quarta-feira, 22 de julho de 2026

IGREJA

 Papa cita Bob Dylan para criticar corrida armamentista ‘que assusta e aterroriza hoje’

O papa Leão XIV citou Bob Dylan para criticar a corrida armamentista "que assusta e aterroriza hoje".

“Como escreveu o cantor, compositor e poeta Bob Dylan, dirigindo-se figurativamente à bomba atômica, num de seus poemas: Eu te odeio porque o homem te criou, e o homem te tem e te controla”, escreve o papa, citando a canção Go Away You Bomb (1963).

A referência consta de um texto inédito incluído no livro Desarmada e Desarmante: A Paz é uma Dádiva, publicado hoje (21), por enquanto só em italiano, pela Livraria Editorial do Vaticano (LEV). Essa é a primeira antologia a reunir várias falas do papa sobre o tema da paz desde a sua eleição em 8 de maio do ano passado, e insere esta reflexão como introdução.Leão XIV diz que a paz é o grande anseio que move muitos corações, mas diz que ela também é “frequentemente ameaçada, pisoteada e ridicularizada”. Ele diz também que “hoje, nada menos que 103 Estados estão envolvidos de algum modo numa guerra na Terra”, referindo-se ao Índice Global da Paz 2026.

“As armas estão rugindo e matando na Ucrânia, no Oriente Médio, no Sudão, em Mianmar, no Iêmen, no Congo e em muitas outras situações”, diz ele em texto publicado pelo Vatican News, serviço de informações da Santa Sé.

Desarmamento, um caminho para a paz“Na era atômica, a verdade deve prevalecer: não são as armas atômicas que geram a paz, mas sim o desarmamento”, diz o papa.

Ele também lamenta que "essa verdade, que parecia indiscutível nas últimas décadas — nas quais testemunhamos uma desescalada nuclear —, tenha sido manchada por uma corrida armamentista que hoje assusta e aterroriza".

O papa também levanta uma questão que, segundo ele, a Igreja dirige humildemente a toda a humanidade: “Deve a espécie humana continuar habitando a Terra? A combinação da dominação cibernética com o rearme global leva-nos a considerar seriamente essa questão”.“Na era atômica, a verdade deve prevalecer: não são as armas atômicas que geram a paz, mas sim o desarmamento”, diz o papa.

Ele também lamenta que "essa verdade, que parecia indiscutível nas últimas décadas — nas quais testemunhamos uma desescalada nuclear —, tenha sido manchada por uma corrida armamentista que hoje assusta e aterroriza".

O papa também levanta uma questão que, segundo ele, a Igreja dirige humildemente a toda a humanidade: “Deve a espécie humana continuar habitando a Terra? A combinação da dominação cibernética com o rearme global leva-nos a considerar seriamente essa questão”.“Na era atômica, a verdade deve prevalecer: não são as armas atômicas que geram a paz, mas sim o desarmamento”, diz o papa.

Ele também lamenta que "essa verdade, que parecia indiscutível nas últimas décadas — nas quais testemunhamos uma desescalada nuclear —, tenha sido manchada por uma corrida armamentista que hoje assusta e aterroriza".


Em outra passagem do texto, Leão XIV cita Floribert Bwana Chui, congolês de 26 anos e membro da Comunidade de Santo Egídio, que foi assassinado em 2007 por se recusar a aceitar um suborno que permitiria a entrada de arroz estragado na cidade de Goma, na República Democrática do Congo. Ele foi beatificado em junho do ano passado.

O texto também menciona os servos de Deus Giorgio La Pira e Dorothy Day, dois proeminentes ativistas católicos do século XX, unidos por seu compromisso com a paz e a justiça social.

“Eles são emblemáticos de tantos homens e mulheres que, em primeira pessoa, promoveram a paz, vencendo a tentação da corrupção, ajudando os pobres e fomentando a diplomacia”, disse o papa.

Ele diz também que a paz também está presente em "protagonistas desconhecidos que seguiram sua própria consciência".

“Já aconteceu na história de estarmos à beira de uma catástrofe nuclear”, diz o papa, antes de falar sobre o caso do oficial soviético Stanislav Petrov, cuja decisão ajudou a evitar uma possível guerra nuclear global em 26 de setembro de 1983.

“Os radares do bunker próximo a Moscou, onde Petrov estava de guarda, detectaram o lançamento de vários mísseis balísticos intercontinentais dos EUA com destino à União Soviética. Mas, foi um erro no sistema soviético de rastreamento por satélite”, diz ele.

“Petrov, desobedecendo ordens, decidiu não denunciar o suposto ataque: uma decisão tomada com a consciência de quem sabia que esse simples gesto poderia ter causado milhões de mortes”, escreve o papa.

“Um mundo em que máquinas, por mais sofisticadas e rápidas que sejam, decidam bombardear pessoas indefesas seria verdadeiramente aterrador”, diz ele.

Leão XIV diz: "A consciência de um único homem pode valer tanto quanto o mundo inteiro". A paz, diz ele, precisa de esperança.

“A Igreja continuará pregando a caridade para com todos os homens e mulheres. Se há algo que o mundo busca hoje, creio que seja uma mensagem de esperança para o futuro”, escreve o papa.

Assim, ele exorta as pessoas a olhar para o amanhã “com esperança, tendo encontrado na mensagem de Jesus a única fonte”.

“A essência do ensinamento de Cristo é essa: a caridade, o amor, dar a vida pelos outros vencem a morte, o isolamento e a violência: Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10,10)”, diz Leão XIV.

Por fim, ele dirige uma mensagem àqueles que correm o risco de cair no desespero diante das várias guerras travadas no mundo, citando o convite que o papa Pio XI fez a toda a Igreja: “Demos graças a Deus por nos fazer viver em tempos difíceis. Agora, ninguém tem permissão para ser medíocre”.

O papa conclui desejando que Deus “nos guie pelos caminhos da não-violência” e “que os fiéis e as pessoas de boa vontade jamais deixem de agir como pacificadores”.

“Que cada um de nós faça da paz a causa de nossas vidas”, conclui

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