Já imaginou a confissão em um confessionário de vidro?
Aartista Alicia Framis expõe um curioso confessionário transparente com um artista que representa um sacerdote. Os visitantes da exposição podem fazer sua confissão no móvel transparente e no insólito lugar.
A Arte Relacional é uma corrente da arte contemporânea que se concentra no envolvimento direto dos espectadores e na construção de conexões interpessoais e sociais como parte integrante da obra. A obra não é um objeto estético fixo, mas uma plataforma de relações e um convite à participação ativa. A mostra ecoa o conceito de que, sem a participação das pessoas, "não há arte, mas outra coisa: objetos na sala" (Liam Gillick). O título "1+1" simboliza o artista se definindo na adição e relação viva com os outros.
O lugar da confissão
Chama a atenção a reprodução do confessionário, móvel destinado à confissão sacramental. Nas igrejas católicas ele foi introduzido por São Carlos Borromeu por altura do Concílio de Trento, e, a partir de Milão, espalhou-se pelo mundo católico. A sua forma foi variando, mantendo uma grade a separar o penitente do confessor.
Atualmente, o Código de Direito Canônico (964) diz que o lugar próprio para ouvir confissões é a igreja ou oratório e remete para que as Conferências Episcopais especifiquem o confessionário.
Transparentes com Deus
Chama a atenção esse confessionário no museu, mas a confissão já foi explorada pela arte em diversos livros e filmes. O que chama atenção para as narrativas é justamente a questão do segredo relacionado aos pecados que o fiel fala. Mas, na verdade, ao contrário, a confissão não é um momento de segredos, mas de exposição. O fiel se abre, relata seus pecados ao sacerdote, se dispõe à misericórdia de Deus. O penitente não revela segredos na confissão, mas expõe com franqueza as suas limitações. Certamente é importante o sigilo para que preservar a identidade do penitente.
Os confessionários nas igrejas, em geral, são em lugares reservados e discretos. Nos filmes, já aparecem como lugares escuros e secretos. Nos filmes as confissões são sussurradas, com pouca iluminação e um clima de segredo ou mistério. Mas, talvez, a imagem que mais esteja de acordo com o Sacramento da Penitência seja do confessionário de vidro do que um lugar escuro e misterioso. A confissão é transparência com Deus, é abertura do coração, é um momento luminoso na vida do fiel.
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