quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

IGREJA

 Padre Nazareno Lanciotti será beatificado em junho, em Jauru, no Mato Grosso

A missa de beatificação do venerável padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano no Brasil assassinado em fevereiro de 2001, na cidade de Jauru (MT), foi aprovada pelo papa Leão XIV. Ela será celebrada pelo prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, representante do papa, no dia 13 de junho, às 9h, em Jauru.

Em seu comunicado sobre a beatificação, o bispo de são Luiz de Cáceres, dom Jacy Diniz Rocha, disse que “o anúncio da beatificação acontece por ocasião do 25º aniversário do martírio”, celebrado no domingo, 22 de fevereiro, “em dois locais”: em Jauru, onde o venerável serviu e anunciou o Evangelho durante 30 anos, e em Subiaco, na Itália, onde recebeu sua formação sacerdotal.

Para dom Jacy Diniz, “a beatificação do padre Nazareno Lanciotti representa um momento histórico de fé, reconhecimento e gratidão pela sua vida e testemunho cristão”.

Padre Nazareno Lanciotti

O venerável padre Nazareno Lanciotti nasceu no dia 3 de março de 1940, em Roma, na Itália. Foi ordenado padre em 1966 e exerceu seu ministério em Roma. por cinco anos. Em 1971, decidiu ser missionário no Brasil, na cidade de Jauru (MT), onde serviu por 30 anos.

Durante esse tempo, fundou a paróquia Nossa Senhora do Pilar; criou 57 comunidades eclesiais rurais; instituiu a adoração Eucarística cotidiana; criou vários centros de assistência a mulheres grávidas, idosos e deficientes, como a casa de repouso para idosos Coração Imaculado de Maria; abriu uma escola para centenas de crianças: e instituiu um seminário menor.

Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano e foi nomeado diretor nacional para o Brasil. No cargo, fez várias viagens para organizar encontros de oração. Além disso, ele dedicou-se aos mais pobres, combateu o tráfico de drogas e a exploração da prostituição, o que incomodou os grupos criminosos.

Na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com alguns colaboradores, dois homens encapuzados entraram em sua casa e um deles deu-lhe um tiro na nuca. Padre Lanciotti morreu em um hospital de São Paulo aos 61 anos, em 22 de fevereiro, depois de ter perdoado os seus assassinos. Segundo o site santos do Brasil, o então bispo de Cáceres, dom José Vieira de Lima disse que Nazareno era “um mártir dos nossos dias” e determinou que o corpo do padre fosse sepultado na paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Jauru.

Segundo a polícia, os assassinos eram assaltantes que queriam dinheiro, mas Lanciotti teria dito que não tinha, mas poderia conseguir no dia seguinte, quando os bancos abrissem. E “um deles disparou contra o padre e teria cochichado em seu ouvido que ele incomodava gente poderosa", segundo UOL em 18 de abril de 2025

Em 2007, o arcebispo de Cuiabá, dom Mário Antônio da Silva iniciou o processo de beatificação do sacerdote. Em 14 de abril de 2025, o papa Francisco autorizou a beatificação do padre Nazareno Lanciotti, mártir no Brasil, segundo o Vatican News.  

No dia no anúncio da beatificação de Lanciotti, a arquidiocese de Cuiabá disse em nota que ele foi “assassinado em 2001 por causa de sua dedicação pastoral e luta contra a injustiça” visto que ele “denunciou a exploração de crianças e adolescentes, os esquemas de prostituição e tráfico de drogas na região oeste, e confrontou interesses escusos que ameaçavam a dignidade dos mais pobres”.

“Por isso, tornou-se alvo de perseguições e intimidações”, destacou a arquidiocese.

Martírio

“O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé” e “designa um testemunho que vai até à morte”, diz o nº 2473 do Catecismo da Igreja Católica.

“O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um ato de fortaleza”, ressalta o Catecismo.

Em 11 de Agosto de 2010, o papa Bento XVI disse na audiência geral, que “o martírio e a vocação ao martírio não constituem o resultado de um esforço humano, mas são a resposta a uma iniciativa e a uma chamada de Deus, são um dom da sua graça, que torna capaz de oferecer a própria vida por amor a Cristo e à Igreja, e assim ao mundo”.

“Quando lemos a vida dos mártires, ficamos admirados com a tranquilidade e a coragem com que eles enfrentaram o sofrimento e a morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na debilidade, na pobreza daquele que se confia a Ele e deposita a sua própria esperança unicamente n'Ele”, disse Bento XIV. “No entanto, é importante ressaltar o fato de que a graça de Deus não suprime nem sufoca a liberdade daqueles que enfrentam o martírio mas, ao contrário, enriquece-a e exalta-a: o mártir é uma pessoa sumamente livre, livre em relação ao poder e ao mundo; uma pessoa livre, que num único gesto definitivo entrega toda a sua vida a Deus, e num supremo gesto de fé, de esperança e de caridade, abandona-se nas mãos do seu Criador e Redentor; sacrifica a própria vida para ser associado de maneira total ao Sacrifício de Cristo na Cruz”.

“Em síntese, o martírio é um grande gesto de amor, em resposta ao amor imenso de Deus”, ressaltou.

Elementos fundamentais do martírio

Em 14 de novembro de 2024, o papa Francisco disse aos participantes do Congresso “Martírio e doação da vida”, organizado pelo Dicastério das Causas dos Santos que “no contexto das causas dos santos”, a “Igreja definiu três elementos fundamentais do martírio, que permanecem sempre válidos”.

“O mártir é um cristão que, em primeiro lugar, para não renegar a sua fé, padece conscientemente uma morte violenta e prematura. Até o cristão não batizado, que é cristão no coração, confessa Jesus Cristo através do Batismo de sangue”, disse Francisco. “Segundo: a morte é perpetrada por um perseguidor, movido pelo ódio contra a fé ou outra virtude a ela ligada; e terceiro: a vítima assume uma inesperada atitude de caridade, paciência e mansidão, à imitação de Jesus crucificado”.

“O que muda, nas várias épocas, não é o conceito de martírio, mas as formas concretas como, num determinado contexto histórico, ele se realiza”, pontuou.

Na Bula de proclamação do Jubileu da Esperança, o papa Francisco definiu “o testemunho de esperança dos mártires como o mais convincente” e “por isso, no âmbito do Dicastério para as Causas dos Santos”, ele “quis criar a Comissão dos Novos Mártires — Testemunhas da Fé, precisamente em vista do Ano Santo, que, de modo distinto da abordagem das causas de martírio, conservasse a memória de quantos, no âmbito das outras confissões cristãs, foram capazes de renunciar à própria vida para não trair o Senhor”.

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