sexta-feira, 21 de agosto de 2026

IGREJA

 

Ataque de ansiedade: coisas simples para fazer [versão para católicos]

Um ataque de ansiedade é imprevisível. Ele nos acorda no meio da noite, nos ataca antes de uma conversa importante, às vezes no meio de uma tarde comum que não tinha nada de especial. O coração acelera e os pensamentos começam a girar em círculos cada vez mais apertados — sim, são as ruminações novamente. Se você conhece essa sensação, não é estranho nem está sozinho nisso.

A boa notícia é que a mente, capaz de entrar em uma espiral de ansiedade, também é capaz de desacelerar. Isso exige esforço, mas existem exercícios simples que ajudam a recuperar o chão sob os pés. Os psicólogos os chamam de técnicas de aterramento (do inglês grounding). Seu mecanismo comum é descomplicado: a ansiedade se alimenta da imaginação voltada para o futuro — com o que pode acontecer. Os exercícios de aterramento ajudam a atrair a atenção para o presente, para o que está aqui e agora, e dão à mente uma tarefa concreta e exigente.

Organizando os pensamentos

Um dos exercícios mais recomendados é quase infantilmente simples. Escolha algumas categorias — por exemplo: filmes, países, livros, times esportivos, cores, carros, frutas e legumes, animais, cidades, séries, figuras famosas — e, durante alguns minutos, liste (em pensamento, em voz alta ou anotando no papel) o maior número possível de elementos de cada uma delas. Três categorias são um bom começo. A essência do exercício é ocupar a mente lembrando-se, por exemplo, das capitais da Europa, para que ela não tenha capacidade livre para criar cenários sombrios.

Se a simples listagem for fácil demais, tente a variante alfabética: "abacaxi, banana, cebola, damasco...". Esse pequeno esforço adicional — procurar uma palavra para a letra seguinte — engaja a atenção com ainda mais força e a tira do ciclo de ansiedade de forma mais eficaz.

Soa banal? Um pouco. E é exatamente nisso que reside tanto a força quanto a fraqueza desse exercício.

Quando o exercício parece raso demais

Muitas pessoas a quem são propostas tais técnicas reagem com uma resistência interna: "Sério? Devo listar atores quando sinto que estou me desmoronando?" É uma reação compreensível. No momento de profunda ansiedade, listar marcas de carros pode parecer não apenas trivial, mas até aviltante diante da gravidade do que estamos vivenciando. E acontece que justamente esse sentimento de falta de sentido nos faz abandonar o exercício logo após um instante — e então ele realmente não funciona.

Vale notar, contudo, que a própria técnica não exige que o conteúdo seja fútil. Exige apenas que seja concreto, conhecido e passível de ser evocado passo a passo. E isso abre uma certa brecha da qual raramente se fala.

A oração como conteúdo do exercício para ansiedade

Se você é uma pessoa de fé, pode preencher exatamente esse mesmo mecanismo com um conteúdo que signifique algo para você. Em vez de listar cereais matinais, você pode:

  • Relembrar as palavras de orações conhecidas: lentamente, frase por frase, como se as estivesse tirando o pó e observando cada uma individualmente;
  • Rezar o terço: cuja estrutura rítmica e repetitiva é quase um exercício clássico de aterramento;
  • Trazer à memória cantos da igreja: e cantarolar em pensamento ou em voz alta, estrofe por estrofe;
  • Listar as invocações de uma ladainha: afinal, uma ladainha, do ponto de vista técnico, é justamente uma lista, mas uma lista que carrega sentido.

Você também pode relembrar salmos, dos quais conhece trechos, ou a sequência dos livros da Sagrada Escritura.

Quero ser honesta e cuidadosa ao mesmo tempo. Não se trata de tratar a oração de forma instrumental — como um "truque para a ansiedade", um equivalente espiritual de uma bolinha antiestresse. A oração é a adoração a Deus, e não uma ferramenta.

Mas a verdade é também que as tradições espirituais há séculos conhecem aquilo que a psicologia descreveu de forma relativamente recente: que a evocação repetitiva, atenta e lenta de palavras conhecidas acalma o corpo e organiza a mente. A Oração de Jesus, o terço, o ofício da Imaculada, as ladainhas — são formas que desde sempre acompanharam as pessoas também na aflição. Eram chamados cheios de confiança a Deus por ajuda, mas, "de quebra", também acalmavam em um nível puramente fisiológico.

Pode-se dizer assim: o exercício de categorias dá a estrutura, e a oração pode dar a essa estrutura conteúdo e sentido. Para uma pessoa desanimada pela futilidade de listar séries, relembrar as palavras de uma ladainha pode ser o mesmo exercício — e, ao mesmo tempo, algo muito maior.

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