação por meio da fé

“Foi por meio da fé que encontrei a alegria de viver”, conta Maria das Graças, mãe e esposa, católica fiel. A infância de Maria foi muito dura, marcada por vícios dentro de casa, violência doméstica e abandono. Emocionada, recorda o encontro com a graça de Deus na juventude: “Olhei para uma imagem do Sagrado Coração de Jesus que tinha em casa e pedi: Se você existe, muda a minha vida ou me deixa morrer para ser feliz”.

Dentre os sinais de Deus, veio a possibilidade de morar com uma irmã mais velha no interior de São Paulo. Mesmo sem motivação, a irmã insistia que Maria fosse ao grupo de oração com ela. “Demorei um pouco para entender que a fé era deixar Deus fazer parte de minhas ações. Participei de um retiro de jovens e foi decisivo para mim. Senti tanto amor naquela ocasião e percebi que a minha realidade não era o que Deus queria”, relata Maria das Graças.

Fé e família

Maria das Graças conta que participando na comunidade foi diminuindo seu orgulho, lidando melhor com a timidez e se abrindo para o bem. Conheceu Jonhy, um amigo que se tornou namorado e é o marido dela. Casaram-se no mesmo ano em que Maria das Graças perdeu os pais, a mãe devido o vício em álcool e o pai em um acidente.

Após dois anos de casamento feliz, chegou um diagnóstico médico preocupante. Maria das Graças não poderia ser mãe. “Deixei tudo nas mãos de Deus e com ou sem filhos , decidi ficar em paz”. Para surpresa dela e dos médicos, a receita de confiar em Deus e ficar em paz foi infalível. Teve três gestações que, embora tenham sido consideradas de risco, deram ao casal Maria, Ana e Miguel.

Fé e esperança

“A fé faz parte da minha história. Tive que lutar, caminhar, sofrer e aprender a esperar. Amadureci e ainda estou aprendendo, coordeno o Grupo de Oração Missão Sopro da Vida e procuramos ajudar quem sofre”, conta Maria das Graças. “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito daquilo que não se vê” (Hb 11). “Ter fé não é só sentimentalismo, mas também atitude! Portanto, não tenhamos medo e, sim, fé!”, conclui Maria das Graças.