quarta-feira, 2 de setembro de 2026

IGREJA

 

“Pedimos-te perdão porque fizemos da água uma mercadoria”: O apelo do Papa para setembro

Aoração, divulgada pelo Vaticano em 1º de setembro, começa por apresentar a água como um dom de Deus:

“Tu nos deste o dom da água, fonte de fecundidade, frescura e esperança.”

Ela mata a sede, fecunda a terra e cura feridas. Mas, para Leão XIV, a água também aponta para uma realidade espiritual: é “símbolo da tua graça e do teu amor”, que renova o ser humano através do Batismo.

Por isso, o cuidado com a água não aparece na oração apenas como uma preocupação ambiental. É apresentado como uma questão de gratidão, justiça e responsabilidade.

“Fizemos dela mercadoria”

É neste ponto que a oração ganha uma força especial.

“Pedimos-te perdão porque fizemos dela mercadoria, esquecendo que é um presente universal, um direito sem fronteiras, destinado a todos os teus filhos.”

O Papa não suaviza a expressão. Ele fala em pedido de perdão.

A água, que deveria ser reconhecida como um dom universal e um direito de todos, acabou sendo tratada também segundo uma lógica de mercadoria.

A pergunta que a oração deixa para cada um de nós é simples e incômoda: o que acontece quando começamos a tratar como produto aquilo de que todos dependemos para viver?

A resposta está nas pessoas que Leão XIV coloca no centro da sua oração.

Há quem caminhe quilómetros por água

O Papa pede que a Igreja não permaneça indiferente diante daqueles que sofrem com a falta de água potável.

“Com dor vemos tantos irmãos e irmãs sem acesso a água potável, que caminham quilómetros para a encontrar, e que adoecem por causa da sua escassez.”

É uma das passagens mais concretas da oração.

Não se trata apenas de falar sobre rios, oceanos ou preservação da natureza. Trata-se de pessoas. Pessoas que caminham. Pessoas que têm sede. Pessoas que adoecem.

A intenção de setembro coloca, assim, a água diante do cristão como uma questão de vida e de dignidade.

E o pedido do Papa é ainda mais específico:

“Defendendo o direito de cada irmão e irmã a beber sem medo, sem desigualdade.”

Duas expressões que tornam a oração particularmente concreta. Não basta que exista água: é preciso que as pessoas possam ter acesso a ela sem medo e sem que a condição social determine quem pode ou não beber água segura.

Um chamado também para quem tem água todos os dias

Para quem abre uma torneira diariamente, a falta de água pode parecer uma realidade distante. Mas a oração do Papa convida a mudar esse olhar.

Leão XIV pede que o Espírito Santo nos transforme em “peregrinos do essencial, capazes de viver com sobriedade.

E dá nomes às atitudes que precisam ser enfrentadas:

“Denunciando o desperdício e a contaminação.”

É uma passagem particularmente importante porque transforma a oração em responsabilidade concreta.

Cuidar da água significa não desperdiçá-la. Significa não contaminá-la. Significa reconhecer que aquilo que parece abundante para alguns pode ser justamente aquilo que falta a outros.

A intenção do Papa não pede apenas consciência. Pede mudança de atitude.

No final da oração, Leão XIV resume a dimensão espiritual desse cuidado:

“Que o nosso cuidado com a água seja sinal de amor ao Criador e compromisso com a vida dos mais pobres.”

É talvez a frase que melhor reúne toda a intenção de setembro.

Cuidar da água é amar o Criador. Mas é também comprometer-se com os mais pobres.

O Papa não separa essas duas coisas. O cuidado com a criação e o cuidado com as pessoas aparecem unidos.

Por isso, a oração termina olhando para o futuro e para aqueles que ainda estão aprendendo a relação que devem ter com os recursos da Terra:

“Educando novas gerações que valorizem e protejam os recursos da Terra.”

A responsabilidade começa agora, mas não termina em nós.

Uma oração que pede mais do que consciência

A intenção de oração de setembro não é apenas um convite para fechar a torneira ou evitar o desperdício, embora essas atitudes também façam parte dela.

É um convite para reconhecer novamente o que a água é: um dom, uma necessidade universal e um compromisso com a vida.

O Papa Leão XIV pede perdão porque a transformamos em mercadoria. Recorda aqueles que caminham quilómetros para encontrá-la. Denuncia o desperdício e a contaminação. E pede que ninguém seja privado do direito de “beber sem medo, sem desigualdade”.

No fundo, a oração coloca diante de nós uma verdade muito simples: cuidar da água é cuidar da vida.

E, para o cristão, é também uma maneira concreta de agradecer ao Criador pelo dom que recebeu.

“Senhor da Vida, Tu nos deste o dom da água.”

É com essa consciência que a Igreja é convidada a rezar durante todo o mês de setembro.

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