terça-feira, 15 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Como Nossa Senhora das Dores pode ajudar a resolver seus problemas

Setembro é o mês de Nossa Senhora das Dores. E especificamente este setembro de 2020 é o momento certo para encontrarmos força nesta devoção, enquanto nos ajustamos aos desafios com o trabalho e a escola na pandemia, além de toda a crise provocada pelo novo coronavírus.

Nosso mundo "mascarado" até parece surreal, pois ficamos a pelo menos dois metros de distância das pessoas. Mas Nossa Senhora oferece-nos o melhor consolo possível.

Um mês antes da devoção de outubro a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, setembro é um momento ideal para fortalecer nossa conexão com Maria. O amor e a compaixão que sentimos quando meditamos sobre as tristezas da Mãe de Deus nos permite esquecer ou transcender as nossas por um tempo. Além disso, somos lembrados de que nossa Mãe realmente nos entende.

Nas palavras do Papa São João Paulo II: "Voltemos os olhos incessantemente para a Santíssima Virgem; ela, que é Mãe das Dores e também Mãe da Consolação, pode compreender-nos totalmente e ajudar-nos. Olhando para ela, orando a ela, você conseguirá que seu tédio se transforme em serenidade, sua angústia se transforme em esperança e sua dor em amor ”.

Este mês, vamos unir nossas tristezas às de Maria. Aqui estão 10 maneiras de fazer isso:

1
Transforme a dor em propósito

Pegue os sofrimentos que você suporta e ofereça-os ao Coração Imaculado de Maria. Recorrer às suas tristezas impedirá um coração morno e, em vez disso, permitirá que você arda em devoção e amor enquanto contempla as tristezas da nossa Mãe e oferece sacrifícios e atos de reparação, como a Devoção do Primeiro Sábado. Transformar a dor em propósito por meio desses atos é uma cura para a mente e o coração.

2
Cultive a alegria

Concentre-se menos em suas dores e cultive a alegria de só pensar na maravilhosa Mãe Santíssima que temos! Quando você se sentir triste, reze uma Ave-Maria na hora. Outra ideia é fazer um diário de suas tristezas e, em seguida, escrever uma oração pedindo a Maria para ajudá-lo a curá-las.

3
Ajude alguém

Ofereça-se para carregar a cruz de alguém por um tempo. Você pode fazer isso enviando um cartão, ouvindo atentamente quando alguém quer falar sobre uma preocupação, uma dor ou uma solidão. Ofereça tempo e empatia, ao invés de dizer que está “muito ocupado” para isso. Você pode enviar um buquê para alguém que está passando por um momento difícil (talvez rosas ou lírios, em homenagem a Nossa Senhora). Cozinhe uma refeição gostosa para para fazer alguém se esquecer dos problemas! Que tal uma "comida caseira", como macarrão, canja de galinha ou panquecas?

4
Reze o Terço das 7 Dores de Nossa Senhora

A devoção das Sete Dores envolve a oração de sete Ave-Marias por dia, cada uma meditando sobre uma das sete dores de Nossa Senhora, que são:

- A profecia de Simeão,

- A fuga para o Egito,

- A perda do Menino Jesus no templo,

- O encontro de Jesus e Maria na Via Sacra,

- A crucificação e morte de Jesus,

- A retirada do Corpo de Jesus da Cruz e a preparação para o sepultamento,

- O enterro de Jesus.

O Terço das Sete Dores envolve repousar sobre cada uma das sete dores como se fosse um dos mistérios do Rosário, com sete Ave-Marias.

IGREJA

 

Os três critérios de Leão XIV para cantar bem na missa

Leão XIV começa mencionando um ponto importante:

O canto e a música litúrgica constituem, na tradição da Igreja, um tesouro de valor inestimável.

E imediatamente, após evocar esse aspecto que poderíamos qualificar de "patrimonial", ele precisa que o canto e a música litúrgica fazem parte necessária e integrante da liturgia solene da missa. Através disso, o papa Leão afirma que o canto e a música não são uma ornamentação da liturgia, mas fazem parte do coração da liturgia.

Nossos amigos ortodoxos costumam nos dizer isso de forma um pouco maliciosa: "Vocês, os latinos ou ocidentais, cantam na missa; mas nós, nós cantamos a missa." Acredito que há algo aí para ser ouvido.

A santidade da música e do canto litúrgico

Em um segundo momento, Leão XIV evoca o que chama de coração do ensinamento do Capítulo VI da Constituição, focado na música. Trata-se do número 112, um número importante que especifica que a música e o canto litúrgicos serão tanto mais santos — ele diz expressamente "santos" e não apenas "adequados", o que demonstra bem que fazem parte da liturgia — quanto necessários para que a liturgia seja uma santa liturgia. O canto e a música serão tanto mais santos quanto mais estreitamente estiverem conectados com o seu rito. Isso significa muito simplesmente que o critério número um para sua escolha é a adequação do canto e da música ao rito. Em termos claros: um canto de entrada não é um canto de comunhão, assim como um canto de Quaresma não é um canto de Páscoa. Esse ponto é particularmente importante na situação atual da Europa Ocidental onde, sob influências pentecostais, os cantos de louvor e meditação — por mais importantes que sejam — tendem a aplainar a diversidade do canto litúrgico e a ignorar a especificidade de cada tempo do ano litúrgico: o Advento, a Quaresma, o Tempo Pascal. Além disso, um canto de entrada e um canto de comunhão não são a mesma coisa.

A participação dos fiéis na missa

Em seguida, Leão XIV se une ao seu distante antecessor, São Pio X, no que diz respeito à "participação ativa". Pio X foi o primeiro dos papas a incorporar essa expressão, cujo sucesso todos conhecemos. É uma expressão que seria muito importante para o Movimento Litúrgico e na Constituição sobre a sagrada liturgia. Ele foi o primeiro papa a integrá-la em um documento magisterial de alto nível, um motu proprio, precisamente dedicado à música e ao canto litúrgico. O canto e a música litúrgica são um dos lugares eminentes da participação ativa do povo cristão no mistério celebrado.

O Papa recorre ao seu mestre, Santo Agostinho, para sublinhar que o canto e a música litúrgica honram de modo muito particular a dimensão sensível e afetiva da liturgia. Ele acrescenta que o canto e a música litúrgica são um fator de comunhão, sendo a dimensão de comunhão e de unidade extremamente importante em Santo Agostinho. A propósito da comunhão, todos nós já tivemos a experiência de um belo canto entoado em conjunto pela assembleia, o qual manifesta e molda a comunhão de pessoas que, de outro modo, seriam muito diferentes.

"Nobre simplicidade"

Contudo, se o canto e a música litúrgica são fatores de comunhão, criar bons cantos e uma boa música litúrgica é algo exigente. O Papa faz um apelo aos compositores, propondo três "critérios" de qualidade. O primeiro é a adequação ao rito. O segundo critério é a "nobre simplicidade". Embora costumemos falar de nobre simplicidade a respeito da arte sacra, Leão XIV aplica precisamente essa exigência ao canto e à música litúrgica. Nobre simplicidade não significa banalidade, mas sim facilidade de interpretação por uma assembleia paroquial normal, com vistas a uma participação ativa.

O terceiro critério diz respeito aos textos, que devem ser profundos, mas, ao mesmo tempo, acessíveis. Nobreza e simplicidade, profundidade e acessibilidade. Existe aí uma tensão que é constitutiva da qualidade da música e do canto litúrgico. No que tange aos textos, o Papa sublinha, obviamente, que eles devem ser inspirados pela Sagrada Escritura. Na tradição católica, não se canta a Sagrada Escritura — com a notável exceção dos salmos —, mas toda a tradição da Igreja Latina insistiu no fato de que o canto e a música estavam a serviço da Escritura Sagrada. O canto gregoriano é um exemplo eminente disso. Precisamente no sexto ponto da catequese papal, Leão XIV recorda a importância singular do canto gregoriano e do órgão na tradição católica, dois elementos que constituem uma forma de referência para compor cantos e músicas adaptados às condições atuais.

A importância singular do canto gregoriano

O penúltimo ponto, a questão da inculturação — mais desenvolvida aqui do que na Sacrosanctum Concilium —, traz a marca pessoal do Papa. Leão XIV sublinha — talvez devido à sua experiência como pastor na América Latina — que a música e o canto são um dos lugares eminentes da inculturação e são necessários para consumar o matrimônio entre o Evangelho e uma determinada cultura. Um exemplo magnífico, que o Papa não cita, é o oferecido pelos beneditinos de Keur Moussa, no Senegal. A Abadia de Keur Moussa foi fundada pela Abadia de Solesmes. Seus monges são herdeiros da tradição gregoriana mais autêntica e ocidental que existe. No entanto, eles conseguiram inculturar essa tradição profundamente latina com as tradições musicais e instrumentais mais autênticas da África. É um exemplo excepcional de inculturação bem-sucedida.

Leão XIV termina, seguindo os passos de seu antecessor Francisco, com um apelo à formação para o canto e a música litúrgica. Abrindo uma exceção, terminarei destacando algo que implementamos há cerca de vinte anos no Instituto Superior de Liturgia: um diploma universitário de música litúrgica, partindo da constatação de que, precisamente, muitos músicos da Igreja careciam de formação teológica. Como o Papa disse no início, a música não é uma ornamentação, mas faz parte da liturgia. Daí a importância de uma formação de fundo em canto e música litúrgica.

EDUCAÇÃO

 

Por que está cada vez mais difícil conviver com quem pensa diferente nas urnas?

“Como alguém pode votar nele?”
“Depois de tudo o que aconteceu, você ainda pensa assim?”
“Se você vota nesse partido, não temos mais nada em comum.”

Talvez você já tenha ouvido, ou até dito alguma dessas frases.

O que deveria ser uma manifestação legítima de opiniões diferentes passou, muitas vezes, a ameaçar relacionamentos. Famílias evitam determinados assuntos, amigos se afastam e pessoas rompem vínculos porque descobriram que votam em candidatos diferentes.

Quando o voto vira identidade:

Uma das razões está no fato de que a política passou a ocupar um espaço importante na identidade de muitas pessoas. Não é mais apenas: “Eu votei nesse candidato.” É: “Eu sou desse lado.”

Quando uma posição política se torna parte da nossa identidade, qualquer crítica pode ser sentida como um ataque pessoal. A conversa deixa de ser sobre ideias e passa a ser uma disputa para provar quem está certo.

O problema do “nós” e “eles”:

Existe algo profundamente humano nessa dinâmica: tendemos a confiar mais em quem pertence ao nosso grupo e a enxergar o outro com desconfiança.

As redes sociais intensificam isso. Consumimos conteúdos que confirmam aquilo em que já acreditamos, seguimos pessoas que pensam como nós e passamos a enxergar o outro lado como exagerado, ignorante ou mal-intencionado. Mas a realidade é muito mais complexa.

Existem pessoas honestas e desonestas, inteligentes e desinformadas, generosas e egoístas em diferentes grupos políticos.

Um voto não consegue resumir uma pessoa,discordar não significa ser inimigo. Talvez uma das maiores dificuldades do nosso tempo seja suportar a existência de alguém que discorda de nós sem sentir a necessidade de corrigi-lo imediatamente.

Temos dificuldade de dizer: Eu entendo por que você pensa assim, embora eu discorde.”

Parece que precisamos escolher entre concordar ou combater. Mas existe uma terceira possibilidade: conviver.

Conviver não significa concordar. Significa reconhecer que o outro tem liberdade para chegar a conclusões diferentes das nossas. E isso exige maturidade. O voto revela muito, mas não revela tudo

Nossas escolhas políticas podem revelar valores, prioridades e preocupações. Mas não contam toda a nossa história. Alguém pode votar em determinado candidato por uma pauta específica, por esperança, por medo, por rejeição ao adversário ou simplesmente por acreditar que aquela era a opção menos ruim.

Reduzir toda essa complexidade a “ele é uma pessoa daquele lado” é uma maneira muito pobre de compreender o ser humano. 

Precisamos recuperar a capacidade de conversar:

Talvez uma das atitudes mais necessárias atualmente seja escutar alguém que pensa diferente sem preparar imediatamente uma resposta.

Perguntar:

“Por que você pensa assim?”
“De onde vem essa sua preocupação?”
“O que fez você chegar a essa conclusão?”

Não para encontrar uma brecha para atacar, mas para compreender. Isso não significa abandonar nossas convicções, podemos defender nossas ideias com firmeza sem transformar o outro em inimigo.

A pessoa que votou diferente de você continua sendo mãe, pai, filho, irmão, amigo, colega ou vizinho, continua tendo uma história que você desconhece, dores, esperanças e valores e continua sendo muito mais do que o voto que depositou na urna.

A maturidade política começa quando conseguimos discordar:

Uma democracia saudável não é aquela em que todos pensam da mesma maneira. É aquela em que pessoas diferentes conseguem viver juntas apesar das diferenças.

Precisamos aprender novamente que discordar não é uma forma de violênciaNenhuma pessoa possui o monopólio da virtude, assim como nenhum grupo possui o monopólio do erro.

Quando acreditamos que apenas o nosso lado é formado por pessoas boas e que o outro é composto exclusivamente por pessoas ruins ou ignorantes, já não estamos apenas discutindo política. Estamos criando uma guerra de identidades.

E a guerra não termina quando acaba a eleição: a urna passa, as relações permanecem. Eleitores mudam, partidos mudam, governos terminam, eleições passam. Mas algumas relações podem não sobreviver à maneira como escolhemos viver esses períodos.

Talvez valha a pena perguntar antes de entrar em uma discussão política: “Eu realmente quero convencer essa pessoa ou quero apenas provar que estou certo?”

São coisas muito diferentes.

Talvez não seja possível mudar o voto do outro, ms é possível escolher como vamos tratá-lo. Podemos discordar sem humilhar, argumentar sem agredir e defender nossos valores sem desumanizar quem pensa diferente. Porque uma sociedade madura não é aquela em que todos votam igual.

É aquela em que conseguimos sustentar aquilo em que acreditamos sem transformar quem discorda de nós em nosso inimigo.

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SANTO DO DIA

 

Hoje a Igreja celebra Nossa Senhora das Dores

A Igreja Católica celebra hoje (15) a festa de Nossa Senhora das Dores, que ensina a ser forte diante dos sofrimentos da vida e ter Maria e seu Filho como companheiros de caminho.

Entre as sete dores de Nossa Senhora se encontram: a profecia de Simeão no templo, a fuga para o Egito, os três dias que Jesus esteve perdido, o encontro com Jesus levando a Cruz, sua Morte no Calvário, a lança que atravessa o coração de Jesus e quando é colocado no sepulcro.

Apesar de tudo, Ela se manteve firme na oração e na confiança na vontade de Deus. Agora a Virgem quer nos ajudar a levar as nossas cruzes diárias porque foi no calvário onde Jesus Cristo nos deixou Maria como nossa mãe.Por duas vezes no ano, a Igreja comemora as dores da Santíssima Virgem: na Semana da Paixão e também hoje, 15 de setembro.

A primeira destas comemorações é a mais antiga, posto que se instituiu em Colônia, na Alemanha, e em outras partes da Europa no século XV. Quando a festividade se estendeu por toda a Igreja, em 1727, com o nome das Sete Dores, manteve-se a referência original da Missa e do ofício da Crucificação do Senhor.

Na Idade Média, havia uma devoção popular pelos cinco gozos da Virgem Mãe, e pela mesma época se complementou essa devoção com outra festa em honra a suas cinco dores durante a Paixão. Mais adiante, as penas da Virgem Maria aumentaram para sete e não só compreenderam sua marcha para o Calvário, mas também sua vida inteira.

Aos frades Servitas – religiosos da Companhia de Maria Dolorosa –, que desde sua fundação tiveram particular devoção pelos sofrimentos de Maria, foi autorizado que celebrassem uma festividade em memória das Sete Dores, no terceiro domingo de setembro de todos os anos.

Santa Brígida da Suécia diz em suas revelações, aprovadas pela Igreja, que Nossa Senhora prometeu conceder sete graças a quem rezar, cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas dores e lágrimas, meditando sobre elas.As promessas são:

1- Porei a paz em suas famílias.

2- Serão iluminados sobre os divinos mistérios.

3- Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei em suas aflições.

4- Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha a adorável vontade de meu divino Filho e a santificação de suas almas.

5- Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.

6- Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.

7- Obtive de meu Filho, para os que propagarem esta devoção às minhas lágrimas e dores, sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos seus pecados e meu Filho e eu seremos sua eterna consolação e alegria.

LITURGIA DIÁRIA

 

15 de setembro: Nossa Senhora das Dores

Evangelho da Festa de Nossa Senhora das Dores. “Esta é a tua mãe”. O amor à Maria obtém para nós a graça abundante de sermos fiéis aos mandatos de Cristo.


Evangelho (Jo 19, 25-17)

Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.

Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”.

Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”.

Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.


Comentário

Teremos contemplado muitas vezes, em um quadro ou em nossa imaginação, a cena do Evangelho de hoje: Jesus na Cruz e, a seus pés, a sua Mãe, as santas mulheres e o discípulo amado. Ainda tem lugar para nós, que também somos discípulos amados, fiéis ao Mestre em sua hora.

Jesus chama sua mãe de “mulher”, como fez nas Bodas de Caná. Ela é a Nova Eva. A primeira Eva também foi chamada de “mulher”, mas, enganada pela serpente, ela desobedeceu ao mandato divino. Mesmo assim, Deus prometeu que a mulher se oporia à serpente, pois um descendente dela, Jesus, esmagaria a sua cabeça. Então começou uma luta da qual fala o livro do Apocalipse: “E o dragão se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12,17), em suma, aos discípulos. Não há poder capaz de derrotar um discípulo que permanece de pé, ao lado da Mãe de Jesus.

São João Paulo II lembrava de Maria, peregrina silenciosa rumo a “noite da fé”[1]. Como não aplicar a ela as palavras da Escritura: “olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta” (Lm 1,12)? No Gólgota, Maria sente a espada que atravessa a sua alma, anunciada pelo velho Simeão. E, em união com a obra redentora do Filho, ela se torna a Mãe que dá à luz todo cristão, todo discípulo de Jesus. Hoje, podemos dizer à nossa Mãe as palavras que a liturgia aplica a ela, extraídas das Escrituras, quando o povo exaltou Judite que salvou Israel do poder do inimigo babilônico: “Tu és a glória de Jerusalém, Tu és a alegria de Israel, tu és a honra de nosso povo” (Jd 15,9). O amor à Mãe obtém para nós a graça abundante de sermos fiéis aos mandatos de Cristo e nos liberta das armadilhas do maldito[2].

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Conselho de um padre do deserto: não se conformar com o pouco

Aba Lot, a quem já conhecemos, visita outro Padre do deserto, aba José, cuja fama chegou até ele. Segundo o costume, cada um expõe ao seu irmão sua regra de vida, com a esperança de ouvir palavras que o edifiquem e renovem seu esforço diário com o conselho dado. 

A conversa entre os dois monges é um famoso apotegma dos Padres do Deserto. Lot busca a perfeição espiritual: 

O abade Lot dirigiu-se à casa do abade José e disse-lhe: "Padre, impus a mim mesmo uma pequena regra, de acordo com as minhas forças: um pequeno jejum; uma pequena oração; uma pequena meditação e um pequeno descanso; e me esforço, na medida das minhas possibilidades, para me livrar dos meus pensamentos; o que mais devo fazer?"

Um programa sem brilho

Eis que o programa de Lot parece pouco chamativo. Sem dúvida para não dar a impressão de estar se exibindo, tudo é modesto na regra de vida que ele estabeleceu para si mesmo: um pequeno jejum, uma pequena oração, uma pequena meditação e um pequeno descanso, tudo isso "em proporção às suas forças". 

Quanto ao mais, ele se esforça, como todos os monges, para afastar os pensamentos que lotam sua mente durante a oração, mas esse esforço, repetido indefinidamente, não parece realmente libertá-lo. Então ele pergunta ao Aba José: "O que mais devo fazer?". A resposta de José se resume em seu gesto: 

O ancião levantou-se e estendeu as mãos para o céu; então, seus dedos se transformaram em chamas. Disse ao abade Lot: "Se quiseres, podes te transformar por completo em fogo".

O desejo de ter tudo

O extraordinário não consiste em adicionar mais um exercício ao programa que Lot estabeleceu para si, mas reside inteiramente nesse impulso, nesse chamado ardente, nesse desejo de ter "tudo" (para dizer como Santa Teresa): "Se quiseres, podes te transformar por completo em fogo". 

"O desejo do céu obtém tanto quanto espera", afirma por sua vez João da Cruz. Deus cumula a alma na medida dos seus desejos. Àquele que se conforma com pouco, pouco lhe será dado; mas àquele que bate obstinadamente à porta, esta se lhe abrirá. 

Tantas vezes ficamos às portas, tantas vezes nos conformamos em cumprir as normas, que o Senhor, antes de nos abrir os seus tesouros, assegura-se da constância do nosso desejo, aviva a sede insaciável que deve habitar em nós, enquanto nos sentimos tentados a nos enganar com lamentáveis substitutos… E é aí, bem no final do caminho, onde Ele virá! 

IGREJA

 

“Somente o perdão liberta e traz a luz de volta”, assegura o Papa durante o Angelus

Ao comentar o Evangelho do dia (Mt 18, 21-35), o Papa recordou que o perdão — ensinado e vivido por Cristo até a cruz — é «indispensável» para construir a paz e evitar que os conflitos se transformem em rancores, divisões ou guerras.

Em sua meditação, proferida da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, o Papa retomou a passagem em que Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar o irmão que comete uma falta contra ele: «Até sete vezes?» Como o número sete simboliza a plenitude na Bíblia, essa proposta já manifesta, segundo o Papa, «um coração generoso». Mas Jesus vai além: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete», responde Cristo, exortando, assim, a um perdão sem limites e «sem medida».

Para o Papa, essa resposta ganha todo o seu sentido na parábola do servo cuja dívida para com o seu senhor é tão vultosa que se torna praticamente impagável. Tendo obtido o seu perdão por pura misericórdia, o homem mostra-se, contudo, incapaz de conceder ao seu companheiro uma clemência comparável. Essa contradição permite a Jesus recordar que «o dom e o perdão estão na base da nossa existência».

«Tudo nos é dado por Deus por puro amor, e nenhum de nós pode dizer-se perfeito na sua resposta a tanta bondade», ressaltou Leão XIV. Dessa gratuidade recebida decorre, segundo ele, uma regra essencial para a vida em sociedade: «a gratuidade, que é a fonte da nossa própria vida, é também a melhor regra para a nossa vida em comunidade».

Não há paz sem abertura ao perdão

O Papa recordou as consequências da falta de perdão nas relações humanas. «O perdão é indispensável e, se ele falta, não se pode viver em paz», declarou. Sem ele, surgem de fato «conflitos, acusações, rancores, vinganças» que, progressivamente, «destroem as relações, dividem as famílias, desencadeiam guerras».

Diante dessas situações, Leão XIV apresentou o perdão como uma força capaz de reabrir um futuro onde tudo parece obscuro: «Somente o perdão liberta e traz de volta a luz, mesmo onde a pobreza material e moral do homem, por um instante, obscureceu o horizonte e tornou incerto o caminho», explicou. Ele comparou o perdão a «um vento benéfico» que dissipa «até mesmo as nuvens mais densas» até fazer o sol reaparecer.

O Pontífice deteve-se na figura de Pedro, diretamente envolvido no Evangelho do dia. O primeiro dos Apóstolos experimentou ele mesmo a misericórdia após ter negado Jesus durante a sua Paixão. À beira do lago, após a Ressurreição, Cristo não lhe dirige nenhuma censura, mas pergunta-lhe simplesmente: «Simão, tu me amas?», antes de lhe dizer: «Segue-me!»

Para Leão XIV, essa cena mostra que o perdão de Jesus não se contenta em apagar o passado: ele restaura uma relação e permite retomar uma missão «como se nada tivesse acontecido». O sucessor de Pedro demonstrou assim que o perdão concedido por Jesus ao seu distante predecessor foi o ponto de partida de toda a história do papado, ancorada desde a sua origem numa dinâmica de misericórdia. "Essa caridade, que esquece e cura, marcará, para o primeiro dos Apóstolos, a confirmação de sua missão", explicou o Papa.