quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

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 Cinzas da Quaresma carregam ‘o peso de um mundo em chamas’, diz o papa

O papa Leão XIV liderou ontem (18) a tradicional procissão penitencial da Quarta-feira de Cinzas no monte Aventino, em Roma, caminhando com clero e fiéis até a basílica de Santa Sabina, onde celebrou a missa que marcou o início da Quaresma.

Falando sobre o significado das cinzas tradicionalmente impostas sobre a cabeça dos fiéis, Leão XIV falou sobre uma catequese do papa são Paulo VI, de 1966, na qual ele descreveu a celebração pública do rito como uma “cerimônia penitencial severa e impressionante” e como “uma pedagogia realista”, destinada a romper com as ilusões modernas e o pessimismo generalizado que podem reduzir a vida à “metafísica do absurdo e do nada”.

“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra”, disse Leão XIV.

Ele disse que a devastação se reflete nas “cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos”, nas “cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas”, nas “cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais” e nas “cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura”.

Na mesma homilia, o papa exortou os fiéis a encararem a Quaresma como um tempo em que a Igreja se renova como uma verdadeira comunidade, mesmo que a sociedade moderna tenha mais dificuldade em se reunir em comunhão.

Leão XIV disse que o pecado nunca é só privado, pois molda e é moldado pelos ambientes reais e digitais que as pessoas habitam. “É claro que o pecado é pessoal, mas ele ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos… muitas vezes dentro de autênticas estruturas de pecado de ordem econômica, cultural, política e até religiosa”, disse ele. Contra a idolatria, disse o papa, as Escrituras chamam os cristãos a ousarem ser livres e a redescobrir a liberdade por meio de “um êxodo, de um caminho”, em vez de permanecerem “paralisados, rígidos, seguros nas nossas posições”.

O papa falou sobre o que disse ser uma atenção renovada entre os jovens ao apelo da Quarta-feira de Cinzas à prestação de contas. “São eles, os jovens, quem percebem nitidamente que é possível um modo de vida mais justo e que existem responsabilidades por tudo o que não funciona na Igreja e no mundo”, disse ele, exortando os fiéis a “começar por onde se pode e com quem está presente” e a abraçarem “o alcance missionário da Quaresma” para “as tantas pessoas inquietas e de boa vontade” que buscam uma renovação genuína.

Leão XIV falou sobre a antiga tradição romana das estações quaresmais, que começa todos os anos com Santa Sabina. "A antiga tradição romana das stationes quaresmais – da qual esta de hoje é a primeira – é educativa", disse ele. Ela aponta tanto para o movimento, como peregrinos, quanto para a pausa — statio — na memória dos mártires sobre os quais as basílicas de Roma foram construídas, disse o papa.

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