Síndrome do sucesso vazio: o paradoxo do êxito no trabalho
No papel, tudo vai bem: trabalho, família, reconhecimento. No entanto, um mal-estar pode surgir, como se o sucesso não fosse mais suficiente para tranquilizar plenamente. É o que alguns chamam de "síndrome do sucesso vazio": atingir todos os critérios de sucesso social e, ao mesmo tempo, deparar-se com um vazio interior ou uma insatisfação difusaer tido sucesso na vida nem sempre impede um sentimento vago de insatisfação. Alguns descrevem até uma forma de vazio, difícil de explicar quando nada parece faltar. "Passei dez anos estudando medicina, tenho uma profissão que escolhi e que tem sentido... e, no entanto, às vezes me pergunto por que não me sinto simplesmente feliz", confessa Anne, de 39 anos, clínica geral. Durante muito tempo, ela pensou que tudo ficaria melhor assim que alcançasse a estabilidade no trabalho. Mas hoje, apesar de uma vida familiar equilibrada e de uma carreira sólida, ela reconhece sentir, às vezes, um cansaço interior mais profundo: a estranha impressão de ter chegado onde queria... sem que isso lhe trouxesse a serenidade esperada.
Este paradoxo contemporâneo foi amplamente estudado pelo sociólogo Alain Ehrenberg, diretor de pesquisa emérito do CNRS, que trabalha há várias décadas sobre as transformações do indivíduo moderno e da saúde mental. Em sua obra L’Enfant qui inquiète (O filho que preocupa, Ed. Odile Jacob), ele mostra como nossas sociedades deslocaram o conflito psíquico. Enquanto as gerações anteriores lutavam principalmente com a questão do proibido — o que era permitido ou não fazer —, o indivíduo contemporâneo confronta-se com outra pressão: a da capacidade. A questão central não é mais "o que me é permitido fazer?", mas "do que sou capaz?". Nesse contexto, a lacuna entre o que se é e o que se acredita que deveria ser pode se tornar uma fonte de esgotamento. É essa mudança que Ehrenberg resumiu na expressão que se tornou célebre: a "fadiga de ser si mesmo".
Uma sociedade de trabalho e autonomia
Para muitos, essa pressão permanece invisível, mas real. Sophie, de 38 anos, relata esse sentimento com certa surpresa. "Quando eu era mais jovem, pensava que, uma vez superadas certas etapas — uma profissão, uma família —, eu me sentiria finalmente tranquila. Mas, na realidade, há sempre a impressão de que é preciso continuar provando algo, demonstrando o próprio valor." Ela descreve uma forma de exigência interior permanente: progredir, estar à altura, não decepcionar. Em sociedades que valorizam fortemente a autonomia, cada um é convidado a construir-se por si mesmo. O indivíduo não é apenas livre para ser autônomo: espera-se que ele o seja.
Nesse contexto, a saúde mental torna-se um lugar onde se expressam as tensões da nossa época. Ela é, ao mesmo tempo, uma questão central de saúde pública e uma linguagem pela qual formulamos nossas inquietações contemporâneas. Os transtornos psíquicos não são apenas realidades clínicas: eles também dizem algo sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade. Nas sociedades individualistas, a exigência não é mais apenas ter um lugar, mas ser permanentemente capaz de justificá-lo e defendê-lo. O sentimento de vazio experimentado por algumas pessoas socialmente bem-sucedidas aparece, então, menos como uma contradição e mais como o avesso de um modelo centrado no desempenho individual. Devolver um lugar à vulnerabilidade, não como um fracasso, mas como uma dimensão normal da existência, pode muito bem ser um dos desafios do nosso tempo.
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