domingo, 30 de agosto de 2026

IGREJA

 

“Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família”, diz o Papa

inguém pode enfrentar o problema das drogas sozinho", explicou Leão XIV em 27 de agosto de 2026 aos participantes de uma reunião sobre vícios organizada no Vaticano pela Pontifícia Comissão para a América Latina. Ele pediu uma resposta abrangente, envolvendo instituições religiosas e seculares, para combater eficazmente a toxicodependência.

"Os vícios são um fenômeno complexo que evidencia o fracasso de um mundo desumanizado", explicou o Papa em seu discurso em espanhol. Ele pediu uma resposta ao "sofrimento dos jovens" afetados pelas drogas e pediu "soluções abrangentes: prevenção comunitária, atenção científica, justiça humana e um acompanhamento pastoral próximo".

O Papa mencionou a importância da cooperação com organizações internacionais, mas também a necessidade de vincular ciência e fé. "A Igreja não intervém no problema das drogas com a pretensão de competir com a neurociência, a psiquiatria ou a saúde pública, nem pretende suplantá-las", afirmou. Ele explicou que a Igreja, por outro lado, busca "iluminá-lo a partir do Evangelho, com uma compreensão integral da pessoa humana".

Leão XIV também enfatizou a dimensão ecumênica da luta contra as drogas. "A Igreja Católica e outras comunidades eclesiais, na prática do amor concreto para com aqueles que sofrem, encontram na fé uma linguagem comum particularmente eloquente para acompanhar e integrar os jovens em suas necessidades e sonhos", afirmou.

Compaixão pelas "famílias desfeitas"

"Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família", explicou também o Papa, ecoando as palavras do Concílio Vaticano II e de João Paulo II, que definiam a família como "a Igreja doméstica" e "o lar e a escola da comunhão".

"Hoje testemunhamos o sofrimento de muitas famílias desestruturadas, seja pelo uso de drogas, violência, recrutamento criminoso de menores, pobreza ou a falta de oportunidades que deixa alguns atrasados", lamentou o pontífice peruano-americano. Leão XIV enfrentou particularmente essas situações de miséria durante seus anos de trabalho missionário no Peru.

Ele disse que esperava que "a Igreja fosse a família de todos aqueles que ficaram para trás". "Não vamos passar", declarou, inspirado no exemplo do Bom Samaritano. "Construamos uma Igreja que pare, que se aproxime, que se deixe comover, que cure feridas, que alimente e que se torne um lar", exortou o Papa, ecoando as palavras do Papa Francisco, que pediu para tocar a "carne sofredora" dos pobres.

Esses apelos do Papa Leão XIV ocorrem em um contexto global marcado pelo aumento do tráfico de drogas, inclusive em países europeus. De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 331 milhões de pessoas usaram drogas em 2024, 34% a mais do que em 2014. A violência relacionada às drogas também aumentou significativamente, especialmente nas cidades portuárias.

Uma comissão presidida anteriormente pelo Cardeal Prevost

Antes de se tornar Papa, Robert Francis Prevost foi presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, órgão ligado ao Dicastério para os Bispos, entre 2023 e 2025. Esta comissão, criada por Pio XII em 1958, foi considerada por muito tempo uma espécie de "torre de controle" romana sobre os episcopados latino-americanos considerados suscetíveis ao marxismo e à teologia da libertação.

Mais recentemente, esta comissão tornou-se gradualmente um órgão especializado em questões sociais e eclesiais que afetam esta região do mundo. Esta conferência sobre vícios também envolve atores-chave na luta contra o abuso de drogas na Ásia, África e Europa. É organizado em colaboração com a Pontifícia Academia para a Vida, o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado o beato Eustáquio van Lieshout, missionário da saúde e da paz no Brasil

Hoje (30), a Igreja celebra o beato Eustáquio van Lieshout, sacerdote holandês que veio para o Brasil e ficou conhecido como missionário da saúde e da paz, por sempre abençoar e saudar os fiéis com essas duas palavras. Atualmente, seus restos mortais estão no Memorial do Santuário da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte (MG), que atrai grande número de devotos.

Padre Eustáquio nasceu em 3 de novembro de 1890, em Aarle Rixtel, na Holanda, e recebeu o nome de batismo de Humberto van Lieshout. Ingressou na Congregação dos Sagrados Corações e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1919. Seis anos depois, em 15 de julho de 1925, chegou como missionário ao Brasil, juntamente com seus irmãos de congregação, os padres Gil van den Boorgart e Matias van Rooy.

Inicialmente, foram para a cidade de Romaria, no Triângulo Mineiro, onde assumiram a pastoral do santuário episcopal e da paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja e das paróquias de São Miguel de Nova Ponte e Santana de Indianópolis, na arquidiocese de Uberaba.Padre Eustáquio dava especial atenção aos doentes. Segundo sua biografia publicada pelo site do Vaticano, quando ministrava suas orientações pessoais para “ações curativas de enfermidades físicas padre Eustáquio falava da disposição de Deus em curar as pessoas integralmente e, sempre que possível, indicava medicamentos naturais de aquisição fácil e uso seguro”, sempre recorrendo aos seu “Manual de Medicina no Campo”.Mais tarde, padre Eustáquio foi transferido para Poá (SP), onde “também fazia bênçãos, entre elas a da água no reservatório e nas pias de água benta, à entrada da igreja”. Com o tempo, “fiéis começaram a levar para a igreja garrafas de água para ser abençoadas”. Mas, com a repercussão de notícias de curas por meio das bênçãos do sacerdote, “o aglomerado de pessoas começou a aumentar em Poá”. Assim, ele foi transferido para Araguari (MG) e cumpriu um tempo de reclusão.

Em 1942, foi transferido para Belo Horizonte (MG), aonde chegou “sem alarde, já que era nacionalmente venerado como santo e taumaturgo. Porém, a despeito da discrição, logo nos primeiros dias muitas pessoas o procuraram pedindo bênçãos e curas”.

No dia 16 de maio de 1943, lançou a pedra fundamental da atual Igreja dos Sagrados Corações, conhecida como Igreja do Padre Eustáquio, que não chegou a ver construída. Padre Eustáquio morreu em 30 de agosto daquele mesmo ano.

Padre Eustáquio foi beatificado em 15 de junho de 2006, em missa celebrada pelo então prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal José Saraiva Martins, no estádio Mineirão, na capital mineira. A beatificação aconteceu após o reconhecimento da cura milagrosa de um sacerdote por sua intercessão. Padre Gonçalo Belém, de Belo Horizonte, foi curado de um câncer, em 1962. Na época, o sacerdote tinha 39 anos e descobriu que tinha um tumor na laringe e que deveria ser submetido a uma cirurgia, sem garantia de cura. Foi incentivado a pedir a intercessão de padre Eustáquio e assim o fez. Na véspera de sua cirurgia, os médicos não detectaram nenhum sinal do tumor. Padre Gonçalo Belém Rocha morreu em 2007, aos 83 anos.

LITURGIA DIÁRIA

Comentário do Evangelho: Tome sua cruz e siga-me

Evangelho do 22º Domingo do Tempo Comum (Ano A) e comentário do evangelho da Missa. “O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” Para alcançar, a cada dia, uma vida autêntica — plena, feliz e significativa —, o Senhor nos pede que carreguemos com amor a Sua cruz.


 Evangelho (Mt 16, 21-27)

Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.

Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!”

Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”

Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.


Comentário

Esta passagem evangélica segue-se imediatamente depois daquele diálogo de Jesus com seus discípulos, quando à sua pergunta “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” (Mt 16,13), depois de alguns momentos de silêncio de todos, Pedro responde: “Tu es o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Uma afirmação que foi solenemente confirmada pelo Mestre que, ao mesmo tempo, ordenou-lhes que não dissessem a ninguém que Ele é o Cristo (cf. Mt 16,20).

Os apóstolos teriam ficado impressionados com a clareza com que Jesus lhes confirmou o que eles intuíram, que seu Mestre era o Messias há muito esperado, aquele descendente de Davi que reinaria para sempre, libertando o povo de toda a opressão. Talvez eles pensassem, como era costume entre os seus contemporâneos, que o reinado do Messias seria uma gloriosa sucessão de triunfos. Por isso, Jesus, coloca-os imediatamente na realidade, falando-lhes dos seus planos para o futuro, que se dirigiam a rumos muito diferentes do que eles haviam imaginado. Adverte-os que “devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (v. 21).

Também nesta ocasião, é Pedro quem toma a palavra para expressar o que os outros não ousam dizer, e ousa repreender o Mestre: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” (v. 22). Ao que Jesus responde com palavras muito fortes: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” (v. 23).

Jesus se dirige à Cruz e convida os seus discípulos a segui-lo: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (v. 24). Contra toda lógica humana, a cruz não implica uma infelicidade, uma desgraça a ser evitada a todo custo, mas uma oportunidade de acompanhar Jesus em sua vitória. Na lógica de Deus, o caminho que leva ao glorioso triunfo sobre o pecado e a morte passa pela paixão e pela cruz.

Em sua pregação, São Josemaria recordava um sonho de um castelhano clássico, no qual eram mencionados dois caminhos. Um é largo e tranquilo, mas termina em um poço sem fundo. É aquele que os mundanos percorrem de maneira fútil e tola. “Por direção diferente discorre nesse sonho o outro caminho: tão estreito e empinado que não é possível percorrê-lo a lombo de cavalgadura. Todos os que o empreendem avançam pelos seus próprios pés, talvez em zigue-zague, de rosto sereno, pisando sobre abrolhos e ladeando penhascos. Em determinados pontos, deixam em farrapos as suas vestes e até a sua carne. Mas, no fim, espera-os um vergel, a felicidade para sempre, o Céu. É o caminho das almas santas que se humilham, que por amor de Jesus Cristo se sacrificam com gosto pelos outros; a rota dos que não temem subir encostas, carregando amorosamente a sua cruz, por muito que pese, porque sabem que, se o peso os afunda, poderão levantar-se e continuar a ascensão: Cristo é a força desses caminhantes”[1].

O objetivo de todo ser humano é alcançar a felicidade. Mas não conquistamos a felicidade quando buscamos sempre o mais confortável e desejável, e sim quando amamos com determinação, mesmo que o amor envolva sacrifício. “O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cômoda, mas um coração enamorado”[2] disse São Josemaria. “É por isso que gosto de pedir a Jesus, para mim: Senhor, nenhum dia sem cruz! Assim, com a graça divina, reforçar-se-á o nosso caráter, e serviremos de apoio ao nosso Deus, a despeito das nossas misérias pessoais”[3].

sábado, 29 de agosto de 2026

IGREJA

 

A brilhante ideia de uma paróquia para receber crianças na missa

No último fim de semana, minha família se juntou ao nosso grupo paroquial de "mães e crianças" em sua viagem anual de acampamento — uma tradição muito querida em nossa comunidade. Enquanto estávamos lá, encontramos uma forma doce e atenciosa que uma paróquia faz famílias com crianças pequenas se sentirem bem-vindas na missa. 

Meus filhos gostam de ficar acordados até tarde brincando de "fantasma no cemitério" em viagens de acampamento, então acordamos já cansados. Choveu durante a noite e trovões rolaram por cima enquanto vestíamos nossas roupas de igreja na barraca e tentávamos não nos molhar enquanto corríamos para o carro.  

Quando chegamos à missa, meus filhos estavam molhados, muito cansados e irritados.  

"Vai ser difícil", disse ao meu marido enquanto entrávamos pelas portas da igreja. 

Mas acabou que não foi nada difícil, graças aos "busy bags" cuidadosamente selecionados que encontramos na Igreja de St. Leonard em Muskego, Wisconsin! Essas sacolas continham uma variedade de itens para ajudar as crianças pequenas a participarem da Missa de forma prática. Eles eram organizados em uma espécie de "biblioteca" que as famílias podiam pegar durante a Missa e voltar depois para serem limpas e reabastecidas. 

O que tinha nas sacolas da missa?

O conteúdo incluía uma folha "Você consegue encontrar?", incentivando as crianças a procurarem itens específicos espalhados pela igreja. O verso incluía um guia visual simples da Missa para crianças, que ajudou meus filhos a acompanhar cada parte da Missa. Havia várias páginas para colorir que combinavam com as leituras da Missa — isso foi especialmente atencioso — meus filhos ficaram encantados em colorir uma imagem de Pentecostes enquanto ouviam o relato de Pentecostes no Evangelho! E encontramos várias outras atividades tranquilas e pacíficas adequadas para a Missa, incluindo um colorido magnético, livros religiosos, um bichinho de peluche macio de santo, um brinquedo de renda e um pequeno bichinho de pelúcia.  

É assim que eles organizam tudo. Em uma vara baixa perto da entrada pendiam pelo menos uma dúzia de bolsas de lona, cada uma com uma etiqueta explicando o conceito de "biblioteca de empréstimo". 

Sob as sacolas havia uma grande caixa para devolver as sacolas usadas, permitindo que voluntários da igreja as limpassem e reabastecessem os materiais para colorir.  

Como visitantes de fora da cidade que vêm a esta igreja pela primeira vez, posso dizer que esses "sacos de trabalho" fizeram minha família se sentir bem-vinda imediatamente. Depois de uma noite tardia e uma manhã chuvosa enquanto acampava, fiquei tão feliz por poder me concentrar totalmente na Missa enquanto meus filhos se divertiam felizes com essas mochilas cheias. E adorei que o conteúdo os ajudou a participar da Missa de forma mais completa à sua maneira, pois coloriam imagens das leituras que ouvimos e acompanhavam com um guia visual.  

Por mais que muitos pais desejem trazer suas famílias para a Missa, pode ser realmente difícil para crianças pequenas ficarem paradas por uma hora inteira. Essas bolsas de carga facilitam muito. Se sua paróquia está procurando uma forma simples e significativa de receber famílias jovens, esse modelo de biblioteca de empréstimo vale a pena ser levado ao seu pároco ou comitê de hospitalidade. 

IGREJA

 

É um pecado grave se eu não for à missa no domingo?

Pergunta da leitora:

Na minha juventude, parecia-me que meus pais e catequistas, que me transmitiram a fé cristã, tinham conceitos bem claros sobre o que era certo e o que era errado, o que eram os Dez Mandamentos de Deus e o que eram os mandamentos da Igreja. Ensinaram-me que faltar injustificadamente à Santa Missa de domingo, conforme prescreve o mandamento da Igreja, é um pecado grave e, se você tem um pecado grave, não pode comungar da próxima vez sem antes se confessar.

No entanto, percebo que, nos últimos tempos, alguns cristãos faltam facilmente à missa de domingo ou vão tranquilamente à comunhão. Isso me incomoda tanto que eu gostaria de alertá-los. Ouvi uma explicação mais recente de que a transgressão de um mandamento da Igreja não é um pecado mortal. Peço uma resposta para saber como conversar com meus netos, que frequentam a catequese e às vezes gostariam de evitar a missa de domingo, que significa muito para mim. Não me arrependo de nenhuma ida à missa de domingo, embora às vezes isso exigisse um sacrifício.

Responde Dom Marjan Turnšek, arcebispo emérito de Maribor, na Eslovênia:

Obrigado pela pergunta, que traz um tema muito atual. A celebração da Santa Missa é realmente uma graça extraordinária e algo insubstituível. Pois cremos que a sua celebração é a reatualização da Última Ceia; e nela estavam misteriosamente presentes tanto a morte quanto a ressurreição de Jesus. Por isso, só poderíamos desejar que todos os cristãos tivessem uma atitude, especialmente em relação à Santa Missa de domingo, orientada de forma semelhante à sua.

Mas não vivemos em um mundo tão ideal. Na verdade, nós, seres humanos, nunca fomos ideais. Foi precisamente por isso que o Filho de Deus teve que vir ao mundo como homem. Não faz muito tempo, ouvimo-Lo num domingo explicando que os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes; que Ele não veio chamar os justos, mas os pecadores.

Deixe-me deter por um momento no pensamento sobre se a transgressão de um mandamento da Igreja ou de Deus é ou não um pecado grave. No cristianismo, o pecado não se mede pelos mandamentos violados, mas pela rejeição livre, voluntária e consciente do Amor e pela escolha do mal. Deixe-me dar um exemplo drástico: o quinto mandamento de Deus diz que não devemos matar.

Tomemos o exemplo de alguém que, não intencionalmente, tendo respeitado todas as regras de trânsito e feito tudo para evitar o acidente, atropela mortalmente uma pessoa. Pecou? Não. Embora tenha matado uma pessoa. Portanto, não podemos conceber o pecado apenas como a transgressão de um mandamento, mas como o fato de uma (falta de) relação com Deus. Além disso, não é um detalhe insignificante o fato de que o texto original da Sagrada Escritura não chama os mandamentos de Deus de "mandamentos", mas sim de dez Palavras de Deus para a vida.

Certamente, os mandamentos da Igreja têm um peso moral menor do que os de Deus, mas isso não significa que não sejam importantes. A Igreja deseja, com eles, indicar a direção correta e boa para a vida do ser humano. Deseja, portanto, ajudá-lo a discernir mais facilmente o que é bom e adequado na vida, o que tem prioridade. No entanto, a Igreja não age nisso como um "policial" cuja função é vigiar quem os cumpre e quem os viola, e punir quem não os cumpre. Ela deixa o julgamento a Deus, o único que vê o coração do homem e sabe de tudo.

O fato de alguém celebrar ou não regularmente o culto dominical, e o porquê disso, provavelmente sofre influência de muitas coisas. Algumas circunstâncias podem ser atenuantes, outras agravantes. Obviamente, o comportamento que a senhora descreve, prezada Terezija, é consequência do afastamento do fiel em relação a Deus e à Igreja; em outras palavras, do enfraquecimento de sua fé ou até mesmo de sua perda.

Mas a pessoa em questão nem sempre carrega toda a responsabilidade por algo assim. Isso pode ser influenciado pela educação, pelo exemplo das pessoas próximas, pela sociedade, por experiências ruins e às vezes dolorosas — inclusive dentro da Igreja. Tudo isso deveria ser levado em consideração quando avaliamos a responsabilidade e, consequentemente, a culpa moral de um indivíduo.

Diante de tudo isso, parece-me ainda mais importante que, em tais casos, não caiamos na condenação, mas comecemos a refletir com Cristo, com a ajuda do Espírito Santo e da comunidade da Igreja (paróquia), sobre o que podemos fazer no sentido positivo. Como poderíamos nos aproximar dessas pessoas de tal forma que elas acolhessem de bom grado nossas palavras e refletissem sobre nossos pontos de vista.

Talvez isso pudesse ajudá-las a dar algum passo em direção à renovação do relacionamento com Deus e com a comunidade paroquial. Afinal, o decisivo é também que as pessoas percebam e vivenciem que minha vida se torna cada vez mais santa por causa da celebração da Santa Missa. O Papa São João Paulo II ressaltou, há trinta anos em Maribor, que a santidade é a única força capaz de mudar o mundo.

SANTO DO DIA

 Hoje é celebrado o martírio de são João Batista, decapitado por anunciar a Verdade

“Na verdade, vos digo, dentre os nascidos de mulher, nenhum foi maior que João Batista”. Assim se referiu Jesus Cristo ao seu primo, o qual morreu decapitado por anunciar a Verdade, fato que é recordado hoje (29), quando a Igreja Católica celebra o martírio de são João Batista.

Em sua audiência geral de 29 de agosto de 2012, o papa Bento XVI disse que João Batista é o único santo na Igreja – além do próprio Jesus Cristo e da Virgem Maria – do qual se celebra tanto o nascimento (24 de junho), como a sua morte, ocorrida através do martírio.

Mas esta memória “remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, em Samaria onde, já em meados do século IV, se venerava a sua cabeça. Depois, o culto se estendeu a Jerusalém, às Igrejas do Oriente e a Roma, com o título de Degolação de São João Batista”, explicou.

O papa Bento XVI acrescentou que “no Martirológio romano faz-se referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada naquela ocasião para a igreja de São Silvestre no Campo de Marte, em Roma. Estas breves referências históricas ajudam-nos a compreender como é antiga e profunda a veneração de São João Batista”.

Sobre São João Batista há narrações nos Evangelhos, em particular de Lucas, que fala de seu nascimento, vida no deserto, pregação, e de Marcos, que menciona sua morte.

Pelo evangelho e pela tradição é possível reconstruir a vida do Precursor. Negou categoricamente ser o Messias esperado, afirmando a superioridade de Jesus, o qual assinalou aos seus seguidores por ocasião do batismo nas margens do Rio Jordão como o Cordeiro de Deus, aquele de quem não era digno de desatar as sandálias.Sua figura parece ir se desfazendo à medida que vai surgindo “o mais forte”, Jesus. Todavia, “o maior dentre os profetas” não cessou de fazer ouvir a sua voz onde fosse necessária para consertar os sinuosos caminhos do mal.

João Batista reprovou publicamente o comportamento pecaminoso de Herodes Antipas e da cunhada Herodíades, com quem tinha uma relação adúltera. Mas, a suscetibilidade de ambos lhe custou a prisão em Maqueronte, na margem oriental do mar Morto.O relato da morte de São João Batista está no evangelho de são Marcos, capítulo 6, versículos 17 a 29, no qual narra o banquete oferecido por Herodes pelo seu aniversário, onde a filha de Herodíades dançou.

Herodes gostou tanto da dança que prometeu a jovem que cumpriria qualquer pedido que ela fizesse. Ela, então, por sugestão de sua mãe, pediu a cabeça de João Batista, que lhe foi entregue em um prato.

Para o papa emérito, “celebrar o martírio de são João Batista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode comprometer o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é a Verdade, não há comprometimentos”.

O papa Francisco, ao falar sobre a vida de são João Batista em fevereiro de 2015, recordou os “mártires dos nossos dias, aqueles homens, mulheres e crianças que são perseguidos, odiados, expulsos das casas, torturados, massacrados”. O Pontífice sublinhou que esses mártires “terminam sua vida sob a autoridade corrupta de pessoas que odeiam Jesus Cristo”.

SANTO DO DIA

 

São João Paulo II elogiou o beato mártir que a Polônia celebra hoje

Hoje (29), a Igreja na Polônia recorda o sacerdote mártir Dominik Jedrzejewski, beatificado em 1999, por são João Paulo II, em uma cerimônia na qual pronunciou uma homilia que assume especial atualidade por ser um chamado à esperança e à fidelidade para todos os filhos da igreja.

Em 13 de junho de 1999, o papa peregrino beatificou em Varsóvia, Polônia, o padre Jedrzejewski, como parte de um grupo de 108 mártires da Segunda Guerra Mundial.

“A fé viva, a esperança inabalável e a caridade generosa foram-lhes atribuídas como justiça, porque eles estavam profundamente arraigados no mistério pascal de Cristo. Assim, é com razão que exortamos ao seguimento de Cristo na fidelidade, a exemplo deles”.

“Precisamente hoje – continuou o santo – estamos celebrando a vitória daqueles que, no nosso tempo, deram a vida por Cristo, deram a vida temporal para a possuir pelos séculos na sua glória. Trata-se de uma vitória particular, porque é compartilhada pelos representantes do clero e dos leigos, jovens e idosos, pessoas de várias classes e posições”.

“Se hoje nos alegramos pela beatificação de 108 mártires clérigos e leigos, fazemo-lo antes de mais porque eles são o testemunho da vitória de Cristo, o dom que restitui a esperança. Enquanto realizamos este ato solene, num certo sentido revive em nós a certeza de que, independentemente das circunstâncias, podemos obter a vitória plena em tudo, graças Àquele que nos amou”.

Para concluir sua homilia,são João Paulo II disse que “os beatos mártires bradam aos nossos corações: crede que Deus é amor! Acreditai n'Ele, no bem e no mal! Despertai a esperança em vós! Que esta dê em vós o fruto da fidelidade a Deus em cada provação!”.

Dominik Jedrzejewski nasceu em Kowal, na Polônia, foi o mais novo de seis irmãos. Entrou no seminário de Wloclawek e foi ordenado sacerdote em 18 de junho de 1911.

Serviu em três paróquias e foi capelão em uma prisão, prefeito de uma escola local e se dedicou ao trabalho com os jovens.

Em 26 de agosto de 1940, foi preso pelos alemães e enviado ao campo de Sachsenhausen. Em dezembro do mesmo ano, foi transferido para o campo de concentração de Dachau, onde se recusou a renunciar ao sacerdócio em troca de sua liberdade.

Muito enfraquecido por causa do trabalho duro imposto a ele, morreu em 29 de agosto de 1942.