Mateus, gagueira e divórcio dos pais. Seu testemunho: “Não me esqueço do que Deus fez por mim”.
Matej Vukina, de 21 anos, leva uma vida marcada por intensidade e diversidade de interesses. Voluntário em Dotiku Duhae ativo na juventude salesiana, ele também assume um papel de liderança em sua paróquia natal, em Liubliana, onde coordena os animadores ao longo do ano e participa do coral juvenil. Paralelamente, desde 2021 dedica-se a treinar jovens no salto de esqui, área na qual concluiu sua formação, enquanto cursa treinamento esportivo na Faculdade de Esportes. Seu objetivo é, no futuro, fundar um centro de cinesiologia. Em conversa com a Aleteia, ele falou sobre fé, família, desafios pessoais e vocação.
Na infância, sua relação com a fé era distante. As aulas de religião não despertavam interesse, e ir à missa aos domingos parecia mais uma obrigação do que uma escolha. Essa perspectiva começou a mudar quando conheceu os animadores do oratório, que apresentavam a fé de forma viva e concreta, ligada ao serviço ao próximo. Foi ali que ele passou a entender a espiritualidade como algo que se pratica no cotidiano.

Um momento marcante aconteceu em 2019, durante um encontro em Liubliana, quando o músico Martin Smith falou a jovens sobre sua missão de evangelizar através da música. Aquela mensagem o impactou profundamente e ampliou sua visão de fé como celebração e entrega. Entre suas referências espirituais, Matej destaca também Jó, pela fidelidade em meio às dificuldades, além de Dom Bosco e Santo Inácio de Loyola, que o inspiram na vivência com os jovens e na vida de oração.
Em casa, a fé foi apresentada de forma simples. Havia orações antes das refeições, mas sem grande aprofundamento espiritual. Foi na paróquia, influenciado pelo irmão mais velho, que encontrou um ambiente propício para desenvolver sua fé de maneira mais pessoal e consciente.
Entre as experiências que fortaleceram sua espiritualidade, ele relata um episódio que considera quase milagroso. Após abandonar o salto de esqui, passou a sofrer com fortes dores nos joelhos. Durante uma viagem com um grupo de jovens a uma região montanhosa, decidiu participar de uma caminhada exigente, mesmo com limitações físicas. Para sua surpresa, completou o percurso sem dor e, a partir daquele momento, passou a sentir uma melhora significativa. Para ele, essa experiência reforçou sua confiança em Deus e permanece como um sinal concreto em sua vida.
A história familiar também teve grande impacto em sua formação. O divórcio dos pais foi precedido por anos de tensão, e, ainda jovem, ele já percebia a ausência de harmonia em casa. Apesar disso, não se sentiu culpado pela separação — ao contrário, encarou-a como um alívio diante da instabilidade que vivia. Com o tempo, ressignificou a relação com o pai e encontrou em Deus uma referência mais profunda de paternidade, sem deixar de reconhecer o papel do pai biológico em sua vida.
Hoje, o relacionamento com ambos os pais é mais maduro, ainda que limitado pela rotina intensa. Ele reconhece os esforços do pai para mudar e valoriza o crescimento que toda a família experimentou após o divórcio.

Como você está construindo seu relacionamento com seus pais atualmente?
O principal meio de comunicação é o telefone. É uma pena que o dia só tenha 24 horas. Estou muito ocupado "em todos os lugares" e muitas vezes não tenho tempo para ligar para meus pais. Toda vez que meu pai me liga, de alguma forma não é uma boa hora. Gostaria de apoiá-lo mais, porque ele percebe o que estava errado antes e está tentando melhorar.
Eu disse a ele o que eu não gostava, e a questão é: ele teria dado esse passo se o divórcio não tivesse acontecido? Com todas as consequências do divórcio, sou grata porque sinto que isso transformou todos na família em pessoas melhores

Outro desafio importante em sua trajetória é a gagueira. Em vez de encará-la apenas como um obstáculo, Matej a vê como parte de sua missão. Ele acredita que, por meio dessa limitação, pode testemunhar algo maior. Curiosamente, relata que não gagueja ao narrar competições de salto de esqui — algo que começou como brincadeira e se tornou uma atividade real. Para ele, isso mostra que ainda há muito a descobrir sobre si mesmo.
Mesmo com tantas atividades — música, esportes, estudos e voluntariado — ele mantém uma rotina organizada baseada em disponibilidade e confiança. Costuma aceitar os desafios que surgem e acredita que o tempo se multiplica quando é bem utilizado. Sua motivação principal está no contato com as pessoas e no desejo de proporcionar a elas uma experiência significativa de encontro com Deus.
No centro de tudo, permanece uma convicção simples: fazer o bem e viver a fé de forma concreta é o que dá sentido à sua vida.
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