Crescer também é carregar o luto dos sonhos que ficaram pelo caminho.
Ficaram pelo caminho. E crescer, muitas vezes, é aprender a carregar esse luto sem deixar que ele se transforme em amargura.
O vazio que se instala depois de um sonho não cumprido pode ser profundo. A solidão também. Porque, no fundo, não se perde apenas um desejo: perde-se uma versão de si mesmo que acreditava naquela possibilidade. E nesses momentos é fácil acreditar que algo essencial foi desperdiçado.
Mas nem sempre os nossos sonhos são a vontade de Deus.
Às vezes o que tanto desejamos era apenas o que conseguíamos enxergar naquele momento — limitado, humano, incompleto. Deus, porém, enxerga mais longe. E com frequência guarda algo maior do que somos capazes de imaginar enquanto ainda estamos presos à imagem antiga do que seria a felicidade.
Os sonhos não realizados não estão perdidos. São, muitas vezes, apenas o primeiro degrau. A preparação silenciosa para que algo mais verdadeiro, mais alinhado e mais generoso possa se realizar.
A esperança, então, não é insistir no que já se foi. É confiar que o vazio deixado pelo sonho antigo pode se tornar espaço para uma vida que ainda não conhecemos. É acreditar que a espera não é abandono, mas gestação.
Nesses períodos de espera — quando o coração ainda dói e o futuro parece incerto —, a psicoterapia pode ajudar a atravessar o luto dos sonhos com mais leveza, a distinguir entre o que precisa ser solto e o que ainda merece ser cultivado, e a manter a esperança viva sem que ela se transforme em ilusão ou em negação da dor.
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