sexta-feira, 4 de setembro de 2026

IGREJA

 

Amor e responsabilidade: caminhos para a Teologia do Corpo

Ainda enquanto cardeal, Wojtyla já havia nos deixado importantes contribuições com os livros “Pessoa e Ato” e “Amor e Responsabilidade”, entre outros. Eles traziam alguns pontos fundamentais da mesma temática, como respostas aos anseios e dúvidas bem concretas dos dilemas que, em sua ação pastoral, via impactar jovens e famílias. Como arcebispo da Cracóvia, iniciou seus primeiros manuscritos sobre a Teologia do Corpo em 8 de dezembro de 1974, quando consagrou sua obra à Imaculada Conceição. Deus, em sua providência, quis chamá-lo à Cátedra de Pedro, em 1978, já com essa obra nas mãos.

A Teologia do Corpo é o conjunto de 133 catequeses, das quais 129 foram proclamadas nas audiências públicas de quartas-feiras, no início do seu pontificado na Praça de São Pedro, no Vaticano, indo de 1979 até 1984.

Objetivos da Teologia do Corpo

Talvez você possa se perguntar como ainda não tinha ouvido falar sobre essas catequeses ou se o seu conteúdo ainda se aplica ao mundo atual. Os escritos da Teologia do Corpo são um verdadeiro presente deixado para nós por um santo homem que quis nos ajudar no caminho da nossa santificação. Eles nos indicam como devemos viver verdadeiramente a afetividade e a sexualidade segundo o plano de Deus para a humanidade. Seu objetivo é responder a dois questionamentos básicos que clamam dentro do ser humano:  

1. Quem sou eu?

2. Como devo viver de modo a encontrar o amor e a felicidade?

Assim, a Teologia do Corpo pode ser dividida nestes dois grandes eixos – identidade e vocação – cada qual com três subdivisões ou ciclos, como o próprio Papa os chamou. As primeiras 23 catequeses retornam ao PRINCÍPIO, meditando sobre a grande obra de Deus, a criação do homem e da mulher e a vida na graça preternatural, antes do pecado. Nelas são abordados temas como unidade original do homem e da mulher, a consciência do significado do corpo, o significado bíblico do “conhecimento” na convivência matrimonial, entre outros.

O segundo ciclo, em 40 catequeses, trata da REDENÇÃO DO CORAÇÃO, que a partir do apelo de Cristo ao coração do homem nos mostra muitas respostas aos males que atingem a humanidade como frutos da concupiscência e, também, a graça redentora que brota da Cruz para mantermos nosso coração em sintonia com o coração do Pai e re-aprendermos a amar como Ele ama. 

O terceiro conjunto de catequeses, ainda dentro dessa primeira parte da obra, num total de nove catequeses, tem como tema A RESSURREIÇÃO DA CARNE. Aqui São João Paulo II, a partir das palavras de Jesus no diálogo com os saduceus sobre a ressurreição, nos ensina como será a vida gloriosa do nosso corpo terreno. Deste modo, João Paulo II nos traz reflexões preciosas sobre quem éramos antes do pecado – o homem original –, quem somos atualmente, feridos pelo pecado, mas também redimidos por Cristo – o homem histórico – e quem seremos na vida eterna, com o corpo ressuscitado – o homem escatológico. 

Virgindade, matrimônio e fecundidade

A segunda grande parte da Teologia do Corpo, começa com o quarto ciclo que trata da VIRGINDADE CRISTÃ. São 14 catequeses que nos levam à bela e profunda meditação da ideia da virgindade e do celibato como antecipação e sinal escatológico. O Papa mostra que nossa vocação à castidade é uma realidade terrena que prefigura a vida futura celeste. 

No quinto ciclo, e o segundo maior conjunto de catequeses – num total de 31 – o Papa traz o tema do MATRIMÔNIO CRISTÃO. São catequeses que fazem o paralelo da união homem-mulher e Cristo-Igreja, mostrando a essencial bi-subjetividade dessas relações. 

E, por fim, o sexto ciclo, composto de 16 catequeses, faz uma abordagem do AMOR E FECUNDIDADE a partir da Carta Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI. O Santo Padre nos faz perceber que toda vocação culmina com o amor, dom desinteressado de si para o outro, que sempre rende muitos frutos: na vida familiar – pelo matrimônio – ou na vida consagrada – gerando vidas novas para a Igreja e para o mundo!

Estes ensinamentos foram escritos para todos nós homens, mulheres, jovens, namorados, casados, celibatários, pois nos permitem viver não uma sexualidade reprimida, mas uma sexualidade REDIMIDA, a partir da diferença sexual que abre caminho para buscarmos a comunhão com o outro, segundo o próprio modelo da Santíssima Trindade.

O Papa nos propõe um caminhar, uma experiência efetivamente humana, onde nos reconhecemos como pessoas que nasceram não para ser usadas, mas para ser amadas. Temos, assim, a oportunidade de sermos dom para nós mesmos, para o outro e para Deus.

Quer descobrir toda beleza da sexualidade e entender o plano divino para o amor humano? Então, clique aqui e embarque conosco numa jornada semanal guiada por São João Paulo II, na rede social de oração Hozana.

Uma sementinha será plantada a cada publicação para ajudar você a desabrochar para o amor autêntico. Convido você a conhecer este verdadeiro “tesouro escondido” que a Igreja, como boa mãe e mestra, nos oferece. Será uma grande alegria podermos compartilhar e meditar sobre a Teologia do Corpo. 

Irmã Judith, da Comunidade Sementes do Verbo, pelo Hozana.

ESPIRITUALIDADE

 

Teologia do Corpo: o plano de Deus para a sexualidade


“Deus é amor” (I Jo 4,8). Deus não se tornou amor, mas é amor em sua essência, desde todo o sempre. Ora, como amar se não há o objeto a ser amado? A resposta surge nas origens, no Gênesis “Então Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26) Aqui há um destaque que a muitos passa despercebido: “semelhança”. Deus não criou o homem IGUAL a Ele, mas SEMELHANTE.

Para compreendermos o significado de semelhança, lembremos dos gêmeos. Dois irmãos gêmeos não são iguais, mas semelhantes. Podem se parecer em tudo, terem todos os traços físicos “iguais”. Mas, são diferentes um do outro. A impressão digital, olhos, boca, coração, etc. estão em um, mas não estão no outro. 2 é igual a 2 em quantidade. Mas, 2 irmãos gêmeos são semelhantes entre si.

Entendido que Deus cria o homem à sua semelhança, também o cria à sua imagem, tal qual uma imagem no espelho. Trata-se de uma imagem, mas não de sua realidade palpável, sensível. A consequência disto é que este ser criado jamais seria capaz de amá-lo na mesma intensidade.

Mais uma vez a Divina Sabedoria intervém na humanidade, ainda na primeira página do Gênesis: “O Senhor Deus disse: Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada (…) E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. Eis agora aqui – disse o homem – o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher” (Gn 2, 18.22.23b)

O casamento entre Deus e o homem

Isto aponta para um segundo casamento. As núpcias do cordeiro. O casamento entre Deus e o homem. É incrível observar que a primeira e a última página das Sagradas Escrituras trazem o mesmo assunto: as núpcias, o casamento. “Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo”. (Ap 21,2)

Diante destes dois pontos – início e fim da Bíblia - a grande intuição é a seguinte: a união entre o homem e a mulher é um sinal de sacramento da união final do casamento entre Deus e o homem. Assim, o matrimônio humano da primeira página da Bíblia aponta para a última página da Bíblia, o casamento com Deus.

Achou complicado? Pois bem. Mais uma vez entra em cena o Todo-Poderoso e sua infinita sabedoria. Conhecedor do homem moderno, suscitou São João Paulo II como um luzeiro nestes tempos modernos sobre a teologia que envolve a relação entre homem e mulher e a sexualidade que os envolve.

Teologia do Corpo

Entre os anos de 1979 e 1984 o Papa João Paulo II proclamou a Teologia do Corpo, um conjunto de 133 catequeses, das quais 129 foram proclamadas nas audiências públicas de quartas-feiras (transformadas no livro “Homem e Mulher os Criou), no início do seu pontificado na Praça de São Pedro, no Vaticano. Ao longo destas catequeses ele nos ensina sobre a relação entre homem e mulher, além da sexualidade humana de maneira fiel à Igreja e, ao mesmo tempo, nova, direcionada ao homem moderno.

Por que o nome Teologia do Corpo? É o próprio Santo Padre quem explica em uma de suas catequeses. “O corpo, de fato, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Foi criado para transferia para a realidade visível do mundo o mistério oculto desde a eternidade em Deus, e assim ser d’Ele” (Catequese 19, n.4). Desta forma, o corpo fala as realidades espirituais de Deus através do corpo.

Influenciado pela espiritualidade carmelita, reafirma o matrimônio espiritual da humanidade com Deus. Ninguém preenche ninguém, ninguém faz ninguém completamente feliz. Pois fomos feitos para o casamento com Deus. Por isto o casamento não é um empecilho entre Deus e o cônjuge, mas deve ser um trampolim para Deus, pois o desejo pelo(a) outro(a) é a busca pela felicidade perfeita que só acontece em Deus.

Corpo e alma

Ao olhar para o ser humano no seu corpo e na sua alma, é possível enxergar algo daquilo que é Deus e que, olhando para a forma como Deus se revelou em Jesus Cristo, é possível entender no Deus que se fez carne, corpo, algo do ser humano. Deus se revela no homem, e o homem revela Deus que se encarnou. “Pelo fato de o Verbo de Deus se ter feito carne, o corpo entrou pela porta principal da teologia (23,4), sendo Jesus a união entre Deus e a humanidade.

Porém, o diabo se apropria do instinto natural de todo ser humano pela sexualidade e a perverte. Os homens passam, então, a procurar no sexo “um deus alternativo”, transformando o trampolim em uma barreira. Busca na criatura este deus alternativo.

Quer descobrir toda beleza da sexualidade e entender o plano divino para o amor humano? Então, embarque com a Comunidade Semente do Verbo em uma grande jornada e acompanhe o retiro permanente “Amor e responsabilidade” na rede Hozana, com reflexões a respeito do conteúdo da Teologia do Corpo voltadas para sua vivência diária (clique aqui para participar).

IGREJA

 

Sutil e devastador: o abuso espiritual

Geralmente, os que nos causam maior escândalo são aqueles relacionados à sexualidade, por serem perceptivelmente gravíssimos, ainda mais quando o contra-testemunho vem de uma liderança cuja missão era cuidar. No entanto, há um tipo de abuso muito mais sutil, que além de ser o primeiro passo para outras violações, é tão devastador quanto desrespeitos físicos: o abuso espiritual. 

A etimologia da palavra “abuso” explica bem no que consiste este pecado. O prefixo latino “ab” quer dizer separação, afastamento. Já o radical “usus” significa “uso”. A união dos dois termos dá a ideia de “afastar-se do uso correto”, ou “ ir além do limite adequado”. 

O abuso é colocar uma pessoa humana, cuja dignidade é sagrada e inalienável, no lugar errado da equação: como um meio, ao invés do fim último da ação. É violar a dignidade da pessoa para que se obtenha um benefício próprio. A violação pode ser física, sexual, financeira, verbal, psicológica, emocional e também espiritual. A última ocorre quando, em um contexto religioso, a vítima tem o seu direito de fazer escolhas roubado por um falso conceito de liberdade e obediência, e a consciência manipulada e extraviada. 

Utilizar inadequadamente a autoridade espiritual - oficializada ou não - para objetificar o outro em nome da própria satisfação: isso é o abuso espiritual. A falsa satisfação do abusador é momentaneamente encontrada na sensação proporcionada pela possibilidade de ter a vida de alguém (cotidiana, ou mesmo psíquica e espiritual) “nas mãos”.

É a velha tentação da serpente: “sereis como deuses” (cf. Gn3,5). A sensação de ser “deus” faz com que o abusador ignore a própria humanidade, e se delicie com o poder, sem exigir de si a santidade. No entanto, o abusador é como a serpente, que apresenta à pessoa um deus tirano, e não um pai amoroso.

Sabemos que o coração humano é um campo de batalha


Os evangelistas enumeram os três tipos de tentações pelos quais qualquer um de nós pode passar, já que o próprio Mestre passou: o risco de ter o coração dominado pelo prazer, pelo poder e pelo possuir. O abuso dentro do mundo religioso muitas vezes é, por parte do abusador, uma tentativa de saciar a sede infinita do coração, que só encontra satisfação no poço da Água Viva que é Cristo, esforçando-se para assumir o lugar de Deus. O abusador se autodeclara um deus, e é movido pela falsa sensação de onipotência que a sua autoridade, oficial ou não, lhe concede. 

O abuso é o mais extremo oposto ao mandamento do amor determinado por Jesus. A consequência é sempre a ferida: no membro da Igreja que foi vítima, e no corpo inteiro. Os remédios são dois: justiça e misericórdia. A justiça se pratica dando a cada um o que lhe é devido. E, por isso, um abusador deve enfrentar as consequências de seus crimes. Já a misericórdia se dá na acolhida e acompanhamento próximo da vítima, e na proposta de conversão apresentada ao abusador. 

IGREJA

 

O dia em que santa Teresa de Calcutá disse: “A maior ameaça para a paz é o aborto”

Em 3 de fevereiro de 1994, santa Teresa de Calcutá participou no Café da Manhã de Oração Nacional que é celebrado todos os anos em Washington, EUA. Diante da classe dominante americana, a fundadora das Missionárias da Caridade proclamou com coragem a verdade sobre o crime do aborto.

Em seu discurso diante do então presidente Bill Clinton, da primeira-dama Hillary Clinton, do vice-presidente Al Gore e de sua esposa e outras figuras políticas que não estavam de acordo com ela, a religiosa de origem albanesa se referiu ao aborto como uma ameaça para paz.

“A maior ameaça para a paz hoje é o aborto, porque o aborto é declarar guerra à criança, a criança inocente que morre nas mãos de sua própria mãe. Se aceitarmos que uma mãe possa matar o seu próprio filho, como podemos dizer aos outros que não se matem? Como persuadir uma mulher para que não pratique um aborto? Como sempre, terá que fazê-lo com amor e recordar que amar significa doar-se até doer”.“Jesus deu a sua vida por amor a nós. É necessário ajudar a mãe que está pensando em abortar; ajudá-la a amar, mesmo quando esse respeito pela vida do seu filho a obrigue a sacrificar seus projetos ou seu tempo livre. Por sua vez, o pai dessa criatura, seja quem for, também deve se doar até doer”.

“Ao abortar, a mãe não aprendeu a amar; tentou solucionar os seus problemas matando o seu próprio filho. E através do aborto, envia uma mensagem ao pai que ele não precisa assumir a responsabilidade pelo filho gerado. Um pai assim é capaz de pôr outras mulheres na mesma situação. Dessa forma, um aborto pode levar a outros abortos. O país que aceita o aborto não está ensinando o seu povo a amar, mas a aplicar a violência para conseguir o que deseja. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto”.

Além disso, recordou ‘Análisis Digital’, madre Teresa pediu às mulheres que pensavam em abortar os seus filhos, para entregá-los a ela: “O maior presente que Deus deu à nossa congregação é lutar contra o aborto através da adoção. Já entregamos, somente na nossa casa em Calcutá, mais de três mil crianças para a adoção. E posso dizer-lhes quanta alegria, quanto amor e quanta paz essas crianças levaram para essas famílias. Foi um verdadeiro presente de Deus para eles e para nós”.“Recordo que uma das crianças estava muito doente, então pedi aos pais que a devolvessem e eu lhes daria uma criança saudável. Mas o pai olhou para mim e disse: ‘Madre Teresa, leva a minha vida antes da criança’. É lindo ver quanto amor, quanta alegria essa criança levou a essa família”.

“Rezem por nós para que possamos continuar com esse lindo presente. E também faço uma proposta: nossas irmãs estão aqui, se alguém não quer uma criança, entreguem-me, pois eu a quero”.Com as suas palavras, o fundadora das Missionárias da Caridade tocou o coração de muitos que estavam presentes e também deixou claro que a maior pobreza não encontrou nos subúrbios de Calcutá, mas nos países mais ricos onde falta o amor, nas sociedades que permitem o aborto.

“Para mim, as nações que legalizaram o aborto são as mais pobres, têm medo de um não nascido e a criança tem que morrer”.

Apesar do seu tamanho, ela não se encolheu em nenhum momento, pelo contrário, permaneceu firme como uma pedra e removeu as consciências dos poderosos dando voz aos não nascidos: “Com determinação, que nenhuma criança seja rejeitada ou não seja amada, ou que não se preocupem por ele ou não o assassinem e o joguem no lixo”.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrada santa Rosália, virgem e eremita

Santa Rosália foi uma nobre virgem e eremita do século XII, muito venerada em toda a Sicília e em Palermo (Itália), cidade da qual é padroeira. Seu nome em latim significa “Grinalda de rosas”.

O culto a esta santa foi promovido em todo o mundo pelos beneditinos, porque ao invocá-la obtinham a proteção contra doenças infecciosas como a peste ou recebiam auxílio em momentos difíceis.

Segundo a tradição da Igreja, foi uma mulher que viveu na solidão, pobreza e penitência; do mesmo modo, são atribuídos a ela inúmeros milagres, especialmente a extinção da peste que, em sua época, assolava o condado da Sicília.A iconografia a apresenta como eremita ou vestida com hábito agostiniano. Seus principais atributos são: uma coroa de rosas, em alusão ao seu nome, e um crucifixo e uma caveira, por sua ascese.

Segundo o sacerdote bolandista (colaborador jesuíta que recompilava dados sobre os santos), padre João Stilting, a santa foi filha de Sinibaldo, o conde de Quisquina e Monte Rosa (atual território de Santa Stefano Quisquina e Bivona), e é descendente da família de Carlos Magno.Rosália foi educada na corte e, por sua beleza e bondade, tornou-se dama de honra da rainha Margarida de Navarra, esposa do rei Guilherme II. Mas, ainda jovem, deixou seu lar e o palácio real para dedicar sua vida à oração e às mortificações, ocultando-se no mosteiro de São Salvador, em Palermo.

Como seus pais e um homem ao qual a tinham prometido queriam dissuadi-la, fugiu para uma cova perto de Bivona (Sicília) e, mais tarde, a outra localizada no Monte Peregrino, próximo a Palermo, na qual morreu e foi enterrada.

Seus restos mortais foram descobertos e levados à catedral de Palermo em 1624. Um ano depois, provou-se a autenticidade de suas relíquias e o papa Urbano VIII incluiu seu nome na lista do Martirológio Romano para o dia 15 de junho e 4 de setembro.No dia 15 de junho, celebra-se na Sicília e em outras partes da Itália uma festa especial comemorando o translado de suas relíquias. Em 4 de setembro, sua festa é celebrada na Igreja Universal.

LITURGIA DIÁRIA


Evangelho de sexta-feira: podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles?

Comentário ao Evangelho de sexta-feira da 22ª semana do Tempo Comum. "Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles". Aspiremos ao encontro definitivo com Jesus, no qual já não haverá jejum, porque viveremos com Deus para sempre.


 Evangelho (Lc 5,33-39)

Os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: 'Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com freqüência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem.'

Jesus, porém, lhes disse: 'Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Mas dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão.'

Jesus contou-lhes ainda uma parábola: 'Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova,
e o retalho novo não combinará com a roupa velha. Ninguém coloca vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E ninguém, depois de beber vinho velho,
deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor.'


Comentário

O evangelho de hoje recorda-nos uma controvérsia entre alguns fariseus e Jesus. Pouco antes, Lucas falou da vocação de Mateus e do banquete que organizou na sua casa. Os fariseus haviam censurado os discípulos de Jesus por comerem com publicanos e pecadores e romper as tradições, mas Jesus havia esclarecido que quem precisava de médico eram os doentes.

Esta atitude dos fariseus, aparentemente resultado do seu zelo pela lei, revela, por um lado, falta de conhecimento do sentido da lei; e, como podemos ver nos evangelhos, falta de retidão de intenção. Para estes fariseus, o jejum tinha um valor absoluto em si mesmo. No entanto, eles também mudavam estes jejuns em ocasiões especiais. Jesus mostra-lhes que o “esposo” está presente. Ele mesmo é o “esposo”. Ele é o Messias, Ele vai desposar a Igreja. O jejum tem um sentido, um contexto de penitência. E agora, enquanto Ele está com os discípulos, é tempo de alegria.

Aqueles fariseus não reconheciam em Jesus uma pessoa importante. As nossas obras manifestam o que está em nosso coração. Se vamos à Missa e temos fé na presença real de Cristo na Eucaristia, chegamos na hora, nos vestimos com elegância, participamos ativamente, nos comportamos com respeito. As coisas grandes devem ser celebradas. Também com banquetes, que serão uma autêntica ação de graças a Deus, que fez o alimento para nós, e com os quais Ele quis nos dizer que a vida humana é sempre um presente de alguém que nos ama e é generoso.

As últimas palavras do Evangelho nos encorajam a aprofundar a novidade da presença de Cristo entre nós. O jejum, uma prática judaica tradicional, é bom, e nós cristãos o vivemos com esse bom espírito, mas aspiramos a um tempo de alegria, no qual o jejum terá perdido o seu significado porque estão viveremos com Deus para sempre.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

IGREJA

 

Por que Santa Inês é retratada com um cordeiro?

Santa Inês de Roma, cuja festa é celebrada em 21 de janeiro, costuma ser retratada na arte religiosa segurando um cordeiro ou ao lado de um desses animais de grande simbolismo para os cristãos.

Além disso, é tradição que os cordeiros sejam abençoados todo ano em pleno dia de sua festa litúrgica, reservando-se a sua lã para fazer o pálio, vestimenta branca semelhante a um lenço que é usada sobre a casula do bispo metropolitano.

A conexão mais imediata entre Santa Inês de Roma e os cordeiros é o seu próprio nome, que, na versão original, é “Agnes”. Acontece que essa palavra vem do latim "agnus", que significa justamente cordeiro.

Além disso, há uma história medieval, registrada na célebre coletânea "Legenda Aurea" (Lenda Dourada), que reforça esta ligação relembrando um episódio pouco posterior à sua morte:

"Ocorreu que, certa noite, quando os amigos de Santa Inês vigiavam o seu sepulcro, viram uma grande multidão de virgens vestidas com vestes de ouro e prata, e uma grande luz brilhou diante delas. Do lado direito, havia um cordeiro mais branco do que a neve. Também Santa Inês aparecia entre as virgens e disse a seus pais: 'Olhai e vede de não já lamentar-me como morta, mas alegrai-vos comigo, pois com todas estas virgens deu-me Jesus Cristo a mais refulgente habitação e morada, e estou com Ele unida no céu, a quem na terra amei com todo meu pensar'".

Nesse relato, a presença de um cordeiro simbolizava a pureza, em referência à pureza de sua vida.

Desde então, Santa Inês foi quase sempre retratada junto a um cordeiro - e os cordeiros continuam a ser abençoados até hoje na sua festa litúrgica.