terça-feira, 6 de outubro de 2026

SANTO DO DIA

 

Hoje é celebrado são Bartolo Longo, de espírita a “apóstolo do rosário”

São Bartolo Longo foi um advogado e leigo que fundou o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, Itália, dedicou-se a ensinar o catecismo e a difundir a devoção ao rosário.

Durante sua juventude, ingressou no espiritismo até que, finalmente, Deus tocou seu coração e converteu-se. O beato Longo foi definido pelo papa são João Paulo II como “o homem da Virgem”.

Na homilia de sua beatificação, em 26 de outubro de 1980, o papa disse que ele, “por amor de Maria, tornou-se escritor, apóstolo do Evangelho, propagador do rosário, e fundador do célebre Santuário no meio de enormes dificuldades e adversidades; por amor de Maria criou institutos de caridade, fez-se mendicante em favor dos filhos dos pobres e transformou Pompeia numa viva cidadezinha de bondade humana e cristã; por amor de Maria suportou em silêncio tribulações e calúnias, passando através de um longo Getsêmani, sempre confiado na Providência, sempre obediente ao Papa e à Igreja”.Bartolo Longo nasceu em Latiano (Itália), em 10 de fevereiro de 1841. Antes de obter a licenciatura como advogado na Universidade de Nápoles, enveredou-se na moda anticristã da época e dedicou-se à política, às superstições, ao espiritismo: chegou a ser “médium” de primeiro grau e “sacerdote espírita”.

Por outro lado, a filosofia ateia e o racionalismo o tinham totalmente preso. Começou a odiar a Igreja, organizando conferências contra ela e louvando os que criticavam o clero.

Graças à influência de seu amigo Vicente Pepe e do dominicano padre Alberto Radente, voltou à fé. Sua conversão aconteceu no dia do Sagrado Coração de Jesus, em 1865, na Igreja do Rosário de Nápoles.Após seu encontro com Cristo, abandonou a vida libertina e dedicou-se às obras de caridade e ao estudo da religião.

Mais tarde, escreveu, fazendo alusão à sua própria experiência, que “não pode haver nenhum pecador tão perdido, nem alma escravizada pelo implacável inimigo do homem, Satanás, que não possa se salvar pela virtude e eficácia admirável do santíssimo Rosário de Maria, agarrando-se dessa corrente misteriosa que nos estende do céu a Rainha misericordiosíssima das místicas rosas para salvar os tristes náufragos deste tempestuoso mar do mundo”.Em 1876, por sugestão do bispo de Nola, iniciou uma campanha para construir um templo em Pompeia. Como resultado da cooperação e da intercessão da Virgem Maria, surgiu o belo Santuário.

No dia 5 de outubro de 1926, aos 85 anos, morreu em Pompeia. Em seu testamento, deixou escrito o seguinte: “Desejo morrer como terciário dominicano... entre os braços da Virgem do Rosário, com a assistência de meu pai são Domingos e de minha mãe santa Catarina de Sena”.

Foi canonizado pelo papa Leão XIV em 19 de outubro de 2025, em uma celebração na Praça São Pedro, no Vaticano.

IGREJA

Hoje começa a novena a santa Teresa de Jesus

No dia 15 de outubro, a Igreja celebra santa Teresa de Jesus, Doutora da Igreja, fundadora das carmelitas descalças e padroeira dos escritores espanhóis católicos.

Pela proximidade de sua festa, apresentamos a seguir uma novena disponibilizada pelo site da Comunidade Shalom, para pedir a intercessão desta santa.

1º Dia – Vida de santa Teresa de Jesus

Santa Teresa de Jesus nasceu em um lar cristão e desde criança foi chamada a viver só para Deus. O pai era um homem muito caridoso com os pobres e piedoso com os doentes. Ninguém jamais o viu murmurar ou praguejar. Sua mãe, devota de Nossa Senhora, ensinou-lhe a recitar o rosário. Herdou também de sua mãe o gosto pela leitura de histórias de santos e, também histórias de cavalaria. Histórias estas que influenciaram sua vida.

As histórias de martírio de algumas santas levaram Teresa e seu irmão a desejarem fugir para a terra dos mouros para morrerem decapitados, pois queriam gozar tão logo dos bens celestes. Percebendo que isso era impossível, queriam, então, ser eremitas. Nas brincadeiras com as amigas, gostava de fazer mosteiros, como se fosse uma monja.

Com a perda de sua mãe, tomou Maria por mãe e, a partir de então, começou a entender as graças que o Senhor lhe concedia, e o quanto a Sua Majestade queria que fosse toda dEle. Esta descoberta a fez ofendê-Lo, ao invés de dar-Lhe graças.

Deixou-se encantar pelos prazeres do mundo, pela vaidade exagerada, pelas companhias dos primos e pelas conversas e entretenimentos levianos. A amizade com uma parenta foi lhe transformando a tal ponto que quase nada lhe restou de sua inclinação natural para a virtude, seus hábitos foram lhe imprimidos. Dizia que sua alma começou a não resistir ao que lhe causava todo mal. Perdeu o temor de Deus e com o medo de também perder a honra, tudo que fazia lhe trazia aflição. Pensando que não seria descoberta, atreveu-se a fazer coisas contra a honra e contra Deus. Mas era impossível ocultar algo de quem tudo vê. Mesmo vivendo desta forma não se entregou a pecados graves. Deus a livrou, contra a sua própria vontade, de se perder por inteira.

O pai desgostoso com a situação e as suas companhias colocou-a no convento das monjas agostinianas. No início foi difícil a adaptação, mas aos poucos foi encontrando com a sua essência, suas virtudes, e a cada dia foi renascendo no seu coração o amor a Deus e o desejo de nunca mais ofendê-Lo. Acreditava que a Sua Majestade buscava incessantemente a melhor maneira de trazê-la a Si. Dizia: “Bendito sejais, Senhor, que tanto sofrestes por mim.”

Vossa sou, pois me criastes, Vossa, porque me remistes, Vossa, porque me atraístes, E porque me suportastes E me salvastes, por fim: Que mandais fazer de mim?

Reflexão

1. Santa Teresa experimentou o bem e o mal. Quis ser mártir, depois eremita, e ao descobrir sua vocação – ser toda de Deus – preferiu fugir buscando os prazeres do mundo, a vaidade, as más companhias. Assumo minha vocação acolhendo as verdades de Deus ou me escondo nas coisas que dão prazer à minha carne?

2. Mesmo vivendo daquela forma, Deus a livrou de se perder por inteira, pois a queria perto de Si. Santa Teresa se abriu ao toque de amor de Deus, à Sua misericórdia, desejando não mais ofendê-Lo. Abro-me sem reservas a esse toque de amor de Deus?Oração

Santa Teresa d’Àvila, vós que lutastes contra os desejos da carne para assumir o chamado de ser toda de Deus, fazei com que eu permita que o toque de Deus transforme o meu interior e desperte em mim o desejo de não mais ofendê-lo. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

2º Dia – A dor como caminho para encontro com Deus

Uma monja começou a falar a Santa Teresa como decidira ser monja e a recompensa dada pelo Senhor a quem tudo deixa por Ele. Encantava-se com sua conversa santa, porém, tinha aversão à idéia de ser uma monja. Seu coração estava tão duro que nem mesmo a leitura da Paixão lhe arrancava uma única lágrima. Em oração, pediu ao Senhor que lhe indicasse o melhor caminho para servi-Lo. Queria se dedicar a Deus, mas não estava convencida a fazê-lo, pois ainda se entregava mais ao que agradava à sua carne e à vaidade.

O Senhor lhe deu uma grave doença que a fez retornar à casa paterna. Curada foi visitar uma irmã. No caminho, ficou por alguns dias na casa de um tio. Tempo suficiente para que as palavras de Deus que ouvia e lia, e a sua companhia fizessem-na compreender as verdades da inutilidade das coisas do mundo, a vaidade exagerada e a rapidez de como tudo passa. Decidiu abraçar a vocação, mesmo com medo de não suportar as renúncias e exigências da vida religiosa.

Havia grande contentamento em ser monja, era querida por todos e dedicada em tudo que fazia. Ocupava-se sempre das coisas que dava prazer. No Carmelo, uma monja sofria de uma grave e dolorosa enfermidade, mas suportava tudo com paciência. Vendo-a assim, Santa Teresa pediu a Deus que lhe concedesse a mesma paciência. O Senhor atendeu o seu pedido. Sua enfermidade durou três anos. Foram meses de muita dor, sofrimento e de luta pela vida. Mas a dor maior estava em se ver tão pecadora e pequena diante da grandeza do amor de Deus. Levada para a casa de seu pai teve um paroxismo tão forte que ficou sem sentido por quatro dias. Sua morte era esperada, tanto que se prepararam para o funeral, mas Sua Majestade a fez recuperar o sentido; então, imediatamente buscou a confissão e a comunhão. Naquela hora recebeu a graça de jamais deixar de confessar qualquer coisa que considerasse pecado, mesmo que fosse venial.

Pediu que a levassem de volta ao mosteiro, mesmo naquele estado: pior que um morto. Tendo melhorado, ficou paralítica por longo tempo, mas grande era sua conformidade com a vontade de Deus, que suportava todo o sofrimento com alegria. Queria muito ser curada para melhor servir a Deus, contudo, o Senhor sabe o que é o melhor para cada um. Os médicos pouco podiam fazer. Resolveu, então, pedir a S. José, o pai de Jesus. Recebeu a graça que tanto queria, mas isso não a fez perseverar no caminho. Deus dava a ela a graça de fazer o bem, mas o fazia com imperfeições e faltas. Recaiu na vaidade depois de tantas bênçãos recebidas. A mão de Deus continuava a lhe sustentar e fazer com que voltasse a se levantar.

“Busca-me em ti, não por fora… para me achares ali, chama-me, que, a qualquer hora, a ti virei sem demora…”

Reflexão

1. Encantou-se com a história da monja, mas isso não foi suficiente para levá-la a assumir sua vocação, pois tinha medo das renúncias e exigências da vida religiosa. O encantamento pelo carisma Luz da Vida, me fez deixar tudo e assumir uma vocação. Hoje abraço esse chamado assumindo as dores do servir e das renúncias?2. Toda enfermidade que sofreu foi para prová-la na paciência de tudo sofrer por amor. Viu-se tão pequena e pecadora diante da misericórdia de Deus e Sua fidelidade àqueles que são escolhidos. O Senhor usou desta enfermidade para que ela O encontrasse dentro de si. Aceito as dores como caminho para o encontro íntimo com Deus, comigo mesmo e minhas misérias?

Oração

Santa Teresa d’Ávila, vós que, pela dor e pela enfermidade, encontrastes com amor e a misericórdia de Cristo, fazei que eu, ao assumir o chamado de Deus, faça do sofrimento o caminho seguro para o encontro e pessoal e íntimo com Cristo. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

3º Dia – Batalha entre Deus e o mundo

É importante para as almas entenderem que quando se inicia uma vida de oração é preciso se desapegar de toda espécie de prazer, e entrar num caminho voltado somente para ajudar Cristo a carregar a Sua cruz, apenas como um bom cavaleiro, sem pagamento algum, apenas pelo prazer de servir o seu Rei. É fundamental seguir com determinação e sem querer consolações; o caminho é a cruz: “toma a tua cruz e segue-me”.

Santa Teresa travou uma grande batalha entre lidar com Deus e lidar com o mundo. Não se rejubilava em Deus, nem se alegrava no mundo. Somente com as misericórdias de Deus é que teve ânimo para orar. Dos vinte e oito anos de oração, passou mais de dezoito nessa luta.

Sua alma, já cansada, entrou um dia no oratório, viu a imagem de um Cristo com grandes chagas que inspirava tamanha devoção, que ela ficou extremamente perturbada, visto que a imagem representava bem o que Jesus passou por nós. Foi tão grande o sentimento de ter sido mal–agradecida àquelas chagas que o seu coração quase partiu. Imediatamente lançou-se aos Seus pés, em lágrimas, suplicou que a fortalecesse para que não O ofendesse mais. Naquele momento depositou toda a sua confiança em Deus. Em oração se esforçava por representar Cristo dentro de si e se sentia melhor nas passagens onde O via mais sozinho. Na oração do Horto, fazia-Lhe companhia; ficava pensando no suor e na aflição que sofrera, desejando se possível for, enxugar-Lhe o suor tão doloroso. Mas, não ousava fazer, pois vinham em sua mente os pecados cometidos. Por longos anos, quase todas as noites, antes de dormir, ao se encomendar a Deus, pensava na oração do Horto, pois era um costume que adquiriu antes mesmo de ser monja.

Santa Teresa pediu a Sua Majestade um remédio para viver sem muito sobressalto nessa guerra tão perigosa. Disse Ele ser o amor e o temor, pois o amor nos fará apressar o passo e o temor nos levará a nos atentar por onde colocamos nossos pés, para que não caiamos em uma trilha tão pedregosa, assim não seremos enganados. Dizia às suas filhas espirituais que, quem ama genuinamente a Deus não pode amar a vaidade, a riqueza, as coisas do mundo, os deleites, as honras ou ter contendas ou inveja. Tudo porque a única coisa que devemos pretender é contentar o Amado, desejando ardentemente ser amado por Ele, empenhando a vida em atender como agradá-Lo mais.

“Ditoso o coração enamorado Que só em Deus coloca o pensamento; Por ele renuncia a todo criado, Nele acha glória, paz, contentamento…”

Reflexão

1. Santa Teresa passou longos anos de sua vida travando uma luta entre Deus e o mundo. Pela misericórdia de Deus não se afastou da vida de oração, mas encontrou nela forças para renunciar ao mundo e ajudar Cristo a carregar a Sua cruz. A minha oração me impulsiona a dizer sim a Deus, colocando-me a serviço de Cristo sem nada esperar, pelo simples prazer de servir?

2. A experiência com Jesus crucificado e Suas chagas fez Santa Teresa experimentar toda dor da Paixão de Cristo e Sua solidão. Nesse momento, entendeu a dimensão do amor perfeito e pleno, e o quanto precisa lutar para amar genuinamente a Deus e não o que dá prazer à carne. Ao olhar para Jesus crucificado, contemplando a Sua dor, vejo a necessidade que tenho de ser inteiro em Cristo?

Oração

Santa Teresa d’Ávila, vós que lutastes para ser serva de um único Rei, Jesus Cristo, fazei com que eu, contemplando a Paixão de Jesus, experimente o verdadeiro amor que nasce do Seu Sagrado Coração e das Suas chagas, e viva em plenitude a minha consagração. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

4º Dia – Cruz, sinal do amor a Deus

Em suas orações o Senhor lhe concedia a graça de vê-Lo, de ouvir a Sua voz. Aparecia-lhe de várias formas, dependendo do modo que se encontrava. Quando passava por tribulações, para revigorá-la, mostrava-Se com as chagas, na Cruz ou no Horto.

A Sua Majestade concedia à Santa visões celestiais que não eram bem interpretadas por alguns mestres, por isso, davam-lhe mal conselho. Por pensarem que fosse obra do demônio e para livrá-la do mal, ordenavam-lhe que fizesse figa, o sinal-da-cruz e se opusesse à cruz. Obedecia, mas era um grande sofrimento para ela. Para não fazer o sinal-da-cruz a todo tempo, segurava na mão a cruz do rosário. Certo dia, estando com ela na mão, o Senhor a tomou em Suas mãos e quando lhe devolveu estava formada por quatro pedras grandes muito mais preciosas que diamantes. As cinco chagas estavam formosamente cravejadas na cruz. Assim o Senhor lhe pediu que sempre visse a cruz: no lugar da madeira as pedras. Esta visão só ela tinha.

Dizia às suas filhas que o Senhor quer levar como almas fortes àqueles que buscam a contemplação, dando a eles a cruz que Sua Majestade sempre teve. A cruz que não é leve, e se soubessem o caminho e maneiras pelos quais Deus lhes dá essa cruz se espantariam; muitos não suportariam os sofrimentos dados se não fossem as consolações recebidas. É absurdo crer que o Senhor admita ter como amigos íntimos pessoas comodistas e que não sofrem. Os caminhos dos contemplativos são ásperos, cheios de irregularidades, fazendo-os por vezes pensar que se perdem e que devem recomeçar a percorrer os trechos já percorridos, sendo necessário que Ele os dê mantimentos; não água, mas vinho, pois embriagados não se atentem por aquilo que passam e suportem as dores.

Para Santa Teresa, a tarefa dela e de suas monjas é de se apegar à cruz que o Esposo tomou sobre si. Aquela que mais puder padecer, que padeça mais por Ele e será a que melhor se libertará. O maior favor que o Senhor pode lhes dar é uma vida que imita a vida de Seu Filho tão amado. As graças recebidas visa fortalecer as suas fraquezas, assim poderão imitá-Lo no sofrimento.

“O consolo está, e a vida, Só na cruz; E ao Céu é a única senda Que conduz.”

Reflexão

1. Santa Teresa diz que o caminho para aqueles que buscam a contemplação é a cruz, pois por ela se experimenta a dor, o sofrimento, a renúncia, mas ao mesmo tempo o consolo de Deus. O caminho que percorro na minha consagração tem sido marcado pela dor e sofrimento que emanam da cruz de Cristo?

2. A tarefa de Santa Teresa e de suas monjas é de se apegar à cruz que o Esposo tomou sobre Si, para que suas vidas sejam uma imitação da vida de Cristo. A cruz que carrego hoje me leva à identificação com Cristo, com Sua dor e o abandono na vontade de Deus?

Oração

Santa Teresa d’Àvila, vós que vencestes os prazeres da carne para assumir a cruz de Cristo, as Suas dores e os Seus sofrimentos, fazei que eu abrace com amor e determinação a cruz, que é o caminho para a glória e a estrada para o céu. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

5º Dia – Pobreza

O Senhor já lhe dera o desejo de pobreza, desejo de, mesmo no seu estado, pedir esmola por amor a Deus, de não ter casa ou qualquer outra coisa. Mas pensava que talvez as monjas não tivessem esse mesmo desejo. Muita coisa ouvia sobre esse assunto e inquietava o seu coração. Um dia estando em oração, ao olhar Cristo na cruz tão pobre e desnudo, não suportou a idéia da riqueza. Suplicava-Lhe em lágrimas que fizesse as coisas de maneira que viesse a ser tão pobre quanto Ele. Insatisfeita com o voto de pobreza que se seguia no mosteiro, questionou algumas pessoas sobre qual seria a melhor forma para vivê-lo, mas não recebeu o apoio que desejava. Entregou o caso à Sua Majestade que lhe pediu para não deixar de estabelecer o mosteiro na pobreza, pois esta era vontade de Seu Pai e Sua, e que lhe ajudaria.

Muitas monjas temiam passar fome, por isso, ensinava que viver a pobreza é ter a certeza que nada vai lhes faltar, que o sustento vem do Senhor, e que Ele dará o próprio alimento. Assim, que não se preocupassem com a renda e com o alimento, mas deixassem isso com o Senhor dos ricos e da riqueza. Estava certa que a promessa de Deus, feita um dia a ela, não deixaria de ser cumprida. Conceituava que a pobreza é um bem que traz em si todos os bens do mundo; uma grande soberania. Dizia que quem deseja honra tem interesse por rendas ou dinheiro; mas quem é pobre, mesmo que mereça honra para si, é pouco considerado. Suas casas eram pobres em tudo e pequenas, assemelhando-se em algo no Rei que teve por casa apenas o presépio de Belém onde nasceu, e a cruz onde morreu.

Considerava que além de se viver a pobreza material deveria se viver a pobreza espiritual. Nas horas de tribulação, de intranqüilidade, nas perseguições, nos sofrimentos e nos tempos de aridez encontrava em Cristo o bom amigo, porque O via como Homem, permanecendo em sua companhia. Para ela o Senhor se viu privado de todo consolo, restando-lhe apenas os sofrimentos; não desejava, então deixá-Lo só, fazendo-O sofrer mais. A verdadeira pobreza de espírito consiste em não buscar consolo nem prazer na oração, mas consolações nos sofrimentos, por amor Àquele que sempre viveu em meio a eles, e em ter paz nos sofrimentos e securas. Mesmo que sinta alguma coisa, a alma não deve se inquietar ou perturbar, como fazem certas pessoas que consideram tudo perdido se não tiverem sempre trabalhando com o intelecto e sentindo fervor.

“A pobreza é a estrela real Que o Imperador celestial Trilhou com todo o desvelo, Monjas do Carmelo.”Reflexão

1. Ao ver Cristo na cruz, pobre e desnudo, não suportou a idéia da riqueza, por isso, suplicou-Lhe que a ajudasse a viver a mesma pobreza de Cristo no Carmelo. Vivo a pobreza, o desprendimento dos bens materiais, confiando na providência divina?

2. A verdadeira pobreza espiritual, segundo Santa Teresa, consiste em encontrar em Deus a consolação nos sofrimentos, e em ter paz nos momentos de dores e securas. Nos momentos de sofrimentos, solidão, aridez, tribulações, busco o consolo em Deus encontrando em Cristo o verdadeiro e bom amigo?

Oração

Santa Teresa de Jesus, vós que vivestes a pobreza material e espiritual, encontrando em Sua Majestade o consolo e ajuda adequada nos momentos de sofrimento e aridez, fazei com que eu, livre de todos os bens terrenos e abraçando a cruz de Cristo, assuma a verdadeira pobreza que nasce do coração de Deus. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

6º Dia – O amor a Deus e aos irmãos

É extremamente importante o amor entre os irmãos, pois assim não haverá problema que não seja resolvido com facilidade. Se este mandamento fosse respeitado pelos homens muito favorecia a guarda do outro. Contudo, por excesso ou por falta, nunca se chega a guardá-lo com perfeição.

Santa Teresa trata o amor de duas maneiras: a primeira é espiritual e nada tem a ver com os sentidos, nem com a ternura da nossa natureza a ponto de ser privada de sua pureza; a segunda, também é espiritual, mas sendo acompanhada da nossa sensibilidade e da nossa fraqueza. Quem se deixa instruir pelo Senhor na oração ou a quem Ele deseja instruir, essa pessoa ama de modo distinto, diferente daquele que não chegou a esse ponto. Dizia às suas filhas: não se contente em amar pelo corpo e por seus atrativos exteriores. Ame pelo fato de amar, sem se importar se serão amadas. Podendo ocorrer, a princípio, que se inclinem a gostarem de ser amadas, mas depois vão perceber que isso é um disparate, caso isso não traga proveito algum à alma, seja na doutrina ou na oração. O amor verdadeiro para Santa Teresa é com mais paixão e mais proveitoso, pois as almas sempre cuidam mais em dar do que de receber, agindo assim mesmo diante do Criador. Quando amam alguém, as almas perfeitas têm desejo de que ele seja digno do amor de Deus, porque só assim podem continuar a amá-Lo.

“Quanto mais se pratica o amor ao próximo, tanto mais se estará praticando amor a Deus. Isso porque é tão grande o amor que o Senhor nos tem que, para recompensar aquele que demonstramos pelo próximo, faz crescer por mil maneiras o amor que temos a Ele”.

“O amor que é mundano Se apega a esta vida; Mas o amor divino À outra nos convida. Sem ti, Deus eterno, Quem pode viver?”

Reflexão

1. É extremamente importante amar uns aos outros, pois assim não haverá problema que não seja resolvido com facilidade, diz Santa Teresa. O amor que sinto pelos meus irmãos me leva a derrubar as barreiras da indiferença, do orgulho e do egoísmo?

2. Quanto mais se pratica o amor ao próximo, tanto mais se estará praticando o amor a Deus. Amar o outro sem nada desejar em troca. Como vivo esta realidade na minha vida fraterna e na missão?

Oração

Santa Teresa de Jesus, vós que vivestes o amor perfeito, que amastes o outro sem esperar ser amada ou receber algo em troca, fazei que eu me deixe ser instruída pela Sua Majestade para alcançar esse amor perfeito. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

7º Dia – Oração – encontro com o Amigo íntimo

Desde que entrara para o Carmelo sua saúde não foi muito estável, chegando quase à morte. Por 20 anos tinha vômitos pela manhã, sendo impedida de alimentar-se até o meio dia. Como comungava diariamente, durante à noite, provocava-o para que seu mal estar não fosse pior. Apesar de todos esses males era alegre, pois tinha a impressão de com isso estava a servir o Senhor de alguma maneira. Para ela na doença e em situações difíceis, a alma que ama tem como verdadeira oração fazer a dádiva dos seus sofrimentos, lembrar daqueles por quem os padece, conformar-se com as suas dores. Trata-se, portanto, do exercício do amor, pois somos obrigados a orar quando temos momentos de solidão, porque se estes nos faltam, mesmo assim se pode orar. O Senhor nos tira o tempo da oração com sofrimentos, mas consegue-se obter lucros com esses momentos.

Santa Teresa nos ensina o caminho da oração. Este caminho começa por estar a sós, somente na companhia do próprio Mestre, pois Ele com amor e humildade é que nos ensina a orar. Para ela é preciso ter os nossos olhos nos Seus olhos, pois Ele está sempre a nos olhar, suportando as abominações que praticamos contra Ele. Ela compara a cada uma de suas filhas a uma esposa bem casada que se mostra triste quando vê o esposo triste e alegre quando o vê alegre, mesmo que não esteja. Se estivermos alegres, vejamo-Lo ressuscitado, pois o simples imaginar que saiu do sepulcro nos alegrará. Se estivermos tristes, vejamo-lo a caminho do Horto; pensemos na tamanha aflição de Sua alma. Podemos vê-Lo atado às colunas, cheio de dores, com a carne feita em pedaços, sofrendo muito; perseguido por uns, cuspido por outros, renegados pelos amigos, desamparado por eles, sem ninguém que O defendesse, gelado de frio, posto em imensa solidão. Teresa pedia: contemplai o Senhor carregando a cruz, sem que O deixassem recobrar o fôlego; com os olhos cheios de lágrimas, esquecendo de Suas dores para consolar as nossas.

Ela chama suas filhas para carregar a cruz de Cristo, para que Ele não siga tão carregado, não se incomodando com os judeus que as atropelam; não se importando com o que dizem e fazendo-se de surdas aos murmúrios; tropeçando ou caindo com o Esposo não devem se afastar e nem deixar a cruz.

“Sem tal companhia Vejo me cativo. Sem ti, vida minha, É morte o que eu vivo.”

Reflexão

1. Santa Teresa fez de sua oração um encontro pessoal e íntimo com Jesus, mergulhando em Suas alegria, dores e sofrimentos. Contemplando a vida, morte e ressurreição de Cristo, caminho para a união plena com o Amado, tornando-me um com Ele?

2. Santa Teresa fez da dor uma oração, conformando a sua vontade com a vontade de Deus, entendendo que mesmo naquela situação era chamada a servir. A minha oração é de um verdadeiro abandono à vontade de Deus, assumindo a vocação de serva de Sua Majestade, não parando nas minhas limitações e dores?

Oração

Santa Teresa d’Ávila, vós que fizestes da oração o caminho perfeito para viver a união plena com o Amado, fazei com que eu, por meio do encontro íntimo com Jesus, identificando-me com Suas dores e sofrimentos, abrace com amor a cruz que sou chamado a carregar, vivendo em plenitude a união espiritual com Cristo. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

8º Dia – Matrimônio Espiritual

Estando um dia no Convento da Encarnação, ao receber a comunhão, o padre João da Cruz, partiu a Hóstia para a outra irmã. Pensou ela que era por falta de Hóstia, mas ele queria mortificá-la, pois havia dito a ele, anteriormente, que gostava muito quando as Hóstias eram bem grandes. Ouviu naquele dia de Sua Majestade: “não tenhas medo, filha, que alguém tenha poder de afastar-te de Mim”. O Senhor apresentou-se, no seu íntimo, dando-lhe a Sua mão direita dizendo: “Olha este prego, que é sinal de que serás Minha esposa de hoje em diante. Até agora não o tinhas merecido; doravante, defenderás Minha honra não só como Criador, como Rei e como teu Deus, mas como verdadeira esposa Minha: Minha honra é a tua, e a tua, Minha.”

Tamanha foi sua alegria que ficou como que desatinada e disse ao Senhor que ou aumentasse a sua baixeza ou não a concedesse tão infinita graça, pois certamente não lhe parecia que a sua natureza pudesse suportar.

No matrimônio espiritual a união secreta se passa no centro mais íntimo da alma, que deve ser onde está o próprio Deus. Não precisa de porta para entrar, porque em todas as graças, os sentidos e as faculdades parecem servir de intermediários, o mesmo devendo acontecer com esse aparecimento da Humanidade do Senhor. Ele aparece no centro da alma sem visão imaginária, mas intelectual, tal como surgiu aos Apóstolos, sem entrar pela porta, e lhes disse: “a paz esteja convosco”.

O Matrimônio espiritual é como se a água caísse do céu sobre um rio ou uma fonte, confundindo-se então todas as águas. Já não se sabe o que é água do rio ou água que cai do céu. “Quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito”, talvez São Paulo esteja se referindo a união da alma com o seu Esposo. Sem dúvida, a alma que se esvazia de tudo o que é criado e desapega-se dele por amor a Deus, o próprio Senhor a preenche de Si mesmo.

“Eis aqui meu coração: Deponho-o na vossa palma; Minhas entranhas, minha alma, Meu corpo, vida e afeição. Doce Esposo e Redenção, A vós entregar-me vim: Que mandais fazer de mim?

Reflexão

1. A alma que se esvazia de tudo que é criado e se desapega dele por amor a Deus é preenchida pelo seu Senhor, tornando-se uma com Ele. O que mais me impede hoje de viver essa união plena com o meu Amado?

2. Santa Teresa se tornava naquela Eucaristia uma só em Cristo. Sua alma, sua vida não mais pertencia a si mesma, mas era toda de Deus. Os passos que dou na vida consagrada estão me levando a ser inteira de Deus, estão me levando a viver esse matrimônio espiritual?

Oração

Santa Teresa d’Ávila, vós que lutastes contra o desejo da carne, contra vossos apegos para assim viver a união plena com o Amado, fazei que eu esvazie, a cada dia, a minha alma de tudo que é criado para que o meu coração seja preenchido somente pelo meu Senhor, tornando-me assim Sua Esposa. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

9º Dia – Maria, Mãe das Carmelitas

Um dia no mosteiro, conversando com outras monjas, nasceu a ideia de viverem segundo as regras primitivas do Carmelo. Resolveram colocar todos os planos e projetos nas mãos de Deus. Certa vez, após a comunhão, o Senhor lhe ordenou expressamente que se dedicasse a esse empreendimento com todas as suas forças, prometendo-lhe que o mosteiro não deixaria de ser feito e dizendo que ali seria muito bem servido. Este devia ser dedicado a S. José, pois este santo glorioso guardaria uma porta, Nossa Senhora, a outra, e Cristo andaria ao seu lado; e a casa seria uma estrela da qual sairia um grande resplendor. Começou, então, a construção do mosteiro de S. José. Muitos foram os problemas, as tribulações e perseguições para que ela desistisse. Mas se manteve firme e em silêncio diante dos ataques; sempre esperando em Deus. Achava que aquele espaço não seria adequado, pensou em ampliá-lo, mas o Senhor não permitiu, pois queria que este fosse pequeno e que ali se vivesse a pobreza.

No dia de Nossa Senhora da Assunção, considerando seus inúmeros pecados veio-lhe um arroubo imenso, sentou-se naquele momento e teve a impressão que alguém lhe cobria com uma roupa de grande brancura e esplendor. No início não via quem fazia isso, depois percebeu que era Nossa Senhora do seu lado direito e S. José, do esquerdo adornando-a com aquelas vestes, purificando-a dos seus pecados. Maria dizia que se contentava em vê-la servindo ao glorioso S. José e que o mosteiro se faria de acordo com o seu desejo e que os dois seriam muito bem servidos ali. Pediu para que nada temesse, pois o seu Filho prometera andar ao seu lado.

Até conseguir a licença para ir para o Mosteiro de S. José foram muitas batalhas travadas com o demônio que usava de todas as armas para combatê-la, mas sentiu consolada quando lá chegou. Numa festa da Assunção da Rainha dos Anjos e Senhora Nossa, o Senhor quis lhe fazer um favor apresentando-lhe a Sua subida ao céu, a alegria e a solenidade com que Ela foi recebida, bem como o lugar onde está. O seu espírito teve enorme exultação ao contemplar a imensa glória. Isso fez com que santa Teresa desejasse cada vez mais suportar grandes sofrimentos e servir a essa Senhora, que tanto mereceu. Sabia que era preciso confiar nos méritos de Jesus e de Sua Mãe para vencer as batalhas. Sentia-se muito indigna de vestir o hábito de Sua Mãe, mas pedia a todas as suas filhas que louvassem por ele, porque eram verdadeiramente filhas dessa Senhora. E que deviam sempre imitá-La e considerar a imensa grandeza dessa Senhora, bem como a vantagem de tê-la por padroeira; pois nem seus grandes pecados e o fato de ser como era podiam ofuscar minimamente essa sagrada Ordem.

“Seu Único Filho O Pai nos envia Nasce hoje na lapa, Da Virgem Maria”.

Reflexão

1. Santa Teresa via Maria como mãe e protetora, pois em todos os momentos recorreu a Ela e foi prontamente atendida. Na minha vida de consagrado encontro em Maria a proteção, o consolo, a direção?

2. Santa Teresa pedia que suas monjas considerassem grande honra ter Nossa Senhora como padroeira e que, como filhas dessa boa Mãe, louvassem a Deus pelo hábito que traziam e que a imitassem sempre. Busco em Maria as virtudes necessárias para bem servir Jesus Cristo?

Oração

Santa Teresa d’Ávila, vós que encontrastes em Maria a proteção, o consolo, o caminho que vos levaria a Jesus, fazei que eu, conduzido pelas mãos da Mãe da Luz da Vida, resplandeça a verdadeira luz que ilumina as trevas do mundo. Amém

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós.

LITURGIA DIÁRIA

 

Evangelho de terça-feira: O único imprescindível

Evangelho de 3ª feira da 27ª semana do tempo comum. “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas." Para nos preocuparmos com as coisas de Deus, devemos ouvir a voz de Jesus e, assim, renovar nossas disposições repetidamente.


Evangelho (Lc 10,38-42)

Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.

Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”

O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada.”


Comentário

O evangelho da missa de hoje nos recorda um breve, porém significativo encontro entre Jesus, Marta e Maria. Marta, anfitriã do Senhor, anda de cá para lá, cheia de preocupações – completamente ocupada – e inquieta com suas tarefas domésticas. Sua irmã, ao contrário, senta-se ao lado do Senhor, a seus pés, em atitude de interesse e escuta o que ele diz. O relato destaca o contraste entre a atitude externa de ambas. Externamente, Maria está próxima do Senhor, sentada a seu lado, quieta e ouvindo; Marta está longe do Senhor, de pé, agitada e falando. Inclusive, quando Marta se aproxima de Jesus, ela o faz ficando na frente dele, quase numa atitude de desafio.

Tanto no exterior quanto internamente, o relato recorda um pouco a ressurreição de Lázaro (Jo 11, 1-44): Marta inquieta e confusa em suas ideias e com dificuldade para ouvir; Maria tranquila, à escuta dócil e confiante aos pés de Jesus. No texto de Lucas, Marta tem em mente apenas o serviço, as necessidades imediatas da mesa. Jesus aproveita a situação para instruir a ambas. Não se trata de um juízo sobre o comportamento externo, mas sobre o coração. A comida é necessária, mas só um alimento é imprescindível, e esse é a palavra do Senhor, palavra de vida eterna – uma vida que não passa – que nos ilumina sobre o sentido de todo o resto.

Jesus vem à nossa casa. E poderíamos pensar que o mais importante é o que podemos lhe oferecer e contar. Mas, na realidade, o mais importante é o que Ele nos oferece: “o reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33), “o alimento que permanece até a vida eterna” (Jo 6,27). A vida do corpo é importante e, geralmente, está em nossas mãos cuidá-la, mas para que serve esta vida se não se alcança a vida eterna? Jesus não julga as nossas obras, mas a atitude com a que as fazemos: pede-nos que sejam ocasião de diálogo verdadeiro com Deus e que saibamos discernir a sua importância.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Não nos resta que rezar

Maria não é uma ideologia ou a um projeto de poder.

A Novena de Nossa Senhora Aparecida, iniciada em 3 de outubro e celebrada até o dia 11 tem como centro o convite a “conhecer e praticar a Palavra”, colocando a Sagrada Escritura no coração da devoção mariana.

Não é uma coincidência menor.

A devoção a Nossa Senhora Aparecida nasceu de um gesto simples de homens simples, passou pela história do Brasil e chegou a 1930, quando Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. Hoje, o Santuário Nacional é a casa espiritual de milhões de brasileiros.

Mas uma devoção verdadeira não se mede apenas pelo número de velas acesas, de peregrinos ou de orações pronunciadas.

Mede-se pela vida que se transforma depois da oração.

Maria não substitui Cristo: conduz a Ele

É aqui que a espiritualidade mariana precisa ser compreendida em toda a sua seriedade.

Maria não é um amuleto nacional. Não é uma espécie de garantia celeste para os destinos de uma nação. É a serva do Senhor, aquela que diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Por isso, colocar o Brasil sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida significa, antes de qualquer outra coisa, desejar que o Brasil seja novamente um povo capaz de escutar e praticar a mensagem de amor, de perdão e de justiça.

Os bispos brasileiros têm insistido justamente nessa direção. Ao iniciarem sua Assembleia Geral em Aparecida, em abril deste ano, os membros da CNBB foram recebidos sob o olhar de Nossa Senhora e afirmaram que suas reflexões sobre a missão da Igreja e os desafios do tempo presente deveriam ser iluminadas pelo Evangelho.

A ordem é importante: primeiro o Evangelho; depois, a presença do cristão no mundo.

A Igreja não precisa de um partido católico para ser fiel ao seu Senhor. Precisa de católicos fiéis.

A própria CNBB recorda, em sua mensagem ao povo brasileiro, que a Igreja não indica candidatos nem partidos. Ao mesmo tempo, afirma que a fé cristã e a Doutrina Social da Igreja têm consequências para a vida pública, especialmente na defesa da dignidade humana, da vida e do bem comum.

E Maria continua dizendo a mesma coisa: voltem para o meu Filho.

Uma fé que não pode ser apenas cultural

Talvez este seja o ponto mais exigente da devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Não basta um país declarar-se católico.

Não basta uma imagem de Maria em uma casa.

Não basta carregar um terço.

Não basta recorrer a Deus quando precisamos de alguma coisa.

A fé católica é uma forma de vida.

Por isso a mensagem de Fátima permanece tão exigente. Entre as palavras que condensam a mensagem de Fátima estão adoração, conversão, oração e penitência.

E La Salette apresenta a mesma lógica espiritual. Em 1846, a Senhora apareceu chorando e chamou os seus filhos à conversão e à penitência. A imagem da Virgem das Lágrimas não é uma decoração piedosa: é uma advertência materna diante do pecado e do afastamento de Deus.

Fátima e La Salette, cada uma em seu contexto e dentro do discernimento da Igreja, recordam uma verdade simples: não existe devoção mariana autêntica sem conversão.

Maria não nos consola para que continuemos iguais.

Maria nos consola para que voltemos a Cristo.

O Brasil aos pés da Padroeira

É significativo que, em 2026, os bispos brasileiros tenham iniciado sua Assembleia Geral justamente diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Não porque a Igreja precise escolher um lado político.

Mas porque a Igreja precisa recordar de que lado está.

Está de Cristo.

E é precisamente por isso que pode servir a todos, dialogar com todos, defender a dignidade de todos e chamar todos à conversão.

A CNBB confiou novamente a missão do novo arcebispo de Aparecida à intercessão de Nossa Senhora, chamando-a de “padroeira do Brasil” e pedindo que ela seja guia e intercessora.

Eis a perspectiva correta.

Não precisamos de uma Nossa Senhora capturada pela política.

Precisamos de uma Igreja suficientemente livre para anunciar Cristo a quem governa e a quem é governado; a quem vence e a quem perde; a quem concorda e a quem discorda.

Não nos resta que rezar

Por isso, aos pés de Nossa Senhora Aparecida, a oração pelo Brasil não deve ser uma oração para que Deus realize os nossos projetos.

Deve ser uma oração para que nós realizemos a vontade de Deus.

Que Maria ensine as famílias brasileiras a rezar.

Que ensine os pais a transmitir a fé.

Que ensine os jovens a não ter vergonha de Cristo.

Que ensine os católicos a não reduzirem o Evangelho a opiniões políticas.

Que ensine os homens públicos a compreenderem que toda autoridade é serviço.

Que ensine a Igreja a permanecer livre diante de todo poder humano.

E que ensine o Brasil a reencontrar aquilo que está no centro de sua própria devoção mariana:

Jesus Cristo.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, não precisa que o Brasil a transforme em símbolo de uma causa humana.

Precisa que o Brasil escute sua única grande mensagem:

“Fazei tudo o que Ele vos disser.”

Então, sim, não nos resta que rezar.

Mas rezar de verdade.

Com o terço nas mãos, a Palavra no coração e a vida disposta à conversão.

Porque uma nação não se torna cristã apenas por suas tradições.

Torna-se cristã quando seus filhos começam, de fato, a viver como discípulos de Cristo.

IGREJA

 

O carisma de São Francisco continua a dar frutos ainda hoje, diz Leão XIV no Ângelus

O pontífice assinala o 800.º aniversário da morte de São Francisco de Assis e pede orações para que os povos sejam libertados do «flagelo da guerra».

No domingo, o Papa Leão XIV refletiu sobre a parábola dos lavradores e comentou que «o carisma de São Francisco continua a dar frutos ainda hoje», oito séculos após a morte do santo.Ao rezar o Ângelus diante dos peregrinos reunidos na praça de São Pedro, o papa observou que o Evangelho relata como Cristo veio para trazer a salvação, mas foi rejeitado por aqueles que o deveriam ter acolhido.

«O Filho de Deus enviado ao mundo é rejeitado precisamente por aqueles que o deveriam ter acolhido de braços abertos. Aquele que veio trazer a salvação é condenado; Aquele que deseja dar vida é condenado à morte», disse o papa.

Embora isso leva os cristãos a refletir sobre «as muitas crueldades que assolam o mundo e a história dos povos», acrescentou ele, «o ensinamento de Cristo revela a misericórdia cada vez maior do seu Pai».

Apesar da rejeição de Deus por parte da humanidade, a providência divina continua a guiar a história rumo à redenção, disse Leão XIV.

«É assim que o Todo-Poderoso guia a história, vindo em nosso auxílio em todas as nossas quedas: Deus nunca descarta as nossas vidas», afirmou.Inspirando-se na imagem evangélica da vinha, o papa afirmou que a Igreja está confiada aos cuidados dos cristãos e pode ser edificada ou prejudicada por suas escolhas.

Por ocasião do oitavo centenário da morte de São Francisco, Leão destacou o papel do santo na renovação da Igreja, depois de Cristo o ter chamado para a «reparar».

«Inspirado pelo Crucificado, Francisco construiu, antes de mais nada, a sua própria vida sobre o alicerce de Cristo, partilhando a sua pobreza, alegria e sofrimentos, chegando mesmo a receber o sinal místico dos estigmas», disse o papa.

O santo, continuou ele, «reparou a Igreja em virtude da sua fé no Senhor Jesus, sanando as divisões causadas pela discórdia através do testemunho do amor fraterno».«O carisma de São Francisco continua a dar frutos ainda hoje», disse ele. «Isto é atestado, não só pela grande e vibrante família franciscana, mas também pelos muitos dons que o seu legado espiritual concede ao Povo de Deus».

Enquanto os católicos celebram o Ano Jubilar Franciscano, o papa encorajou os fiéis a perseverarem na oração pela paz e a trabalharem ativamente pela reconciliação entre as nações.

Após rezar o Ângelus, Leão XIV renovou o apelo por paz durante o mês de outubro, destacando a iniciativa «Um Milhão de Crianças Rezam o Rosário», organizada pela Ajuda à Igreja que Sofre de 1º a 7 de outubro.

«Agradeço de todo o coração a todos os meninos e meninas que se juntam a esta oração em tantas partes do mundo», afirmou. «Sigamos todos o seu exemplo, invocando a intercessão da Virgem Maria para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra.»O papa pediu orações pela Terra Santa e pelas vítimas inocentes da violência.

Leão anunciou também o encontro no Vaticano pelo 10.º aniversário da Amoris laetitia, a exortação apostólica do papa Francisco sobre o casamento e a vida familiar. O encontro reunirá os chefes das Igrejas Católicas Orientais e os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo.

«Será um momento de discernimento sinodal para identificar os passos a dar, a fim de proclamar o Evangelho hoje entre as famílias e as gerações mais jovens», disse o papa.

O papa confiou tanto o encontro como as famílias de todo o mundo às orações dos fiéis, descrevendo as famílias como «um sinal de esperança e um tesouro inestimável para a Igreja e para a sociedade».