sexta-feira, 19 de junho de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

5 falsos mitos sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus. Todos os dias rezamos a ladainha e contemplamos o seu amor por nós. Mas será que temos certeza de que compreendemos bem essa devoção?

"Ilumina-nos agora um tempo feliz, ó Jesus amado, o mês de junho, chamado mês do teu Coração", cantamos. Você compreende bem a devoção ao Coração de Jesus? Aqui estão cinco mitos sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

1VENERAMOS O ÓRGÃO FÍSICO DE JESUS

Parece que a devoção ao Coração consiste em rezar ao… coração, como órgão do corpo de Jesus. Afinal de contas, pedimos: "Coração de Jesus, tende piedade de nós". A Igreja não presta culto ao simples músculo cardíaco! Longe disso! A Igreja inclusive proibiu a criação de imagens do coração transpassado por uma lança ou cercado por uma coroa de espinhos sem a figura visível de Jesus.

O coração é o símbolo da essência mais profunda do Salvador e do seu amor por nós, pelo qual Ele entregou a sua vida por nós. Desse modo, a devoção ao Coração de Jesus expressa a essência mais profunda do cristianismo.

Na encíclica Haurietis aquas de Pio XII, lemos:

"O Coração do nosso Redentor é, portanto, imagem da Pessoa Divina do Verbo e de sua dupla natureza — divina e humana. Por isso, deve-se ver Nele não apenas um símbolo, mas como um resumo de todo o mistério de nossa redenção. Quando veneramos o Sagrado Corazón de Jesus, nele e através dele veneramos tanto o amor incriado do Verbo de Deus quanto o seu amor humano, junto com todos os seus sentimentos e virtudes".

2ESTA DEVOÇÃO SURGIU APENAS APÓS AS APARIÇÕES A SANTA MARGARIDA MARIA

Jesus apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque no século XVII, em Paray-le-Monial, e lhe deu a forma mais famosa de devoção ao Sagrado Coração: as Primeiras Sextas-feiras. No entanto, o Sagrado Coração já era venerado muito antes.

Já no Evangelho de João aparece a cena da ferida no lado de Cristo, da qual brotam sangue e água. Os Padres da Igreja contemplaram o Coração transpassado e refletiram sobre os tesouros da Igreja que dele emanam: o batismo e a Eucaristia.

Na Idade Média, desenvolveu-se a devoção pela Paixão do Senhor, bem como pelas diferentes chagas de Jesus. Prestava-se atenção especial ao seu Coração transpassado: sinal de seu amor pelo homem.

As aparições em Paray-le-Monial foram para a Igreja um sinal dos tempos, já que naquela época reinava o rigorismo na espiritualidade. A lembrança do Coração amoroso de Deus foi um bálsamo para os fiéis atemorizados.

3ESTA DEVOÇÃO RELIGIOSA É APENAS PARA PESSOAS IDOSAS

Em muitos países, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é associada às devoções de junho, às imagens antigas ou às práticas de gerações passadas.

No entanto, a sua essência é muito atual: trata-se de responder ao amor de Deus e de aprender com Jesus a mansidão, a misericórdia e a compaixão. Esta mensagem não sai de moda, independentemente da época.

Por isso, também os papas contemporâneos — João Paulo II, Francisco ou Leão — recordam o Coração de Jesus. Sobre este tema, Francisco escreveu a encíclica Dilexit Nos, e Leão XIV completou a sua segunda parte: a exortação Dilexi te.

4AS PRIMEIRAS SEXTAS-FEIRAS GARANTEM A SALVAÇÃO

Este é um dos mitos mais perigosos.

Alguns consideram a prática das nove Primeiras Sextas-feiras como uma espécie de "apólice de seguro para o céu" automática. No entanto, a Igreja nunca ensinou que o mero fato de se confessar e comungar mecanicamente um determinado número de vezes garanta a salvação.

Esta prática deve ser compreendida em seu contexto original. Era uma época de rigor, na qual as pessoas, movidas pelo medo e pelo sentimento de indignidade, confessavam-se e comungavam apenas uma vez por ano. Jesus simplesmente deseja habitar no coração das pessoas com mais frequência!

A essência desta prática reside na conversão, em viver na graça santificante e em aprofundar a relação com Cristo. As promessas associadas às Primeiras Sextas-feiras devem ser compreendidas no contexto da fé, que consiste em construir um vínculo com Jesus, não no efeito mágico de práticas religiosas.

5O CULTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS DESVIA A ATENÇÃO DE DEUS PAI E DO ESPÍRITO SANTO

Algumas pessoas acreditam que centrar-se no Coração de Jesus leva a limitar a fé a uma única Pessoa da Santíssima Trindade.

Na verdade, ocorre exatamente o contrário. Toda piedade cristã autêntica conduz a uma participação mais plena na vida da Santíssima Trindade. O amor revelado no Coração de Cristo é, em última análise, o amor do próprio Deus. Ao contemplar o Coração de Jesus, os fiéis descobrem o amor do Pai e a ação do Espírito Santo.

Pio XII escreve na encíclica:

"Esta adoração, em sua essência, não é outra coisa senão a adoração do amor divino e humano do Verbo Encarnado, bem como a adoração do amor que o Pai Celestial e o Espírito Santo têm pela humanidade pecadora. Porque, como enseña o Doutor Angélico, o amor da Santíssima Trindade é o princípio da redenção humana".

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