terça-feira, 30 de junho de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Quem são os Santos Protomártires da Igreja de Roma, celebrados em 30 de junho?

Os horrores perpetrados contra os cristãos foram tamanhos que boa parte do povo, estarrecida, passou a nutrir por eles sentimento de piedade

Introduzida pelo novo calendário romano universal, a celebração litúrgica dos Santos Protomártires da Igreja de Roma, no dia 30 de junho, se refere às vítimas da perseguição de Nero, após o grande incêndio de Roma ocorrido em 19 de julho de 64.

Mas por que Nero perseguiu os cristãos depois desse incêndio?

Cornélio Tácito nos conta no seu XV livro dos Anais:

"Como circulavam boatos de que o incêndio de Roma tivesse sido provocado de propósito, Nero apresentou como culpados, punindo-os com penas excepcionais, aqueles que, odiados por suas abominações, eram chamados pelo vulgo cristãos".

De fato, naqueles primeiros tempos do cristianismo, já vivia em Roma um pequeno e pacífico grupo de cristãos sobre os quais circulavam muitas calúnias: como as crenças cristãs desafiavam abertamente o culto aos deuses pagãos, a sociedade romana politeísta via neles um inimigo preocupante.

O escritor Tertuliano registra:

"Os pagãos atribuem aos cristãos toda sorte de calamidade pública, todo flagelo. Se as águas do Tibre saem do leito e invadem a cidade, ou se não crescem para inundar os campos, se houver estiagem, carestia, peste, terremoto, é tudo culpa dos cristãos por desprezarem os deuses".

O escritor ainda acrescenta:

"De todos os lados se grita: os cristãos aos leões!".

Cristãos: de vítimas de "fake news" a condenados por crimes de outros

Aproveitando-se desta rejeição pagã aos cristãos, o imperador Nero, acusado de provocar o grande incêndio do ano 64, resolveu descarregar essa culpa injustamente sobre eles, condenando-os a cruéis punições.

A Nero, de fato, cabe a grave responsabilidade de ter instigado a chocante hostilidade do povo romano aos cristãos, muito embora os romanos no geral fossem bastante tolerantes em matéria de religião.

A brutalidade do imperador se manifestou em horrendos episódios como o dos cristãos transformados em tochas humanas, cobertos de piche e incendiados vivos em jardins da cidade, ou como o das mulheres e crianças vestidas com peles de animais e entregues às feras do circo, em espetáculos aberrantes de literal selvageria.

A perseguição chocou até quem não gostava dos cristãos

Os horrores perpetrados contra os cristãos foram tamanhos que boa parte do povo, estarrecida, passou a nutrir por eles sentimento de piedade.

Tácito também escreveu que, embora a sociedade romana realmente achasse que os cristãos mereciam "exemplares castigos", ainda assim se compadecia dos seus suplícios ao verem que eram mortos "não pelo bem público, mas para satisfazer a crueldade de um indivíduo" - o imperador Nero.

A perseguição não se limitou ao fatídico verão de 64: prolongou-se até 67. Entre os mais ilustres mártires desse período estão ninguém menos que São Pedro, o primeiro papa, príncipe dos Apóstolos, crucificado no Circo de Nero, onde viria a surgir a Basílica dedicada a ele, assim como São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, decapitado nas Águas Salvianas e sepultado na Via Ostiense.

Segundo o Martirológio de 1584:

"Em Roma nasceram muitos Santos Mártires que, sob o imperador Nero, foram falsamente acusados ​​de queimar a cidade e, por sua ordem, foram executados de várias maneiras: alguns foram cobertos com peles de animais selvagens e lançados aos cães para serem despedaçados; outros foram crucificados ao pôr-do-sol e usados ​​como tochas para iluminar a noite. Todos eram discípulos dos Apóstolos e foram os primeiros mártires que a Santa Igreja Romana enviou ao Senhor antes dos Apóstolos".

Um trecho da carta do Papa São Clemente I aos coríntios fala da "grande multidão dos eleitos que, tendo sofrido muitas torturas, tornaram-se para nós um magnífico exemplo".

Por que 30 de junho?

O novo calendário romano universal quis celebrar no dia 30 de junho a memória desses numerosos primeiros mártires do cristianismo, que nunca haviam tido um lugar especial na liturgia, justamente por ser a data que se segue à festa conjunta de São Pedro e São Paulo, celebrados em 29 de junho.

ESPIRITUALIDADE

 

Uma bela oração: Alma Redemptoris Mater

Esta antiga antífona mariana é um dos tesouros mais profundos da espiritualidade cristã, uma oração de esperança que ressoa através dos séculos.

Atradição da Igreja é rica em orações dedicadas à Virgem Maria. Entre as mais significativas e musicalmente belas está a oração Alma Redemptoris Mater (Mãe do Salvador). Esta antífona, que remonta à Idade Média, é tradicionalmente rezada ou cantada, oferecendo aos fiéis uma via direta para buscar a intercessão daquela que trouxe o Redentor ao mundo.

O significado da oração


O nome Alma Redemptoris Mater significa "Mãe do Salvador". A oração é um reconhecimento da missão única de Maria: ser a porta do céu e a estrela que guia os que estão perdidos em direção a Cristo.
É uma oração que fala de humildade. Reconhecemos a nossa condição de pecadores, "caídos" ou "tropeçando", e pedimos à Mãe que venha em nosso socorro. É uma súplica cheia de confiança, como a de um filho que, diante de uma dificuldade, recorre aos braços de sua mãe.

A beleza das palavras

A antífona é curta, mas densa em significado teológico. Ela celebra o nascimento virginal de Cristo — "você que deu à luz, para admiração de toda a natureza, o seu Criador" — e destaca a alegria de Maria diante da saudação do Anjo Gabriel.

O texto do "Alma Redemptoris Mater"


Alma Redemptoris Mater,
Mãe amada do Redentor,
quae pervia caeli porta manes,
que permaneceis como porta do céu,
et stella maris, succurre cadenti,
e estrela do mar, socorrei o povo que cai,
surgere qui curat populo:
que deseja se levantar:
Tu quae genuisti, natura mirante,
Vós que destes à luz, para admiração de toda a natureza,
tuum sanctum Genitorem,
o vosso santo Criador,
Virgo prius ac posterius,
Virgem antes e depois,
Gabrielis ab ore sumens illud Ave,
que recebestes o "Ave" dos lábios de Gabriel,
peccatorum miserere.
tende piedade dos pecadores.

Posso rezar sempre?


Em um mundo que muitas vezes nos deixa cansados e, por vezes, "caídos" sob o peso das preocupações diárias, recorrer à "Estrela do Mar" é um convite a olhar para o alto. Maria não é apenas um modelo de virtude; ela é o auxílio constante dos cristãos.
Rezar o Alma Redemptoris Mater é, acima de tudo, um ato de confiança. É lembrar que, independentemente de quão difícil seja o caminho ou de quantas vezes tenhamos falhado, sempre existe uma Mãe que nos conduz de volta ao seu Filho, Jesus.
Seja no silêncio do seu quarto, em um momento de angústia ou em uma oração comunitária, que estas palavras antigas possam renovar a sua esperança e fortalecer o seu vínculo com a Mãe de Deus.