Igreja Católica do Brasil pede teto e dignidade para todos em 2026
Em entrevista à Rádio Imaculada, localizada em São Bernardo do Campo SP, Dom Manoel Ferreira dos Santos Júnior, Bispo de Registro (SP) e Referencial para a Pastoral da Moradia e Favela, detalhou os fundamentos espirituais e sociais desta iniciativa que busca enfrentar um dos maiores abismos sociais do país.
A escolha do tema não foi por acaso
O processo de preparação começou dois anos antes, com votação no Conselho Permanente da CNBB, após um diagnóstico das necessidades do povo brasileiro. Os números apresentados por Dom Manoel são alarmantes:
o Brasil possui hoje um déficit de 6 milhões de famílias que necessitam de moradia por estarem em habitações precárias ou sob o peso de aluguéis excessivos.
Além disso, outras 26 milhões de famílias vivem em condições inadequadas, em áreas de risco, sem infraestrutura básica ou sob a influência do crime organizado. O bispo destaca que a moradia é a "porta de entrada" para todos os outros direitos: sem um endereço fixo, o cidadão encontra dificuldades extremas para acessar saúde, educação, justiça e até o mercado de trabalho formal.
Espiritualidade encarnada
Questionado sobre a relação entre a Campanha e a Quaresma na Rede Imaculada de Comunicação, Dom Manoel foi enfático ao afirmar que a conversão cristã não deve ser apenas individual ou teórica, mas também social. "Mudar a nossa visão e o nosso coração diante do sofrimento das pessoas também é conversão", explicou. O lema, extraído do Evangelho de São João, recorda que o próprio Cristo experimentou a falta de teto ao nascer em uma manjedoura e, mais tarde, ao afirmar que "não tinha onde reclinar a cabeça".
A CF 2026 busca combater a "culpabilização do pobre", lembrando que a maioria da população em situação de rua ou em favelas não está lá por escolha, mas por falta de alternativas econômicas. Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas indicam que 70% da população de rua mantém atividades de trabalho, mas com renda insuficiente para custear um teto.
Ação da Igreja
A campanha propõe ações em três frentes. No âmbito eclesial, busca fortalecer a presença da Igreja nas periferias e abrir espaços paroquiais para a organização popular.
No âmbito educativo, é importante desconstruir a ideia da moradia apenas como mercadoria ou objeto de especulação; no campo da política, é importante estimular a participação de católicos em conselhos de habitação e a implementação de leis de urbanização e políticas públicas.
Sobre as críticas quanto ao destino dos recursos arrecadados na Coleta da Solidariedade (realizada no Domingo de Ramos), Dom Manoel esclareceu que o montante é destinado exclusivamente a projetos sociais ligados ao tema da campanha. Parte do valor permanece na própria diocese para que os bispos locais possam intervir em realidades habitacionais específicas de suas regiões.
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