Os três critérios de Leão XIV para cantar bem na missa
Leão XIV começa mencionando um ponto importante:
O canto e a música litúrgica constituem, na tradição da Igreja, um tesouro de valor inestimável.
E imediatamente, após evocar esse aspecto que poderíamos qualificar de "patrimonial", ele precisa que o canto e a música litúrgica fazem parte necessária e integrante da liturgia solene da missa. Através disso, o papa Leão afirma que o canto e a música não são uma ornamentação da liturgia, mas fazem parte do coração da liturgia.
Nossos amigos ortodoxos costumam nos dizer isso de forma um pouco maliciosa: "Vocês, os latinos ou ocidentais, cantam na missa; mas nós, nós cantamos a missa." Acredito que há algo aí para ser ouvido.
A santidade da música e do canto litúrgico
Em um segundo momento, Leão XIV evoca o que chama de coração do ensinamento do Capítulo VI da Constituição, focado na música. Trata-se do número 112, um número importante que especifica que a música e o canto litúrgicos serão tanto mais santos — ele diz expressamente "santos" e não apenas "adequados", o que demonstra bem que fazem parte da liturgia — quanto necessários para que a liturgia seja uma santa liturgia. O canto e a música serão tanto mais santos quanto mais estreitamente estiverem conectados com o seu rito. Isso significa muito simplesmente que o critério número um para sua escolha é a adequação do canto e da música ao rito. Em termos claros: um canto de entrada não é um canto de comunhão, assim como um canto de Quaresma não é um canto de Páscoa. Esse ponto é particularmente importante na situação atual da Europa Ocidental onde, sob influências pentecostais, os cantos de louvor e meditação — por mais importantes que sejam — tendem a aplainar a diversidade do canto litúrgico e a ignorar a especificidade de cada tempo do ano litúrgico: o Advento, a Quaresma, o Tempo Pascal. Além disso, um canto de entrada e um canto de comunhão não são a mesma coisa.
A participação dos fiéis na missa
Em seguida, Leão XIV se une ao seu distante antecessor, São Pio X, no que diz respeito à "participação ativa". Pio X foi o primeiro dos papas a incorporar essa expressão, cujo sucesso todos conhecemos. É uma expressão que seria muito importante para o Movimento Litúrgico e na Constituição sobre a sagrada liturgia. Ele foi o primeiro papa a integrá-la em um documento magisterial de alto nível, um motu proprio, precisamente dedicado à música e ao canto litúrgico. O canto e a música litúrgica são um dos lugares eminentes da participação ativa do povo cristão no mistério celebrado.
O Papa recorre ao seu mestre, Santo Agostinho, para sublinhar que o canto e a música litúrgica honram de modo muito particular a dimensão sensível e afetiva da liturgia. Ele acrescenta que o canto e a música litúrgica são um fator de comunhão, sendo a dimensão de comunhão e de unidade extremamente importante em Santo Agostinho. A propósito da comunhão, todos nós já tivemos a experiência de um belo canto entoado em conjunto pela assembleia, o qual manifesta e molda a comunhão de pessoas que, de outro modo, seriam muito diferentes.
"Nobre simplicidade"
Contudo, se o canto e a música litúrgica são fatores de comunhão, criar bons cantos e uma boa música litúrgica é algo exigente. O Papa faz um apelo aos compositores, propondo três "critérios" de qualidade. O primeiro é a adequação ao rito. O segundo critério é a "nobre simplicidade". Embora costumemos falar de nobre simplicidade a respeito da arte sacra, Leão XIV aplica precisamente essa exigência ao canto e à música litúrgica. Nobre simplicidade não significa banalidade, mas sim facilidade de interpretação por uma assembleia paroquial normal, com vistas a uma participação ativa.
O terceiro critério diz respeito aos textos, que devem ser profundos, mas, ao mesmo tempo, acessíveis. Nobreza e simplicidade, profundidade e acessibilidade. Existe aí uma tensão que é constitutiva da qualidade da música e do canto litúrgico. No que tange aos textos, o Papa sublinha, obviamente, que eles devem ser inspirados pela Sagrada Escritura. Na tradição católica, não se canta a Sagrada Escritura — com a notável exceção dos salmos —, mas toda a tradição da Igreja Latina insistiu no fato de que o canto e a música estavam a serviço da Escritura Sagrada. O canto gregoriano é um exemplo eminente disso. Precisamente no sexto ponto da catequese papal, Leão XIV recorda a importância singular do canto gregoriano e do órgão na tradição católica, dois elementos que constituem uma forma de referência para compor cantos e músicas adaptados às condições atuais.
A importância singular do canto gregoriano
O penúltimo ponto, a questão da inculturação — mais desenvolvida aqui do que na Sacrosanctum Concilium —, traz a marca pessoal do Papa. Leão XIV sublinha — talvez devido à sua experiência como pastor na América Latina — que a música e o canto são um dos lugares eminentes da inculturação e são necessários para consumar o matrimônio entre o Evangelho e uma determinada cultura. Um exemplo magnífico, que o Papa não cita, é o oferecido pelos beneditinos de Keur Moussa, no Senegal. A Abadia de Keur Moussa foi fundada pela Abadia de Solesmes. Seus monges são herdeiros da tradição gregoriana mais autêntica e ocidental que existe. No entanto, eles conseguiram inculturar essa tradição profundamente latina com as tradições musicais e instrumentais mais autênticas da África. É um exemplo excepcional de inculturação bem-sucedida.
Leão XIV termina, seguindo os passos de seu antecessor Francisco, com um apelo à formação para o canto e a música litúrgica. Abrindo uma exceção, terminarei destacando algo que implementamos há cerca de vinte anos no Instituto Superior de Liturgia: um diploma universitário de música litúrgica, partindo da constatação de que, precisamente, muitos músicos da Igreja careciam de formação teológica. Como o Papa disse no início, a música não é uma ornamentação, mas faz parte da liturgia. Daí a importância de uma formação de fundo em canto e música litúrgica.
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