domingo, 2 de agosto de 2026

IGREJA

A maioria dos católicos conhece apenas uma destas cinco festas de Nossa Senhora



Se você perguntar à maioria dos católicos quais festas marianas são celebradas nessa época do ano, eles dirão logo uma: a Assunção, e estarão certos. Mas não é a única. Entre o final de maio e meados de agosto, a Igreja inclui no calendário cinco celebrações distintas dedicadas à Virgem Maria, cada uma com seu próprio caráter teológico, sua própria história e até sua própria geografia. Quatro delas passam praticamente despercebidas para a maioria. Elas merecem algo melhor.

1
A Visitação (31 de maio)
A festa que encerra o mês de maio é uma das cenas mais dinâmicas do Evangelho. Maria, recém-grávida, percorre cerca 160 km a partir de Nazaré através de uma perigosa região montanhosa para chegar até sua prima Isabel em Ein Karem, nos arredores de Jerusalém — uma caminhada ladeira acima com quase 425 metros de desnível, por um terreno conhecido pela presença de salteadores.

Ela se dirige, como diz Lucas, "às pressas" (Lc 1, 39). Quando Isabel ouve a sua saudação, a criança pula em seu ventre e Isabel exclama: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1, 42). A resposta de Maria é o Magnificat (Lc 1, 46): o grande hino dos pobres e humildes que tem sido cantado nas Vésperas todas as tardes desde que Bento o tornou o eixo central da oração vespertina no século VI.

Ein Karem continua lá, agora integrada à extremidade ocidental de Jerusalém, com sua Igreja da Visitação construída sobre o local tradicional da casa de Isabel. Os peregrinos que visitam Jerusalém nessa época do ano podem percorrer a rua onde, segundo se diz, ocorreu esse encontro. A Visitação é uma festa do reconhecimento — da graça reconhecida em outra pessoa antes mesmo que qualquer uma das duas mulheres tenha pronunciado uma única palavra de teologia — e de uma jovem que, após receber a notícia mais extraordinária da história da humanidade, dispôs-se imediatamente a ajudar outra pessoa.

2
O Imaculado Coração de Maria (sábado após o segundo domingo depois de Pentecostes)
Esta festa móvel é celebrada em junho, sempre no dia seguinte à solenidade do Sagrado Coração de Jesus, de modo que ambos os corações estão liturgicamente sempre unidos.

Instituída por Pio XII em 1944, em pleno auge da Segunda Guerra Mundial, ela conta com o respaldo teológico de Fátima: o pedido de Nossa Senhora de que se consagrasse a Rússia ao seu Imaculado Coração marcou profundamente a forma como a Igreja se compreendia ao longo do século XX, desde as aparições de 1917 até a consagração realizada por João Paulo II em 1984. Em Portugal, onde Fátima se localiza nas encostas da Serra de Aire, ao norte de Lisboa, a festividade atrai peregrinos durante o ano todo, mas especialmente no período das férias, quando o grande santuário ao ar livre fica repleto de multidões vindas de todo o mundo. A teologia é simples e exigente: o coração de Maria estava tão conformado ao de seu Filho que honrar a um significa sentir-se irremediavelmente atraído pelo outro.

3
Nossa Senhora do Monte Carmelo (16 de julho)
Nas encostas do Monte Carmelo, ao norte de Israel, sobre a cidade portuária de Haifa, os carmelitas conservam um monastério e uma basílica no lugar onde a sua ordem teve origem: eremitas que viviam perto de uma capela dedicada à Virgem nos séculos XII e XIII. A festividade de 16 de julho comemora tanto essa origem quanto a tradição do escapulário marrom. Mas é nas localidades costeiras do Mediterrâneo que a festa ganha mais vida. Na Itália, a celebração é, antes de tudo, marítima. Ao longo da costa da Campânia — Nápoles, Sorrento, Ischia, Positano —, as comunidades pesqueiras levam a imagem da Virgem até a praia e a colocam em um barco, que em seguida é escoltado por frotas de embarcações menores, enquanto pétalas de flores são lançadas ao mar e fogos de artifício estouram sobre o porto.

Em Roma, a celebração se transforma na "Festa de’ Noantri" — "a festa de nós, os outros", no dialeto romano do Trastevere —, onde a imagem percorre o rio Tibre de barco, uma tradição que remonta a 1535, quando, segundo se conta, pescadores encontraram uma imagem da Virgem no rio após uma tempestade. Na Espanha e na América Latina, onde é a padroeira dos marinheiros e do mar (Nossa Senhora do Carmo), a procissão se repete em dezenas de cidades litorâneas, da Galiza ao Chile. Em Brooklyn (Espanha/EUA), o festival de dez dias realizado em Williamsburg ergue um «giglio» de sessenta e cinco pés (20 metros) — uma torre que sustenta a Virgem — e a carrega pelas ruas, seguindo uma tradição trazida por imigrantes do sul da Itália que se mantém ininterruptamente por mais de um século.

4
A Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior (5 de agosto)
Esta é a festividade menos conhecida das cinco e uma das mais insólitas. Comemora a lendária fundação da grande basílica romana no ano 358, depois que a Virgem apareceu em sonhos ao Papa Libério e a um nobre romano chamado João, ordenando-lhes que construíssem uma igreja na colina do Esquilino onde caísse neve… em pleno mês de agosto.

A neve caiu. A basílica foi construída e hoje se ergue como uma das quatro basílicas maiores de Roma, com seu teto artesoado dourado com o que, segundo a tradição, foi o primeiro ouro trazido da América, um presente de Fernando e Isabel. Em seu interior encontra-se o que é venerado como um ícone da Virgem pintado pelo próprio São Lucas (a Salus Populi Romani). A festividade é conhecida às vezes como Nossa Senhora das Neves — um título estranho e belo para uma festa celebrada no auge do calor de agosto, um lembrete de que o milagroso segue um calendário diferente do meteorológico. Se você estiver em Roma no início de agosto, quando a cidade se esvazia de seus habitantes e se enche de turistas, a basílica do Esquilino fica mais tranquila do que o habitual. É um ótimo momento para visitá-la, se puder suportar o calor. E se você assistir à missa lá nesse dia, verá o milagre ser recriado com pétalas de rosa brancas caindo do teto da cúpula.

5
A Assunção (15 de agosto)
Em Malta, a Assunção de Nossa Senhora não é uma festa qualquer. É a festividade por excelência: o ápice do ano litúrgico local, o momento para o qual todo o verão foi se preparando. Neste pequeno arquipélago de 316 quilômetros quadrados situado em pleno Mediterrâneo, mais de vinte vilarejos celebram a sua «festa» paroquial em 15 de agosto, competindo entre si pelas decorações mais elaboradas, pela qualidade de sua banda musical e pela imponência de seus fogos de artifício. As ruas são enfeitadas com luzes coloridas com semanas de antecedência. As fachadas das igrejas permanecem iluminadas até depois da meia-noite. As bandas de música desfilam pelas estreitas ruas de pedra calcária enquanto a imagem da Assunção — a Virgem elevada ao céu, cercada por anjos dourados — é carregada nos ombros pelos fiéis em uma procissão que pode durar horas.

No vilarejo de Mosta, cuja grande basílica imponente possui uma das maiores cúpulas de igreja do mundo, a festa atrai milhares de pessoas. Em Attard, em Gudja, em Mqabba, repete-se o mesmo ritual: a população se reúne, a imagem sai pelas portas da igreja e a praça explode em júbilo. A Assunção — definida como dogma pelo Papa Pio XII em 1950, embora seja celebrada pelo menos desde o século V — proclama que Maria, ao fim de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celestial. É a antecipação, nela, do que é prometido a todos: a ressurreição da carne, a redenção de toda a pessoa humana. Malta, ao que parece, nunca precisou que isso lhe fosse explicado. A tradição católica de dois mil anos da ilha, que tem suas raízes no naufrágio de São Paulo no ano 60, transmitiu esta festividade com uma intensidade ininterrupta de geração em geração. Estar em Malta no dia 15 de agosto é compreender, de uma forma que nenhum tratado teológico consegue transmitir plenamente, o que significa quando uma festa pertence verdadeiramente a um povo.

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