Sinal da Cruz: gesto de um segundo que define toda a sua vida
Costumo cometer um certo erro com bastante frequência. Aos domingos, quando entro na igreja, distraio-me facilmente com os preparativos finais para a Missa. Faço o sinal da cruz com a água benta e, em poucos segundos (ou até mesmo enquanto o faço!), não tenho nenhuma lembrança real ou consciência de tê-lo feito. Ai! Quando admito essa falha para os outros, eles costumam confessar o mesmo.
Sendo assim, consideremos o significado mais profundo do Sinal da Cruz. Talvez ele possa ser mais do que um hábito. Talvez possa ser uma virtude.
Desde a Igreja primitiva
A Bíblia não faz menção ao gesto de fazer o Sinal da Cruz. Em vez disso, ela nos oferece muitos lembretes sobre a importância da Cruz. Os quatro Evangelhos às vezes são descritos como relatos da Paixão precedidos por longas introduções. O Apóstolo Paulo fala sobre pregar a Cristo crucificado (1 Coríntios 1,23; 2,2). Os primeiros cristãos sabiam muito bem a importância da Cruz — que a vida de Jesus não era sobre Si mesmo (Gálatas 6,14).
Por volta do ano 200 d.C., quando Tertuliano (um teólogo e escritor cristão primitivo no Norte da África) escreveu uma defesa do direito de um soldado à sua identidade cristã, ele se referiu ao Sinal da Cruz na testa como um costume bem estabelecido e inquestionável. Ao fazer isso, ele o apresenta como uma prática cristã universal e profundamente enraizada, que provavelmente começou como uma devoção mais pessoal já no final do primeiro século.
Pense em como o beijo de uma mãe reforça as suas palavras: "Eu te amo". De forma semelhante, os cristãos encontraram um gesto simples para se lembrarem da pregação apostólica sobre a Cruz, que depois se espalhou por todo o Império Romano. Sabemos também que, 100 anos após Tertuliano, ele se tornou um gesto mais amplo: cabeça-corpo-ombros.
Marcados por uma lealdade diferente
Os primeiros cristãos de língua grega falavam do Sinal da Cruz como um sphragis, que significa selo. Os soldados romanos eram tatuados com um sphragis como um sinal permanente de sua lealdade ao seu general ou imperador. Pense nisso como algo semelhante ao selo de cera em um certificado ou na parte de trás de um envelope. O selo tatuado era um sinal da lealdade e do estilo de vida do soldado, respaldado por uma autoridade real.
No entanto, os cristãos diziam que deviam lealdade a Jesus, e o seu selo (o seu sphragis) era a Cruz de Jesus. Em vez de uma tatuagem, eles a traçavam na testa e, com o tempo, no sinal mais amplo de cabeça-corpo-ombros. Esse sphragis cristão se opunha ao sphragis do soldado, dizendo na prática: "Vocês usaram a cruz para dar a morte a Jesus e para nos aterrorizar a fim de nos submetermos à sua autoridade, mas nós não temos medo de vocês".
Em vez do sinal tatuado e permanente do império que os cercava, os cristãos escolheram um sinal de sua fé e estilo de vida respaldado por uma autoridade diferente.
A vida não é sobre si mesmo!
Certa vez, houve uma tirinha na revista New Yorker na qual um homem em uma cafeteria dizia ao amigo: "Já tentei muitas estratégias de vida, e ser completamente egoísta é o que funciona melhor para mim". Quando olhamos para Jesus na Cruz, não o vemos agindo por interesse próprio, mas sim servindo a nós. A vida dele não é sobre Si mesmo.
E quando entramos em uma igreja e nos benzemos com o Sinal da Cruz usando a água benta de nossos batismos, lembramos a nós mesmos não apenas que fomos batizados, mas que somos batizados com Jesus como nossa estratégia de vida, descobrindo que nossa vida não é sobre nós mesmos.
A Vigília Pascal é o momento habitual em que batizamos adultos. No entanto, eles começam oficialmente sua preparação muitos meses antes, em uma Liturgia dominical, quando os fazemos ficar de pé com seus padrinhos em meio à comunidade paroquial. Seus padrinhos traçam a cruz primeiro em suas testas, enquanto o sacerdote diz: "Receba a Cruz em sua testa. O próprio Cristo o fortalece com o sinal da sua fé". O mesmo é feito em seus ouvidos, olhos, lábios, peito, ombros, mãos e até mesmo em seus pés.
A comunidade paroquial reunida naquela igreja está deixando que saibam que, para se aproximarem das águas batismais da vida, suas vidas devem ser governadas pelo que Jesus fez por eles na Cruz. Mais uma vez, Jesus deve ser a sua estratégia de vida, e a vida de uma pessoa não deve ser sobre si mesma.
Um sinal que se torna estratégia
Nossa preocupação não deve ser o esquecimento de fazer o Sinal da Cruz, mas sim a possibilidade de traçá-lo e depois esquecer quem somos. Que nosso Senhor Jesus continue sendo o modelo de nossas vidas. À medida que vivemos nossas vidas não para nós mesmos, mas para quem quer que Deus coloque diante de nós, que a Cruz de Jesus seja menos um hábito e mais uma virtude.
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