sábado, 5 de abril de 2025
IGREJA
“Com Chiara, rimos até o fim”: os últimos momentos de Chiara Corbella
Padre Vito d'Amato compartilhou com a Aleteia as lembranças de Chiara Corbella Petrillo e a alegria que marcou seus últimos meses na terraOprocesso de beatificação de Chiara Corbella Petrillo foi aberto no dia 21 de setembro de 2018. Poucos meses antes, ela havia sido proclamada Serva de Deus pelo Cardeal Angelo de Donatis. Durante a sua vida, Chiara (1984-2012), uma jovem italiana, viveu situações muito difíceis com o seu marido Enrico. Eles enfrentaram a morte dos seus dois primeiros filhos logo após o nascimento. Durante a terceira gravidez, ela foi diagnosticada com câncer, mas recusou certos tratamentos para proteger a vida do terceiro filho. Francesco nasceu com perfeita saúde em maio de 2011. Chiara começou, então, a quimioterapia, mas a doença persistiu e não curou. Ela morreu em 2012, aos 28 anos, deixando um testemunho de amor ao próximo e de auto-sacrifício.
A Aleteia conheceu o diretor espiritual de Chiara, Padre Vito d'Amato. Ele esteve presente nos momentos mais importantes da vida dela. Na verdade, foi ele quem celebrou o casamento de Chiara e Enrico, batizou os três filhos e celebrou o seu funeral.
Aleteia: Padre Vito, pode nos dizer como está o processo de beatificação de Chiara Corbella Petrillo?
Padre Vito d'Amato: Em 2018, Chiara foi proclamada Serva de Deus. Ela poderá ser proclamada Venerável se suas virtudes heróicas forem reconhecidas. Poderá, então, ser proclamada Beata se um milagre também for reconhecido. Estamos agora na última parte da fase diocesana. Depois deveremos passar para a chamada fase “romana”, ou seja, a fase do Vaticano.
Como o senhor conheceu Chiara e como se tornou seu diretor espiritual?
Conheci Chiara em 2006. Ela veio para um dos nossos cursos para jovens na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Eu a conheci numa confissão e foi quando ela me escolheu como seu diretor espiritual.
O senhor pode nos contar sobre a vida de fé de Chiara?
Chiara percorreu o seu caminho de fé graças à renovação carismática. Desde a infância aprendeu a rezar e a ter um relacionamento diário com a Virgem Maria e com Cristo. Mas durante o seu noivado com Enrico, ela não encontrou mais as respostas que procurava na renovação carismática. Ela, então, entrou em contato conosco, com os irmãos, e com a espiritualidade franciscana. Ela realmente se apegou a essa espiritualidade e foi uma virada para ela. Chiara começou a se entregar completamente a Deus. Em um carta ao filho, ela citou diversas vezes São Francisco. Ela disse que São Francisco mudou sua vida. É também por isso que ela chamou seu filho de Francesco.
Chiara também fez várias peregrinações. Ela se ligou, entre outros lugares, a Medjugorje. Quando criança, ela ouviu falar das outras crianças que falavam com a Virgem Maria e ficou impressionada com esta relação tão direta que poderia ser estabelecida entre elas e a Virgem. Ela conheceu Enrico em Medjugorje, e, quando tinha dúvidas ou momentos de crise, apegava-se a este marco, pois atribuiu o presente deste homem à Virgem Maria. Mesmo quando soube de sua doença, ela organizou uma peregrinação a Medjugorje com todos os seus amigos e parentes. A intenção de todos era pedir à Virgem Maria a graça da sua cura, mas a intenção de Chiara era pedir à Virgem que pudéssemos compreender qual era a vontade de Deus.
Qual é a sua melhor lembrança de Chiara e Enrico?
Lembro-me de muitas conversas e situações em que compreendemos a obra de Deus através de Chiara. Principalmente na sua última noite: ela estava feliz, via a sua vida realizada, era como se tivesse encontrado o seu lugar na história da Salvação. Vê-la feliz assim foi um grande privilégio para mim. Os últimos dois meses de Chiara foram o Paraíso: através dela o provamos e continuamos a saboreá-lo, mesmo nos acontecimentos mais difíceis e dolorosos daqueles últimos dois meses. Vivíamos como se estivéssemos em outra dimensão. Cada momento foi precioso.
Como explicar a alegria de Chiara, apesar do seu grande sofrimento?
Chiara sentia muitas dores porque seu corpo estava cheio de metástases. Ela estava totalmente consciente de sua situação, mas no final explodiu em uma alegria incrível. Ela abraçou a todos e disse: "Eu te amo! Que graça o Senhor nos deu! Como é lindo o que estamos vivenciando!" Com Chiara, rimos até o fim. Ela nos fez rir mesmo nos momentos dramáticos.
Naqueles momentos, ela sentia a presença de Deus, de Cristo. Ela também queria que eu estivesse lá para orarmos. Ela entendia que só unindo-se a Cristo poderia superar o sofrimento. Enrico, um dia antes de sua morte, perguntou-lhe: “Esta cruz é realmente doce?”. E Chiara respondeu: “Sim, ela é muito doce”.
O marido dela, Enrico, como ele viveu essa situação?
O noivado e o nascimento dos filhos uniram cada vez mais Chiara e Enrico e o momento da doença ainda mais. Enrico sofreu, mas um dia disse: “Se Chiara vai para Aquele que a ama mais do que a mim, por que deveria eu ficar triste?"
O que Chiara pode nos ensinar hoje?
Acredito que Chiara pode ser uma verdadeira fonte de inspiração para o futuro da Igreja. Os cristãos podem manifestar através da sua vida outra presença, outro amor. Tudo, através de Chiara, mostrou a outra pessoa. Ela mostrou Cristo, sentiu-se amada por Cristo e amou os outros. Penso que esta é a mensagem central da vida de Chiara, que pode inspirar a todos nós hoje.
SANTO DO DIA
Hoje é celebrado são Vicente Ferrer, que ajudava os casais em crise com água benta
5 de abr de 2025 às 00:01
“Se desejas, portanto, ser útil às almas do próximo, começa por recorrer a Deus com todo o coração e pede-Lhe com simplicidade que Se digne infundir em ti a caridade”, dizia são Vicente Ferrer, cuja festa é celebrada hoje (5) e que costumava dar um presente especial às esposas que brigavam muito com seus maridos.
São Vicente Ferrer nasceu em Valência (Espanha), em 1350. Foi membro da Ordem dos Pregadores. Dedicou-se ao ensino de teologia e filosofia.
Combateu com empenho a divisão da Igreja no cisma do ocidente. Percorreu várias comarcas pregando, obtendo muitas conversões e reforma nos costumes dos povos.
Morreu em 5 de abril de 1419, em Vannes (França), onde seu corpo é venerado. Foi canonizado por Calisto III em 1455. Há grande devoção a ele na Europa e na América.
São Vicente Ferrer costumava presentear as senhoras que brigavam muito com seus maridos com um pequeno frasco com água benta e as aconselhava: “Minha senhora, quando seu esposo chegar do trabalho, encha a boca de água e permaneça assim o maior número de minutos que puder. Assim não lhe será difícil não responder aos insultos dele”.
Esta famosa “água de frei Vicente” ajudava muito as famílias, porque a mulher, ao não poder contestar o marido, não havia brigas.
Talvez em muitos lares se viva este belo costume de se calar enquanto o outro ofende, porque o que produz a briga não é a palavra ofensiva que se ouve, mas a palavra ofensiva que se responde.
IGREJA
Capela do milagre da beatificação de Carlo Acutis vai receber nova relíquia do futuro santo
A capela Nossa Senhora Aparecida, em Campo Grande (MS), onde aconteceu o milagre da beatificação de Carlo Acutis, vai receber uma nova relíquia do futuro santo, a camisa azul que ele aparece vestindo em várias fotos. A relíquia será enviada pela mãe de Carlo, Antonia Salzano.
A chegada da nova relíquia vai marcar “o início desses dias de festa”, em que a capela vai comemorar a canonização de Carlo, disse o pároco de São Sebastião, paróquia a que pertence a capela, padre Marcelo Tenório. Segundo ele, os preparativos e a expectativa “estão a todo vapor”.
Carlo Acutis será canonizado no dia 27 de abril, no Jubileu dos Adolescentes, no Vaticano.
A programação para a canonização na capela do milagre em Campo Grande vai começar com a missa e chegada da camisa no dia 21, às 19h, e entre os dias 22 e 26 haverá sempre uma programação noturna, a partir das 18h30, com missas, orações, adoração, momento mariano. No dia 27, os fiéis vão acompanhar, na capela, a transmissão ao vivo da canonização no Vaticano e depois seguirão em procissão até a igreja matriz, onde será celebrada uma missa em ação de graças às 10h.
A camisa azul não é a primeira relíquia de Carlo recebida pela capela. A primeira delas foi um pedaço de outra camisa do jovem italiano, entregue por Antonia Salzano ao padre Marcelo Tenório, com a qual aconteceu o milagre da beatificação.
Como tudo começou
O padre Marcelo contou à ACI Digital que conheceu Carlo Acutis “no segundo semestre de 2011”, por meio de um artigo em italiano que recebeu de um “afilhado de Recife”. Na época, ele se interessou pela história daquele jovem e entrou em contato com a mãe dele, Antonia Salzano.
“O Carlo não era conhecido nem em Assis, onde estava enterrado, nem em Milão, onde viveu, nem na Itália... Havia fama de santidade, grupos que conheciam, mas eram pessoas espalhadas, nada forte. Não tinha novena, não tinha oração pronta, não tinha nada”, disse, ao ressaltar que a Associação Carlo Acutis já existia, mas era basicamente mantida pela família.
Depois desse primeiro contato, padre Marcelo Tenório se aproximou da família e começou um trabalho de divulgação, inicialmente com uma página no Facebook. “Fundamos o que chamamos de Apostolado Brasileiro e mandávamos gratuitamente material para o Brasil inteiro”, disse. Segundo o padre, “no Brasil, como somos diferentes, em dois minutos a devoção já estava espalhada. E daí sim, do Brasil, a devoção cresceu muito, depois chegou com força à Itália e ao resto do mundo”.
Todos os anos, padre Marcelo ia a Assis e se encontrava com a família Acutis. Em certa ocasião, Antonia o levou à casa onde Carlo ficava e que ainda tinha os objetos dele. “Eu fui lá com dona Antonia e ela me deu um pedacinho de uma camisa que ele tinha ali. Ela cortou na hora, com a tesourinha”, recordou. O padre colocou o pedaço da camisa em um relicário, “mas não podia mostrar para ninguém, porque o Carlo, segundo as normas, não era ainda venerável”, disse.
De volta ao Brasil, começou “a dar a bênção com a relíquia no dia 12 de outubro”, dia de Nossa Senhora Aparecida e data em que Carlo Acutis morreu de leucemia, em 2006, aos 15 anos.
O milagre aconteceu na capela Nossa Senhora Aparecida, no bairro Jardim Marabá. Segundo o padre Marcelo, uma capela “simples”, onde são celebradas missas no rito novo (aos domingos, às 8h30 e às 18h) e também no rito antigo (de terça a sexta-feira, às 11h, e aos domingos, às 16h). “O milagre aconteceu [na missa] no rito antigo”, disse. “Muito interessante, as coisas de Deus. O milagre aconteceu, ninguém soube, não houve nenhum estrondo, foi tão tranquilo”, acrescentou
Foi no dia 12 de outubro 2013. Matheus Vianna tinha três anos à época e sofria de pâncreas anular, anomalia grave que não permitia que ele se alimentasse normalmente e fazia com que tivesse vômitos constantes. Ele participou da missa. “Quando fui dar a bênção com a relíquia, o avô disse para ele: ‘peça para parar de vomitar’. E ele pediu”. Ao chegar em casa à noite, o menino conseguiu comer normalmente e não teve mais vômitos.
“Em fevereiro de 2014, eles fizeram os exames e o órgão estava perfeito, intacto, como se nunca tivesse tido nada”, contou o padre. O caso foi documentado e enviado à Santa Sé.
“Anos depois que esse possível milagre estava lá, que a equipe médica do Vaticano quis pegar o caso para análise”. A Santa Sé pediu que fosse constituído um tribunal em Campo Grande para averiguação do possível milagre e o padre Marcelo foi nomeado vice-postulador.
Em fevereiro de 2020, o papa Francisco aprovou a publicação do decreto reconhecendo o milagre atribuído à intercessão de Carlo Acutis, que foi beatificado em 10 de outubro daquele ano.
O padre Marcelo disse que não esperava que o milagre da beatificação aconteceria em sua paróquia, mas “tinha certeza de que aconteceria no Brasil, pois foi aqui que pipocou tudo”, a começar pela relação entre Carlo e Nossa Senhora Aparecida. “O Carlo morre no dia 12 de outubro, o processo dele em Milão foi aberto no dia 12 de outubro, o milagre aconteceu no dia 12 de outubro, a festa litúrgica dele é dia 12 de outubro, então, a relação do Carlo com Nossa Senhora Aparecida é um mistério”, disse o padre, que chegou a levar uma imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida e entregá-la ao pai de Carlo, Andrea Acutis. “Disse a ele: ‘deixa no quaro do Carlo, para Nossa Senhora nos dar o milagre do Brasil, porque nós merecemos, pois foi no Brasil que começou tudo’. E o milagre veio”.
Segundo o padre Marcelo Tenório, embora o caso de Matheus Vianna tenha sido reconhecido como o milagre da beatificação, muitos outros casos aconteceram no Brasil. “Todo possível milagre a gente mandava para a Itália. E eram muitos, muitos, muitos. 99,9% de todos eram daqui do Brasil”, disse. Inclusive para a canonização, “quase que saía mais um milagre daqui de Campo Grande”, disse, ao contar o caso de uma menina que teve “um problema sério ósseo na bacia” e, pela intercessão de Carlo, “o osso se regenerou”. “Mandamos o material para o Vaticano, que chegou a pedir novos exames e, quando o Vaticano pede novos exames é porque está analisando”.
O milagre reconhecido para a canonização de Carlo Acutis foi a cura de Valeria Valverde, de 21 anos, da Costa Rica, que estava perto da morte depois de ferir gravemente a cabeça em um acidente de bicicleta em 2022. A mãe fez uma peregrinação a Assis e no túmulo do beato Carlo Acutis pediu a sua intercessão pela cura da sua filha.
Outras relíquias
Atualmente, a relíquia do milagre da beatificação não está mais na capela Nossa Senhora Aparecida. “Eu dei para um sacerdote que queria muito uma relíquia do Carlo”, disse padre Marcelo. Mas, a capela tem uma relíquia de um fragmento do coração e fios de cabelo de Carlo Acutis. “E temos as autênticas, que são os documentos. Porque você recebe a relíquia e o documento autenticando”, ressaltou o sacerdote.
O padre Marcelo destacou que há três graus de relíquias: as de primeiro grau que são partes do corpo do santo, como o fragmento do coração de Carlo; as de segundo grau, que pertenceram ao santo e tiveram contato direto com seu corpo, como a camisa que será recebida no dia 21; e as de terceiro grau, que são objetos que foram encostados no corpo do santo ou no túmulo dele.
Em Campo Grande, o Apostolado Brasileiro Carlo Acutis faz relíquias de terceiro grau do futuro santo. “Eu fui com dona Antonia, levamos um grande pano de linho e tocamos no túmulo do Carlo, dali fazemos as relíquias de terceiro grau. Uma vez por mês os jovens ‘carlanis’, que são jovens casados, se reúnem para produzir essas relíquias”, disse o padre Marcelo. O apostolado envia para todo o Brasil “material totalmente gratuito” sobre Carlo, incluindo as relíquias.
Capela do milagre recebe devotos de todo o país
Atualmente, a capela do milagre em Campo Grande recebe devotos de Carlo Acutis de vários locais. “Olha, do Brasil inteiro”, disse o padre Marcelo, destacando que já recebeu “pessoas que vieram dirigindo de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, do Acre...”.
E a devoção é cultivada na capela. Toda quinta-feira, às 16h, acontece a novena perpétua com Carlo Acutis, com bênção e distribuição de pétalas de rosas. “A gente trazia muitas pétalas de rosas do túmulo do Carlo e, de cem pétalas, 90 não murchavam”, contou o padre.
Segundo ele, há relatos de pessoas que colocaram a pétala dentro de um livro e, quando foram olhar, “ela orvalhou e o livro ficou machado de vermelho”. “Tem gente que tem pétalas ainda hoje. Mais de dez anos, a pétala é como se nunca tivesse sido retirada a rosa”, disse.
Hoje em dia, as pétalas distribuídas na novena são adquiridas em uma floricultura e abençoadas. “Essas apodrecem normalmente como toda pétala. Mas, as que eu trazia da Itália, não”, disse o padre.
LITURGIA DIÁRIA
Evangelho de sábado: ouvir Jesus
Comentário ao Evangelho de sábado da IV semana da Quaresma. «Nunca ninguém falou como esse homem». As personagens do evangelho mostram diferentes maneiras de escutar Jesus e convidam-nos a deixar que as suas palavras se transformem em vida.
Evangelho (Jo 7, 40-53)
Naquele tempo, alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão:
«Ele é realmente o Profeta».
Outros afirmavam:
«É o Messias».
Outros, porém, diziam:
«Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?»
Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos. Então os guardas do templo foram ter com os príncipes dos sacerdotes e com os fariseus e estes perguntaram-lhes:
«Porque não O trouxestes?».
Os guardas responderam:
«Nunca ninguém falou como esse homem».
Os fariseus replicaram:
«Também vos deixastes seduzir? Porventura acreditou n’Ele algum dos chefes ou dos fariseus? Mas essa gente, que não conhece a Lei, está maldita».
Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles:
«Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?».
Responderam-lhe:
«Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta».
E cada um voltou para sua casa.
Comentário
Os Evangelhos contam-nos que ao longo da vida de Jesus muitas pessoas ouviram as suas palavras, em diferentes momentos e lugares: no Templo ou na sinagoga, numa casa, durante uma refeição ou na margem do mar. Mas nem todos o escutavam com a mesma disposição.
A passagem de S. João que a liturgia nos propõe hoje mostra-nos um leque de atitudes na escuta do Senhor. Por um lado, encontramos os que o consideravam “o profeta” esperado por Israel, ou o “Cristo”, o Messias davídico que salvaria o seu povo; por outro lado alguns viam-no como um impostor e queriam prendê-lo.
A presença de Jesus, naquela altura como agora, é motivo de desacordo, de divisão, «sinal de contradição a fim de que se descubram os pensamentos de muitos corações» (Lc 2, 34-35).
Os guardas enviados pelos sacerdotes e fariseus para prender Jesus ficam admirados ao escutar a sua palavra: «Nunca ninguém falou como esse homem». Estas personagens secundárias e sem nome recordam-nos a necessidade de escutar a palavra de Deus com simplicidade e coração aberto à vontade divina.
Pelo contrário, os fariseus ficam encerrados nas suas ideias e posições. Um conhecimento rígido da Escritura e da tradição não lhes permite deixar-se surpreender pela novidade da palavra do Senhor.
Essa palavra continua a ressoar nos nossos ouvidos e, como nos sugere Nicodemos – um dos poucos fariseus prudentes e abertos –, não podemos tomar decisões sem ter ouvido antes esse Homem e conhecer o que fez por nós. Se o escutamos com coração simples, como Maria de Betânia estaremos «sentados aos pés do Senhor, escutando a sua palavra» (Lc 10, 39) ou como Pedro reconheceremos que só as palavras de Jesus nos salvam: «a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).
Em suma as palavras de Jesus, que encontramos na leitura quotidiana do Evangelho, falam-nos da nossa vida, ensinam-nos a vontade do Pai nos nossos afazeres quotidianos. Por isso «temos de reproduzir, na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo: à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar»[1].