sexta-feira, 6 de novembro de 2026

IGREJA

 Rezar é uma arte a aprender: o que Jesus nos ensina?

Um dia, quando Jesus terminou de rezar, um dos seus discípulos lhe pediu: “Senhor, ensina-nos a rezar”  (Lc 11,1). E Jesus ensinou-lhes o Pai Nosso. 

Mas o que, de fato, o Senhor nos ensina na oração do Pai Nosso?

Se começarmos pelo fim, perceberemos que mesmo a pessoa menos preocupada com Deus, às vezes, é levada a orar. E o que motiva essa oração é o fardo do mal. 

Pense em como as igrejas na América estavam lotadas nos dias seguintes ao 11 de Setembro. Essas pessoas estavam convencidas da existência de algo ainda maior que o mal e acreditaram nisso por meio da oração. Não podemos abolir o mal, mas Jesus nos ensina uma maneira de não ficarmos sozinhos com ele. 

Precisamos de confrontos com a tentação para nos mostrar onde somos fracos. As provações nos purificam. Na petição “não nos deixeis cair em tentação”, Jesus está nos ensinando a usar bem a experiência da tentação: não superestimarmos as nossas capacidades, não ficarmos desanimados ou desesperados. Jesus nos ensina a reconhecer os limites da nossa força para que possamos confiar com confiança na  força Dele.

Jesus ensina que o perdão é o cerne da oração do discípulo. Devemos pedir perdão e oferecer perdão assim como o Pai faz no Calvário (Lc 23,34). Se Deus é amor, o mundo passa a conhecê-lo através da misericórdia que abraçamos e espalhamos.

O pão nosso de cada dia

Ao instruir-nos a pedir a Deus que nos dê o pão de cada dia, Jesus nos ensina que santidade é dependência. Não podemos sermos nós mesmos sem o outro. Ser discípulo é abandonar-se à providência divina, momento a momento, com uma certeza e uma confiança que nos alimenta como nada mais. O pão que pedimos é a nossa felicidade.

Jesus nos ensina que existe uma saída para a miséria que surge quando ficamos presos às nossas próprias ideias e planos. "Seja feita a vossa vontade" expressa a alegria de se render aos desígnios de Deus. Discipulado significa seguir Outro em obediência sacrificial, que é mais semelhança com ele do que submissão.

Ao rezar a petição "venha a nós o vosso Reino", Jesus ensina-nos a deixar de lado as preocupações e lutas da nossa própria personalidade que nos distraem e dissuadem, para que Deus e a sua bondade – o seu poder governante – possam reinar em nós. O Senhor está nos ensinando a reivindicar a incrível unidade que só é possível nele.

Santificado seja o vosso nome

Jesus nos ensina que não devemos viver entregues a nós mesmos: que fazemos parte de uma pertença, de uma identidade, de um Nome do qual extraímos sustento, bênção, ordem e graça infalíveis. Em nome do Pai está o nosso eu autêntico. Jesus nos ensina a orar:  "Santificado seja o teu nome"  para nos tirar de nossas próprias limitações e viver na Verdade.

Enfim, rezar o Pai Nosso é imitar o próprio Jesus na sua Paixão. Somos filhos de Deus. Quando oramos clamando ao Pai, nenhum poder do inferno desencadeado contra nós tem chance. Jesus nos ensina a confiar no mistério do nome do Pai para que, envolvidos na intimidade com o Pai, a colheita cêntupla do céu seja gerada em nosso aqui e agora.

IGREJA

 

O Papa Leão XIV vai andar num papamóvel feito no Brasil: conheça os detalhes desta máquina especial


Há uma curiosidade brasileira na próxima viagem apostólica do Papa Leão XIV à América do Sul: o veículo que o Pontífice utilizará para percorrer as ruas do Peru foi fabricado no Brasil. E não se trata de um automóvel qualquer. Uma Chevrolet S10, conhecida no mercado peruano como Chevrolet Colorado, foi especialmente transformada num papamóvel para permitir que o Santo Padre esteja mais próximo dos fiéis durante os seus deslocamentos.

O projecto é resultado de uma parceria entre a General Motors (GM) e a empresa brasileira Engesig. Ao todo, foram preparadas duas unidades especiais, num trabalho de engenharia que ficou concluído em apenas 24 dias.

As picapes foram produzidas na fábrica da General Motors em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e receberam adaptações específicas para responder às exigências de segurança, conforto e visibilidade estabelecidas pelo Vaticano.

Uma picape brasileira com missão especial

A transformação mais significativa aconteceu na parte traseira do veículo. A caçamba original foi modificada para receber uma plataforma elevada, com piso plano revestido a carpete e um assento especialmente concebido para o Papa.

O espaço também dispõe de dois lugares adicionais para acompanhantes, além de estruturas laterais de apoio destinadas à equipa de segurança.

Um dos elementos que mais chama a atenção é a cobertura transparente, sustentada por uma estrutura metálica. A solução permite proteger o Pontífice do vento e das condições meteorológicas, sem impedir que os peregrinos e as pessoas reunidas nas ruas o possam ver durante os percursos.

O acesso à plataforma foi igualmente pensado ao pormenor: uma escada retráctil com accionamento eléctrico facilita a entrada e a saída do Papa. O conjunto inclui ainda corrimãos, iluminação própria e um sistema que permite montar e desmontar a cobertura.

Há também um detalhe curioso na engenharia do veículo. Uma das exigências do Vaticano era permitir que o Papa pudesse comunicar directamente com o motorista. Para isso, foi criada uma abertura no telhado, na zona dos bancos dianteiros, com os devidos reforços estruturais.

A força de uma S10 ao serviço do Papa

Apesar das profundas alterações na carroçaria, o papamóvel mantém a base mecânica da Chevrolet S10. Está equipado com motor 2.8 turbodiesel, com 207 cavalos de potência e 52 kgfm de binário, associado à tracção 4x4 com redutoras.

É uma configuração que permite enfrentar diferentes condições de terreno, algo importante numa viagem que inclui cidades e regiões com características geográficas bastante distintas.

As duas unidades, idênticas, foram apresentadas em Lima, no Peru, a 4 de Novembro, numa cerimónia que reuniu representantes da Igreja Católica e da General Motors. O cardeal Pedro Barreto participou na bênção dos veículos, que terão um papel especial durante a passagem do Papa pelo país.

Do Brasil para o encontro com os fiéis peruanos

Leão XIV visitará o Peru entre 11 e 16 de Novembro, passando por locais particularmente importantes na sua história pessoal e pastoral. Antes de ser eleito Papa, Robert Francis Prevost viveu mais de duas décadas naquele país, onde exerceu grande parte do seu ministério missionário e pastoral.

A utilização dos papamóveis permitirá que o Pontífice percorra alguns trajectos e participe em celebrações com maior proximidade das multidões que se esperam para o receber.

A participação brasileira neste projecto é também motivo de destaque. Mais do que fornecer um veículo, a indústria automóvel do Brasil colocou a sua capacidade técnica ao serviço de uma viagem apostólica que deverá mobilizar milhares de pessoas.

E há uma imagem particularmente interessante nesta história: uma picape concebida e fabricada em São Paulo, transformada para uma missão muito diferente daquela para a qual nasceu, atravessou fronteiras para se tornar o veículo que ajudará o Papa Leão XIV a encontrar os fiéis peruanos.

Uma Chevrolet S10 brasileira, agora com uma missão especial: transportar o sucessor de Pedro e facilitar o encontro entre o Papa e o povo.

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado são Leonardo de Noblac, padroeiro das parturientes e dos prisioneiros

Hoje (6), a Igreja Católica celebra a festa de são Leonardo de Noblac, padroeiro dos prisioneiros e das parturientes. Em sua honra foram construídas centenas de igrejas e capelas.

São Leonardo nasceu em Galia, entre 491 e 518, em uma família nobre de Roma. São Remígio, bispo de Reims, o conduziu ao apostolado e à caridade.

Rechaçou o episcopado oferecido pelo rei Clóvis, retirou-se a um convento de Micy e depois a um bosque de Aquitania (França). Mais tarde, recebeu de um rei uma terra em Noblac.São Leonardo conseguiu a libertação de vários prisioneiros graças a um privilégio que obteve do rei, assim como fazia são Remígio.

Em certa ocasião, ajudou a rainha, que de repente sentiu as dores de parto. As orações e cuidados de são Leonardo permitiram que desse à luz a criança sem complicações particulares.

LITURGIA DIÁRIA

 6ª feira da 31ª semana do tempo Comum: Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça

Evangelho da 6ª feira da 31ª semana do tempo Comum. “Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens”. Jesus também está nos encorajando a aproveitar o tempo presente em prol da salvação, sabendo que o futuro se persegue no hoje e agora.



Evangelho (Lc 16,1-8)

Jesus disse aos discípulos: Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: “Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens”.

O administrador então começou a refletir: “O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração”.

Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão.
E perguntou ao primeiro: “Quanto deves ao meu patrão?”

Ele respondeu: “Cem barris de óleo!”
O administrador disse: “Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!”
Depois ele perguntou a outro: “E tu, quanto deves?”

Ele respondeu: “Cem medidas de trigo”.

O administrador disse: “Pega tua conta e escreve oitenta”.

E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz.


Comentário

O Evangelho de hoje propõe uma parábola, que à primeira vista desconcerta. No capítulo 16 do seu Evangelho, Lucas começa a falar de riquezas. Os ensinamentos que nos transmite não se limitam a fazer um julgamento sobre a avareza ou o esbanjamento. Jesus quer que os seus discípulos compreendam a necessidade de aproveitar o tempo porque o Reino já está próximo, e este é o bem que deve ser perseguido acima de todos: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33).

A parábola fala de um administrador esbanjador, como o filho pródigo (Lc 15,13). O seu senhor, vendo que ele não atuava razoavelmente, dentro das atribuições do seu cargo, decide dispensar os seus serviços e pede-lhe as contas, para passá-las a quem ficar em seu lugar. Vendo-se na rua, o administrador faz os seus cálculos, decide o que não está disposto a fazer, e de repente tem uma ideia: “Vou fazer amizade com os devedores, reduzindo o valor das suas dívidas!” Jesus, então, curiosamente – este é o efeito surpresa tão procurado pelo Senhor em suas parábolas – elogia este homem injusto. Mas ele não o elogia pela sua desonestidade, mas pela rapidez e astúcia com que trabalhou no pouco tempo que tinha. Isto é, pelo esforço que ele dedicou ao que queria.

A parábola, portanto, faz um julgamento sobre o desperdício, pedindo aos discípulos que sejam bons administradores dos bens materiais: contentar-se com o necessário e colocar a serviço dos outros o que tiverem, na medida das suas possibilidades (cf. Lc 16,19-31). Mas, com as suas palavras, Jesus também nos anima a aproveitar o tempo presente para a salvação, sabendo que o futuro é conquistado no hoje e no agora, porque, “De que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida?” (Mt 16,26). São Paulo o dirá assim: “ficai bem atentos à vossa maneira de proceder. Procedei não como insensatos, mas como pessoas esclarecidas, que bem aproveitam o tempo presente” (Ef 5,15-16); “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6,2).

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

IGREJA

 

A espiritualidade do Coração: educar com ternura

Aespiritualidade do Coração de Jesus nos reconduz ao lugar onde o amor se faz doação, e a doação se faz esperança. Jesus, do alto da cruz, entrega tudo e o que parece fracasso se transforma em fonte de vida.

Em meio à pressa e aos desafios do mundo contemporâneo, a espiritualidade do Coração de Jesus nos convida a redescobrir a ternura como valor essencial e transformador, ainda que muitas vezes negligenciado. Carlo Rocchetta afirma com profundidade que "A ternura cristã nasce aos pés da cruz e se modela segundo suas dimensões. [...] A cruz diz que não pode existir verdadeira ternura pelo outro senão na ternura pelo Absolutamente-Outro [...]." (ROCCHETTA, 2002, p. 328)

A cruz, símbolo máximo do amor e da doação, revela que a ternura verdadeira abraça a dor, acolhe a fragilidade e transforma o sofrimento em amor redentor. Aí está nossa verdadeira identidade cristã: a capacidade de sair de si e abrir-se ao Outro, de entregar a própria vida. O egoísmo e o fechamento em si mesmo nos impedem de viver em plenitude essa identidade, amar e se doar com ternura, assim como o Coração de Jesus.

Essa ternura, longe de ser sentimentalismo ou fraqueza, é um estilo de vida evangélico, uma escolha existencial. Educar para a ternura é formar o coração para amar:

Educar para a ternura não significa orientar para algo exterior a nós, mas fazer amadurecer como escolha existencial e estilo de vida o que de mais profundo caracteriza nosso eu-espiritual-corpóreo e nossa existência social: a necessidade de amar e de ser amados; se educa para a ternura educando a amar, e se educa a amar educando para a ternura. (ROCCHETTA, 2002, p. 439)

Ser terno hoje é cultivar a escuta atenta, o olhar misericordioso, a presença fiel. É ter coragem para estar junto, especialmente dos que sofrem, e fazer da vida um espaço sagrado onde o amor de Deus possa habitar.

Cuidar de si e do outro é inseparável da vida espiritual. Como discípulos do Coração, somos chamados a reconhecer que cada pessoa é uma "obra única, mas sempre inacabada de Deus" (DIAS, 2024, p. 79). O cuidado integral, portanto, não é tarefa secundária, mas o centro pulsante da missão de quem segue Jesus, abrangendo corpo, mente e espírito, acolhendo a fragilidade e a beleza da vida em sua totalidade.

O crescimento espiritual exige um constante movimento de desprendimento, simplicidade e confiança no agir misericordioso de Deus, que nos alcança onde estamos e cura nossas feridas mais profundas (DIAS, 2024, p. 87). Essa confiança é fundamental para atravessarmos as dificuldades, mantendo viva a esperança e a alegria da fé no cotidiano.

Além disso, a espiritualidade do Coração nos recorda que a vocação fundamental está ancorada na consagração batismal, um chamado radical para seguir Jesus com plena consciência das exigências desse caminho (DIAS, 2024, p. 89). O seguimento do Mestre requer decisão, fidelidade e coragem para enfrentar renúncias e contradições. Não basta o entusiasmo passageiro, é necessária perseverança, uma fé que se confirma no serviço e no amor silencioso.

Pulsar com o Coração de Cristo nos tempos atuais

A espiritualidade do Coração de Jesus é um convite profundo e urgente para o nosso tempo. Não se trata de uma devoção distante ou meramente sentimental, mas de um chamado a transformar toda a existência pela experiência viva do amor misericordioso e gratuito do Senhor.

O convite a adentrar no Coração de Cristo ressoa com força num mundo marcado pela solidão, pela ansiedade e pelo cansaço existencial. Hoje, mais do que nunca, precisamos de um lar espiritual onde dores e esperanças sejam acolhidas e curadas. Jesus oferece essa morada em seu Coração,  espaço de amor forte e transformador.

Como viver, na prática, essa espiritualidade?

1. Cultivando o encontro pessoal com o Coração de Jesus: reservar tempo para escutar e acolher o amor que nos chama, especialmente na oração e na leitura orante da Palavra.

2. Abraçando o compromisso da reparação: ser instrumentos vivos desse amor no mundo, reparando feridas e construindo pontes de misericórdia onde há divisão e dor.

3. Educando o coração para a ternura: amar com profundidade e generosidade, sobretudo nas relações cotidianas, onde o amor se prova concreto e fiel.

4. Vivendo o cuidado integral: cuidar da saúde física, emocional e espiritual, reconhecendo que somos "obras únicas e sempre inacabadas" de Deus, e estendendo esse cuidado a todos ao nosso redor.

5. Perseverando no seguimento com simplicidade e confiança: assumir as exigências do caminho cristão com coragem e alegria, sustentados pela presença amorosa do Coração de Jesus.

Neste mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, somos chamados a renovar nosso compromisso de viver com esperança, confiança e amor. Que esse Coração, refúgio seguro e fonte de misericórdia, seja nossa força em todas as circunstâncias.

O Coração de Jesus não é uma devoção isolada ou sentimentalista. Ele é a expressão condensada de todo o mistério de Cristo. Como recorda Ir. Iracélis Maria Souza Dias, "o mistério do Coração de Jesus resume todos os mistérios do Filho de Deus em sua vida terrena: encarnação, paixão, morte e ressurreição" (DIAS, 2024, p. 29).

O Coração de Jesus nos revela o rosto de um Deus que não se cansa de amar. Através da intimidade com esse Coração, descobrimos que o verdadeiro sentido da vida está em amar e deixar-se amar por Deus.

Referências

DIAS, Iracélis Maria Souza. A Mística do Coração: A espiritualidade do Coração de Jesus a partir do olhar da Bem-aventurada Clélia Merloni. Colaboração de Vânia Cristina de Oliveira. São Paulo: Edições Loyola, 2024.

ROCCHETTA, Carlo. Teologia da ternura: um "evangelho" a descobrir. São Paulo: Paulus, 2002.

SANTO DO DIA

 

Hoje a Igreja celebra são Zacarias e santa Isabel, pais de João Batista

“Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor”, afirma são Lucas em seu evangelho (Lc 1,6) sobre são Zacarias e santa Isabel – pais de são João Batista e tios de Jesus –, cuja festa litúrgica é celebrada hoje (5).

Conforme são Lucas descreve no primeiro capítulo de seu evangelho, Zacarias pertencia à classe sacerdotal de Abias e Isabel era descendente de Aarão. Ambos eram de idade avançada e não tinham filhos, pois Isabel era estéril.

Certo dia, coube a Zacarias ingressar no “Santuário do Senhor” para oferecer o perfume. Então, um anjo do Senhor apareceu e lhe disse que sua esposa lhe daria um filho ao qual chamaria João.“Irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto”, disse o anjo a Zacarias.

Zacarias perguntou como poderia ter certeza disso, porque ele e sua esposa eram idosos. O anjo, então, respondeu que ele era Gabriel, o que está diante de Deus, e que tinha sido enviado para lhe falar e anunciar esta boa notícia. Em seguida, disse-lhe que ficaria mudo por não ter acreditado.Quando Zacarias voltou para casa, sua esposa Isabel concebeu um filho e ela pensava: “Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens”.

Depois que o anjo Gabriel apareceu à Virgem Maria, a Mãe de Deus foi ajudar Isabel, que ao vê-la exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas”.

Quando João nasceu, todos se alegraram da misericórdia de Deus. No dia da circuncisão, todos queriam chamá-lo como seu pai. Entretanto, Isabel comunicou que se chamaria João. Zacarias confirmou, escrevendo esse nome em uma tabuinha e imediatamente voltou a falar.Finalmente, o pai de são João Batista, louvando a Deus, pronunciou o famoso “Cântico de Zacarias”, uma das orações que os sacerdotes e religiosos rezam todas as manhãs em suas orações chamadas ‘Laudes’.

LITURGIA DIÁRIA

5ª feira da 31ª semana do tempo Comum: Vim chamar aos pecadores

Evangelho da 5ª feira da 31ª semana do tempo Comum. “Enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir”. Jesus quer que aqueles que o seguem compartilhem seu mesmo coração. Esse mesmo coração enamorado de Jesus é o que nos pede quando nos nomeia como seus missionários.


 Evangelho (Lc 15,1-10)

Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.

Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!”
Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!”

Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.


Comentário

Uma das coisas mais marcantes no caminhar de Jesus é que nenhum dos que eram considerados pecadores se sentia rejeitado por Nosso Senhor. Lucas expressa-o assim: “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar”. Para todos Jesus tinha palavras, um coração acolhedor e misericórdia. Animava todos a levar a sério o seu relacionamento com Deus, porque o acolhimento e a misericórdia não fecham os olhos para a necessidade de rejeitar o pecado e fazer o bem. Um acolhimento que era, ao mesmo tempo, entrega: “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). É a renovação do primeiro amor: “Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).

Aqueles publicanos e pecadores sabiam que Jesus os procurava e chamava. Nosso Senhor rezou assim: “Quando estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei” (Jo 17,12). E Ele fez isso como o pastor que sai à procura das suas ovelhas. Porque o Pai nos colocou em suas mãos, porque Ele sabe ao que fomos chamados e nos ama com amor divino, porque Ele não quer que ninguém se perca. Esse mesmo amor é o que Ele nos pede quando Ele nos nomeia como seus mensageiros: “enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir” (Lc 10,1). Jesus quer que os seus seguidores partilhem o seu mesmo coração.

Os exemplos que o Senhor dá são um desafio à lógica humana. Não é fácil para um pastor abandonar um rebanho inteiro para procurar uma única ovelha se houver algum perigo para as outras. Mas Jesus, o Bom Pastor, faz isso: é a realidade da sua preocupação com cada um e com todos. E o seu esforço para nos atrair ao Pai é como o de uma mulher que perdeu o sustento diário da sua família: o seu esforço de busca é proporcional ao amor que tem pelos seus. Jesus nos encoraja a crescer no verdadeiro amor ao próximo, amor também pela sua vida eterna. Esse amor dará como fruto a oração, criatividade e esforço para nos ajudar mutuamente a identificar o que nos afasta de Deus e a crescer no desejo de ter um coração limpo.