domingo, 30 de agosto de 2026

IGREJA

 

“Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família”, diz o Papa

inguém pode enfrentar o problema das drogas sozinho", explicou Leão XIV em 27 de agosto de 2026 aos participantes de uma reunião sobre vícios organizada no Vaticano pela Pontifícia Comissão para a América Latina. Ele pediu uma resposta abrangente, envolvendo instituições religiosas e seculares, para combater eficazmente a toxicodependência.

"Os vícios são um fenômeno complexo que evidencia o fracasso de um mundo desumanizado", explicou o Papa em seu discurso em espanhol. Ele pediu uma resposta ao "sofrimento dos jovens" afetados pelas drogas e pediu "soluções abrangentes: prevenção comunitária, atenção científica, justiça humana e um acompanhamento pastoral próximo".

O Papa mencionou a importância da cooperação com organizações internacionais, mas também a necessidade de vincular ciência e fé. "A Igreja não intervém no problema das drogas com a pretensão de competir com a neurociência, a psiquiatria ou a saúde pública, nem pretende suplantá-las", afirmou. Ele explicou que a Igreja, por outro lado, busca "iluminá-lo a partir do Evangelho, com uma compreensão integral da pessoa humana".

Leão XIV também enfatizou a dimensão ecumênica da luta contra as drogas. "A Igreja Católica e outras comunidades eclesiais, na prática do amor concreto para com aqueles que sofrem, encontram na fé uma linguagem comum particularmente eloquente para acompanhar e integrar os jovens em suas necessidades e sonhos", afirmou.

Compaixão pelas "famílias desfeitas"

"Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família", explicou também o Papa, ecoando as palavras do Concílio Vaticano II e de João Paulo II, que definiam a família como "a Igreja doméstica" e "o lar e a escola da comunhão".

"Hoje testemunhamos o sofrimento de muitas famílias desestruturadas, seja pelo uso de drogas, violência, recrutamento criminoso de menores, pobreza ou a falta de oportunidades que deixa alguns atrasados", lamentou o pontífice peruano-americano. Leão XIV enfrentou particularmente essas situações de miséria durante seus anos de trabalho missionário no Peru.

Ele disse que esperava que "a Igreja fosse a família de todos aqueles que ficaram para trás". "Não vamos passar", declarou, inspirado no exemplo do Bom Samaritano. "Construamos uma Igreja que pare, que se aproxime, que se deixe comover, que cure feridas, que alimente e que se torne um lar", exortou o Papa, ecoando as palavras do Papa Francisco, que pediu para tocar a "carne sofredora" dos pobres.

Esses apelos do Papa Leão XIV ocorrem em um contexto global marcado pelo aumento do tráfico de drogas, inclusive em países europeus. De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 331 milhões de pessoas usaram drogas em 2024, 34% a mais do que em 2014. A violência relacionada às drogas também aumentou significativamente, especialmente nas cidades portuárias.

Uma comissão presidida anteriormente pelo Cardeal Prevost

Antes de se tornar Papa, Robert Francis Prevost foi presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, órgão ligado ao Dicastério para os Bispos, entre 2023 e 2025. Esta comissão, criada por Pio XII em 1958, foi considerada por muito tempo uma espécie de "torre de controle" romana sobre os episcopados latino-americanos considerados suscetíveis ao marxismo e à teologia da libertação.

Mais recentemente, esta comissão tornou-se gradualmente um órgão especializado em questões sociais e eclesiais que afetam esta região do mundo. Esta conferência sobre vícios também envolve atores-chave na luta contra o abuso de drogas na Ásia, África e Europa. É organizado em colaboração com a Pontifícia Academia para a Vida, o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

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