Padres do futuro: Quais os desafios da formação presbiteral?
As comunidades católicas têm muita satisfação em celebrar as ordenações sacerdotais. É o início de um serviço à Igreja e o fim de um longo processo formativo. Atualmente, no Brasil, do ingresso no seminário à ordenação sacerdotal um jovem leva, pelo em média 8 anos, talvez uma década de preparação. Sendo assim, os jovens que começaram o processo formativo neste ano não serão ordenados padres antes de 2032. Parece distante, mas já está aí, já se está construindo esse caminho.
Fernando Altemeyer Junior, teólogo e chefe do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP, lança luz sobre o perfil do presbítero que a Igreja precisa formar nos próximos anos, em um artigo publicado pela revista Vida Pastoral. Segundo Altemeyer Junior, a mudança é urgente, pois o padre não pode ser comparado a um "profissional da religião, comparável a médicos ou advogados", e menos ainda um "administrador de coisas sagradas ou um homem de convenções legais e senhor feudal de sua paróquia".
Perfil dos padres
A chave para a renovação, segundo Altemeyer Junior, reside no retorno ao espírito do Concílio Vaticano II. O "novo padre" é, primeiramente, o "servo da Palavra de Deus". Ele deve ter um "coração imenso e não um empedrado coração de funcionário que manipula rubricas", afirma Altemeyer Junior.
Essa figura ministerial deve ser multifacetada e profundamente engajada com a realidade:
- Profeta e Pregador: O foco principal é a evangelização. Os novos presbíteros são, em primeiro lugar, "evangelizadores".
- Amigo dos Pobres: Um sacerdote sem a "magia" do antigo modelo, mas com o testemunho de vida e a caridade como virtudes centrais.
- Pessoa Eucarística e Mística: Sua força e reanimação vêm da fé e da força do Espírito Santo, vivendo a Eucaristia "com o povo de Deus e como Igreja".
- Homem de Diálogo: Deve ser profundamente ecumênico, com "ampla cultura e mente aberta", propondo "amor e diálogo a todos", e sem "impor medo aos seus paroquianos e menos ainda aos não-cristãos", segundo as palavras de Altemeyer Junior.
O professor da PUC-SP reforça que o bom padre de hoje não é o que "sabe tudo ou pode tudo", mas sim aquele que é "atento, terno, compassivo, acolhedor, disponível, quase um mendigo a pedir esmolas e sempre pronto a repartir".
Contra o isolamento
Ainda conforme o artigo, a vida em comunidade é essencial. O padre do futuro deve viver como "membro do colegiado diocesano unidos ao bispo e ao povo. Não pode haver padre solitário e isolado".
A maior aspiração para essa nova geração é a proximidade com o rebanho. Altemeyer Em um cenário onde o Brasil conta com mais de 22 mil presbíteros e 8 mil seminaristas maiores se preparando para a ordenação, a necessidade de modelos "críveis de dedicação generosa a Deus e aos irmãos" é o maior desafio.
O futuro do clero, para Altemeyer Junior, está em um sacerdócio que segue o "jeito de Jesus": pastores humildes, companheiros e dispostos a "dar razão da esperança, a quem lhes pedir".
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