sexta-feira, 21 de agosto de 2026

IGREJA

 

Ansiedade: a cruz que não nos leva ao Pai

Viver é uma batalha constante, e ainda que haja momentos de refrigério, as lutas enfrentadas fazem parte do cotidiano de qualquer ser humano. Esse é um fato incontestável e que não há muito o que fazer com relação a isso. Entretanto, é necessário ter em mente que se deve ter muito cuidado em carregar cruzes que não levam o seu nome, porque, ao invés de haver um crescimento pessoal, essa condução pode levar a distrações que, em muitos casos, desviam do foco principal.

As cruzes fazem parte da jornada da vida, e tê-las é sinônimo de auxílio para se chegar ao céu. É através dos obstáculos que o ser humano vai, ao longo da estrada, adquirindo as armas necessárias para o combate que está a enfrentar; e assim, munido de sabedoria, fortaleza, ciência, piedade, temor a Deus e inteligência, será possível confiar na vitória. Todavia, há contratempos que desviam o indivíduo desse galgar frutífero, dentre eles a ansiedade, tão comum nos tempos atuais.

Confiança

Jesus, em muitas passagens bíblicas, evidencia a importância da confiança no Pai e no fato de não deixar o medo ser seu guia. E se há algo que impede a crença total em Deus é justamente a ansiedade, que leva o homem a carregar cruzes imaginárias e todas ao mesmo tempo.

Na oração do Pai Nosso, pedimos “o pão nosso de cada dia”, o cristão suplica, portanto, a graça necessária para cumprir hoje a vontade reservada por Deus, porque a benção que é colocada em cada um se reserva ao presente e não às cruzes que ainda virão. Mas às vezes o cristão se esquece desse ensinamento e se deixa tomar pela paixão que o impede de confiar, e não vive no verdadeiro abandono à Divina Providência.

Preocupações

Viver baseado nas preocupações futuras é fator preponderante para o desvio da atenção à cruz real que é sua e que agora se faz necessário carregar. Os pesos futuros pelos tormentos de possibilidades que nem sequer são concretas tornam o percurso um processo de total extermínio e nunca de um verdadeiro crescimento. O murmúrios da mente que se fixam no “e se...” geram uma autotortura que cegam e dificultam as tomadas de decisão. Não se trata, entretanto, de um verdadeiro ode à imprudência. Pelo contrário, trata-se de não desviar a atenção e deixar de lado o que genuinamente é de sua competência realizar.

Vale acrescentar que se existe uma verdade antropológica é esta: a consciência humana acerca do presente, passado e futuro. Portanto, o dom do reconhecimento do hoje é essencial para que saibamos perceber que a graça nos visita sempre e que se assim foi no passado, assim será no futuro; por conseguinte, é através da benção de hoje, e não do ontem ou de amanhã, que haveremos de tirar a força necessária para carregar a nossa cruz.

Santa Teresinha do Menino Jesus compôs uma poesia a esse respeito: Je n’ai rien qu’aujourd’hui!, “Eu só tenho o dia de hoje”. “Eu não dou conta de pensar no futuro sombrio. Para viver e cumprir meu dever, eu só tenho o dia de hoje, eu só tenho o agora”. Que possamos entender a importância de estar e viver o presente que Deus nos dá diariamente.


ESPIRITUALIDADE

 

6 versículos bíblicos para colocar o pânico e a ansiedade em seus devidos lugares

Às vezes, a vida parece estar acima das nossas capacidades. Você pode acordar com uma lista de coisas para fazer do tamanho do seu braço ou pode simplesmente ficar sobrecarregado com as responsabilidades com as quais está lidando, o que pode gerar ansiedade e até pânico.

Felizmente, há muitas estratégias que você pode implementar para lidar com esses sentimentos. A primeira, e possivelmente a mais difícil, é respirar fundo! Outra dica que os profissionais médicos recomendariam é praticar a atenção plena.

Mas nós, cristãos, sabemos que encontramos consolo e paz ao voltarmos nossas mentes a Deus. Em particular, certos versículos da Bíblia podem reforçar uma mensagem de calma. Existem também orações específicas que podem nos ajudar a combater a ansiedade e as dores do pânico.

Prescrição bíblica

Reunimos uma série de citações da Bíblia para que você possa ter sempre à mão – quer você esteja tendo um ataque de pânico ou apenas tentando se sentir um pouco mais calmo e confiante. Veja só:

"Nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa." (Isaías 41,10)

"Dizei àqueles que têm o coração perturbado: 'Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos'." (Isaías 35,4)

"Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita; não vacilarei." (Salmos 15,8)

"Que teu coração deposite toda a sua confiança no Senhor! Não te firmes em tua própria sabedoria! Sejam quais forem os teus caminhos, pensa nele, e ele aplainará tuas sendas." (Provérbios 3,5-6)

"Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." (Mateus 6,34)

"Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus." (Filipenses 4, 6-7)

Por fim, não tenha vergonha de deixar os outros saberem quando você está se sentindo sobrecarregado e pedir-lhes que orem com você e por você!

IGREJA

 

Ataque de ansiedade: coisas simples para fazer [versão para católicos]

Um ataque de ansiedade é imprevisível. Ele nos acorda no meio da noite, nos ataca antes de uma conversa importante, às vezes no meio de uma tarde comum que não tinha nada de especial. O coração acelera e os pensamentos começam a girar em círculos cada vez mais apertados — sim, são as ruminações novamente. Se você conhece essa sensação, não é estranho nem está sozinho nisso.

A boa notícia é que a mente, capaz de entrar em uma espiral de ansiedade, também é capaz de desacelerar. Isso exige esforço, mas existem exercícios simples que ajudam a recuperar o chão sob os pés. Os psicólogos os chamam de técnicas de aterramento (do inglês grounding). Seu mecanismo comum é descomplicado: a ansiedade se alimenta da imaginação voltada para o futuro — com o que pode acontecer. Os exercícios de aterramento ajudam a atrair a atenção para o presente, para o que está aqui e agora, e dão à mente uma tarefa concreta e exigente.

Organizando os pensamentos

Um dos exercícios mais recomendados é quase infantilmente simples. Escolha algumas categorias — por exemplo: filmes, países, livros, times esportivos, cores, carros, frutas e legumes, animais, cidades, séries, figuras famosas — e, durante alguns minutos, liste (em pensamento, em voz alta ou anotando no papel) o maior número possível de elementos de cada uma delas. Três categorias são um bom começo. A essência do exercício é ocupar a mente lembrando-se, por exemplo, das capitais da Europa, para que ela não tenha capacidade livre para criar cenários sombrios.

Se a simples listagem for fácil demais, tente a variante alfabética: "abacaxi, banana, cebola, damasco...". Esse pequeno esforço adicional — procurar uma palavra para a letra seguinte — engaja a atenção com ainda mais força e a tira do ciclo de ansiedade de forma mais eficaz.

Soa banal? Um pouco. E é exatamente nisso que reside tanto a força quanto a fraqueza desse exercício.

Quando o exercício parece raso demais

Muitas pessoas a quem são propostas tais técnicas reagem com uma resistência interna: "Sério? Devo listar atores quando sinto que estou me desmoronando?" É uma reação compreensível. No momento de profunda ansiedade, listar marcas de carros pode parecer não apenas trivial, mas até aviltante diante da gravidade do que estamos vivenciando. E acontece que justamente esse sentimento de falta de sentido nos faz abandonar o exercício logo após um instante — e então ele realmente não funciona.

Vale notar, contudo, que a própria técnica não exige que o conteúdo seja fútil. Exige apenas que seja concreto, conhecido e passível de ser evocado passo a passo. E isso abre uma certa brecha da qual raramente se fala.

A oração como conteúdo do exercício para ansiedade

Se você é uma pessoa de fé, pode preencher exatamente esse mesmo mecanismo com um conteúdo que signifique algo para você. Em vez de listar cereais matinais, você pode:

  • Relembrar as palavras de orações conhecidas: lentamente, frase por frase, como se as estivesse tirando o pó e observando cada uma individualmente;
  • Rezar o terço: cuja estrutura rítmica e repetitiva é quase um exercício clássico de aterramento;
  • Trazer à memória cantos da igreja: e cantarolar em pensamento ou em voz alta, estrofe por estrofe;
  • Listar as invocações de uma ladainha: afinal, uma ladainha, do ponto de vista técnico, é justamente uma lista, mas uma lista que carrega sentido.

Você também pode relembrar salmos, dos quais conhece trechos, ou a sequência dos livros da Sagrada Escritura.

Quero ser honesta e cuidadosa ao mesmo tempo. Não se trata de tratar a oração de forma instrumental — como um "truque para a ansiedade", um equivalente espiritual de uma bolinha antiestresse. A oração é a adoração a Deus, e não uma ferramenta.

Mas a verdade é também que as tradições espirituais há séculos conhecem aquilo que a psicologia descreveu de forma relativamente recente: que a evocação repetitiva, atenta e lenta de palavras conhecidas acalma o corpo e organiza a mente. A Oração de Jesus, o terço, o ofício da Imaculada, as ladainhas — são formas que desde sempre acompanharam as pessoas também na aflição. Eram chamados cheios de confiança a Deus por ajuda, mas, "de quebra", também acalmavam em um nível puramente fisiológico.

Pode-se dizer assim: o exercício de categorias dá a estrutura, e a oração pode dar a essa estrutura conteúdo e sentido. Para uma pessoa desanimada pela futilidade de listar séries, relembrar as palavras de uma ladainha pode ser o mesmo exercício — e, ao mesmo tempo, algo muito maior.

IGREJA

 

O retorno do Papa Leão XIV à América Latina

Sabe aquela sensação gostosa de organizar a casa para receber a família? Foi exatamente essa a energia que tomou conta da Sala de Imprensa da Santa Sede quando a Igreja anunciou oficialmente a sexta e mais longa viagem internacional do Papa Leão XIV. Entre os dias 6 e 17 de novembro de 2026, o Pontífice fará um giro vibrante por três países da América Latina: Uruguai, Argentina e Peru. Serão doze dias intensos, dez cidades no roteiro e uma bagagem recheada de fé e afeto.

Essa jornada bate o recorde do percurso realizado em abril à África e consolida um ano de intensos compromissos internacionais. Depois de passar por Turquia e Líbano no fim de 2025, além de Mônaco, África e Espanha em 2026, e com uma parada confirmada na França em setembro para visitar a UNESCO, Leão XIV desembarca no continente sul-americano atendendo ao convite dos Chefes de Estado e das autoridades eclesiásticas locais. É uma daquelas viagens com gosto de comida caseira, feita para aquecer o coração dos fiéis esperavam por este momento.

Abraço fraterno na Argentina

A primeira parada desse itinerário é o Uruguai, onde o Papa permanece de 6 a 8 de novembro, visitando Montevidéu, Paysandú e Florida. O país, que conta com a menor proporção de católicos da América Latina (pouco mais de 36% da população), não recebia a visita de um Sucessor de Pedro há quase quarenta anos — a última vez fora com João Paulo II, em 1988. No entanto, a simplicidade uruguaia guarda uma religiosidade viva. Em Florida, na catedral local, Leão XIV prestará homenagem à Virgem dos Trinta e Três, uma pequena imagem mariana de madeira que é símbolo histórico e patriótico ligado à independência nacional.

Sem perder o ritmo, de 8 a 11 de novembro, o Pontífice segue para a Argentina. A visita carrega uma dose extra de emoção por se tratar da terra natal do Papa Francisco, que durante seus doze anos de pontificado manifestou diversas vezes o desejo de voltar para casa, embora não tenha conseguido realizar esse reencontro. O solo argentino não presenciava uma visita papal desde a Jornada Mundial da Juventude de 1987, em Buenos Aires. Leão XIV passará pela capital, por Córdoba e encerrará a etapa em Luján, onde se ergue a imponente basílica em estilo neogótico dedicada à padroeira do país.

Reconexão emocionante com o Peru

O encerramento da viagem no Peru, de 11 a 17 de novembro, é o grande destaque desta jornada. Para Leão XIV — nascido Robert Francis Prevost —, pisar em solo peruano é literalmente voltar para casa. Foi lá que ele desembarcou nos anos 1980 como um jovem missionário agostiniano e onde construiu laços profundos com o povo, a ponto de obter a cidadania e ser carinhosamente chamado de "el Papa peruano".

O roteiro no Peru começa por Lima e segue para Chiclayo, diocese onde o atual Pontífice atuou como bispo de 2015 a 2023. Ali, ele enfrentou junto com a comunidade desafios como as enchentes do El Niño e a pandemia de Covid-19, cultivando um afeto genuíno lembrado até hoje na saudação carinhosa que fez da varanda da Basílica de São Pedro logo após sua eleição. Do litoral, a comitiva sobe os Andes rumo a Cusco, porta de entrada para Machu Picchu, e termina em Pucallpa, no coração da floresta amazônica. Essa última parada reforça a atenção da Igreja para com os povos indígenas, suas tradições e o cuidado essencial com a Casa Comum — um toque final impecável para uma viagem inesquecível.

IGREJA

 

Bispo proíbe missas da FSSPX no santuário de Lourdes

O bispo de Tarbes e Lourdes, França, Jean-Marc Micas, revogou uma autorização concedida a sacerdotes da Fraternidade São Pio X de celebrar missas e sacramentos no santuário de Lourdes.

Em comunicado datado de 13 de agosto, o bispo francês diz que sua decisão se baseia no decreto de excomunhão publicado pela Santa Sé sobre a FSSPX, declarando-a em cisma devido à ordenação de quatro bispos sem a permissão do papa Leão XIV.

“Na sequência do decreto de cisma e excomunhão publicado pela Santa Sé, não posso autorizar a celebração da missa ou dos outros sacramentos, nem mesmo as orações públicas da Fraternidade São Pio X dentro do santuário”, diz o bispo de Lourdes.“A autorização antes concedida à FSSPX para tal está revogada”, diz o comunicado. “Mas, é perfeitamente possível que qualquer pessoa que deseje vá livremente à Gruta ou a qualquer outro lugar do santuário para rezar em particular”.

“Estou muito consciente da dor e talvez dos mal-entendidos que esta decisão causará. Confio minha decisão à misericórdia de Deus. Nossa dor é grande diante da turbulência interior que vivemos. Essas coisas escandalizam os pequeninos e dificultam nosso testemunho evangélico”, disse o bispo.

SANTO DO DIA


Hoje é celebrado são Pio X, o “papa da Eucaristia”

A Igreja celebra hoje (21) são Pio X, que decretou a permissão para que as crianças possam comungar desde que compreendam quem está na hóstia consagrada e animou os fiéis a recebê-la todos os dias.

Seu nome era Giuseppe Sarto e nasceu em Riese, povoado de Veneza, Itália, em 1835. Ainda menino sofreu a perda de seu pai e quis deixar os estudos para ajudar sua mãe. Ela, porém, o impediu. Então, continuou estudando no seminário graças a uma bolsa.

Após ser ordenado, foi nomeado vigário, pároco, cônego, bispo de Mantua e cardeal de Veneza, estando nove anos em cada cargo. Brincando, dizia que só lhe faltavam nove anos de papa.Em 1903, quando o papa Leão XIII morreu, os cardeais se reuniram no conclave e tinham como favorito o cardeal Rampolla de Tíndaro, mas declinou ante o veto formal do imperador Francisco José, da Áustria. Foi assim que a balança se inclinou para Sarto, que tomou o nome de Pio X.

Um de seus primeiros atos como pontífice foi recorrer à constituição “Commissum nobis”, a fim de terminar com o suposto direito de qualquer poder civil para interferir em uma eleição papal.

Mais adiante, em 1905, o governo francês denunciou a “Concordata” de 1801 e decretou a separação entre Igreja e Estado, o que favoreceu a que a Santa Sé pudesse nomear diretamente os bispos franceses, sem a nomeação prévia dos poderes civis.Redigiu e aprovou decretos sobre o Sacramento da Eucaristia, nos quais recomendava e elogiava a comunhão diária, com a possibilidade de que as crianças se aproximassem para recebê-la a partir do momento que entendessem quem está na Santa Hóstia Consagrada. Isto foi o suficiente para que passasse a ser chamado o “papa da Eucaristia”.Sempre defendeu os fracos e oprimidos como fez ao denunciar os maus entendimentos aos quais eram submetidos os indígenas nas plantações de borracha do Peru. Visitava cada domingo os pátios, esquinas ou praças do Vaticano para pregar e explicar o Evangelho do dia.Durante uma audiência pública, um participante lhe mostrou seu braço paralisado e lhe pediu que o curasse. O papa se aproximou sorridente, tocou o braço e disse: “Sim, sim”. E o homem ficou curado. Entretanto, sempre foi modesto e singelo.

Quando alguém o chamava de “padre santo”, ele corrigia sorrindo: “Não se diz santo, mas Sarto”, em alusão ao seu sobrenome de família.

Depois de tê-la profetizado, em 1914 eclodiu a primeira guerra mundial. “Esta será a última aflição que me manda o Senhor. Com gosto daria minha vida para salvar meus pobres filhos desta terrível calamidade”, disse. Poucos dias mais tarde, sofreu uma bronquite e morreu em 20 de agosto.

“Nasci pobre, vivi na pobreza e quero morrer pobre”, deixou escrito em seu testamento.Foi canonizado em 1954 pelo papa Pio XII e foi o primeiro papa a ser elevado os altares depois de Pio V em 1672.

LITURGIA DIÁRIA

Evangelho de sexta-feira: Deus repete as suas lições

Comentário ao Evangelho de sexta-feira da XX semana do Tempo Comum. «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Jesus já nos respondeu: o que nos dá liberdade é amar a Deus e ao próximo, e é isso que nos conduz à felicidade.


 Evangelho (Mt 22, 34-40)

Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:

«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».

Jesus respondeu:

«‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».


Comentário

Por alguma razão, nós, os seres humanos, temos dificuldade em acreditar em Deus, em aceitar as Suas palavras. Ele diz-nos as coisas uma e outra vez e, no entanto, parece que não compreendemos ou não queremos compreender. Fazemo-l’O explicar a mesma coisa reiteradamente.

A história repete-se desde Adão e Eva até aos nossos dias. Foi-lhes dito que comer o fruto de uma árvore os levaria à morte e, apesar disso, fizeram-no. As consequências ainda hoje se fazem sentir.

Algo semelhante acontece com os mandamentos. Hoje vemos Jesus a ser questionado sobre qual, dentre todos, é o principal. E o Senhor não faz mais do que invocar a Shemá Israel que todos os judeus aprendiam desde crianças e que, ao longo de séculos, tinham nos lábios: «Escuta, Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é Um. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 5). A isto acrescenta outro preceito antigo: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Lv 19, 18).

Sabemos que a resposta de Jesus é consequência de uma pergunta que Lhe fizeram para O tentar. Infelizmente, muitas vezes nós não estamos isentos de tal comportamento.

Porventura não está posto por escrito e na Tradição tudo o que diz respeito à nossa salvação? Temos a Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja, o Magistério dos Romanos Pontífices. Temos, além disso, a possibilidade de aceder aos sacramentos e à direção espiritual. Temos o caminho traçado, e mesmo assim não nos deixamos convencer. Deus fala-nos muitas vezes e de muitos modos (cf. Heb 1, 1), mas nós continuamos a fazer perguntas que já foram respondidas.

Por isso, o Evangelho de hoje pode ser para nós um apelo para que escutemos o convite do Apóstolo Tiago: «Quem considera atentamente a lei perfeita da liberdade e nela persevera, não sendo ouvinte que facilmente se esquece, mas executor da obra, será bem-aventurado no que fizer» (Tg 1, 25). É nisto que consiste a vida do cristão: conduzir-se por uma lex perfecta libertatis, o que implica estudá-la e assimilá-la a fundo na sua própria vida.

O que nos dá liberdade é amar a Deus e ao próximo, e é isso que nos leva à felicidade. É por isso que o Senhor nos dá mandamentos. De facto, antes de outorgar o preceito, Ele próprio anuncia qual é o destino daqueles que assim vivem: «Escuta, pois, Israel, e esmera-te em fazer aquilo que te fará feliz» (Dt 6, 3). Deus queira que, finalmente, nos convençamos.