quarta-feira, 16 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

A melhor oração mariana para quando você precisa muito de ajuda

Uma das orações católicas à Santíssima Virgem Maria mais conhecidas - e quase tão popular quanto a Ave Maria - é o Memorare. É uma antiga prece que tem fama de ser milagrosa.

A oração, tradicionalmente atribuída a São Bernardo, recebe o nome da primeira palavra da oração original em latim. No entanto, a oração que conhecemos hoje é realmente encontrada dentro de uma oração muito maior para a Virgem Maria, intitulada Ad sanctitatis tuae pedesdulcissima Virgo Maria ("A seus pés sagrados, dulcíssima Virgem Maria").

Memorare foi popularizado por outro Bernard, Pe. Claude Bernard, no século XVII. Pe. Claude acreditava que a recitação da oração era a causa de sua cura milagrosa. Ele imprimiu mais de 200.000 folhetos com a oração em diferentes idiomas para distribuir onde quer que conseguisse.

São Francisco de Sales rezava essa oração diariamente, e Santa Teresa de Calcutá ensinava os outros a dizê-la quando eles mais precisavam de ajuda. Madre Teresa recorria a essa oração sempre que estava diante de uma situação de emergência e precisava de um milagre. A prece nunca falhou com ela e provou seu caráter milagroso ao longo dos anos através de milhares de testemunhos.

Para aqueles que não estão familiarizados com a oração, ela está aqui embaixo. Reze com fé sincera e confiança em Deus. Ele sempre responde as nossas orações, embora nem sempre da maneira que esperamos.

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria,
de que nunca se ouviu dizer
que algum dos que recorreram à vossa proteção,
imploraram a vossa assistência
e clamaram por vosso socorro
tenha sido por Vós desamparado.

Animado eu, pois, com igual confiança,
a Vós, ó Virgem entre todas singular,
como à Mãe recorro, de Vós me valho e,
gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos vossos pés.

Não rejeiteis as minhas súplicas,
ó Mãe do Verbo de Deus humanado,
mas dignai-Vos de as ouvir propícia,
e de me alcançar o que vos rogo.

Amém.

SANTO DO DIA

 Hoje a Igreja celebra são Cornélio e são Cipriano, amigos defensores da fé

Hoje (16), a Igreja celebra o papa são Cornélio e o bispo são Cipriano, dois amigos que se opuseram às heresias e blasfêmias de seu tempo, o que os levou a morrer como mártires.

Cornélio significa “duro como chifre” e durante sua vida honrou seu nome, pois enfrentou com firmeza a heresia de Novaciano, que proclamava que a Igreja Católica não tinha poder para perdoar os pecados. Entretanto, o papa se opôs e sustentou o perdão para o pecador verdadeiramente arrependido.

Entre os que apoiavam o papa estava são Cipriano, o qual o respaldou contra a heresia de Novaciano.Porém, o sofrimento de são Cornélio não seria apenas por questões internas na Igreja, mas também pela perseguição aos cristãos por parte do imperador Décio. Foi envido ao desterro e morreu decapitado no ano 253.

Cipriano, bispo de Cartago, por sua vez, sofreu do mesmo modo a perseguição de Décio e do imperador Valeriano. Mais tarde, decretaram pena de morte a ele por continuar celebrando cerimônias religiosas e se opor a oferecer sacrifícios aos deuses. Ele, ao ouvir sua sentença, exclamou: “Graça sejam dadas a Deus”. Em seguida, foi decapitado em setembro de 258.

Assim, os dois amigos, unidos na fé e no apoio em tempos difíceis, padeceram o mesmo suplício e deram testemunho aos demais cristãos para que permaneçam firmes na Verdade.

IGREJA


Leão XIV comemora 71 anos abrindo exposição sobre água na Biblioteca Vaticana



 O papa Leão XIV comemorou ontem (14) seu 71º aniversário no Vaticano com a inauguração de uma exposição de arte sobre a água na Biblioteca Apostólica Vaticana.

O papa inaugurou a exposição AQVA, parte do tema Catástrofe e Maravilha, que ficará em cartaz na Biblioteca Vaticana até 14 de maio do ano que vem. A exposição tem obras de arte que destacam uma “reflexão sobre a água como ameaça e recurso” e reflete um foco recente na promoção da arte contemporânea no Vaticano.

A biblioteca do papa é um coração'

A ocasião também marcou a primeira visita de Leão XIV à biblioteca desde sua eleição para o papado no ano passado. Em seu discurso , ele descreveu a Biblioteca Vaticana — a biblioteca do Papa — como um coração pulsante e um símbolo da vida.

“Como devemos descrever a biblioteca do Papa? Usarei uma metáfora: a Biblioteca Apostólica é um coração”, disse Leão XIV. “Um coração pulsante é um símbolo da vida e resulta de dois movimentos opostos, a sístole e a diástole: uma contração e um relaxamento, um movimento em direção ao centro e outro em direção à periferia”.

O papa disse então que os movimentos de contração e relaxamento do coração se refletem tanto na atmosfera tranquila da Biblioteca Vaticana quanto em seu envolvimento com a história da humanidade.


O arcebispo Giovanni Cesare Pagazzi, bibliotecário e arquivista da Santa Sé, falou sobre o papel da biblioteca e da Igreja na promoção do diálogo, conforme demonstrado pela nova exposição.

“Essa exposição, entre outras coisas, ao reunir uma biblioteca secular e artistas contemporâneos, afirma exatamente isso: as gerações estão interligadas. Não vamos fingir ser só homens e mulheres, porque já estamos na companhia de todas as gerações, e a elas devemos muito”, disse Pagazzi à EWTN News na inauguração.

A exposição apresenta arte contemporânea, inclusive uma enorme instalação artística inspirada na icônica gravura em madeira de Gustave Doré, de 1866, sobre o Grande Dilúvio, uma coleção de contos culinários do chef italiano Fulvio Pierangelini e obras de arte marinhas do tipógrafo americano Bill Moran, além de peças das coleções permanentes do Vaticano, como livros de receitas históricos de várias partes do mundo com foco em frutos do mar.O papa também encorajou todos os presentes, em particular os funcionários da Biblioteca Vaticana, a "continuarem buscando novos caminhos para a reconciliação".

J.R., artista francês que criou a instalação de uma onda do oceano na parte externa da biblioteca, falou sobre seu papel como construtor de pontes.

“Bem, sabe, como artista, meu papel é criar pontes, e por isso me sinto no meu lugar, onde preciso estar trabalhando, mesmo que seja bastante intimidante trabalhar num lugar como o Vaticano”, disse J.R. à EWTN News.

Mais espaço na Biblioteca Vaticana

Num documento divulgado no mesmo dia, Leão XIV decretou a construção de um edifício na Cidade do Vaticano para abrigar a crescente coleção de manuscritos da Biblioteca Vaticana. Ele disse que o espaço de armazenamento atual era insuficiente, citando a transferência, pelo papa Francisco, de parte da biblioteca para o edifício do Pontifício Seminário Maior Romano, próximo à basílica de São João de Latrão, em Roma, em 2024.

“Surgiram oportunidades sem precedentes para a criação de novas instalações no território do Estado da Cidade do Vaticano, que são, sem dúvida, preferíveis, por uma série de razões, à solução que havia sido identificada anteriormente”, escreveu Leão XIV. O novo edifício ficará numa área atualmente reservada para o estacionamento de veículos de serviço.

LITURGIA DIÁRIA

 

4ª feira da 24ª semana do Tempo Comum: Recordar para agradecer

Evangelho da 4ª feira da 24ª semana do Tempo Comum e comentário do evangelho.



Evangelho (Lc 7,31-35)

Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem?

São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo:
‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’

Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’ Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’
Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.


Comentário

Ao contemplar a vida de seus contemporâneos, Jesus os compara às crianças sentadas na praça que permaneceram indiferentes àqueles que tentaram distraí-los: “Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!”.

Apesar de terem visto milagres, ouvido sua palavra e até mesmo serem atraídos por sua figura, nada os moveu. No fundo, eles permanecem em suas próprias ideias, não são capazes de reconhecer os chamados de Deus através das pessoas e dos acontecimentos. “Veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’ Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão’”.

Tantas vezes Jesus poderia nos dizer o mesmo que disse aos de sua geração: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!”.

Jesus nos pede que tenhamos um coração sensível e agradecido: “a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”. Um coração capaz de perceber todos os dons que nosso Deus Pai nos dá. Ao mesmo tempo, Jesus nos pede para mostrarmos ao mundo com a nossa alegria, com a nossa gratidão, com o nosso sorriso, a maravilha de acreditar em um Deus que nos ama loucamente e que fez tanto por nós.

O que podemos fazer para sermos agradecidos? Uma das coisas que podemos fazer é recordar. Com o passar dos anos, nos tornamos mais conscientes de todas as pessoas que nos ajudaram na vida. Em primeiro lugar, os nossos pais, amigos, padres, professores e tantas outras pessoas.

Isso também nos ajuda a nos comportarmos com Deus da mesma maneira. Recordando sempre todas as coisas boas que recebemos d’Ele. Há um ponto de Forja que resume muito bem esta atitude:

“Que dívida a tua para com teu Pai-Deus! - Ele te deu o ser, a inteligência, a vontade... Deu-te a graça: o Espírito Santo; Jesus, na Hóstia; a filiação divina; a Santíssima Virgem, Mãe de Deus e Mãe nossa. Deu-te a possibilidade de participares na Santa Missa e te concede o perdão dos teus pecados, tantas vezes o seu perdão! Deu-te dons sem conta, alguns extraordinários...
- Diz-me, filho: como tens correspondido?, como correspondes?[1]

terça-feira, 15 de setembro de 2026

ESPIRITUALIDADE

 

Como Nossa Senhora das Dores pode ajudar a resolver seus problemas

Setembro é o mês de Nossa Senhora das Dores. E especificamente este setembro de 2020 é o momento certo para encontrarmos força nesta devoção, enquanto nos ajustamos aos desafios com o trabalho e a escola na pandemia, além de toda a crise provocada pelo novo coronavírus.

Nosso mundo "mascarado" até parece surreal, pois ficamos a pelo menos dois metros de distância das pessoas. Mas Nossa Senhora oferece-nos o melhor consolo possível.

Um mês antes da devoção de outubro a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, setembro é um momento ideal para fortalecer nossa conexão com Maria. O amor e a compaixão que sentimos quando meditamos sobre as tristezas da Mãe de Deus nos permite esquecer ou transcender as nossas por um tempo. Além disso, somos lembrados de que nossa Mãe realmente nos entende.

Nas palavras do Papa São João Paulo II: "Voltemos os olhos incessantemente para a Santíssima Virgem; ela, que é Mãe das Dores e também Mãe da Consolação, pode compreender-nos totalmente e ajudar-nos. Olhando para ela, orando a ela, você conseguirá que seu tédio se transforme em serenidade, sua angústia se transforme em esperança e sua dor em amor ”.

Este mês, vamos unir nossas tristezas às de Maria. Aqui estão 10 maneiras de fazer isso:

1
Transforme a dor em propósito

Pegue os sofrimentos que você suporta e ofereça-os ao Coração Imaculado de Maria. Recorrer às suas tristezas impedirá um coração morno e, em vez disso, permitirá que você arda em devoção e amor enquanto contempla as tristezas da nossa Mãe e oferece sacrifícios e atos de reparação, como a Devoção do Primeiro Sábado. Transformar a dor em propósito por meio desses atos é uma cura para a mente e o coração.

2
Cultive a alegria

Concentre-se menos em suas dores e cultive a alegria de só pensar na maravilhosa Mãe Santíssima que temos! Quando você se sentir triste, reze uma Ave-Maria na hora. Outra ideia é fazer um diário de suas tristezas e, em seguida, escrever uma oração pedindo a Maria para ajudá-lo a curá-las.

3
Ajude alguém

Ofereça-se para carregar a cruz de alguém por um tempo. Você pode fazer isso enviando um cartão, ouvindo atentamente quando alguém quer falar sobre uma preocupação, uma dor ou uma solidão. Ofereça tempo e empatia, ao invés de dizer que está “muito ocupado” para isso. Você pode enviar um buquê para alguém que está passando por um momento difícil (talvez rosas ou lírios, em homenagem a Nossa Senhora). Cozinhe uma refeição gostosa para para fazer alguém se esquecer dos problemas! Que tal uma "comida caseira", como macarrão, canja de galinha ou panquecas?

4
Reze o Terço das 7 Dores de Nossa Senhora

A devoção das Sete Dores envolve a oração de sete Ave-Marias por dia, cada uma meditando sobre uma das sete dores de Nossa Senhora, que são:

- A profecia de Simeão,

- A fuga para o Egito,

- A perda do Menino Jesus no templo,

- O encontro de Jesus e Maria na Via Sacra,

- A crucificação e morte de Jesus,

- A retirada do Corpo de Jesus da Cruz e a preparação para o sepultamento,

- O enterro de Jesus.

O Terço das Sete Dores envolve repousar sobre cada uma das sete dores como se fosse um dos mistérios do Rosário, com sete Ave-Marias.

IGREJA

 

Os três critérios de Leão XIV para cantar bem na missa

Leão XIV começa mencionando um ponto importante:

O canto e a música litúrgica constituem, na tradição da Igreja, um tesouro de valor inestimável.

E imediatamente, após evocar esse aspecto que poderíamos qualificar de "patrimonial", ele precisa que o canto e a música litúrgica fazem parte necessária e integrante da liturgia solene da missa. Através disso, o papa Leão afirma que o canto e a música não são uma ornamentação da liturgia, mas fazem parte do coração da liturgia.

Nossos amigos ortodoxos costumam nos dizer isso de forma um pouco maliciosa: "Vocês, os latinos ou ocidentais, cantam na missa; mas nós, nós cantamos a missa." Acredito que há algo aí para ser ouvido.

A santidade da música e do canto litúrgico

Em um segundo momento, Leão XIV evoca o que chama de coração do ensinamento do Capítulo VI da Constituição, focado na música. Trata-se do número 112, um número importante que especifica que a música e o canto litúrgicos serão tanto mais santos — ele diz expressamente "santos" e não apenas "adequados", o que demonstra bem que fazem parte da liturgia — quanto necessários para que a liturgia seja uma santa liturgia. O canto e a música serão tanto mais santos quanto mais estreitamente estiverem conectados com o seu rito. Isso significa muito simplesmente que o critério número um para sua escolha é a adequação do canto e da música ao rito. Em termos claros: um canto de entrada não é um canto de comunhão, assim como um canto de Quaresma não é um canto de Páscoa. Esse ponto é particularmente importante na situação atual da Europa Ocidental onde, sob influências pentecostais, os cantos de louvor e meditação — por mais importantes que sejam — tendem a aplainar a diversidade do canto litúrgico e a ignorar a especificidade de cada tempo do ano litúrgico: o Advento, a Quaresma, o Tempo Pascal. Além disso, um canto de entrada e um canto de comunhão não são a mesma coisa.

A participação dos fiéis na missa

Em seguida, Leão XIV se une ao seu distante antecessor, São Pio X, no que diz respeito à "participação ativa". Pio X foi o primeiro dos papas a incorporar essa expressão, cujo sucesso todos conhecemos. É uma expressão que seria muito importante para o Movimento Litúrgico e na Constituição sobre a sagrada liturgia. Ele foi o primeiro papa a integrá-la em um documento magisterial de alto nível, um motu proprio, precisamente dedicado à música e ao canto litúrgico. O canto e a música litúrgica são um dos lugares eminentes da participação ativa do povo cristão no mistério celebrado.

O Papa recorre ao seu mestre, Santo Agostinho, para sublinhar que o canto e a música litúrgica honram de modo muito particular a dimensão sensível e afetiva da liturgia. Ele acrescenta que o canto e a música litúrgica são um fator de comunhão, sendo a dimensão de comunhão e de unidade extremamente importante em Santo Agostinho. A propósito da comunhão, todos nós já tivemos a experiência de um belo canto entoado em conjunto pela assembleia, o qual manifesta e molda a comunhão de pessoas que, de outro modo, seriam muito diferentes.

"Nobre simplicidade"

Contudo, se o canto e a música litúrgica são fatores de comunhão, criar bons cantos e uma boa música litúrgica é algo exigente. O Papa faz um apelo aos compositores, propondo três "critérios" de qualidade. O primeiro é a adequação ao rito. O segundo critério é a "nobre simplicidade". Embora costumemos falar de nobre simplicidade a respeito da arte sacra, Leão XIV aplica precisamente essa exigência ao canto e à música litúrgica. Nobre simplicidade não significa banalidade, mas sim facilidade de interpretação por uma assembleia paroquial normal, com vistas a uma participação ativa.

O terceiro critério diz respeito aos textos, que devem ser profundos, mas, ao mesmo tempo, acessíveis. Nobreza e simplicidade, profundidade e acessibilidade. Existe aí uma tensão que é constitutiva da qualidade da música e do canto litúrgico. No que tange aos textos, o Papa sublinha, obviamente, que eles devem ser inspirados pela Sagrada Escritura. Na tradição católica, não se canta a Sagrada Escritura — com a notável exceção dos salmos —, mas toda a tradição da Igreja Latina insistiu no fato de que o canto e a música estavam a serviço da Escritura Sagrada. O canto gregoriano é um exemplo eminente disso. Precisamente no sexto ponto da catequese papal, Leão XIV recorda a importância singular do canto gregoriano e do órgão na tradição católica, dois elementos que constituem uma forma de referência para compor cantos e músicas adaptados às condições atuais.

A importância singular do canto gregoriano

O penúltimo ponto, a questão da inculturação — mais desenvolvida aqui do que na Sacrosanctum Concilium —, traz a marca pessoal do Papa. Leão XIV sublinha — talvez devido à sua experiência como pastor na América Latina — que a música e o canto são um dos lugares eminentes da inculturação e são necessários para consumar o matrimônio entre o Evangelho e uma determinada cultura. Um exemplo magnífico, que o Papa não cita, é o oferecido pelos beneditinos de Keur Moussa, no Senegal. A Abadia de Keur Moussa foi fundada pela Abadia de Solesmes. Seus monges são herdeiros da tradição gregoriana mais autêntica e ocidental que existe. No entanto, eles conseguiram inculturar essa tradição profundamente latina com as tradições musicais e instrumentais mais autênticas da África. É um exemplo excepcional de inculturação bem-sucedida.

Leão XIV termina, seguindo os passos de seu antecessor Francisco, com um apelo à formação para o canto e a música litúrgica. Abrindo uma exceção, terminarei destacando algo que implementamos há cerca de vinte anos no Instituto Superior de Liturgia: um diploma universitário de música litúrgica, partindo da constatação de que, precisamente, muitos músicos da Igreja careciam de formação teológica. Como o Papa disse no início, a música não é uma ornamentação, mas faz parte da liturgia. Daí a importância de uma formação de fundo em canto e música litúrgica.

EDUCAÇÃO

 

Por que está cada vez mais difícil conviver com quem pensa diferente nas urnas?

“Como alguém pode votar nele?”
“Depois de tudo o que aconteceu, você ainda pensa assim?”
“Se você vota nesse partido, não temos mais nada em comum.”

Talvez você já tenha ouvido, ou até dito alguma dessas frases.

O que deveria ser uma manifestação legítima de opiniões diferentes passou, muitas vezes, a ameaçar relacionamentos. Famílias evitam determinados assuntos, amigos se afastam e pessoas rompem vínculos porque descobriram que votam em candidatos diferentes.

Quando o voto vira identidade:

Uma das razões está no fato de que a política passou a ocupar um espaço importante na identidade de muitas pessoas. Não é mais apenas: “Eu votei nesse candidato.” É: “Eu sou desse lado.”

Quando uma posição política se torna parte da nossa identidade, qualquer crítica pode ser sentida como um ataque pessoal. A conversa deixa de ser sobre ideias e passa a ser uma disputa para provar quem está certo.

O problema do “nós” e “eles”:

Existe algo profundamente humano nessa dinâmica: tendemos a confiar mais em quem pertence ao nosso grupo e a enxergar o outro com desconfiança.

As redes sociais intensificam isso. Consumimos conteúdos que confirmam aquilo em que já acreditamos, seguimos pessoas que pensam como nós e passamos a enxergar o outro lado como exagerado, ignorante ou mal-intencionado. Mas a realidade é muito mais complexa.

Existem pessoas honestas e desonestas, inteligentes e desinformadas, generosas e egoístas em diferentes grupos políticos.

Um voto não consegue resumir uma pessoa,discordar não significa ser inimigo. Talvez uma das maiores dificuldades do nosso tempo seja suportar a existência de alguém que discorda de nós sem sentir a necessidade de corrigi-lo imediatamente.

Temos dificuldade de dizer: Eu entendo por que você pensa assim, embora eu discorde.”

Parece que precisamos escolher entre concordar ou combater. Mas existe uma terceira possibilidade: conviver.

Conviver não significa concordar. Significa reconhecer que o outro tem liberdade para chegar a conclusões diferentes das nossas. E isso exige maturidade. O voto revela muito, mas não revela tudo

Nossas escolhas políticas podem revelar valores, prioridades e preocupações. Mas não contam toda a nossa história. Alguém pode votar em determinado candidato por uma pauta específica, por esperança, por medo, por rejeição ao adversário ou simplesmente por acreditar que aquela era a opção menos ruim.

Reduzir toda essa complexidade a “ele é uma pessoa daquele lado” é uma maneira muito pobre de compreender o ser humano. 

Precisamos recuperar a capacidade de conversar:

Talvez uma das atitudes mais necessárias atualmente seja escutar alguém que pensa diferente sem preparar imediatamente uma resposta.

Perguntar:

“Por que você pensa assim?”
“De onde vem essa sua preocupação?”
“O que fez você chegar a essa conclusão?”

Não para encontrar uma brecha para atacar, mas para compreender. Isso não significa abandonar nossas convicções, podemos defender nossas ideias com firmeza sem transformar o outro em inimigo.

A pessoa que votou diferente de você continua sendo mãe, pai, filho, irmão, amigo, colega ou vizinho, continua tendo uma história que você desconhece, dores, esperanças e valores e continua sendo muito mais do que o voto que depositou na urna.

A maturidade política começa quando conseguimos discordar:

Uma democracia saudável não é aquela em que todos pensam da mesma maneira. É aquela em que pessoas diferentes conseguem viver juntas apesar das diferenças.

Precisamos aprender novamente que discordar não é uma forma de violênciaNenhuma pessoa possui o monopólio da virtude, assim como nenhum grupo possui o monopólio do erro.

Quando acreditamos que apenas o nosso lado é formado por pessoas boas e que o outro é composto exclusivamente por pessoas ruins ou ignorantes, já não estamos apenas discutindo política. Estamos criando uma guerra de identidades.

E a guerra não termina quando acaba a eleição: a urna passa, as relações permanecem. Eleitores mudam, partidos mudam, governos terminam, eleições passam. Mas algumas relações podem não sobreviver à maneira como escolhemos viver esses períodos.

Talvez valha a pena perguntar antes de entrar em uma discussão política: “Eu realmente quero convencer essa pessoa ou quero apenas provar que estou certo?”

São coisas muito diferentes.

Talvez não seja possível mudar o voto do outro, ms é possível escolher como vamos tratá-lo. Podemos discordar sem humilhar, argumentar sem agredir e defender nossos valores sem desumanizar quem pensa diferente. Porque uma sociedade madura não é aquela em que todos votam igual.

É aquela em que conseguimos sustentar aquilo em que acreditamos sem transformar quem discorda de nós em nosso inimigo.

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