Inimigos de Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida é venerada pelos católicos e respeitada por diversos grupos evangélicos que compreendem que Ela é a Mãe de Jesus e aceitam a fé dos católicos. Mas, para alguns grupos, a figura de Nossa Senhora Aparecida, que aparece em adesivo de carro e pintura em muro, é uma inimiga.
A história do Brasil foi forjada entre altares, lágrimas e a devoção inabalável de um povo que encontrou na fé um refúgio contra todas as adversidades. No centro dessa identidade coletiva, ergue-se a imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul em 1717 por três humildes pescadores. O que começou na sala de uma família transformou-se no maior símbolo mariano do Brasil, oficializado como Padroeira do Brasil em 1930 pelo Papa Pio XI e transformado em feriado nacional em 1980. Contudo, grupos procuram desestabilizar, desqualificar e, em última instância, destronar a rainha da nação.
Ofensas repetidas
Em algumas cidades do interior, ao invés de estátuas do padroeiro ou de Nossa Senhora nos trevos rodoviários, algumas prefeituras colocam os dizeres que indicam que a cidade é do Senhor Jesus. A iniciativa que visa utilizar um elemento religioso evangélico em substituição de elementos culturais católicos mostra que há grupos evangélicos que querem deixar sua marca. Isso não é uma ofensa, é só uma situação do sociedade. Mas existem ofensas reiteradas a Nossa Senhora Aparecida.
Para compreender a gênese dessa visão conflituosa é preciso partir do ataque ocorrido em outubro de 1995. Durante um programa de televisão ao vivo, um líder evangélico desferiu chutes contra uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, chamando-a de "boneco feio, horrível e desgraçado". Anos mais tarde, em 1998, o episódio inspirou até mesmo uma música gravada por lideranças ligadas à mesma denominação religiosa, celebrando o ato de hostilidade.
Mas o ápice da articulação teológica e política contra a padroeira deu um salto qualitativo nos anos 2000 quando foram publicados livros que associam Nossa Senhora Aparecida divindades pagãs e afirmando que Ela seria "o braço direito de Satanás". Algo que ocorre com trágica frequência é a associação de elementos religiosos a tragédias. Em 2010 quando houve o terremoto no Haiti não foram poucos pregadores que afirmaram que o país estava sofrendo um castigo devido sua religiosidade de matriz africana; Assim também, há quem junte a figura da padroeira aos flagelos sociais do país, culpando-a por períodos de recessão, seca no Nordeste e criminalidade. logo, uma maneira de aplacar a ira de Deus seria destronar Nossa Senhora Aparecida, segundo essa mentalidade.
Ameaças à padroeira
A "destronização" começou com uma mobilização política para tirar o feriado nacional de 12 de outubro. O que começou como panfletagem teológica não demorou a encontrar eco nos corredores do poder legislativo federal. Em dezembro de 2007, um deputado do estado de Mato Grosso apresentou formalmente na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei com o objetivo explícito de revogar o título de Padroeira do Brasil conferido a Nossa Senhora Aparecida.
Embora a iniciativa tenha enfrentado forte resistência institucional, sendo rejeitada e arquivada pela Comissão de Educação e Cultura em agosto de 2008, o episódio escancarou a porosidade das instituições republicanas diante de agendas de exclusão religiosa.
Nesse contexto, ataques a diversas estátuas de Nossa Senhora Aparecida em rodovias aconteceram no Brasil; também templos de religião de matriz africana sofrem ataques constantes como se estivessem envolvidos em uma guerra religiosa. Atualmente o debate se aqueceu, pois, campanhas políticas prometem que estados e o país podem ser "do Senhor Jesus", em uma mensagem de que a prevalência de grupos evangélicos ocupam os lugares de poder e decisão desconsiderando outras manifestações religiosas.
A tentativa de desestabilizar o símbolo máximo da fé mariana no Brasil não é um mero debate teológico inofensivo; trata-se de um projeto de poder que enxerga na pluralidade e na diversidade cultural da pátria um obstáculo a ser vencido. Aparecida incomoda porque sua imagem unifica um país plural, onde o evangélico respeita o feriado, o católico faz procissão e a família brasileira encontra refúgio independentemente de credos. Destronar a rainha, na visão de seus artífices, significava abrir caminho para a imposição de um único modelo moral e político sobre a nação. Uma investida que continua a exigir vigilância intransigente em defesa da liberdade e do respeito mútuo.

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