quinta-feira, 9 de julho de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

São Bento, ajude-nos nesse combate contra o mal

Durante sua vida, utilizando-se de seu dom do discernimento, São Bento encontrou três brechas por onde o Inimigo pode entrar em nosso coração, lugares de maior fragilidade humana e espiritual. É nestas brechas que precisamos de mais vigilância

São Bento foi um homem que lutou bravamente contra o mal. Ele é o fundador da ordem dos beneditinos, que tem como lema "Ora et Labora", ou seja, "Reza e Trabalha".

São Gregório, no livro dos Diálogos, descreve São Bento como um homem que recebeu o dom da sabedoria desde sua mais tenra idade e insiste sobre um carisma que era peculiar a Bento: o discernimento dos espíritos.

Durante sua vida, utilizando-se de seu dom do discernimento, São Bento encontrou três brechas por onde o Inimigo pode entrar em nosso coração, lugares de maior fragilidade humana e espiritual. É nestas brechas que precisamos de mais vigilância. Como uma casa assolada por goteiras, à primeira vista não são encontradas rachaduras, mas basta uma chuvinha para que o inconveniente se manifeste.

Eis as brechas:

1A COBIÇA

É a idolatria das coisas. Por exemplo, fazer do dinheiro um deus. É o apego às coisas da terra. São Bento coloca como símbolo desta brecha o porco, pois seu focinho está sempre ligado ao chão. Nesta brecha, a luta acontece na reorientação dos desejos. É preciso conquistar uma atitude de oblação, de generosidade e desapego.

2A VAIDADE

É a idolatria do outro como objeto de prazer. É a necessidade de ser reconhecido e amado distorcida, pois esquece da relação de fraternidade com o próximo e pensa apenas em si mesmo. É fazer tudo só pelo interesse de ocupar o primeiro lugar, ser bem visto pelos outros, elogiado, ter status, ser admirado. Aqui São Bento usa o símbolo do Pavão. É preciso reorientar esta necessidade natural e boa de ser reconhecido e amado. É dizer com sua vida e todo o seu coração: “Senhor, vosso é o Reino, o Poder e a Glória”. Se na primeira brecha, a atitude de desapego era uma garantia de vitória, nesta segunda brecha é necessário perseguir a atitude da solidariedade, do diálogo, da comunhão com Deus e com próximo. Para isso, é fundamental a mansidão e a simplicidade.

3O ORGULHO

É querer dominar tudo para si. Ser um verdadeiro deus. É a idolatria de “si mesmo”. Aqui São Bento ilustra com o símbolo da águia. O orgulho é a origem de todos os pecados. É pelo orgulho que o homem se separa de Deus e procura sua independência. É necessário perseguir a virtude da humildade. Na luta espiritual, às vezes Deus nos dá a graça da humilhação como uma espécie de exercício para crescermos na humildade e vencermos a brecha do orgulho.

As lições de São Bento são muito atuais, uma vez que somos tentados todos os dias. Muitos se deixam levar por uma falsa neutralidade, acreditando ser possível “manter-se em cima do muro”, mas a verdade é que ou estamos trabalhando para o Reino de Deus, ou estamos a serviço do reino de Satanás. Que São Bento nos ajude nesse combate contra o mal.

ESPIRITUALIDADE

 

O significado de cada petição que fazemos no Pai Nosso

Chamar Deus de Pai é uma ousadia filial, e Ele quer que sejamos ousadosA oração é uma recordação de Deus, como um despertar frequente da
“memória do coração” (CIC 2697). A oração é fruto da vida, é um filho que fala
com seu Pai dos cansaços, das conquistas e frustrações, alegria e tristezas,
êxitos e fracassos. E, o elemento essencial para a oração é um coração
humilde e contrito.

Quando os discípulos pediram: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1),
Jesus ensinou-lhes a oração do “Pai Nosso”. Dois Evangelistas fazem essa
narração. Lucas, de forma mais breve, com apenas cinco petições (Lc 11,1ss)
e Mateus, de forma mais longa, com sete petições (cf. Mt 6,9ss). Este último é
a que usamos para a nossa oração.

O “Pai Nosso” é chamado oração dominical e oração do Senhor, porque
não foi feita por mãos humanas, mas revelada pelo próprio Nosso Senhor
Jesus Cristo. A primeira parte do “Pai Nosso” é na verdade um pôr-se na
presença de Deus nosso Pai. A segunda são as petições em relação às nossas
necessidades.

Rezar: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome;
venha a nós o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”
é pôr-se na presença de Deus Pai para adorá-Lo, amá-Lo e para bendizê-Lo.
Essa primeira parte é uma louvação, adoração e declaração de amor.

Ao ensinar os Apóstolos a rezar, Jesus começa com “Pai”. Isso
demonstra que essa palavra já tinha sido elaborada, fazia parte do cotidiano e
havia sido internalizada. Ele verbaliza aquilo que a sua filiação sentia. Chamar
Deus de Pai é uma ousadia filial e Ele quer que sejamos ousados, porque o
filho não tem medidas: ele pede, implora, chora, grita e esperneia, mas não
desiste. Somos autorizados por Jesus a ter essa ousadia, pois não estamos
nos relacionando com um Deus abstrato ou distante. Jesus estabelece uma
relação íntima entre nós e o Pai.

“Santificado seja O Vosso Nome”, significa: santificada seja a Vossa
paternidade. Santificar o Nome de Deus é antes de mais nada um louvor que
reconhece a Deus como Santo. “Venha a nós o Vosso reino”, porque que o reino é o de Nosso Senhor, somos chamados a antecipar o Reino, de fazê-lo
acontecer aqui e agora.

A quarta e a quinta petições dizem respeito à nossa vida, seja no alimento
material e espiritual ou para pedir a cura do pecado. “O pão nosso de cada dia
nos dai hoje” diz respeito ao alimento, mas em não armazenar, porque o que
acumulamos em nossa dispensa, na nossa avareza, é a fome do nosso irmão.
Então, como rezar o “Pai Nosso” com tanta gente de barriga vazia? Como rezar
essa oração quando há tanto desperdício de alimento e com tanto
consumismo? Como pedir o pão de cada dia e sermos idólatras do dinheiro?
Jesus não disse somente “dai-nos o pão nosso”, Ele incluiu “de cada dia”. Um
grande santo disse que devemos pedir o pão de cada dia para nos lembrar do
quanto somos necessitados de Deus. Ele nos dá o pão de cada dia como
outrora no deserto deu o Maná, para mostrar o quanto é misericordioso.

A sexta e a sétima petições dizem respeito ao combate espiritual que
somos chamados a travar, cuja vitória é de quem permanece na oração.
“Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem
ofendido”. Rezar e perdoar, na verdade, requerem de nós um exame de confiança
permanente. Quem eu ainda não perdoei? Quem ainda me falta perdoar? Nós
sabemos que Deus perdoa, mas só conseguiremos ser perdoados por Ele na
medida em que perdoarmos os nossos irmãos. A partir do momento que
perdoamos e temos nossa memória purificada, o que era motivo de sofrimento
transforma-se em motivo de intercessão, em oração por aquela pessoa.

“Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” é uma
afirmação que a tentação faz parte de nossa vida, não mandada por Deus, mas
permitida por Ele. Nossos pecados são frutos da nossa fraqueza diante da
tentação e essa petição é um pedido de discernimento, de fortaleza para
vencermos as tentações, vigiando e orando. Pedimos que Deus nos livre do
mal do presente, do passado, do futuro e nos afaste de tudo aquilo que nos faz
perder a salvação.

Proponho que, depois de ler este artigo, a próxima vez que nos dirigirmos
a Deus para fazer esta oração, a façamos calmamente, refletindo sobre o seu
significado e os compromissos que estamos assumindo.

Rezemos:

“Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o Vosso nome,
vem a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém”.