quinta-feira, 9 de abril de 2026

IGREJA

 

O que fazer quando um adolescente corre muitos riscos?


<em>Entre a busca por emoções fortes, a pressão do grupo e a necessidade de autonomia, a adolescência é um período em que os limites são frequentemente postas à prova. Como estabelecer uma estrutura segura sem sufocar seu filho ou romper seu relacionamento com ele?</em>

Excesso de velocidade de scooter, desafios nas redes sociais, mentiras para ir à noite, primeiros cigarros "para ver"... Na adolescência, alguns comportamentos fazem os pais suarem frio. Como reagir sem romper seu relacionamento com seu filho?

Solange d'Regel, mediadora para casais e famílias, coach parental e educadora em vida emocional, lembra primeiro uma evidência muitas vezes esquecida: a adolescência é um período de grande transformação. "O cérebro só atinge sua maturidade total por tor tão de 20 a 25 anos. As funções relacionadas à antecipação, planejamento e controle de impulsos ainda estão em construção", diz ela, acrescentando que "a puberdade também perturba o corpo e intensifica as emoções". Resultado: as decisões de um adolescente são mais frequentemente guiadas por seus sentimentos imediatos do que por uma reflexão posiada.

Além disso, há uma necessidade extremamente forte de pertencimento. "O olhar dos outros será importante e influenciará muito o adolescente". É por isso que, como Solange, de Regel, aponta, "um adolescente sozinho nem sempre age da mesma maneira que quando está em grupo". Sob o efeito da dinâmica coletiva, a assunção de riscos pode, portanto, aumentar. Testar os limites também faz parte do processo: trata-se de verificar o quadro transmitido pelos pais, afastar-se um pouco dele para melhor construir sua própria identidade.

A co-construção de um quadro

Hélène, mãe de Lucas, de 15 anos, diz que viveu essa mudança como um rompimento. "Criança, ele era cauteloso. E então, de repente, ele começou a andar de skate sem proteção, a seguir amigos que estavam secando as aulas", ela suspira. Diante de correr riscos, alguns pais apertam brutalmente as regras. Outros, desanimados, se soltam. É o caso de Pauline, que propôs a sua filha Louise fumar seu primeiro cigarro com ela em vez de com amigos.

No entanto, a questão não é escolher entre autoridade rígida e permissividade total. "O quadro continua essencial", explica Solange d'Regel, especificando que os três pilares para ter uma boa aliança educacional com seu filho adolescente são precisamente um ambiente firme e seguro; reconhecimento porque o adolescente precisa ser valorizado porque vive um período em que a autoestima é enfraquecida, e então, o terceiro pilar é a co-construção. "Este último pilar é frequentemente esquecido pelos pais, mas é muito importante", insiste o especialista, propondo associar o adolescente ao desenvolvimento de regras. "Isso muda profundamente a dinâmica. Ele não sofre mais o quadro, mas participa de sua construção".

O desafio é fazer com que o jovem pense sobre as consequências!

Quando um adolescente pega o ônibus sozinho pela primeira vez, não se trata apenas de dizer sim ou não. Trata-se de antecipar juntos: quanto tempo dura a viagem, o que fazer em caso de atraso, quem avisar em caso de problema. "A liberdade é real, mas é pensada e enquadrada", observa Solange d'Regel. Da mesma forma, uma viagem à praia ou uma noite com amigos pode ser permitida desde que os horários, as pessoas presentes, a conduta a serem tomadas se o programa mudar. Foi o que Georges fez com seu filho Paul de 16 anos: "Constroímos nosso relacionamento sobre a confiança mútua. Quando ele sai, eu sei com quem ele está e juntos estabelecemos um toque de recolher que é adequado para todos. Se os planos de seus amigos mudam como quando eles foram ao parque de diversões e finalmente decidiram ir para a casa de um amigo, ele me liga para me avisar. Não escondemos nada um do ouno! Se ele não se sentir confortável em uma festa, ele me manda uma mensagem e eu vou buscá-lo, sem envergonhá-lo na frente de seus amigos, é claro."

Este trabalho de antecipação responde a duas necessidades diferentes: tranquilizar o pai e permitir que o adolescente tenha uma certa autonomia. "Os pais buscam segurança acima de tudo e, portanto, precisarão ser informados de tudo, enquanto o adolescente está procurando pertencer, ele precisa e quer se divertir. Se não verbalizarmos suas necessidades e sentimentos com ele, ele não entenderá as regras que lhe são impostas e terá a impressão de que o pai está lá para incomodá-lo. É por isso que a co-construção é tão importante!", explica Solange d'Regel. Assim, quando essas necessidades são expressas claramente, a regra não aparece mais como uma restrição arbitrária, mas como um compromisso.

Transformar a "situação de bomba" em "situação de presente"

Geoffroy, pai de Claire, de 17 anos, lembra da noite em que descobriu que sua filha não estava na casa de sua amiga planejada, mas em uma festa. "Eu explodi. Para mim, era uma mentira inaceitável." A penalidade caiu imediatamente: não há mais saídas por seis meses! Para X, essas situações devem ser oportunidades valiosas para conversar com seu filho adolescente. "Maëlle Challan Belval fala sobre uma questão de bomba que é transformada em uma questão de presente, eu transformo isso, situação de bomba, em uma situação de presente. Uma estupidez pode se tornar uma alavanca de aprendizado se for acompanhada de um diálogo", ela sorri, convidando os pais a questionar a criança sobre seus sentimentos e pensamentos no momento da transgressão das regras. Segundo o especialista, a sanção deve ocorrer somente após essa fase de compreensão. Sem isso, o risco é de estragar seu relacionamento com seu filho adolescente.

mom makes peace with daughter

A adolescência também é a idade das primeiras experiências, especialmente em torno de drogas e álcool, embora os números recentes mostrem uma evolução bastante encorajadora. De acordo com a última pesquisa do Observatório Francês de Drogas e Tendências Deduciantes (OFDT), publicada em 25 de fevereiro, 7,7% dos alunos do ensino fundamental e 30,6% dos alunos do ensino médio dizem que já fumaram, mas o tabagismo diário afeta apenas 0,9% dos alunos do ensino fundamental e 5,6% dos alunos do ensino médio. A experimentação com cannabis também está em declínio, cerca de 16% dos adolescentes entrevistados. O álcool, por outro lado, continua sendo amplamente utilizado: cerca de um em cada dois estudantes do ensino médio e quase sete em cada dez alunos do ensino médio dizem que já o consumiram. Embora esses dados mostrem que algumas condutas de risco estão diminuindo, elas permanecem presentes e merecem ser abordadas pelos pais. "O desafio é fazer com que o jovem pense sobre as consequências", diz Solange d'Regel, que acrescenta que essa reflexão também se aplica às questões de consentimento. "O consentimento livre e esclarecido pressupõe a ausência de pressão e uma consciência clara das consequências de suas ações", diz ela. Fatos diversos ou notícias também podem servir como um ponto de apoio para abrir essas discussões sem visar diretamente seu próprio filho. "Falar de uma situação externa às vezes permite abordar assuntos sensíveis com mais serenidade", diz Solange d'Regel.

Nem todas as condutas arriscadas são alarmantes. Eles até participam da construção da autonomia. Por outro lado, quando o perigo é repetido, comportamentos viciantes se instalam, o isolamento aumenta ou o humor muda abruptamente, é importante consultar um especialista.

Assim, assumir riscos faz parte do caminho para a idade adulta. Permite diferenciar, explorar, aprender. O papel do pai não é, portanto, suprimir qualquer perigo, mas acompanhar, conter e, acima de tudo, dialogar com seu filho adolescente. Ouvir não significa ceder, assim como estabelecer limites não significa quebrar a confiança. É neste equilíbrio, às vezes frágil mas essencial, que se constrói gradualmente uma autonomia sólida e responsável.

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