terça-feira, 24 de março de 2026

IGREJA

 

Já imaginou a confissão em um confessionário de vidro? 


O Museu Nacional das Artes do Século XXI (MAXXI) em Roma inaugurou a exposição "1+1. A Arte Relacional", a primeira grande retrospectiva global dedicada a este influente movimento artístico. 

Aartista Alicia Framis expõe um curioso confessionário transparente com um artista que representa um sacerdote. Os visitantes da exposição podem fazer sua confissão no móvel transparente e no insólito lugar.

A Arte Relacional é uma corrente da arte contemporânea que se concentra no envolvimento direto dos espectadores e na construção de conexões interpessoais e sociais como parte integrante da obra. A obra não é um objeto estético fixo, mas uma plataforma de relações e um convite à participação ativa. A mostra ecoa o conceito de que, sem a participação das pessoas, "não há arte, mas outra coisa: objetos na sala" (Liam Gillick). O título "1+1" simboliza o artista se definindo na adição e relação viva com os outros. 

O lugar da confissão

Chama a atenção a reprodução do confessionário, móvel destinado à confissão sacramental. Nas igrejas católicas ele foi introduzido por São Carlos Borromeu por altura do Concílio de Trento, e, a partir de Milão, espalhou-se pelo mun­do católico. A sua forma foi va­rian­do, man­tendo uma grade a separar o peniten­te do confessor.  

Atualmente, o Código de Direito Canônico (964) diz que o lugar próprio para ouvir confissões é a igreja ou ora­tório e remete para que as Con­ferências Epis­copais especifiquem o confessionário. 

Transparentes com Deus

Chama a atenção esse confessionário no museu, mas a confissão já foi explorada pela arte em diversos livros e filmes. O que chama atenção para as narrativas é justamente a questão do segredo relacionado aos pecados que o fiel fala. Mas, na verdade, ao contrário, a confissão não é um momento de segredos, mas de exposição. O fiel se abre, relata seus pecados ao sacerdote, se dispõe à misericórdia de Deus. O penitente não revela segredos na confissão, mas expõe com franqueza as suas limitações. Certamente é importante o sigilo para que preservar a identidade do penitente. 

Os confessionários nas igrejas, em geral, são em lugares reservados e discretos. Nos filmes, já aparecem como lugares escuros e secretos. Nos filmes as confissões são sussurradas, com pouca iluminação e um clima de segredo ou mistério. Mas, talvez, a imagem que mais esteja de acordo com o Sacramento da Penitência seja do confessionário de vidro do que um lugar escuro e misterioso. A confissão é transparência com Deus, é abertura do coração, é um momento luminoso na vida do fiel.

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