Quatro obstáculos que quem está na catequese pode enfrentar
Ocatecumenato não é um mar de rosas, é um percurso que comporta inúmeros obstáculos. Como em qualquer verdadeira aventura, inimigos e combates podem obstruir essa magnífica jornada. Aqui estão quatro obstáculos enfrentados por muitos adultos que fazem catequese: o contexto no Ocidente que dificulta a adesão à fé, a desilusão, as próprias fraquezas espirituais e a tentação do diabo.
1Um contexto difícil
Hoje em dia, é difícil viver a própria fé em grande parte do Ocidente. O Concílio Vaticano II explica esse fenômeno: "Ao contrário do que acontecia outrora, a negação de Deus ou da religião, ou o abandono deles, já não são fenômenos raros e isolados. Hoje em dia, com efeito, não raramente tais coisas são apresentadas como exigências do progresso científico ou de um certo novo humanismo. Estas ideias manifestam-se (...), não apenas nos escritos dos filósofos, mas influenciam por toda a parte a literatura, as artes, a interpretação das ciências humanas e da história, e até o próprio direito civil. Consequentemente, muitos ficam abalados." (GS 7). A fé é marcada por suspeitas e clichês temíveis que são capazes de fazer vacilar e dificultam a adesão à fé cristã.
2Alguns católicos podem decepcionar
Alguns católicos podem decepcionar e não estar à altura das expectativas dos catecúmenos. Existem três doenças espirituais presentes na Igreja no Ocidente. Primeiro, uma tibieza e moleza na vida de fé; segundo, um certo angelismo, ou seja, discursos desconectados quando se trata de falar sobre a fé; e, por fim, o mundanismo, um fechamento em si mesmo ("entre-soi"), uma dificuldade de se abrir aos outros e de se desvencilhar de certos comportamentos homogêneos (linguagens, atitudes, códigos sociais). O objetivo não é julgar, mas estar preparado para o fato de que alguns católicos vão te decepcionar.
3Suas próprias fraquezas
Há também as suas próprias fragilidades espirituais, isto é, crenças, formas de pensar e de se comportar, diretamente incutidas pela sociedade, que se tornarão obstáculos para o aprofundamento da fé. Aqui estão as fragilidades encontradas com mais frequência entre os catecúmenos:
O relativismo: ou o fato de considerar que não existe verdade, cada um com o seu ponto de vista;
O individualismo: ou o fato de acreditar que se pode viver a fé sozinho e que não se precisa dos outros;
O laicismo (que não é a laicidade): ou o fato de considerar que a fé deve permanecer estritamente privada e oculta;
A amoralidade: ou o fato de considerar que o mal não existe realmente e que, portanto, os pecados cometidos não têm importância;
O consumismo: ou o fato de se interessar pela vida espiritual apenas quando ela proporciona prazer;
O esoterismo: ou o fato de não depositar a sua fé na Igreja e nos seus ensinamentos, mas sim em outras correntes espirituais, bem como em práticas espíritas, videntes ou médiuns;
A incultura cristã: ou o fato de apegar-se a clichês e ter uma opinião arraigada sobre muitos temas controversos da Igreja, sem dominar a história da Igreja ou a teologia.
Também é preciso levar em conta as fragilidades psicológicas: alguns se voltam para Deus após uma provação ou sofrimento psicológico. Isso deve ser considerado em uma caminhada para distinguir o que é de ordem espiritual e o que é de ordem psicológica.
4A ação do diabo contra a catequese
E, finalmente, por trás de todo combate, há uma luta contra o mal, o diabo: o combate espiritual. São Paulo fala disso explicitamente: "Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo de trevas [...], contra os espíritos do mal que povoam as regiões celestes" (Ef 6, 11-12).
No entanto, cuidado para não dar ao diabo mais importância e poder do que ele realmente tem (cuidado com a paranoia, isso só lhe dá mais espaço). O único poder que ele possui sobre nós é aquele que nós lhe damos, por exemplo, quando cedemos ao pecado e, sobretudo, quando nos afastamos de Deus, voltando-nos para o mal. Como o apóstolo Pedro, permaneçamos vigilantes: "Sede sóbrios e vigiai. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé" (1 Pe 5, 8-9).
É permanecendo focados em Cristo, ao mesmo tempo em que levamos em conta esses obstáculos, que poderemos atravessar as tempestades que marcam o caminho rumo ao batismo.

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