domingo, 8 de novembro de 2026

SANTO DO DIA

Hoje é celebrado santo Adeodato I, papa


Santo Adeodato foi o papa número 68 de Igreja, que, segundo a tradição, usou pela primeira vez o selo papal nos documentos pontifícios. Do mesmo modo, diz-se que curava diferentes tipos de doenças apoiando apenas seus lábios nas feridas dos enfermos.

O Martirológio Romano menciona o fato de que certa vez curou um leproso ao beijar-lhe as feridas.

Foi eleito papa em 19 de outubro de 615, depois de ter sido sacerdote por 40 anos. Seu pontificado durou apenas três anos. Nasceu em Roma em um tempo em que a Itália estava a mercê dos lombardos e do Império Bizantino.

Santo Adeodato foi filho de um subdiácono chamado Estêvão. Quando jovem, ingressou no mosteiro beneditino de Roma dedicado a Santo Erasmo.

No século VII, Roma estava sendo assolada por desordem, guerras e uma mortal epidemia de peste. Se não bastasse isso, em agosto de 618, a Cidade Eterna foi vítima de um terremoto.

Diante das tragédias, Adeodato manteve a serenidade e preocupou-se em ajudar e consolar os danificados, os enfermos e os leprosos. É atribuída a ele a capacidade milagrosa de ter curado muitas pessoas da peste.

Morreu santamente em novembro de 618.

IGREJA

 

Em vigília de oração, Leão XIV encoraja minoria católica do Uruguai a manter e difundir a fé

Na vigília de oração celebrada neste sábado (7) no Estádio Centenário, em Montevidéu, Uruguai, o papa Leão XIV encorajou os católicos praticantes em uma sociedade secularizada, especialmente os jovens, a permanecer firmes na fé e a viver as virtudes de modo a atrair outras pessoas para a Igreja.

Cerca de 70 mil pessoas participaram da vigília e as autoridades locais estimaram que outras 30 mil pessoas acompanharam o evento nas imediações.

O Uruguai é uma das sociedades mais secularizadas da América Latina. A maioria da população não tem vínculo com nenhuma religião organizada, e o calendário oficial do país passou a usar termos seculares para designar feriados católicos, como “Semana do Turismo” no lugar de “Semana Santa”.Leão XIV disse que a experiência dos católicos uruguaios que se mantêm fiéis à sua fé “pode ajudar irmãos e irmãs em outras partes do mundo que começam a descobrir, de diferentes maneiras, o que significa ser minoria”.

O papa consolou os católicos uruguaios por serem poucos, lembrando que Belém, onde Jesus nasceu, era conhecida por sua pequenez e que, na Eucaristia, “o Senhor do universo está presente sob as humildes aparências do pão e do vinho”.

O papa acrescentou que os cristãos podem atrair outras pessoas para a Igreja pelo exemplo de vida.

“Talvez haja pessoas que jamais abririam uma Bíblia por conta própria, que há anos não põem os pés em uma igreja ou que nem sequer sabem dizer se acreditam em Deus. Mas, ao ver vocês, pode despertar nelas o desejo de Deus. Podem até descobrir que vale a pena arriscar a própria vida para encontrá-lo”, disse o papa.

“Cristo não nos chamou à mediocridade”, disse Leão XIV. Ele exortou os presentes a buscar a excelência no caminho da santidade.“Quando ser justo e honesto tiver um preço, paguem esse preço. Quando perdoar parecer uma derrota, perdoem. Quando todos disserem a vocês que pensem primeiro em si mesmos, não tenham medo de se colocar em último lugar”, disse.

“Estejam dispostos a abrir mão de tempo, dinheiro, conforto e planos para servir aos outros. Que aqueles que os vejam se perguntem: ‘Por que eles vivem assim? De onde vem essa liberdade? Por que se amam tanto?’”

A vigília terminou com um show de fogos de artifício.

O papa também se reuniu com a comunidade educativa.

Horas antes, o papa foi à Universidade Católica do Uruguai, onde compartilhou algumas reflexões sobre a formação intelectual dos jovens na Igreja.

“A nossa educação católica não pode estar confinada a um circuito fechado. Pelo contrário, deve habituar-se a escutar as famílias, a sociedade civil, as autoridades políticas e administrativas, bem como os representantes dos setores produtivos e das categorias profissionais”, concluiu Leão XIV.

No entanto, advertiu que “as gerações mudam muito mais rapidamente do que antes e que, manter-se atualizado, sem abandonar a sã tradição, é um verdadeiro desafio”.

O papa tem previsão de deixar o Uruguai neste domingo (8) rumo à Argentina, onde ficará três dias. Depois, seguirá viagem apostólica para o Peru, onde já morou e onde passará cinco dias antes de voltar a Roma.

LITURGIA DIÁRIA

 32˚ Domingo do tempo Comum: O noivo está chegando!

Evangelho do 32˚ Domingo do tempo Comum (Ano A) e comentário ao evangelho. “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!” Aguardar com expectativa o encontro com Jesus a cada dia é a melhor preparação para o encontro definitivo com Deus.



Evangelho (Mt 25,1-13)

O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes.

As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!”

Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: “Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.”

As previdentes responderam: “De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores”.

Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou.

Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: “Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!” Ele, porém, respondeu: “Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!” Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora.


Comentário

No tempo de Jesus, as celebrações nupciais tinham uma particular solenidade, em um ambiente festivo e de muita alegria. Meses antes aconteciam os esponsais, em que os futuros esposos já ficavam comprometidos publicamente em matrimônio, mas só um tempo depois, a noiva era recebida pelo noivo em sua nova casa, para iniciarem uma vida em comum formando uma família. Nesta segunda cerimônia, os amigos dos noivos participavam ativamente nos festejos.

A esposa era acompanhada por suas amigas de infância e juventude, as “virgens” das que fala a parábola, solteiras como ela até o momento. Normalmente, chegam com certa antecipação ao lugar do casamento e quando, no cair da tarde, o noivo chegava acompanhado por seus amigos, também jovens como ele, elas saíam ao seu encontro com suas lâmpadas de óleo acesas e começava a festa. A música tocava, o vinho e os manjares eram abundantes e dançavam com alegria até meia-noite.

Jesus fala de um casamento em que o atraso excessivo na chegada do noivo provocou desconcerto entre as amigas da noiva. Algumas, pouco previdentes, com o atraso do esposo, ficaram sem óleo para sair com as suas lâmpadas a recebê-lo e, enquanto iam comprar o que precisavam, a porta foi fechada e ficaram do lado de fora.

O Mestre usa esta parábola para recomendar a necessidade de estarmos sempre bem preparados para recebermos o Senhor quando Ele se apresentar, já que não sabemos nem o dia nem a hora. Virá no final dos tempos, mas também irá ao encontro de cada um de nós quando chegar o final da nossa vida terrena para julgar-nos. “Há de chegar também para nós esse dia, – lembrava são Josemaria – que será o último e que não nos causa medo. Confiando firmemente na graça de Deus, estamos dispostos desde este momento, com generosidade, com fortaleza, com amor nos pormenores, a acudir a esse encontro com o Senhor levando as lâmpadas acesas. Porque nos espera a grande festa do Céu”[1].

A falta de previsão ou a precipitação, deixar para depois o arrependimento ou a confissão, adiar as decisões de entrega, podem nos privar para sempre da glória. Por outro lado, uma vida vivida diante de Deus, com atenção aos detalhes, pode abrir para nós a porta do céu, como aconteceu às amigas da noiva que foram previdentes e puderam entrar para aproveitar a festa, enquanto as outras ficaram fora. Aquelas moças “não souberam ou não quiseram preparar-se com a devida solicitude e esqueceram-se de tomar a razoável precaução de adquirir o óleo a tempo. Faltou-lhes generosidade para cumprir até o fim o pouco que lhes fora pedido. Tinham tido muitas horas à sua disposição, mas as desperdiçaram”[2], continuava comentando são Josemaria.

Por isso nos convidava a refletir e tirar propósitos: “Pensemos na nossa vida com valentia. Por que não conseguimos, às vezes, os minutos de que precisamos para terminar amorosamente o nosso trabalho, que é o meio da nossa santificação? Por que descuramos as obrigações familiares? Por que nos entra a precipitação à hora de rezar ou de assistir ao Santo Sacrifício da Missa? Por que nos faltam a serenidade e a calma para cumprirmos os deveres do nosso estado, e nos entretemos sem pressa nenhuma em ir atrás dos caprichos pessoais? Poderemos responder: são ninharias. Sim, é verdade; mas essas ninharias são o óleo, o nosso óleo, que mantém viva a chama e acesa a luz”[3].


sábado, 7 de novembro de 2026

IGREJA

 

Aquelas flores de sábado para Nossa Senhora

Nada passa despercebido para a Mãe Santíssima!

Vivia em Paris uma senhora piedosa e muito devota de Maria Santíssima. Era sua alegria enfeitar a imagem de Nossa Senhora com lindas flores naturais.

Seu marido, mesmo sendo homem sem fé, trazia flores aos sábados para que a esposa tivesse o prazer de colocá-las diante da imagem da Virgem.

Aconteceu, porém, que o homem morreu repentinamente, sem ter tempo de receber os santos sacramentos. Grande foi a dor da viúva, que temia pela salvação do marido.

Na sua aflição, procurou o santo cura d’Ars, pe. João Maria Vianney, que, recebendo-a, antes de ouvir uma só palavra dela, disse:

“Minha filha, console-se; a alma do seu marido está salva. Nossa Senhora, recompensando-lhe as flores que oferecia aos sábados, alcançou-lhe a graça da contrição perfeita, de maneira que recebeu, na última hora, o perdão dos seus pecados”.

Eis como nada passa despercebido para a Mãe Santíssima!

IGREJA

 

Intenção do Papa para novembro: Leão XIV nos exorta a não “acumular riquezas”, mas a “compartilhar”


Nesta oração, traduzida para 25 idiomas, Leão XIV afirma que "nada nos pertence exclusivamente". Sejam "terras férteis, talentos recebidos, os esforços daqueles que nos precederam", todos os bens são "comuns", insiste ele, convidando-nos a usar "o que possuímos — dinheiro, tempo, talentos, oportunidades" como "instrumentos de fraternidade".

O pontífice peruano-americano adverte contra a tentação de "acumular em vez de compartilhar, de usar os bens como poder e não como um serviço". Ele nos exorta a não cair na armadilha do "egoísmo". “A verdadeira riqueza não está no que guardamos, mas no que damos com amor”, promete o Papa.

Apresentando este vídeo, a Rede Mundial de Oração do Papa — a fundação responsável por divulgar a intenção de oração mensal do chefe da Igreja Católica — cita relatórios globais recentes sobre a distribuição de riqueza para denunciar um “paradoxo”. Os ativos financeiros das famílias “atingiram um nível recorde de € 268,4 trilhões em 2025, um aumento de 8,6% em comparação com o ano anterior”, e o número de indivíduos mais ricos continua a crescer. Mas “a riqueza não beneficia a todos”. Os 10% mais ricos da população detêm 85,4% dos ativos financeiros líquidos, enquanto a metade mais pobre, quase 3 bilhões de pessoas, não possui praticamente nada, de acordo com esses estudos.

Em sua mensagem para o 10º Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado em 15 de novembro, Leão XIV já denunciava “a obsessão daqueles que acumulam riqueza para si mesmos” e se manifestava contra a “riqueza injusta”.

SANTO DO DIA

 

Hoje é dia do beato Francisco Palau, pregador das missões populares

A Igreja católica recorda hoje (7) o beato Francisco Palau y Quer, padre e frade carmelita descalço, nascido em Aitona, Lérida, Espanha, em 29 de dezembro de 1811.

Chamado para o Carmelo

Em 1828, ele entrou no seminário diocesano de Lérida, onde estudou Filosofia e Teologia durante quatro anos. Após terminar os estudos, entrou para a Ordem dos Carmelitas Descalços. Em 14 de novembro de 1832, recebeu o hábito da ordem na cidade de Barcelona e, em 1833, fez a profissão solene.Em 25 de julho de 1835, eclodiram os chamados “motins anticlericais”, organizados contra as ordens religiosas pela sua recusa em apoiar as reformas liberais no país. Na Catalunha, conventos e outros edifícios religiosos foram queimados. Entre os edifícios danificados estava o convento de Francisco Palau, ordenado padre pouco antes, em 2 de abril de 1836.

Os anos de exílio

O padre Palau foi então forçado a fugir junto com outros carmelitas. Nessas circunstâncias, ele se encarregou pessoalmente de proteger e ajudar um dos frades mais antigos de sua comunidade, também cego, a escapar. Viveu exilado na França de 1840 a 1851 e, voltando à Espanha, foi injustamente confinado em Ibiza de 1854 a 1860. Ali fundou, em 1860, duas congregações religiosas: as Irmãs Terciárias Carmelitas e os Irmãos Terciários Carmelitas.

Por intermediação da rainha Isabel II, conseguiu chegar à Espanha continental, onde organizou o seu trabalho apostólico e se dedicou ao fortalecimento das suas congregações, bem como à assistência aos carmelitas descalços e ao clero diocesano.O padre Francisco levava uma vida intensa de oração e meditação – conseguiu escrever alguns folhetos espirituais – que alternava com o serviço aos pobres e doentes. Aos períodos de retiro e isolamento – mais típicos da vida de eremita – foram seguidos os de serviço e de apostolado. Uma das missões mais difíceis que teve de cumprir foi a de exorcista.

As missões populares e catequese

O beato Francisco também organizou missões catequéticas populares nas Ilhas Baleares, bem como as que já fazia na Península, ampliando assim a devoção à Santíssima Virgem e a formação catequética através do que chamou de “Escolas de virtude”. Dedicou-se especialmente à catequese dos adultos, aos quais dedicou um dos seus escritos, a Catequese das Virtudes. Palau descobriu muitos adultos que não tinham recebido nenhum sacramento ou que não os completaram.

Em 1870, viajou a Roma para participar do Concílio Vaticano I. O padre Francisco tinha um plano em mãos: a formação de uma ordem de exorcistas. Na verdade, ele conseguiu enviar um documento com suas ideias a todos os padres conciliares que falavam espanhol. Infelizmente, o projeto não prosperou devido à interrupção do Concílio.

Legado espiritual e apostólicoFrancisco morreu em Tarragona no dia 20 de março de 1872, aos 61 anos. Após a sua morte, a congregação feminina que fundou se dividiu em Carmelitas Missionárias Teresianas e Carmelitas Missionárias, que encarnam até hoje o espírito e o legado dos ensinamentos do seu fundador. Infelizmente, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o ramo masculino, os Irmãos Carmelitas Terciários, desapareceu.

No dia 24 de abril de 1988, o padre Francisco Palau foi beatificado pelo papa são João Paulo II.

LITURGIA DIÁRIA

 Sábado da 31ª semana do tempo Comum: Aspirar aos maiores bens

Evangelho do sábado da 31ª semana do tempo Comum. "O que é importante para os homens, é detestável para Deus”. Jesus nos encoraja a purificar o coração e renovar a mente, examinar os desejos e as intenções, porque é do coração que saem as boas e más obras.


Evangelho (Lc 16, 9-15)

Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? Ninguém pode servir a dois senhores. Porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus.

Então, Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus”.


Comentário

As palavras do Evangelho da Missa de hoje são em parte uma aplicação da parábola do Evangelho de ontem, embora no contexto mais amplo de todo o Evangelho de Lucas. Por um lado, os discípulos são animados a comportar-se com a sabedoria que se reflete imperfeitamente na astúcia de quem raciocina apenas através de cálculos humanos. De fato, a expressão “riqueza injusta” refere-se à riqueza que não está relacionada com a busca da verdadeira justiça. Jesus pede-nos para fazer um esforço sério para alcançar o que dizemos querer alcançar, colocando todo o resto a serviço desse objetivo: as moradas eternas. Portanto é questão de aprender a discernir como utilizar corretamente os bens materiais.

Podemos acrescentar a esta, duas outras exortações, que também têm relação com outros textos de Lucas. O administrador responsável é o que presta atenção às coisas pequenas, pois muitas vezes é por aí que vem a ruína. É no pouco, no pequeno, que se manifestam o interesse e o amor verdadeiros. O texto também diz que não podemos administrar bem os bens eternos se não soubermos administrar satisfatoriamente os bens transitórios. Aspirar ao céu não significa não se interessar pelo mundo. Estes ensinamentos podem ser sintetizados nesta frase: “não se pode servir a Deus e ao dinheiro”; isto é, se o que nos move é o dinheiro, Deus fica de fora. Apenas um dos dois polos pode governar a vida.

As últimas palavras de Jesus nos avisam. Jesus estava sendo ouvido pelos “amantes do dinheiro” (Lc 16,14), e Ele via isto, mesmo que fosse disfarçado exteriormente. Porque, qual é o valor da esmola de um avarento ou de uma pessoa cobiçosa? Deus a julga. E é isso o definitivo. O julgamento positivo dos homens sobre nós será de pouca utilidade se o nosso eu interior não corresponder a isso. Jesus nos anima a purificar o coração e renovar a mente, a examinar desejos e intenções, pois é do coração que vêm as boas e as más obras.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

IGREJA

 Rezar é uma arte a aprender: o que Jesus nos ensina?

Um dia, quando Jesus terminou de rezar, um dos seus discípulos lhe pediu: “Senhor, ensina-nos a rezar”  (Lc 11,1). E Jesus ensinou-lhes o Pai Nosso. 

Mas o que, de fato, o Senhor nos ensina na oração do Pai Nosso?

Se começarmos pelo fim, perceberemos que mesmo a pessoa menos preocupada com Deus, às vezes, é levada a orar. E o que motiva essa oração é o fardo do mal. 

Pense em como as igrejas na América estavam lotadas nos dias seguintes ao 11 de Setembro. Essas pessoas estavam convencidas da existência de algo ainda maior que o mal e acreditaram nisso por meio da oração. Não podemos abolir o mal, mas Jesus nos ensina uma maneira de não ficarmos sozinhos com ele. 

Precisamos de confrontos com a tentação para nos mostrar onde somos fracos. As provações nos purificam. Na petição “não nos deixeis cair em tentação”, Jesus está nos ensinando a usar bem a experiência da tentação: não superestimarmos as nossas capacidades, não ficarmos desanimados ou desesperados. Jesus nos ensina a reconhecer os limites da nossa força para que possamos confiar com confiança na  força Dele.

Jesus ensina que o perdão é o cerne da oração do discípulo. Devemos pedir perdão e oferecer perdão assim como o Pai faz no Calvário (Lc 23,34). Se Deus é amor, o mundo passa a conhecê-lo através da misericórdia que abraçamos e espalhamos.

O pão nosso de cada dia

Ao instruir-nos a pedir a Deus que nos dê o pão de cada dia, Jesus nos ensina que santidade é dependência. Não podemos sermos nós mesmos sem o outro. Ser discípulo é abandonar-se à providência divina, momento a momento, com uma certeza e uma confiança que nos alimenta como nada mais. O pão que pedimos é a nossa felicidade.

Jesus nos ensina que existe uma saída para a miséria que surge quando ficamos presos às nossas próprias ideias e planos. "Seja feita a vossa vontade" expressa a alegria de se render aos desígnios de Deus. Discipulado significa seguir Outro em obediência sacrificial, que é mais semelhança com ele do que submissão.

Ao rezar a petição "venha a nós o vosso Reino", Jesus ensina-nos a deixar de lado as preocupações e lutas da nossa própria personalidade que nos distraem e dissuadem, para que Deus e a sua bondade – o seu poder governante – possam reinar em nós. O Senhor está nos ensinando a reivindicar a incrível unidade que só é possível nele.

Santificado seja o vosso nome

Jesus nos ensina que não devemos viver entregues a nós mesmos: que fazemos parte de uma pertença, de uma identidade, de um Nome do qual extraímos sustento, bênção, ordem e graça infalíveis. Em nome do Pai está o nosso eu autêntico. Jesus nos ensina a orar:  "Santificado seja o teu nome"  para nos tirar de nossas próprias limitações e viver na Verdade.

Enfim, rezar o Pai Nosso é imitar o próprio Jesus na sua Paixão. Somos filhos de Deus. Quando oramos clamando ao Pai, nenhum poder do inferno desencadeado contra nós tem chance. Jesus nos ensina a confiar no mistério do nome do Pai para que, envolvidos na intimidade com o Pai, a colheita cêntupla do céu seja gerada em nosso aqui e agora.

IGREJA

 

O Papa Leão XIV vai andar num papamóvel feito no Brasil: conheça os detalhes desta máquina especial


Há uma curiosidade brasileira na próxima viagem apostólica do Papa Leão XIV à América do Sul: o veículo que o Pontífice utilizará para percorrer as ruas do Peru foi fabricado no Brasil. E não se trata de um automóvel qualquer. Uma Chevrolet S10, conhecida no mercado peruano como Chevrolet Colorado, foi especialmente transformada num papamóvel para permitir que o Santo Padre esteja mais próximo dos fiéis durante os seus deslocamentos.

O projecto é resultado de uma parceria entre a General Motors (GM) e a empresa brasileira Engesig. Ao todo, foram preparadas duas unidades especiais, num trabalho de engenharia que ficou concluído em apenas 24 dias.

As picapes foram produzidas na fábrica da General Motors em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e receberam adaptações específicas para responder às exigências de segurança, conforto e visibilidade estabelecidas pelo Vaticano.

Uma picape brasileira com missão especial

A transformação mais significativa aconteceu na parte traseira do veículo. A caçamba original foi modificada para receber uma plataforma elevada, com piso plano revestido a carpete e um assento especialmente concebido para o Papa.

O espaço também dispõe de dois lugares adicionais para acompanhantes, além de estruturas laterais de apoio destinadas à equipa de segurança.

Um dos elementos que mais chama a atenção é a cobertura transparente, sustentada por uma estrutura metálica. A solução permite proteger o Pontífice do vento e das condições meteorológicas, sem impedir que os peregrinos e as pessoas reunidas nas ruas o possam ver durante os percursos.

O acesso à plataforma foi igualmente pensado ao pormenor: uma escada retráctil com accionamento eléctrico facilita a entrada e a saída do Papa. O conjunto inclui ainda corrimãos, iluminação própria e um sistema que permite montar e desmontar a cobertura.

Há também um detalhe curioso na engenharia do veículo. Uma das exigências do Vaticano era permitir que o Papa pudesse comunicar directamente com o motorista. Para isso, foi criada uma abertura no telhado, na zona dos bancos dianteiros, com os devidos reforços estruturais.

A força de uma S10 ao serviço do Papa

Apesar das profundas alterações na carroçaria, o papamóvel mantém a base mecânica da Chevrolet S10. Está equipado com motor 2.8 turbodiesel, com 207 cavalos de potência e 52 kgfm de binário, associado à tracção 4x4 com redutoras.

É uma configuração que permite enfrentar diferentes condições de terreno, algo importante numa viagem que inclui cidades e regiões com características geográficas bastante distintas.

As duas unidades, idênticas, foram apresentadas em Lima, no Peru, a 4 de Novembro, numa cerimónia que reuniu representantes da Igreja Católica e da General Motors. O cardeal Pedro Barreto participou na bênção dos veículos, que terão um papel especial durante a passagem do Papa pelo país.

Do Brasil para o encontro com os fiéis peruanos

Leão XIV visitará o Peru entre 11 e 16 de Novembro, passando por locais particularmente importantes na sua história pessoal e pastoral. Antes de ser eleito Papa, Robert Francis Prevost viveu mais de duas décadas naquele país, onde exerceu grande parte do seu ministério missionário e pastoral.

A utilização dos papamóveis permitirá que o Pontífice percorra alguns trajectos e participe em celebrações com maior proximidade das multidões que se esperam para o receber.

A participação brasileira neste projecto é também motivo de destaque. Mais do que fornecer um veículo, a indústria automóvel do Brasil colocou a sua capacidade técnica ao serviço de uma viagem apostólica que deverá mobilizar milhares de pessoas.

E há uma imagem particularmente interessante nesta história: uma picape concebida e fabricada em São Paulo, transformada para uma missão muito diferente daquela para a qual nasceu, atravessou fronteiras para se tornar o veículo que ajudará o Papa Leão XIV a encontrar os fiéis peruanos.

Uma Chevrolet S10 brasileira, agora com uma missão especial: transportar o sucessor de Pedro e facilitar o encontro entre o Papa e o povo.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado são Leonardo de Noblac, padroeiro das parturientes e dos prisioneiros

Hoje (6), a Igreja Católica celebra a festa de são Leonardo de Noblac, padroeiro dos prisioneiros e das parturientes. Em sua honra foram construídas centenas de igrejas e capelas.

São Leonardo nasceu em Galia, entre 491 e 518, em uma família nobre de Roma. São Remígio, bispo de Reims, o conduziu ao apostolado e à caridade.

Rechaçou o episcopado oferecido pelo rei Clóvis, retirou-se a um convento de Micy e depois a um bosque de Aquitania (França). Mais tarde, recebeu de um rei uma terra em Noblac.São Leonardo conseguiu a libertação de vários prisioneiros graças a um privilégio que obteve do rei, assim como fazia são Remígio.

Em certa ocasião, ajudou a rainha, que de repente sentiu as dores de parto. As orações e cuidados de são Leonardo permitiram que desse à luz a criança sem complicações particulares.

LITURGIA DIÁRIA

 6ª feira da 31ª semana do tempo Comum: Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça

Evangelho da 6ª feira da 31ª semana do tempo Comum. “Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens”. Jesus também está nos encorajando a aproveitar o tempo presente em prol da salvação, sabendo que o futuro se persegue no hoje e agora.



Evangelho (Lc 16,1-8)

Jesus disse aos discípulos: Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: “Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens”.

O administrador então começou a refletir: “O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração”.

Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão.
E perguntou ao primeiro: “Quanto deves ao meu patrão?”

Ele respondeu: “Cem barris de óleo!”
O administrador disse: “Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!”
Depois ele perguntou a outro: “E tu, quanto deves?”

Ele respondeu: “Cem medidas de trigo”.

O administrador disse: “Pega tua conta e escreve oitenta”.

E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz.


Comentário

O Evangelho de hoje propõe uma parábola, que à primeira vista desconcerta. No capítulo 16 do seu Evangelho, Lucas começa a falar de riquezas. Os ensinamentos que nos transmite não se limitam a fazer um julgamento sobre a avareza ou o esbanjamento. Jesus quer que os seus discípulos compreendam a necessidade de aproveitar o tempo porque o Reino já está próximo, e este é o bem que deve ser perseguido acima de todos: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33).

A parábola fala de um administrador esbanjador, como o filho pródigo (Lc 15,13). O seu senhor, vendo que ele não atuava razoavelmente, dentro das atribuições do seu cargo, decide dispensar os seus serviços e pede-lhe as contas, para passá-las a quem ficar em seu lugar. Vendo-se na rua, o administrador faz os seus cálculos, decide o que não está disposto a fazer, e de repente tem uma ideia: “Vou fazer amizade com os devedores, reduzindo o valor das suas dívidas!” Jesus, então, curiosamente – este é o efeito surpresa tão procurado pelo Senhor em suas parábolas – elogia este homem injusto. Mas ele não o elogia pela sua desonestidade, mas pela rapidez e astúcia com que trabalhou no pouco tempo que tinha. Isto é, pelo esforço que ele dedicou ao que queria.

A parábola, portanto, faz um julgamento sobre o desperdício, pedindo aos discípulos que sejam bons administradores dos bens materiais: contentar-se com o necessário e colocar a serviço dos outros o que tiverem, na medida das suas possibilidades (cf. Lc 16,19-31). Mas, com as suas palavras, Jesus também nos anima a aproveitar o tempo presente para a salvação, sabendo que o futuro é conquistado no hoje e no agora, porque, “De que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida?” (Mt 16,26). São Paulo o dirá assim: “ficai bem atentos à vossa maneira de proceder. Procedei não como insensatos, mas como pessoas esclarecidas, que bem aproveitam o tempo presente” (Ef 5,15-16); “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6,2).

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

IGREJA

 

A espiritualidade do Coração: educar com ternura

Aespiritualidade do Coração de Jesus nos reconduz ao lugar onde o amor se faz doação, e a doação se faz esperança. Jesus, do alto da cruz, entrega tudo e o que parece fracasso se transforma em fonte de vida.

Em meio à pressa e aos desafios do mundo contemporâneo, a espiritualidade do Coração de Jesus nos convida a redescobrir a ternura como valor essencial e transformador, ainda que muitas vezes negligenciado. Carlo Rocchetta afirma com profundidade que "A ternura cristã nasce aos pés da cruz e se modela segundo suas dimensões. [...] A cruz diz que não pode existir verdadeira ternura pelo outro senão na ternura pelo Absolutamente-Outro [...]." (ROCCHETTA, 2002, p. 328)

A cruz, símbolo máximo do amor e da doação, revela que a ternura verdadeira abraça a dor, acolhe a fragilidade e transforma o sofrimento em amor redentor. Aí está nossa verdadeira identidade cristã: a capacidade de sair de si e abrir-se ao Outro, de entregar a própria vida. O egoísmo e o fechamento em si mesmo nos impedem de viver em plenitude essa identidade, amar e se doar com ternura, assim como o Coração de Jesus.

Essa ternura, longe de ser sentimentalismo ou fraqueza, é um estilo de vida evangélico, uma escolha existencial. Educar para a ternura é formar o coração para amar:

Educar para a ternura não significa orientar para algo exterior a nós, mas fazer amadurecer como escolha existencial e estilo de vida o que de mais profundo caracteriza nosso eu-espiritual-corpóreo e nossa existência social: a necessidade de amar e de ser amados; se educa para a ternura educando a amar, e se educa a amar educando para a ternura. (ROCCHETTA, 2002, p. 439)

Ser terno hoje é cultivar a escuta atenta, o olhar misericordioso, a presença fiel. É ter coragem para estar junto, especialmente dos que sofrem, e fazer da vida um espaço sagrado onde o amor de Deus possa habitar.

Cuidar de si e do outro é inseparável da vida espiritual. Como discípulos do Coração, somos chamados a reconhecer que cada pessoa é uma "obra única, mas sempre inacabada de Deus" (DIAS, 2024, p. 79). O cuidado integral, portanto, não é tarefa secundária, mas o centro pulsante da missão de quem segue Jesus, abrangendo corpo, mente e espírito, acolhendo a fragilidade e a beleza da vida em sua totalidade.

O crescimento espiritual exige um constante movimento de desprendimento, simplicidade e confiança no agir misericordioso de Deus, que nos alcança onde estamos e cura nossas feridas mais profundas (DIAS, 2024, p. 87). Essa confiança é fundamental para atravessarmos as dificuldades, mantendo viva a esperança e a alegria da fé no cotidiano.

Além disso, a espiritualidade do Coração nos recorda que a vocação fundamental está ancorada na consagração batismal, um chamado radical para seguir Jesus com plena consciência das exigências desse caminho (DIAS, 2024, p. 89). O seguimento do Mestre requer decisão, fidelidade e coragem para enfrentar renúncias e contradições. Não basta o entusiasmo passageiro, é necessária perseverança, uma fé que se confirma no serviço e no amor silencioso.

Pulsar com o Coração de Cristo nos tempos atuais

A espiritualidade do Coração de Jesus é um convite profundo e urgente para o nosso tempo. Não se trata de uma devoção distante ou meramente sentimental, mas de um chamado a transformar toda a existência pela experiência viva do amor misericordioso e gratuito do Senhor.

O convite a adentrar no Coração de Cristo ressoa com força num mundo marcado pela solidão, pela ansiedade e pelo cansaço existencial. Hoje, mais do que nunca, precisamos de um lar espiritual onde dores e esperanças sejam acolhidas e curadas. Jesus oferece essa morada em seu Coração,  espaço de amor forte e transformador.

Como viver, na prática, essa espiritualidade?

1. Cultivando o encontro pessoal com o Coração de Jesus: reservar tempo para escutar e acolher o amor que nos chama, especialmente na oração e na leitura orante da Palavra.

2. Abraçando o compromisso da reparação: ser instrumentos vivos desse amor no mundo, reparando feridas e construindo pontes de misericórdia onde há divisão e dor.

3. Educando o coração para a ternura: amar com profundidade e generosidade, sobretudo nas relações cotidianas, onde o amor se prova concreto e fiel.

4. Vivendo o cuidado integral: cuidar da saúde física, emocional e espiritual, reconhecendo que somos "obras únicas e sempre inacabadas" de Deus, e estendendo esse cuidado a todos ao nosso redor.

5. Perseverando no seguimento com simplicidade e confiança: assumir as exigências do caminho cristão com coragem e alegria, sustentados pela presença amorosa do Coração de Jesus.

Neste mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, somos chamados a renovar nosso compromisso de viver com esperança, confiança e amor. Que esse Coração, refúgio seguro e fonte de misericórdia, seja nossa força em todas as circunstâncias.

O Coração de Jesus não é uma devoção isolada ou sentimentalista. Ele é a expressão condensada de todo o mistério de Cristo. Como recorda Ir. Iracélis Maria Souza Dias, "o mistério do Coração de Jesus resume todos os mistérios do Filho de Deus em sua vida terrena: encarnação, paixão, morte e ressurreição" (DIAS, 2024, p. 29).

O Coração de Jesus nos revela o rosto de um Deus que não se cansa de amar. Através da intimidade com esse Coração, descobrimos que o verdadeiro sentido da vida está em amar e deixar-se amar por Deus.

Referências

DIAS, Iracélis Maria Souza. A Mística do Coração: A espiritualidade do Coração de Jesus a partir do olhar da Bem-aventurada Clélia Merloni. Colaboração de Vânia Cristina de Oliveira. São Paulo: Edições Loyola, 2024.

ROCCHETTA, Carlo. Teologia da ternura: um "evangelho" a descobrir. São Paulo: Paulus, 2002.